Educação Infantil está virando Ensino Fundamental

Recentemente, a Fundação Lemann enviou uma proposta de mudança para os estudos que estão definindo a base nacional comum da educação infantil no Brasil. Nela, propõe-se uma maior ênfase na alfabetização.

Diane Ravitch mais uma vez relata em seu blog estudos que mostram os efeitos deletérios da antecipação escolar proposta no Brasil pela Fundação Lemann e que evidenciam que as pressões por antecipar ambientes estruturados de aprendizagem voltados para habilidades escolares típicas da primeira série (hoje já iniciando-se aos seis anos no Brasil) produz efeitos nefastos na formação das crianças. Especialmente, porque não param nas proximidades dos seis anos, mas vão em cascata afetando os anos iniciais da pré-escola e até mesmo a creche.

Esta concepção induz a uma febre para “aproveitar janelas de desenvolvimento” criadas por teorias duvidosas do desenvolvimento infantil e que constituíram um mercado milionário para as empresas educacionais, transformando as crianças em cobaias de “inovações” supostamente ancoradas em neuro-ciência.

No referido post Diane mostra a que levam as pressões que o Common Core (algo como uma base nacional comum restrita a leitura e matemática nos Estados Unidos) e as pressões por antecipação dos testes que geralmente acompanham estes movimentos, conduzindo a mudanças que não são bem vindas para a formação das nossas crianças. Mencionando publicação do The Atlantic Magazine, por Erika Christakis, diz:

“Um estudo, intitulado “É o Jardim de Infância a nova primeira série?“, que compara atitudes dos professores de jardins de infância em todo o país entre 1998 e 2010, constatou que o percentual de professores que esperam que as crianças saibam ler até o final do ano havia subido de 30 para 80 por cento. Os pesquisadores também relataram mais tempo gasto com manuais e tarefas, e menos tempo dedicado à música e arte. O jardim da infância é, de fato, a nova primeira série, concluíram os autores melancolicamente. Por sua vez, as crianças que faziam uso dos anos do jardim de infância como uma transição suave para a escola estão, em alguns casos, sendo retidos antes que tenham a chance de começar. Um estudo de Mississippi descobriu que, em alguns municípios, mais de 10 por cento dos alunos das escolas de jardins da infância não foram autorizados a avançar para a primeira série.

“Até recentemente, habilidades de prontidão escolar não eram uma prioridade na agenda de ninguém, nem a ideia de que os alunos mais novos poderiam ser desqualificados para passar para uma fase posterior. Mas o jardim de infância agora serve como um “porteiro” e não como um tapete de boas vindas para a escola primária e as preocupações com a preparação para a escola começam cada vez mais cedo. Uma criança que se quer que leia até o final do jardim de infância deveria de fato estar se preparando na pré-escola. Como resultado, as expectativas, sem dúvida, que poderiam ter sido razoáveis para os mais velhos de 5 e 6 anos, como ser capaz de se sentar em uma mesa e completar uma tarefa usando lápis e papel, estão agora dirigidas às crianças ainda mais jovens, que não têm habilidades motoras e não têm a capacidade de atenção para ser bem sucedidas. “

“Salas de aula da pré-escola se transformaram em espaços cada vez mais tensos, com os professores fazendo ameaças de que as crianças devem concluir o seu “trabalho” antes que eles possam ir brincar.

“Novas pesquisas destacam aspectos particularmente inquietantes. Uma grande avaliação do sistema de financiamento público da pré-escola em Tennessee, publicado em setembro, encontrou que, embora as crianças que frequentaram pré-escolas inicialmente exibiram mais “habilidades de prontidão escolar” em relação às que não fizeram jardim de infância, durante a primeira série, no entanto,  as atitudes em relação à escola foram se deteriorando. E na segunda série se saíram pior em testes que mediram habilidades de alfabetização, linguagem e matemática. Os pesquisadores disseram à revista New York que a dependência excessiva de instrução direta e repetitiva, uma pedagogia pobremente estruturada, foram provavelmente as culpadas; crianças que tinham sido submetidas ano após ano às mesmas tarefas insípidas foram, compreensivelmente, perdendo seu entusiasmo pela aprendizagem estruturada. “

Segue o resumo da pesquisa:

“Recentes estudos sugerem que as pressões por accountability que hoje invadiram as primeiras séries e o jardim da infância são caracterizadas por um maior foco nas competências acadêmicas e uma redução de oportunidades para brincar. Este artigo compara as salas de aula do jardim de infância entre 1998 e 2010, utilizando dois grandes conjuntos de dados nacionalmente representativos. Mostra mudanças substanciais em cada uma das cinco dimensões consideradas: crenças dos professores de jardim da infância sobre prontidão para a escola, tempo gasto com conteúdo acadêmico e não acadêmico, organização da sala de aula, abordagem pedagógica, e utilização de avaliações padronizadas. Os educadores de infância no período posterior tinham expectativas acadêmicas muito mais altas para as crianças, tanto antes da entrada no jardim de infância como durante os anos de jardim de infância.

Eles dedicam hoje mais tempo à alfabetização avançada e conteúdo de matemática, instrução dirigida pelo professor e avaliação, e substancialmente menos tempo para arte, música, ciência e atividades selecionadas pelas crianças. As alterações foram mais acentuadas para as escolas que atendem altas proporções de crianças de baixa renda e não-brancas.”

Refletindo sobre a Finlândia, Erika diz no The Atlantic:

“Aqui está o que os finlandeses, que não começam uma instrução formal de leitura antes de 7 anos de idade, têm a dizer sobre a preparação de pré-escolares para ler: “A base para o início da alfabetização é que as crianças tenham atenção e ouçam … que elas tenham falado e conversado, que as pessoas tenham discutido [coisas] com elas … Que elas tenham feito perguntas e recebido respostas. “

Ou seja, há opções bem sucedidas ao estudo da Lemann. É preciso ter claro que a opção pela orientação Lemann reproduz caminhos que conduzirão a efeitos nefastos para a formação de nossas crianças, como de resto a pesquisa tem sucessivamente evidenciado.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Avaliação na Educação Infantil, Links para pesquisas, Meritocracia, Responsabilização/accountability e marcado . Guardar link permanente.

76 respostas para Educação Infantil está virando Ensino Fundamental

  1. Maria solangecharczuk@gmail disse:

    Há uma onda de responsabilizar as crianças cada vez mais cedo e estender cada vez mais a idade onde os sujeitos deveriam ser responsáveis. Resultado ,temos crianças que não brincam e adultos que brincam por toda a vida.

