Nota da Fundação Carlos Chagas sobre a BNC da Formação

A Fundação distribuiu a seguinte nota no dia de hoje (21-12-18):

“A Fundação Carlos Chagas esclarece que não colaborou na elaboração da proposta da Base Nacional Comum para Formação de Professores da Educação Básica, como informado em nota publicada pela Assessoria de Comunicação Social do Ministério da Educação, em 13/12/2018. A informação foi corrigida no portal do MEC em 20/12/2018, a pedido da Fundação.”

Acesse aqui.

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Um show de arrogância e presunção nos espera

Immanuel Wallerstein, refletindo sobre o esgotamento do Liberalismo (o clássico e o neo) resume muito bem o estilo dos Paulos Guedes que por lá já rareavam e o dos Bolsonaros de plantão. Ele escreve nos idos de 1995:

“Esses povos, em desespero, aceitaram temporariamente os slogans da direita internacional revitalizada, a mitologia do “livre mercado” (um tipo de mercado, diga-se de passagem, que não existe sequer nos Estados Unidos ou na Europa Ocidental), mas essa miragem foi passageira. Já estamos vendo a reversão política na Lituânia, na Polônia, na Hungria e em tantos outros lugares”.

Ele se referia aos povos que haviam caído no conto do neoliberalismo já nos anos 70, mas a referência pode muito bem ser aplicada ao desespero da elite brasileira nas últimas eleições. E continua:

“Ficou para trás o tempo dos ideólogos liberais arrogantemente autoconfiantes. Os conservadores ressurgiram, após uma auto humilhação que durou 150 anos, propondo um egoísmo impiedoso, mascarado por carolices e misticismo, como substituto ideológico. Mas essa conversa não cola. Os conservadores costumam ser presunçosos quando dominam e muito raivosos e vingativos quando ficam expostos, ou mesmo quando apenas se acham seriamente ameaçados. ”

É isso que está chegando por aqui agora, tardiamente, e que vamos ter que enfrentar.

Pelo lado Liberal, Reinaldo Azevedo descreve, na Folha de SP, exatamente este tipo de economista arrogante e autoconfiante exemplificando-o com as atitudes de Paulo Guedes em discurso na Firjan, ameaçando o Sistema S. Não que eles não mereçam, pois apoiaram a trinca Bolsonaro/Guedes/Mourão. Mas, como ele diz, parece que Paulo Guedes ainda está vivendo no Chile de Pinochet.

Os antigos “Chicago boys” são agora os “velhinhos de Chicago”, como lobos solitários pelo mundo. Mas mantêm o potencial de dano elevado, principalmente em situações de desespero das elites.

Pelo lado conservador, há exemplos diários de como a descrição de Wallerstein se ajusta perfeitamente à presunção, raiva e vingança dos conservadores brasileiros.

O show que começa dia 2 de janeiro próximo, promete.

Bom Natal e Ano Novo para todos nós.

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MEC é entregue a militares

Em reportagem de Paulo Saldaña, a Folha de São Paulo revela que o segundo escalão do MEC (Secretaria Executiva e Secretarias) será ocupado por integrantes com alguma ligação com militares ou instituições militares. Isso significa que a área perde, completamente, sintonia com os problemas que vinham sendo tratados nos últimos anos. Dificilmente haverá uma continuidade nos programas, problema que tem afetado sistematicamente o desenvolvimento da área educacional.

Por outro lado, isso poderá afetar também a reforma empresarial da educação que estava em curso durante o governo Temer e aumentar o número dos insatisfeitos. O governo Bolsonaro jogou pela janela a última oportunidade de estabelecer conexão com este grupo, que agora fica restrito ao Conselho Nacional de Educação. Isso revela que não tem nenhuma ideia do que estava de fato ocorrendo no MEC.

A secretaria executiva do MEC pode ir para Antonio Flavio Testa (UnB), atuou no Senado e tem ligação com generais. O INEP pode ser ocupado por Marcus Vinicius Rodrigues tendo atuado 20 anos nos Correios, é professor da FGV. E para a Secretaria de Educação Básica pode ser indicado Luiz Antonio Tozi, do ITA, atual vice-diretor do Centro Paula Souza.

Veja outros indicados e mais detalhes aqui.

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BNC da Formação: entidades se manifestam

“NA ARQUIBANCADA PRA A QUALQUER MOMENTO. VER EMERGIR O MONSTRO DA LAGOA”

(Chico Buarque e Gilberto Gil, Cálice, 1973)

O Ministério da Educação anunciou nos últimos dias a proposição da Base Nacional Comum para Formação de Professores. Passamos, desde a instalação de um governo ilegítmo em 2016, de uma perspectiva de construção da política educacional negociada e discutida em diferentes fóruns (da CONAE às audiências públicas do CNE, de comissões a audiências públicas do próprio MEC) a uma política de interdição de qualquer diálogo. Uma imposição contínua de políticas sem debate. Acompanhamos a tramitação da reforma do ensino médio, da BNCC e das DCN do ensino médio que tiveram como tônica a ausência de participação da sociedade, a negação da possibilidade de diálogo, a interdição da possibilidade de negociação.

Agora, no apagar das luzes, o MEC mais uma vez coloca unilateralmente em destaque um novo documento sem qualquer escuta à comunidade escolar, aos pesquisadores, às escolas e às universidades. Novas diretrizes de formação de professores? Novas para quem? O MEC sabe que as DCN para formação de professores de 2016 foi amplamente discutida e aprovada pelo CNE com amplo debate com todos os setores da sociedade?

Um dos destaques do powerpoint apresentado pelo MEC é a revisão do curso de pedagogia. Estranhamos uma proposta que parece retomar a fragmentação do curso depois de décadas de esforço e trabalho para construção de uma perspectiva unitária.

As preocupações que nos tomam são muitas com este anúncio. Quando vamos enfrentar o fato de que 83% (Censo do Ensino Superior de 2017) das matrículas nos cursos de pedagogia estão nas instituições privadas e parte desta formação é feita à distância? Será que precisamos de novas diretrizes ou precisamos enfrentar as condições de qualidade da oferta? Quando vamos enfrentar o fato de que as redes de educação básica seguem contratando professores temporários que não conseguem construir uma trajetória regular de trabalho? Quando vamos enfrentar o fato de que os sistemas de ensino não respeitam a lei do PSPN?

A apresentação de uma Base Nacional para Formação de Professores é a melhor forma de não enfrentar os problemas reais da educação brasileira. Vemos um monstro emergir da lagoa, mais um, que nos tomará tempo e ampliará a neblina em torno dos problemas da educação brasileira que, de fato, podem e devem ser enfrentados.

