Pagar professor por valor agregado a partir de testes: a batalha continua

Postado originalmente na Uol em 15/01/2011

A fundação Bill and Melinda Gates iniciou um projeto de acompanhamento que gerou ao final do ano passado um relatório de seus resultados preliminares. Neste relatório, os pesquisadores pretendem indicar que as medidas de valor agregado dos alunos são adequadas para medir o desempenho do professor – e portanto, subsidiar seu pagamento. O projeto tem o nome de “Working with Teachers to Develop Fair and Reliable Measures of Effective Teaching”. Os resultados iniciais estão no relatório “Learning about Teaching: Initial Findings from the Measures of Effective Teaching Project”.

Uma breve notícia de Jason Felch no Los Angeles Times de 11-12-2010 diz que:

“A eficácia de professores pode ser confiavelmente estimada através da medição do progresso de seus alunos em testes padronizados, de acordo com as conclusões preliminares de um estudo em grande escala divulgado sexta-feira por pesquisadores educacionais de ponta. O estudo, financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates, oferece algumas das evidências mais fortes até a data sobre a validade da análise de “valor agregado”, cuja precisão foi muito contestada pelos sindicatos de professores e alguns especialistas em educação que questionam o uso da pontuação em testes para avaliar os professores.”

A notícia mobilizou pesquisadores independentes que analisaram o informe preliminar. Para se ver como estas questões são muito complicadas, segue abaixo o posicionamento do conhecido pesquisador americano Rothstein com o título de “Review of Learning about Teaching”, divulgado em janeiro de 2011. Segundo o professor Jesse Rothstein, um economista da Universidade da Califórnia em Berkeley, a análise do relatório da Fundação Gates não suporta as conclusões. “Interpretado corretamente”, explica ele, ela realmente “prejudica ao invés de validar a avaliação de professores com abordagens baseadas em valor agregado.” Os documentos estão nos links acima.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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