    • Perfeitamente disseste a mais pura verdade….Maria solangecharczuk@gmail

      • Leila Nunes disse:

        Criança tem que ser criança e portanto tratada como tal, infelizmente hoje o que se vê são crianças com responsabilidade de horários e uma infinidade de tarefas a serem cumpridas. Estão pulando etapas e tendo comportamento muito além de sua idade.

    • Ana Cristina disse:

      Também acho, tudo no devido tempo, quando se antecipa, e pula etapas naturais, não dá certo !

    • Dalva disse:

      Excelente comentário. EU SOU MÃE E tenho podido vivenciar isso.Não tem coisa pior do que conviver com uma pessoa cronologicamente adulta e com a mentalidade e comportamento infantis.E a impressão que passa é que nunca crescerão.

    • Rosa Rodrigues Borges disse:

      As crianças estão perdendo seu direito à infância, muitas passam longos períodos em centros de educação infantil, costumo dizer que elas “trabalham” muito mais do que muitos adultos, pois tem uma sobrecarga de responsabilidades: cumprir horários seguir, rotina e ainda agora mais essa de pular etapas e alfabetizar, acredito que não funciona, tudo tem seu tempo. A época para om plantio e também para a colheita. Deixem os pequeninos viverem o doce sabor da infância.

  2. E a infância sofre ameaças mais uma vez.

  3. claudia alencar disse:

    Concordo totalmente com o artigo. Sou professora de EI há 32 anos. Nos últimos 10 anos tenho visto a aceleração do processo de alfabetização nos grupos de 4 e 5 anos e, dar conta disso, estão tirando da rotina o tempo destinado ao brincar. Aa crianças ficam trancadas nas salas de aula por muito tempo e a produtividade cai muito, pois ficam irritadas, dispersas e agressivas. Nessa idade as crianças necessitam de ambientes abertos, ode possam correr, pular, movimentarem -se. O que esta ocorrendo é o contrário, elas ficam presas e devem ficar sentadas por mais tempo. Percebi uma diferença imensa na produtividade das aulas e o quanto as crianças estão mais agitadas por terem que permanecer longos períodos sentadas fazendo atividades. Tenho pena que isso esteja ocorrendo, não estamos lidando com robôs, mas com seres humanos em formação e desenvolvimento. Não concordo com a filosofia da Lemann e acho que necessitamos nos unir pra não deixar que o Brasil compre essas ideias como se fossem nos salvar e melhorar o índice de alfabetização.

    • José parlangelo disse:

      A instrução e os preceitos são úteis até certo ponto, acontece que as crianças (a grande maioria) já nascem Quânticas, é só serem disciplinadas pelo contato com os instintos delas, temos que ter ”pedagogos” nas escolas, não professores. Nossas crianças querem fugir da Matrix urgente. Abrs.

    • Ilson Cardoso disse:

      Concordo plenamente com a Claudia Alencar. E, tudo isso é resultado de encontrarmos pais recalcados / irresponsáveis, donos de escolas gananciosos, MEC e Secretarias de Educação que não cumprem suas atribuições e até mesmo a omissão / conivência de certos professores.Lamentavelmente, na “Educação” qualquer um pode bedelhar e brincar de administrá-la. Isso é Brasil.

    • Sandra disse:

      Nossa , você resumiu meu filho. Obedecendo a lei que faz com que um menino que fez 6 anos em fevereiro já vá para a Primeira série gerou uma criança irritada, dispersa e agressiva. Natural haver um choque nesta transição, mas fazer 6 anos e ter que enfrentar tardes em sala sentados e atentos a letras e números realmente não torna a saída de casa atraentes. Mas o que fazer??? É lei. Eu queria que ele ficasse mais um ano na educação infantil😞😞😞😞😞😞

    • Regiane disse:

      Achei muito pertinente suas considerações Cláudia. Fico me perguntando se é por a educação infantil está assim que temos visto essa epidemia de diagnóstico de TDAH? Afinal não é raro hoje em dia os pais serem informados pelos.professores que seu filho tem comportamento agitado, hiperativo, as vezes até agressivo, que não se interessa pelas atividades e orientar (ou melhor, pressionar) que leve a criança para um neuropediatra pra fazer avaliação( antes mesmo dos 7 anos) para assim medica-las o quanto antes e poder ter um desenvolvimento “normal” para a escola.

    • Simone Lima disse:

      Sou educadora também, acredito que a aceleração no processo apenas trará problemas futuros, nossas crianças têm sofrido com o mecanismo acelerativo e perdido momentos como pular, brincar, correr compartilhar não podemos robotizar nossa educação.

  4. Marilia disse:

    Acho que por aí podemos concluir que as escolas montessorianas estão no caminho certo. Concordam?

    • camila disse:

      Não só as montessorianas… Sou estudante de Pedagogia e vejo o crescimento das escolas Waldorf e Waldorf-inspired. Além disso, algumas poucas escolas particulares estão começando a acordar tbm. Espero que um dia este quadro horrível se reverta…

    • ALINE disse:

      sim, as construtivistas e algumas outras que existem ,onde valorizam o brincar na Educação infantil !!

  5. Cassia A. S. Américo disse:

    Na minha opinião, o papel da Educação Infantil é acolher as crianças de forma lúdica e aconchegante. É necessário desenvolver inúmeras habilidades motoras e cognitivas de maneira que a rotina escolar não fique semelhante ao Ensino Fundamental. As crianças precisam mais de carinho, atenção, portanto, a Afetividade é a ferramenta de trabalho principal , quem não põe a afetividade como prioridade sofre e faz as crianças sofrerem!!! Quem acha que a prioridade é alfabetizar está no lugar errado: VÁ PARA O ENSINO FUNDAMENTAL!
    Eu sou PEB I e quando vou substituir na Ed.infantil é comum as crianças se apresentarem muito carentes…Não podemos perder tempo em desenvolver habilidades alfabetizadoras, se a urgência é outra!

  6. Isadora disse:

    É verdade, fui na reunião de fim de ano na escola do meu filho e a professora disse q ele não se interessa muito pelas atividades, q até tentou ensinar a letra do nome dele mas ele não aprendeu, fiquei indignada, meu filho tem 1 ano e meio, coloquei na escola pra brincar, desenvolver coordenação motora e sociabilidade, tirei da escola.

