Acorda Gustavo

No Japão todos se curvam perante o Imperador – menos o professor. E não me consta que o Imperador faça um teste para saber quais são os bons ou maus professores. Reclamam do salário também, mas são respeitados.

No entanto, no Brasil dos reformadores empresariais, Gustavo Ioschpe (G.I.) se permite pontificar em seu artigo na Veja, chamado “Professores, acordem!” de 11-05-2014 que:

“… nos últimos anos tenho chegado à conclusão de que falar com o professor médio brasileiro, na esperança de trazer algum conhecimento que o leve a melhorar seu desempenho, é mais inútil do que o proverbial pente para careca.”

Para GI, os professores são ignorantes e não conhecem a realidade. Ele sim conhece. Não me consta que ele dê aulas no ensino básico, mas quem sabe… ainda se lembre de algo do seu tempo de estudante.

Gustavo Ioschpe é proprietário e presidente da G7 Cinema, empresa dedicada a produção e distribuição de filmes cinematográficos, operação de salas de cinema e edição de livros. Ioschpe participa de algumas organizações não-governamentais brasileiras ligadas à área da educação. É membro fundador do  Todos pela Educação e membro dos Conselhos do Instituto Ayrton Senna  e Fundação Iochpe. Também participa do conselho de administração da Maxion-Ioschpe onde substituiu seu pai em 2007.

O mau humor de GI é agravado pela rejeição que sofre entre os próprios reformadores empresariais. Pelo seu radicalismo, ninguém faz eco a ele, só a Veja. Ele precisaria ouvir as “cobras e lagartos” que se diz dele entre os próprios reformadores. Nem mesmo estes toparam as placas com o IDEB que ele queria levantar em cada escola. Passa seus dias ganhando dinheiro com seus empreendimentos e nas horas vagas é franco atirador contra aqueles que deveriam ser respeitados pela tarefa que têm em suas mãos, ou seja, a tarefa de formar as novas gerações por um valor mensal muito inferior ao que ele ganha.

Diz ele:

“A imagem que vocês vendem não é a de profissionais competentes e comprometidos, mas a de coitadinhos, estropiados e maltratados. E vocês venceram: a população brasileira está do seu lado, comprou essa imagem (nada seduz mais a alma brasileira do que um coitado, afinal). Quando vocês fazem greve — mesmo a mais disparatada e interminável —, os pais de alunos não ficam bravos por pagar impostos a profissionais que deixam seus filhos na mão; pelo contrário, apoiam a causa de vocês. É uma vitória quase inacreditável.”

Menos GI. Estamos avançando, mas ainda não podemos falar em vitória. Mas a teremos. Incrédulo e desanimado, ele acha que toda a população brasileira está errada. Foi enganada pelos professores. Mas ele, com sua sabedoria, não foi. Curvemo-nos ao sábio e honorável guru. Entre GI e os 80 pesquisadores ao redor do mundo que questionam suas sábias estratégias para melhorar o ensino e os professores, fico com os últimos.

Irado em seu “artigo” na Veja, GI vaticina:

“Os 10% do PIB e os royalties do pré-sal serão a danação de vocês. Porque, quando essa enxurrada de dinheiro começar a entrar e nossa educação continuar um desastre, até os pais de alunos de escola pública vão entender o que hoje só os estudiosos da área sabem: que não há relação entre valor investido em educação — entre eles o salário de professor — e o aprendizado dos alunos.”

Curioso como negando que o salário seja central, fixa sua análise exatamente no salário. Coloca nas costas dos sindicatos e professores algo que ele inventou. A questão não é só salarial e os professores e seus sindicatos sabem muito bem disso. Além disso, os sindicatos estavam aqui muito antes da qualidade da educação ser um problema.

Mas… note bem – ele já tem a solução:

“Existem muitas coisas que vocês precisarão fazer, na prática, para melhorar a qualidade do ensino, e sobre elas já discorri em alguns livros e artigos aqui.”

Leiam GI, é simples. De preferência, contratem-no para palestras. Ilustrem-se…

“… vocês não podem menosprezar a ciência e os achados da literatura empírica sempre que, como na questão dos salários, eles forem contrários aos interesses de vocês. Ou vocês acreditam em ciência, ou não acreditam.”

