MT: manifesto contra privatização

O Programa de Pós Graduação em Educação (PPGEdu/UNEMAT), o Sindicato dos Trabalhadores da Educação Básica do Estado de Mato Grosso (SINTEP/Sub Sede de Cáceres) e a ADUNEMAT divulgam documento que analisa as ações de privatização naquele estado.

Baixe o Manifesto aqui.

“O Sindicato dos Trabalhadores da Educação Básica do Estado de Mato Grosso (SINTEP/Sub Sede de Cáceres), em conjunto com o Programa de Pós Graduação em Educação (PPGEdu/UNEMAT) e com apoio da Associação dos Docentes da Universidade do Estado de Mato Grosso (ADUNEMAT), preocupados com as ações governamentais que se configuram como um desmonte das políticas públicas educacionais, fruto das lutas dos movimentos acadêmicos e sindicais dos últimos anos, conclamou os profissionais da educação e demais interessados para um debate público sobre a situação. Com o objetivo de tornar público nosso repúdio ao processo de desmonte da escola e da educação pública em Mato Grosso, apresentamos este manifesto, produzido com base no profícuo debate realizado no Seminário “Privatização oculta da educação pública: o caso de Mato Grosso”, no dia 10 de junho de 2016, em Cáceres, Mato Grosso.”

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Vouchers: efeitos positivos questionados

Dois novos relatórios sobre os efeitos “positivos” dos vouchers (programas nos quais os pais recebem dinheiro público referente à mensalidade ou custo do aluno na escola, para escolher, eles mesmos, em qual escola querem matricular seu filho) são examinados pelo National Education Policy Center:

 “Um dos relatórios (A Win-Win Solution) é o mais recente de uma série elaborada pela Fundação Friedman sobre escolha educacional. O relatório Friedman analisa os estudos que se propõem a mostrar impactos positivos de programas de vouchers nos EUA. O outro relatório “The Participant Effects of Private School Vouchers across the Globe) é do Departamento de Reforma da Educação da Universidade de Arkansas. Os autores do relatório de Arkansas conduziram uma meta-análise limitada de programas de voucher nos EUA e em estudos internacionais.”

O NEPC analisou os relatórios. O primeiro inclui 18 estudos e foi considerado rudimentar. O segundo é uma pretensa meta-análise de Arkansas, que aspira ser “global”, identificando 9.000 estudos potenciais para análise, mas somente utiliza 19, quase metade deles realizados pelos próprios autores em Arkansas ou seu aliados. Segundo o revisor do estudo ainda, a meta-análise “global” abrande apenas três países.

“Os dois relatórios se concentram em estudos randomizados dos efeitos dos vales sobre os resultados da educação e ambos concluem que os vouchers têm impactos positivos. No entanto, ambos os relatórios estão marcados por uma série de problemas e erros graves, incluindo não abordar as deficiências dos fundamentos teóricos dos vouchers, métodos que influenciam as seleções dos estudos para avaliar, imprecisões do corpo de evidência representados na literatura de pesquisa, e incapacidade de reconhecer as limitações de suas abordagens.

O professor Lubienski conclui que as múltiplas e graves falhas de cada relatório minam a confiabilidade de suas conclusões e tiram qualquer utilidade para quem toma decisões políticas.”

Acesse aqui a revisão do NEPC feita por C. Lubienski: http://nepc.colorado.edu/thinktank/review-meta-analysis
Acesse abaixo os dois relatórios:
A Win-Win Solution: The Empirical Evidence on School Choice, por Greg Forster, publicado pela Fundação Friedman:
http://www.edchoice.org/wp-content/uploads/2016/05/A-Win-Win-Solution-The-Empirical-Evidence-on-School-Choice.pdf
The Participant Effects of Private School Vouchers across the Globe: A Meta-Analytic and Systematic Review, por M. Danish Shakeel, Kaitlin P. Anderson, and Patrick J. Wolf, publicado pela Universidade de Arkansas:
http://www.uaedreform.org/downloads/2016/05/the-participant-effects-of-private-school-vouchers-across-the-globe-a-meta-analytic-and-systematic-review-2.pdf
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O MEC sumiu?

Numa aparente tentativa de ocultar os ocupantes dos cargos no Ministério da Educação e, ao mesmo tempo, dando uma dimensão do desmonte que ocorre naquele órgão, o site do Ministério retirou do ar todos os nomes dos ocupantes de cargos com exceção de alguns poucos já divulgados, a titular da SECADI e da Secretaria Executiva. A SECADI é para mandar uma contra-mensagem à acusação de que foi extinta. Não foi? E a Secretaria Executiva porque é inevitável.

A impressão que se tem é que o Ministério quer esconder quem está trabalhando nos variados postos do MEC para evitar que sejam submetidos à crítica. Bela transparência…

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Costin: mais do mesmo que já não funcionou

Claudia Costin assina em 28-06-2016, artigo no Jornal Estado de São Paulo com o título “Educação de qualidade para todos?” Em seu artigo, a Diretora da área de Educação do Banco Mundial começa por reconhecer, a partir de publicação de Paul Tough, com tristeza, que o déficit de aprendizagem entre os alunos de oitavo ano, considerando os diferentes estratos de renda, vem crescendo nos Estados Unidos “a despeito dos esforços por mudar a situação”. Diz:

“O país tem apresentado não apenas desempenho incompatível com seu grau de desenvolvimento, como tampouco conseguiu evitar que os mais pobres tenham um ensino ainda mais precário.”

Para a articulista, “o mesmo pode ser dito em relação ao Brasil”.

Sem comentar o porquê do fracasso americano, disfarça recorrendo às maravilhas da educação em Xangai. Claro, não dá para inspirar-se nos reformadores empresariais americanos com os resultados de lá, logo, vamos para outro. Sobre Xangai, já conversamos aqui neste blog, mostrando o engodo de comparar Xangai com o ocidente. Os americanos cada vez menos querem saber dos prodígios de Xangai. Valerie Strauss diz sobre Xangai o seguinte:

“Um âncora de notícias chinesa reconheceu recentemente que 500.000 crianças migrantes em idade escolar em Xangai são carentes de escolas. A discriminação se torna aguda ao nível do ensino médio (onde a maioria dos jovens de 15 anos que se sentam para fazer o PISA podem ser encontrados). O sistema leva migrantes de 15 anos de idade de volta para suas províncias, se quiserem ir para a escola. Pei-chia Lan, da Universidade Nacional de Taiwan, professor de sociologia que fez estudos sobre as escolas em Xangai, descreve as escolas urbanas na China como “modelos de apartheid escolar.”

Leia mais aqui.

Este é o modelo de educação que segundo Costin vai nos conduzir à equidade! Em seguida, Costin usa a velha tática de fisgar uma ou duas escolas pobres que se desempenharam bem em algum exame, para concluir que elas:

“evidenciaram que é possível aliar qualidade e equidade. Duas delas estão localizadas no Rio de Janeiro, e tive a oportunidade de visitá-las. O que têm em comum? Metas claras e uma equipe de professores comprometidos com um ensino que assegure que todos aprendam.”

