A nova direita e a ditadura do mercado

CapaNancy MacLean analisa em “Democracy in Chains: The Deep History of the Radical Right’s Stealth Plan for America”, as ideias de James McGill Buchanan que estão na base da formulação da nova direita americana. Para esta visão, a sociedade não pode conviver com a ideia de que uma parte dela, desprovida de recursos, tenha como meta viver dos recursos produzidos pela outra parte. O governo não pode intermediar e sacrificar quem tem, para atender as necessidades de quem não tem. Buchanan escreveu em 2005: uma pessoa que fracassa em guardar dinheiro para suas necessidades futuras “deve ser tratada como um membro inferior da espécie, similar … aos animais que são dependentes”.

Nesta perspectiva, tudo tem que ser privatizado para que o Estado deixe de atuar como uma força de redistribuição de renda. Esta visão também coincide com outras análises nas quais se denuncia que a retirada do Estado elimina o esquema de proteção (leis e serviços) que protege o trabalhador da abusiva exploração do capital, retirando a este a capacidade de impor ao trabalhador suas condições. Sem a ação do Estado e de leis, o trabalhador fica à merce do capital tendo que aceitar as novas condições de trabalho criadas para dar sustentação às taxas de acumulação de riquezas.

Esta é a visão que perpassa também o momento atual brasileiro com a retirada de direitos e contenção de gastos, a reforma trabalhista e a diminuição do papel dos sindicatos, a privatização generalizada. O “mercado” ditatorialmente impõe condições ao país para continuar investindo nele e gerar empregos, como se estivesse fazendo um favor ao povo. O desemprego é a sua arma.

O melhor representante no Brasil desta forma radical de pensar é João Doria e o partido DEM, ainda que neste momento caiba a Temer conduzir este processo. Não é sem razão que Doria está sendo estimulado pelo PMDB e pelo DEM a ser candidato a presidente.

O livro está disponível na Amazon.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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Uma resposta para A nova direita e a ditadura do mercado

  1. Desesperador. De um lado a direita nacionalista e xenofóbica, de outro os globalizadores neoliberais das TIPs e outros tratados do tipo, por uma governança global de exploração. E a esquerda quase caindo fora do mapa.

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