Chile: 50 mil professores nas ruas

O Colégio de Professores do Chile colocou nas ruas mais de 50 mil professores demandando melhores condições de trabalho e contra a reforma educacional que torna disciplinas de história, artes e educação física optativas nos dois últimos anos do ensino médio.

A greve durou quase dois meses. Também os estudantes se somaram em apoio à greve protestando contra uma lei chamada de “Aula Segura” que permite revistar mochilas nas escolas e expulsar alunos que tenham cometido faltas graves nas escolas.

A greve foi suspensa esta semana, mas a pauta de reivindicações continua.

Leia aqui e aqui.

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Nota conjunta das Instituições Federais do Rio

As Instituições Federais sediadas no Rio de Janeiro emitiram nota conjunta em que se posicionam sobre o Future-se.

São elas: Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet/RJ); Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense (IFF); Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ); Universidade Federal Fluminense (UFF); Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio).

Na nota afirmam:

“A falta de detalhamento é um empecilho à avaliação pormenorizada. Contudo, fica evidente a ausência de definição de políticas educacionais, mesmo aquelas que já deveriam estar alinhadas ao Plano Nacional de Educação aprovado por unanimidade no congresso nacional. O projeto faz uso de linguagem do mercado financeiro sobre a criação de fundos de investimento, direito de nomeação, cessão de imóveis públicos, entre outros, sem oferecer detalhes sobre responsabilidades, riscos e outras condições. Apesar de a base do programa ser focada em medidas financeiras e administrativas, não foi apresentada nenhuma perspectiva real de aumento no investimento das Ifes no curto ou médio prazos.

Não está claro se o MEC objetiva criar uma composição orçamentária em que as Ifes seriam encarregadas de levantar um percentual fixo de seu custeio, eximindo o Estado de sua responsabilidade, o que é perverso para o desenvolvimento socioeconômico da nação.

Diante do exposto, reafirmamos nossa disposição de debater toda e qualquer proposta para a universidade brasileira, sempre guiados pelos princípios constitucionais e republicanos, com responsabilidade não somente com os novos tempos, mas também com a vida presente de nossas instituições.”

Baixe a íntegra aqui.

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Souza Jr. analisa o “Future-se”

O ex-reitor da Universidade de Brasília – UnB, José Geraldo de Sousa Junior, em entrevista à IHU On-Line, analisa o Future-se:

“As propostas do programa Future-se, recém lançado pelo Ministério da Educação – MEC com a justificativa de fortalecer a autonomia administrativa, financeira e de gestão das Universidades Federais de Ensino Superior por meio de parcerias com organizações sociais e captação de recursos, já são implementadas nas universidades públicas federais.”

Mas salienta:

“A diferença, no que aqui se chama novidade da proposta do MEC, é o caráter inteiramente vendido à lógica privatizante e mercadorizadora do projeto econômico-político que está por trás, delirante do ethos público universitário que marca o sentido social e político da universidade como condição estratégica para o desenvolvimento soberano do país. Daí as críticas”.”

Leia a entrevista aqui.

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Bônus: a “novidade” do novo “mais médicos”

Como todo fundamentalismo, o fundamentalismo de mercado parte da premissa de que os indivíduos só são devidamente motivados externamente, por dinheiro. Para eles, motivação interna inexiste.

É a lógica do mercado e, por isso mesmo, que não serve para tudo. Mas em tempos neoliberais baseados em fundamentalismos, não bastassem os professores serem submetidos a estas práticas, agora até os médicos do novo “mais médicos pelo Brasil” terão seu salário turbinado se seus consultórios se transformarem em uma porta giratória com clientes entrando por um lado e saindo rapidamente pelo outro.

Cada vez mais os médicos têm reconhecido a importância da “conversa” para entender o que os pacientes de fato sentem e poder, aliados a exames, diagnosticar. Um dos aspectos mais elogiados do antigo “mais médicos” era exatamente esta possibilidade de receber atenção e conversar com o médico.

Agora, é bônus por atendimento. Velocidade, eficiência medida por resultados: número de pacientes atendidos.

“Batizado de Médicos pelo Brasil, o novo programa que será criado pelo Ministério da Saúde para levar médicos ao interior do país terá seleção por meio de prova objetiva, contratação por vínculo CLT, especialização e salário com bônus atrelado a indicadores de desempenho. “

Leia mais aqui.

Ricardo Semler, um empresário, resume bem a bobagem dos bônus:

“O caminho de ouvir empresários e dar bônus aos professores em função de nota, por exemplo, demonstra como se está pensando a escola de trás para a frente.

Ora, dar gratificação ao professor para que gere boas notas em provas tacanhas, em apenas duas matérias, é o mesmo que dar comissão a corretor imobiliário para que venda aquele terreno micado, e não o mais difícil de mostrar.”

Antes que esta bobagem vá para o brejo, de novo, vai fazer muitas vítimas. As organizações dos médicos e o próprio Ministério Público deveriam impedir esta aventura transformada em política pública.

 Sobre os fracassos de bônus com os professores pode-se ler aqui.

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Maringoni: as ilusões do “future-se”

“Acabo de ler o projeto de lei que institui o Future-se. Estou abismado. Todo o texto é permeado pela difusão de uma gigantesca ilusão. Trata-se da ideia de que há no Brasil incontáveis megaempresas transnacionais ávidas por destinarem vultosos recursos para pesquisa de ponta nas Universidades públicas. O que as impede é a burocracia corporativa estatal. Trata-se de ignorância ou má-fé.”

Leia aqui no GGN.

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Educação Matemática divulga Carta de Cuiabá

CARTA DE CUIABÁ da SBEM

A Sociedade Brasileira de Educação Matemática (SBEM), reunida em Cuiabá (MT) durante o XIII Encontro Nacional de Educação Matemática, com seus mais de quatro mil participantes e cumprindo sua responsabilidade social como sociedade civil e científica atuante no campo da Educação, vem externar publicamente sua extrema preocupação com as políticas públicas em Educação recentemente propostas ou promulgadas em âmbito federal no Brasil.

