Chile: cada um tira a lição que pode…

Postado originalmente na Uol em 2/09/2011

Em artigo do dia 31-8-2011 na Folha de SP, Paula Louzano da Fundação Lemann e Elacqua do Instito de Políticas Públicas de Universidade Diego Portales no Chile procuram refletir sobre “O que está acontecendo no Chile”.

Sua conclusão é que “os jovens chilenos, ao contrário dos brasileiros, não parecem dispostos a esperar até 2020 para ter uma educação de qualidade para todos. Devemos aprender com o vizinho que ampliou as oportunidades educacionais e transformou a educação em uma prioridade nacional. (…) Pena que nós, brasileiros, não estejamos passando pelo mesmo tipo de problema”.

Haja, desconversa… O texto se encaixa bem naquele ditado que diz algo assim como “devemos fazer do limão uma limonada”. A situação no Chile é pintada como se houvesse “apenas” o desejo pela boa educação. Uma grande distorção do que ocorre.

Os autores ocultam que desde Pinochet o Chile é laboratório das políticas públicas que os reformadores empresariais da educação recomendam, agora, para o Brasil – inclusive a Fundação Lemann. O que está em crise no Chile é o modo como aquele país promoveu sua reforma educacional aceitando a lógica dos negócios na educação.

Os jovens estão na rua contra a privatização do ensino, contra o fato de que sucessivos governos entregaram a educação para o mercado. Estão contra a política de privatização baseada em subvenção de escolas que tomaram o lugar das públicas no ensino fundamental.

Claro, cada um tira do vizinho a lição que quer ou pode…

O que há no Chile é mais do que uma luta pela educação é uma recusa a um modo de se fazer educação.

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CNTE critica meritocracia

Postado originalmente na Uol em 3/09/2011

Reunião do CNE discute mérito x meritocracia e debate plano de carreira

Dando continuidade à reunião do CNE, as delegações das entidades filiadas assistiram ao debate sobre diretrizes de carreira. Na mesa estavam presentes a professora Marta Vanelli, secretária geral da CNTE, o professor Milton Canuto, vice-presidente da CNTE e a professora Juçara Vieira, vice-presidente da Internacional da Educação (IE).

Com o apoio da assessoria jurídica da CNTE, os expositores falaram sobre Mérito versus Meritocracia no contexto da valorização profissional e as realidades e perspectivas para os planos de carreira à luz do PSPN.

O presidente da CNTE, professor Roberto Leão, defende o mérito como forma de reconhecimento do trabalho do professor, mas lamenta que isso esteja sendo usado de forma equivocada por alguns gestores públicos. “Nós fomos sempre defensores que o mérito dos trabalhadores seja reconhecido, mas sabemos que isso está servindo para discurso de gestores atuais que transformam o mérito num processo de disputa insana entre os trabalhadores ou entre as escolas”, lamentou.

Durante sua exposição, a professora Juçara Vieira explicou a distinção entre mérito e meritocracia e salientou a importância de haver um trabalho colaborativo entre os profissionais de educação e a comunidade escolar. “O mérito é a avaliação da pontualidade, assiduidade, qualidade do trabalho, dedicação dos profissionais. Muito do que acontece de bom nas escolas e na educação se deve a esta dedicação dos profissionais. Já a meritocracia faz uma comparação desigual, premiando profissionais que têm melhores condições de exercer um bom trabalho”, afirmou Juçara.

Para ela, a meritocracia destrói o trabalho colaborativo entre os profissionais da educação e a comunidade escolar. “Se esse tipo de avaliação concorresse para a melhoria no desempenho dos profissionais seria bom, mas isso não acontece. O que acontece é a competição entre os profissionais e isso esgarça as ações de solidariedade que tem que existir nas escolas. Esse tipo de ambiente em nada favorece a escola pública” alertou Juçara.

O professor Milton Canuto fez um relato sobre as Diretrizes Nacionais e a concepção de carreira. Abordou a resolução CNE/CEB nº2 de 2009, que apresenta o fundamento legal de fixação das novas diretrizes para os novos planos de carreira e remuneração dos profissionais do magistério público. “Esta resolução aponta para a construção de um nível de vencimento ou salário para as distintas habilitações: médio, superior e pós-graduação. Isto é positivo, porém, a mesma quantifica o limite mínimo de percentuais entre os níveis, fazendo menção apenas para que os percentuais sejam compatíveis”, explicou. Atentos aos que era exposto, os participantes puderam fazer questionamentos no final do Seminário.

Ao fazer um debate sobre as perspectivas para os planos de carreira, a professora Marta Vanelli explicou as ações dos prefeitos para a implantação do Piso. “Nós precisamos estabelecer diretrizes para superarmos este momento da implantação da Lei do Piso. Praticamente todos os municípios e estados que decidiram cumprir a lei do piso optaram pelo achatamento da carreira. Primeiro a gente conquistou a lei e agora estamos em guerra em todo o país pra poder implementá-lo”, observou.

(CNTE, 01/09/11)

http://www.cnte.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=8810:reuniao-do-cne-discute-merito-x-meritocracia-e-debate-plano-de-carreira&catid=412:cnte-informa-590-02-de-setembro-de-2011&Itemid=200319

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The Economist deveria cobrar Nova York

Postado originalmente na Uol em 3/09/2011

 A revista The Economist cobra a Secretaria de Educação de SP por ter abolido o pagamento por bônus. Além de estar mal informada, a revista deveria cobrar Nova York porque lá, sim, a política de bônus foi abortada. Mas a reportagem é interessante pois mostra qual é o entendimento de “qualidade da educação” que os reformadores empresariais têm: melhora nos negócios.

Na realidade, a revista está apenas fazendo eco ao mal estar de setores do PSDB paulista em relação ao atual Secretário de Educação de SP, o qual não eliminou a política de bônus, mas também não a inflou, como eles gostariam. Visa criar pressão não só para a manutenção da política de bônus, mas também para aprofundar sua aplicação.

The Economist diz que escolas cariocas são melhores que as de São Paulo

Da Redação – Em São Paulo – 01/09/2011 – 21h40

Um texto na edição online da revista The Economist, publicada nesta quinta-feira (1º), diz que as escolas do Rio de Janeiro são melhores que as de São Paulo, o que tornaria a capital fluminense mais atrativa para negócios.

