Regime de colaboração ou de cobrança?

Postado originalmente na Uol em 15/11/2011

O tão discutido regime de colaboração entre entes federados poderá evoluir para um verdadeiro regime de cooperação ou, então, para um regime de cobranças baseado em responsabilização autoritária, centrada em políticas de avaliação de resultados de aprendizagem.

Se eu tivesse dito isso há uma semana atrás, alguém poderia dizer que eu estava vendo fantasmas. Tenho me arriscado a criticar a lei de responsabilidade educacional que tramita no Congresso sob número 7420. Muitos não acreditam que ela ofereça risco.

Pois bem. Hoje veio a cereja do bolo em um artigo de Antonio Matias, vice presidente da Fundação Itau Social e membro do Conselho de Governança do Movimento Todos pela Educação, na Folha de SP (15-11-2011), na página 3, chamado “Um elo necessário pela educação”. Deve ser lido.

No artigo ele defende que se defina o modelo de colaboração e sugere que seja o usado no Ceará a partir de 2001, ou seja, que estabelece “um sistema de avaliação e acompanhamento pedagógico com foco em metas”. O governo do Ceará, em 2007, segundo Matias, propôs um grande acordo com os municípios e “parte do repasse do ICMS aos municípios passou a ser feito com base nos resultados de aprendizagem”.

Este é o modelo de regime de colaboração entre entes federados que o Todos pela Educação e os reformadores empresariais querem. Uma responsabilização punitiva e não colaborativa. O tal regime de colaboração passa a ser regime de responsabilização punitiva. Se não atende à meta do IDEB ou de outro indicador, não há dinheiro extra.

Note o detalhe: ele já menciona a reforma administrativa do MEC feita em maio deste ano, quando se criou a Secretaria de Articulações destinada a gerenciar a colaboração entre entes federados, e define o eixo da responsabilização: no plano federal o MEC, via Secretaria de Articulações com os Sistemas; no plano intermediário Consed e Undime, e no plano local as Secretarias de Educação às quais ele invoca a “autonomia dos Estados e municípios brasileiros” que possibilita aos “gestores propor inovações de acordo com as realidades locais”. A proclamada autonomia dos Estados e Municípios, será a “autonomia” para cumprir as metas do IDEB, atreladas que estão sendo pelo PNE às metas do PISA. Como o sistema de avaliação define o currículo e influencia nas metodologias usadas, os Estados e Municípios estão, de fato, às portas de perder sua autonomia.

Isso não é nada mais do que foi feito com a lei de responsabilidade educacional americana No Child Left Behind em 2001 nos Estados Unidos. Não melhorou a educação americana.

Este é um caminho errado para o nosso país. Se for seguido estaremos optando por uma responsabilização autoritária, punitiva que destruirá o sistema público de educação, podendo mais à frente tais resultados serem utilizados para privatizar as escolas públicas – tal como ocorre nos Estados Unidos.

Não nos esqueçamos que o instrumento legal para isso já está sendo criado no Congresso – a Lei de Responsabilidade Educacional.

O quadro está claro: um PNE não restritivo e que permitirá aos governos locais formularem sua própria política de responsabilização; uma lei de responsabilidade educacional em tramitação associando recursos a metas acadêmicas; e, finalmente, um modelo de “colaboração” entre entes federados baseados no condicionamento de verbas e assistência técnica a metas baseadas em processos de avaliação e acompanhamento.

Só não vê quem não quer ver…

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Dívidas do INEP

Postado originalmente na Uol em 25/11/2011

 Abaixo reproduzo nota da CNTE que divulga um estudo sobre a Prova Brasil 2007, mostrando a desigualdade social entre brancos e negros e sua repercussão na questão educacional. Este é o tipo de estudo que o INEP nos deve. Em outros países os governos são obrigados por lei a fazê-los. No Brasil, o INEP se contenta com um “press release” genérico sobre suas avaliações. Os dados da Prova Brasil 2009 foram disponibilizados este mês, ou seja, dois anos depois da prova ser feita. Qual a possibilidade de se tirar alguma consequência para as escolas atuarem com seus alunos? Eles já mudaram de série, os professores já mudaram de escolas, os diretores podem ser outros, etc..

Crianças negras atrasadas na escola são o dobro das brancas

O percentual de crianças negras de 7 a 14 anos que estão mais de dois anos atrasadas na escola é o dobro do registrado entre as brancas. Enquanto 16,7% dos alunos negros estão nessa situação, entre os brancos, o índice é apenas 8%. Os dados compilados pelo Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets) são referentes a 2009 e reforçam a tese de que as desigualdades entre negros e brancos se repetem no ambiente escolar.

O fator socioeconômico geralmente é o mais usado para justificar o “atraso” escolar dos estudantes negros em relação aos brancos. Isso porque a condição social do aluno tem grande impacto na aprendizagem e a maioria da população de baixa renda do país é negra. Mesmo quando são considerados alunos de um mesmo nível econômico, os não negros têm desempenho superior aos negros.

É o que aponta um levantamento feito pelo economista Ernesto Faria, do Portal Estudando Educação. Comparando as notas de matemática e português da Prova Brasil de 2007, alunos de uma mesma faixa de renda e cor da pele diferentes também têm notas desiguais. Entre os 25% de estudantes mais pobres do 5° ano do ensino fundamental, a nota dos brancos é, em média, oito pontos superior nas duas disciplinas. Entre os 25% mais ricos, a distância é ainda maior: os alunos brancos atingem 24 pontos a mais em português e 25 a mais em matemática.

Para André Lázaro, especialista na temática de diversidade em educação, uma das explicações para esse resultado é que, em geral, os alunos negros frequentam escolas com pior infraestrutura em comparação aos não negros. Essa situação foi revelada pelo Relatório das Desigualdades Raciais, lançado este ano pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em todas as etapas de ensino, os negros enfrentam piores condições que os brancos.

Enquanto 9,6% dos alunos brancos do 9° ano do ensino fundamental frequentam escolas com nenhuma adequação, entre os negros, o índice é de 12,9%. Já no 5° ano, 27,9% dos brancos frequentam escolas com estrutura exemplar – entre os negros, o patamar é de 22%.

Um dos autores do Relatório das Desigualdades, o professor Marcelo Paixão avalia que a discriminação existente no ambiente escolar acaba por agravar as diferenças entre negros e brancos. (Correio Braziliense)

http://www.cnte.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=9371:criancas-negras-atrasadas-na-escola-sao-o-dobro-das-brancas&catid=425:cnte-informa-600-24-de-novembro-de-2011&Itemid=200319

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PISA latinoamericano

Postado originalmente na Uol em 25/11/2011

MEC estuda criação de teste educacional só para América Latina

Técnicos de diferentes países discutem como – e por que – uma avaliação específica ajudaria a melhorar qualidade de ensino

Priscilla Borges, iG Brasília | 25/11/2011 07:00

O Ministério da Educação pode ajudar a criar uma nova avaliação educacional dedicada exclusivamente aos estudantes da América Latina. A proposta está em discussão entre integrantes dos ministérios responsáveis pelos sistemas educacionais de outros países como Argentina, Colômbia, Costa Rica, Peru, Equador e Chile, entre outros.

Para os defensores da ideia, a avaliação internacional mais popular na aferição da qualidade de ensino oferecida nos países – o Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (Pisa) – não é capaz de medir as especificidades da região. Por conta disso, não contribui de forma efetiva para melhorar o aprendizado das crianças e dos adolescentes desses países.

Continue lendo em:

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/mec-estuda-criacao-de-teste-educacional-so-para-america-latina/n1597382390128.html

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Entrevista

Postado originalmente na Uol em 26/11/2011

 A responsabilização de escolas levaria a uma década perdida na educação, diz pesquisador sobre LRE

Observatório da Educação – Qui, 24 de Novembro de 2011 17:21

Luiz Carlos de Freitas é professor da Faculdade de Educação da Unicamp, e estuda a área de avaliação. Ele está acompanhando o processo de tramitação da chamada Lei de Responsabilidade Educacional.

Essa lei serviria para punir gestores por improbidade administrativa em casos de financiamento e acesso à educação. Mas, no processo de tramitação, ganhou novas características, que podem acabar resultando em transferência da responsabilidade a instituições escolares que não alcancem metas acadêmicas.