Essas políticas incluem medidas flagrantemente contrárias à Educação como pilar essencial para uma sociedade democrática, orientada pela justiça social, culturalmente plural e inclusiva – tais como: cortes de verbas para a educação básica pública; cortes de verbas ou extinção de programas específicos voltados para a inclusão de populações socialmente carentes ou subalternizadas; desqualificação profissional e deterioração das condições dignas de trabalho de professoras e professores que ensinam na educação básica pública; ataques a institutos federais e a universidades públicas, em seus princípios de autonomia, gestão, gratuidade e inclusão; subordinação da produção científica e tecnológica a interesses econômicos e mercadológicos; desqualificação das Ciências Sociais e Humanas; cerceamento da liberdade de expressão e perseguição política de professoras e professores; rompimento das garantias historicamente conquistadas de educação escolar com qualidade social referenciada para todas e todos.

Tais políticas representam uma desqualificação da produção cultural e científica brasileira e internacional em pelo menos dois sentidos: por um lado, comprometem gravemente o desenvolvimento científico e social do Brasil para as próximas décadas; e sentenciam as próximas gerações à exclusão social, uma vez que visam formar quadros com qualificações restritas para assumir posições precarizadas de trabalho. Por outro lado, essas políticas se sustentam em argumentos falaciosos e em posições ideológicas que desconsideram, em grande medida, tendências para os campos da educação, da formação profissional e do trabalho no futuro próximo, apontadas por dados objetivos obtidos com rigor metodológico em pesquisas científicas nacionais e internacionais.

Dentre esses argumentos falaciosos, encontra-se uma falsa dicotomização entre Escola e Universidade, entre Educação e Ciência – como se fosse possível haver produção científica de qualidade sem escola para todas e todos, ou educação de qualidade socialmente referenciada sem pesquisa científica e sem formação de professores em instituições de ensino superior livres, públicas e democráticas, em permanente diálogo com a escola básica.

Enfatizamos, ainda, que o Brasil só terá futuro com garantias de educação básica e universitária pública, gratuita, de qualidade socialmente referenciada, laica, democrática e amplamente acessível a todas e a todos, independentemente de grupo social, raça ou etnia, credo, diversidade cultural, orientação sexual ou identidade de gênero; e com uma pesquisa científica de fronteira, comprometida com o desenvolvimento social e independente de interesses econômicos e políticos. Somente políticas públicas orientadas nesse sentido podem produzir um futuro para o Brasil, combatendo – e não acirrando – o abismo social e econômico que vem historicamente impedindo que nosso país ocupe um lugar compatível com suas potencialidades culturais no cenário global.

Em particular, reconhecemos e reafirmamos, para esse projeto de nação, a importância e a centralidade da educação matemática de qualidade nas escolas e nas universidades. Porém, essa é uma Matemática emancipatória, e não tecnicista; não é uma Matemática sem Filosofia, e não é uma Matemática sem Arte.

Sendo assim, a Sociedade Brasileira de Educação Matemática vem se pronunciar pública e amplamente em uma posição veementemente contrária a qualquer política pública que não tenha como compromisso básico a Educação pública, gratuita, de qualidade socialmente referenciada, laica e democrática, entendida com princípio básico da democracia e do respeito humano.

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Texto de Leher sobre o “Future-se”: versão final

Este post substitui post anterior onde divulgamos uma versão preliminar do texto de Roberto Leher sobre o “Future-se”. No dia de ontem, foi divulgada a versão final que disponibilizamos abaixo.

Baixe a versão final aqui.

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Roberto Leher analisa o “Future-se”

“Abstraindo a polêmica sobre a originalidade do nome do projeto “Programa Institutos e Universidades Inovadoras” – FUTURE-SE, o presente texto – notas e pontuações preliminares – tem como objetivos subsidiar um estudo mais sistemático sobre o mesmo e indicar os aspectos mais relevantes do referido Projeto de Lei (PL) que, por seu teor, exigem o protagonismo ativo e vivaz da comunidade acadêmica e, genericamente, dos setores democráticos da sociedade.”

Baixe aqui o texto completo.

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“Future-se”, organizações sociais e autonomia

O ministro da educação anunciou que quer contratar professores para as universidades sem concurso e via organizações sociais. O deslocamento do financiamento para o mercado via instituições privadas – com ou sem fins lucrativos – representa uma perda de autonomia para as universidades. É privatização sim, pois o que não tem controle público, é privado. Não existe meia privatização. Essa desculpa vem desde o governo Fernando Henrique Cardoso.

As consequências podem ser vistas neste episódio que envolveu universidades americanas e a filantropia americana. Os riscos são os mesmos ou até piores no caso de organizações sociais que farão a intermediação entre corporações do mercado e o orçamento das universidades.

Segundo o blog Inside Higher Ed “um acordo já extinto de 2008 entre Koch e a Florida State University, por exemplo, deu à fundação um papel na revisão de candidatos a docentes.” O blog também remete para outra denúncia feita por Angel Cabrera, da George Mason University:

“Angel Cabrera, presidente da universidade desde 2012, compartilhou a notícia com os membros do corpo docente em um e-mail dizendo: “Fui informado de vários acordos que foram aceitos pela universidade entre 2003 e 2011 e levantam questões sobre a influência de doadores em questões acadêmicas”. “

Leia aqui também.

Inside Higher Ed informa que, sob crítica, a “Fundação Charles Koch planeja tornar públicos seus futuros acordos plurianuais com universidades. A mudança vem depois de anos de críticas de membros do corpo docente e estudantes que afirmam que as concessões de Koch em alguns campi se desviaram das normas acadêmicas.” Mas as mudanças anunciadas pela Fundação não acalmaram as críticas, pois elas não vão atingir os acordos já realizados no passado, exatamente o foco das denúncias.

A influência dos Koch e de outros nas universidades, levou à criação de uma organização que trabalha para libertar as universidades da influência das grandes corporações chamada “UnKoch my campus”:

“A influência corrosiva do “dark money” minou as instituições democráticas dos Estados Unidos, mas não apenas em nosso sistema político. A educação, em particular o ensino superior, serve como o motor da investigação crítica e fundamento da nossa democracia. É onde os cidadãos são expostos a ideias e, por sua vez, é responsável por moldar a opinião pública, o discurso político e a política.

Os mesmos ricos doadores e corporações que têm poluído nosso sistema político por mudanças políticas egoístas voltaram seus olhos para as universidades em busca de mudanças políticas e culturais de longo prazo. Ninguém mais exemplifica esse tipo de filantropo político do que Charles Koch, CEO da Koch Industries.”

