Segregação nas escolas de Nova York

Postado originalmente na Uol em 31/07/2011

Como tem sido alertado, a pressão sobre as escolas associada a estratégias de privatização (escolas charters) conduz à formação de guetos de escolas destinadas à pobreza e estratifica, por escola, os alunos. As escolas charters terminam retirando os alunos mais motivados das escolas públicas, deixando a estas a tarefa de ensinar os alunos mais pobres e com notas mais baixas.

Seleção de melhores em escolas deixa alunos para trás

Em Nova York, estudantes com dificuldades não conseguem vagas nas escolas mais qualificadas

The New York Times | 31/07/2011 12:00

(…) Muito antes do governo Bloomberg, os distritos ofereciam a escolha da escola. Mas nos últimos anos o processo se tornou mais complicado. O movimento de reforma criou um mercado educacional no qual as escolas competem por alunos. Isso é bom para os alunos selecionados para as escolas mais fortes, mas não tão bom para as crianças deixadas para trás e agrupados nas instituições mais fracas.

Entre 80% e 90% dos alunos entram em uma de suas três primeiras escolhas, de acordo com um porta-voz do Departamento de Educação. Mas os alunos com notas mais altas são mais procurados e têm melhores chances.

Continue lendo em (inglês):

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/selecao+de+melhores+em+escolas+deixa+alunos+para+tras/n1597108071443.html
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De empresário para empresário

Postado originalmente na Uol em 1/08/2011

“O caminho de ouvir empresários e dar bônus aos professores em função de nota, por exemplo, demonstra como se está pensando a escola de trás para a frente.

Ora, dar gratificação ao professor para que gere boas notas em provas tacanhas, em apenas duas matérias, é o mesmo que dar comissão a corretor imobiliário para que venda aquele terreno micado, e não o mais difícil de mostrar.”

RICARDO SEMLER, empresário.

Folha de São Paulo de 1-08-2011

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Cuba X Brasil: onde olhar?

Postado originalmente na Uol em 1/08/2011

Abaixo temos uma entrevista publicada pelo jornal Estado de São Paulo. Como se verá, a chamada não tem nada a ver com o conteúdo. Ocorre que no Brasil Cuba é lembrada para justificar uma posição autoritária do diretor de escola, tese dos reformadores empresariais. Eles, imitando a iniciativa privada, acham que se o diretor for “porreta”, então a escola melhora. Lendo atentamente a entrevista, descobriremos que há outras “vantagens competitivas” em Cuba que são muito mais importantes (baixa miséria, por exemplo) e que não viraram chamada para a entrevista no jornal. Cada um vê o que quer e o que pode.

”É fundamental investir na formação do diretor”

01 de agosto de 2011 | 0h 00

Mariana Mandelli – O Estado de S.Paulo

ENTREVISTA

Paulo Giandalia/AE

Martin Carnoy pesquisou escolas de Cuba

Martin Carnoy, Economista e professor da Universidade de Stanford

Para o economista e educador norte-americano Martin Carnoy, o Brasil precisa investir melhor na formação não só de seus professores, mas também dos diretores e ds equipe de apoio das escolas. Carnoy estará no Brasil em agosto, para o encontro internacional de educação Sala Mundo Curitiba 2011 (www.salamundo.com.br). Leia abaixo a entrevista que ele concedeu ao Estado.

O sr. escreveu um livro sobre o sistema educacional cubano (A vantagem acadêmica de Cuba). Quais lições o Brasil pode aprender com os cubanos?

O Brasil deve continuar sua luta contra a pobreza infantil. Embora Cuba seja um país de baixa renda, as crianças são saudáveis e bem alimentadas e não enfrentam a violência cotidiana. Elas não sofrem as condições associadas à pobreza que têm um efeito esmagador sobre a capacidade de aprender. Além disso, o Brasil precisa formar melhor seus professores. Os cubanos são mais bem treinados para ensinar. O Brasil também precisa fazer um trabalho muito melhor de treinamento dos diretores, para eles se certificarem de que os professores estão ensinando bem o currículo.

Continue lendo em:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,e-fundamental-investir-na-formacao-do-diretor,752528,0.htm

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Educador do ano critica avaliação americana

Postado originalmente na Uol em 2/08/2011

 Secretário Duncan pede e recebe conselhos sobre a Avaliação de Professores e Diretores

http://nepc.colorado.edu/

Boulder, CO (primeiro de agosto de 2011) Em 14 de julho o Secretário de Educação dos EUA Arne Duncan pegou o telefone e chamou a diretora de uma high school, Carol Burris – considerada em 2010 Educadora Notável do Estado de Nova York pela School Administrators Association of New York State – e durante a conversa solicitou-lhe que enviasse uma carta descrevendo os princípios que deveriam orientar a avaliação dos educadores e suas sugestões para detalhar a forma de realizar esses princípios. A ligação de Duncan foi uma resposta à carta aberta de Burris para ele no Blof do Washington Post. Nessa carta, Burris afirmou que a pressão atual das políticas de avaliação punitivas estão prejudicando escolas como a dela.

Em 27 de julho, Burris e Kevin Welner, diretor do National Education Policy Center, responderam ao pedido de Duncan. A versão pública da carta que enviaram está agora disponível como um memorando de política no site NEPC: http://nepc.colorado.edu/publication/letter-to-Arne-Duncan .

Burris e Welner notam que a alta qualidade da avaliação dos educadores é importante e deve ser perseguida, ainda que eles enfatizem o fato óbvio de que “se não formos capazes de investir em nossas escolas e comunidades, até mesmo uma avaliação dos educadores da mais alta qualidade levará a pouco sucesso “.

Eles ressaltam que uma avaliação útil e produtiva dos educadores se constitui em um bem a ser avaliado em si, com base em seu efeito global sobre a aprendizagem do aluno. Tal efeito geral implica pelo menos quatro áreas que se sobrepõem: (a) somativa, (b) formativa, (c) condições de trabalho, e (d) incentivos. Cada um deles é descrito na carta.

Burris e Welner concluem com recomendações específicas que sugerem um caminho a seguir no qual a avaliação do educador é organizada e realizada de uma forma que valorize o conhecimento e a evidência de pesquisa.

Veja a carta, apresentada como um memorando de política, por Carol Corbett Burris e Kevin G. Welner no site NEPC em: http://nepc.colorado.edu/publication/letter-to-Arne-Duncan

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Contra o Ideb na Escola

Postado originalmente na Uol em 3/08/2011

“Para além da comunidade-cliente”

Por Luiz Carlos de Freitas

Leia em :

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/contra+o+ideb+na+escola+para+alem+da+comunidadecliente/a1597111974741.html
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Riscos da visão empresarial na educação

Postado originalmente na Uol em 4/08/2011

Com a inclusão do Brasil no grupo dos BRICs, ou seja emergentes que estão recebendo recordes de investimento produtivo direto (nunca houve tanto investimento estrangeiro nos últimos 64 anos como há hoje no Brasil) há uma perspectiva de que a economia continue ativa e crescendo. O tipo de crescimento ocorre no interior da reestruturação das formas de produção – tanto em gestão, como em tecnologia. O fato é que esta montanha de dinheiro que está ingressando tem que retornar lucros crescentes. Considerando que este crescimento é dependente de vários fatores (logistica, proteção da produção local, mecanismo de financiamento da produção) e inclui a necessidade de disponibilidade de mão de obra qualificada (leia-se diplomada) abundante, de forma a reduzir a massa salarial paga, teremos uma pressão muito grande sobre a “qualidade” da educação. Isso faz com que os empresários acionem seus prepostos na área educacional (ou criem estruturas dedicadas a isto) com a finalidade de disputar a “agenda educacional” brasileira.

