Escola é empresa?

Postado originalmente na Uol em 29/09/2011

O raciocínio dos reformadores empresariais está baseado na fé que têm na transferência dos procedimentos da iniciativa privada para o campo da educação. A educação como negócio. Como se trata de fé, não é racional nem depende de evidência empírica.

Cercada de meias verdades e bravatas, a arrogância de quem tem acesso fácil à imprensa para dizer aquilo que ela quer sem ter que demonstrar nada, está expressa na frase que segue:

“É irrelevante perder tempo indagando se a escola tem “produto”, se ensino é “mercadoria”, se “produtivismo” é neoliberal e outras fantasias do mesmo naipe. Importa reter que instituições das mais variadas naturezas e índoles têm muito em comum e que há boas regras e ferramentas que servem para todas. Como o setor produtivo se antecipou aos outros, há excelentes razões para aprender como ele. Com efeito, quem entendeu isso está ganhando qualidade. “

Pronto, está decretada a verdade – faltou combinar com os fatos…

Leia abaixo o texto.

Escola é empresa?

Com dedo em riste nos dizem: “Escola não é empresa”, “educação não é produto”, “avaliação é neoliberal”, e por aí afora. Passemos ao largo desses soluços semânticos

CLAUDIO DE MOURA CASTRO

ECONOMISTA, ESPECIALISTA EM EDUCAÇÃO

http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,escola-e-empresa-imp-,778472

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Mito e realidade na Folha

Postado originalmente na Uol em 30/09/2011

A vantagem de você ser dono de um jornal como a Folha é que você fala o que quer e não precisa demonstrar nada. Não é ciência, como já disse. É fé em uma ideologia. Hoje a Folha reage à discussão em curso na Rede de Ensino de SP que pode levar a diminuição de aulas em português e matemática e à criação de módulos de terminalidade diferenciados no ensino médio.

O mito, defendido pela Folha, é que o aluno que não sabe português e matemática, não tem condições de aprender as outras disciplinas. Logo, o principal a ser ensinado é o conteúdo de português e matemática. A Folha afirma e não precisa demonstrar. Ora, estamos falando do último ano do ensino médio. O aluno teve todos os anos anteriores para aprender estas duas disciplinas com o peso que a Folha quer. Mas é o mito. É tabu aceitar diminuir o peso curricular destas disciplinas mesmo que seja no último ano do ensino médio. E como a imprensa não tem que demonstrar nada, passa por sábia.

Não há nada que possa ser usado pela Folha como evidência empírica de sua afirmação, mas ela não precisa, é questão de fé… e de ideologia. A reforma educacional chinesa há alguns anos diminuiu o número de horas de aula de matemática no currículo. Isso não prejudicou Shangai que é campeão no PISA. E lá não foi só no último ano.

Ao final de seu editorial (note a importância concedida ao tema) vem a real razão do incômodo da Folha. Termina dizendo: “Menos “sociologia” e “filosofia”.”(Assim entre aspas.) “Mais matemática e português.” (Assim sem aspas.)

A principal razão é esta: vai que a moçada começa a pensar…

A realidade. Outra observação feita no editorial revela também o corte ideológico da Folha: ela apoia os módulos variados de terminalidade pois o ensino médio “deixa de atender às demandas profissionais de jovens que querem trabalhar no final da adolescência – o que estimula a evasão escolar.”

Que todos não precisem ir para a universidade é uma verdade, mas que somente a camada social mais pobre seja direcionada para a terminalidade profissionalizante e as outras mais privilegiadas sejam dirigidas às universidades, é discriminação social da grossa.

De fato, o que a Folha propõe é que todos devem aprender português e matemática para que possam ir bem no PISA e atender às demandas dos reformadores empresariais da educação. E que o ensino médio continue sendo dual, em base à origem social, novamente, para alimentar os interesses empresariais de mão de obra barata. É a agenda internacional. É a mesma solução que os conservadores ingleses da Thatcher, agora de volta ao poder, estão fazendo na Inglaterra com o chamado bacharelado inglês.

OS: Os reformadores empresariais da educação continuam fingindo-se de mortos em relação ao jovem que se suicidou na escola de maior IDEB do Estado de SP. Para eles é caso de polícia e não um problema educacional.

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É preciso mais…

Postado originalmente na Uol em 3/10/2011

No texto abaixo, José Francisco Soares faz a crítica de se incorporar o IDEB na lei que trata do PNE, ou seja, no Plano Nacional de Educação proposto pelo MEC. As razões que ele aponta são reais. Ele examina as fragilidades do IDEB enquanto seu potencial para orientar políticas públicas e para captar a realidade da escola. É um importante documento ao revelar os limites não só do IDEB, mas, a meu ver, dos próprios modelos estatísticos. Mas, note-se bem: ele é a favor de uma outra medida apenas e não coloca em questão o paradigma em que tais medidas se desenvolvem. Apenas acha o IDEB inadequado tecnicamente.

Apesar de estar de acordo com Soares nestas limitações do IDEB e não desejar a eliminação de toda e qualquer forma de captar a realidade das redes (e não de escolas específicas) para orientar política pública, meu questionamento dirige-se ao paradigma em que tais medidas (boas ou más) são usadas – vale dizer – à importação da lógica dos negócios para o campo da educação (teste seguido de premiação e punição como forma de controle da escola).

Neste ponto, o autor fica nos devendo uma crítica mais ampla já que é o paradigma que exacerba os limites da própria estatística. É preciso libertar a estatística (e o campo da avaliação) da lógica de mercado, para poder devolver os indicadores de avaliação ao lugar adequado – como diagnóstico. Não há que se esquecer que o IDEB foi inspirado na lógica da lei de responsabilidade educacional americana No Child Left Behind, que destruiu o sistema educacional público americano. Se o campo da estatística se aliar acriticamente à lógica de mercado, ele estará criando as bases para seu isolamento na área da educação.

IDEB na lei?

José Francisco Soares

GAME- FAE- UFMG

A proposta do Plano Nacional de Educação enviada pelo Poder Executivo para análise pela Câmara dos Deputados, projetos de lei de iniciativa de deputados, colunas em revista e editoriais de jornais defenderam, nas últimas semanas, a inserção do IDEB em leis educacionais. Se esta idéia for vitoriosa, o IDEB será alçado à condição de síntese oficial da qualidade da educação básica no Brasil. Naturalmente, nessa situação, os sistemas e as escolas buscarão usar políticas e práticas que aumentem o valor desse indicador, tornando este índice a bússola da educação básica brasileira. Antes de tudo isso ocorrer, é razoável que o IDEB passe por escrutínio público e técnico. Este texto pretende contribuir para esse necessário debate.

A necessária explicitação das limitações do IDEB deve, entretanto, iniciar-se reconhecendo sua fundamental contribuição para a promoção da qualidade da educação básica no Brasil. Foi sua criação que trouxe para o debate educacional a idéia de que o aprendizado dos alunos e seu fluxo entre as várias etapas da educação básica é, hoje, a mais clara expressão do direito constitucional à educação.

Continue lendo em:

http://www.fae.ufmg.br/

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Testes, fraude e corrupção educacional

Postado originalmente na Uol em 4/10/2011

Testes, fraude e corrupção educacional

FairTest – National Center for Testing Fair & Open

“Quanto mais qualquer indicador social quantitativo é utilizado para a tomada de decisões sociais, mais sujeito estará às pressões de corrupção e mais apto estará a distorcer e corromper os processos sociais que se pretende monitorar. . . quando os resultados dos testes se tornam o objetivo do processo de ensino, ambos perdem o seu valor como indicadores de status educacional e distorcem o processo educacional de maneira indesejável. “

Lei de Campbell, 1976

Apagar os erros e preencher com as respostas corretas o teste é apenas uma das muitas maneiras de “enganar” em testes padronizados. Os escândalos, em Atlanta, Baltimore, Washington DC, Pensilvânia, Nova Jersey e muitas outras jurisdições são a ponta do iceberg. Em todo o país, as estratégias que aumentam a pontuação, sem a melhoria da aprendizagem, incluindo estreitar o ensino para o teste e expulsar alunos com pontuação baixa, estão se espalhando rapidamente. A corrupção generalizada que prejudica a qualidade do ensino é uma conseqüência inevitável do uso excessivo e abusivo de testes de alto impacto, como Donald Campbell previu.