    • Daisy Regina Silva Pinto disse:

      Sério isso…é um bebê, absurdo…

    • wagner martins disse:

      Meu filho fez 3 anos em fevereiro. Esta no maternal 3. Ele possui um pequeno atraso na fala, já avaliado por neuropsicopedagogas e por 2 fonoaudiólogas. Para todas, ele esta num processo normal de aprendizado e que é dificultado às vezes pela timidez.
      A escola me chamou para que eu procurasse ajuda de neuro e fono pq senão ao fim do ano ele não estará escrevendo o nome e reconhecendo o alfabeto.
      Eu falei:” Espera aí, ele tem três anos. Você acha certo exigir isso de uma criança com três anos?” A resposta foi :” Este é o nível de alunos que queremos. Ele precisa acompanhar o ritmo senão ficará muito prejudicado no futuro.”
      Hoje penso seriamente em mudar de escola, mas, quase todas são assim.

    • Ana disse:

      Parabéns Isadora, precisávamos de mais mães como você.

    • Nicole Alvarenga Marcello disse:

      Parabéns, Isadora! Certíssima. Um bebê ainda.

  7. fabiola correa da silva disse:

    Sou Aux. de creche estou no segundo ano de pedagogia,atualmente auxilio no infantil 02, estou na área da educação em torno de 04 anos,também presencio no cotidiano da educação infantil muito conteúdos que poderiam ser trabalhado de maneiras mais lúdicas e prazerosas e a grande pergunta sera que os professores estão preparados para trabalhar desta forma pois,o profissional da educação e gabaritado para alfabetizar e e de grande mérito quando este objetivo e alcançado, para a sociedade que estamos inserida este e o objetivo ,quando mais cedo a criança e alfabetizada mais mérito para todos. infelizmente ista se tornando cultural, começando na falta de preparo dos próprios professores e como a sociedade abstrai este resultados.

  8. arlete rosane de fraga guedes disse:

    Atenção e compreensão do nosso fazer pedagógico para mostrar e fazer a diferença a todo aquele que pensa em dar palpite em é fácil. Assumir nossa condição de profissionais desta área é urgente. Porque o pior de tudo o exposto
    O pior de tudo isso são as interferências de fundações que intencionam direcionar a Educação. Brasileira e os governos estaduais oferecendo verbas para operacionalizarem propostas de caráter privatista e nos moldes empresariais. Nós, professores precisamos estar atentos aos acenos empresariais que querem desvincular a manutenção e o desenvolvimento da escola da responsabilidade do Estado Brasileiro. Temos legislação educacional, academia responsável e professores capacitados em atuação em nossas redes de ensino. As instituições educacionais públicas brasileiras precisam e devem excluir o nefasto as nossas crianças e adolescentes é para agirem assim que existem e são legitimadas: Defender a Educação e seus princípios de liberdade, autonomia e identidade nacional.

  9. Juliana disse:

    Tenho um filho de 6 anos que concluiu a primeira série do ensino fundamental e não foi alfabetizado, ele ainda é imaturo, só pensa em brincadeiras e a professora cobrou muito que em casa deveríamos incentivar, fiz isto junto com o meu marido, mas ele não teve tal interesse, faz quando quer as tarefas e fora que o livro de atividades achei um pouco demais para uma criança de 6 anos, questões que nós pais temos que resolver para ele.
    Incentivo nó damos, colocamos horários para brincadeiras, estudos, jogos etc… mas a questão de alfabetizar não temos o conhecimento de um professor, a técnica que eles tem de formar os alunos.
    Concordo que as crianças estão com uma carga de responsabilidade muito grande de uns anos para cá.

  10. Dolores Taboada disse:

    Concordo parcialmente….Devemos sim priorizar a infância, mas eu vejo que aa escolas públicas só brincam e ai nos encontramos o indivíduo no 5o ano sem saber escrever o próprio nome…

    • J.C.Santos disse:

      O que os professores fizeram, então, do primeiro ao quarto ano, com o “indivíduo”, que não o ensinaram a escrever seu próprio nome?

    • Ana Cristina disse:

      Meus netos estão em escola pública mas não brincam a maior parte do tempo não, o problema é que hoje tem professores mau preparados, por isso muitas pessoas não são devidamente alfabetizadas,já pessoas com 50 anos sabem escrever perfeitamente o próprio nome, como eu inclusive, porque tínhamos um ensino de qualidade e não tempo certo, e nossa infância não era roubada.

  11. Mariluce Xavier de Melo Lima disse:

    Acho que as crianças de hoje desde cedo lidam com materiais de leitura o que não acontecia nos tempos que antecederam à TV, computador, xbox, tablets etc. Tudo isso, torna as crianças mais ávidas para aprender a ler. Evidentemente, as crianças das classes sociais menos favorecidas são privadas de um ambiente sócio-cultural favorável ao sucesso na aprendizagem da leitura e escrita, necessitando, portanto, de uma escola que possa suprir essa carência.
    Percebe-se também um grande desejo dos pais no sentido de ver seus filhos lendo o mais cedo possível. Logicamente, cada criança tem seu ritmo próprio e limites. As atividades lúdicas, as artes, as formas de expressão oral e escrita, observação da natureza e o desenvolvimento de atitudes, hábitos e habilidades socialmente aceitas devem merecer prioridade no início da educação infantil.

  12. Christian Régia de Souza Biavati disse:

    Sou professora na Educação Infantil e também no 1º ano do Ensino Fundamental e penso que alfabetizar crianças no Ensino Infantil é cometer um “assassinato” da infância.

  13. Kelly disse:

    Eu professora recebo altas pressões para cumprir currículo extenso para as crianças; não posso ter espírito criativo pq tenho que seguir só o q é determinado pela pela secretaria de educação. Então fica difícil adequar às reais necessidades das crianças. Concordo com a reportagem!

    • Monica R. da Silva Policarpo disse:

      Na última quinta defendi meu TCC que trouxe algumas implicações ligadas ao assunto, Transição da Criança da Educaçao Infantil para o Ensino Fundamental, alertando o quanto a Lei 11.274/06 as escolas, a partir da mesma, não discutem e não aplicam ações que minimizam o impacto da inserção das crianças no fundamental, compreendendo a criança como duas pessoas diferentes e dissociando uma etapa da outra.