Este documento deverá ser discutido no CNE, e, mais uma vez, de forma republicana esperamos que este egrégio conselho respeite sua história e retome o diálogo verdadeiro com a comunidade educacional brasileira.

Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd); Associação Brasileira de Currículo (ABdC); Associação Brasileira de Ensino de Biologia (SBEnBIO); Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação (FINEDUCA); Associação Nacional de Política e Administração da Educação (ANPAE); Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (ANFOPE); Centro de Estudos Educação e Sociedade (CEDES); Fórum Nacional de Diretores de Faculdades, Centros de Educação ou Equivalentes das Universidades Públicas Brasileiras (FORUMDIR); Movimento Nacional em Defesa do Ensino Médio (MNDEM).

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Livro: o golpe de 2016 e a educação

Golpe16EdEstá disponível o livro “O Golpe de 2016 e a Educação no Brasil”, organizado por Nora Krawczyk e José Claudinei Lombardi com contribuições de Barnabé Medeiros Filho, Dermeval Saviani, Marcos R. Lima, Débora Mazza, Reginaldo C. Moraes, Roberto Heloani, Evaldo Piolli, Dirce Zan, Nima I. Spigolon, Cristiane Machado, Mara R. M. Jacomeli, Marcia L. A. Souza, Ana L. G. de Faria, Carlos E. A. Miranda e Wenceslao M. de Oliveira Junior.

Baixe aqui.

“O presente livro reúne os textos resultantes das conferências proferidas, ao longo do primeiro semestre de 2018, no curso livre “O golpe de 2016 e a Educação no Brasil”, promovido pela Faculdade de Educação da Unicamp.

Foi uma iniciativa tomada por docentes das mais diversas universidades brasileiras, praticamente em todas as regiões do território nacional, em promoverem cursos e seminários de teor semelhante ao promovido pelo Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília e que, por seu conteúdo e temática, sofreu fortes críticas e ameaça de processo judicial vindas do então Ministro da Educação. […]

O livro aqui apresentado, tal como o curso que lhe deu origem, tem por objetivo […] defender a função fundamental da universidade, tão atacada nos últimos tempos: pesquisar de modo livre, crítico e independente, socializando os conhecimentos e reflexões produzidas através de um ensino público, gratuito, competente e socialmente referenciado. Com o curso livre “O golpe de 2016 e a Educação no Brasil” e agora com o lançamento deste livro, a Faculdade de Educação da Unicamp reafirma, mais uma vez, seu compromisso com a construção de uma sociedade e de uma universidade regida pelo princípio democrático. ”

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Livro: “Tempos difíceis, mas não impossíveis”

EscPubl

Organizado por Nora Krawczyk, o livro “Escola Pública: tempos difíceis, mas não impossíveis” já está disponível.

Participam da edição: Celia Kerstenetzky, Dermeval Saviani, Reginaldo Moraes, David Beliner, Paulo Carrano, José Claudinei Lombardi, Renato Janine, Dirce Zan e Débora Mazza. Os textos foram debatidos durante Seminário Internacional realizado na Faculdade de Educação da UNICAMP em outubro de 2017 e agora estão reunidos em livro.

Baixe aqui.

“A escola pública tem sido cada vez mais desqualificada perante a opinião pública, numa campanha com forte apoio de mídia. Recursos para a educação são cortados, a profissão docente é desqualificada e um clima policialesco se instala nas salas de aula.

É verdade que a escola pública brasileira tem sérios problemas, mas não é a correção deles que está sendo colocada pelos que a atacam. Querem é destruí-la e substituí-la por um novo modelo, nem público nem democrático, nem voltado ao interesse do aluno e do País.

Há em curso um processo visando atender aos interesses do capital, através de uma agenda que se assenta em dois pilares: um é a apropriação do orçamento público da educação por interesses privados. O outro é a ofensiva ideológica que busca sepultar o pensamento crítico do aluno, que o capacita a participar ativamente de uma sociedade democrática. Em contraposição, cresce a difusão de valores que legitimam as relações capitalistas: individualismo, submissão, meritocracia, competição em todos os aspectos da vida.

Forças poderosas se mobilizam contra a escola pública, mas é possível resistir e detê-las. Este livro tem por objetivo ser parte da resistência, que começa por compreender o processo em curso e estabelecer algumas linhas de ação. Para tanto, reúne artigos de um conjunto de educadores e pesquisadores, do Brasil e de outros países. Ele começou a nascer em outubro de 2017, a partir do Congresso Internacional “Escola Pública, tempos difíceis, mas não impossíveis”, realizado pela Faculdade de Educação da UNICAMP. As ideias desenvolvidas naquele evento chegam agora a um público mais vasto através deste livro, que reúne textos dos mesmos conferencistas daquele congresso.”

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BNC da Formação: documento preliminar do MEC

Blog da Formação divulga o documento preliminar da Base Nacional Comum de Formação de Professores divulgado esta semana pelo MEC.

Baixe aqui.

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Nota da Anfope e Forumdir sobre a Base da Formação

MANIFESTO EM DEFESA DA FORMAÇÃO DE PROFESSORES

 A Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação – ANFOPE e o Forum Nacional de Diretores de Faculdades/Centros/ Departamentos de Educação ou Equivalentes das Universidades Públicas Brasileiras – FORUMDIR vêm a público manifestar seu posicionamento contrário à Proposta para a Base Nacional Comum da Formação dos Professores da Educação Básica apresentada à imprensa pelo Ministério da Educação em 13 de dezembro de 2018.

Mais uma vez impera a ausência de postura democrática, expressa nas propostas apresentadas pelo MEC dos últimos dois anos, pois não estabelece qualquer diálogo com as instituições formadoras, em especial com as faculdades de educação das Universidades públicas e com os programas de pós-graduação em educação, desprezando o conhecimento científico produzido no país sobre a formação dos professores e sobre a escola básica brasileira, assim como o faz com as entidades acadêmicas do campo educacional, as entidades representativas dos professores e estudantes.

Essa prática, cada vez mais comum, de imposição de propostas curriculares desvinculadas das demandas formativas de estudantes e professores e da realidade concreta da escola pública brasileira desconsidera a pluralidade de idéias e concepções pedagógicas, os avanços do conhecimento no campo educacional e a autonomia universitária corporificada nos seus projetos de formação e não estabelece o necessário diálogo com os principais atores da  formação de professores, os professores e estudantes tanto dos cursos de licenciatura, dentre os quais se destaca a pedagogia, quanto da escola básica a que esta formação se destina.

