SARESP: o sobe e desce das avaliações

O resultado por escola do IDESP, divulgado nesta quinta feira para as escolas do estado de São Paulo, mostra que:

“Todas as escolas primeiras colocadas no ano anterior tiveram redução na nota. No caso da Reverendo Augusto da Silva Dourado, de Sorocaba, que em 2011 teve o melhor índice do Estado – 9,3 em uma escala de zero a 10 – a nota caiu para 2,63 em 2012.” Leia aqui.

A Reverendo Augusto foi a escola que fraudou no teste, conforme denunciou a mídia.

Este é o problema de se usar avaliação associada a alto impacto. As injustiças vão se acumulando. Como o índice flutua em função de variados fatores, escolas são punidas injustamente e outras são premiadas indevidamente.

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Avaliar o que interessa

Os governos avaliam o que interessa. Isolam o desempenho do aluno, avaliam os professores e esquecem das condições, a principal parte que lhes toca. Mais, difundem os reformadores empresariais, em coro com alguns governos, que falta de condições é desculpa de professor para não ensinar. Os economistas da educação, adoram.

Mas não há nenhuma lógica nesta afirmação que soa muito mais como uma tentativa de ocultação de más condições. E não faltam dados a respeito.

Um engenhoso e original estudo conduzido por uma equipe de pesquisadores como Joaquim José Soares Neto, Girlene Ribeiro de Jesus, Camila Akemi Karino (todos da UnB) e Dalton Francisco de Andrade, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) permite que se verifique que:

“Com base nos dados disponíveis no Censo Escolar 2011 sobre estrutura e equipamentos dos colégios, pesquisadores criaram uma escala de avaliação da infraestrutura escolar das redes pública e privada do País. Os resultados revelam que 44% das 194.932 escolas analisadas possuem apenas condições elementares de funcionamento.”

“Apenas 14,9% das unidades escolares do País (29.026) oferecem um ambiente considerado adequado para o ensino e a aprendizagem.”

A engenhosidade dos pesquisadores está em que eles utilizaram a própria TRI – teoria da resposta ao item – para criar uma “escala de proficiência de infraestrutura”.

Leia mais aqui.

Curiosamente, a manchete escolhida pelo editor do IG, que divulga a pesquisa, foi “Estudo mostra que 44% das escolas do País não têm TV ou computador”. Fosse só isso que faltasse, dava-se um jeito. Mas é muito pior.

Centrar a avaliação da qualidade do ensino no professor e no alunos é desculpa para oculpar más políticas públicas conduzidas pelos governos. No mínimo, há que se criar um índice mais amplo, que incorpore todas as variáveis disponíveis. O trabalho dos autores mostra que isto é plenamente possível. Acontece que não interessa aos governos.

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Senado: oposição tenta escolarizar educação infantil

O Senado aprovou, hoje, o PNAIC – medida provisória que instaurou o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa – 8 anos.

Mas para que se tenha uma ideia dos desvairios da oposição no senado, ela queria que a idade certa fosse 6 (pasme!) seis anos. Nossas crianças foram salvas por pouco. Se passa esta besteira a educação infantil estaria definitivamente escolarizada no Brasil.

Se deixar, eles escolarizam aos 4 – e de quebra, com inglês também.

“Na votação de hoje foi rejeitada por 38 votos a 24, com uma abstenção, uma emenda apresentada por senadores de oposição que defendia a meta de alfabetização aos 6 anos de idade. A base de apoio do governo defendeu que o pacto deveria considerar a realidade de regiões pobres do país que estão atrasadas e não conseguiriam alcançar uma meta mais ambiciosa.

Durante o debate, senadores mencionaram que a meta de 6 anos pode ser incluída no PNE (Plano Nacional de Educação), que estabelecerá 20 metas para a educação brasileira na próxima década e ainda em tramitação no Senado (PLC 103/2012).”

Leia aqui.

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Testes: sem confiança por aqui

Durante o debate sobre o PNE, procuramos introduzir dispositivos na lei que obrigassem o governo brasileiro a divulgar índices de confiabilidade que indicassem a segurança dos testes feitos pelos nossos jovens. Foi recusado. Muitos especialistas que poderiam ter ajudado a pressionar nesta direção calaram-se, pois muitos estão associados às empresas que prestam serviços de assessoria em avaliação. Abaixo seguem trechos de uma entrevista com um especialista americano em testes:

“Para Cizek, também presidente do Conselho Nacional de Avaliação Educacional, entidade que congrega quase 2.300 especialistas no país [USA], uma prova desassociada de seus indicadores não deve ser usada para a tomada de decisões em políticas públicas. E não deveria nem ser feita por alunos. Nos Estados Unidos, a avaliação constante dos testes padronizados realizados por órgãos públicos é prevista por diversas leis, como a Race To The Top (Corrida ao Topo, em tradução livre), aprovada pelo governo de Barack Obama em 2009. No Brasil, não há informações disponíveis sobre estudos de validade e confiabilidade no site do Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A reportagem de Educação entrou em contato com o órgão ao longo de janeiro para saber se os estudos são realizados – nenhuma resposta foi recebida.”

