NEPC: parece um aplicativo inofensivo, mas não é!

A guerra da Ucrânia mostrou o descaramento das big-techs na edição da realidade ajustada a seus interesses e a seus países. E é nas mãos delas que estamos cada vez mais colocando a formação de nossa juventude. Um novo estudo do NEPC – National Education Policy Center – mostra o que está sendo desenvolvido por elas para “aprender” sobre os nossos estudantes e poder manipulá-los socioemocionalmente:

“À primeira vista, parece inofensivo, até mesmo reconfortante. Usando uma linguagem de bem-estar, seus criadores descrevem o produto digital Along como uma forma de “aprimorar” as relações aluno-professor e promover o aprendizado socioemocional, permitindo que crianças e adolescentes gravem breves respostas em vídeo ou áudio às perguntas dos professores sobre tópicos superficiais e leves (por exemplo, seus filmes favoritos) e profundamente pessoais (por exemplo, seus problemas e valores).

O Along foi introduzido em junho de 2021 pela Gradient Learning e seu parceiro, a Chan Zuckerberg Initiative. Eles projetaram um produto gratuito, explica Gradient, para ajudar os alunos do ensino fundamental e médio a “se abrirem sobre quem são e o que realmente está em sua mente – sem pressão dos colegas”.

Até agora tudo bem. O diabo, no entanto, está literalmente nos detalhes, escrevem Faith Boninger e Alex Molnar, co-diretores da Unidade de Pesquisa sobre Comércio em Educação do NEPC, em um artigo recente no Phi Delta Kappan, um jornal para educadores. Embora o site do aplicativo prometa que os dados coletados, algumas vezes profundamente pessoais dos alunos, “nunca estão à venda” e “apenas usados ​​para fins educacionais”, Boninger e Molnar observam que a política de privacidade do aplicativo e o acordo do usuário definem “dados do aluno” de forma muito restrita para excluir as chamadas informações de uso “desidentificadas” ou anônimas. Embora isso possa não parecer alarmante, Boninger e Molnar observam que cientistas da computação e profissionais de marketing sabem há décadas que “a desidentificação de dados é uma ficção”.”

Entre as recomendações os autores incluem:

“Quanto aos educadores, as recomendações são simples, embora um pouco antiquadas: dê aos professores tempo para evitar os aplicativos completamente e desenvolver relacionamentos de confiança professor-aluno por meio de interações presenciais que não deixem rastros digitais.”

Leia mais aqui.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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