Continue lendo em (inglês):

http://fairtest.org/sites/default/files/Cheating_Fact_Sheet_8-17-11.pdf

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Lei de Responsabilidade Educacional

Postado originalmente na Uol em 10/10/2011

Lei de responsabilidade educacional?

Por Luiz Carlos de Freitas

10/10/2011

Nada parece mais razoável do que ter uma lei que responsabilize gestores pelo não cumprimento do desenvolvimento da educação de um povo. A educação é um direito e um bem público, deve ser organizada pelo Estado e, portanto, quem não o faz prejudica gerações inteiras e deve pagar por isso. De certa forma, está 400 anos atrasada. As camadas populares foram, historicamente, as mais prejudicadas nesse processo, quando o desenvolvimento econômico não necessitava de um nível de qualidade educacional maior. Agora, que se impõe o acesso à educação básica como forma de aumentar a produtividade e o consumo, os empresários e seus reformadores educacionais não saem da mídia argumentando a favor da qualidade da educação. Mas qual qualidade?

Ninguém discorda da ideia de que o poder público tenha que se responsabilizar pela educação. É um direito. Mas a maneira de se “garantir” esse direito concedido historicamente a conta-gotas e suas consequências precisam ser devidamente consideradas. Não são poucos os relatos indicando que as atuais reformas educacionais empresariais em aplicação pelo mundo tenham gerado mais segregação e desigualdade acadêmica do que a “cantada” equidade (Ravitch, 2010). Se, honestamente, o que se quer é garantir o direito à educação, tais evidências não podem ser desconsideradas.

A qualquer crítica de suas teses de responsabilização, os reformadores empresariais da educação reagem contrapondo a ela a desresponsabilização, a qual seria defendida por aqueles que não querem sua solução. Não é o caso. A questão é que por trás desta simples dicotomia existem outros problemas que estão encobertos.

A ideia de responsabilizar os gestores educacionais pela qualidade da educação vem de longa data, mas no Brasil, em termos legais, começa a ganhar forma nesta década. Vários projetos de lei foram produzidos e se encontram em tramitação no Congresso Nacional tentando criar a base legal para a responsabilização. Recentemente, foram reunidos em um só e, atualmente, o projeto carro-chefe ao qual se encontram apensadas a maioria das iniciativas é o PL 7420/2006 de autoria da deputada Raquel Teixeira, do PSDB.

Continue lendo este artigo em:

http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=71&id=889

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Entrevista

Postado originalmente na Uol em 12/10/2011

 Após visita a campeões do Pisa, educadora minimiza ranking

Presidente da Comunidade Educativa participou de documentário do Canal Futura e questiona comparação de resultados educacionais

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo | 12/10/2011 07:00

Após visita a campeões do Pisa, educadora minimiza rankingPresidente da Comunidade Educativa participou de documentário do Canal Futura e questiona comparação de resultados educacionais. No final do ano passado, a Organização para Cooperação dos Países Desenvolvidos (OCDE) divulgou a quarta edição de seu Programa de Avaliação Internacional de Estudantes, o Pisa. O Brasil melhorou pouco e continuou entre as 12 últimas posições no ranking de 65 países. Do outro lado do mundo, a cidade chinesa de Xangai e a Coréia do Sul figuraram entre os primeiros colocados ao lado da sempre exemplar Finlândia. Na América Latina, o primeiro lugar é do agora conturbado sistema educacional chileno. O que leva estes países a estas posições?

A presidente da Comunidade Educativa, Beatriz Cardoso, é uma das brasileiras que melhor pode responder a esta pergunta. Ela passou dez dias em cada um destes países para colaborar com a série especial “Destino: Educação”, que estreia na próxima segunda-feira no Canal Futura em parceria com o Sesi e vai ter também um capítulo sobre o Canadá e outro sobre o Brasil.

Continue lendo em:

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/apos-visita-a-campeoes-do-pisa-educadora-minimiza-ranking/n1597268216936.html

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Teach For All na América Latina

Postado originalmente na Uol em 16/10/2011

 DHL Chile e Fundação Ensina Chile realizam importante aliança para melhorar a equidade na educação

28/12/2010

Chile é o primeiro país em Latinoamérica onde se fará ativo este acordo, para depois fazê-lo em Argentina e Peru.

DHL Chile e a Fundação Ensina Chile membro da fundação mundial Teach For All, a rede internacional preocupada de melhorar a equidade educativa, assinaram uma aliança global.

Continue lendo em:

http://noticias.universia.cl/translate/es-pt/vida-universitaria/noticia/2010/12/28/774868/dhl-chile-fundacion-ensena-chile-realizan-importante-alianza-mejorar-equidad-educacion.html

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Nobel da Economia desanca os testes

Postado originalmente na Uol em 17/10/2011

A Folha de SP de hoje – 17/11/2011 – divulga uma entrevista de James Heckman na qual ele critica os testes, tomando por base a realidade americana. Nada que já não tenha sido dito antes, mas quem sabe seja ouvido quando se trata de um economista com prêmio Nobel. Ênfase em testes empobrece a qualidade da educação, diz Nobel.

PARA ECONOMISTA AMERICANO, ESCOLAS ESTÃO DEIXANDO DE
TRABALHAR HABILIDADES COMO MOTIVAÇÃO, CONTROLE EMOCIONAL E INTERAÇÃO SOCIAL

 ANTÔNIO GOIS – DO RIO

Pressionadas pela cobrança de resultados em testes que medem o desempenho de alunos em leitura e matemática, as escolas estão cada vez mais negligenciando outras disciplinas e aspectos da formação igualmente importantes para explicar o sucesso na vida adulta. Essa crítica não é feita por alguém avesso a avaliações. Pelo contrário. O autor é o professor da Universidade de Chicago James Heckman, 67.

(…)  Os impactos mais significativos, porém, não são medidos em testes de matemática ou linguagem. São, principalmente, o que chama de habilidades não cognitivas, como motivação, controle emocional, disciplina ou capacidade de interação social.

Continue lendo em:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saber/sb1710201104.htm

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Mídia repercute estudo sobre bônus

Postado originalmente na Uol em 18/10/2011

 Qual a possibilidade de que uma pesquisa realizada em uma universidade ser divulgada na Folha de São Paulo? Digamos que você apresente um trabalho na Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação. Você acha que ele teria alguma chance de sair na Folha? Probabilidade quase zero.

Mas, se o seu estudo fosse apresentado em um Seminário da Fundação Itau Social, suas chances melhorariam. A Folha de hoje 18-11-2011 apresenta o estudo abaixo sobre o impacto positivo do programa de bônus no desempenho do aluno. Nada como estar em sintonia com a linguagem oficial dos reformadores empresariais.

Para os autores, comparando dados de 2007 e 2009 da prova Brasil pode-se concluir que na 5ª. série houve benefícios para o programa, embora o mesmo não seja constatado na 9ª. série. Como as contas feitas não estão disponibilizadas, nada pode ser dito. Aguardemos a divulgação do modelo usado.

A mídia repercute acriticamente. A academia não. Como a mídia já aprovou o estudo, por ideologia, se o estudo não resistir à crítica acadêmica metodológica, o dano já está feito. Nossa imprensa ainda tem muito a caminhar em matéria de jornalismo científico.

O estudo vem recauchutar a falida ideia de dar bônus para professores. Recentemente a National Academy of Sciences nos Estados Unidos divulgado em maio de 2011, mostrou que o conjunto dos dados não vai na direção do estudo dos autores brasileiros – muito pelo contrário. Nova York interrompeu seu programa de bônus depois que um estudo independente da Rand mostrou que não há melhoria no desempenho dos alunos.

Claudia Oshiro e Luiz Guilherme Scorzafave, economistas e autores do estudo na USP Ribeirão Preto, terão muito que explicar à comunidade científica, se a versão jornalista divulgada corresponder ao estudo. Seria bom começar por publicar o estudo na forma de artigo revisado por pares para que pudéssemos examiná-lo.

Estudo vê melhoria no ensino com a criação de bônus para professor

 Escola com bom desempenho no Idesp recebe dinheiro extra

ANTÔNIO GOIS – DO RIO

Um estudo apresentado ontem em seminário da Fundação Itaú Social, no Rio, conclui que o sistema de bônus por resultado para professores na rede estadual de São Paulo teve impacto positivo nas notas de estudantes do quinto ano.