“É importantíssimo mostrar evidências que corroborem as inferências feitas a partir dos resultados. O governo norte-americano exige que os indicadores sejam produzidos. É lei. Eu não usaria uma prova que não está acompanhada de seus indicadores para tomar decisões. Aliás, ninguém deveria fazer uma prova assim. Deve existir um trabalho grande para a produção dos indicadores antes de que a prova seja aplicada. Depois de sua primeira aplicação, o ideal é que exista um esforço contínuo para que ela seja avaliada sempre. Todo teste tem problemas. Sempre há um erro randômico. Por isso é importante monitorar e tentar melhorar o instrumento. Quando algum problema é identificado, deve-se fazer o possível para reduzi-lo – eliminá-lo é quase impossível. É preciso aceitar isso.”

Lei mais aqui.

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Livro

Atendendo a solicitações, divulgo site do livro Avaliação e Políticas Públicas Educacionais: ensaios contrarregulatórios em debate.

Editora Leitura Crítica

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Sem limites

Quando embarcamos no percurso da associação de resultados de testes a consequências fortes, ou seja quando o impacto do resultado da avaliação na vida das pessoas é alto, não há limite para as relações que se podem estabelecer em nome da “eficiência”. Por isso, precisamos pensar bem antes de seguir por este caminho.

Há quem acredite que podemos controlar este processo. Eu não estou entre eles. E a razão é simples: há dinheiro no meio e interesses governamentais e mercadológicos que são irrefreáveis.

Na educação isso tem se mostrado um desastre. É o caso do exemplo abaixo. Esta novela iniciada há mais de 20 anos nos Estados Unidos, ganha sempre novos capítulos:

“Não é suficiente, aparentemente, julgar os alunos, professores, diretores, escolas, distritos e estados através de pontuações em testes, para não mencionar a proposta do Departamento de Educação de avaliar as escolas com base nas pontuações dos testes obtidas pelos alunos concluintes. Agora, o Superintendente de Educação de Louisiana, John White, surgiu com uma ideia nova: Ele quer vincular o financiamento dado para os alunos rotulados como “talentosos” a quão bem eles se desempenham nos testes padronizados. Literalmente. Dinheiro para os resultados dos testes.”

Na origem da ideia está a necessidade de mostrar eficiência para a sociedade através da elevação das pontuações em testes. E por aí vai. O leque é grande. Leia aqui.

Na outra ponta, é risível – se não fosse desastroso – ver aparecer cartilhas para os pais dos estudantes americanos  lidarem com a ansiedade dos filhos durante os períodos de testagem nas escolas. Que personalidades estamos formando nesta juventude?

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Brincando com a vida dos outros

Já argumentamos neste blog inúmeras vezes sobre a questão das terceirizadas que corrigem os exames dos nossos jovens. A questão é antiga e já foi tratada até em livro:

Farley, T. Making the grades: My misadventures in the standardized testing industry. Sausalito: PoliPointPress, 2009.

Hoje, denúncias do jornal O Globo mostram que textos com problemas de ortografia não impediram que candidatos recebessem nota máxima na redação do ENEM:

“Denúncias do jornal O Globo mostram que redações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) com erros de gramática e ortografia obtiveram a nota máxima, 1.000. Em um outro texto, um estudante colocou a receita para um miojo e teve a argumentação considerada “adequada”.” Leia aqui.

Nestes casos denunciados, tivemos erros para mais na nota, e quando os erros são para menos, derrubam as notas e afetam a vida dos jovens? Em áreas disputadas pelo vestibular do ENEM a posição dos estudantes é definida por décimos. Os pais e estudantes precisam tomar consciência dessa realidade. Os testes não são tão precisos como alguns querem fazer parecer. Sobre isso há muita bibliografia.

A saúde dos testes e os critérios bem como a transparência dos processos de avaliação é ponto central a ser exigido das terceirizadas que realizam tais avaliações. Deveria haver um Procon da Avaliação. O Ministério Público tem procurado ser este espaço, mas é constantemente desqualificado e apontado como uma interferência em uma “questão pedagógica”. Como se vê, parece que não.

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Frente Nacional contra a Privatização da Saúde

Os profissionais da saúde estão há mais tempo sofrendo os efeitos da privatização naquela área. Com isso, já se organizaram mais e têm até uma Frente Nacional contra a Privatização da Saúde.

Infelizmente, a educação ainda não se convenceu que será a próxima a ser privatizada – inclusive a educação básica. A privatização virá na forma de Organizações Sociais que são criadas para permitir a contratação de profissionais pois a Lei de Responsabilidade Fiscal obriga os municípios a ter um limite de contratação no serviço público. É uma bomba relógio que foi deixada por FHC.