Minha opinião, é que estamos em um momento de disputa da agenda das políticas públicas educacionais no Brasil. De um lado, os educadores profissionais (aqueles que vivem da profissão de professor) e de outro os empresários que decidem estudar diretamente a questão educacional ou financiar educadores profissionais para fazê-lo na ótica dos empresários. Não é uma boa classificação, mas é útil para nosso propósito de diferenciar formas de olhar para a educação.

Para a ótica empresarial, a educação é, principalmente, um facilitador dos processos produtivos e um importante mecanismo de garantir que haja uma base alargada de oferta de mão de obra que derrube o salário médio. Já postamos aqui matérias que confirmam a tendência na queda de salário por ampliação de base de formandos tanto no Brasil (IBGE), como nos Estados Unidos (Paul Krugman).

Claro que esta motivação econômica do empresariado associa-se a outras teses honestas, em alguns casos, de se reduzir indicadores educacionais adversos – motivação que faz com que educadores profissionais passem a ver a educação dentro da ótica empresarial.

Qual o risco que corremos se a agenda política educacional brasileira for formulada pelos reformadores empresariais da educação?

Ele é muito claro: na primeira crise econômica, os empresários vão estar mais preocupados em sustentar seus empreendimentos do que continuar se envolvendo com a questão educacional. No momento em que haja uma retração econômica e não haja demanda de crescimento, a educação vai ter que se virar sozinha.

Ou seja, uma grande quantidade de problemas gerados por estas políticas pregadas pelos reformadores empresariais – incluindo a destruição do sistema público de educação – vai cair no colo dos educadores profissionais que é para quem vai sobrar resolvê-los.

Já ví muitos profissionais de outras áreas que se entusiasmaram com a educação “jogarem a toalha” ante a complexidade da implementação de políticas públicas educacionais. Portanto, além do dano que tais ideias vão produzir aos sistemas e seus atores, ainda estaremos mais distante do encaminhamento de soluções para alguns dos problemas educacionais atuais. Mais décadas perdidas se acumularão.

O esgotamento da política pública educacional americana foi cantado em prosa e verso na marcha do dia 30 de julho em Washington (USA) – “Save Our Schools”. Mat Damon, Diane Ravitch, Kozol, entre outros procuraram alertar a sociedade americana. O dano já está feito. Caberá agora aos educadores profissionais catarem os cacos, enquanto os empresarios mudam suas empresas para a China ou qualquer outra parte do mundo à espera do lucro. Como um dos oradores enfatizou, a educação americana não vai bem e a culpa não é dos professores – “it’s the poverty, stupid!” – “é a pobreza, estupido”, dizia um deles dirigindo-se ao Secretário de Educação americano Arnie Duncan. Curiosamente, há 20 anos, os reformadores empresariais americanos justificam suas ideias pregando que elas se destinam a garantir o direito dos pobres a uma boa educação. Mas a conta não fecha.Às vezes, é prudente e útil aprendermos com a experiência dos outros. Décadas de política educacional baseada na agenda dos reformadores empresariais não resultou em melhora da educação americana.

Alguns dizem que ainda vão acertar e que é uma questão de “continuarmos a pesquisar”. Entretanto, quando a pesquisa insistentemente não dá respostas às questões que colocamos para ela, manda o bom senso (e a técnica) que troquemos as perguntas.

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Doutoranda de Harvard defende bônus

Postado originalmente na Uol em 5/08/2011

Escalaram uma doutoranda de Harvard, de passagem pelo Brasil para estudar programas de pagamento por mérito, para defender a continuidade dos bônus em São Paulo. Parece que o programa desperta atenção internacional a ponto de, segundo a articulista, estar sendo estudado pelo Banco Mundial.

Mas a mensagem da Folha é clara. Colocar uma norte-americana para defender a ideia de bônus é emblemático, pois é na América que a ideia está sendo questionada. Portanto, há uma tentativa de se convencer a “patuleia brasileira” com a autoridade de uma norte-americana.

O artigo da Folha (5-08-2011) é ridículo. É o que se chama em ciência de “petição de princípio”. Bônus é bom porque é bom. O estudo da Rand (de desancou Nova York) não é a palavra final. São Paulo tem um programa de bônus mais “consistente” e mais “claro”. A articulista não se obriga sequer a explicar porque é mais consistente e mais claro. Mais ainda, não informaram a nova candidata a pesquisadora em Harvard que, em São Paulo, as notas do SARESP de 2010 despencaram demonstrando, pelo menos, que há mais variáveis em jogo.

Mas tudo isso não conta. Bônus é bom e acabou. O Banco Mundial irá provar isso. Desde quando o Banco Mundial é agência de pesquisa crível? Esquece-se a autora – ou não conhece – que a principal autoridade de seu país de origem – a National Academy of Sciences – colocou sérias restrições ao uso dos programas de bônus. Não sabe, ou oculta, carta de 10 doutores pesquisadores americanos ao Estado de Nova York pedindo para que não se atrele salário de professor a nota de aluno.

É como tenho dito: bônus é uma questão de fé para os reformadores empresariais. Mas fé e ciência não combinam. Mais, não é honesto praticar experimentos sociais com ideias ainda em fase de pesquisa – se acreditam nisso. É uma questão de ética e probidade administrativa.

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Movimento contra testes de alto impacto

Postado originalmente na Uol em 6/08/2011

O quebra-cabeça da avaliação

REVISTA EDUCAÇÃO – EDIÇÃO 172

Manifestações contra testes de alto impacto surgem em diversos países e apontam para a precariedade da apropriação pedagógica dos resultados das provas

Beatriz Rey

Há aproximadamente um ano o noticiário internacional registra manifestações incipientes contra avaliações externas, reproduzidas no meio educacional de diversos países. O panorama é sempre o mesmo: professores, indignados com o peso desse tipo de provas e preocupados com o mau uso feito com os resultados produzidos por elas (como o ranking), resolvem boicotá-las. Na Inglaterra, o boicote contra o Standart Assessment Test (SAT), prova aplicada nos anos finais do ensino fundamental, atingiu um quarto das escolas em maio de 2010. Um mês antes, docentes australianos optaram pelo mesmo tipo de protesto em relação ao Naplan, avaliação nacional. Nos EUA, além de movimentos organizados por pais e educadores nas universidades e na internet, estava programada para acontecer no final de julho em Washington DC, a marcha “Salvem nossas escolas”. Uma das bandeiras era justamente o fim dos chamados “testes de alto impacto”.

Em outubro do ano passado, a onda de insatisfação com o peso das provas chegou ao meio acadêmico brasileiro. Presentes na 33ª reunião da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped), em Caxambu (MG), um grupo de educadores criou o “Movimento Contra Testes de Alto Impacto“, chancelado por 82 educadores conhecidos no país e dois estrangeiros (Almerindo Afonso, de Portugal, e Juan Casassus, do Chile). O movimento pretende, em primeiro lugar, alertar pais, alunos, administradores e o próprio governo de que os chamados “testes de alto impacto” são imprecisos. Além disso, busca discutir a criação de um código de ética para a elaboração, aplicação e utilização dos dados obtidos por processos avaliativos. “Os testes devem ser usados para diagnóstico e para orientar a aprendizagem, não para fazer ranking de alunos e professores”, diz Luiz Carlos de Freitas, da Faculdade de Educação da Unicamp e um dos coordenadores do movimento.

Continue lendo em:

http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/172/artigo234997-1.asp

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Respeito ou medo?

