Frank Adamson: combater a política de vouchers

Adamson analisa a proposta educacional de Trump e as consequências desta para os Estados Unidos. Para o autor:

“A eleição de Donald Trump e a nomeação de Betsy DeVos como Secretária de Educação colocaram o sistema americano de educação pública sob ameaça. Trump e DeVos provavelmente proporão um esquema nacional de vouchers que privatiza a educação e provavelmente conduzirá a uma educação de menor qualidade, desigual e re-segregada. Evidências dos EUA e outros países em um novo livro, Global Education Reform, demonstram que as políticas de voucher aumentam a desigualdade educacional e diminuem a participação democrática na educação. Os americanos devem preservar a educação pública, um pilar fundamental de nossa sociedade.”

Para Adamson a política de vouchers é inadequada porque:

“Primeiro, eles violam a separação entre igreja e estado porque os pais podem usar o dinheiro público para pagar a educação religiosa.

Em segundo lugar, (…) Pesquisas em Milwaukee mostram que as escolas privadas que aceitam vouchers competem predominantemente com as escolas de renda mais baixa do que com as escolas com estudantes de nível socioeconômico médio ou superior. Como resultado, essas escolas, que já dispõem de menos recursos, recebem uma parcela ainda menor de recursos educacionais. Além disso, porque as escolas privadas podem definir critérios de admissão, as escolas públicas são deixadas para atender os alunos mais desfavorecidos e caros.

Terceiro, os vouchers violam o ideal americano de democracia porque transferem decisões educacionais do domínio público (através de conselhos escolares e eleições) para empresas e organizações privadas de gestão. (…) Ao permitir escolas inteiramente privadas, os vouchers reduzem ainda mais a responsabilidade pública e criam um muro entre o público e o setor de educação, diminuindo assim a democracia e o papel da educação como bem público.

Finalmente, é fundamental entender que o debate sobre os vouchers educacionais está aninhado em uma batalha maior sobre o trabalho. Os vouchers podem privar de direitos os sindicatos de professores porque dispersam os professores em muitos tipos de instituições e restringem a sua capacidade de negociar coletivamente. No Chile, os sindicatos de professores foram dissolvidos, os salários dos professores diminuíram em mais da metade e o ensino tornou-se desprofessionalizado, com base em salários e condições de trabalho não competitivos. Nos Estados Unidos, o impulso para a privatização da educação vem de fundações de empresas e famílias ricas, como os herdeiros do Walmart, uma empresa notória por suas políticas e práticas anti-trabalhistas.

O sistema de vouchers proposto por Trump e DeVos promete simultaneamente segregar os alunos por classe, etnia e nível de habilidade enquanto socialmente marginaliza os alunos individualmente com base em suas etnias e identidades.”

Leia a íntegra do texto aqui.

Conheça também a Internacional da Educação.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Assuntos gerais, Escolas Charters, Responsabilização/accountability, Segregação/exclusão, Vouchers e marcado , , , . Guardar link permanente.

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