É fundamental que se desenvolva um movimento pela retirada da educação dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. Igualmente a Saúde. São áreas que demandam muitos profissionais para atender a população.

O que está acontecendo na Cidade de São Paulo é um exemplo do avanço desta política privatista.

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Dupla Haddad/Callegari privatiza educação infantil

Não tem jeito, o cachimbo acaba entortando a boca. Callegari propõe parceria público-privada na educação infantil. Empresas vão ser incentivadas a criar “ong” para atender alunos recebendo vouchers da Prefeitura de SP. É a privatização do público avançando. A Prefeitura de SP virou uma incubadora de empresas educacionais. Uma vez criadas, tais empresas não vão se restringir à educação infantil.

Privatizadas, como acontece em alguns municípios, as ONGs precarizam o trabalho do professor com salários baixos e entulham as classes com sobrecarga de alunos para os professores.

As unidades receberão um determinado valor por criança (voucher) e poderão priorizar filhos de seus funcionários.

“A Prefeitura de São Paulo conta com a “agilidade” da iniciativa privada para ampliar o número de creches conveniadas. A Secretaria de Educação vai ensinar as empresas a criar institutos sem fins lucrativos que possam abrir centros de educação infantil, dar orientação de como alugar ou construir um imóvel, repassar informações sobre o currículo a seguir e, fin almente, financiar a manutenção – mesmo que todos os atendidos sejam filhos de funcionários. A proposta é polêmica.

O modelo de expansão lembra promessa de ampliação de vagas em creches da gestão anterior, quando o prefeito era Gilberto Kassab e o secretário de Educação, Alexandre Schneider. Em 2007, eles prometeram inaugurar 500 unidades em parceria com empresas. As Parcerias Público Privadas (PPP), no entanto, foram barradas pelo Tribunal de Contas do Município.

Leia mais aqui.

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Rede pela Educação Pública

Abaixo o link do primeiro Boletim da Rede pela Educação Pública.

 

http://myemail.constantcontact.com/NPE-News-.html?soid=1112503958313&aid=R-yxYciWw5Y

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Mexeu

Mexeram na SAE – Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Sai Moreira Franco que impulsionava com Paes de Barros – com Gerdau na outra ponta – ações estratégicas no campo da educação e que favoreciam as teses dos reformadores empresariais. Até o Ministério da Educação andava refém da SAE. Aliás, é curioso notar que neste mesmo momento, Gerdau dispara contra Dilma pelos jornais dando entrevista contra a proliferação de Ministérios. Algo acontece por lá. Efeitos da sucessão 2014 possivelmente.

Mas a questão é: quem substituirá Moreira Franco, pois as coisas sempre podem piorar… Dizem que o substituto é da cota pessoal da Dilma e não dos partidos.

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Mais opções para ser contra

The Answer Sheet, publiciza artigo de Michael Pons sobre o Chile onde funciona a experiência mais longa de privatização com pagamento de vouchers. Agora, o leitor pode escolher por que ser contra a privatização, se pelos dados provenientes dos Estados Unidos ou se pelos provenientes do Chile. As opções aumentaram…

Abaixo alguns trechos:

“E, no entanto, a brecha entre desempenho dos estudantes no Chile e a resultante divisão econômica, está crescendo. Três quartos das matrículas de escola pública no Chile são alunos de renda familiar pertencente aos 40 mais baixos. Apenas 10 por cento dos estudantes desfavorecidos usam vouchers para frequentar escolas privadas. Noventa por cento dos alunos de escolas particulares vêm dos 60 por cento de renda familiar superior.

As oportunidades, onde elas existiram, foram para o benefício de famílias de renda média-alta. Alunos de escolas particulares, especialmente naquelas que cobram taxas acima do valor do voucher, estão se desempenhando muito bem. Estudantes das escolas públicas lutam em meio a uma série de desafios. Cortes orçamentários levaram a um declínio geral na qualidade para os alunos carentes e estudantes com deficiência são vastamente sobre-representados nas escolas públicas, em grande parte porque as escolas públicas são o último recurso para os alunos eliminados devido a problemas de capacidade de renda, habilidade ou disciplina.”

Leia o artigo completo aqui.

Observa-se aqui o aumento da segregação. A escola pública fica sendo o último refúgio para a população mais pobre e carente, ou que necessita de apoio especial, a qual é expulsa das escolas subvencionadas ou particulares. Os dados do PISA já mostravam isso quando o desempenho médio dos estudantes chilenos mais baixo fica com a escola pública, os de desempenho médio com as subvencionadas e os de alto desempenho com as escolas privadas. A brecha aumenta. Isso desmente na prática a tese dos reformadores empresariais de que estão operando em defesa das populações mais pobres. De fato, estão fazendo da escola publica um gueto e abrindo mercado para as indústrias educacionais faturarem.