O debate passa pelo financiamento das instituições universitárias e deveria ser levado em conta no Brasil, onde o governo tem restringido o seu financiamento e no caso do “Future-se” quer a interveniência de organizações sociais. Como aponta o Blog Inside Higher Ed, citando Eric Austin:

“Como muitos outros professores nos últimos anos, Austin também expressou uma preocupação mais geral sobre a ameaça crescente para a academia de um financiador privado ideologicamente orientado, juntamente com um financiamento público dramaticamente reduzido. “Essas duas tendências em conjunto – são realmente problemáticas”.

Leia a entrevista do ministro da educação aqui.

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SBPC abre em grande estilo

A abertura da 71a. SBPC ontem à noite em Campo Grande foi arrasadora. O representante do ministro da educação não conseguiu falar do Future-se e levou uma vaia ensurdecedora. O presidente da SBPC e a representante da ANPG foram claros na crítica ao governo – sem meio termo. O evento é cercado de grande mobilização da juventude. O primeiro dia apontou para uma grande SBPC mobilizada e que projeta tempos de resistência e luta. A reunião continua.

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Nota do CONFIES sobre o Future-se

Em nota, CONFIES – Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnológica – reforça graves preocupações sobre a omissão do papel das fundações de apoio às instituições de ensino no Future-se do MEC.

Leia aqui.

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“Escola sem partido” pede socorro

“O movimento Escola sem Partido (ESP), que pretende combater o que chama de “doutrinação ” nas escolas, anunciou que vai suspender suas atividades a partir do dia 1º de agosto. A lua de mel com o presidente Jair Bolsonaro, uma das principais figuras a favor do movimento, parece ter acabado. Segundo o criador do ESP, Miguel Nagib, a falta de apoio, principalmente do presidente, leva ao encerramento das ações.”

Leia aqui.

A fala é um pedido de socorro dirigido ao empresariado, na tentativa de obter algum financiamento que mantenha o movimento. Pesquisa do Todos pela Educação mostra que apenas 1% no país acha que combater a doutrinação seja uma das prioridades da educação.

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58% reprovam políticas de educação de Bolsonaro

Pesquisa feita em junho de 2019 pelo Todos pela Educação e pela Ideia Big Data, em nível nacional, reprova a atuação do governo na área educacional.

“Mais da metade (52%) dos brasileiros acredita que o Governo Federal deveria priorizar ações como ampliar as vagas em Creches aprimorar a qualidade da Educação Infantilcombater o analfabetismo e melhorar o salário e o trabalho dos professores.”

Leia aqui.

Acesse a pesquisa aqui.

O ensino domiciliar, por exemplo, é importante apenas para 2% da população; acabar com a doutrinação em sala de aula é preocupação apenas de 1% da população, junto com incentivar os alunos a filmar professores. A ampliação de escolas militares impressiona apenas 4% do pais. Como se vê, este é o tamanho do impacto da agenda conservadora.

Nosso real problema é a agenda neoliberal, como se vê agora com a política e financiamento das Universidades e se verá, posteriormente, quando saírem as medidas para o ensino básico.

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20 anos de ENDIPE: Rio 2020

“O Comitê Organizador do ENDIPE convida a comunidade educacional para a vigésima edição do Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino (20º ENDIPE – Rio 2020), a ser realizado entre os dias 14 e 17 de julho de 2020, na cidade do Rio de Janeiro/RJ, nos campus da Faculdade de Educação da UFRJ, do Instituto Benjamim Constant e da Escola de Educação da UNIRIO, todos localizados na Av. Pasteur, no bairro da Urca, com realização da sessão de abertura no espaço cultural Vivo Rio, situado no Aterro do Flamengo.

Em torno do tema FAZERES-SABERES PEDAGÓGICOS: diálogos, insurgências e políticas, o 20º ENDIPE – Rio 2020 se propõe a discutir tensões e perspectivas que se impõem para as didáticas em sua estreita relação com a Educação e suas práticas sociais, pedagógicas e políticas. Em tempos difíceis como o que se vive hoje, o ENDIPE interpõe-se como meio de resistir, insurgir e construir relações educativas que fortaleçam a democracia, a justiça e a solidariedade no nosso país.”

Acesse Temas e prazos aqui.

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Mato Grosso: magistério está há 52 dias em greve

O magistério do ensino público de Mato Grosso está em greve há 52 dias devido à intransigência do governador em cumprir uma lei que desde 2013 rege o aumento salarial anual da categoria. O estado tem a quarta maior arrecadação de impostos do país.

Nesta última quarta-feira, 17 de julho, milhares de profissionais da rede estadual de educação fizeram uma passeata contra o governo do estado, que insiste em desrespeitar a lei 510/2013.

O governo chegou a dizer que como o salário dos professores é o terceiro do país, então o IDEB teria que ser mais alto – num argumento oportunista para desviar a atenção de suas ilegalidades, já que o IDEB não foi pensado para avaliar professores. Nem mesmo métodos mais avançados do que o IDEB utilizados nos Estados Unidos foram eficazes em medir o desempenho de docentes através do nível de aprendizagem dos estudantes e estão sendo progressivamente abandonados.

“Os educadores, em greve há 52 dias, manifestaram a revolta ao calote na Lei salarial LC 510/2013, ao corta o ponto dos/as trabalhadores/as, por cobrarem direitos. Com cerca de 65% de trabalhadores em greve, apesar de terem os salários cortados, resistem. Na avaliação dos educadores o retrocesso com a suspensão da Lei, em vigor nos últimos seis anos, comprometerá muito mais a carreira e a valorização profissional, do que ficar temporariamente sem salário.”

Leia mais aqui.

O site do SINTEP/MT, Sindicato dos Trabalhadores da Educação Pública, foi hackeado e se encontra fora do ar.

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Entidades divulgam manifesto e convocam greve

ANDES-SN, ANPG, CNTE, FASUBRA, FENET, PROIFES, SINASEFE, UBES e UNE convocam greve para 13 de agosto e divulgam manifesto em defesa do ensino superior:

MANIFESTO EM DEFESA DO ENSINO SUPERIOR PÚBLICO E GRATUITO

A educação no Brasil vem enfrentando grandes ataques por parte do governo federal: cortes financeiros que ameaçam o tripé da universidade brasileira (ensino, pesquisa e extensão), desvalorização do trabalho dos docentes e dos técnico-administrativos, campanhas difamando o papel de escolas, institutos federais e universidades, perseguição a professores e cientistas. Apesar do papel estratégico das instituições de ensino para o desenvolvimento da ciência e tecnologia no país, assim como para a formação de qualidade e a oferta de serviços necessários para a sociedade brasileira, o atual governo escolheu a Universidade como inimiga de sua gestão.