Leia a seguir entrevista com o professor Luiz Carlos, que critica os rumos da proposição como punição para escolas.

Observatório da Educação – Como está a tramitação da Lei de Responsabilidade Educacional?

Luiz Freitas – A lei de responsabilidade educacional está em tramitação no Congresso sob número PL-07420/2006 (Dispõe sobre a qualidade da educação básica e a responsabilidade dos gestores públicos na sua promoção). É um projeto que foi apresentado, em 2006, pela então deputada Raquel Teixeira do PSDB [de Goiás]. Como existiam várias iniciativas semelhantes no Congresso, todas as outras, inclusive o projeto do próprio MEC enviado em 2010, foram “apensadas” a este projeto da Raquel Teixeira. Neste momento, foi constituída a Comissão Especial para redação do texto final, presidida pelo deputado Newton Lima (PT-SP) e tem como relator o deputado Raul Henry (PMDB-PE). Vão ser iniciadas as audiências públicas.

Observatório – Qual o objetivo do projeto de lei?

Luiz – A intenção original do MEC era controlar a questão do uso da verba pública pelos gestores e não incluía a questão da cobrança de “metas acadêmicas” ou cumprimento de índices como o IDEB ou outro. Nesse sentido, a lei estava correta, pois visava garantir recursos bem geridos para as redes de ensino. Ocorre que ao dar entrada no Congresso e ser apensada a outras já existentes, o objetivo da lei foi ampliado para o controle de cumprimento de metas acadêmicas, objetivo já expresso no texto da deputada Raquel Teixeira (PSDB-GO), em 2006. Portanto, podemos dizer que hoje, a julgar pelo texto atualmente existente, que é o da então deputada Raquel, a lei de responsabilidade educacional teve seu objetivo ampliado em função do apensamento desses projetos.

Observatório – A cobrança de metas acadêmicas na LRE desvia, então, de sua intenção inicial?

Luiz- É muito cedo para nós concluirmos algo, pois ainda não temos um texto produzido pela Comissão Especial. Embora tenhamos o texto original do PL 7420. Mas, certamente, ele será modificado. Quanto? Não sabemos. Mas, deve-se antever que se a lei incluir metas acadêmicas, e creio que incluirá se não houver ampla reação, então os gestores irão repassar a responsabilidade também para os estabelecimentos e professores. Quem “pagará a conta” é a escola e os professores. Estes também ainda têm o recurso de repassar o “custo” para os alunos, na forma de exclusão daqueles que “derrubem a média da escola”, ou seja, dos alunos com maiores dificuldades.

Um recente estudo do CENPEC mostra como estas políticas afetam todo o território, o conjunto das escolas existentes em um dado território, e não apenas uma determinada escola, produzindo relações entre elas – inclusive atribuindo a determinadas escolas funções específicas no atendimento à população estudantil – induzindo o aparecimento de “guetos escolares”. A experiência mundial diz que estas políticas de responsabilização autoritárias, via leis que regulam índices para as escolas atingirem, não diminuíram as desigualdades acadêmicas.

Observatório – Quais seriam as consequências desta lei?

Luiz – Ninguém é contra responsabilizar a escola pela missão que tem como instituição pública financiada por todos. A questão a ser discutida é de que forma, com qual concepção de responsabilização. Uma concepção de responsabilização democrática e participativa pode ser encontrada no link: https://sites.google.com/site/movimentocontratestes/ .

Uma visão distinta pode ser vista nos Estados Unidos, na versão americana da lei de responsabilidade educacional – No Child Left Behind – que estabeleceu que em 2014 todas as escolas americanas deverão ter todos os seus alunos proficientes. Isso foi feito em 2001. Hoje, às portas de 2014, o Departamento de Educação americano entende que 80% das escolas não têm condições para cumprir esta lei. Para que ela serviu, então? Para privatizar e destruir a educação pública nos Estados Unidos.

A lei de responsabilidade educacional americana permite que, se uma escola não atinge as metas, ela pode ser fechada e privatizada como “escola charter”, ou seja, uma escola administrada por contrato de gestão feito com empresas operadoras privadas. Algo que existe no Brasil ao nível de educação infantil, já foi ensaiado no ensino médio em Pernambuco e, diz-se, que será brevemente ensaiada no Estado de São Paulo em 20 escolas.

Esta estratégia coloca a educação sob controle direto da iniciativa privada, gerida e até financiada por grandes corporações. Nos Estados Unidos, três ou quatro fundações definem a agenda do Departamento de Educação. Teremos que discutir se isso é democrático e seguro para o futuro do país e da nossa juventude.

Esta estratégia de responsabilização autoritária parte da ideia de que a gestão privada resolverá o problema da educação, já que servidores públicos são preguiçosos, desmotivados e não confiáveis. A lei americana cumpriu a função de abrir o setor educacional ao mercado de empresas educacionais, em especial o mercado da consultoria, da tutoria e da avaliação. Hoje este mercado nos Estados Unidos está estimado em 4 bilhões de dólares.

Esta foi a principal consequência da lei de responsabilidade educacional americana, já que do ponto de vista da melhoria da qualidade da educação americana não houve impacto. Antes da lei, os Estados Unidos estavam na média do PISA. Dez anos depois, o país continua na média do PISA. Nas avaliações internas do NAEP as alterações são para pior ou pífias, como ocorreu na última avaliação divulgada. Ou seja, se usarmos as próprias estatísticas de desempenho dos alunos americanos disponíveis, não há nada que justifique reproduzir está lógica no Brasil. Até porque, temos caminhado no PISA – como reconhece a própria OCDE.

Observatório – Existem outras formas de lidar com a responsabilidade da escola?

Luiz – Há outra forma de lidar com a escola que pode ser observada em países que recusam a estratégia americana. O caso da Finlândia é emblemático. Contrariamente à responsabilização autoritária baseada em leis e na “lógica dos negócios”, usa-se uma responsabilização baseada na confiança na escola e em seus profissionais. Regula-se o número de alunos máximo em sala de aula (24). Cuida-se da miséria infantil que é de 4% (nos Estados Unidos é 22% e crescendo). Os professores são respeitados e bem formados (5 anos de estudos universitários). Não são pagos com “bônus” e nem avaliados e pagos pelos resultados de testes de aprendizagem aplicados a seus alunos. Todos os que visitaram a Finlândia são unânimes em dizer que o que surpreende é o grau de confiança que o país tem em suas escolas e em seus profissionais. Não são execrados pela mídia e por engravatados que se dizem “especialistas em educação” sem terem nunca dado uma aula na vida em uma escola pública.

Não há testes de larga escala na educação básica a não ser no final do ensino médio para entrar na universidade. Uma responsabilização sem pressão. Qual o impacto disto na aprendizagem dos alunos, medido pelo mesmo PISA: a Finlândia é topo no PISA. Temos então, duas formas de responsabilização: a dos americanos, que não melhorou a sua educação, e que está introduzida no texto da deputada Raquel Teixeira em análise no Congresso. E a da Finlândia, topo do PISA.

Na dependência da escolha que o Brasil faça, se optarmos pela responsabilização americana, estaremos caminhando para mais uma década perdida em educação, com a consequente destruição do sistema público de educação brasileiro.

http://www.observatoriodaeducacao.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1116:a-responsabilizacao-de-escolas-levaria-a-uma-decada-perdida-na-educacao-diz-pesquisador-sobre-lre&catid=73:controle-social&Itemid=107

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Consed discute avaliação

Postado originalmente na Uol em 28/11/2011

V Reunião Extraordinária do Consed

As avaliações de larga escala da Educação Básica foram o tema que dominou o primeiro dia de debates da V Reunião Extraordinária do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed). O encontro começou na tarde desta segunda-feira e prossegue até esta terça-feira (29), na Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Apresentaram suas diferentes visões os professores Francisco Soares (UFMG), Luiz Carlos Freitas (Unicamp) e Lina Kátia Mesquita de Oliveira (UFJF).

Francisco Soares enfatizou que é as avaliações são necessárias, mas precisam ser debatidas antes de ser implementadas. “Outro problema é que a sociedade ainda não tem clareza das diferenças entre prova, feita para classificar candidatos em um concurso, e avaliação, realizada para diagnóstico educacional”, analisou. “Também há ênfase para rankings sobre quem tirou as melhores e as piores notas, o que é um equívoco do ponto de vista da educação”, completou. Para o pesquisador, o que mais importa nos resultados é saber como a escola está, quais os progressos já alcançados e no que precisa melhorar.