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SP: sofrimento perene

Matéria do IG mostra que ‘Ensino da rede pública em São Paulo é pior que em 2009”. Adiantemos que isso não é culpa de quem administra hoje. É resultado de uma política ufanista e arrogante de 20 anos que prometeu grandes avanços e nunca conseguiu cumprir. Cercados de estatísticos, a última promessa feita, com o IDESP, garantia que iríamos revolucionar a educação paulista com o bônus calculado a partir deste. Era só uma questão de “ajustar” a fórmula.

A política de bônus foi paralisada na matriz de origem, os EUA, e embora aqui não dê resultado, não se consegue criar condições políticas para o governo retirá-la de cena. Se o governo fizesse isso, a mídia reclamaria, parte do PSDB – remanescentes de Paulo Renato – reclamaria etc. E ela vai ficando… e, ficando, a conta vai sendo passada para o gestor do dia.

Melhor seria pagar o preço de parar com esta insanidade uma vez só.

Veja abaixo a análise.

“Avaliação do governo do Estado mostra que apesar de ligeira recuperação índices de 2012 são menores que os de 3 anos antes nos anos finais do ensino fundamental e do médio

iG São Paulo | 11/03/2013 16:52:20

O ensino fundamental e médio da rede estadual de São Paulo está pior em 2012 do que três anos antes. Segundo dados divulgados pelo governo na sexta-feira à noite, o Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (Idesp) – que combina os resultados dos alunos em provas de português e matemática com indicadores de aprovação, reprovação e abandono – do 9º ano do fundamental e do 3º ano do ensino médio não conseguiu sequer repetir o resultado obtido em 2009 . Só houve evolução nos anos iniciais.

No ensino médio, embora a secretaria de educação comemore que o Idesp de 1,91 de 2012 é uma melhora em relação a 2011 , quando foi de 1,78, é inferior à média de 2009, que foi de 1,98. Pelos resultados do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), cujas provas foram em novembro, isso significa que apenas 0,5% dos alunos têm nível avançado em língua portuguesa, 26,3% tem conhecimentos adequados, 38,8% estão no nível básico e outros 34,4% aprenderam menos que o básico para a etapa. A média obtida pelos alunos foi de 268,4, em escala que vai até 500. Em 2009, era de 274,6 pontos. Em matemática, o desempenho também foi ruim: 0,3% dos alunos estão no nível avançado, 4,5% adequado, 39,4% básico, e 55,8% abaixo do básico. A média foi de 270,4 na 3ª série, uma leve oscilação para mais ante 2009 (269,4).”

Continue lendo aqui.

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Saresp empacado: não há o que comemorar

Ensino fundamental piora em SP

Saresp de 2012 revela redução das notas de português e matemática nos anos finais; ensino médio teve melhora nas duas disciplinas

08 de março de 2013 | 21h 10  –  Paulo Saldaña e Davi Lira, de O Estado de S. Paulo

O ensino básico da rede estadual de São Paulo registrou melhora no ensino médio, mas piorou nos anos finais do fundamental (de 6.º ao 9.º ano). Dados do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) divulgados na noite desta sexta-feira, 8, mostram ainda bons resultados no 5.º ano. As notas se referem ao desempenho do 5.º e do 9.º ano do ensino fundamental e do 3.º do médio em matemática e língua portuguesa da edição de 2012 do Saresp – avaliação anual da rede.

No ensino médio, houve o pífio movimento do Idesp 1,78 para 1,91. Em língua portuguesa a média foi 268,4 (em 2011 era 265,7). A nota de matemática foi de 269,7 para 270,4. Em termos de proporção de alunos com conhecimentos básicos passou-se de 37,1 para 39,4.

Continue lendo aqui.

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Ainda bem que rejeitou

O mais novo especialista em alfabetização – ele muda a cada semana de especialidade – é o senhor Hélio Schwartsman. Agora ele entende também de alfabetização a ponto de pontificar em sua coluna – este é o seu real poder, ter uma coluna – como deve ser o processo de alfabetização das crianças. Parece que ter uma coluna na Folha de S. Paulo, autoriza a se falar sobre tudo que se queira com autoridade de qualquer especialista. Fosse câncer de próstata e só o Dr. Srougi teria credibilidade, mas em educação é mais light.

Segundo Hélio, “a Câmara, com apoio do governo, prestou um desserviço à educação, ao rejeitar uma emenda à MP 586 que reduziria de 8 para 6 anos a idade ideal para as escolas alfabetizarem a garotada.” (Folha, 9-3-2013).

Ainda bem que rejeitou. A alfabetização, se a emenda passa, iria começar de fato aos 4 na pré-escola, antecipando a escolarização e roubando a fase das brincadeiras, dos jogos e da interação da garotada. Onde aconteceu isso? No país que já testou todas estas baboseiras, os Estados Unidos. Mas como aqui basta ter uma coluna para se ter a verdade e não se precisa de dados para fazer política pública, pode-se igualmente fazer estas propostas mesmo não se entendendo nadinha de alfabetização ou de educação.