De acordo com a revista, uma das razões é que “algumas das escolas de São Paulo são administradas pelo município e, outras, pelo Estado” – ao contrário do Rio, que teriam todas geridas pelo município. O autor não cita, no entanto, que o modelo adotado pelo Brasil é de gestão municipal do ensino fundamental e estadual, do médio.

Continue lendo em:

http://educacao.uol.com.br/noticias/2011/09/01/economist-diz-que-escolas-cariocas-sao-melhores-que-as-de-sao-paulo.htm

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E querem por placa do IDEB na porta…

Postado originalmente na Uol em 4/09/2011

Se fôssemos sérios com a questão da educação, deveríamos estar legislando as condições mínimas para se definir o que chamamos de escola. Qualquer arranjo, é declarado uma escola, independente de suas condições. Os profissionais da educação, então, são responsabilizados por trabalhar neste arranjo, como se ele fosse uma escola.

MP da Paraíba encontrou irregularidades em mais de mil escolas no Estado no último ano

Especial para o UOL Educação – 03/09/2011 – 07h00 – Em João Pessoa

Mais de mil escolas publicas da Paraíba apresentaram algum tipo de irregularidade em inspeções realizadas pelo MP (Ministério Público). Salas de aula com estruturas precárias, armazenamento inadequado de merenda e até rãs dentro do filtro de água são alguns dos tipos de problemas encontrados.

Segundo a promotora responsável pelas ações, Fabiana Lobo, cerca de 95% das 1.057 escolas fiscalizadas no período de um ano apresentavam problemas. O objetivo é inspecionar as quase três mil escolas da rede pública do Estado. Veja algumas das irregularidades.

Continue lendo em:

http://educacao.uol.com.br/noticias/2011/09/03/mp-da-paraiba-encontrou-irregularidades-em-mais-de-mil-escolas-no-estado-no-ultimo-ano.htm

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E querem por placa do IDEB na porta… II

Postado originalmente na Uol em 5/09/2011

“Mais da metade dos municípios do País ainda não oferecem plano de carreira para o professor. Os dados são do Plano de Ações Articuladas (PAR), ferramenta do Ministério da Educação (MEC). Dos 5.565 municípios brasileiros, 5.532 (99,4%) responderam ao questionário do governo federal. Desses, apenas 43% afirmaram que têm plano de carreira. “

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,professor-nao-tem-plano-de-carreira-em-57-das-cidades,767829,0.htm

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Chile: um retrato bem diferente

Postado originalmente na UOL em 5/09/2011

A situação da educação no Chile pode ser vista neste artigo. Um retrato bem diferente daquele que os reformadores empresariais da educação brasileiros mostram quando elogiam o modelo educacional chileno.

Os indignados do Sul

Por Antonio Luiz M. C. Costa

Carta Capital

3 de setembro de 2011 às 9:15h

Os indignados do Chile, segundo o falido pensamento único, não deviam existir. Pois o país- não era a vitrine do neoliberalismo, um sucesso sob todos os pontos de vista? O crescimento econômico não vai mal: ainda se aposta oficialmente em mais de 6%, quando a média esperada para a América Latina, segundo a Cepal, é de 4,4%, e o Brasil projeta 3,7%.

Mas o Peru tem crescido ainda mais – deve superar os 7% em 2011 – em meio a protestos sociais e seus últimos governos têm terminado com baixíssima popularidade. No Chile, como no Peru, uma parte excessiva do crescimento beneficia apenas as empresas estrangeiras e a elite, enquanto muitos veem sua fatia diminuir em termos relativos ou estagnar em termos absolutos, sem perspectiva de melhora. Ao contrário do Brasil, que, apesar do desempenho mediano do PIB, proporcionou forte crescimento às regiões e camadas mais pobres, resultando em um governo popular e na queda do índice de desigualdade de Gini de 0,59, em 2001, para 0,53, em 2010, enquanto o do Chile estagnou em perto de 0,55, desde os anos 1990.

Continue lendo em:

http://www.cartacapital.com.br/internacional/os-indignados-do-sul/

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Testes não medem eficiência da escola

Postado originalmente na Uol em 5/09/2011

Testes não medem eficiência da escola, diz especialista

ANTÔNIO GOIS  – DO RIO – Folha.com,   05/09/2011

O brasileiro Flávio Cunha, 38, ingressou há 11 anos no doutorado em economia da   Universidade de Chicago disposto a estudar lei de falências. Ao assistir as aulas do prêmio Nobel de Economia James Heckman, no entanto, mudou de ideia.   Heckman, mundialmente reconhecido por estudos que comprovam a importância de intervenções de qualidade nos primeiros anos de vida da criança, convenceu Cunha a se juntar a ele em   uma nova empreitada.

Continue lendo em:

http://www1.folha.uol.com.br/saber/970317-testes-nao-medem-eficiencia-da-escola-diz-especialista.shtml

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Estados de desequilíbrio

Postado originalmente na Uol em 6/09/2011

Há uma importante mensagem dos estudos de Prigogine, prêmio Nobel em química, para os estatísticos e econometristas que habitam o campo da educação. Consiste no seguinte: Prigogine foi responsável pela teoria da bifurcação nos domínios da físico-química. Seus achados fazem parte da Teoria do Caos e foram apropriados na área educacional nem sempre de maneira adequada.

Prigogine afirma que as leis habituais que os químicos e físicos formularam, em sua maioria, se referem a estados em que a matéria foi “forçada” ao equilíbrio, em laboratório. Defende que, ao natural, fora do congelamento de variáveis de laboratório, as leis da matéria podem ser outras. Propõe o entendimento de que até no nível da própria matéria inorgânica há situações de “bifurcação” em que “decisões têm que ser tomadas”. Nesse caso, da matéria inorgânica, tais decisões são organizadas em leis probabilísticas que dão conta dos estados de desequilíbrio.

Prigogine não defende um caos sem leis e regularidades. Isso foi apropriação equivocada. Ele defende que estados de equilíbrio e desequilíbrio produzem regularidades diferentes.

Aí está um entendimento que seria útil a estatísticos e econometristas educacionais.

