Entrevista

Postado originalmente na Uol em 26/11/2011

 A responsabilização de escolas levaria a uma década perdida na educação, diz pesquisador sobre LRE

Observatório da Educação – Qui, 24 de Novembro de 2011 17:21

Luiz Carlos de Freitas é professor da Faculdade de Educação da Unicamp, e estuda a área de avaliação. Ele está acompanhando o processo de tramitação da chamada Lei de Responsabilidade Educacional.

Essa lei serviria para punir gestores por improbidade administrativa em casos de financiamento e acesso à educação. Mas, no processo de tramitação, ganhou novas características, que podem acabar resultando em transferência da responsabilidade a instituições escolares que não alcancem metas acadêmicas.

Leia a seguir entrevista com o professor Luiz Carlos, que critica os rumos da proposição como punição para escolas.

Observatório da Educação – Como está a tramitação da Lei de Responsabilidade Educacional?

Luiz Freitas – A lei de responsabilidade educacional está em tramitação no Congresso sob número PL-07420/2006 (Dispõe sobre a qualidade da educação básica e a responsabilidade dos gestores públicos na sua promoção). É um projeto que foi apresentado, em 2006, pela então deputada Raquel Teixeira do PSDB [de Goiás]. Como existiam várias iniciativas semelhantes no Congresso, todas as outras, inclusive o projeto do próprio MEC enviado em 2010, foram “apensadas” a este projeto da Raquel Teixeira. Neste momento, foi constituída a Comissão Especial para redação do texto final, presidida pelo deputado Newton Lima (PT-SP) e tem como relator o deputado Raul Henry (PMDB-PE). Vão ser iniciadas as audiências públicas.

Observatório – Qual o objetivo do projeto de lei?

Luiz – A intenção original do MEC era controlar a questão do uso da verba pública pelos gestores e não incluía a questão da cobrança de “metas acadêmicas” ou cumprimento de índices como o IDEB ou outro. Nesse sentido, a lei estava correta, pois visava garantir recursos bem geridos para as redes de ensino. Ocorre que ao dar entrada no Congresso e ser apensada a outras já existentes, o objetivo da lei foi ampliado para o controle de cumprimento de metas acadêmicas, objetivo já expresso no texto da deputada Raquel Teixeira (PSDB-GO), em 2006. Portanto, podemos dizer que hoje, a julgar pelo texto atualmente existente, que é o da então deputada Raquel, a lei de responsabilidade educacional teve seu objetivo ampliado em função do apensamento desses projetos.

Observatório – A cobrança de metas acadêmicas na LRE desvia, então, de sua intenção inicial?

Luiz- É muito cedo para nós concluirmos algo, pois ainda não temos um texto produzido pela Comissão Especial. Embora tenhamos o texto original do PL 7420. Mas, certamente, ele será modificado. Quanto? Não sabemos. Mas, deve-se antever que se a lei incluir metas acadêmicas, e creio que incluirá se não houver ampla reação, então os gestores irão repassar a responsabilidade também para os estabelecimentos e professores. Quem “pagará a conta” é a escola e os professores. Estes também ainda têm o recurso de repassar o “custo” para os alunos, na forma de exclusão daqueles que “derrubem a média da escola”, ou seja, dos alunos com maiores dificuldades.

Um recente estudo do CENPEC mostra como estas políticas afetam todo o território, o conjunto das escolas existentes em um dado território, e não apenas uma determinada escola, produzindo relações entre elas – inclusive atribuindo a determinadas escolas funções específicas no atendimento à população estudantil – induzindo o aparecimento de “guetos escolares”. A experiência mundial diz que estas políticas de responsabilização autoritárias, via leis que regulam índices para as escolas atingirem, não diminuíram as desigualdades acadêmicas.

Observatório – Quais seriam as consequências desta lei?

Luiz – Ninguém é contra responsabilizar a escola pela missão que tem como instituição pública financiada por todos. A questão a ser discutida é de que forma, com qual concepção de responsabilização. Uma concepção de responsabilização democrática e participativa pode ser encontrada no link: https://sites.google.com/site/movimentocontratestes/ .

Uma visão distinta pode ser vista nos Estados Unidos, na versão americana da lei de responsabilidade educacional – No Child Left Behind – que estabeleceu que em 2014 todas as escolas americanas deverão ter todos os seus alunos proficientes. Isso foi feito em 2001. Hoje, às portas de 2014, o Departamento de Educação americano entende que 80% das escolas não têm condições para cumprir esta lei. Para que ela serviu, então? Para privatizar e destruir a educação pública nos Estados Unidos.

A lei de responsabilidade educacional americana permite que, se uma escola não atinge as metas, ela pode ser fechada e privatizada como “escola charter”, ou seja, uma escola administrada por contrato de gestão feito com empresas operadoras privadas. Algo que existe no Brasil ao nível de educação infantil, já foi ensaiado no ensino médio em Pernambuco e, diz-se, que será brevemente ensaiada no Estado de São Paulo em 20 escolas.

Esta estratégia coloca a educação sob controle direto da iniciativa privada, gerida e até financiada por grandes corporações. Nos Estados Unidos, três ou quatro fundações definem a agenda do Departamento de Educação. Teremos que discutir se isso é democrático e seguro para o futuro do país e da nossa juventude.

Esta estratégia de responsabilização autoritária parte da ideia de que a gestão privada resolverá o problema da educação, já que servidores públicos são preguiçosos, desmotivados e não confiáveis. A lei americana cumpriu a função de abrir o setor educacional ao mercado de empresas educacionais, em especial o mercado da consultoria, da tutoria e da avaliação. Hoje este mercado nos Estados Unidos está estimado em 4 bilhões de dólares.

Esta foi a principal consequência da lei de responsabilidade educacional americana, já que do ponto de vista da melhoria da qualidade da educação americana não houve impacto. Antes da lei, os Estados Unidos estavam na média do PISA. Dez anos depois, o país continua na média do PISA. Nas avaliações internas do NAEP as alterações são para pior ou pífias, como ocorreu na última avaliação divulgada. Ou seja, se usarmos as próprias estatísticas de desempenho dos alunos americanos disponíveis, não há nada que justifique reproduzir está lógica no Brasil. Até porque, temos caminhado no PISA – como reconhece a própria OCDE.

Observatório – Existem outras formas de lidar com a responsabilidade da escola?

Luiz – Há outra forma de lidar com a escola que pode ser observada em países que recusam a estratégia americana. O caso da Finlândia é emblemático. Contrariamente à responsabilização autoritária baseada em leis e na “lógica dos negócios”, usa-se uma responsabilização baseada na confiança na escola e em seus profissionais. Regula-se o número de alunos máximo em sala de aula (24). Cuida-se da miséria infantil que é de 4% (nos Estados Unidos é 22% e crescendo). Os professores são respeitados e bem formados (5 anos de estudos universitários). Não são pagos com “bônus” e nem avaliados e pagos pelos resultados de testes de aprendizagem aplicados a seus alunos. Todos os que visitaram a Finlândia são unânimes em dizer que o que surpreende é o grau de confiança que o país tem em suas escolas e em seus profissionais. Não são execrados pela mídia e por engravatados que se dizem “especialistas em educação” sem terem nunca dado uma aula na vida em uma escola pública.

Não há testes de larga escala na educação básica a não ser no final do ensino médio para entrar na universidade. Uma responsabilização sem pressão. Qual o impacto disto na aprendizagem dos alunos, medido pelo mesmo PISA: a Finlândia é topo no PISA. Temos então, duas formas de responsabilização: a dos americanos, que não melhorou a sua educação, e que está introduzida no texto da deputada Raquel Teixeira em análise no Congresso. E a da Finlândia, topo do PISA.

Na dependência da escolha que o Brasil faça, se optarmos pela responsabilização americana, estaremos caminhando para mais uma década perdida em educação, com a consequente destruição do sistema público de educação brasileiro.

http://www.observatoriodaeducacao.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1116:a-responsabilizacao-de-escolas-levaria-a-uma-decada-perdida-na-educacao-diz-pesquisador-sobre-lre&catid=73:controle-social&Itemid=107

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Consed discute avaliação

Postado originalmente na Uol em 28/11/2011

V Reunião Extraordinária do Consed

As avaliações de larga escala da Educação Básica foram o tema que dominou o primeiro dia de debates da V Reunião Extraordinária do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed). O encontro começou na tarde desta segunda-feira e prossegue até esta terça-feira (29), na Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Apresentaram suas diferentes visões os professores Francisco Soares (UFMG), Luiz Carlos Freitas (Unicamp) e Lina Kátia Mesquita de Oliveira (UFJF).

Francisco Soares enfatizou que é as avaliações são necessárias, mas precisam ser debatidas antes de ser implementadas. “Outro problema é que a sociedade ainda não tem clareza das diferenças entre prova, feita para classificar candidatos em um concurso, e avaliação, realizada para diagnóstico educacional”, analisou. “Também há ênfase para rankings sobre quem tirou as melhores e as piores notas, o que é um equívoco do ponto de vista da educação”, completou. Para o pesquisador, o que mais importa nos resultados é saber como a escola está, quais os progressos já alcançados e no que precisa melhorar.

Já Luiz Carlos afirmou que a centralidade que os testes assumiram em alguns países tem conduzido a supervalorizar o poder das provas para produzir qualidade na educação, impedindo uma discussão aprofundada sobre o que é uma “boa educação”. Para ele, as provas municipais, estaduais e as nacionais devem ser usadas exclusivamente para avaliar as políticas públicas e monitorar o avanço da qualidade educacional e nunca para avaliar individualmente as escolas, os alunos e seus professores. “Nota alta não é sinônimo de boa educação e formação é mais do que expectativa de aprendizagem”, disse o professor da Unicamp.