Postado originalmente na Uol em 7/08/2011

Com projetos na gaveta, ministros são anulados por controle total de Dilma

No 8º mês de governo, integrantes do 1º escalão, reservadamente, admitem o desconforto e a preocupação com estilo centralizador da presidente

06 de agosto de 2011 | 17h 17

João Domingos, Vannildo Mendes e Denise Madueño

Ao entrar no oitavo mês de Planalto e já contabilizar três demissões ministeriais de peso, os parlamentares da base aliada e ministros começam e emitir sinais de desconforto com o jeito Dilma Rousseff de governar. Eles temem o confronto com a presidente, não ousam fazer a crítica abertamente, mas têm a mesma queixa: “Dilma amarra os parlamentares e anula os ministros”.

Por trás das decisões rápidas e ríspidas, principalmente depois de demissão de Antonio Palocci da Casa Civil, em junho, os aliados avaliam que “o governo mostra desorientação e pode correr riscos desnecessários”. Os parlamentares dizem que a presidente está mais interessada em “mandar do que governar” e falam em um tom que abre possibilidades para “um troco”. Traduzindo: uma votação que, propositalmente, derrote o Planalto.

Continue lendo em:

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,com-projetos-na-gaveta-ministros-sao-anulados-por-controle-total-de-dilma,755075,0.htm

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Saudades

Postado originalmente na Uol em 7/08/2011

Protesto de estudantes no Chile termina com 874 presos e 90 policiais feridos

Dirigentes estudantis rejeitaram a proposta apresentada pelo governo de melhorar a educação no país

05 de agosto de 2011 | 16h 56

Estadão.edu

Os dirigentes estudantis chilenos confirmaram nesta sexta-feira a rejeição à proposta apresentada pelo governo de melhorias na educação e deram um prazo de seis dias para que fosse elaborado um novo plano “claro” e “sério” em atendimento às principais demandas do movimento. O Ministério da Educação descartou essa possibilidade e disse que enviará o projeto para a apreciação do Congresso.

Ontem, em mais um dia de protestos nas ruas da capital, Santiago, 874 manifestantes foram presos e 90 policiais ficaram feridos, segundo o subsecretário do Interior do Chile, Rodrigo Ubilla. Pela manhã, alunos do ensino médio, universitários e professores ergueram barricadas em 12 pontos da cidade para reivindicar qualidade e gratuidade no ensino chileno.

Continue lendo em:

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,protesto-de-estudantes-no-chile-termina-com-874-presos-e-90-policiais-feridos,754717,0.htm

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Versão moderna do “pão e circo”

Postado originalmente na Uol em 7/08/2011

Várias notícias na Folha de SP de hoje servem de referência para montarmos o quebra cabeça da educação: Qual será a política educacional do governo Dilma?

A primeira notícia dá conta de um Seminário na Secretaria de Assuntos Estratégicos. Diz:

“Possivelmente na eleição de 2014, o número de jovens desse segmento social (nova classe média) formará um eleitorado maior que a soma dos eleitores das classes A e B. Mais informadas e mais participativas, as pessoas que deixaram a pobreza para trás têm, agora, novas e variadas aspirações. Esses milhões de brasileiras e brasileiros demandam mais educação; qualificação profissional; oportunidades de empregos; redução da burocracia que trava, principalmente, os microempreendedores; modernização da legislação trabalhista, mais infraestrutura” (Wellington Moreira Franco, Ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência).

O que se pode notar é o alinhamento da preocupação com as condições de atenção à nova classe média (incluindo educação) e as próximas eleições.

Esta lógica é fortalecida em notícia interna da Folha de SP “Investimento na educação vira prioridade da classe C: Governo Dilma planeja a “segunda geração de políticas sociais”. Diz o Ministro-Chefe “A classe C representa mais da metade da população brasileira, responde por cerca de 47% do consumo do país, metade dos cartões de crédito emitidos, 60% dos acessos à internet, 42% das despesas com educação e quer mais”.

Já comentamos em outras postagens que as corporações estão com investimento produtivo direto atingindo níveis recordes – o maior em 60 anos. E também já sabemos que nossa população está diminuindo e que a valorização desta montanha de dinheiro dependerá cada vez mais de aumento da produtividade, o qual depende de educação.

Acabo de postar, notícia que indica como Dilma centraliza tudo na Presidência da República e paralisa os Ministérios que viram uma extensão da Secretaria da Presidência da República.

Há, aqui, uma confluência de ações e interesses que serão a base da definição da nova política educacional do governo Dilma – e da própria definição do novo Ministro da Educação, cujo perfil Dilma teria adiantado como sendo o de “um técnico”. Creio que ninguém fica surpreso com isso.

O temor é que neste quadro, a tentação das soluções fáceis em política educacional ganhe força: a lógica dos reformadores empresariais.

Juntando as peças, podemos dizer que o cenário para a entrada das teses dos reformadores empresariais está pronto. A inconsistência política do PT e do governo Dilma são um complemento fatal para este cenário. As soluções tenderão a ser na linha da “política de resultados” – resultados de curto prazo. Como sabemos, no Brasil, prazos são definidos pela época das eleições. No caso 2014. O Plano Nacional de Educação 2011-2020 é peça retórica.

Para finalizar, conforme havíamos dito em outras postagens, a posição econômica do Brasil irá atrair populações de outros países vizinhos. Com esta população virão (ou terão aqui) filhos. E estes terão que ir para a escola. Vamos ter, rapidamente, um novo habitante na escola: filhos de migrantes de países vizinhos para quem o português é uma segunda língua. Esses serão os nossos “portuguese learners” – parafraseando os “english learners” americanos (migrantes que enchem escolas nos estados americanos). A escola vai ficar mais complicada ainda. Se por um lado, a população brasileira decresce e temos menos filhos, por outro, a migração vai aumentar e uma nova população vai estar na escola.

Este movimento migratório ocorrerá em faixas onde inexista mão de obra local e, em outras, mesmo existentes, para derrubar a massa salarial média, enquanto (ou em complemento) a política para aumentar o número de formandos nas várias áreas não tem efeito. Esta é a principal preocupação das teses dos reformadores empresariais.

Notícia da Folha de SP diz, hoje, que os “Paraguaios invadem o Bom Retiro”. Segundo a reportagem chegam “dez paraguaios por dia à Grande São Paulo. Eles somam um contingente de 60 mil pessoas. Cerca de 10% tem os documentos em dia”. Ainda segundo a reportagem “quando a situação melhora um pouco, eles abrem seu próprio negócio. Todos que resolvem migrar para o Brasil fazem isso por motivos econômicos”.

Tudo isso põe o PT e o governo Dilma na contingência de uma única ficha: atender à nova classe média para garantir espaço político. Entretanto, sabemos que o capitalismo tem suas contradições. O PT pratica uma política de “tiro único”. Se condições internacionais do capitalismo derrubarem esta nova classe média, não espere o PT que haverá clemência. Serão banidos da política pela mesma e nova classe média. O governo Lula e agora Dilma insistem em não criar âncoras político-ideológicas de sustentação. Não elevam o debate político. De certa forma, é a mesma e velha política do “pão e circo”, agora modernizada, ou como diz o Ministro-Chefe: “a segunda geração de politicas sociais”.

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Ensinamentos de G. Ioschpe

Postado originalmente na Uol em 8/08/2011

1. Segundo Ioschpe, quem discorda é incompetente: “os incompetentes sempre são os que ficam contrariados” diz ele. Eu sempre ouvi dizer o contrário, ultimamente: “toda unanimidade é burra”. Agora fiquei em dúvida…

2. Para o “especialista em educação” da Fundação Ioschpe, as tabuletas do IDEB nas portas das escolas vão produzir uma grande troca de experiência entre as escolas e não a competição. As escolas boas terão muito a ensinar às ruins.