Também a moda existe nos Estados Unidos onde os presidentes costumam visitar uma que outra “escola de sucesso”, para efeito de demonstração. Alguém se lembra de “Cocal dos Alves” no nordeste brasileiro, visitada por Ministros.

Como sempre, o problema é do professor. Se ele quiser, se for comprometido, ele vence a pobreza. E aí, tira-se do bolso uma escola ou duas para mostrar como isso é possível. Ou seja, a mesma receita “no excuses” que os Estados Unidos cansou de utilizar nos últimos 20 anos e o levou onde se encontra.

Para estender o exemplo das escolas de sucesso de Xangai para o Brasil, a Diretora Global propõe que haja uma política pública que assegure atração e retenção de bons professores [no dicionário dos reformadores, isso significa, salário diferenciado por bônus para desempenho]; material de apoio adequado [leia-se, sistemas de ensino prontos para seguir em sala]; e também mais cuidados durante a primeira infância (leia-se: foco na pré-escola, testes de habilidades socioemocionais e antecipação da escolarização).

Nenhuma palavra sobre a origem da pobreza e das tais “condições socioeconômicas desfavoráveis”. Para os reformadores tudo é sempre uma questão da escola e do professor quererem. Para ela:

“Se investirmos mais em remunerar melhor o professor, alocá-los numa única escola, com tempo para ali, colaborativamente, preparar suas aulas e aprender com os colegas, ajudaria. Se tornarmos a formação inicial do professor mais adequada aos desafios da sala de aula, e não enfatizarmos apenas os fundamentos da educação, também ajudaria.”

As soluções voltam sempre ao ideário dos reformadores: remunerar melhor [leia-se: com avaliação e bônus, ou salário variável] e formar o professor voltado para as metodologia de ensino e não para os fundamentos [como se fossem mutuamente excludentes].

Mas a pérola é a proposta de redução dos “condicionantes socioeconômicos no desempenho escolar do aluno” através de “investimento forte e focado em educação infantil de qualidade”.

Uma escola infantil redendora da miséria, eis o que precisamos. Mas isso não é o que os Estados Unidos estiveram fazendo nos últimos vinte anos e não deu certo? Por que acha Costin que se fizermos isso, vamos conseguir fazer o que os Estados Unidos, seguindo esta receita, não conseguiu fazer?

A resposta é simples: os reformadores não conhecem outra solução. Ou seja, quando as reformas empresariais da educação não funcionam, os reformadores dizem que não foram bem aplicadas e, com isso, voltam aos fundamentos da mesma reforma.

Quando o neoliberalismo afundou na Argentina ouvimos o mesmo: ele não havia sido bem aplicado. Bush, o ex-presidente americano inventor do No Child Left Behind, responsável pelo estado atual da educação americana descrita por Claudia Costin no início de seu artigo, também disse o mesmo: era preciso aplicar melhor a responsabilização e a meritocracia sobre as escolas.

Para estes e para Costin, a única forma que conhecem de melhorar, um dia, a educação é continuar a aplicar as reformas empresariais, mesmo que elas não funcionem. Um dia elas funcionarão em sua “versão X.O”.

Eles nunca se perguntam para quem estas políticas funcionaram, pois isso revelaria seu pé de barro. Mas sabemos que, apesar de não melhorar a educação, elas são muito eficientes para gerar mercado, encher o bolso das ONG operadoras de escolas charters e o bolso dos empresários de consultorias e Institutos, e para capturar, é claro, o dinheiro público destruindo a escola pública e o magistério.

É por isso que os americanos dizem que a política de Bush chamada de “Nenhuma Criança deixada para Trás” converteu-se na prática em “Nenhum Consultor deixado para Trás”.

Mais do mesmo no horizonte das políticas públicas brasileiras.

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Goiás: depois do Banco Mundial, os lobbies

A Secretaria de Educação de Goiás anunciou convênio com o Banco Mundial para implantar as escolas charters em Anápolis. Inicia-se, segundo a Secretária, um período de intercâmbio produtivo com os Estados Unidos que se concretizará em participação lá e cá em seminários e atividades conjuntas. Exatamente por aí, também penetrarão os lobbies americanos ligados às charters.

A ideia que subjaz ao esforço da Secretaria é a de que Goiás conseguiria evitar os problemas das charters americanas e propor um modelo inovador, ou ainda, escolher o melhor dos  mundos das charters, corrigindo suas deficiências e impactos nefastos.

Estas ONGs que agora pululam ao redor da Secretaria de Goiás, estão de olho tanto no financiamento com recursos públicos, como no financiamento empresarial e de fundações privadas na forma de doações que logo mais poderão ser deduzidas do imposto de renda das empresas doadoras (há uma “lei rouanet da educação” na Câmara). E não é pouca grana. A família controladora dos supermercados Walmart, nos Estados Unidos, doa bilhões de dólares para as charters e para seu lobby.

No início terão que subsistir com dinheiro público até que se crie uma legislação que dê segurança para investimentos privados, depois, virão as com fins lucrativos. Um dos requisitos das charters americanas é que elas possam criar quantas charters quiserem e não sejam controladas pelas leis que regem o setor público educacional, ficando fora dos processos de regulação do estado. Leia mais aqui.

Há um lobby poderosíssimo de empresas operadoras de charters nos Estados Unidos que produz sua própria pesquisa mostrando como estas escolas são “eficientes” e fazem sua própria divulgação, sem passar por revisão de terceiros. Com algumas exceções, são metodologias falhas e destinadas a produzir o que elas querem que seja produzido: louvor às charters. Quando submetidas à crítica competente, as pesquisas não passam (Veja abaixo.)

Este lobby opera junto às Assembleias Legislativas, governo federal e junto com fundações empresariais propõe leis e financiam pesadamente a expansão das charters naquele pais. As fraudes são recorrentes. Eles chegarão por aqui logo depois do Banco Mundial e logo que haja um mercado mais definido e seguro juridicamente para as escolas charters com e sem fins lucrativos. Há ainda o acordo de comércio em tramitação (TISA), já autorizado por Temer e que inclui serviços na área da educação.

Ravitch alerta em seu blog:

“Não se engane: o propósito da privatização é fazer lucro. A promessa da privatização é a eficiência. Mas na sua busca por lucro e eficiência, a privatização cria incentivos perversos. Ela incentiva a gestão privada de escolas charter a evitar ou se livrar de estudantes “caros” (a menos que a fórmula de reembolso torne rentável mantê-los), incentiva hospitais com fins lucrativos a diagnosticar pacientes e realizar cirurgias desnecessárias, incentiva os prestadores privados de educação especial pré-escolares a diagnosticar erradamente crianças como se necessitassem de serviços especiais para aumentar seus lucros. E incentiva gestores privados de prisões a manter a população carcerária tão grande quanto possível, uma vez que uma cela vazia é uma cela que não produz receita.”

Nos Estados Unidos os lobbies produziram uma cartilha para quem quer comprar suas ideias. Tratei disso aqui em um post que reproduzo abaixo.