Nos últimos dias, a grande imprensa vem noticiando sobre um projeto de reforma da “autonomia financeira” para a educação superior pública federal imposta pelo Ministério da Educação. Embora as informações ainda sejam difusas, trata-se do maior e mais profundo ataque à autonomia das instituições de ensino, abrindo caminho para a privatização do ensino superior e cobrança de mensalidades. Trata-se de mais um passo rumo à destruição de todo nosso sistema educacional.

Em uma só medida, Bolsonaro e Weintraub pretendem: a) desresponsabilizar o Estado na garantia do financiamento da educação superior, aprofundando os cortes e contingenciamento já iniciados; b) pôr fim à carreira pública de servidores federais da educação, estimulando a concorrência perversa com novos ingressos pelo sistema de contratação privada, sem qualquer garantia ou estabilidade de emprego; c) reverter a democratização da universidade que permitiu nos últimos 15 anos a entrada de milhares de estudantes de segmentos historicamente excluídos, como pobres, negros, índios, mulheres.

É importante ressaltar que os cortes nos orçamentos das universidades atingem não apenas o ensino, mas também o desenvolvimento científico de pesquisas que, por exemplo, contribuem para o descobrimento de vacinas, medicamentos e a produção de alimentos, assim como a extensão da universidade, por meio da qual estudantes, professores e técnicos prestam serviços para as comunidades (por exemplo, hospitais universitários e escolas). Esses ataques contra as instituições de ensino superior fazem parte de um projeto político que mata os sonhos da juventude brasileira e o futuro do país ao destruir serviços públicos e retirar direitos sociais. Parte desta mesma agenda é a Reforma da Previdência que, após ser aprovada em primeiro turno, será votada em 6 de agosto.

Diversas universidades já alertaram que não conseguem chegar ao próximo semestre se os cortes não forem revertidos. Agências de fomento não conseguirão pagar as bolsas de estudos de pós-graduação. A UFMT, por exemplo, teve sua energia elétrica cortada, significando que aulas não serão dadas, pesquisas não serão concluídas e a prestação de serviços será prejudicada. Além disso, estudantes que dependem de políticas públicas não conseguirão permanecer na universidade.

A política que Bolsonaro e seu ministro vem apresentando caminha na contramão da valorização do Ensino Superior. Países desenvolvidos investem em educação e ciência públicas e em momentos de crises financeiras contribuem para a retomada do desenvolvimento brasileiro. Enquanto anuncia cortes na educação e ciência, o governo triplica o orçamento para propaganda do governo, compra parlamentares para aprovação de seus projetos e permite o gasto de mais de R$ 1 bilhão de reais por dia para o pagamento de juros da dívida pública brasileira.

Diante desse cenário, precisamos estar atentos e preparados na resistência e em defesa da educação e da ciência públicas. Precisamos mobilizar cada vez mais a sociedade para lutar contra as medidas do governo Bolsonaro, dentre elas a sua tentativa de destruir a Previdência Pública por meio da PEC 6/2019 e a Educação Pública por meio de cortes orçamentários e do novo Programa Ministerial.

Em defesa da educação pública e gratuita conclamamos a todos e todas para a construção da Greve Nacional da Educação em 13 de agosto. Também destacamos a necessidade de uma Greve Geral para derrotar a política de privatização dos serviços públicos e a destruição dos direitos e conquistas da classe trabalhadora e do povo brasileiro.

Em defesa da educação pública e gratuita! Contra a privatização e os cortes nos investimentos em educação! Construir a Greve Nacional da educação em 13 de agosto! Combater a retirada de direitos e a destruição dos serviços públicos!

Baixe aqui.

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“Future-se” ou melhor, “vire-se”

No dia 17 passado, o MEC apresentou seu plano para o financiamento das universidades federais. O plano é destinado a “separar o joio do trigo”, segundo o ministro declarou ao Estadão, um dia antes de seu lançamento:

“O modelo deve ter adesão voluntária pelas universidades. “Permitindo separar o joio do trigo… as que quiserem ficar no atual modelo, poderão ficar”, disse Weintraub”.

Esta afirmação revela a intenção do plano, ou seja, colocar as universidades na dependência do mercado, em um ambiente concorrencial de acesso a recursos, onde sobreviverão as áreas que se ajustem aos interesses deste.

O blog “Emdescontrução” conversou com dois especialistas sobre os planos do MEC: Marina Avelar, pesquisadora associada do grupo Norrag, do Graduate Institute of Internacional and Development Studies, na Suíça; e Salomão Ximenes, professor de políticas públicas da UFABC.

“Para os entrevistados, o projeto é vago e pouco transparente; não resolve o problema imediato da falta de verba; acena com recursos incertos e sem liquidez; desresponsabiliza o poder público no financiamento do ensino superior público; joga na educação a responsabilidade pela solução de problemas econômicos; ameaça ampliar desigualdades entre universidades, cursos e áreas; e não contempla a expansão da rede.”

Leia aqui.

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Bônus por desempenho declina nos USA

Como já é sabido, o país que mais usou a política de bônus para professores há tempos manda sinais de que isso não funciona. Não bastasse isso, há o fracasso dos bônus aqui mesmo em São Paulo. Mas a mania não para, não funciona mas não morre, pois mantem-se cada vez mais a fé na mão invisível do livre mercado e da concorrência como método gerador de qualidade. Depois do fracasso de vários formatos de pagamento de bônus nos Estados Unidos, inventou-se com Obama o pagamento por valor agregado baseado em resultados dos alunos em testes.

Uma década depois da reforma educacional de Obama (o Race to the Top – que vigorou enquanto o Congresso americano discutia o destino de outra reforma falida, a No Child Left Behind de Bush) ter exigido dos Estados que colocassem em prática uma política de avaliação de professores conhecida como “pagamento por valor agregado”, calculado a partir do resultado dos alunos do professor em testes, esta política começa a sair de cena. Ela foi alimentada pela competição por recursos adicionais da federação que, em troca, cobrava o engajamento dos estados em práticas de avaliação e pagamento complementar dos professores por valor agregado.

O National Education Policy Center faz um balanço deste declínio.

