Argentina: empresas definem conteúdos em escolas do campo

Movimentos na Argentina denunciam a interferência do agronegócio e de mineradoras na definição dos conteúdos das escolas do campo. A moda também existe por aqui – veja ao final.

“El 15 de junio pasado, el ahora saliente ministro a raíz de su precandidatura a senador por la alianza Cambiemos, firmó con su par de Agroindustria, Ricardo Buryaile, un convenio “para fortalecer la educación agraria”, que incluyó un acta compromiso con más de 45 empresas de agronegocios y entidades del sector para que se constituyan en “fuente de capacitación” para escuelas rurales.”

Leia mais aquí.

O acordo envolve também as mineradoras:

“Explica que “con el objetivo de que la comunidad educativa reciba conocimientos sobre la actividad minera y estos tengan fundamento científico –lo que contribuirá a una mejor y certera información de la sociedad–, las Partes se comprometen a llevar adelante acciones con los Ministerios de Educación Nacional y Provinciales para lograr la incorporación, dentro de la currícula de los niveles primario y secundario, de contenidos sobre: a) la constitución geológica del territorio nacional y provincial; b) los productos mineros que se generan en el país y en las provincias, su utilización en la vida cotidiana; c) la importancia del sector minero en la economía nacional y regional; y d) la regulación ambiental de la actividad minera.”

A prática não é desconhecida no Brasil. Há algum tempo o MST denuncia as mesmas intenções do agronegócio no Brasil com a cartilha do “Agrinho” e tem conseguido ajudar a bloquear tais iniciativas como ocorreu em 2015 em Cascavel no Paraná.

Veja aqui a estratégia do agronegócio e a cartilha do Agrinho

CME delibera pela proibição do Agrinho nas escolas de Cascavel

O Conselho Municipal de Educação de Cascavel (CME) manifestou-se nesta semana sobre a utilização do material Agrinho em escolas da rede de ensino do município. Em reunião do Conselho Pleno, no dia 20 de outubro, o órgão deliberou pela proibição da utilização do programa do Sistema FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) feito em parceria com o SENAR-PR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) e empresas privadas como Daw AgroeSciences, Du Pont e demais organizações de herbicidas e pesticidas nacionais.

Em seu parecer, por meio do Ofício 70/2015, o CME apresenta que após longa e criteriosa análise concluiu “que o material que o programa Agrinho disponibiliza não atende aos objetivos do que está pressuposto no currículo da rede, considerando que sua gênese preconiza a produção de alimentos enquanto mercadoria e não como alimentação orgânica. Em razão da produção em grande escala, incentiva o uso de agrotóxico, que compromete a saúde das pessoas e a natureza”, diz o documento assinado pela conselheira presidente do CME, Claudia Pagnoncelli.

A decisão do Conselho Municipal de Cascavel atende solicitação do Ministério Público do Paraná, que por meio da Notificação 1122/2008, recomendou a “(…) adoção de medidas imediatas (como aprovação de resoluções por exemplo) que impeçam a participação das escolas, professores e alunos das redes públicas ou privadas de ensino, municipais e estaduais, no Programa Agrinho (…)”.

O CME sugere a análise da Secretaria Municipal de Educação do material citado e aprofundamento criterioso para que projetos, programas e matérias que não atendem os reais interesses da comunidade não cheguem até as escolas.

O documento do Conselho também faz referência a Lei Municipal 6484, de 25 de maio de 2015, que regulamenta o uso e aplicação de agrotóxicos perto de unidades de ensino e saúde e também a cartilha ‘Diga não ao agrotóxico’, produzida pelo mandato do vereador Paulo Porto (PCdoB), que busca conscientizar a população sobre a nova legislação.

Para Paulo Porto, Cascavel poderá se tornar referência nacional na luta contra os agrotóxicos. “Podemos virar referência nacional no sentido que se proíbam em outras cidades materiais didáticos ligados aos agrotóxicos, ao agronegócio, as multinacionais do veneno. Nós, que brigamos pela educação de qualidade, nos sentimentos privilegiados e honrados por ter colaborado com essa medida. É um salto imenso no sentido da vida, contra o veneno e agrotóxicos. Parabenizo os conselheiros e ficamos aguardando o encaminhamento do secretário de Educação Valdecir Nath para que de forma democrática acate a deliberação do conselho”.

No início do mês, o mandato parlamentar encaminhou as escolas municipais e estaduais de Cascavel documentos endereçados aos diretores(as) e coordenadores(as) pedagógicos contendo informações sobre a notificação do Ministério. “Pedagogicamente falando esse programa é uma grande aberração ao afirmar soberanamente um único modelo de agricultura, com uso indiscriminado de veneno, ignorando modelos realmente sustentáveis, como a agricultura orgânica, a agroecologia, a permacultura”, conclui Porto.

Crédito: Júlio Carignano

Fonte: Câmara Municipal de Cascavel.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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