Espanha reage à mania dos testes

Em uma reação surpreendente, professores, pais e autoridades inseriram-se na luta contra os testes e ranqueamentos no primeiro ciclo da educação básica espanhola (estudantes de 12 anos). É o que nos informa Antonio José Lopes, em mensagem ao blog que alerta para estes fatos.

Participam desta avaliação mais de 460 mil estudantes que durante quatro dias fazem os testes de Leitura, Matemática, Ciências e Tecnologia. Somente cinco comunidades autônomas – Galícia, La Rioja, Castilla y León, Murcia e Madrid, defendem a realização da prova tal como manda a lei. Nas demais regiões não está claro o procedimento que será seguido e, estas, concentram a maioria dos estudantes, cerca de 333 mil estudantes. Segundo o periódico El País, todas recusam a prova obrigatória prevista na Lei Orgânica de Melhoria da Qualidade Educativa (LOMCE) e preparam um recurso a tribunais superiores. São elas: Andalucía (com a maior quantidade de estudantes do país), Asturias, Cantabria, Castilla-La Mancha, Aragón, Baleares, Estremadura y Navarra.

A luta também é para que não se façam ranqueamentos com os resultados das provas. O ministro da Educação em exercício declarou publicamente pela televisão espanhola que se compromete a evitar as classificações e evitar que se tornem públicos os resultados das avaliações. No entanto, as regiões querem que isto seja colocado na forma de um dispositivo legal.

A discórdia ficou mais acirrada depois que a atual lei de educação LOMCE substituiu a anterior PSOE e retirou uma referência explícita que dizia que “em nenhum caso, os resultados destas avaliações poderão ser utilizados para o estabelecimento de classificações dos centros”.

A CEAPA, Confederação de Associações de Pais e Mães de Estudantes, recusa “totalmente” a posta em prática da prova e pede que se eliminem estes exames. Alegam que eles são apenas “uma foto fixa que se realiza em um determinado momento para elaborar ranqueamentos absurdos que tentam fazer com que determinados tipos de centros, os públicos, sejam prejudicados.”

A Confederação representa 11.000 associações. Em sua opinião, as provas não têm um efeito positivo no progresso dos alunos e critica que se centrem em áreas instrumentais e deixem de fora outras disciplinas como as artísticas ou as esportivas que são igualmente importantes. Também considera que as avaliações realizadas por docentes que não são dos próprios centros, difundem uma mensagem de desprestígio do professorado, pois desconfiam abertamente de seu trabalho e, principalmente, da avaliação que este realiza.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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