Factcheck: escolas charters e seus “sucessos”

Publicado em 28/02/2015

Antes que seja usado por aqui para justificar ações de privatização, divulgo a crítica de um relatório pró-charters elaborado pela Aliança das Escolas Charters americana em defesa de seu “negócio”. É especialmente importante para o pessoal de Goiás, sob ameaça de privatização da educação básica por concessão.

documento original da associação pode ser lido aqui. A crítica ao relatório pode ser lida no link que segue e tem o nome de “Separando fato e ficção: o que você precisa saber sobre as escolas charters” (em inglês).

O resumo da crítica ao relatório da Aliança das Escolas Charters feita por Gary Miron, William J. Mathis e Kevin G. Welner, de fevereiro de 2015, diz:

“A ironia de um recente relatório da Aliança Nacional de Escolas Charters é que ele se propõe a “separar fato de ficção” sobre as escolas charter. Infelizmente, na abordagem de 21 “mitos”, ele fica na ficção sempre útil para apoiar objetivos de advocacia [em prol das charters], perpetuando seus próprios mitos e ficções. Desde que ele se baseia esmagadoramente em outros documentos de apoio, ele não faz um exame equilibrado ou completo de qualquer um dos 21 “mitos”. Mas o exercício constitui uma excelente oportunidade para nesta revisão percorrer as várias reivindicações e sucintamente abordar cada uma delas. Entre as áreas abordadas estão a igualdade financeira das escolas charter, a baixa qualificação dos professores, a seleção demográfica de estudantes, os resultados acadêmicos, segregação e inovação. Enquanto o relatório da Aliança Nacional de Escolas Charters em si pode fornecer apenas as bases para a defesa das escolas charters, esperamos que os documentos combinados – o relatório mais esta revisão – ofereça uma visão geral dos problemas que permita uma compreensão mais abrangente.”

O estudo conclui que:

“Ao invés de buscar exaustivamente evidências na pesquisa disponível, o relatório da Aliança Nacional de Escolas Charters seleciona apenas alguns estudos de apoio. Em muitos casos, o relatório se limita a afirmar que a crítica não é verdadeira e então começa a discutir um ponto totalmente diferente. A maioria das publicações citadas para apoiar as reivindicações da Aliança para as escolas charters são de organizações de advocacia a favor das charters.”

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Educadores ocupam MEC e fazem ato

O MEC está nesta manhã de 29-06 ocupado por educadores que protestam contra a política educacional do governo Temer para a Educação, que consideram um retrocesso.  O ato foi convocado pelo “Comitê Nacional de Educação Contra o Golpe – Fora Temer” que reúne 27 entidades da área educacional e está acontecendo neste momento.

Manifestação MEC 06

ManifestoComiteNacional

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Goiás: Secretaria entrega educação ao Banco Mundial

A Secretaria de Estado da Educação fez reunião com 22 Organizações Sociais interessadas na terceirização das escolas de Goiás sob comando do Banco Mundial, para preparar estas OS para que participem do chamamento destinado a implantar as escolas charters a partir de agosto deste ano. A Secretaria está firmando um acordo com o Banco Mundial para assessorar a implantação das escolas charters em Goiás.

Com a ilusão de que a Secretaria poderá controlar o mercado de charters, Goiás abre as portas para a introdução de um modelo que julga menos virulento. Logo se verá no que ele se transformará e o que vem atrás dele, outros modelos aportarão por aqui, alavancados por Fundações privadas que financiarão seu desenvolvimento com o objetivo de acelerar o controle político e ideológico das escolas – verdadeiro objetivo em jogo.

“Técnico do Banco Mundial, Alex Medler está desde o dia 13 de junho em Goiânia trabalhando com a equipe da Seduce na troca de experiências educacionais e na discussão sobre o modelo novo a ser implantado em Goiás.
Um dos três formatos de escola charter é a gestão por entidades sem fins lucrativos, o que mais se assemelha ao modelo pensado para as 23 escolas da Subsecretaria Regional de Anápolis. “Elas são definidas como escolas públicas, não cobram mensalidade de alunos, possuem mais flexibilidade do que as escolas tradicionais e são monitoradas e acompanhadas pelo governo. Elas precisam fazer, por exemplo, 50 relatórios anuais da evolução, aprendizagem e resultados. Aqui em Goiás, o conceito segue a mesma linha”, explicou Alex.
O técnico ainda falou sobre a motivação dos EUA em implementar a escola charter, as mudanças nas escolas, o debate com a comunidade e a proficiência dos alunos. “Um dos vários motivos citados foi a criação de uma escola melhor, mais próxima da comunidade e que preparasse o aluno para uma vida acadêmica. Percebemos que as escolas charter apoderaram a comunidade e que o grupo mais beneficiado com esse modelo de gestão foi a população de risco, aqueles mais vulneráveis”, respondeu.”

A Secretaria de Educação de Goiás e o Banco Mundial deixam de lado toda a pesquisa americana que apresenta os problemas com as escolas charters. Goiás, envolve-se em uma tentativa de corrigir erros das charters nos Estados Unidos. Ao invés de ver nos erros um perigo para as escolas brasileiras, Goiás arrisca sua rede tentando otimizar uma ideia que tem inúmeros problemas onde nasceu e que em 25 anos não foram solucionados. Apenas uma em cada quatro escolas charters é melhor do que uma escola pública nos Estados Unidos. Além disso, é sabido que estas escolas têm aumentado a segregação escolar.

Veja aqui entrevista com especialista americano Dwight Holmes. Destaco abaixo alguns trechos da entrevista feita pela minha colega Nora Krawczyk e publicada em Carta Capital.

“É importante entender que existem duas grandes categorias de escolas charter. Existem as chamadas “Mamãe & Papai Charter”, escolas sem fins lucrativos iniciadas por educadores locais ou líderes comunitários e geridas de forma independente. E existem as escolas charter que são parte de uma “organização de gestão da educação” (Education Management Organization, em inglês), muitas dessas consideradas “cadeias nacionais”. Algumas delas são organizações sem fins lucrativos, enquanto outras indiretamente acabam sendo puro business. Atualmente, cerca de 60% de todas as escolas charter são independentes (Mamãe e Papai) e 40% são administradas por contrato com organizações de gestão da educação, sendo metade organizações com fins lucrativos.
Evidentemente também há aspectos condenáveis em parte das escolas do tipo Mamãe & Papai. Há casos de fraudes entre elas, e algumas são abertas por grupos interessados em se ver livres de problemas das escolas tradicionais, como alunos indisciplinados e crianças com dificuldades de aprendizagem.”

Holmes explica que as charters procuram:

 “a autorização ilimitada do número de escolas charter, a possibilidade de criar diferentes tipos de escolas charter, incluindo virtuais/on-line, e que organizações externas estejam autorizadas a gerir escolas charter. Ela quer também as escolas charter isentas das leis e convenções estaduais coletivas, evitando que os professores possam se organizar em sindicato.”
“São pouquíssimos os professores das escolas charter sindicalizados. Um dos estados onde o NEA e a Federação Americana de Professores (AFT) estão tendo algum sucesso nas campanhas para organizar os professores das escolas charter é Nova Jersey. Mas isso tem preocupado bastante a associação das escolas charter local, principalmente pelas condições deploráveis de trabalho dos professores e porque os professores não têm voz nas escolas charter.”