A professora Lina Kátia fez um resumo dos sistemas de avaliação e de bonificação por desempenho docente existentes atualmente nos estados. A pesquisadora reiterou que os sistemas são implementados para produzir um diagnóstico sobre o desempenho dos alunos e os fatores que interferem nesse desempenho; monitorar a qualidade da educação ao longo do tempo; definir subsídios para a formulação de políticas educacionais com qualidade e equidade.

Lina Kátia defendeu que os estados e municípios tenham seus próprios sistemas de avaliação. “O desenho próprio de avaliação leva em conta as necessidades específicas”, disse. “Além disto, os resultados das avaliações locais são disponibilizados com maior agilidade, o que permite uma ação mais rápida para a solução dos problemas apresentados”, afirmou.

Também participaram do debate a secretária de Educação Básica (SEB/MEC), Maria do Pilar Almeida e Silva e das pesquisadoras Paula Louzano (Fundação Lemann) e Gláucia Torres Franco (Fundação Carlos Chagas).

Confira as apresentações dos pesquisadores:

Utilidade e usos das avaliações de larga escala da Educação Básica – Francisco Soares

Cultura de auditoria ou confiança nas escolas? – Luiz Carlos de Freitas

Sistemas próprios de avaliação educacional – Lina Kátia Mesquita Oliveira

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Máquina de privatização ligada a Dilma

Postado originalmente na Uol em 2/12/2011

A revista Exame veicula esta semana entrevista com o empresário Jorge Gerdau. Ele comanda, diretamente ligado a Dilma, a Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade. Juntamente com ele ainda estão Henri P. Reischtul, Presidente da Petrobras; Antonio Maciel Neto, Presidente da Suzano Papel e Celulose; Abílio Diniz, Presidente do Grupo Pão de Açucar.

Eles trabalham sem nenhuma remuneração, pela causa. Comandam um exército de 200 executivos que patrocinam e acompanham os resultados dos projetos desta Câmara. Gerdau atua visitando governadores nos Estados para passar suas propostas. Uma vez que o Governador aceita, estes empresários pagam a Mckinsey e outras consultorias para preparar o projeto para o estado implantar.

Note-se que é o mesmo modelo que o Estado de SP implantou para definir a política educacional na Secretaria de Educação. Um grupo de executivos e fundações paga a Mckinsey para ela fazer a auditoria e definir os projetos.

O modelo é muito parecido com o que os empresários americanos fizeram em seu país na década de 90 quando um grupo de 300 executivos fez lobby junto aos governadores dos estados americanos para implantar as políticas educacionais de responsabilização e meritocracia.

Aqui o modelo foi expandido para outras áreas, mas a lógica é a mesma. A reportagem é importante porque mostra que os empresários estão atuando no centro do sistema, mas também junto aos estados.

Detalhe: Gerdau é presidente do Comitê de Governança do Movimento Todos pela Educação que conta com patrocínio da Gerdau e da Suzano, entre outros.

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Alerta na matriz: carta de pesquisadores

Postado originalmente na Uol em 4/12/2011

Pela sua importância, reproduzo a carta dos especialistas em avaliação nos Estados Unidos, contra a vinculação de pagamento do professor a testes de alunos.

Ao Conselho Estadual de Regentes do Estado de Nova York

15 de maio de 2011

Como pesquisadores que fizeram extenso trabalho na área de testes e medidas com o uso de métodos de análise de valor agregado, escrevemos para expressar nossa preocupação sobre a decisão pendente no Conselho de Regentes de exigir o uso de resultados dos testes do Estado em 40% da decisão de avaliação dos professores.

Como o relatório em anexo do Instituto de Política Econômica descreve, a literatura de pesquisa inclui muitas advertências sobre os problemas de basear as avaliações de professores nas notas dos alunos. Estas evidências incluem problemas de atribuição de ganhos de estudantes a professores específicos; preocupações com a ênfase em apenas “ensinar para a prova” em detrimento de outros tipos de aprendizagem; e desestímulos dos professores para atender os alunos de maiores necessidades, por exemplo, aqueles que ainda não falam Inglês e aqueles que têm necessidades educativas especiais.

Resenhas de pesquisa sobre metodologias de valor agregado para a estimativa dos “efeitos” do professor com base em notas dos alunos concluíram que essas medidas são muito instáveis ​​e muito vulneráveis a muitas fontes de erro para serem usadas como parte importante da avaliação de professores. Um relatório da RAND Corporation, concluiu que:

A base de investigação é insuficiente para suportar o uso de VAM para decisões de alto risco com professores individualmente ou escolas.

O Conselho de Controle e Avaliação do Conselho Nacional de Pesquisa da Academia Nacional de Ciências afirmou:

… as estimativas de valor agregado da eficácia dos professores … não devem ser usadas para tomar decisões operacionais, pois estas estimativas são muito instáveis ​​para serem consideradas justas ou de confiança.

Henry Braun, então na Educational Testing Service, concluiu em sua revisão da pesquisa que:

Os resultados de valor agregado não devem servir de base única ou principal para a tomada de decisões importantes sobre os professores. Há muitas armadilhas para fazer atribuições causais de eficácia do professor com base nos tipos de dados disponíveis nos distritos escolares típicos. Ainda nos falta um conhecimento suficiente da seriedade com que os diferentes problemas técnicos ameaçam a validade de tais interpretações.

Segundo esses estudos, os problemas com o uso de modelos de teste de valor agregado para determinar a eficácia do professor incluem:

* As classificações dos professores são afetadas por diferenças nos alunos que lhes são designados. Os alunos não são designados aleatoriamente aos professores – e modelos estatísticos não pode ajustar-se inteiramente ao fato de que alguns professores terão um número desproporcional de estudantes que pode ser excepcionalmente difícil de ensinar (estudantes com pobre assiduidade, que são sem-teto, com problemas graves em casa, etc) e cujas pontuações em testes tradicionais têm uma baixa e inaceitável validade (por exemplo, aqueles que têm necessidades educativas especiais ou que estão aprendendo Inglês). Todos esses fatores podem criar estimativas erradas da eficácia dos professores e desestimular os professores que precisam ensinar os alunos mais necessitados, criando-se incentivos para que os professores procurem ensinar aos alunos que eles esperam que façam progressos mais rápidos e evitando escolas e salas de aula que atendem a estudantes que precisam de maior esforço.

* Os modelos de valor agregado de cálculo da eficácia dos professores não produzem avaliações estáveis destes. Os professores aparecem muito diferentes em sua eficácia quando diferentes métodos estatísticos são utilizados. Além disso, os pesquisadores descobriram que as avaliações da eficácia dos professores diferem de classe para classe, de ano para ano, e até mesmo de teste para teste, mesmo quando estes estão dentro da mesma área de conteúdo. Henry Braun afirma que as classificações são mais instáveis ​​nas extremidades superiores e inferiores da escala, que muitos gostariam de usar para determinar os níveis altos ou baixos de eficácia.

* É completamente impossível separar as influências de outros professores no desempenho dos alunos de um professor, bem como das condições da escola e em casa, em sua aparente aprendizagem. Não existe um único professor responsável por todas as aprendizagens do aluno. Professores anteriores têm efeitos duradouros, para o bem ou para o mal, sobre a aprendizagem posterior dos alunos e os professores atuais também interagem para produzir os conhecimentos e habilidades dos alunos. Alguns alunos recebem aulas particulares, bem como a ajuda dos pais bem-educados. Um professor que trabalhe em uma escola com suporte de especialistas que apoiam os estudantes de famílias estáveis pode parecer ser mais eficaz do que aquele cujos alunos não recebem esses apoios.

Estes problemas são agravados ainda mais pelo fato de que o tipo de testes e exames de fim de curso usados em Nova York não são projetados para medir o desenvolvimento do estudante.

Apesar dos modelos de valor agregado baseados em notas dos alunos serem úteis para olhar para grupos de professores para fins de pesquisa – por exemplo, para examinar os resultados dos programas de desenvolvimento profissional ou olhar para o progresso do aluno ao nível da escola ou do distrito, elas são problemáticas se usadas como medidas para a tomada de decisões de avaliação de professores.

Nós os incentivamos a rejeitar as propostas que podem colocar grande ênfase à essa estratégia não testada e que podem ter sérias conseqüências negativas para o professor e para os alunos mais vulneráveis ​​nas escolas do Estado.

Eva Baker, Distinguished Professor, UCLA Graduate School of Education Director, National Center for Research on Evaluation, Standards and Student Testing (CRESST) President, World Educational Research Association, 2010-2012 Past President, American Educational Research Association

Linda Darling-Hammond, Charles E. Ducommun Professor of Education, Stanford University Past President, American Educational Research Association Executive Board Member, National Academy of Education

Edward Haertel, Vida Jacks Professor of Education, Stanford University Chair, Board on Testing and Assessment, National Research Council Vice-President, National Academy of Education Past President, National Council on Measurement in Education

Helen F. Ladd, Edgar Thompson Professor of Public Policy and Professor of Economics, Sanford School of Public Policy, Duke University President, Association of Public Policy and Management

Henry M. Levin, William Heard Kilpatrick Professor of Economics and Education, Teachers College, Columbia University Past President, Evaluation Research Society Past President, Comparative and International Education Society

Robert E. Linn, Professor Emeritus, University of Colorado at Boulder Past President, American Educational Research Association Past President, National Council on Measurement in Education

Aaron Pallas, Professor of Sociology and Education, Teachers College, Columbia University Fellow, American Educational Research Association

Richard Shavelson, Dean Emeritus and Margaret Jacks Professor Emeritus, Stanford University. Past President, American Educational Research Association

Lorrie A. Shepard, Dean & Distinguished Professor, University of Colorado at Boulder Past President, American Educational Research Association Past President National Academy of Education Past President National Council on Measurement in Education

Lee S. Shulman, Charles E. Ducommun Professor Emeritus, Stanford University President Emeritus, Carnegie Foundation for the Advancement of Teaching Past President, American Educational Research Association

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Manifesto do Forum Paulista de Educação infantil

Postado originalmente na Uol em 6/12/2011

Manifesto indignado do FPEI: Avaliar para que? E para quem?