“A Flórida parou de exigir que os distritos fizessem isso em 2017. O Departamento de Educação de Nova Jersey anunciou em agosto que estava reduzindo sua dependência desta prática. E, 20 anos depois de ter sido introduzida pela primeira vez em Wyoming, a prática foi eliminada inteiramente este ano pelos legisladores desse estado.

Uma década após a agora extinta competição por subsídios do programa Race to the Top, que criou um incentivo financeiro para atrair as legislaturas em toda a América a adotar políticas de avaliação de professores que dependem de resultados de testes de estudantes, a reviravolta está ganhando velocidade.

Até mesmo a Fundação Bill e Melinda Gates – que investiu US $ 700 milhões em iniciativas relacionadas a avaliações de professores relacionadas ao desempenho dos alunos – anunciou em 2017 que estava se afastando da prática.

Os pesquisadores, incluindo os do National Education Policy Center, bem que alertaram desde o início desta prática. Em 2006, quando os defensores da utilização dos testes padronizados dos alunos para avaliar os professores estavam entusiasmadamente alardeando a abordagem, Edward Wiley do NEPC escreveu um guia prático onde identificou múltiplas preocupações com os chamados modelos de “valor agregado” que usavam resultados longitudinais de alunos para avaliar o desempenho do professor. Os professores não são designados aleatoriamente às turmas, e alguns grupos de alunos são mais propensos do que outros a exibir crescimento, independentemente da qualidade de instrução que recebem em um determinado ano letivo. Os testes de desempenho dos alunos tendem a não ser projetados para avaliar os professores. E os erros de avaliação também podem afetar os resultados.”

Leia aqui.

Leia também a posição da Associação Americana de Estatística.

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MEC quer Universidades atuando como empresas

O MEC convocou reitores para anunciar o que deverá ser um projeto de privatização das Universidades Federais. Entre as medidas estaria a cobrança de mensalidades.

“Reitores são convidados a participar de reunião institucional na próxima terça-feira 17 no Ministério da Educação e da apresentação do Programa Ministerial referente às universidades públicas, no dia seguinte; projeto pretende viabilizar cobrança de mensalidades, reduzir autonomia das instituições e congelar orçamentos.”

Leia aqui.

Salomão Ximenes discute a possibilidade de se cobrar mensalidades:

“É juridicamente possível cobrar mensalidades ou algo equivalente em universidades públicas? Seria necessário alterar a Constituição para fazer isso? Simplificar a resposta a essas perguntas só faz sentido se o objetivo é o autoengano ou a mera defesa forense. Superado esses estágios primitivos é preciso entender o que é o direito e como ele funciona, quando funciona. Direito é norma e interpretação, existem normas de vários tipos e estruturas.”

Leia aqui.

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Livro: Conversas sobre Avaliação

imagens.pngBenigna Villas Boas, pesquisadora do campo da avaliação, organiza mais um livro que poderá ser muito útil para a atividade de avaliação do professor em sala de aula.

Como sabemos o campo da avaliação possui pelo menos três níveis distintos de realização: o plano das políticas públicas de avaliação, usualmente conhecido como o campo das avaliações de larga escala; o campo da avaliação da instituição escolar ou campo da avaliação institucional da escola; e o campo da prática da avaliação da aprendizagem em sala de aula. Estes três níveis deveriam se complementar.

No entanto, nem sempre isso ocorre. Nos tempos atuais, marcados pela reforma empresarial da educação, as avaliações de larga escala acabam por retirar do professor sua autonomia na realização da avaliação em sala de aula, obrigando-o a regular-se por bases nacionais comuns associadas a avaliações externas que determinam as avaliações internas (em forma e conteúdo). Não raramente a avaliação em sala de aula é tomada por simulados e por treinos para que os alunos se saiam bem nas avaliações de larga escala.

O livro, entre outros temas, inova as relações entre estes níveis de avaliação e, ao mesmo tempo, valoriza a autonomia, a transparência e as práticas da sala de aula e constitui uma importante contribuição.

“Este livro propõe-se a dialogar com professores de todas as áreas do conhecimento, da educação básica e superior, especialmente os que atuam em cursos de licenciatura, assim como aqueles em formação, sobre os temas mais recorrentes e que mais geram dúvidas quando o assunto é avaliação. Os textos aqui reunidos não só colocam em evidência as fragilidades dessa prática, como vão além, apontando caminhos e possibilidades para o dia a dia em sala de aula de toda a comunidade escolar, incluindo pais e responsáveis.
Em formato de conversas, com linguagem objetiva e acessível, a obra afirma seu compromisso com uma educação verdadeiramente interessada nas aprendizagens de todos os estudantes que, de tão preciosas, exigem cuidados para que desabrochem e não murchem, mas floresçam sempre. Para isso, a avaliação deve manter-se vigilante.”

Veja aqui.

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FUNDEB: “Pensar a Educação” entrevista Chico Soares

Em entrevista muito didática, o professor Francisco Soares (ex-presidente do INEP) explica o Fundeb e as possibilidades de mudança. Na entrevista, entre outros temas, recusa o repasse de verbas do Fundeb condicionado a resultados, já que as verbas são para garantir o direito, ressaltando que isso não significa que se deva deixar de examinar se o direito está sendo cumprido.

“O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) atende toda a educação básica, da creche ao ensino médio. Substituto do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), que vigorou de 1997 a 2006, o Fundeb está em vigor desde janeiro de 2007 e se estenderá até 2020. A estratégia é distribuir os recursos pelo país, levando em consideração o desenvolvimento social e econômico das regiões — a complementação do dinheiro aplicado pela União é direcionada às regiões nas quais o investimento por aluno seja inferior ao valor mínimo fixado para cada ano. Ou seja, o Fundeb tem como principal objetivo promover a redistribuição dos recursos vinculados à educação. Para falar sobre o FUNDEB, nessa reta final, conversamos com o professor José Francisco Soares.”

Acesse aqui.

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Livro: Diálogos críticos e BNCC

Diálogos Críticos:

BNCC, educação, crise e luta de classes em pauta

Antonio Marcos da Conceição Uchoa e Ivânia Paula Freitas de Souza Sena (Orgs.)

Os Diálogos Críticos constituem-se do compromisso de um conjunto de educadores ativistas, de diversos estados do país, em defesa da educação pública, gratuita e laica. Reúnem exposições feitas nas mesas de diálogo que deram início a esse movimento que se coloca contra a perspectiva mercadológica da BNCC e em defesa de uma educação emancipadora.