O fato desta proposta não ter sido apresentada e discutida com os professores, entidades, universidades, escolas e sindicatos quando do seu processo de elaboração, expressa seu caráter impositivo e arbitrário que contrasta com a concepção de formação docente que estes grupos vem defendendo historicamente e que está normatizada na Resolução 02/ 2015 do CNE.

Como o documento da proposta da Base que será encaminhado para o Conselho Nacional de Educação não foi publicizado, isto nos impede de fazer uma análise mais aprofundada, mas os slides já evidenciam o retrocesso que está sendo pensado para a formação de professores, com a fragmentação da formação e a retomada de concepções ultrapassadas, orientadas pela noção de competências e habilidades. Serão danosos os impactos na carreira docente dada a lógica da reforma empresarial que orienta a proposta, como a instituição de avaliações e certificação para o ingresso e progressão na carreira.

Nesse sentido, não nos isentaremos de debater tais proposições, que expressam a intenção de desmonte dos cursos de formação de professores em nível superior e o aprofundamento do processo de desprofissionalização da carreira docente, ao assumir uma visão “praticista” da docência, que tende a padronização curricular e fere a autonomia das universidades, desconsiderando os projetos curriculares dos cursos, os alinhando à Base Nacional Comum Curricular, cujo processo de elaboração, discussão e aprovação também foi marcado pelo autoritarismo e simulação de diálogo. A criação de um instituto nacional de formação de professores para centralizar ações de acreditação de cursos, formulação de políticas avaliação e monitoramento é uma forma de ampliar o controle sobre as instituições ferindo a autonomia universitária e comprometendo a diversidade de projetos de formação.

Reiteramos a defesa pela manutenção das Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação inicial em nível superior (cursos de licenciatura, cursos de formação pedagógica para graduados e cursos de segunda licenciatura) e para a formação continuada (Parecer CNE/CP n. 2, de 9/6/2015, Resolução CNE/CP n. 2, de 1/7/2015) que expressam os anseios do movimento dos educadores, consolidados na base comum nacional da ANFOPE, construção histórica desse movimento. Cabe destacar dentre os princípios da base comum nacional, dois explicitamente desconsiderados na proposta ora apresentada, e cuja ausência compromete sua qualidade: (1) a sólida formação teórica e interdisciplinar sobre o fenômeno educacional e seus fundamentos históricos, políticos e sociais, que não podem ser dissociados do domínio dos conteúdos da educação básica, se ensejamos criar condições para o exercício da análise crítica da sociedade brasileira e da realidade educacional; e (2) a unidade teoria-prática atravessando todo o curso de modo a garantir o trabalho como princípio educativo na formação profissional.

Como entidades que historicamente defendem a escola pública, gratuita, estatal, laica, de qualidade socialmente referenciada nas necessidades formativas das crianças, jovens e adultos brasileiros, e, particularmente, comprometidas com a a formação de professores e a valorização do magistério, Anfope e Forumdir denunciam mais este retrocesso educacional, que agora propõe o desmonte dos cursos de formação de professores em nível superior e ameaça a carreira do magistério, ao assumir uma visão tarefeira, reduzida e alienada da docência.

14 de dezembro de 2018.

Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (ANFOPE)

Fórum Nacional de Diretores de Faculdades, Centros de Educação e equivalentes das Universidades Públicas (FORUMDIR)

Baixe PDF aqui e divulgue.

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“Um sabotador no comando”: por F. O’Toole

Em artigo no New York Review of Books, “Saboteur in Chief”, Fintan O’Toole comenta o livro de Michael Lewis, The Fifth Risk, sobre os perigos da administração Trump. Segundo Fintan, ao invés de deter-se em características mais superficiais, Lewis faz uma análise das ameaças mais profundas que ele representa. Talvez possamos já ir aprendendo algo.

Para Fintan, a retórica de que o Estado não é a solução mas, sim, o problema e que ele é somente “um pântano a ser drenado”, leva as pessoas a querer destruí-lo.

“E se é isso que você quer fazer, então os aspectos de Trump que mais parecem fraquezas políticas – sua ignorância e incompetência – não são fraquezas. Eles são armas poderosas de destruição administrativa. A melhor maneira de minar o governo é torná-lo tão estúpido e inepto quanto sua retórica sempre afirmou que ele é.”

Leia aqui.

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CNE, BNCCs e a proteção da agenda da reforma

Os reformadores empresariais da educação trabalharam duro para deixar, independente de quem seria o próximo governo, uma rota segura para o desenvolvimento de sua agenda – a rota chama-se Conselho Nacional de Educação – CNE. Junto com enviar a última base nacional comum, a dos professores, escalaram seus melhores quadros para que, somados aos que já estão lá, a agenda da reforma no CNE tivesse continuidade, fora da estrutura do futuro governo.

Em outubro de 2018 o CNE empossou cinco novos membros; Maria Helena Guimarães, Mozart Neves Ramos, Marco Antônio Marques, Sérgio de Almeida Bruni e Robson Maia Lins. Eles estarão por lá nos próximos 4 anos.

Com a perda da briga pelo posto de ministro da educação, os reformadores contam agora com o CNE como trincheira na luta pela sua agenda educacional.

Em 2016, aproveitando-se do impeachment e da indicação do ministro da educação de Temer, que pouco entendia de educação, o Movimento pela Base e o Todos pela Educação emplacaram representantes que assumiram a condução da educação nacional retomando a agenda de FHC e atualizando-a com as novas exigências do movimento mundial pela reforma empresarial da educação. Com a recente derrota da indicação de Mozart Ramos para ministro da educação, este foi parar nas mãos de um conservador – Velez Rodrigues – que não tem a menor ideia do que ocorre na educação nacional.

Os reformadores estão em estado de alerta. Não será fácil a vida do novo ministro Velez Rodrigues, embora o também novo presidente do CNE, Luiz Roberto Cury, fale em diálogo entre governo e CNE, sempre enfatizando que este último é um órgão de Estado (ou seja, não é de um governo especifico).

Penso que a rápida aprovação da base nacional curricular do ensino médio recentemente pelo CNE e a própria entrega a este órgão da reforma da formação de professores são parte de uma ação preventiva de proteção da agenda dos reformadores que atuaram até agora no MEC. Tendo sido entregue ao CNE, a reforma ficaria protegida contra eventuais ações “destrutivas” do MEC e poderia continuar seu processo de autonomização em relação a governos.