O velho mundo morre enquanto o novo tarda a aparecer. No claro-escuro perfilam os monstros (Antonio Gramsci).

O Fórum Paulista de Educação Infantil traz seu manifesto indignado, contra as ondas de controle, ou melhor, a este verdadeiro tsunami que invade os territórios da educação das crianças pequenas, a avaliação em larga escala do desempenho das crianças de 0 até 6 anos de idade, por meio de testes, questionários, provas e quaisquer outros instrumentos, que não respeitem as crianças como produtoras de culturas infantis.

Ao lado dos bebês e das crianças, defendendo-as em seus direitos como produtoras de culturas, há diversos documentos, pesquisas e leis que abrangem as especificidades das infâncias. Desta forma, não podemos admitir que tais procedimentos avaliativos se instalem, ignorando e desconsiderando todo processo de concepção sobre Educação Infantil e avaliação presentes na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei n. 9394/96), nas Diretrizes Curriculares Nacionais de Educação Infantil (Resolução CNE/CEB nº 05 de dezembro de 2009) e nos Indicadores da Qualidade na Educação Infantil (2009).

Há, portanto, que considerar – ouvindo – os professores e professoras, pesquisadores e pesquisadoras, enfim os tantos profissionais da educação que, ao longo dos anos, têm aprendido com as crianças e não só sobre elas… aprendido com as crianças reais, em ambientes coletivos de educação. Esses ambientes sim, merecedores da avaliação detalhada de seus contextos organizativos de tempo, espaços, interações, formação docente, propostas pedagógicas, formas de registro do tempo, do espaço , enfim, das “condições dadas” para a produção das culturas infantis e formas de registro da experiência vivida, aprendida, transgredida, desaprendida, inventada, recriada, etc. Sempre uma avaliação da instituição e do projeto pedagógico, além da avaliação das políticas públicas (gestão, recursos financeiros, pedagógicos, etc.); jamais avaliação individual das crianças, que tem sido historicamente produtora de estigmas e de pressão contra as crianças e não de condições favoráveis à formação humana em suas múltiplas dimensões.

De outro lado, nossos estudos, pesquisas e trabalho pedagógico com as crianças pequenas nos mostram que a infância é uma construção histórica e social, o que torna impossível imaginar a proposição de um instrumento que quantifica, para avaliar as descobertas, as invenções, enfim as experiências das crianças.

Sendo assim, como não nos indignarmos diante da possibilidade de uma proposta de avaliação nacional que desconsidera a existência das diferentes infâncias e crianças e, em especial, o lugar de cada uma delas na estrutura da sociedade brasileira segundo a classe social, pertencimento racial e étnico, gênero e cultura, entre outras diferenças?

As meninas e meninos nos mostram e nos revelam que as diferentes e múltiplas dimensões humanas não são passíveis de serem retratadas ou aferidas, com dignidade, por testes ou avaliações pré-formulados, a partir de uma visão de um modelo de criança que verdadeiramente e felizmente, não existe.

Assim não é possível compactuar com a disseminação de mecanismos de avaliação que se circunscrevem à classificação das crianças, tendo por base categorias definidas a priori, que revelam um padrão esperado e idealizado do que as crianças devem ser em cada faixa etária. O objetivo fundante de tais instrumentos, que menosprezam as dimensões humanas em construção desde o nascimento, é basicamente avaliar se a resposta é certa ou errada, ou se o comportamento do bebê ou da criança corresponde às normas e as expectativas pré-determinadas. Tais modelos de avaliação, revestidos pela ótica falsamente objetiva e padronizada, apregoam a possibilidade e a crença de poder apreender a realidade com precisão. Crença esta, que só se sustenta na perspectiva da avaliação tradicional, balizada por duvidosos diagnósticos, descontextualizados e antidemocráticos, capazes de definir currículos homogeneizantes e práticas sem significado, moldando e reforçando comportamentos, tendo em vista sua adequação ao produto final esperado. Essa concepção etapista da educação infantil não cabe mais em lugar algum.

É nessa perspectiva que se instala nossa indignação. Afinal, não podemos retroceder e desconsiderar os avanços significativos que a educação da pequena infância vem construindo nas últimas décadas, com a inestimável e generosa participação das crianças, em relação à avaliação e aos processos de documentação pedagógica. Esses avanços já fundamentam inclusive as bases legais que sustentam a primeira etapa da educação básica, a Educação Infantil do país, como já sinalizado. Avanços que anunciam a possibilidade de pensar em propostas avaliativas que considerem as crianças reais, suas vozes, experiências, culturas e saberes, e ainda impulsionem a construção de uma educação da infância de qualidade e digna de todos os bebês e crianças deste país, cuja riqueza, inteligência, curiosidade e inventividade, não cabem em testes, questionários ou provas. Tais instrumentos que querem implantar são pequenos, são indignos da grandeza de nossas crianças.

Não estaremos jamais ao lado dos que querem aferir os conhecimentos dos bebês e das crianças pequenas com provas e teste e estaremos sempre em defesa da Pedagogia da Infância que aprende a cada dia os alcances da capacidade inventiva e transgressora das crianças pequenas. Não admitimos que uma avaliação que não serve para as crianças do ensino fundamental, por inúmeros motivos, dos quais destacamos hierarquizar escolas e restringir currículos à preparação para provas, seja estendida à Educação Infantil.

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Universidades reagem ao ASQ3 na educação infantil

Postado originalmente na Uol em 6/12/2011

A representante dos coordenadores de curso de especialização em docência para a educação infantil, Fátima Guerra, entregou à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência (SAE), hoje (5/12), uma carta, assinada por 32 coordenadores de 20 universidades federais. Na carta ela critica a possível adoção do projeto norte-americano de avaliação do desenvolvimento de crianças, o ASQ3, na educação infantil brasileira. Segundo a representante, a proposta está em estudo no gabinete do ministro Fernando Haddad para ser implementada em todo o país.

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Livro de Diane é traduzido no Brasil

Postado originalmente na UOL em 7/12/2011

Foi traduzido para o português o livro de Diane Ravitch:

Vida e morte do grande sistema escolar americano – Como os testes padronizados e o modelo de mercado ameaçam a educação

Diane Ravitch

ISBN: 978-85-205-0632-5

Um apelo passional pela preservação e renovação da educação pública. O livro Vida e Morte do Grande Sistema Escolar Americano é uma mudança radical de perspectiva, escrito por uma das mais conhecidas especialistas em educação dos EUA.

Diane Ravitch – ex-secretária-assistente de educação e líder do movimento para a criação de um currículo nacional – examina a sua carreira na reforma educacional e repudia posições que ela anteriormente defendeu firmemente. Baseando-se em 40 anos de pesquisa e experiência, Ravitch critica as ideias mais populares de hoje para reestruturar as escolas, incluindo privatização, testes padronizados, responsabilização punitiva e multiplicação irresponsável de escolas autônomas. Ela demonstra conclusivamente por que o modelo empresarial não é uma forma apropriada de melhorar as escolas. Usando exemplos de grandes cidades como Nova York, Philadelphia, Chicago, Denver e San Diego, Ravitch evidencia que a educação de hoje está em perigo.

Ravitch inclui propostas claras para melhorar as escolas americanas:

– deixe as decisões sobre as escolas para os educadores, não para os políticos ou empresários;

– construa um currículo verdadeiramente nacional que estabeleça o que as crianças em cada série deveriam estar aprendendo;

– espere que as escolas autônomas eduquem as crianças que precisam de mais ajuda, não que concorram com as escolas públicas;

– pague um salário justo aos professores pelo seu trabalho, não um “salário por mérito” baseado em pontuações de testes profundamente falhos e não confiáveis;

– encoraje o envolvimento familiar na educação logo a partir dos primeiros anos.

Vida e Morte do Grande Sistema Escolar Americano oferece mais do que apenas uma análise da situação atual do sistema educacional americano. É uma leitura fundamental para qualquer um interessado no futuro da educação americana.

http://www.editorasulina.com.br/detalhes.php?id=559

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Você acredita em milagres?

Postado originalmente na Uol em 8/12/2011

Recentemente nosso Ministro da Educação, Fernando Haddad, inaugurou a era das visitas a escolas de sucesso, tal qual nos Estados Unidos faz seu Secretário de Educação e até o presidente Obama. Alguém por lá resolveu monitorar estas escolas elogiadas e verificar o que acontece com elas depois das famosas visitas. Veja abaixo o resultado. Cocal dos Alves que se cuide!