Bem, se usarmos a lógica de GI com seu próprio “artigo” na Veja, podemos chegar a conclusão idêntica: seu artigo é absolutamente inútil para a formulação de políticas públicas exatamente por esta razão. Ignora a ciência disponível. Se GI levasse em conta a evidência disponível sobre suas ideias, não persistiria nelas. Sua conversa é a mesma dos reformadores empresariais americanos nos últimos 30 anos. Não consta que ela tenha melhorado a educação americana. Isso sim é ciência. E está disponível para estudo. No Chile, mesma coisa, com a novidade que o país agora começa um processo de reversão da aplicação das ideias que GI propõe, após passeatas que variaram entre 80 e 100 mil pessoas. Acorda Gustavo.

O fenômeno educacional é multideterminado. Se isolar o salário do contexto, ele não resolve. Não há bala de prata em educação. Mas se lidar com o salário no contexto das outras variáveis (por exemplo, nível sócio econômico do aluno, escola de tempo integral, infraestrutura da escola, etc.) então, o conjunto faz diferença.

E claro, para quem é empresário e não vive de salário, é sempre fácil dizer:

“… abandonem essa obsessão por salários. Ela está impedindo que vocês vejam todos os outros problemas — seus e dos outros. O discurso sobre salários é inconsistente.”

Finalmente, GI termina com uma pitada de empreendedorismo salvacionista empresarial:

“O respeito da sociedade não virá quando vocês tiverem um contracheque mais gordo. Virá se vocês começarem a notar suas próprias carências e lutarem para saná-las, dando ao país o que esperamos de vocês: educação de qualidade para nossos filhos.”

Está dito.

Bem, fiquemos por aqui. Na Roma antiga, para cada cristão que era lançado aos leões, apareciam outros dez. O melhor é não fazermos mártires. Vai passar.

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About Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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67 Responses to Acorda Gustavo

  1. Caro Prof. Luiz, obrigada por compartilhar “bom senso”!!! Esse post merece ser amplamente divulgado!!! Pois, parece ser a reificação de constatações coletivas de educadores brasileiros sérios!!!

  2. Avatar de Suelen Batista Suelen Batista disse:

    é de um cinismo inacreditável esses empresários!

  3. Avatar de silmara farias silmara farias disse:

    Professor preciso de uma ajuda. Fiz um curso de pos em ed.infantil e o mesmo nao foi aceito na ed. De jovens e adultos. Acredito ser mais uma açao de desmoralizaçao e açao arbitraria contra nos professores. O que posso fazer para fazer valer os meus direitos? Abraços silmara farias

  4. Avatar de Adriana Teixeira Reis Adriana Teixeira Reis disse:

    Profº Luiz Carlos, impecável sua interpretação sobre artigo deste indivíduo GI. Acredito que pessoas desse tipo fazem um desserviço ao Brasil. Vou socializar sua análise juntamente com meus colegas da Pós-graduação em Psicologia da Educação da PUCSP.

  5. Avatar de Luana Cassimiro Luana Cassimiro disse:

    Professor, obrigada por compartilhar a sua interpretação sobre este artigo publicado na Veja. Veja só, (Perdoe o trocadilho) definitivamente, para se fazer um perfil dos professores, exige se conhecimento, vivência e experiência. Acorda Gustavo!

  6. Avatar de simone oliveira simone oliveira disse:

    Professor, muito boa sua colocação em relação a esse artigo, compartilho aqui com o senhor um link com um texto escrito por minha filha, Marjorie, uma jovem de 17 anos, que ao contrário do senhor Gustavo, transmite uma opinião bem argumentada e coerente com a realidade educacional do nosso país. https://www.facebook.com/groups/professoresprefeiturasp/872088659474921/?comment_id=872110342806086&notif_t=like

  7. Avatar de Márcia Márcia disse:

    Professor: suas palavras foram brilhantes!

  8. Avatar de Alexandre Miranda Alexandre Miranda disse:

    Excelente resposta, professor!
    A Veja é nojenta, não merece ser folheada, nem de graça, em consultório médico, após horas de espera, sendo a única coisa impressa disponível por perto!

  9. Avatar de Deborah Lopes Deborah Lopes disse:

    Parabéns pelas colocações! Diferente do sr. Ioschpe, o sr. se coloca com muita polidez e com forte argumentação. Além disso, o sr. não é movido pela prepotência, nem pela necessidade de autopromoção. Opinião madura, de quem sabe de verdade do que está falando. Obrigada!

  10. Avatar de Rosália Franciosi Rosália Franciosi disse:

    Gente…juro pra vcs que não entendi até agora, o que vem a ser “professor médio brasileiro”…rsrsrsr…alguém se habilita para a explicação? Parabéns prof. Luiz Carlos…Obrigada!!!!!

