Habilidades não cognitivas

Publicado originalmente na UOL em 8/09/2012

Aqui vai um link com um artigo que não pode deixar de ser lido (em inglês). O autor discute como, no mundo das corporações e da competitividade, é vital o desenvolvimento das habilidades interpessoais e intrapessoais, mais do que apenas sair-se bem em um teste.

http://roundtheinkwell.files.wordpress.com/2012/09/more-than-just-test-scores-sept2012-2.pdf

Seu título: “Mais do que simples pontuações em um teste”.

Author Biography

Henry M. Levin (United States) is the William Heard Kilpatrick Professor of Economics and Education at Teachers College, where he also directs the National Center for the Study of Privatization in Education (NCSPE) and co-directs the Center for Benefit-Cost Studies in Education. He is also the David Jacks Professor of Higher Education, Emeritus, at Stanford University, where he served on the faculty for 31 years, with a joint appointment in the School of Education and Department of Economics. He has been president of the Palo Alto, California, School Board; the Comparative and International Education Society (CIES); and the American Evaluation Association, and is a member of the Board of Trustees of the Educational Testing Service (ETS). He is an elected member of the National Academy of Education, the author of about 300 articles, and the author or editor of 20 books.

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Evidência empírica

Publicado originalmente na UOL em 17/09/2012

Ter evidência empírica sobre um assunto não é apenas citar estudos que estejam disponíveis para serem lidos. Há de tudo circulando e podemos justificar quase tudo selecionando o que nos interesse. Isso nos leva a discutir a qualidade da evidência empírica e não apenas a sua existência em um ou outro estudo.

No Brasil, somente agora começamos a atentar para a necessidade de evidência empírica para a política pública. Mas ainda há um longo caminho sobre a qualidade das evidências selecionadas. Em primeiro lugar: tem que ser evidência que passou por debates e revisão entre pares. Algumas fundações e institutos, por exemplo, publicam farto material sem revisão de pares.

E como boa parte dos estudos usam estatística, o mundo mágico da “significação estatística”, os cuidados devem ser redobrados, como mostra a revisão que reproduzimos abaixo.

Em segundo lugar, é preciso dar preferência para estudos que reúnem grande quantidade de pesquisas e por um período longo, pois é pela análise de conjuntos de estudos e pesquisas que se pode observar as tendências. Mas aqui, também temos problemas: muitos destes estudos misturam trabalhos que não poderiam ser mesclados e terminam com conclusões inadequadas.

Estamos só começando isso no Brasil e há ainda um longo caminho a ser percorrido.

O estudo abaixo é um alerta.

Revisão dos efeitos de vouchers escolares na matrícula em Colleges: a evidência experimental de Nova York

Sara Goldrick-Rab (University of Wisconsin-Madison) – 13 de setembro de 2012

Este relatório da Brookings examina as taxas de matrícula de alunos em faculdades que participaram de um programa experimental de Nova York, o School Choice Scholarships Foundation Program, que na primavera de 1997 ofereceu três anos de bolsas de estudo no valor de até 1.400 dólares por ano para famílias de baixa renda. O estudo não identifica impactos globais da oferta de voucher, mas os autores relatam e enfatizam grandes impactos positivos para os estudantes afroamericanos, incluindo aumentos de comparecimento na faculdade, no tempo integral de matrícula e freqüência em instituições privadas de ensino superior seletivas. Este forte foco em impactos positivos para um subgrupo único de estudantes não se justifica. Não existem diferenças estatisticamente significativas no impacto estimado para afro-americanos em comparação com os outros alunos, há erro de medição importante mas não mencionado nas variáveis dependentes (resultados de atendimento a faculdade) que afetam a precisão dessas estimativas e, provavelmente, movendo pelo menos algumas delas do reino da significância estatística; os autores não demonstraram quaisquer efeitos negativos estimados que possam ajudar a explicar os resultados médios nulos, e ali existem diferenças previamente existentes entre afroamericanos no grupo de tratamento e grupo de controle sobre fatores conhecidos que importam para a variável atendimento à faculdade (por exemplo, educação dos pais). Contrariamente à afirmação do relatório, a evidência apresentada sugere que neste novo programa de Nova York, os vales escolares não melhoraram as taxas de matrícula em faculdades entre todos os alunos ou mesmo entre um subgrupo de alunos selecionados.