Há poucos dias (6-12-2011) Diane Ravitch escreveu em seu Blog no Education Week um comentário sobre escolas americanas que foram louvadas como milagres sob o título: Você acredita em milagres? Diz ela:

“Uma das reivindicações centrais do movimento dos reformadores empresariais é que a pobreza não é um destino e que uma escola composta por grandes professores pode eliminar a pobreza. Esta é uma espécie muito atraente de retórica, porque todos nós nutrimos a esperança de que cada pessoa pode superar os obstáculos da pobreza para alcançar o sucesso na escola e na vida.

Certamente, nós estimamos o sonho americano de que as pessoas que crescem em situação de pobreza possam alcançar um sucesso excepcional em suas vidas (mesmo que ciências sociais digam que as probabilidades favorecem quem tem dinheiro, educação e privilégio). Para algumas pessoas, esta formulação tem também o sentido de que podemos ignorar a pobreza, cortar impostos e gastos, e apenas se concentrar no fechamento de escolas, abertura de escolas por contrato de gestão (charters), dar vouchers, colocando as crianças on-line sem professores, aumentando o tamanho das turmas, ou lançar um novo sistema de avaliação do professor.”

A autora enfatiza que há uma correlação forte e inegável entre renda familiar e resultados dos testes que aparece em testes padronizados como o SAT, o ACT, o NAEP, e em todos os outros testes padronizados. Mas considera pouco provável que os professores sozinhos possam fechar as lacunas de desempenho dos estudantes.  Em seu texto a autora examina três escolas consideradas “milagrosas” pelo seu desempenho inédito e que foram louvadas como exemplo de superação.

Para saber o que ocorre com tais escolas pode-se consultar os trabalhos de Gary Rubinstein, que cuidadosamente acompanha as chamadas escolas milagrosas.

Leia mais em:

http://blogs.edweek.org/edweek/Bridging-Differences/2011/12/do_you_believe_in_miracles.html

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Todos pela Educação avança no MEC

Postado originalmente na Uol em 9/12/2011

O Movimento Todos pela Educação avança no Conselho Nacional de Educação e no Ministério da Educação e consegue passar a ideia de instituir consórcios público/privados para grupos de municípios, denominada de “arranjos educacionais”. Ao instituir este mecanismo, que não prevê acesso das instituições privadas a recursos públicos, o que o Movimento Todos pela Educação deseja é o acesso ao controle ideológico do processo educacional – principal meta dos reformadores empresariais. O relator do Parecer foi Mozart Neves Ramos, também do Todos pela Educação.

Já divulguei neste blog como funciona o processo de controle ideológico que os empresários realizam, gratuitamente, na Secretaria da Presidência da República, que reúne 200 empresários que financiam projetos de melhoria da gestão pública em várias áreas, sob comando de Gerdau, o qual também é presidente do comitê de governança do Movimento Todos pela Educação.

A aprovação do PARECER da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação Nº: 9/2011 se deu em 30 de agosto de 2011 e já foi homologado pelo Ministro da Educação Fernando Haddad. Diz o texto do parecer:

“Este parecer tem por objetivo analisar proposta de fortalecimento e implementação do regime de colaboração entre entes federados, basicamente entre Municípios, numa espécie de colaboração horizontal, mediante arranjos de desenvolvimento da educação. Isto significa trabalhar em rede, onde um grupo de Municípios com proximidade geográfica e características sociais e econômicas semelhantes busca trocar experiências e solucionar conjuntamente dificuldades na área da educação, trabalhando de forma articulada com os Estados e a União, promovendo e fortalecendo a cultura do planejamento integrado e colaborativo na visão territorial e geopolítica.

Este trabalho em rede na concepção de arranjos educacionais (porque não deve existir um único modelo, como será visto mais adiante) constitui uma forma possível de se efetivar o regime de colaboração previsto no art. 211 da Constituição Federal1, com foco no que dispõe seu § 4º: Na organização de seus sistemas de ensino, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios definirão formas de colaboração, de modo a assegurar a universalização do ensino obrigatório.”

Baixe o Parecer aqui:

http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=8851&Itemid=

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Fraude: agora é na Inglaterra

Postado originalmente na Uol em 11/12/2011

Depois das várias denúncias de fraudes nos Estados Unidos (Texas, Atlanta, New York), agora é a vez da Inglaterra. A lógica dos negócios vem completa para dentro da educação.

Jornal revela fraude em exame para os estudantes britânicos

Examinadores estariam entregando o conteúdo das provas a professores para que eles ensinassem exatamente o que seria cobrado

iG São Paulo | 09/12/2011 20:45

Uma série de reportagens do jornal britânico The Telegraph revelou uma fraude em exames nacionais de proficiência da educação básica no Reino Unido. Examinadores estariam entregando a professores o conteúdo das provas a serem aplicadas.

De acordo com a denúncia, durante seminários realizados para incentivar as escolas a escolher um dos exames disponíveis no Reino Unido, os examinadores estariam entregando o conteúdo das provas, de maneira a induzir os professores a ensinar apenas esse conteúdo e ajudar os estudantes a obter notas altas. As denúncias estão sendo investigadas pelo Instituto de Regulação de Avaliações e Exames do Reino Unido (Ofqual), por ordem do Secretariado de Educação (o ministério da educação britânico). O instituto prometeu conclusões ainda antes do Natal.

Continue lendo em:

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/enem/jornal-revela-fraude-em-exame-para-os-estudantes-britanicos/n1597404045923.html

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Ajuste para responsabilizar

Postado originalmente na Uol em 14/12/2011

O ciclo iniciado com Fernando Henrique e Paulo Renato que deu origem aos Parâmetros Curriculares Nacionais vai ser fechado agora no governo Dilma com a elaboração do que está sendo chamado “expectativas de aprendizagem”. Não é um movimento só no Brasil. É uma agenda internacional. Consideram que os PCN antigos são demasiados genéricos e desatualizados. A razão no entanto não é bem essa. Ocorre que os processos de responsabilização da escola implicam em poder identificar o que é necessário de ser ensinado mais especificamente e por cada ano escolar. Penso que as coisas irão caminhar por aí. Feitas as expectativas, poder-se-á cobrar a escola e portanto responsabilizá-la (premiar e punir).

A questão não está nas expectativas em si, mas a ideologia da responsabilização que a acompanha, com destaque para o intenso namoro do Movimento Todos pela Educação (e fundações adjacentes) com a idéia.

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Cenário preocupante

Postado originalmente na Uol em 16/12/2011

O Ministério da Educação vai, aos poucos, tomando a sua conformação sob o Governo Dilma. Os marcos importantes desta situação são: a) a posição de articulador que o Secretário Executivo Paim passou a exercer, como intermediário entre a Secretaria da Presidência da República e o MEC; b) a reforma administrativa do Ministério (sob articulação de Paim) que ocorreu em maio de 2011; e c) o Parecer CNE 09/2011 da CEB homologado pelo Ministro em novembro. Não esgotam, mas são marcos importantes.

A primeira evidência, Paim, veio a confirmar-se com as suspeitas de que, seja de forma permanente ou temporária, poderá suceder Haddad no MEC. Isso colocará à frente do Ministério uma pessoa articulada com o QG de Dilma e disposta a aceitar, sem muita discussão, o que for definido no núcleo duro do Governo. Note-se que neste núcleo duro está o Comitê que assessora a presidenta na melhoria da Gestão Pública, comandado por J. Gerdau, que também é presidente do Comitê de Governança do Movimento Todos pela Educação. Tem, portanto, trânsito fácil neste núcleo. Ao lado dele também há Abílio Diniz – sim – o do Grupo Pão de Açucar. A Comissão presidida por Gerdau tem por trás 200 executivos que financiam projetos criados por esta Comissão em contato com os Governadores. Uma espécie de Business Roudtable brasileira, à moda dos anos 90 na educação americana, só que ampliada a todas as áreas.

A reforma do MEC contém um reajuste de estrutura interna que o prepara para os processos de responsabilização e para viabilizar, quando possível, a introdução deste conceito na constituição do sistema articulado nacional de educação – na discussão da colaboração entre entes federados.

Já o Parecer do CNE, homologado, vai mais fundo e cria, na prática, uma versão do que deve ser a colaboração entre os estados, municípios e a federação – em linha vertical – e a combina com uma linha horizontal, onde os “operadores” de “arranjos educacionais” (sic) podem incluir empresas. Elas não podem acessar recursos públicos, mas não é isso que importa. O que está em jogo é o controle ideológico do processo educativo. E isso está garantido. Se as empresas que são operadoras não podem ter acesso a recurso público, só podem financiar, o “arranjo educacional” pode contratar sim as indústrias da educação e as ONGs que se envolverão nas atividades meio. O Parecer foi feito por Mozart Ramos, do Movimento Todos pela Educação e membro do Conselho Nacional de Educação.

Penso que são exemplos bastante convincentes de como a política educacional está caminhando em direção ao seu controle pelos reformadores empresariais da educação. E é bom nem falarmos do Plano Nacional de Educação, onde o relator Vanhone fez de conta que ouviu todo mundo, mas não mudou nada de importante no plano original do governo.

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A vez de Goias

Postado originalmente na Uol em 16/12/2011

A título de valorizar o professor, Goias aprova gratificação de desempenho com limite de 20% do total de professores em atividade, com interstício de 3 anos, se aprovado em avaliação.

Um embuste que está se repetindo em várias partes, a titulo de “valorizar o professor”.

Na realidade, isto é reforma fiscal feita por Secretários de Educação que estão empenhados em evitar que os aumentos salariais sejam dados e que eles tenham repercussão nos encargos salariais. Daí a opção por bônus e gratificações restritos a 20% e com longos interstícios. Não contam para aposentadoria e outros benefícios.

