SEGREGAÇÃO: o culpado mora ao lado

Relatório sobre segregação escolar falha ao abordar a complicada relação entre as escolas e a sua vinhança. As escolas charters americanas, segundo uma montanha de dados disponíveis, aceleram a segregação escolar. Um relatório do Brookings Institution procura desfazer esta conexão tentando estabelecer que a segregação das escolas charters não é mais do que o reflexo das próprias comunidades segregadas que estão ao redor da escola. Mas os revisores do National Education Policy Center não encontram base para a conclusão da pesquisa.

BOULDER, CO (8 de fevereiro de 2018) – Balancing Act: Schools, Neighborhoods, and Racial Imbalance, publicado pela Brookings Institution, assume a importante tarefa de explorar a segregação escolar e residencial examinando a composição racial das escolas em comparação com seus bairros próximos.

Os professores Genevieve Siegel-Hawley da Virginia Commonwealth University e Erica Frankenberg, da Universidade Estadual da Pensilvânia, revisaram o estudo e apontam que sua fundamentação inconsistente em pesquisa, leis e métodos que informam a desegregação escolar, limita sua utilidade quando se trata de informar políticas e práticas.

O relatório sugere que as escolas racialmente concentradas são o resultado da segregação residencial e de como os limites do distrito escolar são desenhados de forma a separar as populações. Também explora a possibilidade de que as escolas charters, que são liberadas das restrições dos limites tradicionais, possam interromper a conexão escola-vizinhança. Também encontram que as escolas charter são, em média, mais equilibradas racialmente do que outras escolas públicas.

Siegel-Hawley e Frankenberg consideram que as decisões metodológicas do relatório, como o tratamento igual entre áreas metropolitanas e rurais e suas definições de vizinhança, não são totalmente explicadas ou não possuem base em pesquisa. Essa fraqueza mina a utilidade do banco de dados recém-criado – que seus autores consideram como uma contribuição vital do relatório.

Embora os avaliadores acreditem que o relatório merece crédito por abordar o complicado relacionamento entre a segregação escolar e habitacional e por ter renovado a atenção para questões que são freqüentemente consideradas separadamente, eles concluem que o relatório, em última instância, representa uma oportunidade perdida para explorar com precisão esta conexão.

A revisão de Genevieve Siegel-Hawley e Erica Frankenberg, está aqui.
O relatório original: Balancing Act: Schools, Neighborhoods, and Racial Imbalance, de Grover J. “Russ” Whitehurst, Richard V. Reeves, Nathan Joo e Pete Rodrigue, publicado pelo Brookings Institution, está aqui.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Assuntos gerais, Escolas Charters, Links para pesquisas, Privatização, Segregação/exclusão e marcado , , , , . Guardar link permanente.

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