  14. MARCIA disse:

    Meu filho passou para o primeiro ano com cinco anos, com quatro já estava sendo preparado (domesticado) para essa que seria sua nova fase… depois de desacertos, consegui retornar ele dois anos, com ajudade de psicopedagogos, medicos, neuros e psicologos (veja como meu gasto é bem maior agora) e uma escola Waldorf, hoje ele está bem melhor (com onze anos) mais tranquilo, porem com um desamor ao ensino que nos faz sentir um remorso imenso por não ter tido a época que precisou o conhecimento e experiencia necessária para evitar tudo isso.

  15. virnamacedo disse:

    Pobrezinhas dessas crianças,de classes sociais e econômicas diversas,estão nas mãos de prof.(tias/os) cada vez menos qualificados profissionalmente,que massacram esses pequenos,com a “intenção de faze-los aprender”, quando ainda deveriam estar desenvolvendo habilidades diversas que os conduziriam gradualmente e espontaneamente a isso…E como sempre copiamos os modismos importados…Que tragédia!!!!

  16. O usofruto da ciência em experimentos na área da educação a cada ano que passa deixa todos atònitos devido a pouca visão do resultado. Não concordo com a lecionar do conhecimento quando o sêr humano não está em seu psique maduro para absorver a informação. Deixai as crianças serem crianças e brincarem em sua fantasia e maturidade. Não dar tanta importância
    a idade e ano para a nova etapa em sala de aula e sim observar as aptidões e aquilo que a
    criança quer desenvolver no Jardim de Infância, me é prioridade e no maternal, como já o próprio nome o diz: mais atenção aos horários da vida normal de um bebê, sôssego, atenção,
    carinho, bons tratos e brinquedos condizentes a essa fase (0-4-5 anos). Pedagogicamente falando temos agora no país fabricações atesanais ou industrializadas que satisfazem as fases
    do bebê junto aos cuidados de puericultura e pediatria.

  17. Lívia disse:

    Por favor, consertem “se quer” separado, desacredita o artigo…

    • A frase é: “Uma criança que se quer que leia até o final do jardim de infância deveria de fato estar se preparando na pré-escola.” Aqui não é usado “sequer” mas sim o verbo querer “se quer”, ou seja, “uma criança que se deseja que leia”. Este é o sentido. Portanto, é separado mesmo. Mas agradeço do mesmo modo. A construção não é boa, mas não chega a ser errada. Poderia ter ficado melhor, por exemplo: “uma criança que sequer leia até o final do jardim da infância”. Abraço.

      • Sandra Regina de Oliveira. disse:

        Sou professora de educação infantil, mas já fui do fundamental também. Sei que a faixa etária da educação infantil é onde as crianças desenvolvem suas habilidades,físicas, cognitivas e sociais, que levarão por toda sua vida. Vou além dizendo que o caráter de uma pessoa é definido nessa faixa etária.
        Infelizmente temos uma pedagogia pobre sim, pois não ensina como o professor utilizar de estratégias para ensinar os alunos. É possível alfabetizar crianças na educação infantil, através de brincadeiras, jogos e tudo mais que está inserido na cultura da criança.São atividades dirigidas, com objetivos claros e concretos de acordo com as possibilidades de cada faixa etária.
        Observo nas crianças a ânsia de aprender quando chego com alguma novidade na escola. Fico admirada como eles prestam atenção e interagem positivamente com a novidade. A partir dessa novidade, vou utilizando estratégias e consigo meus objetivos.
        O problema dos professores é achar que as crianças não vão conseguir realizar as atividades. Mas deixo bem claro, que o problema são dos professores que não sabem utilizar estratégias para realizar atividades. Utilizam atividades cansativas e ultrapassadas para a aprendizagem das crianças, ou deixam as crianças no parque (brincadeiras livres), para brincarem.
        Acho que dentro da escola é possível seguir uma rotina onde tudo e possível. Até uma rotina que não vire rotina. Temos que ter a hora de brincar, estudar, comer etc…,
        mas saber que a criança está ali e captando toda a informação que está observando, inclusive em conversas de adultos.
        Acredito que falta sensibilidade no professor de observar sua realidade e tentar transforma-la. Crianças são crianças, com um mundo inteiro pra desvendar, descobrir e muita, muita ânsia em aprender.

  18. daniele disse:

    Olá, como professora de educação infantil vejo esta aceleração e apressamento na alfabetização acontecer o tempo todo com crianças de 4 e 5 anos, com clara redução do espaço para o brincar, uma colega chegou a afirmar: ” a educação infantil está virando uma fundamentalzinho”, e isto acontece em escola pública municipal do interior de São Paulo.

    • Carmem disse:

      Daniele infelizmente isso não ocorre apenas em escolas públicas no interior de SP.
      Sou pedagoga, trabalhei 9 anos na coordenação de creche e pré-escola em Campinas e hoje sofro isso na pele.
      Minha filha de 5 anos estuda numa das melhores escolas particulares de Araçatuba e vivo questionando o currículo e a grade de horários que não são cumpridos.
      As professoras deixam de lado as aulas de artes, música e o horário de parque para conseguirem cumprir as apostilas.
      O pior é que não tenho como mudar, pois todas as escolas da cidade seguem este padrão. O jeito é ser a mãe “chata”, que fica questionando.

      • Fátima Silva disse:

        Carmem, você colocou duas palavras na sua escrita, que são fundamentais para o questionamento e reflexão deste momento tão difícil que estamos vivendo dentro do processo educacional no Brasil. “Arte e Música”.
        Nossas crianças, até sete anos, no mínimo, precisam desenvolver suas habilidades criando, cantando, dançando, representando e isso não acontece como gostaríamos.
        As escolas, não sei se por falta de tempo, preparo ou conhecimento deixam para trás coisas simples que fariam uma grande diferença. Enquanto a palavra escrita se torna algo essencial, a criatividade fica a desejar. Creio que tudo pode ser misturado numa grande receita de conhecimentos diversos; porém, com bases no lúdico, levando-se em conta o processo de criação que leva à aprendizagem. Acreditando ainda que o processo tem maior importância do que o produto.

  19. Em 1996 já havia em minha cidade, Cruzília/MG, uma tendência a interrupção do período de brincar paraque se iniciassem “os estudos de verdade”. Na época trouxemos Lenore Bertalot, grande educadora antroposófica, para que trabalhasse com as professoras municipais. Uma semana de estudos e palestras, fantásticos. Hoje todo este trabalho foi perdido e com o poder econômico da Ambev, não restará mais espaço institucional para criança brincar neste país!