É uma questão de lógica simples: se uma escola descobriu como é que se faz a escola dar certo, é uma questão de contar para as outras. Afinal, as realidades não são diferentes, aluno é aluno em qualquer lugar, os professores são equivalentes. Basta o contato com a “luz” propagada pelas boas escolas e o milagre do crescimento vai se operar. Como ninguém descobriu isso antes?

Isso me lembra muito dos anos 90 quando se começou a estudar as práticas dos “bons professores”. Se descobríssemos como agem os bons, passaríamos tais práticas para os ruins. Não se tem notícias de sucesso nestas pesquisas. Estas políticas públicas de “uma variável só” estão fadadas ao fracasso.

Perguntinha: e precisa da tabuleta para as escolas trocarem experiências? Então, por que elas estão sendo postas? Para gerar “motivação” para conversar com a outra. Então, é indução de competição sim. Mas a pergunta mais relevante é: se não precisariam de tabuleta para conversar, porque não conversam? O que as impede? A falta da tabuleta? Simplismo puro.

No fundo a argumentação de Ioschpe é reprodução da velha ideia fracassada de que a inovação pode ser transplantada.

3. E, finalmente, a última pérola – contra todos os dados disponíveis sobre “estreitamento curricular” na matriz – para ele, a “escola que ensina bem português e matemática, ensina bem o resto”. O bom de você ser articulista da Veja é que você pode falar o que quiser e não precisa demonstrar nada – é o céu.

A Veja, sucursal do Tea Party americano (grupo radical de neocons) abre espaço para G. Ioschpe escrever suas reflexões. E isso é bom porque Ioshpe não é nem educador profissional (é empresário de fato) e nem um técnico em assuntos educacionais. Os técnicos que defendem estas ideias costumam se limitar a questões técnicas e com isso, os aspectos ideológicos ficam ocultos. Com Ioschpe é diferente. Não sendo um educador profissional e nem técnico só lhe resta reproduzir a requentada receita de ideias americanas para a educação, mas o faz tendo que preencher o vácuo com a ideologia que as cerca. Isso deixa o debate mais rico, pois ele revela a visão de mundo que embasa estas ideias. Como se poderia dizer: “o peixe morre pela boca”.

No entanto, esse senso comum desprovido de qualquer fundamentação não deixa de ser assustador – não porque exista – é antigo -, mas porque é levado a sério por muitos – a ponto, como ele mesmo diz, de se “surpreender com a repercussão de suas palavras”.

Mas enfim, melhor ouvir do que ser surdo.

Leia a matéria de Ioschpe em:

http://www.clicrbs.com.br/anoticia/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a3438307.xml&template=4187.dwt&edition=17692&section=887

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Sobre educação e salários altos

Postado originalmente na Uol em 9/08/2011

“Experimentos realizados por economistas, dentre eles Robert Jensen, da Universidade da California, em Los Angeles, mostram que jovens que tiveram acesso a informações sobre o retorno monetário associado à conclusão do ensino médio elevaram suas expectativas de aumento salarial. Em função disso, alargaram sua permanência na escola. Esses resultados indicam que fornecer informações aos jovens e a seus pais sobre os aumentos salariais proporcionados pela educação pode ser uma forma eficaz de elevar a matrícula e as taxas de conclusão desse nível de ensino.”

Fernando Veloso, pesquisador do IBRE/FGV, na Folha de SP de 8-08-2011.

Para os reformadores empresariais, tudo gira em torno de “grana”. Segundo Paul Krugman e os estudos do IBGE no Brasil, já divulgados aqui neste blog, uma pessoa pode, de fato, ter a sorte de aumentar sua renda com estudos superiores, mas a) não há garantia de que todos terão esta sorte; b) a massa salarial média, diminui, mesmo com mais anos de estudos e c) melhor não divulgar a diferença de salário real. Quanto mais gente diplomada, mais oferta, menos salário. Não vamos deixar de formar as pessoas por isso, mas não podemos enganá-las com promessas falsas, até porque formar é mais do que preparar para o trabalho.

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A realidade da escola, por quem a faz – Parte I

Postado originalmente na Uol em 10/08/2011

Costumo brincar com meus alunos de pedagogia que não é necessário nenhuma grande descoberta científica ou grande estudo teórico para se formular política pública. Basta ouvir os professores. Eles, melhor do que ninguém, sabem onde estão os problemas.

Se ouvíssemos os professores, ao invés de darmos ouvidos a economistas com suas políticas de envergonhar a escola e seus profissionais com tabuletas do IDEB, bônus e outras invencionices, estaríamos aplicando melhor nosso tempo e dinheiro.

A fala simplificada e superficial destes “novos teóricos” se desfaz ante o relato daqueles que fazem o dia-a-dia da escola como o professor Mauro Sala.

IDESP, o fenômeno da multi-seriação na escola seriada e a condição do trabalho educativo

Mauro Sala

Professor de Sociologia na Rede Estadual de São Paulo

Este pequeno texto nasceu da nossa vivência prática como professor da rede estadual pública de São Paulo, lecionando Sociologia no Ensino Médio. Ele partiu de uma “percepção” compartilhada por muitos colegas de que o que ensinamos aos alunos – ou a muitos deles – não é entendido. Sempre discutíamos sobre a inadequação de tal ou qual conteúdo, tal ou qual abordagem para certo número de alunos, embora estes frequentassem a mesma sala e estivessem na mesma série escolar. Intuíamos que havia um enorme descompasso nos níveis de aprendizado e de conhecimento em uma mesma sala de aula, o que tornava a aula proveitosa para alguns, mas raramente para todos.

Em uma reunião pedagógica em que tomamos conhecimento dos resultados do IDESP-2010[1] da nossa escola, aquela “percepção” dotou-se de um pouco mais de concretude.

O IDESP, grosso modo, compõe-se de duas variáveis: o desempenho em uma avaliação padronizada (o SARESP) e o fluxo escolar, onde o ideal seria sintetizado pela fórmula de um bom nível de aprendizado em um tempo considerado adequado. O IDESP avalia o 5° e o 9° ano do Ensino Fundamental e o 3° ano do Ensino Médio.

Além do mau resultado geral [2] e do resultado preocupante de nossa escola (que estava abaixo da média estadual), outro dado nos chamou a atenção: a distribuição dos alunos por “nível de desempenho”.

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEE/SP) agrupa os alunos em quatro níveis de desempenho: “abaixo do básico”, “básico”, “adequado” e “avançado”, “definidos a partir das expectativas de aprendizagem da Proposta Pedagógica do Estado de São Paulo”. O “abaixo do básico” é considerado “insuficiente” pela SSE/SP, o “básico” e o “adequado” são considerados “suficientes”.

No caso da nossa escola mais de 35% dos alunos que cursaram o 9° ano do ensino fundamental em 2010 estavam “abaixo do básico” em língua portuguesa, e mais de 40% deles estavam “abaixo do básico” em matemática, sendo que para o 3° ano do Ensino Médio esses valores subiam para 42,2% e 57,7% respectivamente.