  11. Adorei o texto! Escrevi um também. Claro que sob a ótica de uma humilde “professora média”. Está em meu facebook Professora Dayane.

  12. Avatar de Joana Joana disse:

    Caro professor excelente texto.

  13. Avatar de Tania Tania disse:

    Muito bom!

  14. muito bom!!! gostaria muito que esse Tal Gustavo tomasse posse desse texto.

  15. Avatar de Carlos Alberto Gonçalves Carlos Alberto Gonçalves disse:

    “Ufa!!! Minh’alma hoje foi lavada. Com este artigo senti minha dignidade preservada. Ontem à noite, depois de ter lido o que o ‘GURU’ da educação escreve me senti o “último dos moicanos.”. Preciso dizer que fui salvo com o artigo resposta de Luiz Carlos de Freitas. Por isso, obrigado.”
    Ops, preciso dizer que já usamos um de seus textos em reunião pedagógica na escola pública em que sou diretor. O texto versava sobre “Qualidade negociada.”. E na época foi muito relevante na unidade escolar.”

  16. Avatar de Cristina Cristina disse:

    Eu nem sei o que dizer, estou emocionada pois um educador falando de educação, sem achismos do economista GI, professor obrigada estou imprimindo seu artigo para colocar no mural da escola ao lado do artigo inútil que fizeram o desfavor de colar.

  17. Avatar de EDIVALDO DOS SANTOS NASCIMENTO EDIVALDO DOS SANTOS NASCIMENTO disse:

    Professor Freitas, obrigado por nos representar com tão brilhantismo.

  18. Avatar de Soraya Edson Soraya Edson disse:

    SENHOR LUIZ VOCÊ FOI ÓTIMO… EMPRESÁRIOS “EDUCACIONAIS” QUEREM MAIS É QUE A EDUCAÇÃO FIQUE FALIDA, POIS GANHAM DINHEIRO A RODO, PORQUE NÃO FAZEM ANDA DE GRAÇA E NEM POR VOCAÇÃO DIVINA. APENAS ALGUÉM QUE LECIONA PODE FALAR DE EDUCAÇÃO SEJA NO ÂMBITO QUE FOR. OBRIGADA PELAS SUAS PALAVRAS.

  19. Avatar de VANIA DA SILVA VANIA DA SILVA disse:

    Brilhante…tomara que o sem noção do GI tome conhecimento desse artigo

  20. Avatar de 170495 170495 disse:

    Senhor Luiz Carlos foi brilhante a sua resposta..Vou dormir de alma lavada….Muito obrigada.

  21. Avatar de regina lopes regina lopes disse:

    Quero agradecer em meu nome e também em nome de todos os professores sérios, profissionais competentes que encontrou em sua “Voz”, a nossa resposta.

  22. Avatar de Daniela Daniela disse:

    Parabéns Professor! Não poderia ter sido melhor.

  23. Avatar de Flávia Pinheiro da Silva Flávia Pinheiro da Silva disse:

    Obrigada por demonstrar nossa revolta com esse idiota. O pior é saber que a Veja é grande formadora de opinião.

  24. Avatar de Peter Maahs Peter Maahs disse:

    Eu não sabia que os “filhos” do G.I. estudavam em escola pública…
    Parabéns, Luiz.

  25. Avatar de jean jean disse:

    Caro jornalista, você deve viver em outro país, não conhece a realidade da educação, te convido a visitar uma escola de periferia e você vai morder sua língua, o governo usa a mídia para mentir não há investimento nenhum em educação, faltam carteiras para alunos, não há livros didáticos, muito menos internet, nenhum apoio pedagogico, escrever um monte de bobagens de sua sala com ar condicionado é fácil, quero ver voce encarar uma turma com 50 alunos desmotivados, sem nenhuma estrutura familiar e nem perspectiva de vida. Você deve ser mais um desses idiotas que acham que professor deve trabalhar por amor, mas não professor é profissional do ensino e não o salvador da pátria. Seus antigos professores que se estirem vivos ainda devem estar grandemente desapontados com sua atitude, pois voce certamente não aprendeu nada do que eles te ensinaram … lamentável!!!!!

  26. Avatar de Paula Ugalde Paula Ugalde disse:

    Excelentes contrapontos Professor! O referido artigo mexeu comigo. O teu contribuiu para ampliar o olhar, busca cotidiana e que continuarei. Foste perfeito, quando diz:

    “O fenômeno educacional é multideterminado. Se isolar o salário do contexto, ele não resolve. Não há bala de prata em educação. Mas se lidar com o salário no contexto das outras variáveis (por exemplo, nível sócio econômico do aluno, escola de tempo integral, infraestrutura da escola, etc.) então, o conjunto faz diferença”.