  20. sandra mara disse:

    pobres crianças, pulam etapas importantes no seu desenvolvimento, um recado deixem as crianças serem crianças, aprenderem de forma lúdica …

  21. Mariana Vitorino disse:

    É exatamente a realidade e que vivo. Trabalho na rede particular com crianças de 5/6 anos e sou instruída a “puxar” e fazer meus alunos lerem até o final do ano.
    São tão pequenos, tão cheios de imaginação e energia e fico muito triste em submete – los a uma rotina de atividades tão pesada.
    Os resultados aprecem pois nessa faixa etária eles estão abertos a novos conceitos,mas vejo crianças ansiosas,crianças desmotivadas, crianças que lêem e escrevem mas não entendem o porque disso.
    Fere minhas ideologias,mas tenho que trabalhar né? ! Mas de coração partido!

  22. Amauri disse:

    Vamos deixar as crianças serem crianças. O tempo passa tão rápido…

  23. JOSIANE AREIA GONÇALVES ZULATO disse:

    olá, como professora vejo que o aluno é um elemento ativo que age e constrói sua aprendizagem, cabe a nós professores instigar o sujeito desafiando, mobilizando questionando através do lúdico,sempre respeitando características individuas,pois cada criança tem o seu tempo. Não podemos esquecer que a educação infantil é sim fase importante , onde entra as brincadeiras.

  24. Elza Norte disse:

    27/1/2016
    Olá, como educadora, a meu ver,as crianças,já vem com bagagens de casa,seja intelecto ou uma cultura rural,cabe a nós guiá-los,levá-los ao conhecimentos,letra-los.

  25. Nilcélia de Souza Martins disse:

    Eu acho que essa mudança é muito boa, uma vez que a criança terá mais do que somente 3 anos para ser alfabetizada, acredito que com isso será possível respeitar mais o tempo que cada criança tem e necessita para aprender a ler. Isso é uma meta que não pode virar uma pressão, sou professora de classe multisseriada 4 e 5 anos e inicio o processo de leitura e escrita com meus alunos, não os comparo, respeito o ritmo de cada um, auxílio aqueles que apresentam mais dificuldade e eles brincam muito. Aplico o máximo de 1 atividade sistematizada (folha) por dia e o resto do processo faço com jogo de alfabetização, alfabeto móvel, números e quantidades no concreto e sinceramente não os sinto desanimados, muito pelo contrário, eles finalizam o ano entusiasmados com a idéia de ir para o primeiro ano e muito curiosos para aprender mais coisas. Acho que tem mais a ver com a forma de trabalhar do professor do que com a base nacional em si. E francamente quem mais crítica são aqueles que tem seus filhos nas escolas particulares pq essas “estimulam” as crianças mais. Tá passando da hora de melhorar o ensino público e dar aos alunos igualdade de oportunidade DE APRENDER para acabar com essas cotas para alunos oriundos da rede pública que só servem para afirmar a má qualidade do ensino.

  26. Luciana Rocha do Couto Paschoal disse:

    Fui professora de EI durante 22 anos, e hoje faço atendimentos psicopedagógicos e mts crianças chegam ao consultório para se fazer a intervenção de desenvolvimento global. Nota-se que há algo de errado, afinal criança é criança e necessita de viver suas fases. Enquanto professora, os alunos sempre tiveram oportunidades de vivenciarem tempo, espaço, percepções com o próprio corpo e qdo iam para EF., nunca apresentaram problemas de aprendizagem ou desordens de comportamentos.

  27. Marli Andrade disse:

    Perfeita análise.
    Chega me proporcionar felicidade saber que mais pessoas estão lutando para mostrar aos Educadores, sobretudo da primeira infância, que criança precisa viver a infância.
    Obrigada! Obrigada! Obrigada!

  28. Suziane disse:

    Que pena que Brasil não é a Finlândia! Aqui, nós, educadores infantis, falo pela minha realidade, temos como recurso didático, a voz e nada mais. Contar histórias, brincar, realizar atividades de música, arte e movimento, numa sala com 25 crianças de 4 ou 5 anos e sozinhos, nos coloca na condição de super heróis. Escolas sem vida, sujas, sem ambientes favoráveis ao desenvolvimento das habilidades e competências (ouvir, falar, raciocinar, conceituar, debater…) necessárias ao êxito escolar nos anos subseqüentes fazem da educação infantil neste país uma violência contra a infância e nós, educadores infantis, apontados como os vilões dessa etapa ímpar na vida de nossas criancas. Queria então, morar na Finlândia e fazer o que sempre sonhei para as crianças: prepará-las para o sucesso escolar e, consequentemente, torná-las capazes de realizar sonhos, promover mudanças e serem de fato adultos felizes e realizados.

  29. Pingback: Papel da Educação Infantil – concursoprofessor

  30. Marco Aurélio disse:

    Excelente texto. Só discordo da parte em que as “neurociências” embasam práticas errôneas de educação. Na Finlândia, eles têm uma base neurocientífica fortíssima que, na verdade, atesta os benefícios de iniciar a alfabetização aos 7 anos.
    Já essas práticas de alfabetização PRECOCE são embasadas em devaneios científicos muito mal elaborados, que partem de uma sociedade esquizofrênica a ponto de praticamente DESTRUIR a infância por “produtividade”.
    As neurociências atestam que o brincar é essencial na infância, até mesmo porque através dele e de experiências criativas (artes, música etc.) é que a alfabetização será concretizada com naturalidade, diferente do que ocorre aqui no Brasil e em tantos outros países atolados nesse lamaceiro de cada vez mais esperar resultados que fogem da realidade do nosso próprio desenvolvimento.

  31. Nelson Pizzo Filho disse:

    Esse formato que se pretendem, de alfabetização antecipada e precoces criam uma lacuna que já ais poderá ser preenchida posterior, a lacuna da falta de ser criança quando deveria se-lo!

  32. Vanessa A Santos disse:

    Educação Brasileira para que tanta inovação? Educação de qualidade somente acontece com com papéis assumidos: leis que obrigem os pais a serem mais responsáveis, escolas de qualidade estrutural e econômica, e profissionais educadores bem remunerados e comprometidos.

  33. Alda Berenice Costa Lima disse:

    O trabalho de uma criança é BRINCAR !