Este grupo, certamente, sabe que Bolsonaro é metido a ser o Trump dos trópicos e tem ciência de que o Trump verdadeiro, o americano, é contra bases nacionais comuns curriculares. Em campanha prometeu extingui-las. O nosso Trump também andou colocando em seu programa que iria mudar a BNCC no Brasil e não esconde sua admiração pelo Trump americano.

A impressão que passa é que os reformadores estão criando um “bunker” no CNE para defender as BNCCs e a estratégia da reforma empresarial, com vistas a colocar a implementação da reforma fora do alcance de governos futuros.

Minha aposta continua sendo a de que o novo ministro irá incorporar reformadores no segundo escalão do MEC e, com isso, estabelecer relações com os reformadores. Mas, o governo Bolsonaro tem a marca da imprevisibilidade.

Levar a BNCC para o Congresso poderá ser a única forma do MEC ser bem sucedido em uma eventual disputa com o CNE. Não homologar decisões do CNE levaria a confronto direto. A justificativa para acionar o Congresso no caso da BNCC sensibilizaria muitos parlamentares conservadores que querem retirar e/ou incluir temáticas nas bases. A preocupação dos reformadores é que uma ação desta travaria a BNCC e introduziria o imponderável. Embora o custo político desta medida para Bolsonaro não fosse pequeno também. Por tudo isso, penso que haverá entendimento.

Rogério Marinho, aquele que protocolou o projeto para levar a BNCC para aprovação do Congresso, não se reelegeu. No entanto, como prêmio de consolação, foi indicado para a Secretaria da Previdência no núcleo duro do governo, ou seja, no Ministério da Economia, onde exercitará seu conhecimento do Congresso Nacional para fazer passar a reforma da previdência. Seu projeto que previa que a BNCC passasse pelo congresso será automaticamente arquivado por decurso de prazo da atual legislatura, mas sempre poderá ser retomado por outro parlamentar.

Há algum tempo aventei a possibilidade de que a BNCC, na versão dura da reforma empresarial, seguindo o modelo Australiano, fosse retirada da alçada do Estado e deslocada para administração de uma instituição independente, fora do controle do Estado e dos governos. Penso que a inclusão na atual proposta do MEC de uma instituição de acreditação e avaliação aberta em sua natureza e composição, é o primeiro passo nesta direção.

Se isso está correto, no futuro, tanto a BNCC como o próprio credenciamento e acreditação de instituições formadoras estarão fora do governo (e do INEP?), em mãos de uma entidade independente, inclusive com a participação de ONGs e entidades empresariais da educação em sua composição. O controle da educação estaria nas mãos do empresariado e da filantropia educacional e a “salvo” dos governos, ou seja, fora do controle público e do Estado. O desejo já apareceu antes. Em 2015 escrevi:

“E há também o modelo australiano com a ACARA – Australian Curriculum, Assessment and Reporting Authority, cujas funções são: desenvolver e administrar um currículo escolar nacional; desenvolver e administrar avaliações nacionais; coletar, gerenciar e analisar dados de avaliação dos alunos e outros dados relativos a escolas e desempenho escolar comparativo; facilitar a partilha de informação entre órgãos do governo australiano em relação à recolha, gestão e análise de dados escolares; publicar informações relativas à educação escolar, incluindo informações relativas a desempenho escolar comparativo; prestação de serviços de apoio ao currículo escolar, serviços de pesquisa de ensino e outros serviços afins; fornecer informações, recursos, apoio e orientação à profissão docente, entre outras.

Neste caso, em termos de funções, algumas já são feitas pelo nosso INEP. No entanto, a ACARA é uma “autoridade estatutária independente” que tem por função “melhorar a aprendizagem de todos os jovens australianos através de um currículo escolar de classe mundial, da avaliação e elaboração de relatórios.”

O INEP que se cuide…

No passado algumas pessoas (que depois se reuniriam no Movimento pela Base) defenderam que a elaboração da base deveria ocorrer fora do MEC:

“Ela (Guiomar Namo de Mello) acrescentou que é provável que o processo seja liderado por um fórum interfederativo, com a participação do Ministério, dos estados e dos municípios. “A base nacional comum é um projeto de país, o que nós queremos que nossos alunos aprendam para sobreviver no século XXI. E mais, o grupo está propondo que a liderança do processo não seja do governo federal, do MEC”.”

Como escrevi em julho de 2015:

“Na verdade, antes já tentou-se também colocar a ideia de que o próprio INEP deveria ser independente ou transformado para que pudesse ser um órgão independente ou até privado. Esta questão deverá voltar agora com força.”

Também nos Estados Unidos uma agência denominada National Council on Teacher Quality – NCTQ – , privada, cuida da certificação das agências de formação de professores, verificando se estão ou não organizando seus cursos segundo o perfil desejado.

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CNE começa análise da nova BNCFP em janeiro

O presidente do CNE, Luiz Roberto Curi afirmou que o documento da Base Nacional Comum de Formação de Professores, encaminhado no dia de hoje pelo MEC ao CNE, será presidida por Maria Helena Guimarães Castro. Além disso, já está definido também o relator desta Comissão que será Mozart Neves Ramos, diretor de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna. A primeira reunião ocorrerá em 20 de janeiro e o documento deverá estar concluído até o final de 2019.

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MEC lança Base Comum de Formação de Professores

“A formação de professores deverá ser mais voltada para a prática e orientada por competências, conforme propostas incluídas na Base Nacional Comum da Formação de Professores da Educação Básica, apresentada hoje (13) pelo Ministério da Educação (MEC). A base deverá orientar a formação de professores em licenciaturas e cursos de pedagogia em todas as faculdades, universidades e instituições públicas e particulares de ensino do país.”

Leia aqui 

As principais propostas do MEC:

Aplicação anual do Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) para licenciaturas, como forma de habilitação para a docência

Substituição do estágio por um programa de residência pedagógica, em que o aluno estivesse semanalmente na escola

Criação de um estágio probatório para docentes novatos, sob orientação de um professor mentor

Reformular os cursos de pedagogia para que tenham quatro anos de duração, servindo o último deles como uma espécie de especialização

Criação de um instituto nacional de acreditação e formação de professores, que gerenciaria a avaliação de cursos, alunos e docentes

Leia aqui.