Quando “forço” o fenômeno educacional à estabilidade das regras das pesquisas estatísticas e econométricas, emergem regularidades que, embora assinalem possibilidades, podem ser diferentes das regularidades existentes na situação natural (em desequilíbrio) em que a escola permanentemente funciona.

Não é que tais regularidades produzidas pelas estatísticas estejam erradas – embora contenham “erro controlado”. Elas apenas dão conta de uma realidade que foi congelada para efeito de se obter vetores de interpretação. De fato, quando tais variáveis estão “livres”, ao sabor das bifurcações da realidade (pode se ler: contradições da realidade) as regulares são outras – e mais decisivas.

Isso vale para o precário mundo das avaliações e índices. O IDEB não pode ser interpretado, por exemplo, como uma medida global e fiel de cada escola. É uma medida de laboratório e mesmo assim, parcial. A Prova Brasil, não pode ser interpretada como uma medida de qualidade da escola. Há mais variáveis e mais instabilidades no cenário.

A questão não está relacionada somente à nossa capacidade de pesquisar e elaborar modelos. Diz respeito à forma de se produzir modelos e sobre o que produzimos tais modelos. Há mais de um cenário para elaboração de modelos. Na calmaria dos laboratórios de estatística e economia, as leis são outras. Não chegam a ser inúteis, mas não são todas as regularidades possíveis, nem necessariamente as mais fidedignas. Novamente, não é uma questão de precisão de estimação ou de cálculos. É uma questão do “estado da matéria em questão”.

Ao meu modo, arranhei alguma coisa disto em um pequeno livro chamado “Uma pos-modernidade de libertação” (Autores Associados, 2005), onde além de criticar os pós-modernos, indico bibliografia sobre Prigogine.

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Bibliografia

Postado originalmente na Uol em 6/09/2011

Sobre as novas interfaces entre público e privado, ver link abaixo.

Indicações e Reflexões sobre as Relações entre Esferas Públicas e Privadas para a Oferta Educacional no Brasil

Theresa Adrião

Resumo: O presente texto reflete sobre tendências de privatização da gestão da educação por meio da introdução de arranjos político-institucionais nas redes públicas de ensino elaborados por instituições privadas lucrativas e não lucrativas. Tais tendências, segundo pesquisa concluída em 2010 e dados provisórios de pesquisa ainda em desenvolvimento indicam alterações substantivas nas políticas educativas ofertadas por distintas esferas governamentais.

http://seer.ufrgs.br/Poled/article/view/22531

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A luta em Sergipe

Postado originalmente na Uol em 7/09/2011

Professores fazem assembleia contra ação de Déda que altera Plano de Carreira

Bárbara Nascimento 25/09/2011

A próxima assembleia geral extraordinária do magistério público do Estado de Sergipe acontece no dia 15 de setembro, às 15 horas, no já tradicional espaço de reuniões da categoria, o Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe.

Durante a greve dos professores, o governador afirmou, em coletiva de imprensa, que enviaria projeto de lei à Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe (Alese) em agosto, para alterar Plano de Carreira do Magistério. Fala que foi apelidada pelos professores de “Agosto tenebroso”.

A notícia gerou preocupação para o Sintese, pois todas as propostas de alteração de alterar carreira visam sempre a retirada de direitos. O Sintese teve acesso, na semana passada, a dois documentos que foram enviados aos diretores das escolas, iniciando o processo de avaliação de desempenho dos professores.

Esses documentos, que levam os títulos de Compromisso de Gestão (assinado pelas escolas e Seed) e Orientações para preenchimento online dos Planos de Curso (de autoria do Secretário de Educação, Belivaldo Chagas), tratam de procedimentos para que os professores sejam avaliados. Avaliação que traz riscos à vida profissional dos educadores.

Os documentos deixam claros que o Governo Estadual tenta mudar o Plano de Carreira e Remuneração para implantar um plano meritocrático fundado em avaliação de desempenho. Assim, Secretaria do Estado da Educação e o governador Marcelo Déda orquestram a transformação das escolas estaduais em agências comunitárias de prestação de serviço educacional público.

Os documentos prevêem que os professores e as equipes diretivas das escolas terão Avaliação de Terminalidade do desempenho baseada no Índice Guia. Para iniciar o processo avaliativo, os educadores são submetidos a preencher formulários com planos anual, mensais e semanais de curso e portfólios individuais dos alunos (semanalmente).

Diante dessa afronta a Legislação Educacional, os educadores devem decidir, em assembleia, os encaminhamentos para enfrentar as investidas do governo em privatização da educação pública, transformando as escolas em agências e destruindo direitos conquistados pelos professores com anos de luta e, com uma agravante: a clara intenção de demissão daqueles que não se enquadrarem na lógica de desempenho que o governo estabelece.

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Privatização no Reino Unido

Postado originalmente na Uol em 8/09/2011

Faça você mesmo a sua escola

Clóvis Rossi – Folha.com, 07/09/2011

O Reino Unido está inaugurando esta semana 24 “escolas livres”, que vêm a ser estabelecimentos de ensino financiados pelo poder público, mas geridos pela comunidade ou por alguma empresa que se disponha a fazê-lo. O pano de fundo ideológico da ideia está na pregação de campanha (vitoriosa) de David Cameron, conservador. Se desse para resumir em um slogan, como é da praxe deste mundo dominado pelo twitter, diria que é “menos Estados, mais sociedade”

Continue lendo em:

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/clovisrossi/971651-faca-voce-mesmo-a-sua-escola.shtml

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Obama: mais privatização

Postado originalmente na Uol em 8/09/2011

O discurso do presidente Obama ocorrido há pouco, revela como a questão das escolas charters (escolas públicas administradas por contrato de gestão privada) e as políticas de bônus naquele país estão articuladas com a crise fiscal profunda em que o país está mergulhado.

Obama falou várias vezes em “colocar mais professores em sala de aula”. Mas, o pacote que anunciou é de incentivos fiscais, portanto, o que ele está propondo, de fato, é aprofundar a contratação de professores pelas escolas charters e que estas – e outras empresas em outros setores da economia – recebam incentivos fiscais por terem contratado mais pessoal.