  34. Tilzete Duarte da Silva disse:

    Sou pedagoga e trabalho com reforço escolar. Cada vez mais ouço relatos de mães dizendo que seus filhos tinham melhor desempenho durante a pré escola. Seria esse fato um sinal de que “as atitudes em relação à escola foram se deteriorando”? Fico triste quando recebo uma criança de seis, sete anos com um desinteresse assustador pela escola e pelos estudos. Não têm curiosidade pelo mundo da leitura e não se preocupam em aprimorar a escrita.

  35. Pingback: A educação infantil está virando Ensino Fundamental…Vale a pena LER! | Território do Educar

  36. Cilene disse:

    Creio que estão misturando os assuntos. A criança precisa brincar e ponto, ninguém questiona este fato. Cada criança é uma criança, a realidade de uma não é a realidade de outra. Conheço crianças que questionam o nome das letras e que independente da motivação do professor tendem para este lado (brincam de professor com as bonecas e levam a sério este universo, copiando as letras, quando na escola ainda nem havia sido dado o pontilhado). Não devemos olhar para método X, Y ou Z e sim para cada criança e traçar o melhor caminho para cada uma individualmente. Sou totalmente contra a limites… SE a criança aprende a ler com alegria (a mesma alegria de quem aprende andar de bicicleta) então por que limitar, por que colocar um freio. Nos meus 30 anos nesta área aprendi no mínimo que não devemos limitar ninguém.

  37. Cristiane Clemente Susano disse:

    As crianças devem ter seu direito de brincar, sendo a brincadeira uma atividade própria da criança, onde por meio dela, as crianças se desenvolvem integralmente, conhecem o mundo e se apropriam dele, conhecem e (re) produzem cultura. A sistematização de códigos linguísticos na Educação Infantil, rouba -lhes o tempo do brincar e interagir com prazer, construir seu conhecimento de forma significativa e prazerosa. O brincar faz parte da infância e esse tempo deve ser garantido e respeitado pelas políticas educacionais para a Educação Infantil em todos os âmbitos e instâncias da Educação Brasileira.

  38. Corintha Medeiros disse:

    Muito positiva essa crítica quanto a antecipação da alfabetização/escolaridade formal.
    Vivência o efeito nefasto dessa nova maneira de se escolarização a infância.
    Sou diretora de Escola há quase 50 anos.
    Hoje tenho em meus primeiros anos, crianças com mal completos 6 anos de vida que não assimilam o que seja um espaço escolar onde não há ludicidade….Onde ficam por 5 horas atracados a uma carteira desconfortável, com um professor falando e escrevendo nas lousas coisas que eles não entendem…
    Querem brincar…querem “a mãe “….querem chupetas….mamadeira ,muitas vezes…. querem areia….parquinhos…balanços….cantos…
    Danças….
    E choram….choram muito!!!!
    Lastimável!!!!!

  39. Ludmila Freitas disse:

    Propostas como essa da Fundação Lemann contribuem para um processo nomeado por muitas/os pesquisadoras/es de “escolarização da infância”. De acordo com NEVES, GOLVÊA e CASTANHEIRA (2011, p. 123), estudos afirmam que tal movimento pode interferir na organização da educação básica, levando em consideração os objetivos da Educação Infantil e a transição da criança para o Ensino Fundamental, considerada por muitos, importante para o desenvolvimento da mesma. Por isso, o título dessa postagem chamou a minha atenção: “Educação Infantil está virando Ensino Fundamental”. Existem várias possibilidades de compreender a relação entre essas duas etapas. O estudioso britânico Peter Moss (2008) aponta a presença de quatro. Uma delas se encaixa na concepção da proposta da Fundação Lemann, pois acredita que a Educação Infantil é subordinada ao Ensino Fundamental. Sendo assim, o objetivo da primeira é preparar a criança para uma melhor performance na segunda. Não compartilho dessa visão. Porém, não concordo com o título da postagem. A intenção dessa concepção não é a de transformar a Educação Infantil em Ensino Fundamental e sim reforçar sua inferioridade e a hierarquia entre as idades, considerando a criança pequena um “projeto de pessoa”. Na minha opinião, não é algo ruim assemelhar e aproximar as etapas da Educação Básica. Cada uma tem sua especificidade, mas não pode ignorar a outra. É equivocado querer separar completamente esses níveis de ensino. Dentre as possibilidades descritas por Moss (2008), a única defendida por ele crê exatamente na necessidade de integrar mais os princípios e as experiências entre a Educação Infantil e o Ensino Fundamental, considerando sempre os seus diferentes objetivos e características, assim como as especificidades das faixas etárias dos alunos. Confio que essa seja a concepção mais aceitável.

    • A integração é uma antiga reivindicação dos educadores que lidam com a noção de formação de 0 a 10 anos, como um bloco. A questão (e o título) do post não se referem a integração, mas sim ao que os reformadores pensam sobre a educação infantil e, no caso deles, o que está em jogo é a escolarização, com avaliação e tudo, a partir de 4 anos.
      Este é o foco do que temos que combater.

  40. Pingback: MEC escolariza a Educação Infantil – II | AVALIAÇÃO EDUCACIONAL – Blog do Freitas

  41. HILDA disse:

    Infelizmente querem resolver o problema da alfabetização criando outro ainda maior .Afinal queremos formar gente ou máquinas? Descaracterizar a educação infantil colocando uma carga de responsabilidade nas crianças é declarar o quão ineficiente está o sistema educacional do país . O problema da alfabetização não se resolve queimando etapas , mas aplicando com eficiência os recursos financeiros.Não basta termos politicas públicas é necessário que haja monitoramento e controle do investimento ,bem como diminuir a rotatividade de professores no ciclo de alfabetização, através de concurso público .

  42. Isabella Barros disse:

    Glaucia disse:
    Meu filho tem 5 anos está no jardim II ainda não está alfabetizado. Eu acho ele muito novinho ainda para saber ler e escrever.
    A professora dele reclamou pra nos que ele só pensa em brincar. Ela reclama muito a gente em casa deveria incentivar mais ele pra ele aprender. Eu e meu marido tentamos ajudar ele, mas ele não tem nenhum interesse, só quer saber de ficar nas brincadeiras dele e não quer fazer os dever de casa. Ele não quer nem saber do livro de atividades tem até raiva. Tem umas coisas difícil demais para um menino de 5 anos e nós que temos que resolver para ele. O pai dele não tem paciência e bate nele. Eu fico com dó dele e pra não ver meu filho apanhar eu faço a lição pra ele antes do pai dele chegar do serviço. Só que ele não tá aprendendo nada e já ta quase no fim do ano. Não sei o que faço mais pra ajudar meu filho.