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Dez no teste, zero na vida…

Após tiroteio de Sandy Hook, Estado dos EUA aprova professores armados em escolas

Do UOL, em São Paulo

08/03/2013  18h30

O governador do Estado de Dakota do Sul (EUA), Dennis Daugaard, sancionou nesta sexta-feira (8) uma lei estadual que permite a professores portarem armas dentro da sala de aula, segundo informou o jornal “The New York Times”.

Apesar de outros Estados americanos terem leis sobre porte de arma que tornam possível a um professor andar armado, acredita-se que a Dakota do Sul seja o primeiro dos 50 Estados dos EUA a ter uma lei que menciona especificamente a permissão, diz a publicação.

Continue lendo aqui.

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USA: estreitamento curricular em educação física

As evidências de estreitamento curricular centrado em leitura e matemática são cada vez maiores. Se alguém tem dúvida abaixo segue o link mostrando a subordinação da área de educação física à escolarização. É como se tudo devesse girar em torno a isso. A única dimensão humana de desenvolvimento é a cognitiva, e mesmo assim, leitura e matemática.

“Estimulados por um foco que visa melhorar as notas dos alunos em testes de matemática e inglês, assim como o desejo de incorporar mais informações sobre saúde e bem estar, mais distritos escolares estão incentivando os professores de educação física a ir além do futebol e do tênis para incluir leitura, escrita e aritmética como parte do ensino. Novas normas para inglês e matemática que foram adotadas por 45 Estados e no Distrito de Columbia recomendam que os professores de todas as disciplinas incorporem alfabetização e incluam mais `textos informativos` no currículo.

Mas alguns pais se opõem à forma como os testes estão cada vez mais tomando conta da vida escolar. E alguns educadores temem que ao incluir contextos acadêmicos nas aulas de educação física os professores possam acabar com seu principal objetivo.

Em todo o país, professores de educação física agora publicam listas de vocabulário em paredes de seus ginásios e solicitam aos alunos testem as Leis do Movimento de Newton ao atirar bolas.”

Leia a matéria completa aqui.

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Educação infantil: evidências para o debate

Obama está olhando para a pré-escola. O debate é sobre os impactos dos programas de apoio à pré-escola. Há estudos que sugerem o impacto de 7 dólares de ganho para cada 1 dólar aplicado em pré-escola. A discussão é sobre evidência empírica.

A questão está posta porque a crise americana tem jogado milhões de crianças na pobreza. Exatamente 23% das crianças americanas estão catalogadas na faixa da miséria infantil. E tende a crescer.

Infelizmente, bem ao estilo americano, o debate tem um viés economicista: ganhos em dólares e não ganhos de formação. E de um, não se deduz automaticamente o outro. Mas a lógica simples nos diz que investir em educação infantil é algo fundamental – desde que não seja para simplesmente escolarizar antecipadamente as crianças. E é isso que estão fazendo por lá (e que alguns estão querendo que façamos por aqui). O laboratório disso é a cidade de Nova York onde crianças de quatro anos têm que fazer testes.

Segue um resumo da visão dos que apoiam Obama.

“Em resumo, quando toda a evidência é considerada se verifica que programas públicos em grande escala têm conseguido produzir significativos ganhos de longo prazo para as crianças e não apenas a crianças desfavorecidas. O tamanho dos ganhos depende da qualidade do programa. Alguns programas públicos têm sido mais eficazes do que outros. Adotar modelos que são mais parecidos com os que tiveram maior sucesso no passado aumentaria o sucesso dos programas públicos no futuro. A proposta do Presidente com foco na alta qualidade do pré-K para todas as crianças é projetada para promover exatamente este resultado. (Para saber mais sobre o que é alta qualidade em meio pré-escolar ver Pianta, Barnett, Burchinal, & Thornburg, 2009.) Além disso, universalizar o pré-K estenderia os benefícios destes programas para muito mais crianças, incluindo a metade (49 por cento) dos pré-escolares americanos que vivem em famílias abaixo de 200 por cento da linha da pobreza e outras com acesso limitado a pré-K de qualidade com as políticas actuais (Addy, Engelhardt, & Skinner, 2013; Centro Nacional de Estatísticas Educacionais, 2011).”

Veja todo o argumento aqui.

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USA: motivação dos professores continua despencando

Saiu o resultado da pesquisa Metlife que examina a satisfação dos profissionais da educação na escola em 2012.

Um exame do estudo pelo NEPC conclui que as políticas que estão em voga minam o profissionalismo do professor. Estas políticas baseiam-se em avaliação do professor baseada em testes de alunos, certificação rápida da preparação do professor e o uso de materiais curriculares com foco limitado.

De acordo com os recentes resultados de pesquisa MetLife, a satisfação no trabalho do professor caiu consideravelmente ao longo dos últimos doze anos nos Estados Unidos. Ao contrário do que se tem dito, o estudo mostra que estas políticas têm o provável efeito oposto, ou seja, apontam para a desprofissionalização dos professores e do ensino.