Sua proposta não é destinada a aumentar o número de professores via administração pública. Na realidade, este caminho oneraria o estado e aumentaria seus problemas fiscais, num clima de redução de impostos (como subsídio para empresas privadas que contratem).

A privatização da educação americana vai continuar, portanto.

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O sol e a peneira

Postado originalmente na Uol em 9/09/2011

A busca pelo controle de fraudes nos testes padronizados em Nova York prossegue. Sem atentar para as verdadeiras raízes do problema, o Estado agora procura aumentar o controle sobre a fase de aplicação e correção dos testes, de forma a tentar evitar as fraudes.

De fato, o aumento do valor social dos testes, representado pelo acesso a prêmios e punições é a real causa do aumento da fraude.

Se os testes fossem voltados para propósitos de diagnóstico, e se criassem condições para que as escolas os levassem em conta, seria o melhor antídoto para a fraude.

A Cidade de Nova York reage às exigências do Estado de Nova York com uma resposta muito simples: se o Estado pagar o custo das medidas, tudo bem, pois já gastam a modesta soma de 20 milhões de dólares só para pontuar seus testes.

Passos necessários para barrar a fraude nos testes

New York Times

Por SHARON Otterman

Publicado em: 08 setembro de 2011

Citando preocupações crescentes sobre as fraudes de educadores que surgiram após os recentes escândalos em Atlanta e Filadélfia, um painel do Estado de New York recomendou uma revisão na forma como o Estado administra e pontua seus testes padronizados.

Algumas recomendações emitidas na terça-feira pelo painel, que foi convocado pelo Departamento de Estado da Educação em julho, entrarão em vigor imediatamente, outras requerem aprovação do Conselho de Regentes, a conselho de política educacional do Estado.

Continue lendo em (inglês):

http://www.nytimes.com/2011/09/09/education/09cheat.html?ref=sharonotterman

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Semana de ENEM

Postado originalmente na Uol em 11/09/2011

A semana que se inicia começa com a divulgação das notas do ENEM 2010. Teremos que ler e ouvir, novamente, toda a discussão sobre o aumento das médias (subiu a média entre 2009 e 2010 em 2%, algo em torno de 10 pontos em uma escala de 0 a 1000), sobre as inadequadas comparações entre escola privada e pública etc.

Do ponto de vista político, o MEC está salvo. As notas aumentaram. Dirão que foi pouco, mas pior seria se tivessem caído ou empacado. Neste caso, nada como apontar para o futuro, 2028, por exemplo, e colocar lá o horizonte da melhoria, oficializando o aumento atual das médias como ritmo oficial de crescimento. Como bem argumenta Daniel Cara, o ensino médio não é responsabilidade direta do governo federal – ele só avalia. São os Estados os responsáveis diretos pelo ensino médio, entretanto, se as médias caíssem, os Estados transfeririam rapidamente a responsabilidade para o governo federal e a mídia aplaudiria.

Maria Helena Castro, agora na oposição, foi enfática em afirmar que o ENEM não mede a rede de ensino e nem as escolas, apenas o aluno. Está correta se adicionarmos que faz isso “mal e porcamente”, pois confunde-se neste país notas altas em testes com qualidade da educação. O ENEM mede mais o grau de preparação dos estudantes para o teste do que as próprias competências que se propõe a medir. Ele, agora, é um vestibular unificado. Mas isso certamente será ignorado ou virará nota de rodapé nas reportagens.

Sem cálculo de valor agregado, é impossível ter uma visão mais clara do que ocorre no ensino médio e nas suas escolas públicas e privadas. Sem ampliar o leque de medidas, ficamos restritos aos testes de competências em determinadas disciplinas – sem falar que estamos lidando com um fenômeno multidimensional, medido por gambiarras unidimensionais, cuja “saúde” técnica desconhecemos por falta de relatórios técnicos.

Mais ainda, o ENEM tem participação voluntária e sua taxa de participação está em 56%. Os dados que temos, provavelmente, revelam a posição dos 56% mais motivados a continuar seus estudos em nível superior. É os outros 44%? Que dados temos deles? Não seriam estes os que mais precisariam crescer. O que tem o ENEM a dizer sobre estes 44% que pudesse reorientar o trabalho das escolas?

Se a prometida divulgação da escala de desempenho for cumprida, ainda poderemos tirar alguma significação pedagógica das médias divulgadas. Mas isso não informa uma posição enquanto rede de ensino ou mesmo enquanto escola, pelos limites que o ENEM possui.

Aguardemos para ver qual o tratamento que o INEP dará aos questionários de contexto que acompanham o teste e que poderiam revelar, por exemplo, o nível socioeconômico dos alunos que compareceram. Qualquer análise educacional parte deste dado.

A despeito de tudo isso, o ENEM continuará a ser considerado “uma avaliação do ensino médio” e as escolas públicas continuarão a ser comparadas com as privadas a partir dos dados do ENEM etc. etc. A mídia e seus “especialistas” se encarregarão disso e o INEP, cuja ausência de estudos sobre os dados que detém é gritante, continuará assistindo, reduzido à dimensão de um órgão que contrata empresas privadas para aplicar testes, sobre os quais não pensa.

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Dimenstein: esqueçam o que escrevi

Postado originalmente na Uol em 11/09/2011

Os empresários, através de seus especialistas em educação, recomendam que uma certa lógica dos negócios seja aplicada à educação. Isso significa que aos que se comportam bem, aplicam-se bônus, e aos que não, demite-se.

Nesta visão, a lógica da pressão preside a reforma da escola, pois sem esta ela não se movimenta. Outra não é a justificativa para as placas do Ideb nas portas das escolas – a comunidade pressionando a escola.

Mas, eis que hoje, 11-09-11, Gilberto Dimenstein divulga pesquisa no âmbito das empresas revelando uma outra lógica, onde conclui que:

O foco da investigação foram equipes que trabalhavam em projetos inovadores, gente de quem se exige que encontre soluções, e não apenas que repita o que já se faz, fugindo do que especialistas em recursos humanos batizaram de “aposentadoria mental”.

