Privatização fracassa no Texas, mas encanta por aqui

O governo brasileiro anunciou sua estreia no uso de terceirização e vouchers com as 1000 creches que estão em construção nos municípios. Vai destinar recursos públicos para comprar vagas de terceirizadas que se dispuserem a acabar tais escolas.

“Em entrevista ao ‘Estadão/Broadcast’, a secretária especial do Programa de Parcerias de Investimentos, Martha Seillier, explicou que, na falta de recursos públicos para finalizar esses empreendimentos, a ideia é atrair um parceiro para acabar as obras, tocar a operação das creches e ofertar as vagas. Caberia ao governo comprar parte dessas vagas, como compensação aos investimentos feitos, e redistribuí-las à sociedade.”

Leia mais aqui.

Em tempos de entusiasmo no Brasil pelas escolas terceirizadas (charters) e por vouchers é relevante examinarmos o resultado destas “inovações” nos Estados Unidos, onde estão sendo implementadas há anos. Diane Ravitch resume a situação do Texas que é, em grande parte, a situação de outros estados americanos que embarcaram na “receita”:

“A lógica original para as escolas charter era que elas seriam inovadoras, seriam responsáveis ​​e teriam lições para compartilhar com as escolas públicas. Agora sabemos que a única inovação associada às escolas charter é a adoção de disciplina severa, remanescente das escolas de um século atrás.

Agora sabemos que os lobbies das terceirizadas são contra a “accountability”.

Elas não se veem mais como colaboradoras, mas sim como concorrentes. Se elas têm algo a compartilhar, não o estão fazendo.

Suas maiores inovações são desviar recursos das escolas públicas e escolher os alunos que elas desejam para si. Como setor, o setor terceirizado produziu uma infinidade de fraudes e escândalos, o que você é de se esperar que aconteça quando os empreendedores recebessem dinheiro do governo sem supervisão ou prestação de contas.

Os defensores das terceirizadas alegavam que elas “salvariam as crianças pobres de escolas fracassadas”, mas na maioria dos estados é melhor que estas crianças pobres permaneçam na escola pública.

O Texas está prestes a ser inundado com dezenas de novas escolas terceirizadas, graças aos recentes aportes de Betsy DeVos [Secretária de Educação] às grandes cadeias de terceirizadas IDEA e KIPP. Essas doações vieram do programa federal para financiar Escolas charters que DeVos usa como um fundo perverso destinado a prejudicar as escolas públicas.”

Diane Ravitch tem como base um estudo realizado por William J. Gumbert que examina o último relatório de avaliação do estado do Texas o qual conclui:

  1. Os distritos escolares (públicos) têm classificações acadêmicas significativamente mais altas do que as terceirizadas aprovadas pelo Estado;
  2. As terceirizadas continuam a ter uma porcentagem maior de escolas de “baixo desempenho” nas comunidades locais; e
  3. A privatização (feita de acordo com a legislação estadual S.B. 1882) resultou na redução do desempenho dos alunos.

Leia aqui.

QuadroCharter (2)

Por que copiamos no Brasil algo  que não funciona?

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Assuntos gerais, Escolas Charters, Meritocracia, Reforma e Fraudes, Responsabilização/accountability, Segregação/exclusão, Vouchers, Weintraub no Ministério e marcado , , , , , , . Guardar link permanente.

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