O autor ainda destaca a discrepância salarial que nas públicas é de 46.273 dólares e nas charters é 38.459 dólares anuais.

“Além disso, as cadeias nacionais de escolas charter deixam muito pouco nas mãos dos professores sobre o que, como e quando ensinar. A maioria delas utilizam currículos estruturados e orientados para o teste. Os professores são obrigados a usar apostilas, produzidas de forma centralizadas para todo o país.”
“No curto e médio prazo, com certeza [as escolas charters são inevitáveis]. Em parte, porque elas preenchem uma demanda social e uma parte dessas escolas são bem-sucedidas. Mas principalmente porque elas servem aos interesses políticos de capturar o máximo de orçamento da educação pública para o lucro privado e de minar os professores e seus sindicatos. Isso é muito sério porque exacerba ainda mais as desigualdades já existentes em nosso sistema de educação pública e serve como uma distração para os passos reais necessários para melhorá-la.”

Leia a entrevista toda aqui.

Para saber mais sobre o que está sendo ignorado pela Secretaria e pelo Banco Mundial em Goiás, veja aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui. Você ainda pode encontrar mais informações na tag charters, neste blog.

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SP: Rede denuncia reorganização “branca”

Em fevereiro de 2016, motivado pela reorganização imposta à rede escolar estadual pelo governo Alckmin, um grupo de professores e pesquisadores de diferentes universidades públicas do Estado de São Paulo (UNICAMP, UFSCar, UFABC, USP, UNIFESP e IFSP) lançou a Rede Escola Pública e Universidade. A Rede tem acompanhado as ações do governo Alckmin na implementação, de forma disfarçada, da reorganização que foi impedida pelo movimento dos estudantes que ocuparam as escolas paulistas.

Em documento lançado hoje (28-04-2016) diz:

“A Rede tem como objetivo realizar estudos, pesquisas e intervenções visando contribuir com a ampliação do direito à educação de qualidade na rede estadual de ensino, e provocar o diálogo entre o governo do estado de São Paulo, sua Secretaria de Educação (SEE-SP), a comunidade escolar e as Universidades Públicas Paulistas no que tange à elaboração e implantação das políticas educacionais, uma vez que estas instituições são centros vigorosos de produção de conhecimento em Educação.”

“A presente Nota Técnica, portanto, objetiva apresentar ao público os resultados consolidados das análises que se seguiram ao Colóquio [realizado em 16 de abril de 2016] e assim contribuir com informações úteis ao processo de controle judicial em curso através de Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público e pela Defensoria Pública (Proc. n° 1049683-05.2015.8.26.0053). Esperamos que este material seja disseminado e discutido por todos os atores interessados no aprimoramento da gestão democrática e das políticas educacionais no Estado de São Paulo.”

Veja repercussão na mídia.

Baixe a íntegra do documento aqui.

Segue uma síntese dos principais pontos:

“1. O documento apresentado pelo Estado de São Paulo ao Poder Judiciário, através da SEESP, revelou diversas inconsistências e lacunas, que precisam ainda ser elucidadas para que as informações se tornem compreensíveis e transparentes. Os dados apresentados no Anexo 2 do referido documento apresentam somas erradas, que sugerem redução de matrículas em 2016 quando, na verdade, houve aumento. O documento focaliza em apenas um fator de verificação de uma suposta reorganização gradual, ou seja, a não oferta de turmas de ingresso (início de ciclos) em 2016. Mesmo restringindo-se a este ponto, a SEESP não apresentou a lista das 158 escolas que não teriam ofertado turmas de ingresso em 2016. O documento não traz nenhuma informação a respeito das escolas que extinguiram ciclos na rede estadual.

2. Quando consideradas as variações no número de matrículas nas etapas do ensino fundamental e no ensino médio, identificamos que não houve o efeito demográfico argumentado pelo Estado de São Paulo. A variação entre os anos de 2015 e 2016 foi praticamente nula, menos 1.336 alunos –, muito distante, como se vê, da expectativa de redução de 66 mil alunos na rede. Diante disso, é desproporcional a redução de 2.404 turmas em 2016. Além disso, há, de maneira geral, uma diminuição do número de escolas que oferecem cada ciclo de ensino, um dos objetivos da reorganização proposta em 2015.

3. Considerando-se o item específico tratado pela SEE-SP em relação às escolas que, em 2016, não ofertaram turmas de ingresso, nossa análise sobre os dados oficiais obtidos via Lei de Acesso à Informação, referentes aos meses de maio de 2015 e de 2016, aponta que das 165 escolas que deixaram de abrir turmas de ingresso em 2016, 53 escolas constam em uma das duas listas disponibilizadas no programa de reorganização escolar (seriam fechadas ou reorganizadas), o que perfaz 32% do total, valor significativo quando considerado o universo de escolas da rede estadual. Isso pode indicar a existência de um processo gradativo de reorganização escolar, uma vez que em 51 destas 53 escolas a não abertura coincidiu exatamente com o ciclo que seria fechado na unidade caso a reorganização fosse implantada nos moldes propostos pelo governo do Estado de São Paulo.

4. Quanto ao número de alunos por classe, o dado oficial apresentado pela SEE-SP, com o número médio de alunos por classe na rede estadual, é insuficiente. Nossas análises apontam que: as modas de alunos por classe, de 2015 a 2016, aumentaram em quase todas as etapas e modalidades de ensino. Em 2016, exceto para o Ensino Médio, a moda de alunos por classe é exatamente igual aos referenciais estabelecidos pela Resolução SE n. 02/2016. Particularmente intenso foi o aumento na moda de alunos por classe para a modalidade EJA, que saltou de 36 alunos por classe para 45. Cerca de 14% das classes estão acima da referência estabelecida pela Resolução SE n. 02/2016. Especialmente preocupante é a situação dos anos iniciais do Ensino Fundamental, que apresentam 24% das classes com mais alunos que a referência estabelecida. O número de classes acima do limite máximo permitido pela referida Resolução – 10% a mais do estabelecido – é de 1,5% das classes.”

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Ato em Brasília, em frente ao MEC

Helena Costa Lopes de Freitas comenta em seu blog o lançamento do Manifesto das entidades educacionais da educação ocorrido nesta semana e ressalta a importância do ato de amanhã, 29 de junho, em frente ao MEC, em Brasília.

“Nessa mesma Plenária, as entidades aprovaram o Manifesto Nacional da Educação em Defesa da Educação Pública, da Democracia e Contra o Golpe, e um calendário de lutas que inclui um Ato Nacional em frente ao MEC, em Brasília durante todo o dia 29 de junho.

Esta iniciativa da área da educação é crucial neste momento e pode cumprir o papel de articular as diferentes entidades educacionais e movimentos sociais na defesa das políticas educacionais construídas nos últimos anos. Todas as ações e programas voltados ao fortalecimento da participação social no processo de aprimoramento da qualidade da educação básica correm sérios riscos, considerando o ágil processo de desmonte de secretarias levado a cabo pelo governo interino no MEC, que age pressionado internamente pelos liberais que assumem a direção da política educacional do programa eleitoral do candidato derrotado Aécio Neves, e pelos conservadores  no Congresso Nacional.”

