IDH: e eles acham que não cabe no PIB…

Saiu o cálculo do IDH. Estagnamos em 0,75 – o mesmo do ano passado.

“Pela primeira vez na série histórica, o Brasil ficou estagnado no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Relatório das Nações Unidas divulgado nesta terça-feira, 21, revela que o País alcançou o indicador de 0,754, de uma escala de 0 a 1 – o mesmo obtido no ano anterior. Com esse desempenho, ele se mantém na 79ª posição no ranking, empatado com a Ilha de Granada.”

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Ninguém do MEC comentou, que eu saiba. E isso e essencial para as crianças aprenderem. Isso vai ter repercussão nas avaliações da educação – a menos que aumentem o grau de pressão e alinhamento entre os testes da avaliação nacional e o ensino na escola. Isso significará, no entanto, mais estreitamento curricular.

De fato, a BNCC – base nacional comum curricular – na concepção em curso, visa isso. Alinhar ensino na sala de aula, com material didático, formação do professor e testes. O pessoal de Brasília ainda vive com o enfoque no aumento de nota, como critério de “boa” educação.

Simultaneamente, outra notícia também aponta a gravidade da situação e vai nesta mesma direção:

 “Cerca de 17 milhões de crianças até 14 anos – o que equivale a 40,2% da população brasileira nessa faixa etária – vivem em domicílios de baixa renda. No Norte e no Nordestes, regiões que apresentam as piores situações, mais da metade das crianças [60,6% e 54%, respectivamente] vivem com renda domiciliar per capita mensal igual ou inferior a meio salário mínimo. Desse total, 5,8 milhões vivem em situação de extrema pobreza, caracterizada quando a renda per capita é inferior a 25% do salário mínimo.”

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Não se venha com a estória de que criança pobre também pode (e deve) aprender. Esta é a parte óbvia do problema. A menos óbvia é que as variáveis escolares precisam ser simultaneamente vistas em suas conexões com as variáveis extra-escolares.

Claudia Costin, por exemplo, reconhecendo a necessidade de investimentos na área intra-escolar, esquece-se totalmente do investimento nas condições de vida das crianças. Com isso, cria ilusões para si e para os outros:

“Mas, de tudo o que vi em Coroadinho, o que mais me chamou a atenção funcionaria em qualquer escola para adolescentes: o aluno era o centro da proposta educacional e a abordagem enfatizava o protagonismo juvenil. O jovem é apresentado como portador de um sonho de futuro, mesmo num contexto em que, para além dos muros da escola, o que mais aparecia era a ausência de possibilidades. Certamente irão se formar, nessa unidade escolar, jovens aptos a reescrever a história e o futuro de outros jovens do bairro.”

É a ideia da educação “redentora”, que resolve os problemas sociais por si, e deixa o sistema social intacto, gerando mais pobreza, que logo chegará também na escola. Como essa cadeia não é interrompida, por razões da dinâmica social vigente que Costin prefere não discutir, culpa-se a escola pelos resultados da aprendizagem e se passa o problema para os próprios alunos resolverem apelando para o “protagonismo juvenil”, ou seja, apelam para  a “política educacional do vire-se”.

Para atuar nas variáveis extra-escolares – pobreza, para ficar claro – precisa-se de mais investimento no social e não apenas na educação. Mas aí, o pessoal de Brasília acha que a conta fica muito grande e não cabe no PIB…

Na época de FHC, primeira onda neoliberal, pelo menos ele nos enganava dizendo que o ajuste era para sobrar dinheiro para a educação. Agora, com Temer, segunda onda neoliberal, perdeu-se mesmo a vergonha e nem isso é dito.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Mendonça no Ministério, Responsabilização/accountability, Segregação/exclusão e marcado , , . Guardar link permanente.

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