Apenas uma empresa, na qual os empregados revelaram, em seus diários, ter encontrado constante prazer na experimentação, conseguiu desenvolver um produto inovador. Naquela que teve as piores considerações dos funcionários, o resultado foi um desastre. (…) Há uma ilusão entre executivos de que jogar duro e pagar muito seria a receita de sucesso. “O que motiva, pelo menos na geração de inovação, é o prazer da conquista, não a cobrança”.

Então, Gilberto. Por que não usarmos esta máxima para aposentarmos a ideia de que por placas em escolas com o Ideb, pagar bônus diferenciado para professores e diretores em função do desempenho dos alunos seja uma forma de promovermos a melhoria da escola. É isto que o estudo da RAND mostrou em Nova York, quando os professores dizem que se motivam com o crescimento dos seus alunos e nem tanto pelos bônus.

Professores precisam estar constantemente inovando, pois seus alunos são diferentes durante o ano e entre anos. A promoção da inovação não parece se dar sob pressão, com cobrança de placas nas portas das escolas, bônus, ameaças etc. Dentro do próprio campo industrial, esta lógica de exportação baseada na cobrança parece estar em baixa – pelo menos quando se trata de promover a inovação.

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Começou o show do ENEM

Postado originalmente na Uol em 12/09/2011

A Folha de São Paulo tem hoje em manchete o assunto do ENEM. Era previsível. Mas a Folha tem se especializado em dizer o que não é possível de ser dito e depois, logo em seguida, para os que continuarem lendo, note bem, dizer o que de fato deveria dizer, mas não disse.

A manchete diz “Rede pública perde espaço entre melhores do ENEM”. Começa a reportagem vaticinando “A participação das escolas públicas entre as melhores do país está em queda [entre os 10% melhores da rede de ensino médio]”. E ao final, vem a informação real: a queda é de 8,4% para 7,9%. Como esta estatística não dá muito ibope, ela arranja um critério adicional: “se ampliada para os 25% melhores a redução é mais acentuada: vai de 20,7 para 15,7%”. Na reportagem na página C9, arruma uma forma de alargar a diferença. Como 5 pontos percentuais podem não impactar suficientemente o público, ela reprocessa a diferença e fala de uma “queda de 24,1%”. Como sempre, os jornais fazem o corte que desejam até encontrar, nas estatísticas, algo a favor de suas teses.

Todos sabemos como funciona. O Editor diz que tem que ser feita uma reportagem mostrando o sucesso ou o fracasso de algo, e o repórter vai olhar e colher os dados desde este ângulo. Triste imprensa a que temos.

Para não passar vergonha, a Folha depois de construir a ideia central – o fracasso da escola pública -, vai abrindo espaço para algumas falas de rodapé.

Felizmente, o Ministro Haddad responde bem. A fala do MEC desmonta o argumento da folha e ela é obrigada a dizer que “Para o MEC, condições socioeconômicas, mais que o trabalho do professor, explicam o resultado”. É a miséria Folha! Ainda que não somente.

A divulgação das taxas de participação por escola, também merece destaque, ainda que, como era esperado, a Folha faça caso omisso dela no seu ranqueamento. Mas não pode deixar de divulgá-la ao lado da nota.

E temos, também, no caderno C9 a divulgação da pesquisa de Francisco Soares mostrando como a inclusão do cálculo de nível socioeconômico altera a posição dos rankings.

É disso que precisamos. De estudos sobre os dados do ENEM com modelos interpretativos diferentes que forcem a abertura de espaço na mídia, mostrando o que se pode dizer de fato sobre tudo isso. Algo que se a mídia não leva em conta, passa vergonha depois – como ocorreu com o jornal Los Angeles Times nos Estados Unidos, jornal que se meteu a fazer um ranking de 6000 professores de Los Angeles e se deu mal.

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Não dá para elogiar…

Postado originalmente na Uol em 12/09/2011

Foi só elogiar o desempenho do MEC pela manhã, e à tarde já temos problemas. O ministro quer tornar o ENEM um exame de certificação nacional obrigatório. Pior, mais gente engrossará este caldo.

Haddad defende Enem obrigatório para concluintes do ensino médio

Para ministro, ‘ainda nesta década’ o Enem deve acabar com os vestibulares

12 de setembro de 2011 | 18h 27

O ministro da Educação, Fernando Haddad, defendeu nesta segunda-feira, 12, a universalização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), tornando-o obrigatório, como forma de melhorar o indicador da qualidade do ensino. Atualmente o exame é voluntário. No ano passado, 56% dos concluintes do ensino médio fizeram a prova. Outras avaliações aplicadas pelo Ministério da Educação, como a Prova Brasil, são universais.

“Seria uma atividade obrigatória para a conclusão dos estudos. Não significa que o estudante precisaria atingir uma nota específica, mas a mera participação (seria suficiente). Seria como o Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) em que todos os alunos são convocados a fazer a prova e obrigados a participar”, disse. O Plano Nacional de Educação (PNE), que tramita no Congresso Nacional, prevê que o Enem se torne um componente do currículo e, portanto, obrigatório.

Continue lendo em:

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,haddad-defende-enem-obrigatorio-para-concluintes-do-ensino-medio,771676,0.htm

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Inventando a competência…

Postado originalmente na Uol em 14/09/2011

“Uma das primeiras colocadas de São Paulo, privada, chegou ao cúmulo de separar os alunos que mais pontuam em seus simulados e criar um CNPJ diferente para esta sala de aula, que obtém uma das primeiras colocações do Brasil. A outra, que conta com os mesmos professores, funciona no mesmo prédio, com alunos de mesma classe social e com o mesmo material didático ocupa posição centenas de vezes inferior e nem chegou a ter 75% de participação dos seus alunos no Enem. A “inventada”, para se posicionar bem no Enem, teve 100% de presença. Histórias parecidas com essas se repetem por todo País e distorcem o resultado dos dados divulgados pelo Ministério da Educação.”

Como ler a nota do Enem

Mateus Prado

12/09/2011 15:24

http://ultimosegundo.ig.com.br/colunistas/mateusprado/como-ler-a-nota-do-enem/c1597206497279.html

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Entidades reagem ao Todos Pela Educação

Postado originalmente na Uol em 15/09/2011

Um grande conjunto de entidades divulga Carta Aberta ao Movimento Todos pela Educação.