Leia mais aqui.

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Governo muda composição do CNE

Nem tudo que podemos, devemos fazer. Há limites éticos que convém observar. Mas não é assim que pensa o novo governo. Temer, um interino, revoga a indicação de novos membros do Conselho Nacional de Educação – CNE – feita por Aloisio Mercadante quando Ministro da Educação. A perseguição política instala-se cada vez mais fortemente e o sectarismo toma conta, oculto na interpretação da lei : é a natureza do golpe jurídico em curso se manifestando diariamente.

No país dos golpes, todo dia é dia de novidade. De fato, esta novidade foi anunciada. Rumores circulavam de que o novo Ministro Mendonça estava fazendo consultas jurídicas para cancelar a nomeação de novos membros ao CNE feita por Mercadante e substituí-los pelos seus. Ao mesmo tempo, na Câmara, os conservadores disparavam contra o fato da Base Nacional Comum poder ser aprovada por um CNE em que diziam não confiar, composto por “esquerdistas”. Um projeto foi proposto para levar a Base para aprovação no Congresso.

Hoje o Diário Oficial registra decisão de Temer sobre a matéria e revoga a indicação feita por Mercadante.

A medida poderia fortalecer a suspeita de que a Base Nacional Comum permaneceria a cargo do MEC, pois o argumento da direita conservadora para retirá-la e levá-la para o Congresso era de que não confiavam nos membros do CNE. Agora, com esta medida, pode ser que recuperem a “confiança” naquele órgão e com isso deixem de pressionar para levar a base para o Congresso. Mas, com o grau de perseguição política em curso, pode ser que queiram fazer as duas coisas ao mesmo tempo: limpar os divergentes no CNE e manter a Base sob controle do Congresso. Aguardemos pelo próximo golpe jurídico.

Veja abaixo o decreto que cancelou a indicação de novos membros aos CNE.

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

DECRETO DE 27 DE JUNHO DE 2016

O VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no exercício do cargo de PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, caput, inciso XXV, da Constituição, e tendo em vista o disposto no art. 8o, §§ 1o e 6o, da Lei no 4.024, de 20 de dezembro de 1961, resolve TORNAR SEM EFEITO os Decretos de 10 de maio de 2016, publicados no Diário Oficial da União do dia 11 de maio de 2016, Seção 2, página 1, referentes aos membros abaixo indicados para comporem as Câmaras do Conselho Nacional de Educação, com mandato de quatro anos:

I – DESIGNAÇÃO: Câmara de Educação Básica: EDUARDO DESCHAMPS; MARIA IZABEL AZEVEDO NORONHA; ALESSIO COSTA LIMA; e GERSEM JOSÉ DOS SANTOS LUCIANO; Câmara de Educação Superior: LUIZ ROBERTO LIZA CURI; MARIA LÚCIA CAVALLI NEDER; e JOSÉ LOUREIRO LOPES; e II – RECONDUÇÃO: Câmara de Educação Básica: ANTONIO CARLOS CARUSO RONCA; ANTONIO IBAÑEZ RUIZ; e RAFAEL ESMERALDO LUCCHESI RAMACCIOTTI; Câmara de Educação Superior: LUIZ FERNANDES DOURADO; e JOSÉ EUSTÁQUIO ROMÃO.

Brasília, 27 de junho de 2016; 195o da Independência e 128o da República.

MICHEL TEMER

José Mendonça Bezerra Filho

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Manifesto do Comitê Nacional de Educação contra o Golpe

MANIFESTO NACIONAL DA EDUCAÇÃO EM DEFESA DA EDUCAÇÃO PÚBLICA, DA DEMOCRACIA E CONTRA O GOLPE

A II Plenária Nacional de Educação, que reuniu, no día 8 de junho de 2016, 27 entidades educacionais nacionais, vem a público manifestar sua luta em defesa da democracia e da educação pública, gratuita, laica e socialmente referenciada como bem público, dever do Estado e direito de cada cidadão e cidadã. Neste grave momento de quebra da normalidade democrática brasileira, em que o processo de destituição da presidenta Dílma Rousseff se configura numa clara tentativa de golpe, nós, que representamos trabalhadores/as, estudantes, pesquisadores/as, gestores/ase movimentos sociais em defesa da educação em todo o Brasil, constituímos o Comitê Nacional de Educação Contra o Golpe – Fora Temer, em Defesa da Democracia e de Nenhum Direito a Menos, que – reúne diversas entidades educacionais e sindicais, movimentos, fóruns, redes, comissões nacionais e representações do legislativo – atuará de forma decidida na luta contra o golpe em curso e em prol da democracia e da educação.

Reiterando o apoio à 39° Nota Pública FNE, divulgada no dia I o de abril de 2016, manifestamos que a abertura de um processo de impeachment contra uma presidenta eleita, sobre a qual não recai nenhuma acusação de crime de responsabilidade, configura-se num completo desrespeito à Constituição da República e à legitimidade do voto popular — e, por consequência, à própria Democracia —, agravando a atual crise política e econômica pela qual passa o Brasil. Tal afronta aos princípios democráticos e constitucionais representa ainda uma ameaça aos direitos sociais, entre os quais se destaca o direito à educação.

Nossas bandeiras incluem o cumprimento das metas instituídas pelo Plano Nacionafde Educação (PNE), com a efetiva destinação dos 10% do PIB para a educação pública, com aporte de recursos do fundo social do pré-sal e dos royalties do petróleo — conquista dos movimentos sociais e das entidades educacionais que se encontra ameaçada pelo governo golpista. Exigimos a manutenção dos princípios constitucionais de financiamento à educação nacional e repudiamos qualquer corte orçamentário ou estratégia de mudança constitucional que crie teto artificial ao investimento em educação— incluindo as desvinculações de receitas da União, dos estados e dos municípios (DRU, DRE e DRM) —, medidas que representam a negação do direito democrático do acesso à educação e impedem a viabilização do PNE. Da mesma forma, rejeitamos os retrocessos que ameaçam a valorização profissional que vinha em fase de construção.

Além disso, cobramos o reconhecimento do FNE como órgão de Estado, constituído como instrumento de acompanhamento das políticas públicas em educação e de construção, com a sociedade civil, de um projeto democrático e inclusivo da educação brasileira. Por isso, não aceitamos as evidentes tentativas de impedimento de seu pleno funcionamento. Tampouco aceitaremos que o Ministério da Educação se transforme em instrumento dos interesses privatistas, discriminatórios e antidemocráticos. Isso inclui aqueles por trás do movimento Escola Sem Partido, que não apenas evidencia um ultraje à liberdade pedagógica e à construção de uma educação crítica, voltada para a formação da cidadania, como também significa um ataque ao direito de livre manifestação e organização de estudantes e trabalhadores/as em educação.