Acesse gratuitamente aqui.

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Será o Ceará o nosso Texas? Sim.

Em setembro de 2016 perguntei em um post: Será o Ceará o nosso Texas? A resposta chega agora em reportagem da Folha, indicando que o modelo será adotado pelo MEC e por alguns estados. Na época escrevi:

“Com a ênfase em “bater metas” no Ideb, as escolas de “sucesso” serão aquelas que treinarem os alunos para se sair bem nas provas de matemática e português. Uma total inversão dos objetivos da formação humana. Esta é a “filosofia educacional” que deverá se fortalecer no país. O atual governo deverá estabelecer incentivos para isso também, agravando mais ainda a “corrida para nenhum lugar”.

Os municípios e estados que quiserem ser bem sucedidos deverão ter um controle cada vez mais rígido sobre o que se faz em sala de aula e adicionar um conjunto de provas intermediárias que farão o monitoramento da “aprendizagem” do aluno e o ensinarão a ir bem nas provas. O que importa é a média subir – por bem ou por mal. O exemplo mais claro disso é Sobral no Ceará. Isso irá tornar o magistério ainda mais desestimulante e o estudante em alguém doente, estressado.

O Ceará colocou o desenvolvimento educacional dos municípios como parte das condições de partilha do ICMS estadual. Isso certamente está gerando competição e um controle intenso no interior das redes e escolas, via avaliação. Pelas regras de distribuição, 25% do ICMS é repassado aos municípios em função de resultados em educação, saúde e meio ambiente. No caso da educação, cabe a ela 18% deste valor, assim dividido: 12% baseado na avaliação da alfabetização dos alunos na 2a. série do EF e 6% baseados no índice de qualidade educacional dos alunos da 5a. série do EF. A avaliação do fundamental I, anos iniciais, portanto, define parte do ICMS recebido pelo município. Além disso, distribui-se 25 milhões de reais em meritocracia.

A que pressões estão sendo submetidas as redes públicas do Ceará? Já que o modelo deverá ser imitado, eis aí um bom tema de pesquisa. Como as redes estão respondendo a estas pressões para garantir as metas? Há efeitos colaterais? A regra de distribuição do ICMS e da meritocracia nutrem a crença de que os problemas de desigualdade escolar são intrínsecos à escola, quando sabemos que, além dos intrínsecos, mais de 60% das variáveis que afetam o desempenho do aluno na escola estão fora da escola, na vida ou nas características pessoais dos estudantes.”

A resposta a esta questão feita em 2016 chega agora na reportagem da Folha de São Paulo: “MEC quer condicionar repasse para estados a resultados na educação”. Modelo inspirado pelo Ceará foi adotado por Pernambuco e está em estudo pela gestão Doria e por mais 2 estados.

Leia aqui.

Para entender o que vai acontecer, basta tomar como referência Sobral, no Ceará, também considerada modelo pelos reformadores empresariais.

Leia aqui.

Também nos Estados Unidos, talvez por outros motivos, houve o “milagre do Texas” (veja abaixo) e serviu para impor a geocultura meritocrática para todo o pais através da lei No Child Left Behind, uma lei que, para se constatar seu fracasso na elevação da qualidade da educação, levou 14 anos, até ser substituída por outra. Seu sucesso não se mede pela qualidade que implementou, mas pela eficácia em promover a privatização da educação americana.

George Bush (filho), ao assumir a presidência, implantou esta lei em 2001, gabando-se de sua atuação como governador do Texas. Ele aplicou antes em seu estado, quando era governador, os princípios da No Child Left Behind. Apresentou “resultados” para convencer democratas e republicanos a embarcar na lei. Mas logo o “milagre do Texas” seria desfeito. Mas não antes de que a lei fosse aprovada. No link abaixo, você pode conhecer um pouco desta história. Abaixo, uma das conclusões:

“As pontuações no teste do Texas subiram, mas no SAT para estudantes universitários potenciais caíram. Os pesquisadores descobriram que os testes do Texas projetados pela Pearson mediam principalmente a habilidade de fazer testes. Apologistas escolheram a dedo as pontuações do National Assessment of Educational Progress  para mostrar o progresso, mas no geral o Texas perdeu terreno para o resto do país, como mostrou o Dr. Julian V. Heilig, um pesquisador em educação da Universidade do Texas. Mas aí já era tarde demais. O Milagre do Texas, miragem ou não, era a lei da terra.”

Leia o texto completo aqui e aqui.

Vale lembrar também que há uma “lei de responsabilidade educacional” empacada no Congresso.

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Privatização: seminário lançará rede de pesquisa

Seminário do Grupo de Estudos e Pesquisas em Política Educacional (GREPPE) – FE/UNICAMP, convida para o VI Seminário Internacional de Pesquisa: Privatização na Educação Básica: novos diálogos, a ser realizado na Faculdade de Educação – Unicamp, nos dias 15 e 16 de agosto de 2019, onde será lançada a Rede Latino-Americana e Africana de Pesquisadores em Privatização da Educação.

O evento contará com a presença de pesquisadores da África e da América Latina, com vistas a ampliar o debate sobre o tema em diferentes contextos.

“A REDE, inscrita em um cenário global de subordinação ao mundo corporativo – no qual as pesquisas desenvolvidas em países de capitalismo periférico têm sofrido com a brusca redução de investimentos públicos e correm o risco de perder a necessária autonomia para o exercício da produção científica – objetiva potencializar o diálogo entre pesquisadores/as latino americanos e africanos sobre privatização da educação, por meio da disseminação de resultados de estudos localmente desenvolvidos, da troca solidária de informações entre grupos de pesquisa e pesquisadores/as e do diálogo com organizações da sociedade civil que possam aportar aos estudos sobre privatização análises que auxiliem na construção de evidências para o entendimento da educação PÚBLICA, GRATUITA e LAICA como condição para a realização do Direito Humano à Educação.”

Leia aqui.

 A programação pode ser conferida aqui.

 Principais datas:

Submissão de trabalhos (textos completos e pôsteres): até 22/07

Inscrição online participantes ouvintes: 12/08/2019

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A farsa das terceirizadas “sem fins lucrativos”

Há uma predisposição das pessoas a fazer uma diferença entre escolas terceirizadas para entidades com fins lucrativos e as terceirizadas para entidades sem fins lucrativos. As “sem fins lucrativos” tendem a ser melhor aceitas, pois passam a imagem de serem filantrópicas. Nos Estados Unidos, a terceirização é feita na forma de “charters schools”, na Inglaterra de “academy schools” e no Brasil começa a ser conhecidas como “escolas públicas de gestão privada” ou simplesmente “terceirizadas”.

