Aécio: “pai dos pobres” – II

Vicente Rodriguez, sociólogo da Faculdade de Educação da UNICAMP e estudioso do ensino médio, aponta implicações da proposta de Aécio Neves que aplica meritocracia no Bolsa Família, comentada no post anterior.

“A promessa de que destinará um reajuste de 30% sob a forma de bônus ao programa bolsa família, e no caso dos adultos ligados ao programa, somente para aqueles que fizerem cursos de formação técnica, será plena de consequências para o sistema de formação profissional brasileiro.

Entre outras consequências, a possível forte demanda a ser criada com a proposta liberal e meritocrática, na oferta de cursos de formação profissional passará a ser realizada sob a forma institucional do atual sistema.

Duas observações sobre este fenômeno devem ser colocadas;

  • A primeira, alerta para o atual modelo de formação profissional brasileiro, destaca que o peso preponderante do setor mercantil na oferta de vagas, praticamente 80%, proveem desta instância administrativa privada.

Isto significará que mais vagas serão “compradas” com dinheiro orçamentário. Operando um crescimento da realização do dinheiro público através de vagas privadas. Fenômeno este, já presente nos programas PROUNI, FIES e PRONATEC.

  • A segunda, alerta que estes recursos do sistema educativo brasileiro competem, entre si, com os recursos destinados à educação técnica profissional de nível médio do sistema (ETP). O ensino médio constitui o principal gargalo da educação nacional na atualidade.

A oferta de ensino médio técnico integrada (ETP) é a menos desenvolvida na rede, e esta política pública “prometida” conduz à sua diminuição.

Nada contra cursos emergenciais para enfrentar “apagões” de mão de obra. Mas estas observações, dirigem-se a incentivar uma discussão que coloque, as políticas públicas emergenciais, articuladas a uma resolução mais estratégica do problema da força de trabalho num projeto de desenvolvimento nacional.

As experiências internacionais demonstram, à saciedade, que os projetos de desenvolvimento que tiveram sucesso no século passado criaram uma forte educação média geral e técnica para preparar a sociedade para as necessidades econômicas e sociais do desenvolvimento nacional.

Por meio da política pública o Brasil eterniza soluções emergenciais (bônus) e seus efeitos perversos sobre o sistema educacional. Por meio das eleições eterniza candidatos que as estimulam.”

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Links para pesquisas, Meritocracia, Privatização. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para Aécio: “pai dos pobres” – II

  1. kirilaraujo disse:

    Freitas, se não leu ainda, veja esta notícia:
    http://www.prwatch.org/node/12574
    Kiril

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