Encontre o relatório de Richard Milner Policy Reforms and De-professionalization of Teaching aqui

 A pesquisa MetLife está aqui.

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Dois secretários deixam o MEC

“Amaro Lins cuidava do ensino superior e Cláudia Dutra, de educação continuada; nomes dos substitutos já foram anunciados.

Os nomes dos substitutos já foram anunciados. O reitor da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), Paulo Speller, assumirá a gestão do ensino superior e Macaé Maria Evaristo dos Santos, atual diretora de Políticas de Educação do Campo, Indígena e para as Relações Étnico-Raciais, chefiará a outra secretaria.

Leia mais aqui.

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O Milagre do Texas

George Bush (filho) implantou a lei de responsabilidade educacional americana em 2001 gabando-se de sua atuação como governador do Texas. Ele aplicou antes em seu estado, quando era governador, os princípios da No Child Left Behind. Apresentou “resultados” para convencer democratas e americanos a embarcar na lei. Mas logo o “milagre do Texas” seria descoberto e esclarecido. Mas não antes de que a lei tivesse sido aprovada. No link abaixo, você pode conhecer um pouco desta história (em inglês). Abaixo, uma das conclusões:

“As pontuações no teste do Texas subiram, mas no SAT para estudantes universitários potenciais caíram. Os pesquisadores descobriram que os testes do Texas projetados pela Pearson mediam principalmente a habilidade de fazer testes. Apologistas escolheram a dedo as pontuações do National Assessment of Educational Progress  para mostrar o progresso, mas no geral o Texas perdeu terreno para o resto do país, como mostrou o Dr. Julian V. Heilig, um pesquisador em educação da Universidade do Texas. Mas aí já era tarde demais. O Milagre do Texas, miragem ou não, era a lei da terra.”

Leia o texto completo aqui.

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USA: Resolução nacional sobre testes de alto impacto

Aqui vai o site que apresenta a Resolução Nacional contra os testes de alto impacto nos Estados Unidos.

http://timeoutfromtesting.org/nationalresolution/

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Sobre a desculpa da miséria

Ravitch publicou em seu blog um resumo da poderosa fala de Richard Rothstein: “Segregation Practices Block Achievement Gains” na Associação Americana de Superintendentes de Escolas, resumida por Sasha Pudelski.

Leia o resumo completo da fala de Rothstein aqui no site da AASA.

Rothstein “criticou aqueles que no movimento de reforma acreditam que a evidência de uma escola que consegue educar grupos concentrados de estudantes desfavorecidos seja uma prova de que é possível fazê-lo em qualquer lugar. Ele rebateu reformadores escolares como Joel Klein, ex-chanceler do New York City escolas, que argumentam que se os líderes da escola tiverem expectativas mais elevadas e maior qualidade dos professores, poderiam garantir a todos os estudantes pobres, com fome, itinerantes, uma realização equivalente ao seu par estável, rico e saudável.
Rothstein concluiu insistindo que, se os Estados Unidos espera ter logo ganhos radicais na erradicação da diferença de desempenho, a resposta não está na agenda de reforma da escola, mas em mudanças concretas na política federal, estadual e local para que os alunos desfavorecidos possam ser integrados aos distritos escolas de classe média ou de alto bem estar.
Quando os alunos desfavorecidos são agrupados em escolas, seus desafios são agravados e superpõem-se uns sobre outros. A não ser que integremos alunos carentes em escolas de classe média, nunca vamos diminuir a diferença de desempenho além do que já fizemos hoje“, disse Rothstein.”

Esta fala é importante porque, nos Estados Unidos e agora também no Brasil, há um movimento para se colocar em segundo plano a miséria que envolve os alunos, com a argumentação de que a miséria é desculpa do professor para não ensinar.

Em outro estudo este pesquisador já havia alertado para inconsistência na fala dos reformadores empresariais quando afirmou:

Os formuladores de políticas tipicamente tentam abordar a diferença de desempenho entre negros e brancos pela reforma da escola, apesar dos consistentes resultados da investigação que apontam que a variação no desempenho dos alunos em diferentes escolas é menos associada com a variação da qualidade da escola do que com a família, comunidade, saúde e outras desigualdades socioeconômicas que levam crianças desfavorecidas em geral, e as crianças afro-americanas em particular para a escola menos preparadas para aprender, em média, do que a classe média e seus colegas brancos.

Leia também aqui.

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Privatização por concessão: de novo sem evidência empírica

Mais um estudo independente mostra que a alternativa de privatização por concessão no campo educacional não apresenta evidência de que melhore a educação pública. De novo um estudo da CREDO em Michigan não apontou vantagem entre as escolas privatizadas por concessão e as escolas públicas. Aí vai:

BOULDER, CO (12 de fevereiro de 2013) – O conjunto da base da pesquisa deixa agora claro que o setor de Escolas Charters em grande parte reflete o setor público escolar convencional, em termos de notas dos alunos em testes. Isto é confirmado em uma análise mais recente sobre as Escolas Charters em Michigan. Uma nova revisão do estudo aponta para algumas limitações, mas conclui que emprega métodos analíticos sólidos e se baseia em um conjunto de dados grande, impressionante.

