USA: Programa de Hillary endurece com as charters

A entrada de Bernie Sanders na campanha de Hillary Clinton puxou o programa do Partido Democrático para a esquerda, ao menos na questão do posicionamento do partido em relação às escolas charters, nas próximas eleições. É o que se pode constatar das reações presentes nos vários blogs americanos que repercutiram a questão, reunidos pela Education Opportunity Network.

Segundo a matéria, o documento original da campanha vinha sendo criticado pela falta de apoio decisivo à agenda progressista e pela falta de propostas específicas para a educação básica e por não ter uma resposta eficaz para enfrentar a onda privatista das indústrias educacionais de escolas charters.

A pressão vem na direção de alterar a posição do documento original da campanha de Hillary e mudar a posição sobre testes, disciplina escolar, currículo, financiamento e as escolas charters. Apoiadores de Sanders se uniram com setores mais à esquerda que apoiam Hilary para favorecer uma plataforma que agora toma posição “contra os testes de alto impacto, se opõe ao fechamento de escolas com base em resultados de testes, opõe-se à avaliação de professores com base em resultados em testes e enfatiza a importância de que as escolas públicas sejam controladas democraticamente”.

O documento foi recebido com objeções iradas por antigas lideranças de Hillary que têm uma posição favorável aos “reformadores” moderados. Eles acham que a mudança significa um reconhecimento de que está havendo uma rejeição à política praticada por Obama, também Democrata e que apoia Hillary. E provavelmente têm razão, pois Obama pouco trabalhou contra tais políticas.

“Como relata Valerie Strauss em seu blog no Washington Post, “adeptos dessas reformas estão furiosos com as mudanças, revelando um racha no partido sobre como melhorar a educação básica”. Como exemplo, Strauss destaca um comunicado de Shavar Jeffries presidente dos Democratas para Reforma da Educação, que Strauss descreve como “um comitê de ação política influente apoiado fortemente por gestores de fundos de hedge.”

O que irritou este e outros grupos de reforma centristas, Strauss explica, são as mudanças na plataforma que apoiam o direito dos pais a retirar seus filhos dos testes padronizados de alto impacto e a opor-se à utilização dos resultados dos testes para “fins de avaliar professores e alunos.”

A mudança mais controversa e a que afeta os reformadores que são apoiadores de Obama e diz respeito às escolas charters. Das mudanças feitas no programa, esta foi a única que não passou por unanimidade, revelando o racha entre os apoiadores.

Strauss ainda destaca alguns dos principais pontos de atrito na nova secção do programa sobre as escolas charter, principalmente, a defesa de que estas escolas sejam “democraticamente governadas”. “Estas duas palavras realmente significam muito no mundo das charters,” explica Strauss, “pois as escolas charter estão em dívida com conselhos que lhes autorizam a operar, não com o público em geral, e elas não são obrigadas a revelar informações importantes sobre suas finanças e governança para o público “.

Outra questão controversa relacionada com as charters é a declaração da plataforma de que essas escolas não deveriam “substituir ou desestabilizar escolas públicas tradicionais.” Esta declaração, segundo Peter Greene, é “um desafio extraordinariamente direto ao modelo de charters atual, que tem como objetivo a ruptura e afastamento do sistema escolar público. “

Como Greene explica, ao passo que “a definição da plataforma original do que era uma má escola charter, antes, era dirigida apenas àquelas com “fins lucrativos”, a nova linguagem define uma má charter como aquela que não tem governo democraticamente eleito, não serve exatamente à mesma população, como a escola pública local, e que “desestabiliza ou causa danos à escola pública local.” Isso é claro, atinge as charters tidas como sem fins lucrativos.

A formulação anterior era inadequada, para Greene, porque ela esquecia que uma escola charter sem fim lucrativo é tão ruim (e rentável) quanto as que têm fins lucrativos.

Para Greene:

“fingir que existe uma diferença substancial entre as charters com lucro e as charters sem fins lucrativos é ignorância ou engano deliberado. Eu já disse isso muitas vezes – uma escola charter sem fins lucrativos de hoje é apenas uma escola com fins lucrativos com um bom plano de lavagem de dinheiro.”

Leia mais aqui.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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