  43. Aira Passos e Gabriela Baião disse:

    A publicação: “Educação infantil está virando Ensino Fundamental” aborda a realidade atual vivenciada por crianças de todo o Brasil: a difícil transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental.
    Essa ideia vai ao encontro com o artigo de Vanessa Neves: “A passagem da Educação Infantil para o Ensino Fundamental: tensões contemporâneas”, na qual a autora expõe que essa transição é um momento muito importante na vida de uma criança e que ela não tem ocorrido da melhor forma possível. Uma vez que, a entrada para o Ensino Fundamental tem caracterizado um maior controle corporal e realização de atividades de carácter repetitivo. O tempo para brincar é reduzido, há um aumento no número de matérias e consequentemente no número de professores, há um maior número de atividades, as carteiras e os materiais que eram coletivos passam a serem individuais, os deslocamentos devem acontecer em filas extremamente organizadas, e há o costume de passar a centrar em atividades de leitura e escrita, deixando de apresentar diversos gêneros textuais que antes eram recorrentes no cotidiano deles.
    Buscado minimizar os efeitos da ruptura dessa mudança de ciclo, a Educação Infantil passou a ter o papel de preparar as crianças para obterem um bom desempenho no Ensino Fundamental, assim as práticas da cultura infantil estão sendo cada vez mais esquecidas, já que se observa uma ênfase na alfabetização na Educação Infantil, o que desfavorece a importância do brincar, além de estudos da música e da arte, como expõe Erika Christakis na publicação do The Atlantic Magazine.
    Segundo NEVES (2011), todo este impasse é causado pela “(…) falta de diálogo presente na organização do sistema educacional brasileiro em relação aos dois primeiros níveis da educação básica” refletindo no processo educacional dos alunos.
    Esse amadurecimento precoce gera uma forte ideia de lógica individual de apropriação do conhecimento, além de tornar as crianças responsáveis cada vez mais cedo. Os prazos a cumprir, horários a seguir e a rotina diária, além das atividades individuais, presentes no Ensino Fundamental, estão sendo encontradas com muita frequência no Ensino Infantil. As crianças passam muito tempo em salas de aula, deixando a cultura do brincar de lado. Isto pode gerar, no Ensino Fundamental, certa competitividade por parte dos alunos.
    É importante que as práticas da Educação Infantil e do Ensino Fundamental não concorram com as práticas da cultura infantil. Dessa forma, percebe-se a necessidade de mudar esse cenário a fim de preservar a infância das crianças que devem aprender e se desenvolver, cada uma em seu tempo, através da ludicidade, além de resgatar as relações solidárias da Educação Infantil.

  44. Thamiris e Jéssica disse:

    Segundo o artigo “A passagem da educação infantil para o ensino fundamental: tensões contemporâneas” de Vanessa Ferraz Neves, Maria Cristina Gouvêa e Maria Lúcia Castanheira, evidencia a difícil transição entre a Educação Infantil e o Ensino Fundamental, trazendo um estudo que relata como essa passagem foi vivida por um grupo de alunos em Belo Horizonte/ MG.
    Nesse artigo podemos ver que os conteúdos de alfabetização têm sido cada vez mais priorizados já nos anos iniciais da vida escolar das crianças, com práticas voltadas para o estudo sistemático de leitura e escrita, desejando que na Educação Infantil, as crianças dominem diversos elementos da língua escrita, através da realização de práticas de letramento. A mudança do início do Ensino Fundamental de sete para seis anos de idade, apesar de ser um ganho no que diz respeito à obrigatoriedade de oferta de mais um ano escolar para as crianças brasileiras, também evidencia essa antecipação de práticas escolares conteudistas na infância.
    O que se observa é uma sobreposição da cultura escolar sobre a cultura infantil desde muito cedo nas escolas, pré-escolas e até mesmo nas creches. Aspectos e rotinas do Ensino Fundamental têm sido trazidos cada vez mais para a Educação Infantil, com o uso de materiais como livro didáticos, atividades de leitura e escrita, brincadeiras e brinquedos pedagógicos, ou seja, voltados apenas com objetivos de aprendizado, deixando em segundo plano o brincar, a fantasia, a criatividade, a exploração dos espaços, a disposição corporal, que são elementos fundamentais para o desenvolvimento da criança nos primeiros anos de idade, assim como são direitos da criança como sujeito social.
    O objetivo a ser alcançado na oferta da Educação dos anos iniciais seria de uma maior proximidade entre a Educação Infantil e o Ensino Fundamental, fazendo com que essa transição seja menos brusca para os alunos. Hoje o que se nota é que o Ensino Fundamental, segundo as autoras do artigo, impõe um controle corporal e desenvolvimento de atividades de caráter repetitivo, excluindo as práticas da brincadeira e do lúdico. Existindo uma associação entre as práticas de alfabetização e os elementos da cultura infantil, o caminho escolar percorrido pelos alunos seria realizado de maneira mais equilibrada, respeitando os sujeitos e permitindo que a escola seja um espaço onde as crianças possam ser de fato crianças.