A conta foi feita também para os estudantes do nono ano, mas, neste caso, não foi detectado impacto. O bônus é dado de acordo com o resultado da escola no Idesp, um indicador criado pelo governo para avaliar as condições da qualidade do ensino.

Continue lendo em:

http://www1.folha.uol.com.br/saber/992368-estudo-ve-melhoria-no-ensino-com-criacao-de-bonus-para-docente.shtml

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Chilenos contra a privatização

Postado originalmente na Uol em 18/10/2011

Estudantes chilenos continuam sua luta pela educação gerida pelo estado. Profundamente privatizada a educação chilena está sob controle da iniciativa privada – seja sob contratos de gestão, seja com capital privado. Ainda nesta terça, os dirigentes educacionais entregarão ao governo os resultados finais do Plebiscito Nacional Pela Educação realizado na quinta-feira e no sábado da semana passada. A consulta contou com a participação de 1,5 milhão de cidadãos dos quais 88,8 % se mostraram favoráveis ao fim dos lucros com fundos na educação.

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A verdadeira política de Dilma

Postado originalmente na Uol em 18/10/2011

A Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República antecipa qual será a política educacional do governo Dilma. A notícia abaixo ilustra o caminho.

Ignorando as estruturas técnicas e políticas do Ministério da Educação, a SAE – ligada diretamente a Dilma – desenvolve uma política educacional voltada para a privatização da educação.

É esta visão que orientará a escolha do próximo Ministro que substituirá Haddad em janeiro próximo. Como se vê, a política educacional será traçada lá.

Secretaria de Assuntos Estratégicos e Instituto Ayrton Senna assinam acordo voltado para a educação

Brasília, ter, 27-09-2011

O ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), Moreira Franco, assina, nesta quarta-feira (28/9), em São Paulo, acordo de cooperação técnica com o Instituto Ayrton Senna, para realizar, de forma conjunta, projetos e programas de interesse comum, voltados para a educação.

Com a parceria, a SAE passará a disponibilizar apoio técnico e metodológico à elaboração de pesquisas, estudos e seminários desenvolvidos pelo instituto, além de colaborar com nas avaliações de impacto dos programas conduzidos.

O objetivo dos trabalhos conjuntos será subsidiar a Secretaria na formulação de políticas públicas com foco na educação.

O documento será assinado pelo ministro Moreira Franco e pela presidente do Instituto Ayrton Senna, Viviane Senna, às 13h, no próprio instituto, localizado na Rua Dr. Fernandes Coelho, 85, 15º andar, Bairro Pinheiros, São Paulo.

A solenidade também contará com a presença do secretário de Ações Estratégicas da SAE, Ricardo Paes de Barros.

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Educação Infantil na SAE

Postado originalmente na Uol em 18/10/2011

A Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República vai realizar um encontro com o título “Cidadão do Futuro: Políticas para o Desenvolvimento na Primeira Infância” dias 26 e 27 de outubro de 2011, às 9 horas, no Royal Tulip Brasília Alvorada, em Brasília DF.

“O seminário visa à apresentação e debate de proposta para a integração das políticas e programas voltados para a primeira infância, com vistas à construção de protocolo básico para o atendimento a esse segmento da população, bem como a divulgação e o exame das inovações já introduzidas nessa área pelas três esferas de governo.”

No item Medidas para Avaliação do Desenvolvimento Infantil teremos: Daniel Santos, professor da Faculdade de Economia da USP; Eduardo Marino, Gerente de Avaliação da Fundação Maria Cecilia Vidigal e Cristiane Pinto da Escola de Economia da FGV.

Como se vê, todos são especialistas conhecidos do campo da educação infantil…

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ANPED repudia

Postado originalmente na Uol em 19/10/2011

Moção de repúdio

PROPONENTE: GT 07 da ANPED

O GT 07 – Educação da criança de 0 a 6 anos manifesta seu REPÚDIO à adoção de políticas públicas em âmbito nacional, estadual e municipal de avaliação em larga escala do desempenho da criança de 0 até 6 anos de idade, por meio de questionários, testes, provas e quaisquer outros instrumentos, uma vez que tais procedimentos desconsideram a concepção de Educação Infantil e de avaliação presente na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei n. 9394/96), nas Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infantil (Resolução CNE/CEB nº 05 de dezembro de 2009) e nos Indicadores da Qualidade na Educação Infantil (2009).

DESTINATÁRIOS:

Instituto Anísio Teixeira (INEP), Ministério da Educação (MEC), Conselho Nacional de Educação (CNE), União dos Dirigentes Nacionais de Educação Infantil (UNDIME), União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação (UNCME), Comissão de Educação da Câmara dos Deputados e do Senado, Comissão Especial do Plano Nacional de Educação (PL nº 8.035/10) na Câmara dos Deputados.

Anped/Natal, 03 de outubro de 2011.

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Presente de grego

Postado originalmente na Uol em 20/10/2011

Alckmin anunciou no dia do professor sua nova reforma do ensino médio. Presente de grego?

A recente reforma anunciada pelo Governo do Estado de SP no ensino médio, selecionando 19 escolas para receberem melhores condições de trabalho e funcionamento com novo modelo de ensino médio, foi feita pela Mckinsey a qual foi paga com dinheiro privado (um pool de fundações bancou o custo).

A empresa é uma ponta de lança dos reformadores empresariais e esta informação vem bem ao encontro de outra que divulgamos antes dizendo que 20 escolas públicas paulistas iriam desenvolver o conceito das escolas charters americanas. O governo de SP teria sido convencido pelo governador de Pernambuco, onde elas já existem. Por ora, isso não foi noticiado pelo governo.

O Estado de São Paulo ilustra bem como funciona o esquema dos reformadores empresariais. As fundações e empresas tomam as Secretarias de Educação como reféns e definem a sua agenda, fazendo doações. No caso de São Paulo é uma intervenção branca na Secretaria de Educação feita a partir da Parceiros da Educação – uma thinktank do PSDB (daqueles que não estão no governo) e que, de fora, define a agenda para quem está dentro.

Aguardemos.

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Educação Infantil: nota da ANPED

Postado originalmente em 21/10/2011

Moção de repúdio às propostas de avaliação das crianças na educação infantil veiculada pela SAE – Secretaria de Assuntos Estratégicos

Departamento de Educação, Informação e Comunicação da FFCLRP-USP

20 de outubro de 2011

Considerando:

– a legislação nacional no que se refere à educação infantil, ainda em vigor no país:

– Inciso IV do artigo 208 da Constituição Federal (1988): “O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: (…) educação infantil em creche e pré-escola, às crianças até cinco anos de idade”

– Artigo 4º, inciso IV da LDB (1996), que reafirmou a educação infantil como etapa educacional e direito de todas as crianças nessa faixa etária: “O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de: atendimento gratuito em creches e pré-escolas às crianças de zero a seis anos de idade”

– Artigo 29 da mesma LDB (1996), que define a natureza desta etapa da educação básica: tigo 29 da LDB, “a educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até cinco anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade” (BRASIL, 1996, Art. 29)

– Artigo 31. “Na educação infantil a avaliação far-se-á mediante acompanhamento e registro do seu desenvolvimento, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental.”