As terceirizadas que não têm fins lucrativos são usadas como escudo para sugerir que não se trata de obter lucro com a educação, mas sim, envolver-se na democratização da educação, especialmente para atender as camadas mais pobres da população. Para incentivar a retirada do Estado da educação, bilionários fazem doações diretamente a estas escolas.

A distinção entre terceirizadas com e sem fins lucrativos permite, também, que os políticos escapem da desconfortável posição de admitir que as escolas terceirizadas visam lucro na educação. Nos Estados Unidos, por exemplo, muitos políticos do Partido Democrata usam esta formulação, como veremos abaixo. No Chile, a política de Bachelet propunha-se a eliminar o lucro da educação, permitindo apenas as “sem fins lucrativos”.

Peter Greene já disse que as escolas terceirizadas sem fins lucrativos são máquinas de lavagem de dinheiro. Carol Burris, da Network for Public Education, explica abaixo, em post de Diane Ravitch, como isso funciona. E se você quiser uma explicação mais elaborada sobre isso, pode consultar um artigo que acaba de ser publicado, mostrando as práticas usadas pelas terceirizadas tanto nos Estados Unidos como na Inglaterra. Carol Burris escreve:

 “Quando os candidatos democratas são questionados sobre escolas charter [terceirizadas], muitos costumam responder: “Sou contra escolas charter com fins lucrativos”. Todos comemoram. Os políticos criaram uma dicotomia conveniente (e falsa) que diz que as escolas charter sem fins lucrativos são boas e que as escolas charter com fins lucrativos são ruins.

Não se deixe enganar. Existem agora apenas dois estados que permitem escolas charter com fins lucrativos – Arizona e Wisconsin. Califórnia mudou suas leis.

No entanto, 35 estados permitem que suas escolas charters sem fins lucrativos sejam administradas por Organizações Gestoras de Charters (CMOS) com fins lucrativos.

40% das escolas charter na Flórida são administradas por empresas constituídas como Organizações Gestoras de Charters com fins lucrativos. Embora a Escola Charter individual seja uma organização sem fins lucrativos, ela pode transferir tudo, desde contratação, currículo e gerenciamento financeiro para uma corporação com fins lucrativos. Em Michigan, 80% das chamadas escolas charter sem fins lucrativos são administradas por empresas com fins lucrativos.

Para entender como esse acordo funciona, leia este blog que escrevi sobre a Flórida. Você vai ler sobre os irmãos Zulueta que estavam no conselho de uma escola charter da Academic, mesmo quando suas empresas imobiliárias com fins lucrativos, incluindo uma no Panamá, estavam alugando propriedades para as escolas.

Há uma razão pela qual o lobby das escolas charters nunca reclama quando um candidato diz que é contra escolas charter com fins lucrativos. Isso significa que nada vai mudar.”

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Livro: Políticas educacionais no Estado de Pernambuco

Livro organizado por Ana Lucia Felix dos Santos; Edson Francisco de Andrade e Luciana Rosa Marques analisa as políticas educacionais no Estado de Pernambuco

“Passada uma década das reformas educacionais que colocaram Pernambuco como “exemplo de política bem sucedida” no Brasil (tomando como referência o ranqueamento do IDEB), as pesquisas publicadas no livro examinam, sob diversos aspectos e perspectivas teóricas, as tensões e contradições de tais políticas.

A despeito do discurso governamental e das organizações internacionais, os estudos publicados na obra elucidam o estabelecimento de políticas de responsabilização e intensificação do trabalho docente como marca central da política educacional em Pernambuco. “Para fazer valer esse intento o Governo de Pernambuco assume o modelo de gestão gerencial como lógica de ação do Estado. As práticas decorrentes desse modus operandi focalizam o estabelecimento de metas e a cobrança de resultados busca a intensificação do trabalho docente e instiga a competitividade entre docente e escolas”.

É um livro voltado ao exame crítico que questiona a propaganda governamental e eleitoral sobre a política do Estado de Pernambuco, destinado a pesquisadores, professores, gestores e estudantes.
O E-book é de acesso gratuito na loja virtual da Editora da UFPE.
O acesso é possível com o navegador Google Chrome.
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Plataformas “on line”: novos problemas para os pais

O uso de plataformas de aprendizagem on line cresce. Os problemas ligados a elas também. Os pais americanos reagem à intensificação destas plataformas nas escolas que colocam em risco os dados privados e a saúde de seus filhos.

Uma organização chamada Parents Coalition for Student Privacy (Coalisão dos pais pela privacidade dos estudantes) divulga documento no qual examina os riscos de uma destas plataformas conhecidas por Summit Learning. Os riscos podem ser os mesmos com o uso de outras plataformas e deveriam ser levadas a sério pelos pais brasileiros. Diz o documento:

“A Summit é uma cadeia de escolas charter na Califórnia que usa uma plataforma on-line para coletar dados de estudantes e ministrar ensino e avaliações. Desde o ano letivo de 2015-2016, o uso da plataforma Summit Learning expandiu-se para mais de 300 escolas públicas de gestão privada (charters), com financiamento e apoio da Fundação Gates, Facebook, a Fundação do Vale do Silício, e agora a Iniciativa Chan Zuckerberg (CZI), com fins lucrativos de Mark Zuckerberg, a LLC.

As organizações que dão suporte à plataforma gastaram cerca de 200 milhões de dólares em seu desenvolvimento. Pagam professores e administradores para participar de treinamentos e até doam laptops para escolas para incentivar o uso da plataforma.

A partir do próximo outono, a plataforma Summit Learning será administrada por uma nova corporação sem fins lucrativos, chamada T.L.P., para professores, alunos e parceiros, com uma diretoria composta de três membros, presidida por Priscilla Chan, esposa de Mark Zuckerberg.”

Leia a íntegra do documento aqui.

Após esta apresentação, o documento lista os problemas que os pais têm encontrado:

“Em pelo menos 16 estados, os pais recuaram devido ao tempo excessivo de tela que o Summit Learning exige, com alguns alunos relatando que eles estão gastando até três horas por dia em computadores. Os pais também observaram que grande parte do currículo é de baixa qualidade, que seus filhos estão tendo problemas de saúde e ansiedade como resultado, e que eles estão preocupados com a quantidade volumosa de dados pessoais dos alunos fluindo para mãos privadas e corporativas através da plataforma, inclusive para o Facebook e agora CZI, especialmente Zuckerberg que tem sido um infrator reincidente quando se trata de privacidade do consumidor.