Leia no link abaixo:

http://www.cedes.unicamp.br/CartaAberta_TPE.pdf

 

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Rio implenta OS

Postado originalmente na Uol em 18/09/2011

 CUT Rio, 12 de Set de 2011

Todos contra as OSs

O governador Sérgio Cabral enviou projeto de lei à Alerj instituindo as OSs (Organizações Sociais) no âmbito do serviço público estadual, especialmente na área de saúde. Esse modelo como sabemos consagra a terceirização, omite a responsabilidade pública em setores urniversalmente consagrados como públicos, elimina o concurso público e precariza as relações de trabalho.

A Central Única dos Trabalhadores no Estado do Rio de Janeiro convoca seus militantes e dirigentes para a votação do projeto de lei, na próxima terça-feira, 13 de setembro. A ideia é pressionar os palamentares de todos os partidos para que rejeitem o projeto do Executivo do estado, conforme decisão da 9ª Plenária Estadual da CUT-RJ, que por decisão unânime dos seus delegados decidiu cerrar fileiras contra as OSs, por considerá-las lesivas aos interesses da população carioca e fluminense.

Na condição de maior cental sindical do país, a CUT, fiel à sua histórica posição em defesa do Sistema Único de Saúde, em reiteradas decisões nacionais vem seguindo o caminho da valorização do serviço público, sempre se confrontando com as tentativas de flexiblizá-lo, prática de natureza neoliberal que em nada contribui para melhorar o atendimento à população.

No Rio, milhões de pessoas vêm padecendo da ausência dos investimentos necessários nas unidades de saúde, principalmente nos grandes hospitais, onde o quadro é desolador devido à ausência crônica de profissionais, equipamentos e insumos. Um exemplo dramático desse quadro é a situação da Zona Oeste do Rio. Depois do incêndio no Hospital Pedro II, em Santa Cruz, restou apenas o Hospital Rocha, em Campo Grande, para atender a uma população de mais de 1 milhão de habitantes. A saúde pública, decididamente, não figura no rol das prioridades do governo do estado.

Quem precisa de Estado atuante e qualificado é o povo. Não às OSs. Serviço público de qualidade é direito de todos e dever do Estado.

Marcello Rodrigues Azevedo – Secretário de Relações de Trabalho CUT-RJ

Darby de Lemos Igayara – Presidente da CUT-RJ

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Assine e divulgue

Postado originalmente na Uol em 18/09/2011

«Por uma responsabilização participativa e democrática na educação»

http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2011N14333

Assine o abaixo-assinado aqui http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2011N14333 e divulga-o por teus contatos.

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Empresários: disputa de agenda

Postado originalmente na Uol em 19/09/2011

Os empresários estão se organizando para disputar agenda educacional.

Uma agenda concreta para o longo prazo

A Rede Latino-americana de Organizações da Sociedade Civil pela Educação inicia uma agenda de trabalho que permite promover e facilitar a aprendizagem, a colaboração e a mobilização em torno das seguintes linhas de ação:

• Gerar, manter e ampliar uma rede sustentável de aprendizagem colaborativa;

• Promover a cooperação regional e o diálogo;

• Realizar monitoramento e rastreamento de programas nacionais e regionais;

• Identificar, compartilhar e disseminar estratégias e programas para sensibilizar e mobilizar os cidadãos na busca de uma Educação de qualidade;

• Estabelecer, fomentar e priorizar um banco latino-americano de boas práticas.

OS MEMBROS DA REDE

As organizações e movimentos fundadores da Rede Latino-americana de Organizações da Sociedade Civil pela Educação são:

1. Argentina: Proyecto Educar 2050

2. Brasil: Todos Pela Educação

3. Chile: Educación 2020

4. Colômbia: Empresarios por la Educación

5. Equador: Grupo Faro

6. El Salvador: Fundación Empresarial para el Desarrollo Educativo – FEPADE

7. Guatemala: Empresarios por la Educación

8. Honduras: Fundación para la Educación Ernesto Maduro Abreu – FEREMA

9. México: Mexicanos Primero

10. Panamá: Unidos por la Educación

11. Juntos por la Educación: Paraguay

12. Perú: Empresarios por la Educación

13. República Dominicana: Acción por la Educación – Educa

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INEP: bomba relógio

Postado originalmente na Uol em 20/09/2011

Aos poucos a sociedade vai se dando conta da precariedade dos ranqueamentos. O último ENEM está contribuindo para isso. Não só pela mudança na divulgação dos dados, incluindo a taxa de participação dos alunos e pela própria ação da Presidenta do INEP, Malvina Tutman, mas também porque os critérios para o ranqueamento do ENEM estão mais divulgados, permitindo ensaios que questionam a ordem das escolas no ranking.

A discordância diz respeito à nota da redação, 50% da composição da média final, o que para uns (usualmente os prejudicados) é considerado muito alto – frente aos outros 50% para avaliar todas as outras disciplina.

Independentemente da discussão sobre o valor atribuído à redação ser muito ou pouco, o fato que este debate põe em relevo é que por trás de um ranqueamento, existem decisões que podem favorecer a alguns e prejudicar a outros. Isso significa que não podemos aceitar os números – mesmo quando nos favorecem – sem perguntar pelas decisões que estão ocultas nos números.

Há mais coisas ocultas e que ainda não foram percebidas pela sociedade. Qualquer exame médico de laboratório indica as decisões técnicas e os limites destas decisões de forma pública. Isso tem a ver com a identificação de falsos positivos ou negativos. Todo teste é imperfeito. Tem margens de erro. Os especialistas procuram conhecer e controlar tais margens. Em educação, entretanto, tais estudos não são divulgados. Não sabemos qual a saúde da prova que está verificando o conhecimento dos alunos. É o caso do ENEM e de outros exames.

Há algum tempo classifiquei isso de “bomba relógio”. Vai explodir algum momento nos jornais. Basta que alguém fique insatisfeito com o ranqueamento do dia.

Portanto, o INEP precisa adiantar-se a isso e divulgar notas técnicas sobre os cálculos que faz e sobre a saúde das provas que aplica. Isso é muito mais grave do que o critério do ENEM que está sendo discutido.