Defendemos ainda o imediato retorno da presidenta Dilma ao cargo que legitimamente lhe pertence, assegurando a democracia e o voto dos milhões de brasileiros e brasileiras. Também cobramos que haja, por parte da presidenta eleita democraticamente, tão logo reassuma seu posto, alterações significativas na condução política e econômica do país, ampliando os avanços das políticas sociais, a valorização do trabalho, a distribuição justa de renda e crescimento soberano do Brasil.

Baixe aqui e distribua.

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Frigotto: crítica da “escola sem partido”

Segue documento do professor Gaudêncio Frigotto com uma crítica ao movimento da escola sem partido. Em seu texto, chamado “Escola sem Partido”: imposição da mordaça aos educadores”, o autor diz:

“Ao por entre aspas a denominação de “Escola sem Partido” quer-se sublinhar que, ao contrário, trata-se da defesa, por seus arautos, da escola do partido absoluto e único: partido da intolerância com as diferentes ou antagônicas visões de mundo, e conhecimento, de educação, de justiça, de liberdade; partido, portanto da xenofobia nas suas diferentes facetas: de gênero, de etnia, da pobreza e dos pobres, etc. Um partido, portanto que ameaça os fundamentos da liberdade e da democracia liberal, mesmo que nos seus marcos limitados e mais formais que reais. Um partido que dissemina o ódio, a intolerância e, no limite, conduz à eliminação do diferente.”

Baixe aqui a íntegra do documento.

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BNCC: dilemas para os Seminários Estaduais

Há algumas semanas ocorreu no Congresso uma sessão em que o Centro Lemann sediado em Stanford (USA) apresentou-se aos parlamentares e abordou a questão da Base Nacional Comum com a Frente Parlamentar da Educação no Congresso. O cenário de dúvidas apresentado durante o evento põe em questão o esforço para se construir uma nova versão da BNCC para todas as disciplinas. A razão da dúvida vem da intervenção do Deputado Rogério Marinho (PSDB) durante o evento.

Rogério Marinho é o autor do projeto que propõe alterar o PNE e levar a aprovação da BNCC para o Congresso. O projeto encontra-se em tramitação na Comissão de Educação da Câmara. Ele fez um conjunto de questões aos pesquisadores do Centro Lemann que pode revelar quais são, neste momento, os dilemas que estão embutidos na proposta de levar a base para o Congresso, retirando sua tramitação do Conselho Nacional de Educação.

O Deputado, nas questões que faz, inclui duas preocupações: uma com a “esquerdização” presente na atual proposta da base, em especial nas Ciências Humanas e, além disso, preocupa-se com a abrangência da nossa base e interroga se de fato deveria incluir todas as disciplinas ou restringir-se a Português e Matemática.

De quebra, o Deputado ainda questiona se o ensino médio deveria ou não estar integrado na base nacional comum. De fato, a atual equipe do MEC também tem grandes restrições à forma como a parte do ensino médio foi redigida, e se propõe a mudá-la na versão 3 em elaboração.

O Centro Lemann americano conhece a produção e implementação do Common Core, uma espécie de base nacional comum nos Estados Unidos que inclui somente domínio do Inglês e de Matemática, cobrindo as 12 primeiras séries – incluído o ensino médio. Este modelo de base nacional focada em duas disciplinas foi defendido por Maria Helena Castro durante o último processo eleitoral para presidente da república, em programa televisivo no qual estiveram presentes representantes de cada um dos candidatos. Ela representava a candidatura de Aécio Neves.

Lembremos da linha de relações que envolve o Centro Lemann e passa pela Fundação Lemann, a qual financia tanto o Centro como o Movimento Pela Base, do qual Maria Helena Castro (MEC) faz parte. Isto, adianto, é apenas uma constatação e não um juízo de valor.

Penso que para Rogério Marinho (PSDB), levar a base ao Congresso poderia ser um lugar mais confortável do que o MEC para se reduzir a atual proposta apenas a Português e Matemática, eliminando, assim, a “perigosa” área de Ciências Humanas. A equipe atual do MEC não seria acusada de não implementar toda a base, na forma herdada, pois teria sido uma obra do Congresso. Como contraponto, sabemos que a Deputada Dorinha (DEM) não concorda com isso e articula uma posição contrária. Lembremos que o Ministro também é do DEM.

Jogo de cena ou divergência real, veremos logo se é possível ou não contrariar Rogério Marinho. Como a nova data para a versão 3 da Base é outubro, até lá o Congresso terá tempo de se pronunciar sobre a matéria, ou seja, se a BNCC fica no CNE ou vai para o Congresso. No entanto, os Seminários Estaduais estarão discutindo a Base e não podem deixar tais questões fora da análise.

As respostas dadas pelos pesquisadores do Centro Lemann estão interessantes e na minha visão tendem a induzir para que a base fique no MEC, via CNE. Embora não estivesse em discussão o projeto do deputado Rogério, as respostas de Paulo insistiram em que a base é um assunto muito técnico e Plank apontou para uma base nacional que incorpore, como no Common Core, o ensino médio.

Por outro lado, a maneira como Plank abordou as dificuldades de implementação da base americana com apenas duas disciplinas, aponta para maiores dificuldades ainda na implementação da base brasileira que abrange muito mais disciplinas. Isso reforça a proposta de redução da base para Português e Matemática, que poderia vir acompanhada de uma promessa de incorporar as outras áreas mais para frente.

No entanto, neste quadro, alguém se anima a investir nos Seminários Estaduais para discutir a atual versão da BNCC? Se estas questões não forem pautadas nos próprios Seminários Estaduais, penso que não. Sem isso, os Seminários podem se converter em algo meramente homologatório e até mesmo em perda de tempo, na dependência do que aconteça no Congresso.

Os seminários estaduais deveriam recusar a “limpeza” que os conservadores querem fazer na atual base para introduzir sua ideologia com a desculpa de eliminar o tom esquerdizante e, por outro lado, reafirmar o CNE como local de finalização da BNCC, tal como previsto no PNE.

Além disso, não há como deixar de lado a ênfase que se está dando ao Common Core americano no Brasil. O projeto de Marinho fala em “partir dos Parâmetros Curriculares” existentes e em incorporar na base as exigências que o PISA faz em seus exames. Ora, o PISA só avalia Leitura, Matemática e Ciências. Aprovado o projeto, abre-se a possibilidade de que o Congresso fixe Português, Matemática e Ciências como um núcleo comum obrigatório e tudo o que se refere a outras disciplinas vire uma espécie de “atualização dos Parâmetros Curriculares” não obrigatório. A ênfase em um núcleo comum composto pelas matérias que caem nas provas do PISA, jogará as demais disciplinas ainda mais para o limbo, tornando-as “optativas” na prática. No caso do ensino médio, esta solução poderá vir acompanhada da flexibilização das áreas de terminalidade, como no atual modelo educacional da Inglaterra.

Como poderão os Seminários Estaduais desconsiderar estes dilemas postos pelo projeto de Rogério Marinho e pelos novos ocupantes do MEC?

Clique aqui para acessar as perguntas do Deputado Rogério Marinho.