Já Luiz Carlos afirmou que a centralidade que os testes assumiram em alguns países tem conduzido a supervalorizar o poder das provas para produzir qualidade na educação, impedindo uma discussão aprofundada sobre o que é uma “boa educação”. Para ele, as provas municipais, estaduais e as nacionais devem ser usadas exclusivamente para avaliar as políticas públicas e monitorar o avanço da qualidade educacional e nunca para avaliar individualmente as escolas, os alunos e seus professores. “Nota alta não é sinônimo de boa educação e formação é mais do que expectativa de aprendizagem”, disse o professor da Unicamp.

A professora Lina Kátia fez um resumo dos sistemas de avaliação e de bonificação por desempenho docente existentes atualmente nos estados. A pesquisadora reiterou que os sistemas são implementados para produzir um diagnóstico sobre o desempenho dos alunos e os fatores que interferem nesse desempenho; monitorar a qualidade da educação ao longo do tempo; definir subsídios para a formulação de políticas educacionais com qualidade e equidade.

Lina Kátia defendeu que os estados e municípios tenham seus próprios sistemas de avaliação. “O desenho próprio de avaliação leva em conta as necessidades específicas”, disse. “Além disto, os resultados das avaliações locais são disponibilizados com maior agilidade, o que permite uma ação mais rápida para a solução dos problemas apresentados”, afirmou.

Também participaram do debate a secretária de Educação Básica (SEB/MEC), Maria do Pilar Almeida e Silva e das pesquisadoras Paula Louzano (Fundação Lemann) e Gláucia Torres Franco (Fundação Carlos Chagas).

Confira as apresentações dos pesquisadores:

Utilidade e usos das avaliações de larga escala da Educação Básica – Francisco Soares

Cultura de auditoria ou confiança nas escolas? – Luiz Carlos de Freitas

Sistemas próprios de avaliação educacional – Lina Kátia Mesquita Oliveira

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Máquina de privatização ligada a Dilma

Postado originalmente na Uol em 2/12/2011

A revista Exame veicula esta semana entrevista com o empresário Jorge Gerdau. Ele comanda, diretamente ligado a Dilma, a Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade. Juntamente com ele ainda estão Henri P. Reischtul, Presidente da Petrobras; Antonio Maciel Neto, Presidente da Suzano Papel e Celulose; Abílio Diniz, Presidente do Grupo Pão de Açucar.

Eles trabalham sem nenhuma remuneração, pela causa. Comandam um exército de 200 executivos que patrocinam e acompanham os resultados dos projetos desta Câmara. Gerdau atua visitando governadores nos Estados para passar suas propostas. Uma vez que o Governador aceita, estes empresários pagam a Mckinsey e outras consultorias para preparar o projeto para o estado implantar.

Note-se que é o mesmo modelo que o Estado de SP implantou para definir a política educacional na Secretaria de Educação. Um grupo de executivos e fundações paga a Mckinsey para ela fazer a auditoria e definir os projetos.

O modelo é muito parecido com o que os empresários americanos fizeram em seu país na década de 90 quando um grupo de 300 executivos fez lobby junto aos governadores dos estados americanos para implantar as políticas educacionais de responsabilização e meritocracia.

Aqui o modelo foi expandido para outras áreas, mas a lógica é a mesma. A reportagem é importante porque mostra que os empresários estão atuando no centro do sistema, mas também junto aos estados.

Detalhe: Gerdau é presidente do Comitê de Governança do Movimento Todos pela Educação que conta com patrocínio da Gerdau e da Suzano, entre outros.

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Alerta na matriz: carta de pesquisadores

Postado originalmente na Uol em 4/12/2011

Pela sua importância, reproduzo a carta dos especialistas em avaliação nos Estados Unidos, contra a vinculação de pagamento do professor a testes de alunos.

Ao Conselho Estadual de Regentes do Estado de Nova York

15 de maio de 2011

Como pesquisadores que fizeram extenso trabalho na área de testes e medidas com o uso de métodos de análise de valor agregado, escrevemos para expressar nossa preocupação sobre a decisão pendente no Conselho de Regentes de exigir o uso de resultados dos testes do Estado em 40% da decisão de avaliação dos professores.

Como o relatório em anexo do Instituto de Política Econômica descreve, a literatura de pesquisa inclui muitas advertências sobre os problemas de basear as avaliações de professores nas notas dos alunos. Estas evidências incluem problemas de atribuição de ganhos de estudantes a professores específicos; preocupações com a ênfase em apenas “ensinar para a prova” em detrimento de outros tipos de aprendizagem; e desestímulos dos professores para atender os alunos de maiores necessidades, por exemplo, aqueles que ainda não falam Inglês e aqueles que têm necessidades educativas especiais.

Resenhas de pesquisa sobre metodologias de valor agregado para a estimativa dos “efeitos” do professor com base em notas dos alunos concluíram que essas medidas são muito instáveis ​​e muito vulneráveis a muitas fontes de erro para serem usadas como parte importante da avaliação de professores. Um relatório da RAND Corporation, concluiu que:

A base de investigação é insuficiente para suportar o uso de VAM para decisões de alto risco com professores individualmente ou escolas.

O Conselho de Controle e Avaliação do Conselho Nacional de Pesquisa da Academia Nacional de Ciências afirmou:

… as estimativas de valor agregado da eficácia dos professores … não devem ser usadas para tomar decisões operacionais, pois estas estimativas são muito instáveis ​​para serem consideradas justas ou de confiança.

Henry Braun, então na Educational Testing Service, concluiu em sua revisão da pesquisa que:

Os resultados de valor agregado não devem servir de base única ou principal para a tomada de decisões importantes sobre os professores. Há muitas armadilhas para fazer atribuições causais de eficácia do professor com base nos tipos de dados disponíveis nos distritos escolares típicos. Ainda nos falta um conhecimento suficiente da seriedade com que os diferentes problemas técnicos ameaçam a validade de tais interpretações.

Segundo esses estudos, os problemas com o uso de modelos de teste de valor agregado para determinar a eficácia do professor incluem:

* As classificações dos professores são afetadas por diferenças nos alunos que lhes são designados. Os alunos não são designados aleatoriamente aos professores – e modelos estatísticos não pode ajustar-se inteiramente ao fato de que alguns professores terão um número desproporcional de estudantes que pode ser excepcionalmente difícil de ensinar (estudantes com pobre assiduidade, que são sem-teto, com problemas graves em casa, etc) e cujas pontuações em testes tradicionais têm uma baixa e inaceitável validade (por exemplo, aqueles que têm necessidades educativas especiais ou que estão aprendendo Inglês). Todos esses fatores podem criar estimativas erradas da eficácia dos professores e desestimular os professores que precisam ensinar os alunos mais necessitados, criando-se incentivos para que os professores procurem ensinar aos alunos que eles esperam que façam progressos mais rápidos e evitando escolas e salas de aula que atendem a estudantes que precisam de maior esforço.

* Os modelos de valor agregado de cálculo da eficácia dos professores não produzem avaliações estáveis destes. Os professores aparecem muito diferentes em sua eficácia quando diferentes métodos estatísticos são utilizados. Além disso, os pesquisadores descobriram que as avaliações da eficácia dos professores diferem de classe para classe, de ano para ano, e até mesmo de teste para teste, mesmo quando estes estão dentro da mesma área de conteúdo. Henry Braun afirma que as classificações são mais instáveis ​​nas extremidades superiores e inferiores da escala, que muitos gostariam de usar para determinar os níveis altos ou baixos de eficácia.

* É completamente impossível separar as influências de outros professores no desempenho dos alunos de um professor, bem como das condições da escola e em casa, em sua aparente aprendizagem. Não existe um único professor responsável por todas as aprendizagens do aluno. Professores anteriores têm efeitos duradouros, para o bem ou para o mal, sobre a aprendizagem posterior dos alunos e os professores atuais também interagem para produzir os conhecimentos e habilidades dos alunos. Alguns alunos recebem aulas particulares, bem como a ajuda dos pais bem-educados. Um professor que trabalhe em uma escola com suporte de especialistas que apoiam os estudantes de famílias estáveis pode parecer ser mais eficaz do que aquele cujos alunos não recebem esses apoios.