    Todavia, inquieta ver alguns professores e gestores não parecem compreender as faltas e assim, empreenderem para superá-las, melhorando os fazeres educativos ou de gestão.

    Como percebe tais questões? Como driblar os guizos da mediocridade, ignorância, insensibilidade e burocracia burra impostos a alguns ou vários colegas professores, a atravancar o desenvolvimento profissional?

  27. Avatar de andolivcarvalho andolivcarvalho disse:

    À maneira deseducada e inclusive agressiva a que se trata aos professores em seu texto à revista Veja, o citado Gustavo Ioschpe mereceria um processo coletivo e que se retratasse publicamente.
    Falta coerência em sua crítica, e nao apenas isso, falta respeito, e aí não se pode confundir liberdade de expressão com liberdade para ofender.
    A Veja, assim como outras mídias, somente merecem críticas negativas e serem ignoradas por esses exemplos lamentáveis, vergonhosos e totalmente fora da realidade, articulados por achismos preconceituosos.

  28. Avatar de Vannina Silveira Vannina Silveira disse:

    Obrigada!

  29. Avatar de Renato de Oliveira Bonetti Renato de Oliveira Bonetti disse:

    Parabéns, análise perfeita.

  30. Pingback: Luiz Carlos de Freitas pede que colunista de Veja acorde - Viomundo - O que você não vê na mídia

  31. Avatar de MARCOS ANTONIO NUNES DE JESUS MARCOS ANTONIO NUNES DE JESUS disse:

    Parabéns Luiz Carlos de Freitas, excelente artigo.
    Está é a Revista Veja uma das piores do país. Vivem me mandando propostas de assinatura. Jamais.

  32. Avatar de Ana Paula Ana Paula disse:

    Parabéns Prof. Dr. Freitas… tive a oportunidade de conhecê-lo no ano passado, nos corredores da FE/UNICAMP. Pessoa extremamente simples e com um um conhecimento real e à luz da ciência sobre a escola, a sociedade e o professor… Parabéns pelo post, e gente para “palpitar” na Educação está cheia, mas poucos realmente o fazem, como o senhor. Abraço. Ana

  33. Avatar de Jean Piton - UFSCar Jean Piton - UFSCar disse:

    Parabéns pelo post Prof. Freitas. Perfeitas palavras…

  34. Pingback: Luiz Carlos de Freitas pede que colunista de Veja acorde | Áfricas - Notícia minuto a minuto

  35. Caro Professor, Texto perfeito e reflexão direta. É isso que precisamos. Bom senso e visão ampla sobre as questões que envolvem a educação, não só do Brasil, mas também no mundo… Resposta a altura… Parabéns!

  36. Excelente, obrigada, sinto-me “vingada”.rsrs Sou professora de escola públicae fiquei indignada com tudo isso.
    Vou socializar esta análise juntamente com meus colegas, professores, no ATPC.
    Obrigada!

  37. Avatar de Adolfo Mota Adolfo Mota disse:

    Excelente análise! Parabéns!

  38. Avatar de Franco Pereira Franco Pereira disse:

    Prezado Professor Freitas, obrigado!!!
    Sem dúvida, nossa honra e nosso valor foram muito bem defendidos em seu texto brilhante!

  39. Avatar de Renato Candro Renato Candro disse:

    Caro Professor Freitas,
    é sempre agradável ler um texto coerente onde o escritor traz informações úteis e aponta dados verificáveis (o oposto completo do que acontece com G.I.), e por isso agradeço ao senhor.

    O que me chamou atenção quando li a coluna de G.I. é que em seu próprio texto ele se contradiz prontamente quando se demonstra mais obstinado em ignorar a realidade do que qualquer grupo que ele pudesse apontar.

    A coluna está repleta de distorções da realidade das quais gostaria de citar:

    – GI diz: “Recentemente destinamos os royalties do pré-sal a vocês (professores)”.

