Bônus: a Folha de SP “amarelou”

A Folha de SP “amarelou”. Ficou em dúvida com o uso de bônus. Sob o peso dos dados, teve que admitir que bônus não é panaceia, como pensam os reformadores empresariais. Devemos isso a Maria Alice Setubal que como interlocutora crível causou tal dúvida em dois artigos que escreveu para a página três da Folha (veja aqui e aqui).

Há pouco tempo, a Folha estava mais convencida sobre o uso de bônus:

“Sem dúvida é preciso avançar num piso de salários para professores de modo a atrair vocações mais qualificadas e, tão importante, promove-las na carreira. Uma reforma (a salarial) não pode vir sem a outra (a da promoção por mérito, incluindo bônus variável por desempenho), ou as verbas adicionais serão um desperdício.” Veja aqui.

Devemos ser condescendentes com a Folha. Não é fácil retroceder em matéria que representa o âmago das políticas públicas neoliberais. O bônus está no centro destas políticas e mexe com a questão do estímulo à produtividade a partir de incentivo financeiro, algo extremadamente caro a tais políticas. E pela primeira vez, a Folha recorreu a dados de pesquisa para argumentar. E isso é louvável.

É uma graça que a Folha tenha admitido a possibilidade de que a política de bônus não seja universal. Segundo ela, agora, ela serve para países em desenvolvimento, já que nos países desenvolvidos provou ser até negativa sua aplicação. Segundo a nova versão, ela seria adequada a países como o Brasil, por exemplo, e não adequada para os Estados Unidos, já desenvolvido.

Ops… temo que a Folha cometeu gafe… Veja, o bônus foi exaustivamente testado no Estado de São Paulo pelo PSDB, inclusive com assessoria do atual Presidente do INEP, ao que eu saiba um Estado dentro de um país considerado subdesenvolvido como o Brasil, e não deu certo. Portanto, cai o argumento da Folha de que o bônus, que não é bom para os Estados Unidos, possa até ser bom para o Brasil.

O uso de bônus no Estado de São Paulo contraria esta tese ao mostrar que ele não funciona por aqui também (veja aqui e aqui).

A questão portanto não é se o país é ou não desenvolvido. Como já dissemos “bônus nunca dá certo embora nunca morra”… há mais de 100 anos.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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Uma resposta para Bônus: a Folha de SP “amarelou”

  1. cristiane gandolfi disse:

    perfeito, educação se faz com unidade e não com o dividir para governar. quanto maior a descentralização, maior a pulverização de práticas maior é impossibilidade de constituir qualidade. não por acaso martin carnoy conceituou Cuba como modelo de qualidade, unidade diz muito. bônus segrega, dividi e desorganiza a unidade de grupo tão necessária à gestão e qualidade de ensino. abraço professor, meus alunos e alunas estudam seus textos, conhecem os delírios ao redor da pós-modernidade e desejo de se constituir esperança mesmo em platôs tão difíceis como o atual. abraço, prof. cristiane gandolfi.

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