Estes problemas são agravados ainda mais pelo fato de que o tipo de testes e exames de fim de curso usados em Nova York não são projetados para medir o desenvolvimento do estudante.

Apesar dos modelos de valor agregado baseados em notas dos alunos serem úteis para olhar para grupos de professores para fins de pesquisa – por exemplo, para examinar os resultados dos programas de desenvolvimento profissional ou olhar para o progresso do aluno ao nível da escola ou do distrito, elas são problemáticas se usadas como medidas para a tomada de decisões de avaliação de professores.

Nós os incentivamos a rejeitar as propostas que podem colocar grande ênfase à essa estratégia não testada e que podem ter sérias conseqüências negativas para o professor e para os alunos mais vulneráveis ​​nas escolas do Estado.

Eva Baker, Distinguished Professor, UCLA Graduate School of Education Director, National Center for Research on Evaluation, Standards and Student Testing (CRESST) President, World Educational Research Association, 2010-2012 Past President, American Educational Research Association

Linda Darling-Hammond, Charles E. Ducommun Professor of Education, Stanford University Past President, American Educational Research Association Executive Board Member, National Academy of Education

Edward Haertel, Vida Jacks Professor of Education, Stanford University Chair, Board on Testing and Assessment, National Research Council Vice-President, National Academy of Education Past President, National Council on Measurement in Education

Helen F. Ladd, Edgar Thompson Professor of Public Policy and Professor of Economics, Sanford School of Public Policy, Duke University President, Association of Public Policy and Management

Henry M. Levin, William Heard Kilpatrick Professor of Economics and Education, Teachers College, Columbia University Past President, Evaluation Research Society Past President, Comparative and International Education Society

Robert E. Linn, Professor Emeritus, University of Colorado at Boulder Past President, American Educational Research Association Past President, National Council on Measurement in Education

Aaron Pallas, Professor of Sociology and Education, Teachers College, Columbia University Fellow, American Educational Research Association

Richard Shavelson, Dean Emeritus and Margaret Jacks Professor Emeritus, Stanford University. Past President, American Educational Research Association

Lorrie A. Shepard, Dean & Distinguished Professor, University of Colorado at Boulder Past President, American Educational Research Association Past President National Academy of Education Past President National Council on Measurement in Education

Lee S. Shulman, Charles E. Ducommun Professor Emeritus, Stanford University President Emeritus, Carnegie Foundation for the Advancement of Teaching Past President, American Educational Research Association

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Manifesto do Forum Paulista de Educação infantil

Postado originalmente na Uol em 6/12/2011

Manifesto indignado do FPEI: Avaliar para que? E para quem?

O velho mundo morre enquanto o novo tarda a aparecer. No claro-escuro perfilam os monstros (Antonio Gramsci).

O Fórum Paulista de Educação Infantil traz seu manifesto indignado, contra as ondas de controle, ou melhor, a este verdadeiro tsunami que invade os territórios da educação das crianças pequenas, a avaliação em larga escala do desempenho das crianças de 0 até 6 anos de idade, por meio de testes, questionários, provas e quaisquer outros instrumentos, que não respeitem as crianças como produtoras de culturas infantis.

Ao lado dos bebês e das crianças, defendendo-as em seus direitos como produtoras de culturas, há diversos documentos, pesquisas e leis que abrangem as especificidades das infâncias. Desta forma, não podemos admitir que tais procedimentos avaliativos se instalem, ignorando e desconsiderando todo processo de concepção sobre Educação Infantil e avaliação presentes na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei n. 9394/96), nas Diretrizes Curriculares Nacionais de Educação Infantil (Resolução CNE/CEB nº 05 de dezembro de 2009) e nos Indicadores da Qualidade na Educação Infantil (2009).

Há, portanto, que considerar – ouvindo – os professores e professoras, pesquisadores e pesquisadoras, enfim os tantos profissionais da educação que, ao longo dos anos, têm aprendido com as crianças e não só sobre elas… aprendido com as crianças reais, em ambientes coletivos de educação. Esses ambientes sim, merecedores da avaliação detalhada de seus contextos organizativos de tempo, espaços, interações, formação docente, propostas pedagógicas, formas de registro do tempo, do espaço , enfim, das “condições dadas” para a produção das culturas infantis e formas de registro da experiência vivida, aprendida, transgredida, desaprendida, inventada, recriada, etc. Sempre uma avaliação da instituição e do projeto pedagógico, além da avaliação das políticas públicas (gestão, recursos financeiros, pedagógicos, etc.); jamais avaliação individual das crianças, que tem sido historicamente produtora de estigmas e de pressão contra as crianças e não de condições favoráveis à formação humana em suas múltiplas dimensões.

De outro lado, nossos estudos, pesquisas e trabalho pedagógico com as crianças pequenas nos mostram que a infância é uma construção histórica e social, o que torna impossível imaginar a proposição de um instrumento que quantifica, para avaliar as descobertas, as invenções, enfim as experiências das crianças.

Sendo assim, como não nos indignarmos diante da possibilidade de uma proposta de avaliação nacional que desconsidera a existência das diferentes infâncias e crianças e, em especial, o lugar de cada uma delas na estrutura da sociedade brasileira segundo a classe social, pertencimento racial e étnico, gênero e cultura, entre outras diferenças?

As meninas e meninos nos mostram e nos revelam que as diferentes e múltiplas dimensões humanas não são passíveis de serem retratadas ou aferidas, com dignidade, por testes ou avaliações pré-formulados, a partir de uma visão de um modelo de criança que verdadeiramente e felizmente, não existe.

Assim não é possível compactuar com a disseminação de mecanismos de avaliação que se circunscrevem à classificação das crianças, tendo por base categorias definidas a priori, que revelam um padrão esperado e idealizado do que as crianças devem ser em cada faixa etária. O objetivo fundante de tais instrumentos, que menosprezam as dimensões humanas em construção desde o nascimento, é basicamente avaliar se a resposta é certa ou errada, ou se o comportamento do bebê ou da criança corresponde às normas e as expectativas pré-determinadas. Tais modelos de avaliação, revestidos pela ótica falsamente objetiva e padronizada, apregoam a possibilidade e a crença de poder apreender a realidade com precisão. Crença esta, que só se sustenta na perspectiva da avaliação tradicional, balizada por duvidosos diagnósticos, descontextualizados e antidemocráticos, capazes de definir currículos homogeneizantes e práticas sem significado, moldando e reforçando comportamentos, tendo em vista sua adequação ao produto final esperado. Essa concepção etapista da educação infantil não cabe mais em lugar algum.

É nessa perspectiva que se instala nossa indignação. Afinal, não podemos retroceder e desconsiderar os avanços significativos que a educação da pequena infância vem construindo nas últimas décadas, com a inestimável e generosa participação das crianças, em relação à avaliação e aos processos de documentação pedagógica. Esses avanços já fundamentam inclusive as bases legais que sustentam a primeira etapa da educação básica, a Educação Infantil do país, como já sinalizado. Avanços que anunciam a possibilidade de pensar em propostas avaliativas que considerem as crianças reais, suas vozes, experiências, culturas e saberes, e ainda impulsionem a construção de uma educação da infância de qualidade e digna de todos os bebês e crianças deste país, cuja riqueza, inteligência, curiosidade e inventividade, não cabem em testes, questionários ou provas. Tais instrumentos que querem implantar são pequenos, são indignos da grandeza de nossas crianças.

Não estaremos jamais ao lado dos que querem aferir os conhecimentos dos bebês e das crianças pequenas com provas e teste e estaremos sempre em defesa da Pedagogia da Infância que aprende a cada dia os alcances da capacidade inventiva e transgressora das crianças pequenas. Não admitimos que uma avaliação que não serve para as crianças do ensino fundamental, por inúmeros motivos, dos quais destacamos hierarquizar escolas e restringir currículos à preparação para provas, seja estendida à Educação Infantil.

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Universidades reagem ao ASQ3 na educação infantil

Postado originalmente na Uol em 6/12/2011

A representante dos coordenadores de curso de especialização em docência para a educação infantil, Fátima Guerra, entregou à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência (SAE), hoje (5/12), uma carta, assinada por 32 coordenadores de 20 universidades federais. Na carta ela critica a possível adoção do projeto norte-americano de avaliação do desenvolvimento de crianças, o ASQ3, na educação infantil brasileira. Segundo a representante, a proposta está em estudo no gabinete do ministro Fernando Haddad para ser implementada em todo o país.