Acesse os textos dos debates entre os autores em (inglês):

http://nepc.colorado.edu/thinktank/review-vouchers-college

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Ensino médio online começa a ser construido

Publicado originalmente na UOL em 17/09/2012

 São uma verdadeira praga nos Estados Unidos. As escolas charters virtuais estão faturando alto.

Quando a lógica dos negócios entra na educação, as empresas que a constituem passam a atuar segundo a lógica de mercado: têm que cortar custos para continuar vivas. É a concorrência.

Em educação, a maneira mais rentável de se fazer isso é: aumentar o número de alunos por turma e precarizar o professor (se possível não tê-lo). É ai que entram as charters virtuais. A relação professor aluno salta facilmente para 1 por 500 quando se trata de ensino online. Tutores precarizados entram em cena.

As online focam a preparação para os testes. Suas “lições” visam preparar para passar no exame. Nada que não caia no exame é ensinado. No isolamento de seu quarto, os jovens se preparam para testes. Nada do ensino de habilidades interpessoais, criatividade, afetividade, etc. – ou seja, tudo que se precisa para o país apoiar até mesmo a própria competitividade alardeada pelos empresários, como vimos em postagem anterior.

Confira matéria abaixo.

FGV lança aulas online e questões para Enem

Instituição disponibiliza banco com 4,6 mil questões; meta é chegar a 50 mil em 4 anos

Sergio Pompeu, de O Estado de S. Paulo – 16 de setembro de 2012 | 22h 38

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) lança esta semana, em caráter experimental, um ambicioso portal gratuito com foco no ensino médio. Além de cerca de 90 aulas que podem ser usadas por candidatos na preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a FGV liberou, no link ensinomediodigital.fgv.br, o acesso para um banco com 4,6 mil questões que seguem o modelo do Enem.

As aulas estão agrupadas em 15 cursos que abordam as quatro grandes áreas de conhecimento nas quais o Enem é dividido: Ciências da Natureza e Humanas, Matemática e Linguagem e suas Tecnologias. Quando estiver completa, a coleção terá 30 cursos. No caso do banco, a meta da FGV é chegar a 50 mil questões em quatro a cinco anos, o que pode contribuir para mudar o modelo do Enem, tanto em termos do grau de segurança do exame quanto na sua capacidade de melhorar a qualidade do ensino médio. Continue lendo esta reportagem aqui.

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Escolarizando a infância

Publicado originalmente na UOL em 23/09/2012

O que estamos fazendo com a educação infantil?

por Diane Ravitch, 23-9-2012

Um leitor pergunta se nós perdemos nossa sanidade.

http://www.sde.ct.gov/sde/lib/sde/PDF/CCSS/PreK_ELA_Crosswalk.pdf
http://www.sde.ct.gov/sde/lib/sde/PDF/CCSS/PreK_ELA_Crosswalk.pdf
http://www.sde.ct.gov/sde/lib/sde/PDF/CCSS/Pk_to_Kindergarten_Mathematics_Continuum.pdf

Os links acima vão levá-lo a documentos de Connecticut relativos à adoção do CCSS (Common Core State Standards) para pré-escolares. A introdução afirma que a adoção de CCSS para K-12 “conduz naturalmente a perguntas sobre padrões para os alunos da pré-escola e/ou creche”. As próximas seções falam sobre um grupo de trabalho que foi encarregado da tarefa de criar padrões abrangentes de aprendizagem do nascimento até os 5 anos de idade.

Sim, os CCSS e estes documentos têm “naturalmente conduzido a questões” em minha opinião. Aqui estão algumas delas: Você está louco? Você já passou um dia inteiro com uma criança? Que tal com uma sala cheia de crianças? Sua experiência de vida não lhe ensinou que crianças não são pequenos robôs que desenvolvem simultaneamente as mesmas habilidades ao mesmo tempo? Onde estão todas aquelas memórias maravilhosas que você guarda sobre sua própria infância? Aposto que essas memórias são sobre coisas como livros, blocos e lápis de cor. Alguma dessas memórias preciosas são sobre você sendo avaliado?