– Artigos 8º e 9º das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (BRASIL, 2009), cujo caráter é mandatório, que determinam: “A proposta pedagógica das instituições de Educação Infantil deve ter como objetivo garantir à criança acesso a processos de apropriação, renovação e articulação de conhecimentos e aprendizagens de diferentes linguagens, assim como o direito à proteção, à saúde, à liberdade, à confiança, ao respeito, à dignidade, à brincadeira, à convivência e à interação com outras crianças.” “As práticas pedagógicas que compõem a proposta curricular da Educação Infantil devem ter como eixos norteadores as interações e a brincadeira (…)”

– o acúmulo de pesquisas (nacionais e internacionais) referentes à qualidade no atendimento às crianças pequenas demonstrando como o investimento em programas de melhor qualidade, inclusive na relação custo-aluno, resulta em benefícios mais duráveis do que investimentos em programas de baixo custo e, sobretudo de baixa qualidade;

– a prática histórica de adotar política de baixo custo e baixa qualidade para as crianças mais pobres;

– os documentos produzidos: Política Nacional de educação infantil (BRASIL, 2005); Parâmetros Básicos de Infra-Estrutura para Instituições de Educação Infantil. (BRASIL,2006a); Parâmetros Nacionais de Qualidade para a Educação Infantil. (BRASIL, 2006b.); Indicadores da qualidade na educação infantil. (BRASIL, 2009);

– uma concepção de educação infantil cuja função social é possibilitar que as crianças pequenas se apropriem da cultura humana mais elevada;

-o que caracteriza a creche e a pré-escola é o seu trabalho intencional com o objetivo de garantir a todas as crianças que a frequentam a possibilidade de ter acesso aos bens culturais desenvolvidos pela humanidade e, assim, atualizarem-se historicamente, ou seja, desenvolverem-se como seres humanos;

– a brincadeira, o jogo, a música, as diferentes linguagens expressivas, etc., constituem o modo pelo qual os professores “ensinariam” e, por parte das crianças, o meio pelo qual elas se apropriam da experiência social da humanidade;

– a necessidade de investimentos na boa formação para aqueles que irão se responsabilizar pela educação das crianças pequenas, formação esta que entendemos só poder ocorrer com políticas públicas destinadas aos trabalhadores da educação, especialmente aos professores;

– o direito da família de participar no processo educacional de seus filhos;

– a necessidade de distinguir os objetivos e a forma de atuação da família com a responsabilidade que cabe à creche e à pré-escola;

Este colegiado repudia veementemente o modelo de avaliação na educação infantil proposto pela SAE, conforme veiculado pela imprensa, pois, além do exposto acima:

– ao adotar um único instrumento de mensuração de habilidades nessa etapa, além do equívoco já demonstrado até mesmo por economistas que trabalham com avaliações de larga escala (…), demonstrando que testes não recobrem todos os aspectos envolvidos no processo educativo; o governo desrespeita a história de direitos até aqui alcançados;

– obscurece o real problema de nossa educação, que é a insuficiência de recursos, posto que sem salários, planos de carreira e de boas condições de trabalho, não há instrumento que produza melhora na qualidade;

– a proposta desconsidera que, se há problemas de qualidade em função de eventuais falhas na formação de professores, este deveria ser o ponto enfrentado, pois sem boa formação, a adoção de instrumentos padronizados de avaliação certamente não resultará em melhor qualidade, mas, antes, provavelmente leve a uma piora;

– a proposta desconsidera o acúmulo desenvolvido durante a gestão do mesmo partido que, tendo agora outra pessoa no comando da presidência, mantém-se no poder;

– com a proposta ampliam-se as possibilidades de abertura para o mercado comercializar os assim chamados “sistemas de ensino privados” que, até aqui, afirmavam sua importância porque com a adoção das apostilas os municípios estariam preparando melhor as crianças da pré-escola para o ingresso no fundamental, onde, por sua vez, teriam melhores resultados no Ideb;

– e, por fim, a adoção de sistemas de avaliação padronizados, tais como o ASQ, já em curso no Rio de Janeiro, evidencia o aspecto mercadológico da proposta, uma vez que as empresas poderão justificar sua “importância” para que as creches e pré-escolas tenham bons resultados nas avaliações, o que não significa, certamente, melhores resultados na educação, esta compreendida como nos termos acima descritos.

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Quando os reformadores se calam

Postado originalmente na Uol em 23/10/2011

 O QUE PODEMOS APRENDER COM A FINLÂNDIA?

By Diane Ravitch, no Education Week – 11 de outubro de 2011

(…) O que torna o sistema escolar finlandês tão incrível é que os alunos finlandeses nunca fazem um teste padronizado até chegar ao seu último ano de colégio, quando então têm um exame de ingresso para a admissão na faculdade. Seus próprios professores projetam seus testes, por isso os professores sabem como seus alunos estão se desempenhando e o que eles precisam. Há um currículo nacional – diretrizes amplas para garantir que todos os alunos tenham uma educação integral – mas não é prescritivo. Os professores têm uma extensa responsabilidade no planejamento do currículo e da pedagogia em sua escola. Eles têm um grande grau de autonomia, porque eles são profissionais.

A admissão aos programas de formação de professores no final do ensino médio é altamente competitiva, e somente um em 10 ou até menos qualifica-se para programas de formação de professores. Todos os professores finlandeses passam cinco anos em um rigoroso programa de estudo, pesquisa e prática, e todos eles terminam com um diploma de mestrado. Os professores estão preparados para todas as eventualidades, incluindo alunos com deficiência, estudantes com dificuldades de linguagem, e alunos com outros tipos de problemas de aprendizagem.

As escolas que visitei me lembraram das nossas melhores escolas privadas progressivas. Elas são ricas em artes, em jogos, e em atividades. Vi belos campi, incluindo alguns com arquitetura deslumbrante, cheia de luz. Eu vi turmas pequenas, embora o tamanho da classe oficial para o ensino fundamental seja de 24, eu nunca vi uma classe com mais de 19 crianças (e esta tinha dois professores assistentes para ajudar as crianças com necessidades especiais).

Professores e diretores repetidamente me disseram que o segredo do sucesso finlandês é a confiança. Os pais confiam nos professores porque eles são profissionais. Professores confiam uns nos outros e colaboram para resolver problemas comuns, porque eles são profissionais. Professores e diretores confiam uns nos outros, porque todos os diretores foram professores e têm uma experiência profunda. Quando perguntei sobre a deserção de professores, foi-me dito que os professores raramente deixam o ensino, é um grande trabalho, e são altamente respeitados.

Continue lendo em:

http://blogs.edweek.org/edweek/Bridging-Differences/2011/10/what_can_we_learn_from_finland.html

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Miniexecutivos na infância

Postado originalmente na Uol em 25/10/2011

Do ex-Reitor da UNICAMP e médico pediatra na Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP:

“É bom que as crianças recebam instrução, mas chamo essas crianças de miniexecutivos, com tarefas, obrigações e compromissos que preenchem toda a sua vida infantil. Elas estão perdendo a infância, principalmente nas classes mais altas, devido a tentativa dos pais prepararem seus rebentos para o sucesso na vida futura, exigindo deles comportamento de adultos. A criança precisa de um tempo de ócio para ser feliz. Precisa ter tempo para brincar com uma bola, correr com o amiguinho, ficar uma tarde inteira fazendo o que ela gosta, desenhando, conversando.”

José Martins Filho

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Notícias do front

Postado originalmente na Uol em 26/10/2011

Nestes últimos dias estive em dois fóruns importantes tentando convencer lideranças a evitar que o Brasil tenha mais uma década perdida na educação, implantando as falidas teses dos reformadores empresariais para a educação.

Primeiro foi na Audiência Pública do PNE promovida pelo Mandato do Deputado Ivan Valente, com o Dep. Vaghone. Depois, foi no Conselho Nacional de Educação (Câmara de Educação Básica) onde a Conselheira Maria Isabel Noronha organizou um Seminário Internacional para definir diretrizes conceituais e operacionais para a avaliação no Brasil.

Nos dois eventos, procuramos trazer dados sobre o fracasso das receitas dos reformadores empresariais, basicamente sua proposta de responsabilização, meritocracia e privatização.

No último evento, ocorrido ontem no CNE, colegas do Equador, do Chile e da Argentina também manifestaram-se contra esta onda empresarial trazendo dados de seus respectivos países.

Cresce o cerco a estas políticas na América Latina, mas ainda há muito por ser feito.

O caso mais típico é o do Chile, sucursal dos reformadores empresariais americanos, que tem agora o modelo contestado no seu âmago: a privatização, seja com capital privado, seja por contrato de gestão de escolas públicas – as escolas subvencionadas – além do questionamento do modelo de municipalização da educação básica.

A briga é boa.

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Corrida ao ouro

Postado originalmente na Uol em 27/10/2011

O que se viu no Seminário que discute a primeira infância na Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, no que tange a avaliação do desenvolvimento infantil, foi um vergonhoso desfile de vendedores de teste (ASQ3 (americano), EDI (canadense), Cartão da criança (brasileiro)) disputando quem será candidato a fornecedor de testes para exames de larga escala em educação infantil.

Em suas apresentações, frisaram que estão prontos para aplicação em larga escala.

