De Tennessee para Alckmin: fracasso na privatização

Entre as ideias brilhantes da reforma empresarial da educação cresceu o uso de um procedimento conhecido como “turnaround”. Como sempre, estas coisas vêm da área empresarial, pois esta é a base conceitual das reformas empresariais da educação.

Para saber como é usado na indústria, clique aqui.

Para um resumo do que é “turnaround”, clique aqui.

Entre as várias formas de aplicação desta “ferramenta”, existe a que privilegia a “substituição” a qual implica em uma troca dos integrantes da gestão, entendendo-se que já tiveram sua oportunidade e que seus métodos não conduziram ao sucesso. A nova gestão, estaria, então, mais susceptível à mudança. “Turnaround” pode ser traduzido por “dar uma virada” na organização.

Algo próximo ao que Alckmin está experimentando em São Paulo, ainda que aqui seja apresentado como “controle da evasão escolar”. Como se lê na minuta de Edital, além da estrutura privada de administração e coordenação do projeto, se contratará de forma terceirizada coordenadores pedagógicos e educadores para 61 escolas, que serão os responsáveis pela implementação do programa. É uma troca de pessoal que sugere que os seus equivalentes públicos, não dão conta do problema.

Mercedes Schneider relata um estudo financiado pelo programa Race to the Top do Departamento de Educação dos EUA e Walton Family Foundation, que conclui que retirar as escolas de baixo desempenho de sua administração local e reuní-las sob uma única administração no chamado Achievement School District (ASD), ou ainda, privatizar o próprio ASD para charters não mostrou eficácia no Tennessee (USA). Ao contrário, as escolas que foram incluídas em uma zona de inovação, mas continuaram a ser administradas pelos distritos, portanto, sem privatizar, mostraram ganhos relevantes. O estudo por ser encontrado aqui.

Veja mais aqui, no Blog de Ravitch.

Se o pessoal do Alckmin estivesse realmente interessado em melhoria da educação, não gastaria 17 milhões para fazer um mal planejado experimento de privatização de 61 escolas em São Paulo, para ver se a iniciativa privada da conta melhor da eliminação da evasão no ensino médio, quando comparada com as escolas públicas. Mas ali, os objetivos não são os resultados em si, são outros. Trata-se de criar um “efeito demonstração” que justifique futuras privatizações na rede.

O estudo do Tenesse foi muito mais elaborado do que o de Alckmin e o que surpreendente é que foi financiado pelos maiores promotores de privatização por charters nos Estados Unidos, nada menos do que os Waltons.

Este é o resumo do estudo de Ron Zimmer, Gary T. Henry e Adam Kho:

Nos últimos anos, o governo federal investiu bilhões de dólares para reformar escolas cronicamente de baixo desempenho. Para cumprir seu acordo federal de concessão no Race to the Top, o Tennessee implementou três estratégias de transformação escolar que aderiram aos modelos federais de reorganização e transformação: (a) colocou as escolas sob os auspícios de um Distrito Escolar Achievement (ASD), que as administrou diretamente; (b) colocou as escolas sob um ASD, que organizou a gestão por uma organização de gestão por charter; e (c) colocou as escolas sob gestão de uma Zona de Inovação Distrital (iZone) com recursos adicionais e autonomia. Examinamos os efeitos de cada estratégia e descobrimos que as escolas iZone, que foram administradas separadamente por três distritos, melhoraram substancialmente a realização dos alunos. Nas escolas sob os auspícios do ASD, a realização dos alunos não melhorou ou piorou. Isso sugere que é possível melhorar as escolas sem removê-las da governança de um distrito escolar.

Outros estudos já indicavam a mesma direção. Veja aqui.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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