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USA: testes na educação infantil

Postado originalmente na Uol em 22/09/2011

O Ministro da Educação dos Estados Unidos da América, Arne Duncan, informou que a próxima rodada do programa federal Race do the top, exigirá testes das crianças de 4 e 5 anos. Veja como reagiu uma professora de educação infantil.

Professor de Educação Infantil relata detalhes da “loucura” dos testes padronizados para crianças

Por Valerie Strauss

05-07-2011

Esta carta foi escrita por Nancy Creech, uma professora de jardim de infância em Michigan.

Por Nancy Creech

Você já aplicou um teste padronizado em crianças pequenas?

Crianças de Jardim de infância têm 4 a 5 anos de idade e é isso que acontece: alguns deles choram. Alguns têm dores de estômago. Muitos deles, de repente, quando as instruções estão sendo dadas, têm que ir ao banheiro ou pegar um tecido. Alguns desenham em toda a folha. Elas falam. Elas gritam respostas, já que foram ensinados a cuidar uns dos outros e ajudar uns aos outros.

Continue lendo em (inglês):

http://www.washingtonpost.com/blogs/answer-sheet/post/kindergarten-teacher-details-lunacy-of-standardized-tests-for-kids/2011/07/24/gIQApZjNXI_blog.html

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Nota alta não é sinônimo de qualidade

Postado originalmente na Uol em 23/09/2011

Vamos ver se entendem que nota alta no IDEB não é sinônimo de boa educação.

É preciso mais que isso. Focando só leitura e matemática, os valores e a própria vida são deixados de lado. Não há formação, só instrução. Isso atende aos interesses de alguns, mas não de todos.

Escola que foi palco de disparos em São Caetano do Sul (SP) é a melhor do Estado no Ideb

22/09/2011 – 17h39 / Atualizada 22/09/2011 – 19h07

Do UOL Notícias Em São Paulo

A escola municipal Professora Alcina Dantas Feijão, em São Caetano do Sul (Grande São Paulo), palco de disparos que mataram um aluno de 10 anos e feriram uma professora de 38 anos, na tarde desta quinta-feira (22), é a primeira de São Paulo no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de 2009 nas séries finais (5ª a 8ª) com índice ou “nota” de 6,7.

Professora Rosileide Queiros de Oliveira, 38, é socorrida após ser atingida por um tiro disparado por um aluno de 10 anos, do 4º ano C da escola Alcina Dantas Feijão, em São Caetano do Sul, no ABC Paulista. O aluno se retirou da sala de aula e disparou nele próprio.

Continue lendo em:

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2011/09/22/escola-que-foi-palco-de-disparos-em-sao-caetano-do-sul-sp-e-a-melhor-de-sao-paulo-no-ideb.htm

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Entrevista

Postado originalmente na Uol em 24/09/2011

A entrevista da atual coordenadora da Campanha Latino-americana pelo Direito à Educação trata das ações traçadas pelo BM para a área da educação até 2020, discorrendo, principalmente, sobre a mudança de paradigma “Educação para Todos” e “Aprendizagem para todos”, o que segundo Camilla Croso, implica desdobramentos que precisam ser pensados.

REVISTA EDUCAÇÃO – EDIÇÃO 173

É preciso pensar

Presidente das versões mundial e latino-americana da Campanha pelo Direito à Educação alerta para o teor mecanicista embutido na proposta educacional do Banco Mundial

Em abril deste ano, o Banco Mundial lançou a estratégia que pautará suas ações para a área de educação até 2020. Intitulado “Aprendizagem para todos: Investimento no conhecimento e nas habilidades das pessoas para promover o desenvolvimento”, o documento representa uma mudança de paradigma, já que a estratégia anterior, batizada de “Educação para todos”, buscava a universalização do ensino. Agora, as diretrizes do Banco Mundial, que já investiu US$ 69 bilhões em educação no mundo desde 1962, envolvem o que os indivíduos aprendem, dentro e fora da escola, da etapa pré-escolar até a chegada ao mercado de trabalho. As novas propostas foram recebidas com preocupação por Camilla Croso, atual coordenadora-geral da Campanha Latino-americana pelo Direito à Educação (Clade) e recém-eleita presidente da Campanha Global pela Educação (CGE). Mestre em Políticas Sociais e Planejamento de Países em Desenvolvimento pela London School of Economics, Camilla afirma que não é possível separar o conceito antigo de “Educação para todos” do novo “Aprendizagem para todos”. “É uma falsa dicotomia. Defendemos a educação como um direito humano e estamos preocupados com a plena realização do direito à educação”, defende. Em entrevista concedida aos editores Rubem Barros e Beatriz Rey, ela aponta, a partir do que se depreende do documento, uma visão mecanicista das práticas docentes e da aprendizagem dos alunos. Para a ativista, é fundamental resgatar o diálogo, o pensamento crítico e a imaginação no âmbito da educação.

Continue lendo em:

http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/173/e-preciso-pensar-235009-1.asp

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D e a placa do IDEB

Postado originalmente na Uol em 24/09/2011

“D” é um bom aluno em uma boa escola (melhor IDEB do Estado de SP). Vai à igreja. É cordato com os amigos. Nem a professora acredita que ele, “D”, tenha atirado nela. O pai está inconsolado. Todos dizem que era um “aluno exemplar”. Os psicólogos não entendem. Caso ímpar, dizem. A polícia não se atreve a explicar. Todos estão chocados. Os educadores estão calados e os reformadores empresariais fingem de mortos.

Uma situação raríssima foi produzida: palco de um fuzilamento da professora por um aluno, seguido de suicídio, nenhuma crítica pode ser feita à escola: é nota alta no IDEB, a melhor do estado – tudo solucionado neste campo. Uma especialista chegou a dizer que “cabe à família acompanhar nesta idade o desenvolvimento emocional da criança”, reiterando que da escola se espera que ensine, mesmo, português e matemática. Como era de se esperar, a ninguém ocorreu perguntar pela ação educativa da escola e não apenas pela sua ação instrutiva – leitura e matemática.

Se a ideia de Ioschpe já fosse lei, esta escola teria em sua entrada uma bela placa com seu IDEB 6,7 – indicando o bom ensino que ali é praticado. A sociedade estaria, então, satisfeita com sua escola nada mais tendo a cobrar dela. Mas a realidade insiste em nos contrariar.

