The Economist comemora privatização

Diane Ravitch publica em seu blog comentário sobre matéria da revista “The Economist” que comemora a privatização das escolas para os pobres em nações pobres. Segundo Ravitch:

“Isso não é uma grande surpresa. A revista The Economist, conhecida por sua perspectiva de livre mercado, apoia o crescimento de escolas privadas para os pobres na África, no Oriente Médio e Sul da Ásia. Você sabia que a Pearson, a mega-corporação britânica, detém uma participação de 50% na Economist?”

O artigo diz:

“Os poderosos sindicatos de professores são parte do problema. Eles frequentemente vêm o trabalho como sinecuras hereditárias, o orçamento estatal de ensino como um fluxo de receitas para serem ordenhadas, e qualquer tentativa de controlar a qualidade da educação como uma intrusão. Os sindicatos podem ser temíveis inimigos, por isso os governos deixam que eles controlem as escolas de acordo com os interesses dos professores, em vez de olhar para os interesses dos alunos.”

E continua:

“O fracasso da educação estatal, combinado com a passagem das economias emergentes da agricultura para trabalhos que necessitam de, pelo menos, um mínimo de educação, causou um boom na escola privada. De acordo com o Banco Mundial, no mundo em desenvolvimento um quinto dos alunos da escola primária estão matriculados em escolas privadas, duas vezes mais do que 20 anos atrás. Como muitas escolas privadas não são registradas o número real é provavelmente muito maior. Um censo em Lagos encontrou 12.000 escolas privadas, quatro vezes mais do que em registros do governo. Em toda a Nigéria 26% das crianças em idade primária estavam em escolas privadas em 2010, contra 18% em 2004. Na Índia, em 2013 eram 29%, acima dos 19% em 2006. Na Libéria e Serra Leoa em torno de 60% e 50% respectivamente das matrículas do ensino secundário são privadas.”

Para a revista, os políticos e educadores estão sem entusiasmo e pensam na educação como uma questão do estado. Os sindicatos não gostam das escolas privadas pois em ONGs é mais difícil de organizar os trabalhadores da educação.

A expansão da privatização conta com empresários como Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, Bill Gates e da International Finance Corporation, braço do setor privado do Banco Mundial. Por aqui temos os Lemann e os Senna que impulsionam estas ideias.

Outro artigo na mesma edição da “The Economist” também comemora o crescimento das empresas educacionais com fins lucrativos na educação fundamental nos países em desenvolvimento. A tese geral é de que o governo não pode ou não fornece escolas decentes, e o setor privado pode e deve ser encorajado a tomar o lugar do governo.

Como o Banco Mundial já está aqui financiando a privatização no Pará, com a aplicação do conceito de concessão da escola pública para a gestão privada, através de escolas charters, logo seremos incluídos na lista da comemoração.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Escolas Charters, Links para pesquisas, Meritocracia, Responsabilização/accountability. Bookmark o link permanente.

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