É interessante notar que para a SEE/SP o “básico” ainda não é “adequado” embora ela considere “suficiente”. Para a SEE/SP o “básico” não representa mais que um “desenvolvimento parcial dos conteúdos, competências e habilidades requeridos para a série escolar em que se encontram”. Ou seja, os alunos que se encontram no nível “básico” apresentam defasagens em relação ao que é esperado. Assim, quando somamos o percentual de alunos nos níveis “abaixo do básico” e “básico”, atingimos a proporção de mais de 90% dos alunos nessa condição em língua portuguesa e matemática no 9° ano do Ensino Fundamental e percentuais de 76% e 97% para o 3° ano do Ensino Médio, respectivamente para as duas disciplinas. Assim, a grande maioria dos alunos avaliados se concentra nos níveis “abaixo do básico” e “básico”, ou seja, mantêm níveis inadequados de aprendizagem.

Além do mau resultado, os dados disponíveis evidenciam pelo menos mais dois problemas: 1) que grande parte dos alunos não tem o nível de proficiência adequado para as séries que estão cursando, em que pese o ainda alto número de reprovações; e 2) que com o passar da escolarização os alunos tem resultados cada vez piores, aumentando a distância do que se consideraria ideal.

Pensamos que esses dois problemas, quando adequadamente relacionados, vêm a nos colocar uma questão que precisa ser foco de investigação, a saber: qual a relação entre a inadequação dos níveis de proficiência nas séries avaliadas com a diminuição, no passar da escolarização, dos níveis de aprendizagem, forjando no final do processo os resultados insatisfatórios aprese

Nossa hipótese é que se está recriando no interior da escola seriada o fenômeno da multi-seriação, evidentemente com todos os inconvenientes dessa inadequação.

Entendemos como escola multi-seriada a situação em que se reúnem estudantes de várias séries na mesma sala de aula com apenas uma professora que os acompanha em todas as disciplinas. Sabemos os problemas dessa situação, que normalmente se define pela falta: falta de professores, falta de alunos, falta de escolas.

Embora a escola multi-seriada seja uma realidade muitas vezes em si problemática, o foco de nossa preocupação não se dirige diretamente a ela. Aqui estamos preocupados com os problemas causados pela recriação da multi-seriação no interior de uma escola que em sua estrutura e funcionamento é seriada.

(Continua na próxima postagem.)

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A realidade da escola, por quem a faz – Parte II

Postado originalmente na Uol em 10/08/2011

(Continuação da postagem anterior.)

Uma reportagem publicada no jornal “Folha de São Paulo” no dia 21/05/2011 pode nos dar uma dimensão dos desafios que se nos impõe. Segundo ela, a rede estadual paulista “patina em matemática”, pois o “Saresp mostra que alunos do 3° ano do ensino médio têm conhecimento na disciplina adequado a uma criança de 10 anos”. Segundo a reportagem, em 8 de cada 10 escolas estaduais da capital paulista os alunos do 3° ano do ensino médio “não sabem o conteúdo de matemática esperado para a série”, e que o desempenho obtido por eles “equivale ao que é adequado para estudantes do 5° ano do fundamental – ou seja, alunos com 10 anos”.

Assim, em uma sala do 3° ano do Ensino Médio temos alunos com ao menos 7 níveis diferentes de conhecimento em matemática. Dessa forma, nem todos os alunos têm o mesmo pressuposto para conhecer e acompanhar a matéria que o professor busca ensinar, tanto em matemática quanto nas demais disciplinas para as quais a matemática é também um pressuposto básico e fundamental.

Aqui, somam-se às dificuldades inerentes à multi-seriação com as dificuldades dela ocorrer em uma escola cuja estrutura e dinâmica são seriadas. Se na escola multi-seriada típica trata-se de uma professora que acompanha uma sala com alunos de diversas séries diferentes durante todo um período, reconhecendo de antemão essa realidade, aqui dois outros problemas se impõe: primeiro, o não reconhecimento explícito da multi-seriação; segundo, o fato de um professor ter diversas turmas e de uma turma ter diversos professores.

Nas escolas estaduais paulista um professor de Ensino Médio pode ter de 6 à 33 turmas diferentes para uma jornada de 40 horas semanais, dependendo da disciplina que ministra, tendo uma média de 39 alunos matriculados por turma. Soma-se a isso a expectativa do governo em torno da implantação de sua proposta curricular, e a coerção que ela vem exercendo sobre os professores.

Assim, tanto o reconhecimento das especificidades e das deficiências em termos de aprendizagem quanto a liberdade necessária para lidar com elas se tornam muito problemáticas.

Todo ano é entregue para os alunos da rede estadual paulista o material curricular proposto e elaborado pela própria SEE/SP. Assim, por exemplo, é distribuído para os alunos do primeiro ano do Ensino Médio o material didático do primeiro ano do Ensino Médio, assim como para os professores são entregues os respectivos materiais “do professor” para os respectivos anos em que lecionam; o que parece óbvio e razoável. Isso ocorre, ou ao menos se espera que ocorra, para cada uma das disciplinas constantes na grade curricular. Mas fica uma pergunta: se mais de 90% dos alunos que ingressam no Ensino Médio tem níveis inadequados de conhecimento esperado para a série (sendo que de 35% a 40% deles não têm nem o “básico” em português e matemática esperados para a série anterior) como trabalhar com esse material?

Neste cenário, em que grande parte dos alunos não tem os requisitos para “acompanhar a matéria”, surgem os problemas de indisciplina e desinteresse; que nada mais são do que uma variável muito perversa da velha fábula da “raposa e as uvas”.

Assim, o tão propalado discurso dos interesses e necessidades dos alunos assume outra dimensão: o desinteresse surge também como consequência da não aprendizagem, e não apenas como sua causa. Pois, como um aluno pode se interessar por algo que ele não tem condição de entender? Algo que está além da sua zona de desenvolvimento proximal?

Dessa forma, o uso apenas punitivo dos resultados dessas avaliações não está à altura dos desafios pedagógicos que se nos impõem. Usar esses resultados apenas para a distribuição ou não de um “bônus de desempenho” para os professores é a forma que os sucessivos governos tucanos de São Paulo encontraram de culpabilizar os professores pelos resultados gerais da educação estadual pública; como se resultados tão generalizadamente baixos pudessem ser assim individualizados.

Sabemos que a questão não é a falta de empenho dos professores, algo que um incentivo monetário poderia estimular. Para que o entusiasmo dos professores possa realizar-se é necessário um conjunto de condições objetivas que passa pela composição e extensão da jornada de trabalho, pelo número de alunos por turma, pelas condições materiais de infraestrutura da escola, pelas condições materiais pedagógicas da escola (laboratórios, biblioteca, sala para trabalho coletivo, espaço de estudo etc.), o corpo de funcionários para fazer as coisas funcionarem, seu funcionamento democrático…

Para essas questões é necessária uma ação política que, ao mesmo tempo em que transcenda os muros da escola, parta das experiências escolares e se vincule sempre com a necessária construção de uma escola pública, gratuita, e de qualidade socialmente referendada para todos – o que vai além de atingirmos ou não as metas do governo estadual paulista. Mas para isso, precisamos partir daquilo que é essencial e específico da educação escolar: o ensino. Ou seja, temos que lutar para garantir aos professores e a todos os profissionais envolvidos com a educação escolar, as condições de trabalho necessárias para o desempenho do seu trabalho educativo, bem como garantir aos estudantes as condições materiais e objetivas para sua aprendizagem.