O caso, agora, vai repercutir por alguns dias. Depois, a exemplo de Realengo, será esquecido em nome dos ranqueamentos na Prova Brasil, no ENEM, nos SARESPs da vida em estados e municípios – sem contar, é claro, a importantíssima discussão: colocamos ou não uma placa do IDEB na porta das escolas?

Recentemente, um grupo de especialistas em avaliação, criticando os rumos da política educacional para a área escreveu:

“Preocupa-nos que no cotidiano das salas de aula e das escolas, tal função classificatória e, portanto, seletiva e excludente, venha retomando um lugar de destaque, impulsionado pela aplicação dos exames de larga escala utilizados para avaliação externa das redes e escolas, em detrimento das funções diagnóstica e formativa, estas sim, avaliações da e para a aprendizagem. No Brasil, os testes avaliam predominantemente proficiências em áreas de leitura e matemática. Mas, afinal para que avaliamos as crianças e os jovens que têm direito constitucional de frequentar a educação básica? Qual o papel social de nossa escola? O que se aprende e o que se ensina na educação básica? Essas questões relacionam-se fortemente com o debate acerca da qualidade da educação oferecida.” (Carta de Campinas, setembro de 2011 – disponível em http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2011N14333 )

É disso que estavam falando – dos possíveis “Ds” que devemos ajudar a evitar. Qual a função social da nossa escola? O que entendemos por qualidade da educação? Notas altas no IDEB? Como formar nossa juventude e não apenas instruí-la?

O matador do Realengo tinha um bom português. Lembro-me de que os jornais aventaram a possibilidade de que seu bilhete tivesse sido escrito por outra pessoa. Assassinos não devem ter bom português. Ficaram surpresos. Este tinha. Em menos de um ano, desta vez um “bom aluno” quase mata a professora e depois – ato radical – suicida-se. O que significa para uma criança de 10 anos, tomar tais decisões?

Formar e ensinar são coisas diferentes. Mas quando nós educadores profissionais dizemos isso, os reformadores empresariais dizem que “isso é coisa de pedagogo, é pedagogês vago”. Para eles o que conta é a “matriz de referência”, o teste e a placa na porta.

Está em curso no país, copiando o esforço de Obama (USA), uma proposta de “definição de expectativas de aprendizagem” comum. Trata-se de uma agenda internacional que visa impor aos países a matriz de referência do PISA e tornar os processos de avaliação mais parecidos entre e dentro dos países. Nos Estados Unidos isso virou necessidade depois que os estados começaram a rebaixar seus “padrões” para “melhorar” o desempenho de seus alunos e acessar verbas federais mais facilmente. No Brasil, alguém, sabiamente, já ampliou esta proposta para “expectativas de educação e de aprendizagem”. A questão, entretanto, não é apenas o nome.

Ampliando o ensino para incluir a educação, não garantirá que evitemos novos “Ds”. É muito provável que as razões disso não estejam só na escola, mas teremos contribuído. Assim como os reformadores defendem que a escola deva ensinar mesmo quando os fatores adversos são fortes, assim também ela deve formar, mais ainda se os fatores adversos são fortes.

A má notícia para os reformadores empresariais é que pessoas que sabem português e matemática não são automaticamente bem formadas no campo dos valores e das atitudes. A ideia de que português e matemática são a porta de entrada para o desenvolvimento humano precisa ser reconsiderada – ou vamos continuar a ter “Ds” cada vez mais frequentes.

A segunda má notícia é que o desenvolvimento de valores e atitudes não deve ser tarefa delegada exclusivamente à família. Mesmo no caso de “D”, com uma família estruturada, isso não foi possível de ser obtido. Imagine em situações de maior pobreza.

Quantos “Ds” mais serão necessários para nos convencermos de que temos que ter um verdadeiro projeto para a juventude que não seja apenas passar no ENEM e consumir no shopping da esquina?

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Michelle Rhee sob ataque

Postado originalmente na Uol em 25/09/2011

Mais uma “musa” dos reformadores empresariais sob suspeita: agora é Michelle Rhee (Washington). Antes foi Beverly Halls (Atlanta) e antes dela, ainda, Joel Klein (New York). Um a um, os grandes reformadores e seus “milagres” estão sendo colocados em dúvida.

Sobre Rhee, um estudo de Ginsburg diz que os ganhos da época Rhee em Washington na verdade não são maiores do que os alunos tinham obtido em anos anteriores quando os superintendentes Paul Vance e Clifford Janey estavam no comando. Ele relata: “Com relação à distribuição dos ganhos totais de DC [Washington] nos escores do NAEP na 4ª. e 8ª. séries entre 2000-09, Vance foi responsável ​​por uma participação de 46% do ganho total, Janey 30% e Rhee 24%.”

Veja outras opiniões (em inglês):

http://educationnext.org/the-case-against-michelle-rhee/
http://therheedcrecord.wikispaces.com/
http://www.washingtonpost.com/blogs/class-struggle/post/harvard_education_expert_attacks_rhee_critics/2011/04/12/AFrGVbRD_blog.html?wprss=class-struggle
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Frase do dia

Postado originalmente na Uol em 25/09/2011

“O que escolhemos ensinar nas escolas é só uma parte do conhecimento existente. Teoricamente, ensina-se o que a sociedade acha mais importante, mas o que de fato sobrevive no currículo é o que é facil de ser medido em provas e o que funciona como aula expositiva. As vítimas são a ciência e a tecnologia…”

Paulo Blikstein, professor na Universidade Stanford

Folha de São Paulo, Caderno 1, p. 3 em 25-09-2011

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Seu filho é obrigado a fazer testes?

Postado originalmente na Uol em 28/09/2011

Alguns acham que não.

Um movimento internacional está organizando-se para garantir o direito dos pais que querem proteger seus filhos contra os efeitos danosos do mau uso dos testes.

Aqui vai o endereço: http://optoutofstandardizedtests.wikispaces.com/

Welcome to The Opt Out of Standardized Tests Site!

This site was created to collect and share information on state by state rules and experiences related to opting out of standardized tests. This is an open community for any parent, student, or educator interested in finding or sharing opt out information, irrespective of personal decisions regarding political party, religion, or learning choice.

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