O desempenho das Escolas Charters em Michigan foi revisto pelo professor Andrew Maul, da Universidade de Colorado Boulder. O trabalho acadêmico de Maul centra-se na teoria de medição, validade e modelagem de variável generalizada latente. A revisão é publicada pelo Centro Nacional de Política Educacional.

O relatório de Michigan é o trabalho do Centro de Pesquisa sobre Resultados da Educação (CREDO) na Universidade de Stanford. Os pesquisadores analisaram as diferenças no desempenho dos alunos de Escolas Charter e as tradicionais escolas públicas de Michigan.

Até este ponto, a maioria dos estudos de alta qualidade sobre os efeitos das Escolas Charters nos EUA têm tendência a não mostrar impacto significativo – positivo ou negativo – sobre o desempenho do estudante. Neste contexto, o novo estudo do CREDO sobre Michigan foi alardeado pelos defensores das charters como se mostrasse um “grande sucesso” para as Escolas Charter.

Na verdade, o novo estudo estima que os alunos de Escolas Charters em Michigan tiveram  0,06 desvios padrão de crescimento acadêmico a mais do que os estudantes das tradicionais escolas públicas. Como Maul aponta “isso que equivale a dizer que cerca de um décimo de um por cento da variação do crescimento acadêmico está associado com o tipo de escola.” Tal achado mostra quase nenhuma diferença entre Escolas Charters e não Charters o que está em sintonia com o corpo geral da pesquisa passada. Alguns estudos sugerem benefícios leves, alguns sugerem dano leve, e muitos mostram nenhuma diferença.

Continue lendo em: http://tinyurl.com/9wacp9q

A revisão de Andrew Maul está em:
http://nepc.colorado.edu/thinktank/review-charter-performance-michigan

O relatório original do CREDO está em:
http://credo.stanford.edu/pdfs/MI_report_2012_FINAL_1_11_2013_no_watermark.pdf.

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Ideias zumbis…

Diane Ravitch fala em seu blog sobre “ideias zumbis”, ou seja, ideias que não foram aprovadas pela evidência empírica  – como o pagamento por mérito dos professores – e que, portanto, deveriam morrer, mas nunca morrem. Foram testadas por mais de um século, não funcionam e nunca morrem – diz ela.

Ideias zumbis – uma boa denominação. Ela cita outras zumbis: “os porcos engordam quando os medimos frequentemente”. Essa afirmação foi copiada às avessas da área da agricultura lá se diz: “os porcos não engordam pelo simples fato de os medirmos frequentemente”. Os reformadores empresariais têm a crença de que se medirem o desempenho dos alunos frequentemente, o desempenho vai melhorar. Eis aí outro bom exemplo de ideias zumbis que não funcionam e nunca morrem… Há muitas outras.

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Privatização avança no Rio

Um professor do Rio de Janeiro envia o seguinte comentário sobre a situação local. Envie o seu também.

“Mais uma vez a Secretaria de Educação do Estado do RJ – Seeduc, sob o controle do economista Wilson Risolia demonstra a sua total falta de respeito com os servidores públicos, especialmente, com os funcionários das escolas, serventes, merendeiras e porteiros. Estes profissionais que passaram pelo crivo do concurso público agora serão trocados, como se fossem mercadorias, por trabalhadores terceirizados, para exercer a mesma função.

A justificativa do secretário para tamanha sandice é que há uma determinação do Tribunal de Contas – TCE para remover os funcionários administrativos, porém, o próprio órgão alega o contrário: que se substituam os terceirizados por concursados. Afinal quem está mentindo? É muito grave a secretaria de educação usar esse subterfúgio para iniciar um processo de privatização da escola pública, pois isso que se trata, hoje, são os funcionários administrativos e, amanhã, serão os professores.

O mais assustador de tudo isso é a arrogância do secretário Risolia e seus subordinados ao afirmarem que os funcionários que não querem ser removidos são “acomodados”, chamar de acomodados profissionais da educação que dedicaram mais de 20 anos de serviços, limpando as escolas, preparando a merenda para os alunos e cuidando da entrada e da saída das pessoas, ganhando um salário vergonhoso. Isso é de tamanha insensibilidade e, também, se configura como assédio moral, mas não podemos esperar muito de um economista que vê a escola como um negócio e pessoas como coisas.

Quais serão os próximos atos da secretaria de educação – Seeduc? Não se assustem se colocarem vitaminas na merenda dos alunos ou pior, se aplicarem medicamentos intravenosos para melhorar o desempenho dos estudantes nos testes de alto impacto – Saerj e Prova Brasil, pois o seu modelo de inspiração, a China já faz isso há muito tempo. Podemos esperar de tudo dessa administração empresarial nas escolas públicas do estado do Rio de Janeiro. Por isso, neste momento, a unidade dos profissionais de educação é fundamental para lutar contra todos esses ataques à escola pública.”

