Ensino médio: elite atrasada descarta arte e educação física

Que o Brasil está sendo recolonizado com o grupo que assumiu o governo já está claro. Trata-se de entregar o país às grandes cadeias produtivas internacionais sob o comando de grandes corporações estrangeiras. Esta subserviência, em si, já é um atraso, um neocolonialismo.

Mas o que surpreende é que o atual governo não esconde ser também uma elite culturalmente atrasada, além de subserviente, onde a arte e a educação física são vistas como agregados que atrapalham a formação humana. Coisa só para quem tem “aptidão”. Esta elite acha que o que conta é português e matemática. Para estas disciplinas de português e matemática o espaço curricular está garantido nos três anos do ensino médio. Na nova MP, a arte e educação física desaparecem como disciplinas obrigatórias para o ensino médio. É o que diz o novo texto da MP do atraso divulgado hoje. A “elite” conseguiu se superar. Diz (grifos meus):

“# 1º Os currículos a que se refere o caput devem abranger, obrigatoriamente, o estudo da língua portuguesa e da matemática, o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política, especialmente da República Federativa do Brasil, observado, na educação infantil, o disposto no art. 31, no ensino fundamental, o disposto no art. 32, e no ensino médio, o disposto no art. 36.

#2º O ensino da arte, especialmente em suas expressões regionais, constituirá componente curricular obrigatório da educação infantil e do ensino fundamental, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos.

#3º A educação física, integrada à proposta pedagógica da escola, é componente curricular obrigatório da educação infantil e do ensino fundamental, sendo sua prática facultativa ao aluno: …………

#5º No currículo do ensino fundamental, será ofertada a língua inglesa a partir do sexto ano.”

O texto da LBD vigente estas disciplinas eram obrigatórias não só para o ensino infantil e fundamental, mas também para o ensino médio. Este é o tamanho do atraso que rebaixa a partir de agora a formação da nossa juventude. Para a elite no poder, o que importa são habilidades intelectuais demonstradas em testes. A sua “teoria” da formação humana dispensa a arte e a educação física.

A educação que ela pensa dar para a juventude é apenas educação de tempo integral e não uma educação de formação integral. É escola de preparação para testes combinada com mera antecipação da profissionalização. Com a desculpa de “adequar-se ao projeto de vida” dos estudantes, a nova proposta reforça a segregação e a dualidade no ensino brasileiro, retirando os estudantes mais pobres da escola pela vertente da profissionalização precoce – afinal são os pobres que precisam entrar logo no mercado para ganhar a vida – e mantendo nele os mais ricos que têm tempo e dinheiro para prosseguir em direção à Universidade.

Questionado pela Folha de SP, o Secretário “explica” a retirada da obrigatoriedade das disciplinas:

“O secretário de educação básica, Rosseli Soares da Silva, no entanto, nega a mudança. Segundo ele, as duas disciplinas devem fazer parte da base nacional comum. O texto da MP, no entanto, retirou as duas disciplinas do texto anterior da LDB nos trechos sobre o ensino médio.

“Tudo o que constar na base nacional será obrigatório. A diferença é que quando coloca a [oportunidade de escolher] ênfases, só colocamos os alunos que tem interesse em seguir naquelas áreas. Vamos sugerir o aprofundamento. Não adianta querermos ensinar tudo a todos enquanto as habilidades e competências individuais são diferentes”, disse.”

Ou seja, tem gente que não tem “aptidão” para Artes e Educação Física e, portanto, elas serão reservadas para aqueles que fizerem opção em alguns “aprofundamentos”. Ora, isso só confirma que Artes e Educação Física não serão obrigatórias para todas as áreas de concentração que proliferarão. No melhor dos casos será dada na parte comum inicial e depois só volta em determinadas áreas de concentração sob demanda. Não é para todos.

Ver aqui também.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Assuntos gerais, Mendonça no Ministério. Bookmark o link permanente.

5 respostas para Ensino médio: elite atrasada descarta arte e educação física

  1. Daniel Pereira disse:

    Também Filosofia e Sociologia foram retiradas.

  2. Marcel disse:

    Toda mudança gera críticas. Existe o lado bom e não vi aqui uma análise mas sim a crítica de alguém que como muitos professores usam as aulas de filosofia e sociologia para doutrinar seus alunos com o comunismo. Como pai, gostaria que professores como você jamais dessem aula para meus filhos, independente da matéria.
    O primeiro parágrafo do seu comentário resume bem o que passa nessa cabeça de comunista.

    • Priscila Leal disse:

      Como pai você deveria se informar mais sobre o processo educacional do país, e especificamente sobre o que é o comunismo. Uma posição contra hegemônica demonstra que o Profº Freitas é um educador que lê a sociedade criticamente, e se posiciona com argumentos fortes contra o neocolonialismo e a subserviência que se levanta nitidamente nesse país.

    • livredidatico disse:

      Prezado pai Marcel, quais das obras dos comunistas o Sr. considera nocivas à formação dos seus filhos? Sim pois para privar deliberadamente seus filhos de uma das principais correntes de pensamento que marcaram o século XX, tem que saber muito pra não fazer besteira, pois isso cai no vestibular das principais universidades públicas. Resumidamente, gostaria de saber onde, na sua opinião, os comunistas erram.

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