Clique aqui para acessar as respostas dadas por David Plank e por Paulo Blikstein, ambos do Centro Lemann.

Clique aqui para acessar a fala do atual Secretário de Educação Básica, em outro evento sobre a BNCC na Comissão de Educação da Câmara.

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Clotilde Petta: “em jogo a educação como bem público”

“Nesta semana, tomamos conhecimento de mais uma medida que atesta a pretensão do governo Temer, interino e ilegítimo, de aprofundar ainda mais a privatização da educação. Não bastassem todas as medidas privatizantes, que já estão sendo implementadas, somos informados que o Plano Temer inicia conversações para incluir o Brasil no Acordo sobre o Comércio de Serviços Internacionais (Tisa – do inglês Trade in Services Agreement).

Caso a inclusão seja concretizada, significa a liberalização geral do setor de serviços públicos, incluindo a Educação, e radicalização na transformação da Educação como Mercadoria.”

Leia mais aqui.

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OAXACA: até onde os reformadores podem chegar?

Qual é a origem do problema com os professores mexicanos, que conduziu ao massacre recente em Oaxaca? Trata-se de uma reação dos professores que vem sendo construída nos últimos anos contra a reforma empresarial da educação mexicana.

A questão também está ligada ao relacionamento entre as forças políticas e os sindicatos em México. As leis foram constituídas em um clima de grande interferência dos sindicatos na própria administração do Estado. Durante muito tempo os políticos se elegeram às custas de apoiar estas relações com os sindicatos.

Entre estas relações que se criaram, estão os “postos vitalícios e hereditários” de trabalho docente e o controle do sindicato que se estabeleceu em relação ao ingresso, promoção e permanência dos professores através do Sindicato Nacional de Trabalhadores da Educação (SNTE).

Postos herdados de ensino são aqueles que são entregues aos filhos quando seu titular, o pai ou a mãe, morre ou se aposenta. Uma reforma educacional que se proponha a exigir uma capacitação adequada na área para que alguém possa ter um posto de trabalho no magistério (e não mera ascensão hereditária); que se proponha a garantir condições de trabalho e qualificação continuada para os professores, deveria ser apoiada e aplaudida.

No entanto, não é isso que a reforma educacional do governo mexicano está levando a cabo. O México resolveu comprar, no interior de suas reformas gerais, a política de avaliação e incentivos dos reformadores empresariais da educação vindos pelo acordo México-OCDE e isso é que está motivando o confronto.

Como acertadamente assinala Vito Ribeiro:

“As razões pelas quais o governo mexicano quer impor a reforma educativa, mesmo matando pessoas, estão enraizadas em objetivos econômicos guiados por organizações financeiras internacionais.”

“A reforma educativa faz parte dos programas de ajustamento estrutural (PAE), guiados pelo Banco Mundial (BM), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). No total, foram aprovados 11 reformas estruturais: reforma trabalhista, a Receita Federal, educacional, financeiro, de energia, de reforma em matéria de transparência, políticas e reforma eleitoral, reforma no setor das telecomunicações e radiodifusão, a nova lei amparo, o código nacional de processos penais, e reforma na competição económica. 22 reformas ainda precisam ser aprovadas no pacote.”

Leia mais aqui.

Qualquer semelhança com as reformas do governo Temer, não é mera coincidência.

Portanto, ao protestar contra o massacre de professores no México, não podemos deixar de apontar sua principal causa: uma reforma educativa de corte empresarial, que se faz por métodos de imposição, no conjunto das reformas neoliberais em curso na região. O massacre é uma expressão deste confronto.

Nos últimos confrontos tem tido predominância a atuação da CNTE, Coordenadoria Nacional dos Trabalhadores da Educação, a qual é uma dissidência do SNTE, Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Educação.

“A CNTE argumenta que a reforma da educação é um modelo que pretende terceirizar a educação substituindo os espaços com os novos trabalhadores através de um contrato sem direitos trabalhistas. A reforma está focada em processos de recrutamento e supervisão de professores e não é verdade que isso vai melhorar a educação e as condições de trabalho dos professores mudanças.”

Já por si o massacre merece ser denunciado e rechaçado, mas as entidades que estão corretamente protestando contra o massacre deveriam igualmente incluir em seu protesto o rechaço às políticas educacionais dos reformadores empresariais mexicanos: fonte do problema.

Deve ficar claro a devida diferença entre “modernizar com o magistério a educação mexicana” e “modernizar contra o magistério a educação mexicana”.

Deve ficar claro o papel que estão cumprindo ONGs como “Mexicanos Primero” naquele país, na promoção da reforma educativa.

Enfatizando unicamente a dimensão do massacre, ato necessário, deixamos de revelar a principal fonte do conflito: a equivocada forma de promover a melhoria da educação recorrendo à lógica da reforma empresarial e seu desejo de constituir um lucrativo mercado educacional no México – se necessário “à bala”.

O governo mexicano, a partir dos acontecimentos de Oaxaca, ensaia um recuo e chamou os sindicatos para negociação, mas resiste em tocar na lei da reforma educativa.

Não ao massacre; não à reforma empresarial da educação mexicana e sua privatização. Nossa solidariedade à luta dos professores mexicanos.

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Estadão desvenda o “segredo” de Alckmin

O governo Alckmin diz que há salas sobrando e por isso precisam, em nome da boa administração, ser fechadas. Foi assim que queria fechar 95 escolas no final do ano. E é assim que continua justificando o atual fechamento de classes na forma de uma “reorganização branca” imposta à rede do estado. O Jornal Estado de São Paulo resolveu conferir e pediu um estudo ao Todos Pela Educação.

Veja matéria aqui.

“A secretaria, no entanto, usa parâmetros diferentes do CNE para definir o número máximo de alunos por classe. Uma resolução da pasta de janeiro deste ano autoriza que as salas tenham até 44 alunos no ensino médio, quatro a mais do que na regra anterior, de 2008. É com base nesse número que a secretaria diz ter 314 mil vagas na rede e, por isso, não haveria necessidade de abrir turmas.”

Pelo cálculo do Todos pela Educação, no entanto, seria necessário criar mais de 12.000 turmas para atender a demanda atual nos parâmetros do CNE.

Sobre o efeito positivo de se ter salas menores, antes que alguém tire do bolso argumentos de que “não fazem diferença”, é bom ouvir o Instituto Airton Senna:

“Para o diretor do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves Ramos, um menor número de alunos por sala é necessário para conhecer melhor os estudantes. “Com 20 ou 30 alunos, é possível conversar com cada um, entender quem são, saber por que não foram bem na prova. E, assim, saber o que fazer para ajudá-los. Isso é praticamente impossível em uma sala lotada.”

Para quem quiser mais dados, clique aqui.

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Chile: 100 mil estudantes nas ruas

Em sua primeira manifestação no ano de 2016, 100 mil estudantes saíram às ruas no Chile para protestar contra o ritmo lento das reformas educacionais de Bachelet que deveriam, como prometeu na campanha, retirar o lucro da educação e estabelecer ensino gratuito para os chilenos.