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Carrano: toda ditadura quer controlar a educação

Entrevista de Paulo Carrano analisa o AI5 da ditadura militar e suas repercussões na educação, bem como sua semelhança com o projeto Escola sem Partido:

‘Toda ditadura quer controlar o campo educacional, porque é nele que há liberdade para pensar e construir novos caminhos para a sociedade’

Era 13 de dezembro de 1968 quando o então presidente da República, general Artur da Costa e Silva, autorizou o Ato Institucional nº 5 (AI-5), que cassou as liberdades civis no país por quase duas décadas. À época, várias medidas de exceção foram impostas, como o fechamento do Congresso Nacional, a suspensão do habeas corpus para crimes políticos e a intensificação da censura. Antes do AI-5, em 28 de junho, milhares de trabalhadores e estudantes se reuniram na chamada Passeata dos Cem Mil, no Rio de Janeiro, tendo como pano de fundo o recente assassinato do estudante Édson Luís pela ditadura. Somando-se a isso, greves em todo o país mostravam os problemas e a indignação de grande parte da sociedade.

A Educação foi bastante impactada pelo decreto do AI-5. No final de novembro daquele mesmo ano, os militares já haviam promulgado a Lei nº 5.540, da Reforma Universitária. Já o ensino profissional foi modificado em 1971, com a Lei nº 5.692, que instituiu o segundo grau técnico obrigatório. Cinquenta anos depois, as medidas de 1968 ainda impactam o sistema educacional brasileiro.

É o que observa Paulo Carrano, professor e coordenador do grupo de pesquisa ‘Observatório Jovem do Rio de Janeiro’ da Universidade Federal Fluminense (UFF), em entrevista ao Portal EPSJV.

Ele compara ainda o AI-5 ao projeto ‘Escola sem Partido’, que acaba de ser arquivado na Câmara dos Deputados, apontando que ambos interditam a liberdade do professor de pensar, criar e ensinar.”

Leia íntegra aqui.

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Presidente Prudente terceiriza escolas

FECHAMENTO-DE-ESCOLA-12.12.18O Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Presidente Prudente e região (SP) denuncia o fechamento e a terceirização de escolas públicas.

Leia aqui.

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Uma burrice iliberal

Bolsonaro representa o conservadorismo extremado: seu pessoal acha que pode haver tortura, que não houve golpe de 64, que Mozart é esquerdista, há quem veja Jesus Cristo no pé de goiabeira e até quem queira instituir “bolsa estupro” etc. Tenho pena dos liberais. A filosofia social liberal não merecia passar por isso, tendo que se associar à ignorância.

O desejo de voltar ao poder, levou uma vertente do liberalismo, o liberalismo econômico, que tem sido chamado de neoliberalismo, a juntar-se ao conservadorismo autoritário. O liberalismo econômico não precisava do conservadorismo autoritário para ser autoritário, pois ele é intrinsicamente autoritário, como mostrou Nancy MacLean. Mas ele precisava de votos. Para esta configuração política, a democracia liberal virou um meio e não um fim – e se necessário abre mão dela para implementar o livre mercado. A forma de operar foi denunciada por Fukuyama:

“… líderes populistas nacionalistas usam esse terceiro pilar [eleições livres] para chegar ao poder e, a partir de dentro, corroer os outros dois [um Estado que concentra poder e o utiliza pelo bem dos cidadãos; a igualdade de todos perante a lei]. Ou seja, a legitimidade do processo democrático transforma-se em arma contra a própria democracia.”

A gravidade por aqui é que isso ocorre com o apoio dos próprios liberais.

Estive no Chile em outubro. Lá se temia pela possibilidade de Bolsonaro virar presidente do Brasil. A manchete do jornal “La segunda” estampava: “Alarme liberal contra Bolsonaro“.  Na matéria podia se ler a fala de Lucia Santa Cruz:

“Incomoda-me muito que uma boa política econômica fique em mãos de pessoas que concebem o liberalismo de forma muito limitada. As posições não econômicas de Bolsonaro atentam contra todos os princípios fundamentais do liberalismo” (p. 12).

Entre eles eram arrolados: igualdade ante a lei, respeito, tolerância, democracia, direitos humanos. Eis aí o alerta do liberalismo chileno para a liberalismo brasileiro.

A direita brasileira já está complicada porque colocou em prática um plano golpista o qual começou quando ela perdeu as eleições em 2014, arquitetou o golpe de 2016 e liberou a lava-jato para o “lawfare” que atingiria a todos no momento seguinte e permitiria o crescimento de Bolsonaro. Um belo tiro no pé, pois Bolsonaro derrotou não só a esquerda, mas também a própria direita liberal, colocando o liberalismo econômico autoritário em primeiro plano.

Resta à direita liberal, agora, para sobreviver, empenhar-se para tornar a posição de Bolsonaro em uma posição liberal palatável. Se a direita verdadeiramente liberal for sábia, fica no apoio crítico. A posição é confortável já que os erros serão atribuídos a Bolsonaro, que por sua vez atribuirá as dificuldades à era PT, e os acertos serão capitalizados também pela direita, no momento seguinte, retendo o que lhe convier.

Isso não significa que não existirão “custas a pagar”. A direita terá que fazer uma espécie de “autocrítica” para recuperar os princípios do verdadeiro liberalismo, a menos que faça como parte do Partido Republicano americano tem feito e também traia tais princípios.

Bolsonaro é um conservador autoritário, um oportunista de última hora que, por votos, assumiu ares de liberal. A vitória de Bolsonaro foi construída cercada pela truculência, pela mentira, pela omissão do debate e pelo medo. O liberalismo econômico compactuou com isso. Fechou os olhos para passar suas ideias, repetindo o que fez no Chile na ditadura de Pinochet – afinal o que conta é o livre mercado. Com isso, corrompeu o próprio liberalismo.

O conservadorismo populista de Bolsonaro foi usado pela direita liberal para assustar a classe média anti-petista e catalisar o ódio. Passadas as eleições, isso já não tem a mesma importância, ainda que sempre voltará a cada crise do governo com a retórica intimidadora de que “o PT vai voltar“. O liberalismo vai tentar controlar o conservadorismo – ainda que não necessariamente o autoritarismo social embutido nas suas propostas econômicas. O governo Bolsonaro promete muitas contradições.

No caso da educação, a primeira tentativa da centro direita liberal foi colocar Mozart no Ministério da Educação. Mas apesar da batalha na educação ter sido perdida para o conservadorismo de Velez Rodriguez, a guerra continuará (veja aqui).