Valorizar o professor, nesta concepção, é pagar mais por desempenho à moda de comissão para vendedor de carro, e não criar condições condignas de vida, incluindo aposentadoria.

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Expectativas de aprendizagem

Postado originalmente na Uol em 18/12/2011

Face ao debate que se instala nos Estados Unidos e, claro, no Brasil sobre a definição de expectativas de aprendizagem é bom recuperarmos o livro de Deborah Meier (2000).

Debate: Will standards save public education?

I recently read Deborah Meier’s Will Standards Save Public Education? The book is a “New Democracy Forum” debate produced by the fantastic Boston Review (www.bostonreview.net).

 It includes contributions by Deborah Meier, Jonathan Kozol, Ted Sizer, Gary Nash, Linda Nathan, Abigail Thernstrom, Richard Murnane, William Ayers, and Bob Chase (former NEA President). The book was published in 2000, but it is more relevant than ever because of the Obama administration’s push for national standards, the recent release of the Common Core standards in reading and math that are likely to serve as the basis of these standards, and the ongoing debate about the future of No Child Left Behind, a piece of standards-and-accountability legislation that has transformed the educational landscape in ways positive and negative, expected and unexpected.

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USA: Lei de Responsabilidade falha

Postado originalmente na Uol em 19/12/2011

O Ministro de Educação americano reconhece no Congresso que a Lei de Responsabilidade Educacional conhecida como No Child Left Behind (NCLB) é hoje um desastre (train wreck). A experiência é uma demonstração clara de que não se aumenta a qualidade da educação de um país por decreto. Os USA já estão na terceira década perdida atrás destas ideias.

O dilema de Duncan: o que acontece aos estados que não forem dispensados da NCLB?

Por Valerie Strauss, 12/17/2011

O texto foi escrito pelo educador Anthony Cody que trabalhou por 24 anos nas escolas de Oakland, 18 anos no ensino de ciências em uma escola para alunos especiais e seis anos como um mentor e apoiador de professores. Ele é um professor certificado pelo Conselho Nacional. Este post apareceu em seu blog no Education Week Teacher, Viver em Diálogo.

Por Anthony Cody

À medida em que a [Lei de responsabilidade educacional americana] No Child Left Behind [Nenhuma Criança Deixada para Trás] se torna um desastre ainda maior, o Secretário Duncan enfrenta um grande dilema. Como ele pode continuar a fazer cumprir esta lei que ele declara ser um desastre?

Na primavera passada, em uma tentativa de incitar o Congresso a aceitar a sua fórmula de revisão da No Child Left Behind, o Secretário da Educação, Arne Duncan fez algumas previsões sombrias.

Continue lendo em:

http://www.washingtonpost.com/blogs/answer-sheet/post/duncans-dilemma-what-happens-to-states-that-dont-get-nclb-waiver/2011/12/16/gIQAHMURzO_blog.html#pagebreak

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Todos pela Educação comemora ADEs

Postado originalmente na Uol em 20/12/2011

O Todos pela Educação comemora a homologação do Parecer CNE que instituiu os Arranjos  Educacionais. Há alguns dias comentamos o Parecer.

MEC HOMOLOGA PARECER PARA CRIAR ARRANJOS DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO

Medida é estratégia para implantar o regime de colaboração entre municípios

Da Redação do Todos Pela Educação

O Ministro da Educação, Fernando Haddad, homologou o parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) sobre a criação de Arranjos de Desenvolvimento da Educação (ADEs), como estratégia para implantar o regime de colaboração entre municípios. O despacho foi publicado na edição desta terça-feira (22) do Diário Oficial da União.

Baixe aqui o parecer do CNE sobre os ADEs

O conselheiro do Todos Pela Educação Mozart Neves Ramos foi o relator da matéria no CNE, em comissão que composta também por Cesar Callegari (conselheiro do TPE), Adeum Hilário Sauer, José Fernandes de Lima e Rita Gomes do Nascimento. O parecer foi aprovado pela Câmara de Educação Básica do CNE em agosto deste ano e, deste então, aguardava a apreciação ministerial.

Continue lendo em:

http://www.todospelaeducacao.org.br/comunicacao-e-midia/noticias/20294/mec-homologa-parecer-para-criar-arranjos-de-desenvolvimento-da-educacao/

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Quando a avaliação vira caso de polícia

Postado originalmente na Uol em 23/12/2011

Controle gera contra-controle, dizia o behaviorista B. F. Skinner nos idos dos anos 70. Também D. Campbell alertava em 1976 para as fraudes que os processos de associação de indicadores a sistemas de pressão, poderiam gerar.

Mas os reformadores empresariais acham que sabem como evitar a fraude nestes processos e “consertar” a educação. Pensam que com alguma “engenharia” e “estatística” controlam estes fatores. Via de regra, como se verá abaixo, adicionam mais pressão e realimentam o ciclo de problemas.

Mas a prática, a realidade, no entanto, insiste em mostrar o contrário e a “sabedoria” dos reformadores não tem conduzido ao sucesso proclamado.

Nós, educadores profissionais, sempre soubemos que a pressão do professor sobre o aluno, pode gerar fraude nas provas. Igualmente, a experiência americana tem mostrado que a pressão dos sistemas centrais sobre o professor gera fraude – o mesmo ocorre se a pressão é sobre o diretor.

Pressão, não é uma boa companheira das reformas educacionais – infelizmente, isso só será reconhecido pela prática – com o necessário custo que isto implica.

Trapaça em testes padronizados e baratas

Por Valerie Strauss

Publicado às 06:00 ET, 2011/06/29

Cidade após cidade, temos ouvido recentemente sobre um cenário de novas fraudes ou revelações de suspeita de trapaça que, aparentemente, levou o Secretário de Educação Arne Duncan a enviar uma carta na semana passada aos Secretários de Educação do país sobre a importância de salvaguardar o processo de testagem, de acordo com uma cópia publicada pelo Baltimore Sun.

Quando os funcionários de escolas de Washington, DC, por exemplo, jogaram fora a pontuação no mês passado dos testes padronizados de 2010 de três salas de aula, quem realmente pensou que o problema estivesse limitado a estas três?

Continue lendo (em inglês) em:

http://www.washingtonpost.com/blogs/answer-sheet/post/cheating-on-standardized-tests-and-roaches/2011/06/27/AGbDempH_blog.html

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Corrida para nenhum lugar

Postado originalmente na Uol em 1/01/2012

Aprender ou passar no vestibular?

31 de dezembro de 2011 | 3h 04

Joca Levy, advogado, é pai de três adolescentes – O Estado de S.Paulo

Discute-se muito a baixa qualidade do ensino público, com efeitos sobre as classes de menor poder aquisitivo. Deveriam também causar aflição sérios tropeços das escolas privadas, inclusive as que obtêm as melhores notas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Esses problemas, que passam despercebidos pela maioria dos pais e educadores, afetam jovens das classes mais altas, supostos candidatos mais prováveis à elite intelectual do País.

Os pais precisam desde cedo decidir se o plano para seu filho é aprender ou passar no vestibular. É possível aprender e passar no vestibular, mas é limitada e frustrante a trajetória intelectual da criança cujos pais estabelecem como meta o vestibular, não o aprendizado.

Continue lendo em:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,aprender-ou–passar-no-vestibular-,817004,0.htm

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Os economistas, por eles mesmos

Postado originalmente na Uol em 2/01/2012

Quando educadores profissionais criticam economistas que se metem a “consertar a educação”, não são ouvidos pois são considerados “pouco objetivos”, “não qualificados para o debate”, não dominam as “matemáticas” e as “estatísticas”. Há um pensamento único formado que coloca os economistas como detentores de um saber raro e poderoso. A realidade é passível de ser modelada e os efeitos cruciais da realidade, dependem da identificação das causas a eles associadas. Tudo isso é possível, se detivermos conhecimento adequado, ou seja, o conhecimento dos economistas e estatísticos.

Mas, e quando economistas criticam os próprios economistas? Aí muda de figura. E quando economistas como Delfin Neto ou Luiz Carlos Bresser Pereira, que não são quaisquer economistas, criticam os seus pares? Bem, aí a situação fica bem mais confortável para os educadores profissionais, pois seus argumentos são utilizados por pares de economistas que detêm, portanto, o supremo saber da economia.

É o que acontece hoje – 02-01-2012 – na Folha de São Paulo, onde Luiz Carlos Bresser Pereira examina criticamente “o poder dos economistas”. Nós bem conhecemos, na área educacional, tal poder. Eles têm-se convertido em Secretários da Educação com a promessa de “reformar os processos educacionais e promover o avanço da educação”. Ministros da Educação não faltam – do atual até Paulo Renato C. Souza. Estiveram na presidência do INEP também – e em tantos outros lugares educacionais. Nos Estados Unidos é uma prática recorrente.

Como funciona o argumento econômico? O artigo a que me referi mostra muito bem. Cito trechos dele.

“Dani Rodrik informou em artigo recente (publicado no “Valor”, 19-dez-2011) que um grupo de estudantes abandonou o curso de seu colega na Harvard University Greg Mankiw, protestando contra o fato de que “o curso propaga ideologia conservadora disfarçada de ciência econômica e ajuda a perpetuar a desigualdade social”.”

Ainda bem que mais gente percebeu, além dos educadores profissionais. Esta é a questão central. Não se trata de não querer utilizar as técnicas macroeconômicas, ou considerá-la “persona não grata” na educação. A questão é que tais técnicas entram na educação a serviço de ideologias conservadoras, autodenominando-se “não ideológicas” ou “objetivas”. A coisa é tão descarada que até os economistas profissionais perceberam.

