Privatizar é deixar a formação nas mãos do mercado

Quando privatizamos a educação, uma área estratégica, a colocamos nas mãos de grandes grupos econômicos. Isso quer dizer que abrimos mão da soberania sobre a formação de nossos estudantes e a colocamos nas mãos do que pensam estes grupos econômicos.

Caso emblemático é um movimento religioso da Turquia que controla mais de 200 escolas charters em território americano, o grupo Gulen. O jornal USA Today afirma que:

“O movimento fundou Centenas de escolas charter em todo os Estados Unidos e ao redor do mundo, ele tem a sua própria organização de mídia, e esteve profundamente enraizado com o regime turco até ser posto para fora há dois anos. ”

Veja reportagem aqui.

Diane Ravitch, nos informa sobre a fábrica de transferência de dinheiro público para mãos privadas nas charters do grupo:

“Ontem escrevi sobre a decisão de se aprovar uma escola charter Gulen na zona rural do condado de Washington pela Alabama Charter School Commission, apesar do fato de que o Estado pagou à Associação Nacional de Autorizadores de Escolas Charters para revisar a proposta e ela a rejeitou. Há pouca ou nenhuma demanda no município por Charters, o qual tem boas escolas públicas. O CEO da charter planeja pagar a si mesmo 300.000 dólares por ano para administrar uma escola para 240 alunos, além de uma comissão sobre outras fontes de renda.”

É isso que move o mundo das conveniadas charters nos Estados Unidos. É isso que estamos importando.

Não adianta falar em regulação das charters pelo Estado, como propõe Naércio Menezes. Não há regulação que segure o livre mercado, até porque ele entende que regulação é uma interferência indevida do Estado sobre o mercado. Se existe regulação, procuram eliminá-la ou simplesmente burlá-la.

Ravitch também nos informa que estará disponível em 29 de abril próximo um documentário sobre esta cadeia de charters nos Estados Unidos: Killing Ed (infelizmente, em inglês).

Killing Ed:

A Documentary Film About Charter Schools, Corruption, and the Gülen Movement in America

“KILLING ED é um novo documentário que expõe uma verdade chocante: uma das maiores redes de escolas charter financiadas pelos contribuintes nos EUA é o pior ambiente possível – operado com questionáveis padrões acadêmicos, trabalhistas e de vistos H1-B por membros do “Movimento Gülen” – um grupo islâmico global em rápida expansão cujo líder, Fethullah Gülen, vive em reclusão nas montanhas de Pocono, na Pensilvânia.

KILLING ED ilumina seu público em todo lugar com um olhar chocante, em primeira mão, dentro das escolas, enquanto revela a corrupção daqueles que tentam privatizar nossas escolas públicas através de uma “reforma” educacional na América.”

Veja trailer e entrevistas aqui.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Escolas Charters, Fraudes em privatizações, Privatização, Segregação/exclusão, Vouchers e marcado , , , . Guardar link permanente.

3 respostas para Privatizar é deixar a formação nas mãos do mercado

  1. João Silva disse:

    Prezado Prof. Freitas. Para conhecimento e formação de opinião dos leitores: http://pt.braudel.org.br/publicacoes/livros/modelo-de-escola-charter/ Att

  2. Marlon da Costa Guimarães disse:

    Professor,

    O braço do grupo Gulen no Brasil, o Centro Cultural Brasil Turquia (CCBT), comanda uma escola charter da rede estadual fluminense, na cidade de Duque de Caxias.

    A saber: http://www.brasilturquia.com.br/primeira-formatura-do-ensino-medio-intercultural-brasil-turquia-1587.html

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