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Avaliação de professores

Publicado originalmente na UOL em 6/10/2012

Aqui está o endereço de um documento importante sobre avaliação de professores (em inglês):

http://www.naeducation.org/Background_Paper_Getting_Teacher_Evaluation_Right.pdf

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Não é o que parece

Publicado originalmente na UOL em 9/10/2012

Um dos temas mais abordados pelo Movimento Todos pela Educação e seus defensores é o do direito à educação. Curiosamente, foi a esquerda que sempre defendeu este direito. Mas agora, ele aparece entre os liberais.
Qual a diferença? Simples. Para a esquerda o direito à educação é o direito a resultados iguais. Claro que há características pessoais que influenciam. Mas isso aparece nas opções que cada um faz. Para os liberais, o direito à educação não se refere à igualdade de resultados, mas a igualdade de oportunidades.
Bem, isso é diferente, pois dar ‘oportunidades iguais’ tem uma “petição de princípio” que supõe que todos estão em igualdade para competir. Falso. Há miséria, há desigualdade social. O discurso do direito à educação liberal é uma cortina de fumaça para a desigualdade social. Só isso.
De fato todas as soluções indicadas pelos liberais para garantir o direito à educação mostraram-se, como já foi veiculado neste Blog, indutoras de maiores desigualdades: vide Chile – um dos sistema mais desiguais do mundo e o próprio EUA.
Enfim, o discurso do direito, oculta a negação do direito.
Os empresários do Movimento Todos pela Educação dedicam-se durante a semana a produzir a miséria dos homens em suas instituições financeiras e empresariais. Nos fins de semana, transmutam-se em cidadãos benemerentes que pretendem ocultar a própria miséria que geraram. E de quebra, se dizem defensores dos pobres e do direito destes a aprender.
O maior impedimento para a aprendizagem nas escolas é a própria miséria que estes senhores geram no mundo.

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Medicalizando a miséria

Publicado originalmente na UOL em 14/10/2012

A pressão para se sair bem nos exames está levando à medicalização das crianças com dificuldades de aprendizagem. Não é um fenômeno recente, mas agrava-se com as políticas de responsabilização.

É o que mostra a reportagem abaixo.

Remédios são usados para melhorar rendimento de alunos pobres nos EUA

Na falta de recursos para outros tratamentos, crianças com déficit de atenção e dificuldades de aprendizagem são medicadas

THE NEW YORK TIMES – 12/10/2012 05:00:27

Quando o médico Michael Anderson fica sabendo que seus pacientes de baixa renda estão tendo dificuldades na escola, geralmente lhes prescreve um poderoso remédio. São pílulas que aumentam o foco e impulsionam o controle em crianças com déficit de atenção e hiperatividade. Embora o déficit de atenção seja o diagnóstico que Anderson faz, ele chama a desordem de “uma desculpa” para prescrever os remédios para tratar o que considera o verdadeiro problema destas crianças – o mau desempenho acadêmico nas escolas.

“Eu não tenho muita opção”, disse Anderson, um pediatra de muitas famílias pobres no condado de Cherokee, ao norte de Atlanta, nos Estados Unidos. “Nós como uma sociedade decidimos que é muito caro modificar o ambiente no qual a criança se encontra. Então, temos que modificar a criança”.

Continue lendo esta reportagem em:

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2012-10-12/remedios-sao-usados-para-melhorar-rendimento-de-alunos-pobres-nos-eua.html

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Insanidade continua

Publicado originalmente na UOL em 1/12/2012

O movimento iniciado por Gustavo Ioschpe continua. Minas gerais adota placa com IDEB na porta das escolas. Não adiantou dizer que o IDEB, como indicador, tem problemas.

Pois é, colocamos em marcha coisas que depois não temos controle sobre elas…

Não tenho registro de que nos Estados Unidos, país que mais usa estas pressões, tenha usado desta ideia.

E há quem diga que nossas formas de responsabilização serão diferentes das realizadas nos Estados Unidos.

Na realidade, seguidores são sempre piores e mais radicais que os mestres…

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Pobreza e educação

Publicado originalmente na UOL em 2/12/2012

Quem tiver interesse em uma análise das relações entre educação e pobreza deve ler o paper de Ladd no link abaixo:

http://sanford.duke.edu/research/papers/SAN11-01.pdf

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Complexo industrial de testes reage

Publicado originalmente na UOL em 4/12/2012

Eric Hanushek, braço direito do complexo industrial dos testes nos Estados Unidos, tentou contestar o relatório   da National Academy of Sciences que apontou   ineficácia dos sistemas de accountability baseados em incentivos em um estudo divulgado em 2011 conduzido por um painel de pesquisadores por 9 anos e que focou 15 estudos sobre incentivos.