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Fora da Lei?

O governo FHC deixou um belo cavalo de troia para incentivar a privatização da educação. Chama-se Lei de Responsabilidade Fiscal. Ela impede que a educação expanda a contratação de profissionais pois regula o máximo de contratações possível para toda a estrutura de um município ou estado. Portanto, áreas que consomem grande quantidade de pessoal como saúde e educação, são impedidas de contratar quando o conjunto da administração chegou a um determinado patamar de contratação.

A partir daí, passa a ser vantajoso, se não a única opção para um município, terceirizar a educação, pois este gasto não entra no cômputo dos gastos com pessoal controlados pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Uma modalidade preferida de privatização é o voucher. No caso da educação infantil, por exemplo, o voucher permite que o pai matricule seu filho em uma escola privada, com dinheiro público repassado pelo município. Ou que o município contrate operadoras filantrópicas ou de mercado para cuidar das crianças.

Já está na hora de ser iniciada uma campanha pela retirada da educação e da saúde dos limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal. E não venham com a estória de que há recursos suficientes para a educação. Isso é conversa de economista de primeira viagem pelo campo da educação. Investimento tem a ver com concepção de educação, coisa que economistas não são chegados.

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Quem ganha a corrida?

“Aqui está um pequeno segredo para você. Você conhece aquela palavra “desempenho”? Ela costumava ter algo a ver com feitos heróicos e realizações, mas hoje se refere a uma e apenas uma coisa: pontuações de teste. E as escolas de todo o país estão tomando medidas cada vez mais desesperadas para aumentá-las.

Hoje nós visitamos algumas escolas onde os estudantes estão virtualmente sob domínio da preparação para testes, praticando a arte de fazer teste semana após semana, na esperança de que os seus resultados no iminente teste de alto impacto irá aumentar o suficiente para evitar a intervenção do Estado, ou pior, a passagem da escola para um operador privado. Nesta história da corrida aos testes, há um vencedor claro: o grupo de consultoria que ganha até US $ 25.000 por escola para ajudar a impulsionar sua pontuação”.

Continue lendo em (inglês): http://edushyster.com/?p=1888

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Responsabilização participativa

Este mês foi publicado o livro:

Freitas, L. C.; Malavasi, M. M. S; Sordi, M. R. L.; Mendes, F. S. C. V. e Almeida, L. C. Avaliação e Políticas Públicas Educacionais: ensaios contrarregulatórios em debate. Campinas: Leitura Crítica. 2012.

O livro é produto de seminário organizado pelo LOED da Faculdade de Educação da UNICAMP em agosto de 2011 e financiado pelo Programa Observatório da Educação.

Nele encontra-se um debate sobre avaliação e políticas públicas com a participação de 12 especialistas da área e várias contribuições à construção de formas de avaliação participativa em contraposição à responsabilização verticalizada que está em voga em muitas redes de ensino.

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Avaliar a reforma empresarial

As escolas de Washington estão sob suspeita desde 2011. Impulsionadas a produzir resultados pela reforma educacional empresarial, sob comando da popstar Michelle Rhee, regada a bônus de 8 a 10 mil dólares para professores e diretores, algumas escolas subiram seu desempenho meteoricamente. Matéria à época publicada pelo USA Today alertava para a possível fraude.

Diane Ravitch chama atenção para um importante estudo que está sendo conduzido pela National Academy of Sciences que propõe um delineamento de médio prazo para avaliar reformas educacionais e alerta para as conclusões precipitadas muito em voga.

Quem esteve ontem na reunião dos prefeitos em Brasilia, pode assistir a apresentação do sucesso obtido pelo pessoal de Foz de Iguaçu em suas escolas. Independentemente do possível mérito de Foz, o fato é que tais apresentações carecem de metodologia e de cuidados técnicos que permitam acompanhamento público. Mais ainda, são feitas no calor dos resultados obtidos sem que se observe se tais resultados são duradouros, que efeitos colaterais geram – sendo o mais comum o estreitamento curricular. Segundo o apresentador da experiência de Foz, antes de aprendia “artes”, agora se aprende “português e matemática”. O mais trágico é que continuamos a achar que nota alta é sinônimo de boa educação.

Independentemente do caso Michelle Rhee em Washington, o estudo é importante por chamar a atenção dos formuladores de política para a necessidade de estudos cuidadosos que mostrem realmente a eficácia de tais reformas. É um bom exemplo para se seguir.

Políticos odeiam estudos de media e longa duração. Vivem o dia de hoje e o imediato, o da próxima eleição. Mas os educadores profissionais têm que ter outra visão sobre tais reformas e as divulgações midiáticas que estão ao seu redor.

As Fundações, com seus polpudos orçamentos, bem podiam financiar estudos de média e longa duração, bem como a estruturação de metodologias para tais estudos.

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