Os testes descritos – e são só os primeiros a chegarem nesta “corrida ao ouro educacional” – são exclusivamente para avaliar a criança e ignoram tudo o que diz respeito às condições em que a pré-escola funciona. Focam dimensões da criança e quanto muito de sua família.

O Brasil poderia ter escolhido outro modelo, o italiano por exemplo, onde o conceito de “qualidade negociada” avalia a escola como um todo – inclusive as condições de funcionamento das creches. Mas estamos insistindo em privilegiar a lógica americana dos testes.

É urgente um movimento para “salvar nossas crianças”.

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Testes e fraudes

Postado originalmente na Uol em 31/10/2011

Que os testes de alto impacto geram fraude está mais do que comprovado. Basta olhar para a realidade americana. Já divulguei aqui neste blog variados casos. A questão que não tem sido adequadamente abordada ainda, em especial no Brasil, é a questão ética.

O caso do ENEM, recente, ilustra isso. Um professor, ao que parece, divulga questões de um pré-teste para seus alunos em simulados. Alunos comentam, depois de serem beneficiados, com naturalidade terem tido acesso privilegiado aos itens.

Para nenhum deles a situação é vista como um problema ético. Todos acham que estão apenas fazendo uso da “lei de Gerson”, a que legitima levar vantagem em tudo.

O que estamos ensinando aos jovens ao permitir ou induzir a fraude associada aos testes de alto impacto?

Ensinamos que tirar nota é o alvo e para tal não importa os meios.

A fraude é naturalizada. Avaliações punitivas (pois impedem acesso a algo desejado) são objeto contínuo da fraude.

Isso é boa educação? É isso que queremos ensinar à juventude?

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Ideias que não funcionam: mais dados americanos

Postado originalmente na Uol em 4/11/2011

Novos dados mostram que as reformas empresariais continuam a fracassar nos Estados Unidos. Enquanto Finlândia que não usa estas ideias é uma das líderes no PISA e não precisa aplicar testes em suas crianças a não ser no final do ensino médio, os Estados Unidos gastam bilhões em testes sob a égide das reformas empresariais e amargam uma posição na média no PISA há dez anos e, em testes nacionais, mantêm-se atolado no fracasso. Nova York, a meca dos reformadores empresariais brasileiros, como se verá abaixo, é o único estado americano a ter baixa no desempenho de matemática, embora a média geral do país tenha aumentado um mísero ponto em uma escala de 500 pontos.

Foram publicados hoje os novos resultados da Avaliação Nacional para o Progresso nos Estados Unidos, aplicação 2011. Aqui vai a primeira análise dos resultados feita por Valerie Strauss.

Para ver o relatório de Matemática completo clique abaixo:

http://nces.ed.gov/pubsearch/pubsinfo.asp?pubid=2012458

Para ver o relatório de Leitura completo clique abaixo:

http://nces.ed.gov/pubsearch/pubsinfo.asp?pubid=2012457

Veja resumo abaixo:

O que os novos resultados do NAEP realmente nos dizem

Por Valerie Strauss – Publicado às 01:43 ET, 2011/11/01

(… )

Em matemática, alunos da quarta série e oitava marcaram em média um ponto percentual maior este ano do que em 2009. Ambas as séries marcaram mais de 20 pontos a mais este ano do que em 1990 (quando o teste foi feito pela primeira vez).

Na leitura, da quarta série a pontuação não se alterou nos últimos dois anos, mas foram obtidos quatro pontos a mais do que em 1992, quando o teste de leitura foi feito. A oitava série obteve, em média, um ponto mais alto este ano do que há dois anos atrás, e 5 pontos a mais que em 1992.

Continue lendo em (inglês):

http://www.washingtonpost.com/blogs/answer-sheet

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Nova edição do livro de Ravitch

Postado originalmente na Uol em 5/11/2011

Ravitch atualiza seu best-seller sobre reforma educacional

Por Valerie Strauss

Publicado às 06:30 ET, 2011/11/03

Os críticos de Diane Ravitch gostam de dizer que a historiadora da educação fala muito sobre o que está errado com o movimento moderno de reforma escolar, mas não oferece soluções sobre como corrigir nada. Historiadores, é claro, por definição, gastam seu tempo olhando para o passado, e não fazendo pronunciamentos políticos sobre o que deveria ser. Dito isto, Ravitch, a voz de liderança no país falando contra a reforma escolar baseada em teste padronizado, faz o que seus críticos dizem que ela não faz em um novo e importante capítulo no final da nova edição do best-seller “O Morte e Vida do Grande Sistema Escolar Americano”.

Sem dúvida, seus críticos ainda não vão gostar do que ela tem a dizer.

Continue lendo em:

http://www.washingtonpost.com/blogs/answer-sheet/post/ravitch-updates-best-selling-book-on-ed-reform/2011/11/02/gIQAXgY6gM_blog.html#pagebreak

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Carta dos diretores de Long Island, USA

Postado originalmente na Uol em 10/11/2011

 Viva os diretores de Long Island!

By Diane Ravitch, no Education Week

8 de novembro de 2011

Às vezes parece que estamos vivendo o pior dos tempos para a educação norte-americana, dada a notícia diária de cortes no orçamento, os ataques a professores, e os ataques contra a própria ideia de educação pública. Quando a notícia boa vem junto, devemos gritar isso aos quatro ventos. Então aqui está uma boa notícia que eu quero compartilhar e celebrar.

Na semana passada, mais de 400 diretores em Long Island, NY, assinaram uma carta de protesto público contra o novo e não testado sistema de avaliação dos professores do Estado. Os signatários, membros da escola elementar, média e high schools, representam dois terços de todos os diretores em Long Island, que inclui os condados de Nassau e Suffolk.

Continue lendo em (inglês):

http://blogs.edweek.org/edweek/Bridging-Differences/2011/11/hooray_for_the_long_island_pri.html

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Regime de colaboração ou de cobrança?

Postado originalmente na Uol em 15/11/2011

O tão discutido regime de colaboração entre entes federados poderá evoluir para um verdadeiro regime de cooperação ou, então, para um regime de cobranças baseado em responsabilização autoritária, centrada em políticas de avaliação de resultados de aprendizagem.

Se eu tivesse dito isso há uma semana atrás, alguém poderia dizer que eu estava vendo fantasmas. Tenho me arriscado a criticar a lei de responsabilidade educacional que tramita no Congresso sob número 7420. Muitos não acreditam que ela ofereça risco.

Pois bem. Hoje veio a cereja do bolo em um artigo de Antonio Matias, vice presidente da Fundação Itau Social e membro do Conselho de Governança do Movimento Todos pela Educação, na Folha de SP (15-11-2011), na página 3, chamado “Um elo necessário pela educação”. Deve ser lido.

No artigo ele defende que se defina o modelo de colaboração e sugere que seja o usado no Ceará a partir de 2001, ou seja, que estabelece “um sistema de avaliação e acompanhamento pedagógico com foco em metas”. O governo do Ceará, em 2007, segundo Matias, propôs um grande acordo com os municípios e “parte do repasse do ICMS aos municípios passou a ser feito com base nos resultados de aprendizagem”.

Este é o modelo de regime de colaboração entre entes federados que o Todos pela Educação e os reformadores empresariais querem. Uma responsabilização punitiva e não colaborativa. O tal regime de colaboração passa a ser regime de responsabilização punitiva. Se não atende à meta do IDEB ou de outro indicador, não há dinheiro extra.

Note o detalhe: ele já menciona a reforma administrativa do MEC feita em maio deste ano, quando se criou a Secretaria de Articulações destinada a gerenciar a colaboração entre entes federados, e define o eixo da responsabilização: no plano federal o MEC, via Secretaria de Articulações com os Sistemas; no plano intermediário Consed e Undime, e no plano local as Secretarias de Educação às quais ele invoca a “autonomia dos Estados e municípios brasileiros” que possibilita aos “gestores propor inovações de acordo com as realidades locais”. A proclamada autonomia dos Estados e Municípios, será a “autonomia” para cumprir as metas do IDEB, atreladas que estão sendo pelo PNE às metas do PISA. Como o sistema de avaliação define o currículo e influencia nas metodologias usadas, os Estados e Municípios estão, de fato, às portas de perder sua autonomia.

Isso não é nada mais do que foi feito com a lei de responsabilidade educacional americana No Child Left Behind em 2001 nos Estados Unidos. Não melhorou a educação americana.