    Espere aí, esse dinheiro não foi ou irá para os professores, o destino é a educação. Ele coloca de uma maneira que tenta induzir o leitor a acreditar que esse dinheiro sairá dos cofres públicos diretamente para as carteiras dos docentes. É muita idiotice “confundir” investimento em saúde com dinheiro para médicos ou investimento em urbanização com dinheiro para empreiteiras. Investir em educação significa construção de escolas, planejamento educacional, melhoria das condições para os alunos, transporte escolar digno, merenda digna, uniforme para os estudantes, bolsas de estudo para pesquisa (para que existam pessoas que não continuem confundindo falácias com verdades), entre tantas ouitras coisas que a lista ficaria longa demais.

    – GI diz: “Porque, quando essa enxurrada de dinheiro começar a entrar e nossa educação continuar um desastre, até os pais de alunos de escola pública vão entender o que hoje só os estudiosos da área sabem: que não há relação entre valor investido em educação — entre eles o salário de professor — e o aprendizado dos alunos.”.

    Um momento, a formação intelectual do ser humano depende muito de condições econômicas e o professor, ao que me consta, é um ser humano. Se uma professor não precisar trabalhar em duas ou três escolas para sobreviver ele terá mais tempo disponível para planejar aulas e estratégias de ensino mais eficazes assim como para fazer cursos de reciclagem ou simplesmente se informar mais adequadamente. Mas a frase é tão disparatada que não merece ser comentada mais profundamente, só haveria espaço para isso num artigo acadêmico. Só peço aos professores que se ficarem “ricos” com toda essa grana não gastem esse dinheiro indo a alguma palestra desse economista. Pergunta de passagem, será que ele precisou de dinheiro para estudar na Universidade da Pensilvânia ou em Yale?

    Sei que preciso parar de escrever mas está bem difícil. Resumindo, o que ele tenta colocar é que todo o problema educacional brasileiro é culpa do professor. Como se todos os problemas de saúde pública fossem culpa exclusiva dos médicos ou enfermeiros e ignorando a falta de hospitais, a falta de saneamento básico, a desnutrição de crianças, o excesso de agrotóxicos e etc.

    Seria muito bacana viver em um mundo onde não se precisasse de investimentos financeiros e onde os professores não tivessem que lutar por melhorias que, muito longe das argumentações ridículas dele, não são apenas por salários. Assim não precisaríamos de economistas como ele dando palpites infelizes em áreas que são muito mais que econômicas, são multidiciplinares.

    Última coisa, Haddad mentiu descaradamente sobre os salários dos professores em seu depoimento na TV dizendo que o salário inicial de um professor é de R$3000,00 e o salário em final de carreira é de quase R$9000,00 e que se pode comprovar simplesmente entrando no site do Simpeem e procurando por Tabela de vencimentos. Ele se utilizou dos salários das funções de diretores e coordenadores pedagógicos para formar uma imagem mentirosa a respeito do assunto. A maioria esmagadora dos professores se enquadram nas tabelas JB, e JBD. Apenas notem que os valores demonstrados já estão acrescidos de um aumento de 13,43% conquistados em 2011 e que o prefeito até agora não concedeu e que os maiores salários em final de carreira são conquistados depois de 30 anos (mulheres) e 35 anos (homens). Esse é um dos principais motivos das greves e manifestações dos professores vistas nos últimos dias, um direito conquistado que ainda não virou realidade.

    Me desculpem pelo tamanho do texto.

  40. Avatar de Girlene Inda Girlene Inda disse:

    Adorei cada comentário. Me senti de alma lavada, após ser obrigada a engolir enojada cada parágrafo do texto do “renomado colunista da VEJA”. Parabéns a todos em especial, nosso querido Educador Freitas. Uma pergunta? Por que a revista não publicou os comentários dos leitores? Muito estranho…

  41. Avatar de Syldevani Pagani Dearo Syldevani Pagani Dearo disse:

    Obrigada Professor, por nos defender deste economista fracassado!!!abs .

  42. Avatar de Vera Lúcia Gonçalves Thomé Vera Lúcia Gonçalves Thomé disse:

    Parabéns!!! Ontem fiquei indignada com as palavras de GI. Hoje só tenho a agradecer. A realidade de sala de aula não tem sido fácil e ler aquilo foi a gota d’água. Obrigada!!!