Embora a Summit afirme que cada aluno recebe pelo menos dez minutos por semana com um professor “mentor”, muitos dos alunos dizem que não recebem muito tempo individual com seus professores. Os pais têm observado que seus filhos ficaram tão entediados e infelizes que queriam abandonar a escola e, em alguns casos, as famílias transferiram seus filhos para escolas particulares, decidiram educá-los em casa ou sair do distrito.”

Aqui estão algumas perguntas que os pais e alunos devem fazer à escola se estiverem considerando ou se adotarem uma plataforma, segundo o documento:

Onde está a pesquisa independente revisada por pares que indica que a plataforma ajuda os alunos a aprender?

Quantas horas os estudantes gastarão em computadores e quanto feedback eles receberão? Quanta oportunidade os alunos terão para fazer perguntas e participar de discussões em sala de aula e debate?

Foi feita alguma análise para ver se o currículo da plataforma está alinhado com os padrões de aprendizagem, e se sim, onde está essa análise?

O programa foi adotado com o pleno conhecimento e consentimento dos pais, professores e/ou lideranças do município?

A escola tem um contrato escrito e, em caso afirmativo, o contrato cumpre com as leis estaduais e federais de privacidade dos dados dos estudantes?

Os pais poderão desativar as informações do cadastro de seus filhos (nome, endereço de e-mail, etc.) a serem divulgados, e/ou excluir os dados uma vez que tenham sido divulgados, de acordo com as políticas de privacidade da empresa?

Que supervisão está sendo empregada pela escola ou distrito para garantir que os dados dos alunos não sejam violados, da mesma forma que a informação pessoal em sido violada no Facebook?

Leia íntegra do Kit para os pais aqui.

O documento conclui com um conjunto de referências sobre a plataforma Summit de aprendizagem on line. Eis algumas:

Parents rebel against Summit learning platform, Student Privacy Matters, Aug. 31, 2017

Connecticut School District Suspends Use of Summit Learning Platform, Edsurge, Dec 20, 2017

Two Districts Roll Back Summit Personalized Learning Program, Ed Week, Dec. 22, 2017

Zuckerberg and the parent pushback vs Summit schools; Student Privacy Matters, Feb. 2, 2018

What Just Happened to Summit? , Curmudgucation, October 14, 2018

Brooklyn students hold walkout in protest of Facebook-designed online program, NY Post, Nov. 1, 2018

Why parents and students are protesting an online learning program backed by Mark Zuckerberg and Facebook, Washington Post, Dec. 20, 2018

Summit Learning declined to be studied, then cited collaboration with Harvard researchers anyway, Chalkbeat, January 17, 2019

Silicon Valley Came to Kansas Schools. That Started a Rebellion. NY Times, April 21, 2019

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Pensar a Educação entrevista Miguel Arroyo

Pensar a Educação divulga entrevista com o Prof. Miguel Arroyo: Educação no Brasil: tradições autoritárias.

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Bilionários militantes

Já publicamos, antes, a posição do bilionário Nick Hanauer que, depois de aplicar muitos milhões em filantropia para financiar a privatização das escolas americanas, concluiu que isso não mudou o cenário educacional. Ele diz:

“Ao todo, dediquei incontáveis ​​horas e milhões de dólares à simples ideia de que, se melhorássemos nossas escolas – se modernizássemos nossos currículos e nossos métodos de ensino, aumentássemos substancialmente o financiamento escolar, erradicássemos maus professores e abríssemos escolas charters suficientes – as crianças, especialmente aquelas em comunidades de baixa renda e classe trabalhadora, voltariam a aprender. As taxas de graduação e os salários aumentariam, a pobreza e a desigualdade diminuiriam e o compromisso público com a democracia seria restaurado.

Mas depois de décadas organizando e doando à causa, cheguei à desconfortável conclusão de que estava errado.”

Leia aqui.

Agora, um grupo de 400 bilionários mandou uma carta ao Congresso americano pedindo que não diminuam as taxas de impostos sobre seus ganhos e invista mais em programas sociais. “O movimento não é de esquerdistas sonhadores, inclui gente como Warren Buffett, o americano mais bilionário do mundo, e Bill Gates.”

Leia aqui.

Na carta eles dizem:

“Em vez disso, pedimos ao Congresso que aumente nossos impostos para trazer receitas adicionais necessárias e restaurar os investimentos em serviços vitais. Isso ajudará a criar empregos, fortalecer a classe média e garantir o sucesso econômico dos EUA. Sob nenhuma circunstância a reforma tributária deve perder receita, especialmente para fornecer cortes de impostos para os ricos e corporações.”

Leia a carta aqui.

Outro evento que está chamando a atenção, também, é que George Souros se associou a seu oponente Charles Koch para criar um “think tank” contra a guerra. A medida é tomada depois que Trump ameaçou iniciar uma guerra contra o Irã e recuou.

“Soros é acusado de defender causas “esquerdistas”; Koch é patrono de uma rede ultraconservadora. Juntos, eles querem uma nova estratégia militar para os Estados Unidos.”

Leia aqui.

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Estudo da música favorece desempenho, diz estudo

O “foquismo” pedagógico, posição que defende a prioridade do ensino de português, matemática e ciências, secundarizando o ensino de outras disciplinas da área de humanas, está sendo contrariado em um estudo publicado em junho de 2019 no Journal of Educational Psychology.

O estudo indica que alunos que estudam mais música se saem melhor nas disciplinas básicas: ciências, matemática e inglês. A relação foi observada em estudantes independentemente do perfil socioeconômico ou background cultural.

“A pesquisa foi realizada a partir do histórico escolar de mais de 110 mil alunos canadenses, e indicou que os que estudavam música tendiam a ter notas melhores. Trata-se de um estudo observacional, ou seja, que apenas observa dados, sem estabelecer, a princípio, causa e consequência. Mas, como a tendência a notas melhores ocorreu em estudantes de diversos tipos, independente de perfil socioeconômico ou background cultural, por exemplo, os pesquisadores acreditam que encontraram uma causalidade.”

Leia aqui em Nexo.

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