Este é um caminho errado para o nosso país. Se for seguido estaremos optando por uma responsabilização autoritária, punitiva que destruirá o sistema público de educação, podendo mais à frente tais resultados serem utilizados para privatizar as escolas públicas – tal como ocorre nos Estados Unidos.

Não nos esqueçamos que o instrumento legal para isso já está sendo criado no Congresso – a Lei de Responsabilidade Educacional.

O quadro está claro: um PNE não restritivo e que permitirá aos governos locais formularem sua própria política de responsabilização; uma lei de responsabilidade educacional em tramitação associando recursos a metas acadêmicas; e, finalmente, um modelo de “colaboração” entre entes federados baseados no condicionamento de verbas e assistência técnica a metas baseadas em processos de avaliação e acompanhamento.

Só não vê quem não quer ver…

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Dívidas do INEP

Postado originalmente na Uol em 25/11/2011

 Abaixo reproduzo nota da CNTE que divulga um estudo sobre a Prova Brasil 2007, mostrando a desigualdade social entre brancos e negros e sua repercussão na questão educacional. Este é o tipo de estudo que o INEP nos deve. Em outros países os governos são obrigados por lei a fazê-los. No Brasil, o INEP se contenta com um “press release” genérico sobre suas avaliações. Os dados da Prova Brasil 2009 foram disponibilizados este mês, ou seja, dois anos depois da prova ser feita. Qual a possibilidade de se tirar alguma consequência para as escolas atuarem com seus alunos? Eles já mudaram de série, os professores já mudaram de escolas, os diretores podem ser outros, etc..

Crianças negras atrasadas na escola são o dobro das brancas

O percentual de crianças negras de 7 a 14 anos que estão mais de dois anos atrasadas na escola é o dobro do registrado entre as brancas. Enquanto 16,7% dos alunos negros estão nessa situação, entre os brancos, o índice é apenas 8%. Os dados compilados pelo Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets) são referentes a 2009 e reforçam a tese de que as desigualdades entre negros e brancos se repetem no ambiente escolar.

O fator socioeconômico geralmente é o mais usado para justificar o “atraso” escolar dos estudantes negros em relação aos brancos. Isso porque a condição social do aluno tem grande impacto na aprendizagem e a maioria da população de baixa renda do país é negra. Mesmo quando são considerados alunos de um mesmo nível econômico, os não negros têm desempenho superior aos negros.

É o que aponta um levantamento feito pelo economista Ernesto Faria, do Portal Estudando Educação. Comparando as notas de matemática e português da Prova Brasil de 2007, alunos de uma mesma faixa de renda e cor da pele diferentes também têm notas desiguais. Entre os 25% de estudantes mais pobres do 5° ano do ensino fundamental, a nota dos brancos é, em média, oito pontos superior nas duas disciplinas. Entre os 25% mais ricos, a distância é ainda maior: os alunos brancos atingem 24 pontos a mais em português e 25 a mais em matemática.

Para André Lázaro, especialista na temática de diversidade em educação, uma das explicações para esse resultado é que, em geral, os alunos negros frequentam escolas com pior infraestrutura em comparação aos não negros. Essa situação foi revelada pelo Relatório das Desigualdades Raciais, lançado este ano pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em todas as etapas de ensino, os negros enfrentam piores condições que os brancos.

Enquanto 9,6% dos alunos brancos do 9° ano do ensino fundamental frequentam escolas com nenhuma adequação, entre os negros, o índice é de 12,9%. Já no 5° ano, 27,9% dos brancos frequentam escolas com estrutura exemplar – entre os negros, o patamar é de 22%.

Um dos autores do Relatório das Desigualdades, o professor Marcelo Paixão avalia que a discriminação existente no ambiente escolar acaba por agravar as diferenças entre negros e brancos. (Correio Braziliense)

http://www.cnte.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=9371:criancas-negras-atrasadas-na-escola-sao-o-dobro-das-brancas&catid=425:cnte-informa-600-24-de-novembro-de-2011&Itemid=200319

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PISA latinoamericano

Postado originalmente na Uol em 25/11/2011

MEC estuda criação de teste educacional só para América Latina

Técnicos de diferentes países discutem como – e por que – uma avaliação específica ajudaria a melhorar qualidade de ensino

Priscilla Borges, iG Brasília | 25/11/2011 07:00

O Ministério da Educação pode ajudar a criar uma nova avaliação educacional dedicada exclusivamente aos estudantes da América Latina. A proposta está em discussão entre integrantes dos ministérios responsáveis pelos sistemas educacionais de outros países como Argentina, Colômbia, Costa Rica, Peru, Equador e Chile, entre outros.

Para os defensores da ideia, a avaliação internacional mais popular na aferição da qualidade de ensino oferecida nos países – o Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (Pisa) – não é capaz de medir as especificidades da região. Por conta disso, não contribui de forma efetiva para melhorar o aprendizado das crianças e dos adolescentes desses países.

Continue lendo em:

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/mec-estuda-criacao-de-teste-educacional-so-para-america-latina/n1597382390128.html

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Entrevista

Postado originalmente na Uol em 26/11/2011

 A responsabilização de escolas levaria a uma década perdida na educação, diz pesquisador sobre LRE

Observatório da Educação – Qui, 24 de Novembro de 2011 17:21

Luiz Carlos de Freitas é professor da Faculdade de Educação da Unicamp, e estuda a área de avaliação. Ele está acompanhando o processo de tramitação da chamada Lei de Responsabilidade Educacional.

Essa lei serviria para punir gestores por improbidade administrativa em casos de financiamento e acesso à educação. Mas, no processo de tramitação, ganhou novas características, que podem acabar resultando em transferência da responsabilidade a instituições escolares que não alcancem metas acadêmicas.

Leia a seguir entrevista com o professor Luiz Carlos, que critica os rumos da proposição como punição para escolas.

Observatório da Educação – Como está a tramitação da Lei de Responsabilidade Educacional?

Luiz Freitas – A lei de responsabilidade educacional está em tramitação no Congresso sob número PL-07420/2006 (Dispõe sobre a qualidade da educação básica e a responsabilidade dos gestores públicos na sua promoção). É um projeto que foi apresentado, em 2006, pela então deputada Raquel Teixeira do PSDB [de Goiás]. Como existiam várias iniciativas semelhantes no Congresso, todas as outras, inclusive o projeto do próprio MEC enviado em 2010, foram “apensadas” a este projeto da Raquel Teixeira. Neste momento, foi constituída a Comissão Especial para redação do texto final, presidida pelo deputado Newton Lima (PT-SP) e tem como relator o deputado Raul Henry (PMDB-PE). Vão ser iniciadas as audiências públicas.

Observatório – Qual o objetivo do projeto de lei?

Luiz – A intenção original do MEC era controlar a questão do uso da verba pública pelos gestores e não incluía a questão da cobrança de “metas acadêmicas” ou cumprimento de índices como o IDEB ou outro. Nesse sentido, a lei estava correta, pois visava garantir recursos bem geridos para as redes de ensino. Ocorre que ao dar entrada no Congresso e ser apensada a outras já existentes, o objetivo da lei foi ampliado para o controle de cumprimento de metas acadêmicas, objetivo já expresso no texto da deputada Raquel Teixeira (PSDB-GO), em 2006. Portanto, podemos dizer que hoje, a julgar pelo texto atualmente existente, que é o da então deputada Raquel, a lei de responsabilidade educacional teve seu objetivo ampliado em função do apensamento desses projetos.

Observatório – A cobrança de metas acadêmicas na LRE desvia, então, de sua intenção inicial?

Luiz- É muito cedo para nós concluirmos algo, pois ainda não temos um texto produzido pela Comissão Especial. Embora tenhamos o texto original do PL 7420. Mas, certamente, ele será modificado. Quanto? Não sabemos. Mas, deve-se antever que se a lei incluir metas acadêmicas, e creio que incluirá se não houver ampla reação, então os gestores irão repassar a responsabilidade também para os estabelecimentos e professores. Quem “pagará a conta” é a escola e os professores. Estes também ainda têm o recurso de repassar o “custo” para os alunos, na forma de exclusão daqueles que “derrubem a média da escola”, ou seja, dos alunos com maiores dificuldades.

