UNESCO: bônus não melhora educação

Paulo Saldaña informa que um Relatório da UNESCO divulgado esta semana – Monitoramento Global da Educação 2017 – conclui que a utilização dos bônus de desempenho, por mérito (como faz o Estado de São Paulo) “tiveram efeitos prejudiciais”. É mais um alerta entre tantos outros que encontramos nas pesquisa e que dificilmente será ouvido: bônus nunca funciona e nunca morre. Está no cerne da ideologia liberal a crença em que uma pessoa só se esforça se tiver “uma cenourinha na frente para alcançar”.

“Nesse sentido, a Unesco indica que há poucas evidências de que haja melhora nos sistemas educacionais ao se adotar um processo de responsabilização com base no desempenho – que enfoca os resultados em detrimento dos insumos [condições para o processo de ensino].”

Leia o post de Saldaña aqui.

Os reformadores vivem falando que sua política está “baseada em evidência”, mas nesta hora, quando a pesquisa sistematicamente os contraria, fingem não ouvir. Este é o segundo golpe que a reforma empresarial sofre só nos últimos tempos: o primeiro foi com a publicação do livro de D. Koretz – The Testing Charade – que mostra como a responsabilização baseada em testes fracassou nos Estados Unidos. O segundo vem agora com o relatório da UNESCO. Nada que a pesquisa já não tivesse alertado antes, mas a importância destes novos documentos está no fato que são chancelados por autoridades independentes no campo da teoria da medição, no caso de Koretz, e no campo do monitoramento internacional, no caso da UNESCO.

Segundo a UNESCO:

“Os relatórios de monitoramento global da Educação para Todos (Relatório de EPT) foram elaborados, até 2015, para acompanhar, ao longo de 12 anos, o processo de consolidação das Metas de Educação Para Todos (EPT), acordadas em Dakar, em 2000. Em 2015, a série de relatórios de monitoramento global da educação passou a ser chamada de Relatório GEM (da sigla em inglês de Global Education Monitoring Report – GEM Report).

O Relatório GEM recebeu, pela Declaração de Incheon, na Coreia do Sul, o novo mandato para monitorar as novas metas globais da educação das Nações Unidas, consolidadas no ODS 4 da Agenda 2030 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. O Relatório é elaborado por uma equipe independente e publicado anualmente pela UNESCO.”

Baixe o relatório da UNESCO em português aqui.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Links para pesquisas, Meritocracia, Privatização, Responsabilização participativa, Responsabilização/accountability e marcado , . Guardar link permanente.

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