Novo estudo mostra fracasso da reforma empresarial

O que mais se ouve dos planejadores de reformas baseadas em padronização curricular, avaliações censitárias e responsabilização da escola e dos professores pela aprendizagem de “todos” é que isso é feito para garantir o direito dos mais pobres à aprendizagem. Pois bem. E onde estas políticas já foram implementadas, por acaso os pobres foram atendidos em seus “direitos de aprender”?

Do Chile, largamente citado como exemplo pelas reformas liberais, já falamos em outros posters sobre o grau de segregação escolar ao qual chegou, a ponto de até recuperar escolas separadas por gênero (escola para meninas e para meninos). Tudo em nome da escolha dos pais.

Há ainda a Austrália que frequentemente também é posta como exemplo. Ocorre que a Austrália desde que incentivou tais políticas vem caindo sucessivamente em seu desempenho no PISA. E olha que o PISA é um produto genuíno da reforma empresarial, portanto, uma medida insuspeita (para os reformadores).

Em entrevista, logo após a divulgação do PISA 2015, a Dra. Sue Thompson, do Conselho Australiano de Pesquisa em Educação “afirmou que o desempenho acadêmico local estava em “declínio absoluto”.”

“A proporção de desempenhos altos está diminuindo e a proporção de desempenhos baixos está aumentando”, disse ela. “Basicamente, o que está acontecendo é que tudo está se movendo para trás…”

Leia aqui.

Os Estados Unidos, um país que os reformadores evitam colocar como modelo, pois é largamente estudado e a reforma empresarial é reconhecidamente um fracasso, não está em condições diferentes após 25 anos ou mais destas políticas.

Lá, um novo estudo de Sean F. Reardon, Ericka S. Weathers, Erin M. Fahle, Heewon Jang, e Demetra Kalogrides mostra que a promessa da reforma empresarial da educação em resolver as diferenças de desempenho entre mais ricos e mais pobres através da escola ainda é uma promessa sem evidência. Abaixo o resumo:

As escolas públicas dos EUA são altamente segregadas por raça e classe. Pesquisas anteriores mostram que a dessegregação das escolas do sul nas décadas de 1960 e 1970 levou a benefícios significativos para os estudantes negros, incluindo maior escolaridade e maior rendimento. No entanto, não sabemos se a segregação hoje tem os mesmos efeitos nocivos que há 50 anos atrás, nem temos evidências claras sobre os mecanismos pelos quais a segregação afeta os padrões de desempenho.

Neste artigo, estimamos os efeitos da segregação escolar nos dias de hoje sobre as diferenças raciais de desempenho. Usamos 8 anos de dados de todos os distritos de escolas públicas dos EUA.

Descobrimos que a segregação racial das escolas está fortemente associada à magnitude das diferenças de desempenho na 3ª série e à taxa na qual as diferenças crescem da terceira para a oitava série. A associação da segregação racial com as diferenças nos desempenhos é completamente explicada pelas diferenças raciais na pobreza escolar: a segregação racial parece ser prejudicial porque concentra estudantes procedentes de minorias em escolas de alta pobreza, que são, em média, menos eficazes do que as escolas de baixa pobreza. Finalmente, realizamos análises exploratórias para examinar possíveis mecanismos através dos quais a matrícula diferencial em escolas de alta pobreza leva à desigualdade. Concluímos que os efeitos da pobreza escolar não parecem ser explicados por diferenças no conjunto de características mensuráveis ​​de professores ou escolas disponíveis para nós.

Acesse o estudo aqui.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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