Para a centro-direita liberal é perda de tempo lidar com questões postas pelo “escola sem partido”, por exemplo. Segundo o Jornal Estadão – porta voz do liberalismo -, o novo governo deveria se preocupar com o seguinte: 1) Os alunos precisam melhorar no PISA; 2) O ensino (fundamental e médio) está em más condições?; 3) É preciso adaptar o ensino “às condições impostas (sim, impostas) pela chamada revolução 4.0”; 4) Os professores devem ser preparados para formar alunos capazes de “atuar com sucesso na economia do século 21”; e 5) É preciso verificar como as “experiências bem-sucedidas no exterior poderiam proporcionar elementos a um programa de modernização educacional”.

Leia aqui.

Este é o programa da centro-direita para a educação e que implica em transformar a posição de Bolsonaro em uma direita palatável onde o peso do movimento “escola sem partido” seja diluído e se coloque como objetivo a reforma empresarial da educação (com vouchers e escolas charters, como pede o PSL).

A educação vai ser colocada a serviço do liberalismo econômico de Paulo Guedes. Por este caminho, ela será posta na trilha da privatização e como tal, deixará de ser um risco do ponto de vista ideológico, já que estará sob comando dos empresários da educação. Quem precisará do Escola sem Partido?

Para a direita o que importa é a economia e Paulo Guedes é a sua ancoragem, não devendo ser atrapalhado com bravatas do conservadorismo autoritário (leia aqui posição de ACM Neto, presidente do Partido DEM).

No entanto, como alerta o liberalismo chileno, ao se identificar com Bolsonaro, a direita liberal está contribuindo para a deturpação de todos os princípios fundamentais do liberalismo e, com isso, podemos agregar, ajudará na consolidação das posições de esquerda. De quebra, contribuirá para agravar a já combalida democracia liberal que ela mesma ajudou a criar.

É o tipo de posicionamento burro que se constituirá no futuro em um novo tiro no pé. Nós da esquerda, devemos agradecer aos “iliberais”. Bolsonaro fragiliza o próprio liberalismo. A mensagem que passa é de descrédito até mesmo para com uma limitada e incompleta democracia liberal – não há melhor propaganda para a esquerda.

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USA: Partido Republicano abraça o autoritarismo

Muito instrutivo o artigo de Paul Krugman sobre a política norte americana e o papel do Partido Republicano. Pode ilustrar o que teremos pela frente.

Para o autor “enquanto os republicanos estiverem dispostos a fazer tudo pelo poder, estaremos próximos de perder a democracia nos EUA”.

Leia aqui ou aqui.

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Para lembrar: BNFP pode não ser obrigatória

Em tempo: em entrevista de novembro de 2017 a então Secretária Executiva do MEC Maria Helena Guimarães Castro indicava que possivelmente a Base Nacional de Formação de Professores não seria obrigatória, mas “induzida” pelo MEC.

A diferença é mera semântica, já que os processos de indução nestes casos costumam envolver repasse de recursos, mas é o que foi dito em 2017. Na realidade, soa mais como uma estratégia para contornar o fato de que as universidades têm autonomia didática e curricular.

Leia aqui.

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Formação de professores: base nacional caminha

A BNCC da formação de professores (licenciatura e pedagogia) está em elaboração e será encaminhada para o Conselho Nacional de Educação – CNE.

 “A ‘base nacional curricular de professores’ será encaminhada pelo MEC  para avaliação do CNE (Conselho Nacional de Educação). A expectativa é que o órgão debata o conteúdo curricular por cerca de dois anos antes de chegar à versão final do documento. Se isso acontecer, a implementação da nova base deve começar em 2023.”

Leia aqui.

Em fevereiro de 2016 circulou informalmente um documento base de uma Comissão do MEC, naquela época presidida por Bernadete Gatti, que tratava da construção da Base Nacional de Formação de Professores. Não sabemos se este documento foi ou não retomado.

Acesse a versão preliminar deste documento base divulgado em fev 2016.

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Bolsonaro não tem projeto?

Luciano Huck acha que Bolsonaro não tem um projeto para o país. Tem sim. Ele está apoiado em três pilares que compõem sua proposta de governo expressa na prática da composição de seu ministério: um núcleo neoliberal (do qual certamente Huck se aproxima, composto pela equipe do Paulo Guedes); um núcleo conservador (composto pelo próprio Bolsonaro, Velez Rodrigues, Damares e outros) e, perpassando os dois anteriores, um núcleo que cuida do autoritarismo social como forma de governo (composto por Moro e Mourão).

O projeto de organização socioeconômica procura associar liberalismo econômico e conservadorismo – duas filosofias sociais – regadas a autoritarismo social como forma de governo. Este último, o autoritarismo social, é comum às duas filosofias sociais em questão.

Note-se, portanto, que conservadorismo não é o mesmo que autoritarismo social. O primeiro é filosofia social, o segundo é forma de governo. Posso ser conservador é autoritário, da mesma forma que posso ser neoliberal (liberalismo econômico) e autoritário. Por exemplo, Hayek, Friedman, Buchanan – pais do liberalismo econômico – apoiaram e assessoraram a ditadura de Pinochet no Chile.

Huck e a direita neoliberal brasileira gostariam de se livrar do excessivo conservadorismo de Bolsonaro e ficar só com o liberalismo econômico. Isso se deve a que, de certa forma, há uma contradição entre conservadorismo e liberalismo econômico, pois o conservadorismo e mais “controlador” do indivíduo, enquanto que os neoliberais se consideram “libertários”. Sim, eles se acham libertários, pois querem “libertar” o indivíduo do Estado e entregá-lo ao mercado, onde o mérito é o limite.

Mas, não deu para colocar em prática o projeto puro do neoliberalismo, sem uma associação com o conservadorismo. Foi o que deu para fazer, já que o fundamental era afastar o petismo por todos os meios. O conservadorismo já está sendo uma pedra no sapato do neoliberalismo.

Pode-se dizer que o liberalismo econômico, embora não se oponha à democracia, não a tem necessariamente como objetivo, pois visa garantir a liberdade econômica. Estes neoliberais falam sempre na importância da liberdade e não da democracia. Querem garantir a liberdade (econômica) que funda a liberdade pessoal e social, na visão deles, e não a democracia a qual seria um meio, uma forma de governo. Mas, se a democracia não der conta de garantir o livre mercado, então vale o autoritarismo. Os fins justificam os meios.

O projeto de Bolsonaro inclui alinhar o Brasil ao eixo geopolítico americano (hoje mais temente da China), firmar o livre mercado radical (compromisso assumido com os neoliberais) e criar os mecanismos legais e jurídicos para impulsionar o conservadorismo moral e social, impedindo que possa haver no futuro uma alternância de poder em direção à esquerda, entendida em seu sentido amplo. Vamos ver como isso vai evoluir.