Na educação não é diferente. Mas o que mais chama a atenção no caso da crítica de Luiz Carlos Bresser Pereira é que ele identifica também a “arrogância” destes senhores no processo de “imposição” de suas técnicas e interpretações. Diz o autor:

“Essa teoria econômica matemática que se ensina nas grandes universidades, baseada nos pressupostos do “homo economicus” e das expectativas racionais e no modelo do equilíbrio geral é essencialmente falsa, porque usa o método hipotético dedutivo e porque adota como critério de verdade a coerência lógica, não a conformidade com a realidade.”

Fantástica, a crítica. Para autor, entretanto, isso não ocorre por engano, mas por arrogância matemática. Tal arrogância permite o monopólio do saber pois desejam ensinar que os sistemas são autorregulados e portanto, basta “corrigir suas falhas”.

Quem não percebeu isso no debate sobre o uso da Teoria da Resposta ao Item (TRI), uma tecnologia mantida a sete chaves por prestadoras de serviços de avaliação. Chega-se a argumentar com ela perante o Ministério Público, como se este não pudesse questioná-la, como se fôsse uma questão de falta de compreensão dos métodos matemáticos pelo Ministério Público.

Outra não é a realidade de estatísticos que insistem, no Brasil, em adotar o pagamento por bônus nas escolas. Acreditam que seu saber superior necessita apenas de algumas correções e, pronto, a educação será “consertada” com sua sabedoria. Se os alunos não comparecem no dia da prova, dê zero para o aluno. Isso impedirá que o diretor mande os maus alunos ficarem em casa. Se o bônus não funciona individualmente para um professor, dê o bônus para toda a escola, isso motivará mais. Ou diferencie o bônus levando em conta o nível sócio-econômico dos alunos da escola. Pronto. É uma questão de ajuste. Não funcionou em Nova York porque não souberam fazer. O professor da escola pública é essencialmente preguiçoso e com algumas técnicas conseguiremos fazê-los trabalhar adequadamente, pensam. Tudo em nome da criança que não aprende, em especial da criança pobre.

E, note, há gente boa caindo no conto do “conhecimento matemático” e agrego, “estatístico” superior.

Nada contra o convívio com os economistas e estatísticos, diga-se ao final. Mas tudo contra a colocação das técnicas quantitativas a serviço do conservadorismo e de propostas ideológicas e pedagógicas fracassadas. O aprisionamento da área da avaliação por estas formas de pensar promoverá um grande dano à educação brasileira.

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USA: relatório sobre a década perdida

Postado originalmente na Uol em 15/01/2012

O grupo do National Center for Fair and Open Testing acaba de divulgar um relatório sobre o fracasso da lei de responsabilidade educacional americana conhecida como Nenhuma Criança Deixada para Trás (NCLB).

Abaixo segue o link.

NCLB’s Lost Decade for Educational Progress: what can we learn. By Lisa Guisbond, Monty Neill and Bob Schaeffer. National Center for Fair & Open Testing. January 2012

Http://fairtest.org/NCLB-lost-decade-report-home

Publicado no Brasil no Dossiê sobre Políticas de Responsabilização editado pelo CEDES.

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Avaliações injustas

Postado originalmente na Uol em 16/01/2012

Só o pensamento único favorável ao ENEM faz com que a imprensa trate com desdém a imprecisão das correções dos exames. Ela não quer comprometer a ideia de ranquear e, por isso, pega leve. O fato é que este é apenas um dos possíveis erros nos testes: a correção. Como já disse em outras postagens, há muitas outras fontes de erro que fazem com que os processos de avaliação não sejam seguros para que se tomem decisões importantes sobre as pessoas.

Mas, por enquanto, o pensamento único não aceita isso.

MEC admite que errou na correção de 129 redações do Enem

DA AGÊNCIA BRASIL 16/01/2012-17h10

O MEC (Ministério da Educação) admitiu que 129 redações do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) tinham “erro material” na sua correção e parte delas teve sua pontuação alterada. Alguns casos foram percebidos e corrigidos antes das notas serem divulgadas em dezembro, mas outros foram diagnosticados apenas depois que os candidatos pediram direito de vista da prova via ação judicial.

Continue lendo em http://www1.folha.uol.com.br/saber/1035057-mec-admite-que-errou-na-correcao-de-129-redacoes-do-enem.shtml

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A loteria do ENEM

Postado originalmente na Uol em 17/01/2012

Nilson José Machado, da Faculdade de Educação da USP, ocupa hoje (17-01-2012) a terceira página da Folha de São Paulo com um excelente artigo: “A Loteria do ENEM”. O ponto alto do artigo é a indicação de que não há Teoria da Resposta ao Item que possa salvar uma prova mal feita. O Brasil criou uma imagem “milagreira” da TRI.

A importância do artigo é grande pois é uma das primeiras vezes que a questão da qualidade da prova é posta em discussão. Até agora, só o Ministério Público havia colocado este tema e ainda assim, no limite das suas atribuições. Ele ainda ilustra as formas de preparação para testes que normalmente são usadas pelas escolas ou cursinhos.

Vale a pena ler.

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Entrevista com especialista finlandês

Postado originalmente na Uol em 18/01/2012

Segue link (em inglês) para uma interessante entrevista com um especialista em educação finlandês, onde ele resume a filosofia educacional seguida naquele país.

PUBLIC SCHOOL INSIGHTS: Como você sabe grande parte do mundo realmente admira o sistema educativo finlandês pelo seu sucesso consistente. Quais algumas das principais razões para este sucesso?

LAUKKANEN: Eu gostaria de dizer, em primeiro lugar, três palavras da Finlândia: ” professores, professores, professores”. Pode-se dizer que os professores são a questão mais importante no sucesso da Finlândia. Mas há também outras questões. A segunda é que nós cuidamos de todos os nossos filhos. E a terceira grande questão é que nós colocamos elevados objetivos ou padrões para a nossa educação. Então, objetivos elevados, cuidando de todos e com professores qualificados.

Leia mais em: http://www.learningfirst.org/teachers-we-trust-interview-finnish-education-expert-reijo-laukkanen

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Menos teste na California

Postado originalmente na Uol em 19/01/2012

O governador Jerry Brown pede menos testes

Por Valerie Strauss

18/01/2012

O governador Jerry Brown da California, que tem ido mais longe do que qualquer outro governador na detonação da moderna reforma da escola baseada em testes, disse quarta-feira que quer reduzir o número de testes padronizados que os alunos fazem, para dar mais autoridade aos conselhos escolares locais e projetar um sistema para medir o desempenho da educação que é menos centrado em testes que o atualmente em uso.

Brown, em seu discurso sobre o Estado do Estado 2012 nesta quarta-feira, expandiu os sentimentos que expressou em outubro passado em uma mensagem explicando que ele ia vetar um projeto de lei de educação, porque ele confiava demais em testes padronizados para fins de prestação de contas com alto impacto.

Continue lendo em http://www.washingtonpost.com/blogs/answer-sheet

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Quando o “fácil” é difícil

Postado originalmente na Uol em 20/01/2012

Um dos grandes equívocos dos reformadores empresariais da educação é achar que a solução da questão educacional é simples – basta gerenciar (leia-se cobrar) e tudo se resolve.

Curiosamente, esta tese, negada por eles, é reconhecida para outros setores sociais. Hoje a Folha de São Paulo (20-01-2012), em seu editorial, assume a seguinte frase em destaque:

“Maior empecilho para enfrentar a questão do crack é a ilusão de que haja saída fácil ou simples para o drama da dependência química.”

Vale para a educação.

Soluções para a educação são de médio e longo prazo, pois envolvem a construção de novas relações em uma instituição complexa chamada “escola”. As formas usadas pelos reformadores (responsabilização vertical) não funcionam ou têm fôlego curto. Não mudaram, como todos os estudos mostram, a distância entre os que aprendem e os que não aprendem, em especial se consideramos as minorias e os grupos menos privilegiados.

Diante disso, soluções como a de colocar um laptop ou tablet na mão de cada professor ou aluno, soam fora de lugar e mostram um desconhecimento sobre as verdadeiras questões educacionais. Pode render manchetes, mas é tudo.

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Agora é com o PT

Postado originalmente na Uol em 24/01/2012

O comando do MEC muda hoje. Assume Mercadante. Histórico do PT, ao contrário de Haddad, a troca coloca o PT como o principal responsável na pasta pelas ações que serão tomadas a seguir.

Todos sabem que não sou otimista e já disse, mais de uma vez, que pode ser que tenhamos saudades de Haddad. Cabeças vão rolar no segundo escalão, é previsível. Entre elas me atrevo a dizer, a da Presidenta do INEP, Malvina Tuttman. Os formadores de opinião ligados à indústria da avaliação não a aprovam. Não é considerada uma “técnica”.

Dilma é movida a noticiário e quer que o ENEM saia dele, portanto, vai querer ali um ou uma gerente, como ela. Foi assim na Petrobras e em outros lugares. Portanto, nada difícil que tenhamos alguém da própria iniciativa privada no lugar de Malvina, ou alguém pelo menos ligado de alguma forma à indústria da avaliação. Torço para estar enganado.

Quanto ao que o novo Ministro pensa, apesar de termos seus pronunciamentos durante sua campanha a governador no passado em SP (e não são nada animadores, pela falta de ideias) vamos esperar pelos discursos e pelas nomeações que atingirão algumas Secretarias do MEC. Aí teremos um panorama mais claro.

