Falta de verba cancela a ANA

Preferiram cancelar a Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA) que tem formato censitário (ou seja, é aplicada a todas as escolas) a fazê-la amostral (ou seja aplicada a um grupo de escolas menor mas representativo). Seria muito mais barato. As avaliações da educação básica não precisam ser censitárias (e caras) para orientar política pública. Basta que se façam avaliações amostrais e pode-se perfeitamente, com isso, ter uma ideia adequada de como está o desenvolvimento da educação básica.

Ocorre que em seu formato amostral, não se pode fazer rankings de escolas e nem controlar as escolas uma a uma, com políticas de responsabilização. Para este propósito, só fazendo avaliação censitária. E como a opção é pelo controle, então não se aceitam avaliações amostrais no INEP. Por falta de verbas, o governo preferiu cancelar a avaliação e ficar sem nenhum parâmetro, a ter uma avaliação amostral. O INEP, órgão que deveria assessorar o MEC nestas decisões, preferiu não abrir precedentes e ser fiel à sua opção pelas políticas de responsabilização verticais.

A atual política do INEP é a da construção de “big data” na forma de portais que tentam interferir com a sala de aula nas escolas. Um exemplo pode ser encontrado aqui com o portal da devolutiva, financiado pela Fundação Lemann e outras.

Este tipo de portal voltado para plataformas que querem interferir com o planejamento pedagógico de professores e a aprendizagem dos alunos nas salas de aula, exige que se façam avaliações censitárias. A ilusão destes portais é que a explicação dada por peritos em avaliação possa levar compreensão à realidade da sala de aula do professor. Parte-se da premissa que ele é incompetente para conhecer seus alunos sem a avaliação e a explicação dadas pelos portais. A título de fornecer ajuda, o que se pretende garantir é o controle de cada escola e de cada professor.

No entanto, ninguém melhor do que o professor para saber do desempenho de seus estudantes e dos problemas que afetam a aprendizagem deles. A questão não está no conhecimento dos problemas dos estudantes, isso os professores sabem, mas nos meios que os professores dispõem para solucioná-los. Estes últimos, o INEP não tem como afetar.

Portanto, as avaliações não precisam ser censitárias, a menos que queiramos estabelecer processos de cobrança através de portais, rankings e outras ações de responsabilização vertical.

Brasília precisa se convencer de que não é possível entender o que ocorre nas escolas sem que se esteja no ambiente delas. Perde-se dinheiro com estas políticas de avaliação censitárias. Em tempos de “vacas magras” isso apenas fica mais evidente.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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