A engenharia dos reformadores empresariais

Postado originalmente na Uol em 20/03/2011

Apresentamos,  em postagem anterior, o artigo de Paul Krugman mostrando como nos Estados Unidos os salários médios caíram para formandos em “colleges”. Ele também aborda a ilusão que se criou de que diploma na mão é garantia de emprego melhor.

Também adicionei ontem estudo que mostra como as escolas charters proposta pelos reformadores empresariais só aumentaram a segregação racial e de classe nos Estados Unidos.

No Brasil, reportagem da Folha de São Paulo, abaixo, mostra estudos que já indicam que os escolarizados são maioria entre os desocupados. Isso reforça a tese de que o que está em jogo, em parte, com o interesse das corporações pela educação e seu controle é formar uma elite de qualificados, desenvolver postos técnicos e aumentar a base de formados em todas estas áreas para derrubar salários.

A privatização via escolas charters – contratos de gestão para gerir escolas públicas – visa atender à classe média, deixando a pobreza abandonada em uma escola pública de caráter assistencial, enquanto o setor privado clássico cuida da classe alta.

É uma ilusão pensar que todos estarão qualificados e empregados. O sistema também precisa de gente com pouca qualificação. Em realidade está mais interessados nas duas pontas: altamente qualificados e com pouca qualificação. É o que o estudo mostra. Claro que quando a classe média nascente descobrir isso, teremos barulho que será reforçado pelo andar de baixo, a pobreza …

Esta é a razão pela qual a educação não pode ser assunto restrito à ótica dos reformadores empresariais. A educação não é apenas um subsistema do setor produtivo.

Escolarizado é maioria entre desocupados

Folha de São Paulo 20/03/2011 – 05h00

Josué Carvalho dos Santos, pedreiro, sete anos de estudo, não fica sem trabalho há quase uma década. Janaína Alves, auxiliar de escritório, ensino médio completo, procura emprego há meses.

As diferentes trajetórias revelam o novo perfil do desemprego no Brasil. Em 2010, 60% dos desempregados tinham 11 anos ou mais de estudo, e 33,6%, até oito anos.

Continue lendo em:

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/891326-escolarizado-e-maioria-entre-desocupados.shtml

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Assuntos gerais, Postagens antigas da UOL, Segregação/exclusão. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s