NAEP 17: BNCC americana não decola

O relatório de avaliação da educação básica americana conhecido por NAEP foi publicado com os resultados da última aplicação feita em 2017. É a segunda aplicação da avaliação nacional amostral que já capta os impactos da BNCC americana conhecida como Common Core. Os resultados já não foram bons em 2015, derrubando a combalida curva de desempenho que aquele país vinha tendo e nesta última, as perspectivas não mudaram. Os alunos que já estavam nos percentis mais altos, melhoraram um pouco, mas os que estão nos percentis inferiores pioraram, aumentando mais o buraco entre o desempenho dos estudantes. Os gráficos do relatório que seguem, mostram as curvas tendenciais desde 1992.

Leitura no 4o. ano, queda de um ponto:

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Leitura no 8o. ano, ganho de dois pontos, sem recuperar o que já foi em 2013:

Leit8_18gMatemática no 4o. ano, tem o mesmo valor de 2015:

NAEPmat4_18g

Matemática no 8o. ano, ganho de um ponto sem recuperar o que já foi em 2013.

NAEPmat18gNa avaliação de 2015, advogou-se que os resultados negativos foram devido à introdução do Common Core que mudou o ordenamento dos conteúdos. Agora, os resultados estão sendo atribuídos ao fato de ser a primeira vez que os alunos fizeram a avaliação nacional em formato digital, por computador. De desculpa em desculpa, a reforma empresarial da educação que propiciou um voo de galinha ao sistema americano a partir de 2003, mostra mais uma vez que não tem fôlego para sustentar nem os pequenos avanços que conquistou. O impacto da avaliação digital é real, mas não o suficiente para explicar os sucessivos fracassos.

O punitivismo e a padronização da BNCC que se estabeleceu no campo da educação americana não é a saída para a melhoria da qualidade da educação. Há fortes suspeitas de que as pequenas alterações nas notas sejam produto do amplo treinamento para as provas realizado pelas escolas, não correspondendo a uma melhoria real da aprendizagem dos estudantes. Nossos deputados e senadores, ávidos por copiar os modelos internacionais do PISA – que recomendam praticar a política americana fracassada – deveriam se debruçar sobre os resultados do NAEP americano e da implantação da BNCC americana.

Um dado importante é o desempenho das escolas charters (privatizadas) versus o desempenho das escolas públicas que o estudo contém, mostrando que o desempenho dos alunos das charters, em média, é igual ou inferior ao mesmo desempenho das escolas públicas, desfazendo, mais uma vez, a ideia de que pela privatização se melhora a educação americana.

Em leitura no 4º ano:

ChartersXpublic18leit4PNGEm leitura no 8º ano:

ChartersXpublic18leit8PNG
Em matemática no 4º ano:

ChartersXpublic18mat4
Em matemática no 8º ano:

ChartersXpublic18mat8
Apenas em leitura no 4o. ano há empate, em todas outras séries as públicas são melhores que as charters. Apesar do susto causado pelo punitivismo na curva de desmpenho do início dos anos 2000, mais exatamente no ano de 2003, com a lei de responsabilidade educacional No Child Left Behind que estabeleceu que o ano de 2014 todos os alunos deveriam ser proficientes nas escolas americanas, o resultado está muito longe de se concretizar.

Em matemática no 4º ano:

MatTrendg

No quarto ano, em matemática, 59% dos estudantes ainda estão na aprendizagem do básico ou abaixo dele. Apenas 32% são proficientes. Nas demais avaliações não é diferente.

Em matemática no 8º ano:

Mat_8Trendg

Em leitura no 4º ano:

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Em leitura no 8º ano:

Leit8trends_18g

A estratégia do testar e punir, mesmo com a recauchutagem do Common Core (a BNCC americana) não consegue decolar. Outro não é o resultado quando se observa o desempenho americano em avaliações internacionais, inclusive no PISA. Mas a reforma empresarial não é movida a dados empíricos e sim pelo desejo de mercantilizar a educação da juventude e faturar.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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