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Livro de Diane é traduzido no Brasil

Postado originalmente na UOL em 7/12/2011

Foi traduzido para o português o livro de Diane Ravitch:

Vida e morte do grande sistema escolar americano – Como os testes padronizados e o modelo de mercado ameaçam a educação

Diane Ravitch

ISBN: 978-85-205-0632-5

Um apelo passional pela preservação e renovação da educação pública. O livro Vida e Morte do Grande Sistema Escolar Americano é uma mudança radical de perspectiva, escrito por uma das mais conhecidas especialistas em educação dos EUA.

Diane Ravitch – ex-secretária-assistente de educação e líder do movimento para a criação de um currículo nacional – examina a sua carreira na reforma educacional e repudia posições que ela anteriormente defendeu firmemente. Baseando-se em 40 anos de pesquisa e experiência, Ravitch critica as ideias mais populares de hoje para reestruturar as escolas, incluindo privatização, testes padronizados, responsabilização punitiva e multiplicação irresponsável de escolas autônomas. Ela demonstra conclusivamente por que o modelo empresarial não é uma forma apropriada de melhorar as escolas. Usando exemplos de grandes cidades como Nova York, Philadelphia, Chicago, Denver e San Diego, Ravitch evidencia que a educação de hoje está em perigo.

Ravitch inclui propostas claras para melhorar as escolas americanas:

– deixe as decisões sobre as escolas para os educadores, não para os políticos ou empresários;

– construa um currículo verdadeiramente nacional que estabeleça o que as crianças em cada série deveriam estar aprendendo;

– espere que as escolas autônomas eduquem as crianças que precisam de mais ajuda, não que concorram com as escolas públicas;

– pague um salário justo aos professores pelo seu trabalho, não um “salário por mérito” baseado em pontuações de testes profundamente falhos e não confiáveis;

– encoraje o envolvimento familiar na educação logo a partir dos primeiros anos.

Vida e Morte do Grande Sistema Escolar Americano oferece mais do que apenas uma análise da situação atual do sistema educacional americano. É uma leitura fundamental para qualquer um interessado no futuro da educação americana.

http://www.editorasulina.com.br/detalhes.php?id=559

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Você acredita em milagres?

Postado originalmente na Uol em 8/12/2011

Recentemente nosso Ministro da Educação, Fernando Haddad, inaugurou a era das visitas a escolas de sucesso, tal qual nos Estados Unidos faz seu Secretário de Educação e até o presidente Obama. Alguém por lá resolveu monitorar estas escolas elogiadas e verificar o que acontece com elas depois das famosas visitas. Veja abaixo o resultado. Cocal dos Alves que se cuide!

Há poucos dias (6-12-2011) Diane Ravitch escreveu em seu Blog no Education Week um comentário sobre escolas americanas que foram louvadas como milagres sob o título: Você acredita em milagres? Diz ela:

“Uma das reivindicações centrais do movimento dos reformadores empresariais é que a pobreza não é um destino e que uma escola composta por grandes professores pode eliminar a pobreza. Esta é uma espécie muito atraente de retórica, porque todos nós nutrimos a esperança de que cada pessoa pode superar os obstáculos da pobreza para alcançar o sucesso na escola e na vida.

Certamente, nós estimamos o sonho americano de que as pessoas que crescem em situação de pobreza possam alcançar um sucesso excepcional em suas vidas (mesmo que ciências sociais digam que as probabilidades favorecem quem tem dinheiro, educação e privilégio). Para algumas pessoas, esta formulação tem também o sentido de que podemos ignorar a pobreza, cortar impostos e gastos, e apenas se concentrar no fechamento de escolas, abertura de escolas por contrato de gestão (charters), dar vouchers, colocando as crianças on-line sem professores, aumentando o tamanho das turmas, ou lançar um novo sistema de avaliação do professor.”

A autora enfatiza que há uma correlação forte e inegável entre renda familiar e resultados dos testes que aparece em testes padronizados como o SAT, o ACT, o NAEP, e em todos os outros testes padronizados. Mas considera pouco provável que os professores sozinhos possam fechar as lacunas de desempenho dos estudantes.  Em seu texto a autora examina três escolas consideradas “milagrosas” pelo seu desempenho inédito e que foram louvadas como exemplo de superação.

Para saber o que ocorre com tais escolas pode-se consultar os trabalhos de Gary Rubinstein, que cuidadosamente acompanha as chamadas escolas milagrosas.

Leia mais em:

http://blogs.edweek.org/edweek/Bridging-Differences/2011/12/do_you_believe_in_miracles.html

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Todos pela Educação avança no MEC

Postado originalmente na Uol em 9/12/2011

O Movimento Todos pela Educação avança no Conselho Nacional de Educação e no Ministério da Educação e consegue passar a ideia de instituir consórcios público/privados para grupos de municípios, denominada de “arranjos educacionais”. Ao instituir este mecanismo, que não prevê acesso das instituições privadas a recursos públicos, o que o Movimento Todos pela Educação deseja é o acesso ao controle ideológico do processo educacional – principal meta dos reformadores empresariais. O relator do Parecer foi Mozart Neves Ramos, também do Todos pela Educação.

Já divulguei neste blog como funciona o processo de controle ideológico que os empresários realizam, gratuitamente, na Secretaria da Presidência da República, que reúne 200 empresários que financiam projetos de melhoria da gestão pública em várias áreas, sob comando de Gerdau, o qual também é presidente do comitê de governança do Movimento Todos pela Educação.

A aprovação do PARECER da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação Nº: 9/2011 se deu em 30 de agosto de 2011 e já foi homologado pelo Ministro da Educação Fernando Haddad. Diz o texto do parecer:

“Este parecer tem por objetivo analisar proposta de fortalecimento e implementação do regime de colaboração entre entes federados, basicamente entre Municípios, numa espécie de colaboração horizontal, mediante arranjos de desenvolvimento da educação. Isto significa trabalhar em rede, onde um grupo de Municípios com proximidade geográfica e características sociais e econômicas semelhantes busca trocar experiências e solucionar conjuntamente dificuldades na área da educação, trabalhando de forma articulada com os Estados e a União, promovendo e fortalecendo a cultura do planejamento integrado e colaborativo na visão territorial e geopolítica.

Este trabalho em rede na concepção de arranjos educacionais (porque não deve existir um único modelo, como será visto mais adiante) constitui uma forma possível de se efetivar o regime de colaboração previsto no art. 211 da Constituição Federal1, com foco no que dispõe seu § 4º: Na organização de seus sistemas de ensino, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios definirão formas de colaboração, de modo a assegurar a universalização do ensino obrigatório.”

Baixe o Parecer aqui:

http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=8851&Itemid=

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Fraude: agora é na Inglaterra

Postado originalmente na Uol em 11/12/2011

Depois das várias denúncias de fraudes nos Estados Unidos (Texas, Atlanta, New York), agora é a vez da Inglaterra. A lógica dos negócios vem completa para dentro da educação.

Jornal revela fraude em exame para os estudantes britânicos

Examinadores estariam entregando o conteúdo das provas a professores para que eles ensinassem exatamente o que seria cobrado

iG São Paulo | 09/12/2011 20:45

Uma série de reportagens do jornal britânico The Telegraph revelou uma fraude em exames nacionais de proficiência da educação básica no Reino Unido. Examinadores estariam entregando a professores o conteúdo das provas a serem aplicadas.

De acordo com a denúncia, durante seminários realizados para incentivar as escolas a escolher um dos exames disponíveis no Reino Unido, os examinadores estariam entregando o conteúdo das provas, de maneira a induzir os professores a ensinar apenas esse conteúdo e ajudar os estudantes a obter notas altas. As denúncias estão sendo investigadas pelo Instituto de Regulação de Avaliações e Exames do Reino Unido (Ofqual), por ordem do Secretariado de Educação (o ministério da educação britânico). O instituto prometeu conclusões ainda antes do Natal.