Hoje, para um conjunto de vinte aulas semanais, um professor da rede pública paulista recebe duas horas para preparo, reflexão, correção de suas aulas e das atividades dos alunos, independentemente do número de salas e de séries distintas para as quais ensina. Assim, um bom começo seria a aplicação imediata e integral da lei do piso para os profissionais do magistério, garantindo que ao menos 1/3 da nossa jornada pudesse ser cumprida em atividades de preparo e reflexão de nossas aulas, o que diminuiria o número de aulas semanais de cada professor, podendo assim diminuir o número de turmas para as quais lecionamos, ainda mais tendo em vista a necessidade de se “adequar” nossa atividade à realidade multi-seriada de nossas escolas públicas seriadas. Mas isso o governo tucano do estado de São Paulo parece não querer ver…

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[1] Índice de Desenvolvimento da Educação Básica de São Paulo. Os resultados, bem como a “nota técnica” sobre o IDESP, podem ser consultados em www.educacao.sp.gov.br .

[2] O IDESP da rede estadual do 5°ano do Ensino Fundamental obteve 3,96; do 9° ano do ensino Fundamental, 2,52; e do 3°ano do Ensino Médio, 1,81.

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Contra a privatização da educação

Postado originalmente na Uol em 11/08/2011

A marcha no Chile contra a privatização do ensino teve apoio dos estudantes chilenos que vivem e estudam em Buenos Aires. Eles contam porque estão estudando em Buenos Aires e não no Chile.

O modelo chileno é precursor das propostas dos reformadores empresariais brasileiros e vive sendo citado como exemplo por aqui.

Na Argentina, estudantes marcham em apoio a protestos no Chile

Portal Terra Educação, 10/08/2011

Estudantes chilenos que vivem na Argentina saíram às ruas de Buenos Aires em apoio ao protesto de seus compatriotas e pediram mudanças no sistema educacional do Chile. Centenas de jovens, autodenominados “estudantes chilenos exilados pela educação de mercado”, marcharam do Obelisco até a sede do consulado chileno, aos gritos de “e vai cair, e vai cair, a educação de Pinochet”, em referência ao modelo implantado durante o governo do ditador Augusto Pinochet (1973-1990). As informações são da agência Ansa.

Continue lendo em:

http://noticias.terra.com.br/educacao/na-argentina-estudantes-marcham-em-apoio-a-protestos-no-chile,50cbb048a67ea310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

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Juventude chilena briga por ensino público

Postado originalmente na Uol em 14/08/2011

Governo chileno pede à população que ‘cuide do país’

Líder dos estudantes que protestam disse que governo deveria cuidar ‘assegurando educação pública’

12 de agosto de 2011 | 15h 09

O governo do Chile pediu nesta sexta-feira, 12, para a população “cuidar do país”, em meio a mobilizações de estudantes que pedem uma reforma no sistema educacional.

“Aos dirigentes universitários, como governo, solicitamos que aceitem as regras do jogo democrático. A democracia não se constrói com imposições nas ruas, mas com acordos e diálogos em nossas instituições democráticas, isso é o que o Chile precisa hoje”, disse o porta-voz Andrés Chadwick, após uma reunião convocada pelo presidente Sebastián Piñera.

Continue lendo em:

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,governo-chileno-pede-a-populacao-que-cuide-do-pais,757757,0.htm

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Seminário na Unicamp pede cautela

Postado originalmente na Uol em 16/08/2011

Seminário sobre avaliação e política públicas na Unicamp recomenda cautela com as políticas de meritocracia e sugere que as propostas de accountability (prestação de contas) em educação tenham seu foco no conjunto dos atores responsáveis pela qualidade da educação (incluindo os governos) e não apenas seja centrada na figura do professor.

Segundo os participantes, as políticas de meritocracia não têm demonstrado efetividade e, ao contrário do que se pensa, podem ter efeitos perversos na naturalização e legitimação das desigualdades sociais.

Redes pouco estruturadas podem até beneficiar-se em um primeiro momento, mas tais fórmulas estabilizam-se e deixar de surtir efeito no momento seguinte. No caso de redes mais estruturadas os efeitos não são alentadores.

Esta posição também está de acordo com recente relatório produzido nos Estados Unidos pela National Academy of Sciences, o qual pede cautela no uso destas propostas.

Participaram deste seminário Luiz Enrique Aguilar, Maurício Ernica, Luiz Carlos de Freitas, Mara Regina Lemes de Sordi, Maria Marcia Malavasi, Romualdo Portela de Oliveira, Thereza Adrião, Regiane H. Bertagna, Menga Ludke, Sandra Zakia, Claudia Fernandes além de duas pesquisadoras portuguesas Manuela Terraseca e Maria Eugénia Ferrão. O seminário que teve início hoje prossegue até quinta feira, quando examina formas alternativas de promoção de responsabilização participativa.

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Modelos instáveis

Postado originalmente na Uol em 19/08/2011

No último dia do Seminário sobre Avaliação e Políticas Educacionais ocorrido entre os dias 16 e 18 de agosto, a pesquisadora portuguesa Maria Eugénia Ferrão, especialista em modelos para cálculo de valor agregado, afirmou hoje em WorkShop na UNICAMP que os vários modelos usados mundialmente neste cálculo apresentam estabilidade precária quando executados com dados obtidos em períodos anuais e que sua estabilidade é apenas melhor com dados superiores a três anos ou mais. Como estes modelos são usados nos cálculos anuais de definição de pagamento de bônus e outros processos de associação do rendimento do aluno a incentivos dados ao professor, a afirmação põe em dúvida a capacidade destes modelos para definição de incentivos financeiros dados ao professor.

A posição da investigadora vem confirmar a cautela indicada recentemente pela National Academy of Sciences americana que também questionou o uso indiscriminado destas técnicas como base para a meritocracia – distribuição de prêmios e sanções a professores. Além dos problemas de estabilidade dos modelos, a NAS indicou ainda que não há evidências consistentes de obtenção de melhorias no rendimento do aluno a partir de sua associação com técnicas de incentivos financeiros.

Considerando que no Brasil, impulsionados inclusive pela midia apressada, cerca de 17 estados estão pensando em fazer uso de meritocracia, esta informação é de grande valia para o cenário nacional.

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Confiar na escola

Postado originalmente na Uol em 19/08/2011

Em seminário sobre Avaliação e Políticas Educacionais ocorrido entre os dias 16 e 18 último, os pesquisadores Romualdo de Oliveira Portela, Luiz Carlos de Freitas e Manuela Terraseca, especialista em avaliação qualitativa em Portugal, examinaram a experiência da Prefeitura Municipal de Campinas de desenvolver nos últimos anos um processo alternativo de avaliação institucional que aposta na organização e mobilização da escola como forma de produzir melhorias nos processos educativos das escolas de ensino fundamental do município.

Para Romualdo Portela de Oliveira, pesquisador da USP, é fundamental que enfrentemos o debate da qualidade da educação e da criação de seus índices. Um mau indicador, como o IDEB, pode causar mais danos do que bem aos processo de melhoria da escola. O pesquisador ainda contextualizou as novas demandas feitas à política educacional e ao ensino público a partir da nova configuração do cenário econômico e social brasileiro.

Para Luiz Carlos de Freitas, da UNICAMP, é fundamental que a parte mais comprometida do serviço público envolva-se com estratégias de geração de modelos alternativos de avaliação, de forma a construir processos que valorizem a escola e seus profissionais, como acontece na rede municipal de Campinas. O pesquisador afirmou ainda que a estratégia mais eficaz e que pode gerar resultados de melhoria duradouros consiste em mobilizar a escola localmente para a apropriação dos seus problemas, demandando de si mesma e do poder público. Para ele só há um caminho: confiar na escola e e em seus profissionais. As demais estratégias de pressão em uso estão condenadas ao fracasso por não apostarem na organização local da comunidade escolar, o que impede o consumo dos resultados da avaliação externa em processos internos de auto-avaliação vitais para sua melhoria.

