BNCC do ensino médio: “o rabo continua balançando o cavalo”

O MEC decidiu dividir as competências e habilidades do ensino médio em áreas – provavelmente nos moldes da própria avaliação que será feita no novo ENEM: ciências humanas, ciências da natureza, linguagens e matemática. A filosofia do grupo do MEC, desde que atuava na rede do estado de São Paulo, é a do “alinhamento” entre o que se avalia e o que se ensina.

Supostamente – diz – as escolas irão decidir como localizar as competências, depois, nas disciplinas. Mas na prática é o processo avaliativo do novo ENEM que irá definir o que se ensina, não importando a disciplina em que a suposta competência ou habilidade for parar. Esta é a mensagem. Mais complexa ainda é a relação competências versus conteúdo das disciplinas. Esta orientação força as escolas a se enquadrarem na estrutura dada à avaliação pelo INEP.

Isso significa que todo conteúdo que não estiver alinhado com competências e habilidades que estão na avaliação, não será prioritário. Ficará perdido na “transversalidade” – prima pobre da interdisciplinaridade – que aparece para dar ares de “novidade” e justificar a banalização de uns em detrimento de outros. Vamos ouvir de novo a baboseira da “transversalidade”, etc. As avaliações de larga escala geram estreitamento curricular, obrigando o ensino a focar no que cai na avaliação. E note que o novo ENEM deverá ser obrigatório e se duvidar a nota vai parar no histórico do aluno.

“Vamos seguir a mesma estrutura da BNCC (do ensino fundamental), em competências e habilidades, porque a base das duas etapas deve ser uma só, e estar conceitualmente bem alinhada. Só que, no ensino médio, as áreas serão entendidas como áreas, não como disciplinas. As escolas é que decidirão como trabalhar essas competências dentro de cada disciplina”, disse Maria Helena”.

Leia mais aqui.

A aparente “democratização” de decisões para a escola, esconde, de fato, a ditadura da avaliação censitária das competências e habilidades previamente especificadas na BNCC. Para que tal democracia fosse real, deveríamos fazer como nos Estados Unidos e na Finlândia: não ter avaliações nacionais censitárias (envolvendo todos os alunos e escolas) e sim apenas amostrais, para efeito de avaliar a política pública dos governos e não as escolas e estudantes um a um. Topas?

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Enem, Mendonça no Ministério, Responsabilização/accountability e marcado , . Guardar link permanente.

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