Continue lendo em:

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/enem/jornal-revela-fraude-em-exame-para-os-estudantes-britanicos/n1597404045923.html

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Ajuste para responsabilizar

Postado originalmente na Uol em 14/12/2011

O ciclo iniciado com Fernando Henrique e Paulo Renato que deu origem aos Parâmetros Curriculares Nacionais vai ser fechado agora no governo Dilma com a elaboração do que está sendo chamado “expectativas de aprendizagem”. Não é um movimento só no Brasil. É uma agenda internacional. Consideram que os PCN antigos são demasiados genéricos e desatualizados. A razão no entanto não é bem essa. Ocorre que os processos de responsabilização da escola implicam em poder identificar o que é necessário de ser ensinado mais especificamente e por cada ano escolar. Penso que as coisas irão caminhar por aí. Feitas as expectativas, poder-se-á cobrar a escola e portanto responsabilizá-la (premiar e punir).

A questão não está nas expectativas em si, mas a ideologia da responsabilização que a acompanha, com destaque para o intenso namoro do Movimento Todos pela Educação (e fundações adjacentes) com a idéia.

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Cenário preocupante

Postado originalmente na Uol em 16/12/2011

O Ministério da Educação vai, aos poucos, tomando a sua conformação sob o Governo Dilma. Os marcos importantes desta situação são: a) a posição de articulador que o Secretário Executivo Paim passou a exercer, como intermediário entre a Secretaria da Presidência da República e o MEC; b) a reforma administrativa do Ministério (sob articulação de Paim) que ocorreu em maio de 2011; e c) o Parecer CNE 09/2011 da CEB homologado pelo Ministro em novembro. Não esgotam, mas são marcos importantes.

A primeira evidência, Paim, veio a confirmar-se com as suspeitas de que, seja de forma permanente ou temporária, poderá suceder Haddad no MEC. Isso colocará à frente do Ministério uma pessoa articulada com o QG de Dilma e disposta a aceitar, sem muita discussão, o que for definido no núcleo duro do Governo. Note-se que neste núcleo duro está o Comitê que assessora a presidenta na melhoria da Gestão Pública, comandado por J. Gerdau, que também é presidente do Comitê de Governança do Movimento Todos pela Educação. Tem, portanto, trânsito fácil neste núcleo. Ao lado dele também há Abílio Diniz – sim – o do Grupo Pão de Açucar. A Comissão presidida por Gerdau tem por trás 200 executivos que financiam projetos criados por esta Comissão em contato com os Governadores. Uma espécie de Business Roudtable brasileira, à moda dos anos 90 na educação americana, só que ampliada a todas as áreas.

A reforma do MEC contém um reajuste de estrutura interna que o prepara para os processos de responsabilização e para viabilizar, quando possível, a introdução deste conceito na constituição do sistema articulado nacional de educação – na discussão da colaboração entre entes federados.

Já o Parecer do CNE, homologado, vai mais fundo e cria, na prática, uma versão do que deve ser a colaboração entre os estados, municípios e a federação – em linha vertical – e a combina com uma linha horizontal, onde os “operadores” de “arranjos educacionais” (sic) podem incluir empresas. Elas não podem acessar recursos públicos, mas não é isso que importa. O que está em jogo é o controle ideológico do processo educativo. E isso está garantido. Se as empresas que são operadoras não podem ter acesso a recurso público, só podem financiar, o “arranjo educacional” pode contratar sim as indústrias da educação e as ONGs que se envolverão nas atividades meio. O Parecer foi feito por Mozart Ramos, do Movimento Todos pela Educação e membro do Conselho Nacional de Educação.

Penso que são exemplos bastante convincentes de como a política educacional está caminhando em direção ao seu controle pelos reformadores empresariais da educação. E é bom nem falarmos do Plano Nacional de Educação, onde o relator Vanhone fez de conta que ouviu todo mundo, mas não mudou nada de importante no plano original do governo.

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A vez de Goias

Postado originalmente na Uol em 16/12/2011

A título de valorizar o professor, Goias aprova gratificação de desempenho com limite de 20% do total de professores em atividade, com interstício de 3 anos, se aprovado em avaliação.

Um embuste que está se repetindo em várias partes, a titulo de “valorizar o professor”.

Na realidade, isto é reforma fiscal feita por Secretários de Educação que estão empenhados em evitar que os aumentos salariais sejam dados e que eles tenham repercussão nos encargos salariais. Daí a opção por bônus e gratificações restritos a 20% e com longos interstícios. Não contam para aposentadoria e outros benefícios.

Valorizar o professor, nesta concepção, é pagar mais por desempenho à moda de comissão para vendedor de carro, e não criar condições condignas de vida, incluindo aposentadoria.

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Expectativas de aprendizagem

Postado originalmente na Uol em 18/12/2011

Face ao debate que se instala nos Estados Unidos e, claro, no Brasil sobre a definição de expectativas de aprendizagem é bom recuperarmos o livro de Deborah Meier (2000).

Debate: Will standards save public education?

I recently read Deborah Meier’s Will Standards Save Public Education? The book is a “New Democracy Forum” debate produced by the fantastic Boston Review (www.bostonreview.net).

 It includes contributions by Deborah Meier, Jonathan Kozol, Ted Sizer, Gary Nash, Linda Nathan, Abigail Thernstrom, Richard Murnane, William Ayers, and Bob Chase (former NEA President). The book was published in 2000, but it is more relevant than ever because of the Obama administration’s push for national standards, the recent release of the Common Core standards in reading and math that are likely to serve as the basis of these standards, and the ongoing debate about the future of No Child Left Behind, a piece of standards-and-accountability legislation that has transformed the educational landscape in ways positive and negative, expected and unexpected.

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USA: Lei de Responsabilidade falha

Postado originalmente na Uol em 19/12/2011

O Ministro de Educação americano reconhece no Congresso que a Lei de Responsabilidade Educacional conhecida como No Child Left Behind (NCLB) é hoje um desastre (train wreck). A experiência é uma demonstração clara de que não se aumenta a qualidade da educação de um país por decreto. Os USA já estão na terceira década perdida atrás destas ideias.

O dilema de Duncan: o que acontece aos estados que não forem dispensados da NCLB?

Por Valerie Strauss, 12/17/2011

O texto foi escrito pelo educador Anthony Cody que trabalhou por 24 anos nas escolas de Oakland, 18 anos no ensino de ciências em uma escola para alunos especiais e seis anos como um mentor e apoiador de professores. Ele é um professor certificado pelo Conselho Nacional. Este post apareceu em seu blog no Education Week Teacher, Viver em Diálogo.

Por Anthony Cody

À medida em que a [Lei de responsabilidade educacional americana] No Child Left Behind [Nenhuma Criança Deixada para Trás] se torna um desastre ainda maior, o Secretário Duncan enfrenta um grande dilema. Como ele pode continuar a fazer cumprir esta lei que ele declara ser um desastre?

Na primavera passada, em uma tentativa de incitar o Congresso a aceitar a sua fórmula de revisão da No Child Left Behind, o Secretário da Educação, Arne Duncan fez algumas previsões sombrias.

Continue lendo em:

http://www.washingtonpost.com/blogs/answer-sheet/post/duncans-dilemma-what-happens-to-states-that-dont-get-nclb-waiver/2011/12/16/gIQAHMURzO_blog.html#pagebreak

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Todos pela Educação comemora ADEs

Postado originalmente na Uol em 20/12/2011

O Todos pela Educação comemora a homologação do Parecer CNE que instituiu os Arranjos  Educacionais. Há alguns dias comentamos o Parecer.

MEC HOMOLOGA PARECER PARA CRIAR ARRANJOS DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO

Medida é estratégia para implantar o regime de colaboração entre municípios

Da Redação do Todos Pela Educação

O Ministro da Educação, Fernando Haddad, homologou o parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) sobre a criação de Arranjos de Desenvolvimento da Educação (ADEs), como estratégia para implantar o regime de colaboração entre municípios. O despacho foi publicado na edição desta terça-feira (22) do Diário Oficial da União.

Baixe aqui o parecer do CNE sobre os ADEs

O conselheiro do Todos Pela Educação Mozart Neves Ramos foi o relator da matéria no CNE, em comissão que composta também por Cesar Callegari (conselheiro do TPE), Adeum Hilário Sauer, José Fernandes de Lima e Rita Gomes do Nascimento. O parecer foi aprovado pela Câmara de Educação Básica do CNE em agosto deste ano e, deste então, aguardava a apreciação ministerial.