Manuela Terraseca passou revista às estratégias que foram relatadas por 11 escolas da rede municipal de Campinas que apresentaram suas estratégias de organização para produção da melhoria e destacou a necessidade da construção coletiva da qualidade da escola, contrapondo-se às estratégias de obtenção de qualidade baseadas em pressão e em meritocracia.

Durante todo o dia, alunos, professores, funcionários e especialistas das escolas municipais lotaram as dependências da UNISAL em Campinas numa demonstração ímpar que atesta as possibilidades promissoras de um enfoque participativo de construção da melhoria da escola.

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Já é alguma coisa…

Postado originalmente na Uol em 19/08/2011

Inep vai mudar divulgação do Enem por escola para evitar ranking

Rafael Targino

Em São Paulo 18/08/2011 – 20h14

A presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), Malvina Tuttman, disse nesta quinta-feira (18) que o resultado do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) por escola será divulgado de forma proporcional aos alunos participantes de cada unidade. Com isso, o órgão quer evitar o rankeamento das escolas. No entanto, Malvina não deu detalhes de como será a divulgação, prevista para setembro.

Leia em: http://noticias.uol.com.br/educacao/2011/08/18/inep-vai-mudar-divulgacao-do-enem-por-escola-para-evitar-ranking.jhtm

Já é alguma coisa, mas os principais problemas do ENEM estão ligados a outros aspectos: sua capacidade de dar conta de avaliar o conteúdo do ensino médio, ausência de divulgação de medidas de confiabilidade das provas, estreitamento curricular que gera no ensino médio, entre outros. A proteção dada agora às escolas precisa ser estendida aos alunos. Mais preocupante do que o rankeamento das escolas é o ranking que atinge os alunos, em provas cuja “saúde” ignoramos.

Há ainda o fato de que, mesmo que o INEP não produza o seu próprio rankeamento, a imprensa continuará a produzir suas próprias listas ordenadas se as bases de dados forem disponibilizadas a ela. Isso pode ser uma medida que apenas livre o MEC do desconforto e da responsabilidade pelo rankeamento, terceirizando a produção dos rankings.

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Gestão por OS

Postado originalmente na Uol em 20/08/2011

Instituições científicas públicas aderem ao modelo de organização social

20 de agosto de 2011 | 0h 00

Notícia do Estado de São Paulo

A gestão de serviços públicos por organizações sociais (OSs) – modelo mais difundido e polêmico na área da saúde – também está presente em cinco importantes instituições federais de ciência e tecnologia no País.

Segundo o ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante (PT), a experiência com as OSs no âmbito de ciência e tecnologia “deu certo e os resultados são muito positivos”. Contudo, não há previsão para adotar o modelo em outras instituições enquanto persistir a “insegurança jurídica”, afirma Mercadante.

Continue lendo em:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,instituicoes-cientificas-publicas-aderem-ao-modelo-de-organizacao-social,761161,0.htm

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Alerta na matriz

Postado originalmente na Uol em 24/08/2011

O prefeito de Nova York, Bloomberg, dá entrevista sobre o fracasso do bônus para professores no sistema educacional de sua cidade.

Para ele, fazer experimentos com redes inteiras não apresenta nenhum problema ético, apesar de reconhecer, pelo menos, que esteve a desperdiçar dinheiro público.

“O prefeito [de Nova York] argumentou que há apenas uma maneira de se saber se novas abordagens funcionam – e esta é experimentá-las.

“Eu acho que deveríamos ter orgulho disso – do fato de que temos a coragem de sentar-se lá e dizer que achávamos que era uma boa ideia [pagar bônus aos professores], não funcionou e estamos parando-a”, disse ele. “Nós não vamos desperdiçar o dinheiro público.”

Leia mais aqui.

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PNE: melhor não correr riscos, diz a Folha

Postado originalmente na Uol em 25/08/2011

Quando o PNE do governo foi divulgado e fizemos nossas primeiras análises sobre ele, dissemos que a reação dos setores empresariais e conservadores a ele tinha sido favorável. Comentamos aqui que, nós que votamos em Dilma, estávamos insatisfeitos, mas que, a oposição a Dilma, estava contente com o PNE.

A Folha de São Paulo, expressão do empresariado paulista e de forças conservadoras, tem em seu editorial do dia 22 passado, uma posição que justifica esta nossa preocupação. Ocorre que a Folha critica as 3000 emendas e recomenda que o PNE do governo seja aprovado pelo Congresso com mínimas mudanças.

Nós, entretanto, que votamos em Dilma, continuamos insatisfeitos. Eles que não votaram em Dilma, estão satisfeitos.

Isto tem que significar algo.

Na minha opinião, o PNE como ele está, é importante para o empresariado porque ele não impede nenhuma das suas propostas que avançam ao nível estadual e municipal. Isso é melhor do que correr o risco de se emendar o projeto e ele passar a impedir o avanço dos seus projetos.

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Vende-se

Postado originalmente na Uol em 26/08/2011

É interessante observar como certas ideias vão se formando.

Primeiro, veio o desejo de se colocar na porta da escola o seu IDEB de forma a informar a comunidade que sua escola é boa ou é má. Em seguida, apareceu uma discussão sobre o efeito no moral do aluno, ou seja, o fato dele ir todo dia para sua escola sabendo que ela não é uma boa escola. Foram divulgadas pela imprensa entrevistas com alunos dizendo que eles gostariam que houvesse a placa somente se a escola fosse boa.

Ao invés de se ver nisso efeitos deletérios para alunos, profissionais da educação e para a própria comunidade, a insanidade prossegue e dá um passo mais. Agora, a argumentação é que para se evitar tal efeito no moral do aluno, então o aluno deveria poder escolher a escola em que quer estudar.

Eis aí, a verdadeira intenção das placas nas portas da escola. Introduzir a ideia americana da “choise”, a escolha. Nos Estados Unidos, programas de vouchers permitem que os pais escolham em qual escola os filhos vão estudar (ou seja, as de IDEB alto, por exemplo) e o dinheiro é dado ao pai, na forma de um cheque escola. O pai leva o cheque para a escola que ele quiser.

As escolas que não são consideradas boas são privatizadas na forma de “contrato de gestão” ou fechadas – o que aumenta a demanda sobre as escolas privatizadas e o seu faturamento.

A ideia da escolha, segundo pesquisas que já divulgamos aqui, não melhorou a educação americana que continua empacada na média do PISA há dez anos, mas abriu um mercado fantástico para a iniciativa privada.

Por isso, no Brasil, são os setores empresariais (Ioschpe) e as forças conservadores mercantilistas (Ronaldo Caiado) que defendem fervorosamente as placas nas portas das escolas. As placas são a antecipação do mercantilismo educacional. As placas do IDEB podem ser lidas como um anúncio de “vende-se” para a escola pública. Este é o verdadeiro significado das placas de Gustavo Ioschpe.

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Abrinq reage, entidades educacionais continuam caladas

Postado originalmente na Uol em 28/08/2011

Coube à Abrinq romper o silencio em um exemplo do que deveriam estar fazendo as entidades da área educacional e sindical. Se há argumentos de legalidade quanto ao constrangimento que as placas do IDEB na escola podem causar aos jovens, há muito mais razões educacionais para sermos contra a medida. É hora das entidades educacionais se manifestarem. O eixo Ronaldo Caiado/Gustavo Ioschpe precisa ser enfrentado.

A Fundação Abrinq – criada no ano de promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) – divulgou nota em alerta em que alerta aos governos para a inconstitucionalidade do Ideb na porta da escola. A ONG fará campanha contra proposta em estudo na Câmara dos deputados e já em vigor em algumas cidades de colocar uma placa na porta da escola expondo o resultado da unidade na avaliação.

