Pereira: conhecimento, poder e indução política

Plataforma política e social traz artigo de João Márcio Mendes Pereira, chamado “Conhecimento, poder e indução política”, muito importante para se situar quem é o Banco Mundial e serve também para que possamos transferir suas observações para a ação de uma série de outros relatórios produzidos por “think tanks”, Fundações e Institutos que pulalam ao redor das Secretarias de Educação e do governo federal. Tais relatórios são produzidos com ares de ciência, mas quando examinados em profundidade se revelam pura “junk Science” produzida ad hoc para justificar teses que tais agentes defendem. Bem editorados, mas sem análise crítica de pares, são divulgados com o apoio bombástico da imprensa.

Para o autor:

“O tipo de pesquisa que o Banco faz se parece com a melhor pesquisa técnica, mas na verdade é altamente enviesada e prescritiva a respeito do que os governos devem ou não fazer em matéria de políticas públicas. A atividade de pesquisa com frequência é usada para fazer proselitismo da agenda política do próprio Banco, sem ter uma visão balanceada das evidências e sem expressar o ceticismo adequado. Além disso, a instituição há anos pratica um narcisismo agudo, respaldando as suas pesquisas em investigações do próprio Banco ou encomendadas por ele. Assim, enquanto um documento depende do outro para sua evidência e argumentação, um corpo interno de conhecimento é produzido e reforçado, amalgamando ideias e práticas e desencorajando o dissenso interno.”

“A atuação do Banco Mundial não se dá no vazio, mas sim em meio a uma densa rede de relações que envolve agentes nacionais e internacionais públicos, privados, não governamentais, filantrópicos e empresariais. Tais agentes, com meios e níveis de influência distintos, apoiam, propõem, adaptam, negociam e veiculam as ideias e prescrições do Banco Mundial. Nessa interação, com frequência o discurso e as práticas do Banco aportaram e aportam argumentos e recursos para dirimir conflitos entre atores políticos e consolidar posições de poder e convicções ideológicas próprias. Nesse sentido, nada melhor para determinado governo ou fração política interna utilizar as recomendações ou mesmo as condicionalidades de empréstimo do Banco como argumentos de autoridade para defender a implantação de reformas impopulares. Dessa perspectiva, podemos dizer que a eficácia das ações do Banco Mundial necessita da construção de visões de mundo e interesses mútuos tanto na sociedade civil como no aparelho de Estado, dentro e fora dos espaços nacionais.”

Leia a íntegra aqui.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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