Cardona é o novo Secretário da Educação americana

No dia 23 de dezembro Miguel Cardona – um americano filho de pais que migraram de Porto Rico – aceitou a indicação de Biden, candidato eleito para a presidência dos Estados Unidos, para conduzir a educação americana. Cardona deixa a superintendência da educação em Connecticut – cargo equivalente a nossos Secretários de Educação Estaduais – para ocupar agora o cargo de Ministro da Educação – lá chamado de Secretário de Educação.

O discurso em que confirma sua aceitação é, no mínimo, centrista e em muitos aspectos que interessariam aos defensores da escola pública americana dúbio ou vazio: por exemplo, a questão da privatização via charters e vouchers, os excessivos testes que anualmente massacram os estudantes americanos. Sabe-se que em Connecticut conviveu com as charters e que é um defensor do retorno às aulas e da aplicação de testes já no próximo ano – temas que são polêmicos.

A favor de Cardona conta o fato de trabalhar bem com os Sindicatos Nacionais de Professores e ter sido professor de escola pública antes de ser nomeado Secretário de Educação em Connecticut.

Leia aqui.

No conjunto das indicações, o futuro governo Biden pode estar caminhando para uma posição de retomada da política de Obama – um “neoliberalismo progressista”, para usar a expressão de Nancy Fraser.

Para Michael Sandel, o governo Obama fez uso sistemático do discurso meritocrático como forma de ascender socialmente, em consonância com o “sonho americano”, algo que obviamente não empolgou os americanos em 2016 e que estão há 40 anos sem aumento real de salário.

É o caminho para o fracasso e, talvez, para o renascimento de Trump em 2024, especialmente se considerarmos que Trump, agora em 2020, apesar de perder para Biden, teve 11 milhões a mais de votos do que em sua eleição em 2016. Isso, se por um lado reforça o avanço dos Democratas que, apesar deste crescimento, superaram Trump, mostra também que a base de eleitores de Trump aumentou.

Entretanto, a reação dos profissionais americanos defensores da escola pública tem sido um misto de cautela e confiança. Aguardemos pelas ações.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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