Um recente estudo do CENPEC mostra como estas políticas afetam todo o território, o conjunto das escolas existentes em um dado território, e não apenas uma determinada escola, produzindo relações entre elas – inclusive atribuindo a determinadas escolas funções específicas no atendimento à população estudantil – induzindo o aparecimento de “guetos escolares”. A experiência mundial diz que estas políticas de responsabilização autoritárias, via leis que regulam índices para as escolas atingirem, não diminuíram as desigualdades acadêmicas.

Observatório – Quais seriam as consequências desta lei?

Luiz – Ninguém é contra responsabilizar a escola pela missão que tem como instituição pública financiada por todos. A questão a ser discutida é de que forma, com qual concepção de responsabilização. Uma concepção de responsabilização democrática e participativa pode ser encontrada no link: https://sites.google.com/site/movimentocontratestes/ .

Uma visão distinta pode ser vista nos Estados Unidos, na versão americana da lei de responsabilidade educacional – No Child Left Behind – que estabeleceu que em 2014 todas as escolas americanas deverão ter todos os seus alunos proficientes. Isso foi feito em 2001. Hoje, às portas de 2014, o Departamento de Educação americano entende que 80% das escolas não têm condições para cumprir esta lei. Para que ela serviu, então? Para privatizar e destruir a educação pública nos Estados Unidos.

A lei de responsabilidade educacional americana permite que, se uma escola não atinge as metas, ela pode ser fechada e privatizada como “escola charter”, ou seja, uma escola administrada por contrato de gestão feito com empresas operadoras privadas. Algo que existe no Brasil ao nível de educação infantil, já foi ensaiado no ensino médio em Pernambuco e, diz-se, que será brevemente ensaiada no Estado de São Paulo em 20 escolas.

Esta estratégia coloca a educação sob controle direto da iniciativa privada, gerida e até financiada por grandes corporações. Nos Estados Unidos, três ou quatro fundações definem a agenda do Departamento de Educação. Teremos que discutir se isso é democrático e seguro para o futuro do país e da nossa juventude.

Esta estratégia de responsabilização autoritária parte da ideia de que a gestão privada resolverá o problema da educação, já que servidores públicos são preguiçosos, desmotivados e não confiáveis. A lei americana cumpriu a função de abrir o setor educacional ao mercado de empresas educacionais, em especial o mercado da consultoria, da tutoria e da avaliação. Hoje este mercado nos Estados Unidos está estimado em 4 bilhões de dólares.

Esta foi a principal consequência da lei de responsabilidade educacional americana, já que do ponto de vista da melhoria da qualidade da educação americana não houve impacto. Antes da lei, os Estados Unidos estavam na média do PISA. Dez anos depois, o país continua na média do PISA. Nas avaliações internas do NAEP as alterações são para pior ou pífias, como ocorreu na última avaliação divulgada. Ou seja, se usarmos as próprias estatísticas de desempenho dos alunos americanos disponíveis, não há nada que justifique reproduzir está lógica no Brasil. Até porque, temos caminhado no PISA – como reconhece a própria OCDE.

Observatório – Existem outras formas de lidar com a responsabilidade da escola?

Luiz – Há outra forma de lidar com a escola que pode ser observada em países que recusam a estratégia americana. O caso da Finlândia é emblemático. Contrariamente à responsabilização autoritária baseada em leis e na “lógica dos negócios”, usa-se uma responsabilização baseada na confiança na escola e em seus profissionais. Regula-se o número de alunos máximo em sala de aula (24). Cuida-se da miséria infantil que é de 4% (nos Estados Unidos é 22% e crescendo). Os professores são respeitados e bem formados (5 anos de estudos universitários). Não são pagos com “bônus” e nem avaliados e pagos pelos resultados de testes de aprendizagem aplicados a seus alunos. Todos os que visitaram a Finlândia são unânimes em dizer que o que surpreende é o grau de confiança que o país tem em suas escolas e em seus profissionais. Não são execrados pela mídia e por engravatados que se dizem “especialistas em educação” sem terem nunca dado uma aula na vida em uma escola pública.

Não há testes de larga escala na educação básica a não ser no final do ensino médio para entrar na universidade. Uma responsabilização sem pressão. Qual o impacto disto na aprendizagem dos alunos, medido pelo mesmo PISA: a Finlândia é topo no PISA. Temos então, duas formas de responsabilização: a dos americanos, que não melhorou a sua educação, e que está introduzida no texto da deputada Raquel Teixeira em análise no Congresso. E a da Finlândia, topo do PISA.

Na dependência da escolha que o Brasil faça, se optarmos pela responsabilização americana, estaremos caminhando para mais uma década perdida em educação, com a consequente destruição do sistema público de educação brasileiro.

http://www.observatoriodaeducacao.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1116:a-responsabilizacao-de-escolas-levaria-a-uma-decada-perdida-na-educacao-diz-pesquisador-sobre-lre&catid=73:controle-social&Itemid=107

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Consed discute avaliação

Postado originalmente na Uol em 28/11/2011

V Reunião Extraordinária do Consed

As avaliações de larga escala da Educação Básica foram o tema que dominou o primeiro dia de debates da V Reunião Extraordinária do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed). O encontro começou na tarde desta segunda-feira e prossegue até esta terça-feira (29), na Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Apresentaram suas diferentes visões os professores Francisco Soares (UFMG), Luiz Carlos Freitas (Unicamp) e Lina Kátia Mesquita de Oliveira (UFJF).

Francisco Soares enfatizou que é as avaliações são necessárias, mas precisam ser debatidas antes de ser implementadas. “Outro problema é que a sociedade ainda não tem clareza das diferenças entre prova, feita para classificar candidatos em um concurso, e avaliação, realizada para diagnóstico educacional”, analisou. “Também há ênfase para rankings sobre quem tirou as melhores e as piores notas, o que é um equívoco do ponto de vista da educação”, completou. Para o pesquisador, o que mais importa nos resultados é saber como a escola está, quais os progressos já alcançados e no que precisa melhorar.

Já Luiz Carlos afirmou que a centralidade que os testes assumiram em alguns países tem conduzido a supervalorizar o poder das provas para produzir qualidade na educação, impedindo uma discussão aprofundada sobre o que é uma “boa educação”. Para ele, as provas municipais, estaduais e as nacionais devem ser usadas exclusivamente para avaliar as políticas públicas e monitorar o avanço da qualidade educacional e nunca para avaliar individualmente as escolas, os alunos e seus professores. “Nota alta não é sinônimo de boa educação e formação é mais do que expectativa de aprendizagem”, disse o professor da Unicamp.

A professora Lina Kátia fez um resumo dos sistemas de avaliação e de bonificação por desempenho docente existentes atualmente nos estados. A pesquisadora reiterou que os sistemas são implementados para produzir um diagnóstico sobre o desempenho dos alunos e os fatores que interferem nesse desempenho; monitorar a qualidade da educação ao longo do tempo; definir subsídios para a formulação de políticas educacionais com qualidade e equidade.

Lina Kátia defendeu que os estados e municípios tenham seus próprios sistemas de avaliação. “O desenho próprio de avaliação leva em conta as necessidades específicas”, disse. “Além disto, os resultados das avaliações locais são disponibilizados com maior agilidade, o que permite uma ação mais rápida para a solução dos problemas apresentados”, afirmou.

Também participaram do debate a secretária de Educação Básica (SEB/MEC), Maria do Pilar Almeida e Silva e das pesquisadoras Paula Louzano (Fundação Lemann) e Gláucia Torres Franco (Fundação Carlos Chagas).

Confira as apresentações dos pesquisadores:

Utilidade e usos das avaliações de larga escala da Educação Básica – Francisco Soares

Cultura de auditoria ou confiança nas escolas? – Luiz Carlos de Freitas

Sistemas próprios de avaliação educacional – Lina Kátia Mesquita Oliveira

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Máquina de privatização ligada a Dilma

Postado originalmente na Uol em 2/12/2011

A revista Exame veicula esta semana entrevista com o empresário Jorge Gerdau. Ele comanda, diretamente ligado a Dilma, a Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade. Juntamente com ele ainda estão Henri P. Reischtul, Presidente da Petrobras; Antonio Maciel Neto, Presidente da Suzano Papel e Celulose; Abílio Diniz, Presidente do Grupo Pão de Açucar.

