USA: resultados da educação básica caem

Nesta manhã de 28 de outubro saíram os resultados da avaliação nacional americana realizada na sua educação básica (4a. e 8a. séries). Como tem ocorrido a cada dois anos desde a implantação da lei de responsabilidade educacional, os resultados foram ruins.

Em matemática para a quarta série e para a oitava série, o resultado retrocedeu ao mesmo valor médio que tinha em 2007. Em leitura para a quarta série, houve estagnação e o resultado obtido varia em torno do mesmo valor desde 2007 (221 a 223). Na oitava série é pior ainda, houve queda na pontuação de 268 para 265 e o valor é parecido com o de 1992 quanto era de 260.

Nos estados as notas não foram melhores. Em matemática apenas 3 estados melhoraram e em outros 30 cairam ou na 4ª. ou na 8ª.. Em leitura 14 estados tiveram alguma melhora e em 9 houve queda ou na 4ª. ou na 8ª, em relação a 2013.

Mais uma vez os limites das políticas de responsabilização, pagamento de bônus, terceirização de gestão e vouchers são colocadas em cheque no país que mais fez uso destas estratégias sem medo de destruir a educação pública e o magistério.

De fato, tudo que conseguiram até agora, foi destruir as escolas públicas e o magistério. As pontuações não conferem com as promessas que os reformadores empresariais da educação têm alardeado dentro dos Estados Unidos e vendido para fora, para países como o Brasil, Chile e outros.

William Mathis e Kevin Welner do NEPC escrevem:

“A liberação desta manhã [28] dos resultados da Avaliação Nacional do Progresso Educacional (NAEP) relata uma queda nas pontuações, segundo múltiplas fontes. Estas notas mais baixas no Relatório Nacional não são uma boa notícia para ninguém, mas elas são particularmente más notícias para aqueles que têm sido vigorosamente defensores das abordagens “sem desculpas” – políticas de responsabilização e testes baseados em padrões como o No Child Left Behind. Tais políticas seguem uma lógica previsível: (a) as escolas estão falhando; e (b) as escolas vão melhorar rápida e milagrosamente se implementarmos um sistema de alto impacto que torne os educadores responsáveis pelo aumento das pontuações dos testes dos alunos.”

É claro que Obama foi previamente informado de que o desastre estava para ser divulgado, daí sua atuação nesta semana que antecedeu a liberação dos resultados, divulgando antes seu Testing Action Plan.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Escolas Charters, Links para pesquisas, Mercadante no Ministério, Meritocracia, Privatização, Responsabilização/accountability, Vouchers e marcado . Guardar link permanente.

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