SP começa a “namorar” os vouchers

O Secretário de Educação do Estado de São Paulo João Cury Neto (expulso do PSDB por ter aceito o cargo no governo do PSB) e que, sem alarde, substituiu Nalini, quer implantar vouchers para transporte e merenda em São Paulo. Favorável também ao pagamento de bônus por desempenho, ele foi escolhido pelo novo governador Márcio Franca do PSB – um partido que sempre namorou os processos de privatização, especialmente em Pernambuco. No Estado de São Paulo, há um movimento de alguns partidos de esquerda para apoiá-lo nas próximas eleições a governador do Estado.

Segundo o novo secretário, os pais recebem o dinheiro e decidem como querem levar os filhos à escola: à pé, de carro coletivo, de ônibus, etc. e com isso podem usar o dinheiro como quiser, até para outras finalidades que não o transporte.

“Eu fico imaginando uma família em que o pai está desempregado e falo que vou dar R$ 200, R$ 300 por mês. Ele tem carro, passa a levar o filho dele e os do vizinhos e fica com dinheiro para fazer o que quiser”, diz o secretário, que é advogado e foi empossado há 15 dias.”

Leia mais aqui.

Terceirizar as atividades, no caso para os pais, é a nova forma de administração que, ao invés de ser eficaz, livra-se das atividades. Sem ideias de como resolver os problemas, este conceito de administração procura livrar-se deles delegando-os a alguém: pais, empresas, ONGs, etc. Com isso, transformam o Estado em mero repassador de dinheiro público e destroem o sistema público. Destruir não é aprimorar.

A proposta da Secretaria é a desresponsabilização do Estado em relação aos cuidados da criança. Os país terão mais preocupações. Primeiro na escolha do próprio veículo que levará seus filhos à escola – não é toda família que tem carro e o pai está desempregado. Segundo, os pais trabalham e as crianças também tenderão a circular sozinhas no transporte coletivo, aumentando a preocupação dos pais e insegurança das crianças.

No caso da merenda, por semelhança, corremos o risco dos pais, premidos pela situação econômica, decidirem dar uma merenda inferior às crianças e usar o excedente. Ou ainda repassar o dinheiro para as crianças escolherem a merenda por conta própria, e elas gastarem em outra coisa.

A APEOESP, sindicato dos professores do Estado de São Paulo, não pode assistir a isso sem reagir. Por mais que as crianças não sejam filiadas a ele, cabe aos professores se apresentar também em defesa dos estudantes. Entidades de organização estudantil, também precisam se mobilizar.

Quando indagado se aplicaria o mesmo princípio dos vouchers para o ensino, permitindo que os pais escolhessem a escola (pública ou privada) em que gostariam de colocar seus filhos, o Secretário mostrou-se reticente – ainda que não totalmente contrário.

Leia aqui também.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Privatização, Vouchers e marcado , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s