Continue lendo em:

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/fundacao+abrinq+fara+campanha+contra+ideb+na+porta+da+escola/n1597177474170.html
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Movimento Direitos Humanos contra placa do IDEB

Postado originalmente na Uol em 29/08/2011

Promotoria da Infância é acionada contra Ideb na porta da escola

Após especialistas afirmarem ao iG que medida é inconstitucional, ONG pede revisão da medida no Rio de Janeiro

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo | 24/08/2011

O Movimento Nacional de Direitos Humanos entrega nesta quarta-feira à Promotoria da Infância e da Juventude no Rio de Janeiro denúncia contra o decreto municipal que obriga escolas a colocar placa com o resultado do Índice da Educação Básica (Ideb) na porta da unidade. A representação explicita que o decreto fere a Constituição e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), conforme especialistas adiantaram ao iG na terça-feira.

De acordo com o documento, o decreto do prefeito Eduardo Paes (PMDB) – que tem o mesmo teor de outro estudado na Câmara dos Deputados para se tornar lei federal – expõe os estudantes que só podem contar com a educação pública, sendo obrigados a, além de não contar com boa qualidade, passar por constrangimento, imposto pelo poder público.

Continue lendo em:

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/promotoria+da+infancia+e+acionada+contra+ideb+na+porta+da+escola/n1597174382864.html
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Clovis Rossi: quando o jornalismo supera os ‘cientistas’

Postado originalmente na Uol em 31/08/2011

O jornalismo de Clovis Rossi mostra hoje na Folha de SP (30-9-2011) como ele pode ser mais objetivo e analítico do que os empresários metidos a “especialistas em educação” que desfilam na mesma Folha de SP – ou no Estadão, se preferirem.

Clovis faz hoje em poucas linhas um diagnóstico do Chile (e do Brasil) brilhante. Objetivo, sem tentar fazer do Chile modelo para o Brasil que justifique a introdução da lógica dos negócios na educação, ele faz afirmações como:

“1. O chileno (sistema educacional), ao contrário do acomodado brasileiro, é um bicho afeito à mobilização desde sempre. 2. O sistema educacional chileno nem é público nem é gratuito nem é de qualidade. O Chile, como o Brasil, resolveu o problema da quantidade (conseguiu universalizar o acesso ao ensino básico), mas não o da qualidade: 40% dos alunos deixam o ensino fundamental sem entender o que leem (como no Brasil).”

Uma pancada e tanto nos reformadores empresariais brasileiros que divulgam o “modelo chileno” de responsabilização e privatização.

Para os defensores do ensino superior pago, no Brasil, também sobra:

“Consequência inescapável: 70% dos estudantes (chilenos) estão endividados e 65% dos mais pobres interrompem os estudos sufocados por problemas financeiros insuperáveis”.

Aliás, esta situação também se encontra na matriz, os Estados Unidos, de onde este modelo foi copiado.

Claro e límpido.

Leia matéria completa em:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft3008201111.htm

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INEP não apoia placa com Ideb

Postado originalmente na Uol em 31/08/2011

Presidenta do INEP dá entrevista e não apoia as placas com o Ideb. O INEP tem dado indicações de que não vai impulsionar a política de ranqueamentos. Isso é muito positivo. De especial importância é o reconhecimento de que o IDEB é um recorte da escola e não sua avaliação cabal, como querem Gustavo Ioschpe e Ronaldo Caiado.

No entanto, este órgão não dá mostras de que vai refrear sua política de implementar mais avaliações. Vem aí o Exame Nacional do Professor e a prova de alfabetização aos 8 anos.

“O Ideb não deve ser um rótulo na escola”, diz presidenta do Inep

Prestes a passar por seu primeiro Enem a frente do órgão de avaliação do MEC, Malvina Tuttman, fala sobre o exame, o Ideb e a avaliação para professores

Cinthia Rodrigues, enviada a São João da Mata (BA) | 31/08/2011 06:30

A presidenta do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep), Malvina Tuttman, disse que a prova para ingresso de professores na carreira, que começa a ser aplicada no ano que vem, buscará apaixonados pela profissão. Ela mesma se declara uma. Em palestra no 4º Fórum Nacional da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), disse às 905 secretárias presentes que aceitou o convite para o atual cargo quando o ministro da Educação, Fernando Haddad, disse que queria uma professora a frente do órgão.

Continue lendo em:

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/o+ideb+nao+deve+ser+um+rotulo+na+escola+diz+presidenta+do+inep/n1597186437567.html
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Rothstein destrói as teses dos reformadores

Postado originalmente na Uol em 2/09/2011

Em uma revisão do livro de Steven Brill (Luta de Classe: por dentro da luta para consertar as escolas da América. NY: Simon & Schuster, 2011), do mesmo autor do documentário Waiting for Superman que circula nas redes de ensino do Brasil fazendo propaganda das teses dos reformadores empresariais da educação, Rothstein destrói as receitas comumente divulgadas pelos reformadores na mídia (valendo para o Brasil). Queixa-se, com razão, das afirmações vazias e sem dados dos reformadores, o que os torna mais “cruzados” do que cientistas.

Richard Rothstein é pesquisador associado do Instituto de Política Económica – USA. De 1999 a 2002 ele foi o colunista de educação nacional do The New York Times. Ele é o autor de Grading Education: Getting Accountability Right (Teachers College Press and EPI, 2008), e Class and Schools: Using Social, Economic and Educational Reform to Close the Black-White Achievement Gap (Teachers College Press 2004). Ele também é autor de The Way We Were? Myths and Realities of America’s Student Achievement (1998). Outros livros recentes incluem The Charter School Dust-Up: Examining the Evidence on Enrollment and Achievement (co-authored in 2005);e All Else Equal. Are Public and Private Schools Different? (co-authored in 2003).

Como o livro de Brill certamente chegará por aqui, a exemplo de Waiting for Superman, é bom estar informado antes.

Avaliando os Reformadores da Educação:

Steven Brill torna a viagem muito fácil para eles

Richard Rothstein

Instituto de Política Econômica

Se você viu o documentário Esperando pelo “super homem”, um conto de Steven Brill, Luta de Classe (Class Warfare) será familiar. O fundador da Court TV oferece outra polêmica contra os sindicatos de professores e um hino aos auto-intitulados “reformadores da educação.” Mas, mesmo para aqueles que acompanham a política da educação, ele oferece uma leitura de abrir os olhos e que não deve ser desperdiçada. Onde o filme evoca vítimas valentes travando uma batalha árdua contra um gigante ossificado, o livro de Brill expõe vivamente o que os críticos dos reformadores já suspeitavam mas nunca antes puderam provar: o quão estreitos, coordenados, bem relacionados e bem financiados são os reformadores.

Luta de Classe revela os seus francos esforços para suprimir qualquer evidência que possa contestar a sua missão de minar a estima que a maioria dos americanos têm pelas suas escolas públicas e professores. Agora estes cruzados são a autoridade, tão arrogantes como os que os precederam. Os heróis de Brill compõem uma galeria de alto perfil. Eles são críticos das escolas públicas como Joel Klein e Michelle Rhee ex-secretários de educação de Nova York e Washington, D. C. Eles também incluem operadores de Escolas Charter [administradores de escolas públicas por contrato de gestão] como David Levin (KIPP) e Eva Moskowitz (Harlem Success Academies), como também recrutadores alternativos de professores e diretores como Wendy Kopp (Teach for America) e Jon Schnur (New Leaders for New Schools).

Continue lendo em (inglês):

 http://nepc.colorado.edu/education-review

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