  43. Avatar de Janaina Magalhães Janaina Magalhães disse:

    Quando ouvimos uma voz devemos analisar de onde ela fala e por quem ela fala!
    A intenção do Gustavo era realmente essa, provocativa….. pude observar a revolta de professores que leram tal matéria e nem tiveram direito de resposta, a mim que passei pela Unicamp, onde eu trabalhava o dia inteiro e estudava no período da noite pude observar que pouco era oferecido pelas instituições que ajudasse na melhoria dos profissionais e da educação,. Como meu curso era especial para professores muitas vezes éramos desrespeitados pelos docentes que não concordavam com nossa forma de ingresso. Enfim, sentia tons provocativos na própria universidade que ao fim de tudo acabava nos desestimulando…

  44. Avatar de kelli cristina souza kelli cristina souza disse:

    Olá Prof Luiz, são ótimas suas colocações em relação a esse sujeito. Eu acredito no poder que temos para formar opinião. A sociedade também está farta de todas as coisas erradas que andam acontecendo e por isso (e por outras) está do nosso lado. Temos alunos, pais desses alunos, família, amigos… pessoas que podem não comprar ou cancelar assinaturas. Pessoas de diferentes áreas que podem escrever cartas ao leitor dessa revista. O grupo editorial da revista deve compreender que erraram muito “feio” e nos deve, ao mínimo, DESCULPAS.

  45. Avatar de Elisabete Amaral Elisabete Amaral disse:

    Saudações!!!

    Muito apropriado o contraponto do Professor.

    VEJA(M) SÓ: Nas escolas públicas de SP, ainda, temos os “fiscais do governador” em nossas salas de aula, a SED, burocracia e mais burocracia…Basta!!!…Que aprendam a escrever, ao menos, um artigo de opinião com coerência, leiam sobre liberdade de cátedra e assédio moral e depois venham opinar sobre nosso trabalho…Pelo fim do terrorismo nas escolas estaduais de SP!!!

    Grata pelo apoio!!!

  46. Avatar de Alcione Framil Amorim Alcione Framil Amorim disse:

    Excelente texto, estamos de “alma lavada”, obrigada!!!

  47. Avatar de ivani verniz santoro ivani verniz santoro disse:

    É interessante ver ele falar em falta de formação para melhorar a qualidade do ensino. Tenho duas pós, uma em educação infantil e outra em psicopedagogia. Além disso fiz PROFA pois queria me especializar em alfabetização. Atualmente curso PNAIC e já cursei o de Língua Portuguesa em 2013. Sou professora da Prefeitura de São Paulo, todas as formações que posso faço, e não sou a única…conheço muitos profissionais que como eu buscam formação, leem livros da área para se atualizarem… Agora pergunto o que posso fazer com alunos que os pais não levam à escola??? deixam que fiquem acordados até tarde (muito mais que meia noite) para entrarem as 7 horas da manhã???? minha escola é de tempo integral… mas o problemas é muito mais profundo. A educação está garantida em acesso, mas a permanência é outra coisa.
    Parte da sociedade que não tem ingresso verdadeiro a uma melhor oportunidade de inserção social.. ganhar bolsas… não garante entrada a uma vida com mais esperança em um futuro melhor.

  48. Avatar de Francine Francine disse:

    Ótimo artigo, para mostrar a esse cidadão a realidade que ele vive!

  49. Avatar de Cida Braga Cida Braga disse:

    Feitas, parabéns! Obrigado por ter tão bem nos representar!.
    Usarei sua página para ver se esse nobre ECONOMISTA lê o meu recadinho.
    “Gustavo Ioschpe ,
    sou Cida Braga, Professora da Rede Municipal de Belo Horizonte.
    você, pelo que pesquisei, tem cerca de 37 anos e pelo que percebi através do seu texto, publicado na VEJA, pouco sabe ou pouco aprendeu sobre a Educação Brasileira (faltou professores na sua trajetória ou você não foi um bom aluno?).
    Segundo a Wikipédia, você é economista com graduação em Ciência política e em Administração estratégica pela Wharton School, na Universidade da Pensilvânia, e mestrado em Economia internacional e Desenvolvimento econômico, pela Universidade Yale, nos Estados Unidos da América.
    Uma pena, deveria ter estudado mais nas Universidades Brasileiras, talvez esta experiência te deixasse mais preparado e quem sabe assim eu poderia pensar em dar credibilidade ao que você escreve sobre mim e meus colegas professores.
    Se precisar de formação sobre o assunto, aqui mesmo em BH, com os inúmeros profissionais competentes que nosso município tem, você consegue. E bem baratinho, como você já deve saber, a remuneração que recebemos, por hora trabalhada, é muito menor do que a de um Economista como você.
    Espero, sinceramente, que aprenda alguma coisa com alguém, de preferência através da VEJA, sobre o assunto.
    Boa sorte e reafirmo o meu desejo de te dar algumas aulinhas!
    Cida Braga”

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