  45. Gabriella Vieira e Laura Nunes disse:

    Atualmente, vemos muito disseminada a ideia de uma antecipação do ensino fundamental; a educação infantil tem cada vez mais perdido suas particularidades em função das demandas dos grupos de interesse, os quais defendem a ideia de que a educação infantil deveria ser uma preparação para o ensino fundamental.
    A educação infantil possui práticas escolares que entendem que o aprendizado das crianças deve acontecer articulado com as brincadeiras, o lúdico e a imaginação e, considera a criança como participante ativa do seu processo de aprendizagem e do cotidiano escolar. Além disso, a educação infantil tem como característica importante as relações solidárias entre as crianças e os grupos de aprendizagem.
    Em contrapartida, quando as crianças fazem a transição para o ensino fundamental, elas sofrem com a falta de articulação entre estas etapas da educação básica: o brincar fica em segundo plano, há um maior controle dos corpos, a predominância da ação da professora e as atividades (por exemplo, as grafomotoras) tornam-se cada vez mais repetitivas.
    É necessária uma maior integração entre a educação infantil e o ensino fundamental. Uma relação de parceria entre o brincar e o letramento. De acordo com um texto lido por nós sobre a passagem da educação infantil para o ensino fundamental as crianças passam cada vez menos tempo brincando, criando nelas uma ansiedade para esse momento. Muitas destas crianças, deixam de lanchar para irem para o recreio o mais rápido possível.
    A redução do tempo dedicado ao brincar atrelado ao aumento das atividades repetitivas voltadas para alfabetização são motivos que levam à falta de entusiasmo das crianças nas atividades propostas. Nos perguntamos se estes também não seriam os motivos para a “falta de disciplina” das crianças, que as professoras tanto reclamam.
    Como citado no post, as pressões por accountability as quais envolvem os pilares da avaliação, da prestação de contas e da responsabilização tem avançado violentamente contra a educação infantil e por que não dizer, também sobre o ensino fundamental. Essas pressões seriam a razão para a precipitação do ensino fundamental já mencionada.
    Acreditamos que cada etapa da educação básica deve ser respeitada e articulada, atentando para que uma não seja antecipação da outra. Para isso, deve haver uma continuidade das atividades e abordagens pedagógicas, aumentando gradualmente a sua complexidade, de forma a não ser uma ruptura drástica, como vem acontecendo. Sendo assim, a orientação prevista no DCN para a educação básica, a qual visa a articulação entre as etapas da educação básica deve ser cumprida.

  46. Patrícia Cunha disse:

    Segundo a matéria (…) Educação infantil está virando Ensino fundamental publicado em 20/12/2015 em que fala sobre a proposta da Fundação Lemann, lê-se Jorge Lemann AMBEV, a qual enviou uma proposta de definição de estruturação para base nacional comum da educação infantil no Brasil. Nela, propõe-se uma maior ênfase na alfabetização, ou seja não leva em conta práticas educativas específicas da Educação infantil, ou seja o brincar que está atrelado à atividades de letramento como propostas utilizadas na Educação infantil. O artigo de Gouveia(2011) nos mostra sobre a presença da escrita na sala de aula da Educação infantil como uma constante, ou seja podemos vê-la em diversos suportes específicos e em gêneros de textos variados, assim como os produtores dos textos também entre outros, os quais fazem a composição do espaço escolar que é destinado á Educação infantil. Os exemplos também incluem os livros de histórias e poesias tão presentes neste período da formação humana. A observação que relaciona o espaço da Educação infantil também lembra sobre até mesmo as paredes da escola que são aproveitadas para o letramento, as quais são cobertas com as letras do alfabeto, desenhos, recortes de jornal, além das portas dos armários com os nomes das crianças e fotos e os jogos pedagógicos que são exemplos concretos da união entre brincadeira e aprendizado, mas além disso a pesquisadora aponta sobre a resposta que as crianças que foi através da participação, a qual demonstra o interesse pela aprendizagem da língua escrita e mais que isso de forma espontânea.A reflexão sobre o currículo que é sempre uma seleção interessada e que possui sempre um interesse velado por detrás dessa disputa de poder, ou seja o que está por detrás? Contudo, perceber que a solução não o de pular etapas fundamentais, mas valorizar as etapas que constitui a formação humana e que estas são fundamentais na infância. A solução não é um currículo nacional que homogeniza, ou seja o currículo nacional atrelado ao interesse de controlar práticas e voltado aos interesses. A pesquisa ainda mostra sobre a necessidade de uma maior integração entre o brincar e o letramento também nas práticas pedagógicas do ensino fundamental, assim como Soares (1999) aponta sobre a importância do brincar letrando ou letrar brincando, ou seja a importância do letramento junto à alfabetização e não de forma proposta e que vai na contramão desse processo que é essencial nas praticas educacionais do Ensino infantil. Desta forma, não faz sentido modificar a estrutura da Educação infantil apenas aos interesses de mercado, mas pensar no melhorar a Educação fundamental sem que ocorra as rupturas das práticas de brincadeiras e alfabetização que são práticas educacionais características da Educação infantil de qualidade.

  47. Cristiane Fagundes e Priscilla Scoralick disse:

    O artigo expõe muito bem a realidade da Educação Infantil em relação com o Ensino Fundamental brasileiro nas últimas décadas. Atualmente, nos anos de 2017, nos defrontamos com a plena articulação de uma Base Nacional Curricular Comum que prevê a conclusão do processo de alfabetização para o 2º ano do Fundamental, “empurrando” para a Educação Infantil a necessidade de escolarização das crianças, retirando a centralidade do brincar, ou seja, acelerando o processo de alfabetização. Isto cria, a cada reforma curricular, uma aproximação maior entre as práticas pedagógicas da Educação Infantil e dos primeiros anos do Fundamental. Por sua vez, Neves, Gouvêa e Castanheira (2011) afirmam que o brincar e o letramento são práticas pedagógicas indissociáveis tanto para a Educação Infantil como para o Ensino Fundamental. Eles evidenciam que nas escolas do Ensino Fundamental as crianças de 6 anos têm sido obrigadas a permanecerem horas sentadas em fileiras, sem poder interagir com os colegas, constantemente, submetidas aos processos de avaliação, impactando negativamente a transição entre as duas etapas, em que a Educação Infantil deveria prepará-las para um ingresso suave no Ensino Fundamental, e não antecipar seus conteúdos de aprendizagem. Segundo os autores, percebe-se, também, uma brusca troca do uso coletivo dos materiais para o uso individual, que acaba demarcando as diferenças sociais existentes entre as crianças, uma vez que no Fundamental espera-se que elas tragam de casa o que será utilizado, e caso contrário sua participação nas atividades fica comprometida, enquanto na Educação Infantil existe em sala um material de uso coletivo possibilitando igual acesso às atividades propostas, além de permitir um convívio cultural mais integrado. Por fim, destacam as diferenças marcantes entre os espaços disponíveis para a realização das atividades diárias, na Educação Infantil há maior diversidade de ambientes, pensando-se atividades a partir deles; enquanto no Fundamental, tudo restringi-se a uma única sala, na maioria das vezes. Entendendo a realidade dos anos iniciais do Ensino Fundamental e da Educação Infantil compreendemos que a panacéia não está na aplicação de pesquisas e métodos como, a filosofia Lemann, que são distantes do contexto brasileiro, há que se pensar nas crianças, produtoras de uma cultura própria, sujeitos precisam ser respeitados na integralidade de seu desenvolvimento.

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