No projeto Bolsonaro, a pobreza extrema é assunto para filantropia das ONGs de bilionários ou ações emergenciais limitadas. Os demais devem ser inseridos no mercado e se virar – cada um segundo o seu mérito – sem ficar dependendo do Estado, vivendo de impostos injustamente recolhidos dos ricos que merecidamente ganharam seu dinheiro. Para os neoliberais, não há desigualdade social – há méritos desiguais fundados no esforço de cada um. Para os conservadores, também não há desigualdade social, há uma ordem natural, desígnios de Deus. Por isso, “cada qual na cada qual”, todos se entendem perfeitamente.

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Chicago: professores terceirizados param

Pela primeira vez, professores de escolas charters nos Estados Unidos, escolas terceirizadas portanto, estão em greve. Na semana passada, uma greve na maior rede charter (Acero) sindicalizada de Chicago ganhou força, com 15 escolas que atendem 7.500 estudantes, predominantemente latinos, permanecendo fechadas desde terça-feira.

Esta é a primeira greve nos Estados Unidos envolvendo uma operadora terceirizada. A rede é considerada sem fins lucrativos, no entanto, de acordo com uma auditoria financeira realizada, ela tem atualmente 24 milhões de dólares em dinheiro e arrecadou 89 milhões de dólares durante este ano.

Acesse aqui.

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Liberalismo econômico e o fim da escola pública

Leitor envia matéria onde o chefe do Partido Republicano em um condado de Oklahoma (USA), Andrew Lopez, divulga carta defendendo o fim das escolas públicas. Para ele as escolas públicas deveriam depender de financiamentos alternativos e não de impostos. Na carta ele afirma que o estado não deve ter uma atuação na educação e sim permitir que a remuneração de professores e o próprio financiamento das escolas sejam definidos pelo livre mercado.

Leia aqui e aqui.

A posição de Andrew não foi plenamente compartilhada por outras autoridades, mas confere com o que pensa o liberalismo econômico de Milton Friedman, guru de Paulo Guedes, ministro da economia de Bolsonaro.

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Novo livro: A Reforma Empresarial da Educação

RefLivroA Editora Expressão Popular lançou o livro “A reforma empresarial da educação: nova direita, velhas ideias”. Nele procuro examinar as origens da proposta e sua atual configuração.

Acesse aqui.

“Este livro é escrito em um momento em que as ideias neoliberais retornam ao cenário brasileiro com força; ele procura caracterizar as origens das reformas empresariais da educação em curso no Brasil, aceleradas após 2016, mostrando que elas são dependentes de uma concepção de educação baseada na defesa do livre mercado (Hayek, Mises, Friedman e Buchanan).

Este conceito de sociedade entende que a qualidade da educação depende da inserção das escolas, professores e estudantes em um mercado concorrencial, do qual ela emergiria, então, sem interferência do Estado. Deriva daí o conjunto de recomendações que propõe privatizar a educação (por terceirização e/ou vouchers) e instalar processos de padronização da educação através da dinâmica entre bases nacionais comum curriculares, sistemas de avaliação baseados em testes censitários e responsabilização meritocrática, como indutores da inserção da educação no mercado.

Depois de caracterizar o movimento da reforma empresarial, são apresentados dados evidenciando que os efeitos negativos destas políticas nas escolas, no magistério e nos estudantes não autorizam, do ponto de vista ético, sua aplicação nos sistemas de ensino, inclusive porque elas impedem o desenvolvimento de outras formas mais promissoras de se mudar a escola pública e favorecem a estagnação de sua qualidade. Finalmente são apontados elementos para uma política alternativa e um programa para a resistência.”

Acesse aqui.

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Superprofessores para os muito ricos

A tal da “igualdade de oportunidades” pregada pelos liberais e a “mão invisível do mercado” dos neoliberais não é bem assim.

“Nos Estados Unidos, onde em 2017 mais de 3,7 milhões de estudantes fizeram testes de admissão para universidades, [superprofessor] trata-se de um profissional conhecido por preparar candidatos para provas e que cobra taxas altíssimas por hora.”

Leia aqui.

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Novo livro: dinheiro conta na melhoria da qualidade

BakerBruce D. Baker  publica novo livro – “Educational Inequality and School Finance: Why Money Matters for America’s Students” – e derruba mais um mito da reforma empresarial da educação: a de que o dinheiro não é importante para melhorar a qualidade da educação.

 “Em Desigualdade Educacional e Financiamento Escolar, Bruce D. Baker oferece um exame abrangente de como as escolas públicas americanas recebem e gastam dinheiro. Com base em extensos dados longitudinais e numerosos estudos de estados e distritos, ele fornece um retrato vívido e desanimador da estagnação do investimento estatal na educação pública e os contínuos desafios de conseguir equidade e adequação no financiamento escolar.

Baker explora o financiamento da escola, os recursos da escola e da sala de aula derivados do financiamento escolar e como e por que esses recursos são importantes. Ele fornece um exame crítico dos pressupostos mais comuns que sustentam o discurso político em torno do financiamento escolar – notadamente, que o dinheiro não importa e que estamos gastando mais e recebendo menos – e mostra como esses mal-entendidos contribuem para nossa relutância em aumentar o investimento na educação em uma época em que as demandas de nosso sistema educacional estão aumentando.”

Acesse aqui.

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Araujo e Oliveira: a educação e a agenda liberal

Será muito interessante, como de resto está sendo em toda a sociedade brasileira nos últimos tempos, verificar como os nossos conhecidos “especialistas em educação” alinhados à reforma empresarial da educação vão encontrar uma forma para convencer e compatibilizar o que pensam com o governo Bolsonaro – de extrema direita. O positivo desta situação é que não será possível usar “meias palavras” nos posicionamentos.

No texto abaixo está uma destas tentativas publicadas pelo Estadão, em matéria escrita por João Batista Araujo e Oliveira do Instituto Alfa e Beto.  A preciosidade começa assim:

“No imaginário popular, a agenda liberal é associada a privatizar, vouchers, charter schools ou ensino superior pago. A agenda social-democrata reforça a função do Estado de promover a educação como direito. Já a agenda liberal vai mais além: a educação é instrumento para promover a formação do capital humano.”

Ainda bem que é só no “imaginário popular”.

Leia a íntegra aqui.

 

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MEC: “mais educação” virou “mais resultado”

MEC lança plataforma digital para apoiar gestores e professores do 6o. ao 9o. ano. Em reportagem da Agência Brasil pode-se ver que, agora, o “Novo Mais Educação” é, na verdade, mais do mesmo que o aluno viu na sala de aula, ou seja, preparação para os exames.

