Empresários: por que agora?

Alguns colegas têm reagido ao presente interesse do empresariado na educação, presos ao passado. Como sempre houve interesse dos empresários em interferir na educação, segundo estes colegas, não haveria nada de novo agora. Afinal, desde os anos 70 e principalmente na própria ditadura militar, sempre estiveram de olho na educação.

É compreensível. Quando não há interesse ideológico na educação (controle) há interesse econômico – o outro lado da mesma moeda. Isso faz com que ela sempre seja vista com atenção por um ou outro ângulo.

Entretanto, esta análise esquece que a história não é linear e nem se repete. O interesse redobrado dos empresários, atualmente, na educação, não é uma decorrência linear de seu interesse no passado. As mudanças no aparato produtivo e na relações internacionais, bem como a situação interna de mão de obra do país, estão determinando uma atuação mais direta do empresariado na educação. Para os incrédulos, leia-se documento no link abaixo.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) destacou a Educação como fator chave para aumentar os níveis de produtividade da indústria brasileira, em seu “Mapa Estratégico da Indústria 2013-2022”. Robson Andrade, presidente da CNI, apresentou o estudo ontem em Brasília, durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal. O documento estabelece metas e diretrizes para melhoria da indústria nacional e o aumento de competitividade.

E não é só estudo, há ação concreta:

 Para permitir o cumprimento dessas metas, a CNI deve criar um grupo de executivos encarregados de acompanhar os indicadores da economia e de temas como educação no país, para propor medidas e orientar a ação do setor privado no Congresso e com o Executivo.

O fato é que enquanto houve alternativa, os empresários preferiram explorar a massa ignorante até o fim. Depois delegaram esta tarefa para as terceirizadas. Quando a reestruturação produtiva mudou o quadro, então passaram a aumentar o grau de interferência na área educacional, já agora de olho na competitividade internacional, vale dizer, níveis de lucro.

Link para o doc da CNI.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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