Continue lendo em:

http://www.todospelaeducacao.org.br/comunicacao-e-midia/noticias/20294/mec-homologa-parecer-para-criar-arranjos-de-desenvolvimento-da-educacao/

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Quando a avaliação vira caso de polícia

Postado originalmente na Uol em 23/12/2011

Controle gera contra-controle, dizia o behaviorista B. F. Skinner nos idos dos anos 70. Também D. Campbell alertava em 1976 para as fraudes que os processos de associação de indicadores a sistemas de pressão, poderiam gerar.

Mas os reformadores empresariais acham que sabem como evitar a fraude nestes processos e “consertar” a educação. Pensam que com alguma “engenharia” e “estatística” controlam estes fatores. Via de regra, como se verá abaixo, adicionam mais pressão e realimentam o ciclo de problemas.

Mas a prática, a realidade, no entanto, insiste em mostrar o contrário e a “sabedoria” dos reformadores não tem conduzido ao sucesso proclamado.

Nós, educadores profissionais, sempre soubemos que a pressão do professor sobre o aluno, pode gerar fraude nas provas. Igualmente, a experiência americana tem mostrado que a pressão dos sistemas centrais sobre o professor gera fraude – o mesmo ocorre se a pressão é sobre o diretor.

Pressão, não é uma boa companheira das reformas educacionais – infelizmente, isso só será reconhecido pela prática – com o necessário custo que isto implica.

Trapaça em testes padronizados e baratas

Por Valerie Strauss

Publicado às 06:00 ET, 2011/06/29

Cidade após cidade, temos ouvido recentemente sobre um cenário de novas fraudes ou revelações de suspeita de trapaça que, aparentemente, levou o Secretário de Educação Arne Duncan a enviar uma carta na semana passada aos Secretários de Educação do país sobre a importância de salvaguardar o processo de testagem, de acordo com uma cópia publicada pelo Baltimore Sun.

Quando os funcionários de escolas de Washington, DC, por exemplo, jogaram fora a pontuação no mês passado dos testes padronizados de 2010 de três salas de aula, quem realmente pensou que o problema estivesse limitado a estas três?

Continue lendo (em inglês) em:

http://www.washingtonpost.com/blogs/answer-sheet/post/cheating-on-standardized-tests-and-roaches/2011/06/27/AGbDempH_blog.html

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Corrida para nenhum lugar

Postado originalmente na Uol em 1/01/2012

Aprender ou passar no vestibular?

31 de dezembro de 2011 | 3h 04

Joca Levy, advogado, é pai de três adolescentes – O Estado de S.Paulo

Discute-se muito a baixa qualidade do ensino público, com efeitos sobre as classes de menor poder aquisitivo. Deveriam também causar aflição sérios tropeços das escolas privadas, inclusive as que obtêm as melhores notas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Esses problemas, que passam despercebidos pela maioria dos pais e educadores, afetam jovens das classes mais altas, supostos candidatos mais prováveis à elite intelectual do País.

Os pais precisam desde cedo decidir se o plano para seu filho é aprender ou passar no vestibular. É possível aprender e passar no vestibular, mas é limitada e frustrante a trajetória intelectual da criança cujos pais estabelecem como meta o vestibular, não o aprendizado.

Continue lendo em:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,aprender-ou–passar-no-vestibular-,817004,0.htm

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Os economistas, por eles mesmos

Postado originalmente na Uol em 2/01/2012

Quando educadores profissionais criticam economistas que se metem a “consertar a educação”, não são ouvidos pois são considerados “pouco objetivos”, “não qualificados para o debate”, não dominam as “matemáticas” e as “estatísticas”. Há um pensamento único formado que coloca os economistas como detentores de um saber raro e poderoso. A realidade é passível de ser modelada e os efeitos cruciais da realidade, dependem da identificação das causas a eles associadas. Tudo isso é possível, se detivermos conhecimento adequado, ou seja, o conhecimento dos economistas e estatísticos.

Mas, e quando economistas criticam os próprios economistas? Aí muda de figura. E quando economistas como Delfin Neto ou Luiz Carlos Bresser Pereira, que não são quaisquer economistas, criticam os seus pares? Bem, aí a situação fica bem mais confortável para os educadores profissionais, pois seus argumentos são utilizados por pares de economistas que detêm, portanto, o supremo saber da economia.

É o que acontece hoje – 02-01-2012 – na Folha de São Paulo, onde Luiz Carlos Bresser Pereira examina criticamente “o poder dos economistas”. Nós bem conhecemos, na área educacional, tal poder. Eles têm-se convertido em Secretários da Educação com a promessa de “reformar os processos educacionais e promover o avanço da educação”. Ministros da Educação não faltam – do atual até Paulo Renato C. Souza. Estiveram na presidência do INEP também – e em tantos outros lugares educacionais. Nos Estados Unidos é uma prática recorrente.

Como funciona o argumento econômico? O artigo a que me referi mostra muito bem. Cito trechos dele.

“Dani Rodrik informou em artigo recente (publicado no “Valor”, 19-dez-2011) que um grupo de estudantes abandonou o curso de seu colega na Harvard University Greg Mankiw, protestando contra o fato de que “o curso propaga ideologia conservadora disfarçada de ciência econômica e ajuda a perpetuar a desigualdade social”.”

Ainda bem que mais gente percebeu, além dos educadores profissionais. Esta é a questão central. Não se trata de não querer utilizar as técnicas macroeconômicas, ou considerá-la “persona não grata” na educação. A questão é que tais técnicas entram na educação a serviço de ideologias conservadoras, autodenominando-se “não ideológicas” ou “objetivas”. A coisa é tão descarada que até os economistas profissionais perceberam.

Na educação não é diferente. Mas o que mais chama a atenção no caso da crítica de Luiz Carlos Bresser Pereira é que ele identifica também a “arrogância” destes senhores no processo de “imposição” de suas técnicas e interpretações. Diz o autor:

“Essa teoria econômica matemática que se ensina nas grandes universidades, baseada nos pressupostos do “homo economicus” e das expectativas racionais e no modelo do equilíbrio geral é essencialmente falsa, porque usa o método hipotético dedutivo e porque adota como critério de verdade a coerência lógica, não a conformidade com a realidade.”

Fantástica, a crítica. Para autor, entretanto, isso não ocorre por engano, mas por arrogância matemática. Tal arrogância permite o monopólio do saber pois desejam ensinar que os sistemas são autorregulados e portanto, basta “corrigir suas falhas”.

Quem não percebeu isso no debate sobre o uso da Teoria da Resposta ao Item (TRI), uma tecnologia mantida a sete chaves por prestadoras de serviços de avaliação. Chega-se a argumentar com ela perante o Ministério Público, como se este não pudesse questioná-la, como se fôsse uma questão de falta de compreensão dos métodos matemáticos pelo Ministério Público.

Outra não é a realidade de estatísticos que insistem, no Brasil, em adotar o pagamento por bônus nas escolas. Acreditam que seu saber superior necessita apenas de algumas correções e, pronto, a educação será “consertada” com sua sabedoria. Se os alunos não comparecem no dia da prova, dê zero para o aluno. Isso impedirá que o diretor mande os maus alunos ficarem em casa. Se o bônus não funciona individualmente para um professor, dê o bônus para toda a escola, isso motivará mais. Ou diferencie o bônus levando em conta o nível sócio-econômico dos alunos da escola. Pronto. É uma questão de ajuste. Não funcionou em Nova York porque não souberam fazer. O professor da escola pública é essencialmente preguiçoso e com algumas técnicas conseguiremos fazê-los trabalhar adequadamente, pensam. Tudo em nome da criança que não aprende, em especial da criança pobre.

E, note, há gente boa caindo no conto do “conhecimento matemático” e agrego, “estatístico” superior.

Nada contra o convívio com os economistas e estatísticos, diga-se ao final. Mas tudo contra a colocação das técnicas quantitativas a serviço do conservadorismo e de propostas ideológicas e pedagógicas fracassadas. O aprisionamento da área da avaliação por estas formas de pensar promoverá um grande dano à educação brasileira.

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USA: relatório sobre a década perdida

Postado originalmente na Uol em 15/01/2012

O grupo do National Center for Fair and Open Testing acaba de divulgar um relatório sobre o fracasso da lei de responsabilidade educacional americana conhecida como Nenhuma Criança Deixada para Trás (NCLB).