Até agora, Haddad criava um campo de certa forma confortável para o PT, pois todos sabíamos que ele não era de ouvir muito o PT. Se acertava, o PT faturava; se errava, era porque não ouvia o partido. Aliás, essa é uma das queixas da direção do PT, em relação ao ex-Ministro. Agora, teremos um Ministro articulado com o PT. Uma coisa é certa: ninguém poderá dizer que as mudanças que estarão sendo implementadas na educação não são de responsabilidade direta do PT – para o bem ou para o mal. Acabou a zona de conforto.

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It’s the economy, stupid!!

Postado originalmente na Uol em 24/01/2012

Investimento estrangeiro no Brasil em 2011 é o maior desde 1947

Luciana Cobucci

Direto de Brasília

Os investimentos estrangeiros diretos no Brasil atingiram o valor recorde de US$ 101,7 bilhões em 2011, segundo informou o Banco Central (BC) nesta terça-feira. O valor é 29% maior que o recorde anterior, registrado em 2010, quando US$ 78,6 bilhões ingressaram no Brasil em forma de investimentos. De acordo com o BC, é o maior resultado anual desde o início da série histórica em 1947.

Descontando o valor que o Brasil investiu em outros países em 2011 (US$ 35 bilhões), o saldo é positivo – ou seja, mais entrada de capital no País do que saída – em US$ 66,6 bilhões, valor 37,3% maior que o recorde anterior, em 2010. O resultado é superior à previsão do Banco Central, que estimava uma entrada líquida de US$ 65 bilhões em 2011.

Continue lendo em:

http://not.economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=201201241250_TRR_80763376

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Um PT sem propostas

Postado originalmente na Uol em 25/01/2012

Mercadante assumiu o MEC. Apressou-se em negar que esteja atrás de algum projeto pessoal, leia-se, aumentar suas possibilidades de ser candidato ao governo do Estado de São Paulo em 2014. Quando os políticos dizem que não, leia-se “sim”. Isto significa que sua passagem pelo MEC poderá ser curta, em um ministério onde nada se resolve com curto prazo, já que as medidas sérias em educação levam tempo para surtir efeito. O governo Dilma significará mais quatro anos perdidos para a educação e, pior, um governo que escolhe caminhos aparentemente mais fáceis para enfrentar o complexo problema educacional, mas que nos levarão a outra década perdida, com a adoção de políticas de responsabilização. Podem ter impacto eleitoral, que é o que se procura, mas só agravarão nossos problemas. Como já dissemos várias vezes aqui, em educação não há atalhos.

Resta o que, então? Medidas de efeito rápido. Como todos têm pressa, sob o ritmo do tempo eleitoral, as soluções serão bem próximas às que vem defendendo o Movimento Todos pela Educação e outros. Coerentemente com isso, ocorre logo ao novo Ministro alardear uma ação que já vinha sendo articulada durante a fase Haddad, apresentado pela Secretária de Educação Básica em novembro de 2011, o lançamento do programa de alfabetização na idade certa – PAIC. Uma visão geral do programa pode ser lida em Cadernos do Cenpec. Também há o site da Secretaria de Educação do Ceará.

Essa medida requentada, no entanto, é bem emblemática da orientação que o MEC já estava tomando na fase final de Haddad e que o aproxima cada vez mais das políticas de responsabilização. Todos sabemos que as redes públicas estão comprando os tais sistemas prontos, apostilados, que são recheados de controle da ação do professor e do aluno em sala de aula. A proposta de Mercadante simplesmente oficializa e reforça a política de apostilamento das redes, agora, pelo próprio poder público federal. Com isso, abortam-se os esforços que vinham sendo feitos pelo MEC com o ProLetramento, um projeto com apoio do CEALE e mais 10 universidades e que visava desenvolver o professor e a escola e não tutelá-los. A opção é clara.

O PAIC não é mais que um apostilamento da rede pública do Ceará recheado de controle. Desprofissionaliza o professor, regulando sua atuação profissional em sala de aula. Não favorece o seu desenvolvimento. Inclusive é uma das primeiras experiências de uso do conceito de “arranjo educacional”, que o conselheiro Mozart Ramos, ponta de lança do Movimento Todos pela Educação no Conselho Nacional de Educação propôs, aprovou e foi homologado pelo Haddad em novembro passado. Visa articular o poder público em escala vertical com o apoio do empresariado em escala horizontal, ao nível municipal.

O discurso de posse do novo Ministro foi marcado pelo relançamento do PAIC. O PAIC visa alfabetizar crianças de até 8 anos. Foi lançado no Ceará em 2007 e segundo estudos, melhorou em 43 pontos a média dos alunos em leitura, no período de 2007 a 2010, nas provas feitas pela própria Secretaria de Educação do Ceará. Como não temos estudos independentes sobre a experiência, aguardemos para conferir.

Além do apostilamento das redes e de favorecer a lógica da responsabilização, duas falas marcam o caminho despolitizado que o ministro pretende implementar e que, na verdade, estão exemplificados na adoção do PAIC do PSB de Cid Gomes no Ceará, o qual foi consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento, ante de ser governador:

“A quem vier não perguntarei por partidos ou ideologias, mas eu demandarei com rigor competência técnica e espírito público e comprometimento com o país”.

“A minha gestão a frente deste ministério […] será sim uma alavanca suprapartidária para a melhoria da educação brasileira, assim como aconteceu no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.”

Aloisio Mercadante, 2012, discurso de posse no MEC.

O discurso da supremacia técnica e o apelo suprapartidário é o mesmo do Movimento Todos pela Educação e do Parceiros da Educação, think tank do PSDB, que em sua proposta diz:

“O ponto de partida desta “transformação” consiste em uma ampla mobilização da sociedade em torno do problema da qualidade da educação básica. Só com a liderança dos novos governantes e participação de todos os setores da sociedade teremos a capacidade para superar os desafios.

Esse objetivo, por sua vez, deve ser viabilizado mediante um ambicioso Plano multipartidário e plurianual de transformação, que ultrapasse as tradicionais limitações de mandatos, esferas governamentais e alianças políticas, acompanhado diretamente pelo Presidente da República junto a um Comitê de Acompanhamento da Reforma Educacional “(Grifo meu, LCF).

O discurso acima, multipartidário, convém ao PSDB, pois permite a quem está fora do governo, definir a política de quem está dentro, governando.

O Movimento todos pela Educação também ressaltou a questão do pacto nacional, dizendo em seu site:

“Mais tarde, em evento de transmissão de cargo no MEC, Mercadante defendeu que a Educação deve ser uma “saudável obsessão” da sociedade, em um pacto nacional, com elevação responsável dos investimentos no setor e melhora da gestão” (Grifo meu, LCF).

Seu colega de posse, o ministro Raupp, na Ciência e Tecnologia, já assumiu falando em parceria com empresas para produzir conhecimento, desqualificando a Pós Graduação que considera voltada para preparar quadros só para a própria universidade.

Enfim, a estreia do ministro Mercadante e as medidas anunciadas, como eu temia, configuram o reconhecimento claro de que o PT não tem nenhuma proposta para a educação, ou se teve algum dia, não se lembra mais dela.

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O discurso de posse do Ministro

Postado originalmente na Uol em 26/01/2012

Ufanista, desinformado e pragmatista. Estas são as categorias que podem ilustrar muito bem o discurso do novo Ministro da Educação. Discursos de Ministros são importantes porque revelam não só o que ele pensa, mas o que sua assessoria direta pensa. Este discurso rodou entre os que têm influência no Ministro, foi escrito a várias mãos. Daí sua importância.

Não é sem razão que estes “ghost writers” rechearam o discurso do Ministro com citações de alguns educadores, tentando dar-lhe um tom de “discurso educacional informado”. O resultado disso foi a artificialidade. Mas não é também sem razão que foram buscar no pragmatista americano John Dewey inspiração para falar da relação entre educação e vida. Diz o Ministro, citando o autor: “A educação não é apenas a preparação para a vida; é a vida em si mesma.” Vida aqui, entendida, como desenvolvimento econômico, que é ao que o pragmatismo de Dewey servia no começo do século passado e que será no discurso do Ministro tema dominante.

O discurso atinge a beira do ridículo quando Mercadante quer se fazer passar por professor, alegando sua “longa trajetória na pesquisa e no magistério” e dizendo que “tem orgulho de ser professor”. Tudo isso soa falso e não era necessário. Todos sabemos que Mercadante é um político de carreira e esta é sua profissão. Ademais, sua vida universitária está distante quilômetros da dura realidade dos profissionais da educação que habitam o andar de baixo, o ensino básico – a começar pelos salários.

O ufanismo do Ministro me fez lembrar o desenvolvimentismo ufanista da ditadura militar. Seu tom é sempre “retumbante”. Frases como “é um compromisso de vida que assumo agora”, ou “a hora é agora”, ou “o país combina hoje num processo sinergético virtuoso, crescimento econômico com distribuição de renda e eliminação crescente da pobreza extrema”, “devemos tomar decisões ousadas” e por aí afora, ilustram este ufanismo. Qualidade de vida aqui significa consumir mais via crédito e sair da miséria significa ganhar mais de 140 reais mensais… Menos de 100 dólares. Como dizia um especialista finlandês: se você fixa objetivos mínimos, é o que você terá.

