Doria cria “conselhão” e esvazia SME

Doria criará um grupo de “iluminados” para planejar a educação paulistana e esvaziará a Secretaria de Educação como órgão de planejamento da educação. A ação é um voto de descrédito aos profissionais da Secretaria e na prática, uma intervenção na política educacional do município. Note que não faz parte do conselhão anunciado nenhum profissional da rede paulistana e muito menos das entidades representativas do magistério.

A reportagem não deixa claro a relação deste conselhão com o Conselho Municipal de Educação e o Secretário refere-se a ele como “conselho da pasta” sugerindo uma estrutura paralela. Se isso se confirma, o voto de descrédito envolve também ao Conselho Municipal de Educação.

O modelo deve ser o mesmo adotado em outras Secretarias da gestão Doria:

“O prefeito eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou nesta quinta-feira (24) o nome de mais oito especialistas que vão presidir os conselhos gestores que ele pretende implementar em cada uma de suas 22 secretarias municipais.  (…)

O conselho de gestão é uma novidade proposta por Doria que vai funcionar como uma espécie de consultoria para as pastas da administração municipal. Grupos formados por sete especialistas cada vão acompanhar e auxiliar o trabalho dos secretários da Prefeitura, propondo soluções e discutindo políticas para o setor.”

Para quem tem como inspiração “Bloomberg”, ex-prefeito da Cidade de Nova York, que privatizou a educação, já se pode ver o que virá. Bloomberg também instrumentalizou um conselho (lá formalmente um conselho de educação da cidade) para aprovar todas as suas medidas. Os reformadores empresariais costumam promover “câmaras de eco” de suas próprias ideias. Em entrevista o Secretário diz que:

“A secretaria de Educação de São Paulo escolheu especialistas de grande nome na área da educação para compor o conselho da pasta e ajudar a orientar os projetos educacionais durante a gestão do prefeito João Doria Jr (PSDB).

Em entrevista a EXAME.com, o secretário Alexandre Schneider afirmou que o grupo terá papel semelhante aos conselhos administrativos de empresas, órgãos colegiados que analisam os resultados obtidos e auxiliam a traçar os planos estratégicos dos negócios.”

O conselho da pasta da educação será presidido por Mozart Neves Ramos, ex-secretário de educação de Pernambuco e diretor do Instituto Ayrton Senna e ainda inclui: Claudia Costin, ex do Banco Mundial e ex-secretária municipal do Rio; Neca Setubal do Cenpec; Pedro Villares da Natura e Gustavo Yoschpe, economista. A reportagem não menciona outros nomes.

Segundo o Secretário da Educação do município:

 “É um grupo heterogêneo de pessoas que está unido por seu desejo em ajudar a melhorar a educação pública no Brasil e em especial em São Paulo. Para nós vai ser muito bom porque é um diálogo que permite ter ideias novas, testar as ideias já existentes e objetivos”.

A ação esvazia a Secretaria Municipal de Educação e seus profissionais em relação à criação da política educacional e ainda esvazia o próprio Conselho Municipal de Educação, valendo-se de um grupo externo que conhece e vive pouco o dia-a-dia da rede.

Leia mais aqui.

 

 

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Doria na Prefeitura de SP, Responsabilização/accountability e marcado . Guardar link permanente.

Uma resposta para Doria cria “conselhão” e esvazia SME

  1. paulo disse:

    Grupo Airton Senna é fe natureza evangélicacomo ficam as matizes africanas muita coisa será peneirada

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s