Eles trabalham sem nenhuma remuneração, pela causa. Comandam um exército de 200 executivos que patrocinam e acompanham os resultados dos projetos desta Câmara. Gerdau atua visitando governadores nos Estados para passar suas propostas. Uma vez que o Governador aceita, estes empresários pagam a Mckinsey e outras consultorias para preparar o projeto para o estado implantar.

Note-se que é o mesmo modelo que o Estado de SP implantou para definir a política educacional na Secretaria de Educação. Um grupo de executivos e fundações paga a Mckinsey para ela fazer a auditoria e definir os projetos.

O modelo é muito parecido com o que os empresários americanos fizeram em seu país na década de 90 quando um grupo de 300 executivos fez lobby junto aos governadores dos estados americanos para implantar as políticas educacionais de responsabilização e meritocracia.

Aqui o modelo foi expandido para outras áreas, mas a lógica é a mesma. A reportagem é importante porque mostra que os empresários estão atuando no centro do sistema, mas também junto aos estados.

Detalhe: Gerdau é presidente do Comitê de Governança do Movimento Todos pela Educação que conta com patrocínio da Gerdau e da Suzano, entre outros.

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Alerta na matriz: carta de pesquisadores

Postado originalmente na Uol em 4/12/2011

Pela sua importância, reproduzo a carta dos especialistas em avaliação nos Estados Unidos, contra a vinculação de pagamento do professor a testes de alunos.

Ao Conselho Estadual de Regentes do Estado de Nova York

15 de maio de 2011

Como pesquisadores que fizeram extenso trabalho na área de testes e medidas com o uso de métodos de análise de valor agregado, escrevemos para expressar nossa preocupação sobre a decisão pendente no Conselho de Regentes de exigir o uso de resultados dos testes do Estado em 40% da decisão de avaliação dos professores.

Como o relatório em anexo do Instituto de Política Econômica descreve, a literatura de pesquisa inclui muitas advertências sobre os problemas de basear as avaliações de professores nas notas dos alunos. Estas evidências incluem problemas de atribuição de ganhos de estudantes a professores específicos; preocupações com a ênfase em apenas “ensinar para a prova” em detrimento de outros tipos de aprendizagem; e desestímulos dos professores para atender os alunos de maiores necessidades, por exemplo, aqueles que ainda não falam Inglês e aqueles que têm necessidades educativas especiais.

Resenhas de pesquisa sobre metodologias de valor agregado para a estimativa dos “efeitos” do professor com base em notas dos alunos concluíram que essas medidas são muito instáveis ​​e muito vulneráveis a muitas fontes de erro para serem usadas como parte importante da avaliação de professores. Um relatório da RAND Corporation, concluiu que:

A base de investigação é insuficiente para suportar o uso de VAM para decisões de alto risco com professores individualmente ou escolas.

O Conselho de Controle e Avaliação do Conselho Nacional de Pesquisa da Academia Nacional de Ciências afirmou:

… as estimativas de valor agregado da eficácia dos professores … não devem ser usadas para tomar decisões operacionais, pois estas estimativas são muito instáveis ​​para serem consideradas justas ou de confiança.

Henry Braun, então na Educational Testing Service, concluiu em sua revisão da pesquisa que:

Os resultados de valor agregado não devem servir de base única ou principal para a tomada de decisões importantes sobre os professores. Há muitas armadilhas para fazer atribuições causais de eficácia do professor com base nos tipos de dados disponíveis nos distritos escolares típicos. Ainda nos falta um conhecimento suficiente da seriedade com que os diferentes problemas técnicos ameaçam a validade de tais interpretações.

Segundo esses estudos, os problemas com o uso de modelos de teste de valor agregado para determinar a eficácia do professor incluem:

* As classificações dos professores são afetadas por diferenças nos alunos que lhes são designados. Os alunos não são designados aleatoriamente aos professores – e modelos estatísticos não pode ajustar-se inteiramente ao fato de que alguns professores terão um número desproporcional de estudantes que pode ser excepcionalmente difícil de ensinar (estudantes com pobre assiduidade, que são sem-teto, com problemas graves em casa, etc) e cujas pontuações em testes tradicionais têm uma baixa e inaceitável validade (por exemplo, aqueles que têm necessidades educativas especiais ou que estão aprendendo Inglês). Todos esses fatores podem criar estimativas erradas da eficácia dos professores e desestimular os professores que precisam ensinar os alunos mais necessitados, criando-se incentivos para que os professores procurem ensinar aos alunos que eles esperam que façam progressos mais rápidos e evitando escolas e salas de aula que atendem a estudantes que precisam de maior esforço.

* Os modelos de valor agregado de cálculo da eficácia dos professores não produzem avaliações estáveis destes. Os professores aparecem muito diferentes em sua eficácia quando diferentes métodos estatísticos são utilizados. Além disso, os pesquisadores descobriram que as avaliações da eficácia dos professores diferem de classe para classe, de ano para ano, e até mesmo de teste para teste, mesmo quando estes estão dentro da mesma área de conteúdo. Henry Braun afirma que as classificações são mais instáveis ​​nas extremidades superiores e inferiores da escala, que muitos gostariam de usar para determinar os níveis altos ou baixos de eficácia.

* É completamente impossível separar as influências de outros professores no desempenho dos alunos de um professor, bem como das condições da escola e em casa, em sua aparente aprendizagem. Não existe um único professor responsável por todas as aprendizagens do aluno. Professores anteriores têm efeitos duradouros, para o bem ou para o mal, sobre a aprendizagem posterior dos alunos e os professores atuais também interagem para produzir os conhecimentos e habilidades dos alunos. Alguns alunos recebem aulas particulares, bem como a ajuda dos pais bem-educados. Um professor que trabalhe em uma escola com suporte de especialistas que apoiam os estudantes de famílias estáveis pode parecer ser mais eficaz do que aquele cujos alunos não recebem esses apoios.

Estes problemas são agravados ainda mais pelo fato de que o tipo de testes e exames de fim de curso usados em Nova York não são projetados para medir o desenvolvimento do estudante.

Apesar dos modelos de valor agregado baseados em notas dos alunos serem úteis para olhar para grupos de professores para fins de pesquisa – por exemplo, para examinar os resultados dos programas de desenvolvimento profissional ou olhar para o progresso do aluno ao nível da escola ou do distrito, elas são problemáticas se usadas como medidas para a tomada de decisões de avaliação de professores.

Nós os incentivamos a rejeitar as propostas que podem colocar grande ênfase à essa estratégia não testada e que podem ter sérias conseqüências negativas para o professor e para os alunos mais vulneráveis ​​nas escolas do Estado.

Eva Baker, Distinguished Professor, UCLA Graduate School of Education Director, National Center for Research on Evaluation, Standards and Student Testing (CRESST) President, World Educational Research Association, 2010-2012 Past President, American Educational Research Association

Linda Darling-Hammond, Charles E. Ducommun Professor of Education, Stanford University Past President, American Educational Research Association Executive Board Member, National Academy of Education

Edward Haertel, Vida Jacks Professor of Education, Stanford University Chair, Board on Testing and Assessment, National Research Council Vice-President, National Academy of Education Past President, National Council on Measurement in Education

Helen F. Ladd, Edgar Thompson Professor of Public Policy and Professor of Economics, Sanford School of Public Policy, Duke University President, Association of Public Policy and Management

Henry M. Levin, William Heard Kilpatrick Professor of Economics and Education, Teachers College, Columbia University Past President, Evaluation Research Society Past President, Comparative and International Education Society

Robert E. Linn, Professor Emeritus, University of Colorado at Boulder Past President, American Educational Research Association Past President, National Council on Measurement in Education

Aaron Pallas, Professor of Sociology and Education, Teachers College, Columbia University Fellow, American Educational Research Association

Richard Shavelson, Dean Emeritus and Margaret Jacks Professor Emeritus, Stanford University. Past President, American Educational Research Association

Lorrie A. Shepard, Dean & Distinguished Professor, University of Colorado at Boulder Past President, American Educational Research Association Past President National Academy of Education Past President National Council on Measurement in Education

Lee S. Shulman, Charles E. Ducommun Professor Emeritus, Stanford University President Emeritus, Carnegie Foundation for the Advancement of Teaching Past President, American Educational Research Association

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