A ampliação do tempo de permanência foca em mais “aprendizagem” e não na ampliação da formação do estudante. “Mais educação” virou “mais resultado”. Na base da política está a lenda de que aumentando a nota da escola, estamos melhorando a qualidade da educação. Sobral que o diga.

A ampliação de plataformas digitais nas escolas precisa ser acompanhada com bastante cuidado, pois há limite para exposição dos estudantes às telas de computadores e outros dispositivos, como já alertamos outras vezes. Além disso, é fundamental que haja controle sobre o acesso a dados dos estudantes que estão sendo coletados por estas plataformas.

“O Ministério da Educação (MEC) lançou hoje (27) o Programa Escola do Adolescente, que vai oferecer, por meio de uma plataforma digital, formação e apoio técnico a professores e gestores de escolas públicas. O objetivo é melhorar o desempenho de estudantes nos anos finais do ensino fundamental, ou seja, do 6º ao 9º ano.

“O ensino fundamental 2 é uma das etapas que tem tido menos política, que tem sido menos pensada. Temos muita coisa para o ensino médio, para a alfabetização, para anos iniciais [do 1º ao 5º ano do ensino fundamental]”, diz o ministro da Educação, Rossieli Soares, durante o lançamento em Brasília. “É preciso trazer oportunidade de apoiar as escolas nessa etapa”, complementou.

Para participar, estados e municípios devem fazer a adesão ao programa. O prazo começa no dia 10 de dezembro e vai até o dia 31. Em seguida, as escolas farão a adesão, de 11 a 31 de dezembro.

Todas as escolas com anos finais do ensino fundamental poderão participar. Para as 13 mil escolas públicas com alto índice de vulnerabilidade, ou seja, com mais de 50% dos alunos com Bolsa Família, o MEC vai repassar R$ 360 milhões, no âmbito do programa Novo Mais Educação.

Os recursos deverão ser usados para ampliar o tempo dos estudantes na escola e para que as escolas implementem programas para a aprendizagem. Do total, R$ 220 milhões serão repassados ainda em 2018. Em 2019, serão repassados, os R$ 140 milhões restantes.”

A justificativa para este estreitamento curricular é dada na mesma reportagem:

Segundo o MEC, a plataforma vai oferecer instrumentos para tornar as aulas mais atrativas. Além de acesso a materiais específicos, que ajudarão gestores e professores tanto nas aulas quanto a entenderem melhor os estudantes, as escolas terão acesso a um diagnóstico detalhado com o desempenho dos estudantes, taxa de aprovação, entre outros dados.

A plataforma fornecerá ainda instrumentos para a realização de avaliações de matemática e português dos estudantes nos anos finais. Estarão disponíveis ferramentas de escuta da percepção que os estudantes têm sobre o ambiente escolar. Além de uma área de compartilhamento de boas práticas.

“Sabemos pouco a respeito de como o adolescente aprende, o que caracteriza esse adolescente, a plataforma servirá para a formação e fortalecimento da gestão pedagógica e apoio a gestão”, diz a secretária de Educação Básica da pasta, Kátia Smole. “Queremos trazer para o centro da conversa uma palavra às vezes esquecida: aprendizagem. Os estudantes precisam aprender na escola”.”

Leia aqui.

No vídeo abaixo está a descrição e os objetivos do programa.

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Serviço público: estabilidade na mira

Servidores públicos: sejam bem-vindos à era do liberalismo econômico (neoliberalismo). Nesta era, a estabilidade do servidor público será declarada inimiga, pois impede, segundo este, o livre funcionamento do mercado, o qual deve estar baseado apenas no mérito. Com isso, os servidores públicos passam a depender do chefe de turno e de sua avaliação para não serem demitidos, quebrando-se a independência do servidor público frente aos governos e destruindo sua organização sindical.

“O tema é tratado com ressalva pelos técnicos da equipe de Bolsonaro, mas a ideia é criar mecanismos de avaliação dos servidores e acabar com a estabilidade no cargo. Quem não atingir as metas definidas poderia ser exonerado.”

Leia aqui.

Ninguém é contra a avaliação dos servidores públicos, é bom dizer. Avaliação não é incompatível com a estabilidade no cargo. Mas a proposta de avaliação no liberalismo econômico é punitivista e só uma desculpa para controlar, diminuir salários, cortar pessoal e reduzir o Estado ao mínimo, privatizando os serviços, transferindo atividades e recursos públicos para a iniciativa privada.

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Filantropia cresce

Nos países que desenvolveram a reforma empresarial da educação a filantropia tem tido um papel central na definição da política educacional. É o caso da fundação dos Waltons e de Gates nos Estados Unidos. É o caso também da fundação Lemann no Brasil.

Leia aqui.

No Brasil, ao campo da filantropia vai juntar-se, agora, o bilionário Elie Horn que lançou neste mês uma nova ONG chamada “Bem Maior”, a qual atuará “na conscientização e na mobilização da sociedade civil para fomentar ações sociais”.

O bilionário está entusiasmado com o novo governo e com a equipe econômica de Paulo Guedes (com quem teve negócios no passado) e acha que “nada vai segurar o boom imobiliário” – ramo em que atua.

Leia aqui.

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O que incomoda o “Escola sem Partido”?

Blog da Escola da Vila aborda o movimento Escola Sem Partido, que propõe censurar as escolas.

“Com o acirramento das disputas políticas no Brasil, um discurso político constituído em contraposição àquele consenso mínimo passou a ter cada vez mais voz e audiência. O maior expoente desse discurso é o movimento Escola Sem Partido (ESP), criado pelo advogado Miguel Nagib, em 2004, e que tem por principal característica a insistência com a qual propagandeia a ideia de que um conjunto de valores constitucionais construídos ao longo de décadas é mera ideologia. Quais valores constitucionais incomodam o Escola Sem Partido?”

Leia aqui.

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Manual de defesa contra a censura nas escolas

ManualDefesa

Entidades publicam manual de defesa contra ações do Escola sem Partido. Nesta terça-feira dia 27-11-18 sessenta entidades da educação e dos direitos humanos publicaram um Manual de Defesa contra a Censura nas Escolas para orientar diretores, professores e estudantes.

Com estratégias práticas de defesa e combate às agressões sofridas pelo magistério em todo o país nos últimos tempos, o Manual pode ser baixado no link abaixo.

Baixe aqui.

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