SP: geração Doria copia fracassos

A nova geração do PSDB (Doria, Skaf – aquele do pato amarelo – e outros) vem pior do que os antepassados. Agora embicaram mesmo em direção à privatização de tudo. Essa nova geração é “entreguista”. Tanto a entrega do público ao deus mercado, como ao capital internacional. É um povo deslumbrado com o “livre-mercado” redentor.

Doria (do PSDB concorrendo à Prefeitura de São Paulo), por exemplo, está deslumbrado com Bloomberg, o magnata que administrou a Cidade de Nova York por 12 anos consecutivos, focado na privatização. Tal como ele, são ricos que não precisam de salários, pois vivem de rendimentos polpudos de aplicações e empreendimentos. Bloomberg fixou seu salário em 1 dólar. Dória vai doá-lo a 48 entidades. Com isso querem dizer que estão no cargo “por amor ao próximo”. Atrás deles, como sempre, uma enorme quantidade de empresários necessitados, aguardam pelas medidas de entrega do estado ao capital. Eles abrem caminho para o pessoal do faturamento.

“É, e a prefeitura já devia ter feito isso. É possível sim agilizar um programa de convênio com as OSs e também com o setor privado, como supermercados, shopping centers e lojas de departamentos, para que possa ter creches. É possível, talvez no prazo máximo de um ano, zerar esse déficit. Vamos também procurar implantar creches nos terminais rodoviários porque facilita o acesso às mães. Eu não defendo que a prefeitura tenha creches porque isso é muito demorado, muito custoso e já mostrou que não é o caminho certo.”

Por que não é o caminho certo, ninguém sabe. É fé na iniciativa privada, ou melhor, “convicção”. Que tal creches em shopping, supermercados, terminal rodoviário etc.

Indagado como iria garantir que, com as concessões, os serviços sejam prestados com qualidade, pois o modelo de OSs teve problemas na área da saúde, respondeu: “Tem que ter uma agência regulatória.”

A santa regulação. É outra “convicção” frequente dos privatistas. É como se os Estados Unidos e todos os outros países onde a privatização naufraga, não tivessem sabido organizar uma boa regulação. Mas o Brasil o fará. (Veja aqui a questão da privatização do saneamento, por exemplo, onde a privatização naufraga. Veja também aqui a questão das prisões. Veja ainda aqui a privatização da previdência privada.)

Onde está a tal da “política pública com evidência”? Onde estão os estudos que mostram o sucesso de Bloomberg na educação? (Veja aqui um balanço da política adotada por Blomberg para a educação e seus resultados pífios.)

Bloomberg foi responsável pela implementação local das receitas dos reformadores empresariais americanos. Durante seu governo dezenas de escolas foram fechadas por serem consideradas de baixo desempenho. A privatização avançou. A educação infantil foi também incluída na ciranda dos testes padronizados.

Tão pronto assumiu, designou para Secretário da Educação Joel Klein que tinha negócios com o magnata Murdoch. A história recente do Departamento de Educação da cidade foi conturbada. Joel Klein, principal articulador e implementador das ideias dos reformadores foi retirado do cargo de Secretário de Educação depois do escândalo da manipulação dos níveis de dificuldade dos testes da cidade, o qual ao ser facilitado gerou um aumento fictício de desempenho nos testes. Com a denúncia, não houve como mantê-lo no cargo. Depois dele, a substituta de Klein, uma executiva das próprias empresas de Bloomberg, tentou dirigir o Departamento. Caiu em poucos meses depois de afirmar que era necessário controlar a natalidade na cidade para reduzir no número de alunos em sala de aula.

Recentemente Joel Klein publicou um livro com seus “sucessos” no cargo, no entanto, esta não é a opinião do pesquisador Gary Rubenstein. (Veja estudo  aqui também.)

Seu radicalismo ficou evidente quando, contrariando resultados de pesquisas, Klein afirmou em 2010 que:

“O fator mais importante que determina se os alunos têm sucesso na escola não é a cor da sua pele ou seu CEP ou mesmo a renda dos pais – é a qualidade de seu professor.”

Klein sempre criticou o fato dos professores terem direito a aposentadoria, mas ao final de sua gestão na cidade de Nova York, angariou uma aposentadoria pela sua breve passagem pela Secretaria no valor de 34.000 dólares anuais.

Sobre a implantação de escolas charters que ele considera um sucesso, os estudos existentes não corroboram suas percepções. (Veja aqui também.) Sobre tais receitas, o australiano Gary S. Stager, reagindo às influências de Klein naquele pais, diz:

“Klein mudou a estrutura organizacional do distrito tantas vezes que o caos se seguiu” (…) Qualquer pessoa com acesso ao Google poderia facilmente aprender que as alegações de Klein sobre aumentos milagrosos de pontuação nos testes foram desacreditadas por especialistas de todo o espectro político. Isto é particularmente trágico desde que sob a sua liderança, escolas de cidade de NY foram transformadas em fábricas dickensianas de exploração onde administradores assustados intimidavam professores criativos a seguir scripts curriculares a fim de aumentar as notas dos alunos. O Sistema de Relatório Escolar anunciado por Klein, com o qual ele pretendia envergonhar as escolas para aumentar os resultados dos testes, provaram ser inválidos ao classificar com notas baixas escolas nacionalmente reconhecidas pela sua excelência”.

E ainda:

“Entre em conflito com Klein ou um de seus impositores e você poderá ir  encontrar-se com outros 700 professores designados para o que é conhecido como “salas de isolamento” em toda a cidade. Ao invés de se envolver no processo de demitir professores acusados ou colocá-los em licença, Klein prefere humilha-los e puni-los antes de que qualquer culpa seja provada. Estes mais de 700 professores devem apresentar-se a um “centro de realocação de professores”, onde eles olham para um relógio durante todo o dia, cinco dias por semana. Se isso não fosse suficientemente kafkiano, Klein emprega psicólogos que usam duvidosas avaliações para determinar a aptidão dos professores para ensinar. Não importa que o sétima Corte Federal de Apelações considere isso como charlatanismo ilegal, obtenha um atestado de um bom médico e sua próxima parada será a “sala de isolamento”. Um educador veterano aclamado como “Professor do Ano” pelo prefeito Giuliani passou quase cinco anos indo diariamente a uma dessas salas”.

O pagamento de bônus é outra regra obrigatória destas políticas (copiado pelo estado de São Paulo em 2008 e que até agora é um rotundo fracasso) e que foi abandonada pelo próprio Blomberg depois de reconhecer seu fracasso.

E isso que encanta a nova geração do tucanato paulistano. Colecionam fracassos.

Tais políticas privatistas não visam a melhoria da qualidade da educação, mas sim tornar a educação mais barata e abrir mercado para empresas educacionais (veja aqui). Elas, junto com a escola sem partido, visam ampliar o controle político e ideológico sobre a escola. São faces da mesma moeda.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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