“Interpretando” o PISA: a cultura da crise

Foi Freedman quem formulou a tese de que uma pré-condição para ocorrer uma mudança é a existência de uma crise – real ou percebida. Ela tem sido a base de atuação dos reformadores empresariais americanos ao longo de 30 anos.

No Brasil, vivemos isso permanentemente por aqueles que aqui replicam as ideias destes reformadores. Recentemente, como produto das avaliações do PISA, a OCDE decretou que o Brasil, na área do ensino de matemática, está entre os que mais avançaram no mundo entre 2000 e 2009.

Pois bem. Foi suficiente para que alguns pesquisadores realizassem seus estudos e fizessem suas interpretações  para colocar dúvidas a respeito desta possibilidade. Segundo eles, há dúvidas se podemos ter esta linha de comparabilidade entre estes anos de aplicação do PISA e até mesmo há, agora, dúvidas sobre a própria amostragem realizada para a aplicação do PISA no Brasil – entre outras explicações arregimentadas para diminuir a possibilidade de uma interpretação de que estamos melhorando consistentemente em matemática (ver aqui também).

OK. Então temos um problema: se os dados não são confiáveis para mostrar que melhoramos em matemática, porque eles seriam confiáveis para mostrar que não melhoramos, por exemplo em leitura ou ciências? Dito de outra forma, por que eles servem quando mostram que não avançamos no PISA e não servem quando mostram que avançamos?

Segue-se a confirmação do que está sendo dito por vários pesquisadores, ou seja, estes exames internacionais não são confiáveis. (Ver aqui também.) Por que seguimos acreditando tanto neles? Para gerar crises que convêm a certas propostas de reforma educacional?

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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