Os argumentos   centrais do relatório indicam que o efeito   dos incentivos, quando não são nulos, não passam de 0.08 desvio padrão, o que   equivaleria segundo o mesmo a uma mudança na posição dos alunos do 50º.   percentil para o 53º. percentil, quando seria necessário uma mudança do 50º.   para o 84º. percentil para os Estados Unidos acompanhar as nações com melhor   posicionamento na educação.

Em uma resposta   (não revisada por pares) e no seu tradicional   estilo de hipotetizar consequências econômicas futuras para decisões   educacionais, Hanushek constrói sua petição de princípio, sem possibilidade   de comprovação fora dos cálculos estatísticos e econométricos que desenvolve,   afirmando que uma variação de 0,08 já significa vantagens econômicas de 14   trilhões de dólares, muito superior ao que se gasta com a produção de   sistemas de accountability. Estaria compensado, portanto o investimento na   accountability baseada em testes.

Além disso, Hanushek   ideologiza o debate argumentando que a conclusão anti-teste do relatório se   deve a que os educadores que compuseram o painel de pesquisadores   responsáveis pelo trabalho influenciaram seus resultados.

Jim   Horn responde a Hanushek evidenciando que   apenas 3 dos 17 pesquisadores envolvidos no estudo têm origem na educação.

Outro   questionamento de Hanushek, um pouco mais técnico, refere-se ao número de   formandos que o relatório aponta ter diminuído. Neste caso quem   responde são os autores do estudo que foi   acolhido pelo relatório e dá base para a afirmação.

Hanushek já havia   elaborado outras fantasias econométricas como estas ao hipotetizar que a   demissão de 5 a 8% dos professores com desempenho inferior nos Estados Unidos   e sua substituição por professores médios, conduziria os Estados Unidos ao   topo no desempenho de matemática e ciências com ganhos de 100 trilhões de dólares.

Aparentemente, o debate não prosperou.

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Mais segregação

Postado originalmente na UOL em 8/12/2012

Varios relatórios têm mostrado que as escolas charters americanas tem uma taxa de matrícula de pessoas com necessidades especiais menor que as escolas públicas. Um relatório recente pretendeu mostrar o contrário. Agora, o NEPC em Colorado, revisou este último relatório e conclui que apesar de alguns pontos elogiosos, ele não consegue contrariar o que os relatórios iniciais diziam, ou seja, que as escolas charters americanas têm uma matrícula de crianças com necessidades especiais menor. Inseridos em processos de responsabilização e meritocracia, as escolas charters não têm predileção por acolher em seu interior pessoas com necessidades especiais, pois estas implicam em um custo maior.

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Disputa de Agenda

Postado originalmente na UOL em 09/12/2012

A disputa pela agenda educacional está se polarizando entre os educadores profissionais e os reformadores empresariais. A conversa é a mesma: educadores profissionais são o mal, o atraso, junto com os sindicatos. Os reformadores são o bem, o novo, os que se preocupam com as crianças. Michelle Rhee chama sua ONG, nos Estados Unidos, “Students First”. Eles se dizem os defensores das crianças, e nós, educadores profissionais, aqueles que não olhamos para suas necessidades formativas. E a conversa pega…
Portanto, mais gente precisa entrar nesta disputa, em especial os grandes. Este não é um assunto só para pesquisadores individuais ou pequenos grupos de resistência.
A reportagem abaixo é indicativa deste momento.

Convite a Claudia Costin para o MEC expõe embate ideológico na educação
Pedagogos e sindicatos divergem de economistas e instituições ligadas à educação sobre caminhos e métodos para melhorar o ensino
 Agência Estado | 04/12/2012 15:26:28

 O convite para que a secretária municipal de Educação do Rio de Janeiro, Cláudia Costin, assumisse a Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC) trouxe à tona o embate existente entre as duas correntes que pensam e gerem o assunto no Brasil. De um lado, estão os pedagogos – acadêmicos de instituições públicas tradicionais de ensino – e os sindicatos dos docentes. De outro, profissionais de áreas como administração e economia, além de fundações e instituições voltadas à discussão do tema. Continue lendo esta reportagem aqui.

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Recomeçando

Este será o novo espaço para o Blog do Freitas sobre Avaliação Educacional. Desculpem pelo transtorno, mas problemas técnicos nos obrigaram a migrar para um local mais seguro. Logo mais nos encontraremos por aqui. Neste mês de dezembro estaremos migrando algumas postagens do antigo Blog na UOL para este.

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