Uma das pérolas pode ser vista no trecho que segue: “Somente a educação de qualidade pode gerar um horizonte de longo prazo para o desenvolvimento e dar sustentáculo às políticas de distribuição de renda, pois as desigualdades educacionais são as que originam e reproduzem as nossas ainda profundas desigualdades sociais”. Incrível fala para um economista que já foi marxista. Por isso acrescento que é desonesto o discurso do Ministro, pois um economista deve saber, como os educadores sabem, que a educação não tem poder para tal. Deve saber que é desonesto colocar o fardo social gerado pelo sistema econômico que espolia os trabalhadores nas costas da escola. Mas como veremos, isso que parece um tropeço teórico, na verdade é a pedra fundamental do discurso do Ministro – trata-se, no fundo, de criar este clima de responsabilização nacional da educação pelo crescimento econômico e pela equidade do país, à moda liberal. Uma responsabilização que será usada, no momento seguinte, para justificar toda sorte de ataques aos educadores e à escola.

O mesmo ocorre com a suposta valorização da figura do professor, no discurso: “A qualidade da educação nunca poderá ser superior à qualidade do professor. Daí a importância crucial de investir na qualidade da formação e na carreira desse que é o agente central e insubstituível do processo pedagógico.” Essa armadilha nós já vimos como funciona em outros países. Primeiro, reconhece-se a centralidade do professor, depois montam-se políticas de responsabilização profissional, como se o professor fosse o único responsável pelos problemas da escola, “esquecendo-se” dos demais componentes. Também Obama, nos EUA, reconheceu tal importância e depois, seu Departamento de Educação, montou uma estratégia de incentivar os estados a pagar o professor em função do rendimento dos alunos, com bônus, a título de “valorizar o bom professor”.

Falava antes da questão de colocar o fardo social da desigualdade na escola. Considerei isso inadequado e vou ampliar agora. A tese que os reformadores empresariais da educação defendem é que a educação é um fator fundamental para o desenvolvimento econômico (leia-se: garantir a rentabilidade dos investimentos feitos). Com o desenvolvimento, vem o aumento da distribuição de renda e a equidade (lembram-se de quando, em plena ditadura, Delfin Neto dizia que era preciso primeiro crescer o bolo, para depois distribuí-lo? é parecido). Como o professor é o profissional que cuida de ensinar, logo, o professor é central dentro deste processo educacional que é vital para gerar condições facilitadoras de tal crescimento. Essa é a fala. Uma desonestidade, por vários motivos. Primeiro, porque o processo de valorização do capital exige mais que educação. E são os próprios economistas que dizem isso, pelo menos os honestos e informados: há que ter infraestrutura (ou não precisaríamos tem o PAC do qual a Dilma é a mãe); há que ter crédito; há que ter política industrial que em alguns ramos até envolve um certo protecionismo de mercado; enfim há um conjunto de fatores responsável pelo desenvolvimento econômico e social e não apenas a educação, como quer fazer parecer o Ministro em sua fala. Segundo, porque os crescimentos são relativos e apenas mexem com as distâncias sociais, preservando-as. Ou não haveria 23% de miseráveis nos EUA.

Diz ele: “devemos nos contentar com progressos incrementais ou devemos ousar, criar, inovar e dar um salto de qualidade que aproxime, em tempo histórico reduzido, nosso sistema educacional daqueles dos países mais desenvolvidos? Sei que se trata de um monumental desafio, mas acredito que, reunindo forças, podemos dar este salto. Mais do que isso, temos de dar este saldo, caso queiramos ter competitividade internacional em todos os campos e assegurar nosso desenvolvimento em longo prazo, com inclusão social.”

Esta fala significa fixar como meta atingir a média no PISA. É o que meus amigos liberais defendem no Brasil. Esta fala também pode ser encontrada nos EUA, desde a década de 80. Emery, uma pesquisadora americana, mostra como desde esta época se criou nos EUA este clima ufanista e ao mesmo tempo responsabilizador da educação pela competitividade internacional, como forma de fazer uma “intervenção” na política educacional americana. O país estaria indo mal porque não havia competitividade e a competividade dependia de educação. Corolário inevitável: reformemos a educação. E como os educadores não sabem como consertar a educação, eles não podem ter esta responsabilidade. Vamos criar um movimento de reforma amplo, nacional no qual o empresariado possa ser o grande condutor, pois ele tem não só dinheiro, mas também o know how que precisamos. Foi a partir disso que se construiu o Business Roudtable americano, com 300 CEOs. Hoje, meia dúzia de fundações, segundo Diane Ravitch, definem a agenda educacional americana. Este papel no Brasil é feito pelo Movimento Todos pela Educação.

O discurso do Ministro é claro: ”Para tanto, precisamos, em primeiro lugar, fazer um grande pacto nacional pela educação. Um pacto que envolva as famílias, os empresários e sociedade civil como um todo e os governos municipais, estaduais e federais”. Ooops! Esqueceram de por no pacto os educadores. Note: os profissionais da educação não são citados. Não estamos dentro. É um pacto para controlar os profissionais da educação, pois estes não deram e não darão conta do recado, segundo esta visão. Imaginem se os médicos concordariam com um “pacto nacional pela saúde” que não fosse liderado pelos próprios médicos. Talvez por isso ninguém se atreva a por um economista no Ministério da Saúde… Fala-se em valorizar o profissional da educação, mas a desvalorização dele já está na própria condução do principal cargo da área, o de Ministro, sempre ocupado por políticos ou economistas-políticos.

Mas não é só isso. O pacto é uma forma de ocultar a falta de propostas do Ministro e de seu partido. Na verdade convoca-se o pacto porque não se sabe o que fazer, do ponto de vista político partidário. E não se sabe o que fazer porque o que se tinha como proposta, já não serve mais. O PT teve que abrir mão dela para se tornar viável como governo. Mercadante iniciou esta reviravolta no PT, junto com Genuino e outros, já na década de 80. Há uma reportagem da revista Veja que registra este momento de abandono das teses básicas do antigo PT. Portanto, não tem alternativa a oferecer. Depois de patinar durante uma década sem dar curso aos principais problemas educacionais, só restou ao PT, convocar um pacto nacional suprapartidário, para ver o que fazer. É um reconhecimento claro da falta de competência e de proposta para equacionar a questão educacional.

Diz o Ministro: “E aos governos cabe assentar essa grande mobilização nacional numa sólida política de Estado, estratégica, ambiciosa e de longo prazo, de caráter inteiramente suprapartidário. (…) A quem vier, não perguntarei por partidos ou ideologias, mas demandarei, com rigor, competência técnica, espírito público e comprometimento para o país”.

Depois disso, só falta levantar e cantar o Hino Nacional. Já vimos isso antes. E pagamos alto preço pelos usos que foram feitos de clamores semelhantes.

Transferência de recursos para a iniciativa privada, via Pronatec; ênfase na educação infantil (temo pelas nossas crianças, pois a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República já indicou que caminho deve seguir o MEC nesta matéria: testes); Prova Nacional para os Docentes; ENEM duas vezes por ano e saneado; Residência para a licenciatura, uma ideia vaga, de difícil operacionalização e marcada pelo pragmatismo da inserção na prática); Mais Educação (um tapa-buraco para se dizer que temos educação de tempo integral); e apostilamento da rede pública via Programa de Alfabetização na Idade Certa, com distribuição de material estruturado para alunos e professores (copiado do Ceará), entre outros. Só convocando um pacto nacional mesmo…

Mas o mais grave, e que este discurso abre as portas do MEC para o Movimento Todos pela Educação e congêneres . Ao mesmo tempo, nossa principal central sindical, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – de grande e horada história – está paralisada e cooptada perante o Ministério. Tal paralisação atinge igualmente as principais entidades científicas da área.

Soa como um insulto e uma hipocrisia, ao mesmo tempo, a frase do Ministro em seu discurso, dizendo: “… levaremos também em consideração as recomendações emanadas da Conferência Nacional da Educação, de 2011. Na realidade, os documentos elaborados naquela importante conferência servirão de fonte de constante inspiração para minha gestão”. Acredite, se quiser.

Enfim, estamos iniciando uma nova era na educação. Desdobramento da disputa de agenda educacional que se travava durante a fase Haddad e que agora é resolvida a favor dos reformadores empresariais da educação. E tudo isso ocorre pela mão do PT, pela mão da “esquerda”, em nome da competividade internacional, em nome da inclusão, em nome da valorização do professor, etc.

No âmbito das políticas educacionais, cria-se um vácuo político e ideológico, face ao pragmatismo das propostas, supostamente suprapartidárias. Não existe vácuo na política e na ideologia. Alguém ocupará este espaço e nós sabemos quem.

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Modelo privado de gestão avança no Planalto

Postado originalmente na Uol em 29/01/2012

Gerdau, Presidente do Movimento Todos Pela Educação, ocupa posição privilegiada junto a Dilma.

‘CEO’ do governo, Dilma escala Gerdau para cobrar ministros e definir metas

Obrigada a tolerar os feudos políticos dos partidos de coalizão, presidente quer acelerar adoção de modelo empresarial para a máquina federal

29 de janeiro de 2012 | 3h 05

Iuri Dantas, de O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA – Preocupada com os problemas de gestão da administração federal, a presidente Dilma Rousseff decidiu acelerar o processo de adoção de um modelo empresarial para tentar desemperrar a máquina pública e dar um upgrade no atendimento prestado ao público. A estratégia de guinada em direção a um novo modelo prevê conversas do megaempresário Jorge Gerdau com diversos ministros, revisão do funcionamento das pastas por uma consultoria privada, definição de metas e prazos e fiscalização em tempo real dos projetos e gastos públicos.

Continue lendo em:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,ceo-do-governo-dilma-escala-gerdau-para-cobrar-ministros-e-definir-metas-,828592,0.htm

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