Abaixo segue o link.

NCLB’s Lost Decade for Educational Progress: what can we learn. By Lisa Guisbond, Monty Neill and Bob Schaeffer. National Center for Fair & Open Testing. January 2012

Http://fairtest.org/NCLB-lost-decade-report-home

Publicado no Brasil no Dossiê sobre Políticas de Responsabilização editado pelo CEDES.

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Avaliações injustas

Postado originalmente na Uol em 16/01/2012

Só o pensamento único favorável ao ENEM faz com que a imprensa trate com desdém a imprecisão das correções dos exames. Ela não quer comprometer a ideia de ranquear e, por isso, pega leve. O fato é que este é apenas um dos possíveis erros nos testes: a correção. Como já disse em outras postagens, há muitas outras fontes de erro que fazem com que os processos de avaliação não sejam seguros para que se tomem decisões importantes sobre as pessoas.

Mas, por enquanto, o pensamento único não aceita isso.

MEC admite que errou na correção de 129 redações do Enem

DA AGÊNCIA BRASIL 16/01/2012-17h10

O MEC (Ministério da Educação) admitiu que 129 redações do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) tinham “erro material” na sua correção e parte delas teve sua pontuação alterada. Alguns casos foram percebidos e corrigidos antes das notas serem divulgadas em dezembro, mas outros foram diagnosticados apenas depois que os candidatos pediram direito de vista da prova via ação judicial.

Continue lendo em http://www1.folha.uol.com.br/saber/1035057-mec-admite-que-errou-na-correcao-de-129-redacoes-do-enem.shtml

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A loteria do ENEM

Postado originalmente na Uol em 17/01/2012

Nilson José Machado, da Faculdade de Educação da USP, ocupa hoje (17-01-2012) a terceira página da Folha de São Paulo com um excelente artigo: “A Loteria do ENEM”. O ponto alto do artigo é a indicação de que não há Teoria da Resposta ao Item que possa salvar uma prova mal feita. O Brasil criou uma imagem “milagreira” da TRI.

A importância do artigo é grande pois é uma das primeiras vezes que a questão da qualidade da prova é posta em discussão. Até agora, só o Ministério Público havia colocado este tema e ainda assim, no limite das suas atribuições. Ele ainda ilustra as formas de preparação para testes que normalmente são usadas pelas escolas ou cursinhos.

Vale a pena ler.

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Entrevista com especialista finlandês

Postado originalmente na Uol em 18/01/2012

Segue link (em inglês) para uma interessante entrevista com um especialista em educação finlandês, onde ele resume a filosofia educacional seguida naquele país.

PUBLIC SCHOOL INSIGHTS: Como você sabe grande parte do mundo realmente admira o sistema educativo finlandês pelo seu sucesso consistente. Quais algumas das principais razões para este sucesso?

LAUKKANEN: Eu gostaria de dizer, em primeiro lugar, três palavras da Finlândia: ” professores, professores, professores”. Pode-se dizer que os professores são a questão mais importante no sucesso da Finlândia. Mas há também outras questões. A segunda é que nós cuidamos de todos os nossos filhos. E a terceira grande questão é que nós colocamos elevados objetivos ou padrões para a nossa educação. Então, objetivos elevados, cuidando de todos e com professores qualificados.

Leia mais em: http://www.learningfirst.org/teachers-we-trust-interview-finnish-education-expert-reijo-laukkanen

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Menos teste na California

Postado originalmente na Uol em 19/01/2012

O governador Jerry Brown pede menos testes

Por Valerie Strauss

18/01/2012

O governador Jerry Brown da California, que tem ido mais longe do que qualquer outro governador na detonação da moderna reforma da escola baseada em testes, disse quarta-feira que quer reduzir o número de testes padronizados que os alunos fazem, para dar mais autoridade aos conselhos escolares locais e projetar um sistema para medir o desempenho da educação que é menos centrado em testes que o atualmente em uso.

Brown, em seu discurso sobre o Estado do Estado 2012 nesta quarta-feira, expandiu os sentimentos que expressou em outubro passado em uma mensagem explicando que ele ia vetar um projeto de lei de educação, porque ele confiava demais em testes padronizados para fins de prestação de contas com alto impacto.

Continue lendo em http://www.washingtonpost.com/blogs/answer-sheet

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Quando o “fácil” é difícil

Postado originalmente na Uol em 20/01/2012

Um dos grandes equívocos dos reformadores empresariais da educação é achar que a solução da questão educacional é simples – basta gerenciar (leia-se cobrar) e tudo se resolve.

Curiosamente, esta tese, negada por eles, é reconhecida para outros setores sociais. Hoje a Folha de São Paulo (20-01-2012), em seu editorial, assume a seguinte frase em destaque:

“Maior empecilho para enfrentar a questão do crack é a ilusão de que haja saída fácil ou simples para o drama da dependência química.”

Vale para a educação.

Soluções para a educação são de médio e longo prazo, pois envolvem a construção de novas relações em uma instituição complexa chamada “escola”. As formas usadas pelos reformadores (responsabilização vertical) não funcionam ou têm fôlego curto. Não mudaram, como todos os estudos mostram, a distância entre os que aprendem e os que não aprendem, em especial se consideramos as minorias e os grupos menos privilegiados.

Diante disso, soluções como a de colocar um laptop ou tablet na mão de cada professor ou aluno, soam fora de lugar e mostram um desconhecimento sobre as verdadeiras questões educacionais. Pode render manchetes, mas é tudo.

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Agora é com o PT

Postado originalmente na Uol em 24/01/2012

O comando do MEC muda hoje. Assume Mercadante. Histórico do PT, ao contrário de Haddad, a troca coloca o PT como o principal responsável na pasta pelas ações que serão tomadas a seguir.

Todos sabem que não sou otimista e já disse, mais de uma vez, que pode ser que tenhamos saudades de Haddad. Cabeças vão rolar no segundo escalão, é previsível. Entre elas me atrevo a dizer, a da Presidenta do INEP, Malvina Tuttman. Os formadores de opinião ligados à indústria da avaliação não a aprovam. Não é considerada uma “técnica”.

Dilma é movida a noticiário e quer que o ENEM saia dele, portanto, vai querer ali um ou uma gerente, como ela. Foi assim na Petrobras e em outros lugares. Portanto, nada difícil que tenhamos alguém da própria iniciativa privada no lugar de Malvina, ou alguém pelo menos ligado de alguma forma à indústria da avaliação. Torço para estar enganado.

Quanto ao que o novo Ministro pensa, apesar de termos seus pronunciamentos durante sua campanha a governador no passado em SP (e não são nada animadores, pela falta de ideias) vamos esperar pelos discursos e pelas nomeações que atingirão algumas Secretarias do MEC. Aí teremos um panorama mais claro.

Até agora, Haddad criava um campo de certa forma confortável para o PT, pois todos sabíamos que ele não era de ouvir muito o PT. Se acertava, o PT faturava; se errava, era porque não ouvia o partido. Aliás, essa é uma das queixas da direção do PT, em relação ao ex-Ministro. Agora, teremos um Ministro articulado com o PT. Uma coisa é certa: ninguém poderá dizer que as mudanças que estarão sendo implementadas na educação não são de responsabilidade direta do PT – para o bem ou para o mal. Acabou a zona de conforto.

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It’s the economy, stupid!!

Postado originalmente na Uol em 24/01/2012

Investimento estrangeiro no Brasil em 2011 é o maior desde 1947

Luciana Cobucci

Direto de Brasília

Os investimentos estrangeiros diretos no Brasil atingiram o valor recorde de US$ 101,7 bilhões em 2011, segundo informou o Banco Central (BC) nesta terça-feira. O valor é 29% maior que o recorde anterior, registrado em 2010, quando US$ 78,6 bilhões ingressaram no Brasil em forma de investimentos. De acordo com o BC, é o maior resultado anual desde o início da série histórica em 1947.

Descontando o valor que o Brasil investiu em outros países em 2011 (US$ 35 bilhões), o saldo é positivo – ou seja, mais entrada de capital no País do que saída – em US$ 66,6 bilhões, valor 37,3% maior que o recorde anterior, em 2010. O resultado é superior à previsão do Banco Central, que estimava uma entrada líquida de US$ 65 bilhões em 2011.

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http://not.economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=201201241250_TRR_80763376

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