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O movimento protesta contra os processos de privatização que se estabeleceram no Chile deste Pinochet pelos reformadores empresariais da educação.

Assista.

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Zara Figueiredo: “o desastre como estratégia”

O “DESASTRE” COMO ESTRATÉGIA POLÍTICA: Nova Orleans é aqui?

Maria do Rosário Zara Figueiredo Tripodi

Especial para o Blog

Em 2005, os Estados Unidos experimentaram um dos maiores desastres naturais de sua história com o furacão Katrina. New Orleans foi uma das cidades mais atingidas, pois assim que o furacão alcançou a região, os diques que a protegiam se romperam, deixando mais de 80% da cidade inundada.

Três meses após o desastre, a cidade ainda estava em ruínas e as escolas públicas, claro, fechadas. Àquela altura, Milton Friedman, aos 93 anos, embora com saúde fragilizada, viu na catástrofe uma possibilidade de concretizar seu credo liberal e não perdeu o pouco tempo de vida que ainda lhe restava (Friedman morreu em 2006): escreveu o editorial do New Street Journal intitulado “The Promise of Vouchers”.

O texto, de 05 de dezembro de 2005, começa constatando que a maior parte das escolas de Nova Orleans estava em ruínas, assim como os lares das crianças que estudavam ali. Logo em seguida, Friedman chega ao seu objetivo, ao postular que o desastre que atingira a cidade poderia se transformar em uma “janela” de oportunidade para reformar o sistema educacional, introduzindo o sistema de vouchers na regulação das escolas:  “As crianças agora estão espalhadas por todo o país. Isso é uma tragédia. É também uma oportunidade para reformar radicalmente o sistema educacional”.

O argumento do professor da Escola de Chicago e Prêmio Nobel de Economia era de que as escolas de New Orleans que haviam sido destruídas não prestavam um bom serviço aos estudantes e que tinham supostamente falido, enquanto instituição escolar, pela mesma razão que havia levado muitas outras à ruína, qual seja, a natureza estatal dessas instituições e a regulação ser operada pelo governo.

A sugestão de Friedman, explicitada no Editorial, era que, ao invés de simplesmente reconstruir as escolas destruídas, o governo local deveria aproveitar a oportunidade para empoderar os consumidores – os estudantes, concedendo aos seus pais vouchers a serem utilizados na rede educacional privada. Assim, os pais teriam liberdade para escolher a escola que considerassem a melhor para seus filhos, o que permitiria a introdução do princípio da competição que faltava ao modelo vigente, segundo Friedman.

Esse episódio foi narrado pela jornalista canadense Naomi Klein, no seu livro “A Doutrina do Choque – a ascensão do capitalismo do desastre”, que fecha a parte reservada ao Katrina, chamando a atenção para o fato de que enquanto os diques e a energia elétrica eram reconstruídos lentamente, o leilão do sistema educacional de Nova Orleans foi realizado com espantosa rapidez, levando a rede de escolas públicas da cidade a ser substituído completamente por escolas geridas pela iniciativa privada com financiamento público, tudo em 19 meses.

Na verdade, a narrativa da canadense aponta para as estratégias mobilizadas por atores envolvidos na implementação de reformas que buscam a construção de um “managerial state” e que podem ser definidas, dentre várias outras ferramentas, pela utilização de uma política do desastre e pelo discurso da “inevitabilidade”.

Em seu livro Klein argumenta que, para esta filosofia, o melhor momento para se instituir ideias radicais de livre-mercado é o período seguinte a um desastre, seja econômico, natural ou mesmo um ataque terrorista. O argumento é que os desastres desorientam as pessoas e, assim, abre-se uma janela para se introduzir a ‘terapia do choque econômico”.  E para que essa terapia seja eficaz, torna-se imprescindível a utilização de um tipo especial de retórica, alicerçada na noção de “inevitabilidade”. Em outros termos, os discursos que passam a ser produzidos, nesses contextos, situam o interlocutor em um “lugar” no qual a possibilidade de escolha desaparece, e as decisões a serem tomadas gravitam entre “fazer ou morrer”.

A última edição da coluna de Naércio Menezes Filho, no Jornal Valor Econômico, “O que devemos mudar na educação?” (Valor, 17/06), faz-nos crer que a estratégia de Friedman foi lida e bem assimilada por aqui.

Da perspectiva da análise do discurso, a própria escolha da forma verbal para o título da matéria (Devemos) já nos põe em um campo semântico do inevitável, afinal, não se está sugerindo uma possível mudança na educação; ali, o colunista privilegia o sentido de não haver outra possibilidade.

A pergunta, claro, é retórica, pois ao indagar “o que devemos mudar na educação”, o que se busca é trazer uma resposta que já se tem, ou melhor, uma única possibilidade de resposta: reformar a educação a partir de uma lógica liberal. E nessa altura, o autor da coluna se alinha perfeitamente ao credo liberal-econômico de Friedman:

“Também já está na hora de permitir o funcionamento de escolas públicas geridas pelo setor privado. Essas escolas seriam sem fins lucrativos, receberiam recursos do sistema oficial de ensino e seriam avaliadas e cobradas como todas as demais escolas públicas do país. Elas já existem no ensino infantil. Estariam livres da legislação restritiva que dificulta as inovações no setor público e poderiam tentar projetos alternativos para melhorar a qualidade e diminuir a evasão no ensino médio.” (Valor, 17/06).

Menezes fala das escolas charters americanas, e não de vouchers, mas o fundamento para privatizar é o mesmo para ambos. Tudo bem que em terras brasileiras não tem Katrina, mas tem crise, e conforme recomenda Menezes, deve-se aproveitar o momento de crise, de “um novo governo” para implementar mudanças que se tornem permanentes.

Também não temos ou tivemos uma rede de escolas públicas devastadas por algum desastre natural, mas temos um Plano Nacional de Educação para os próximos dez anos, com metas ambiciosas a serem cumpridas pelos entes federados, em um contexto de escassos recursos, de um federalismo de cooperação impreciso e de um governo interino cuja concepção de Estado já está demasiadamente clara. Assim sendo, me parece que para além das preocupações, legítimas, claro, sobre a possiblidade de essas metas serem cumpridas ou não, pela gestão atual, cabe perguntar “como” elas serão cumpridas.

A estipulação de um teto de gasto público, a concepção de que serviços públicos de corte social não precisam ser oferecidos, necessariamente, via Estado e a obrigatoriedade no cumprimento das metas do PNE não comporiam a janela de oportunidade para impor uma nova lógica de oferta educacional?

Além de tudo isso, não se deve esquecer que, a despeito das ocupações de escolas por estudantes em alguns estados, não me parece difícil que iniciativas como vouchers e suas derivações sejam de fácil aceitação por parte da sociedade, afinal, a grande mídia tem conseguido, ao longo dos anos, nos desqualificar perante a sociedade, especialmente, no tocante às greves. Sem contar que a divulgação do IDEB, com um comportamento orientado para a comparação de redes, tem levando à crença, por parte das camadas populares, de que haveria mesmo uma supremacia da escola privada sobre a pública.

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Nalini: um estranho no ninho?

Segundo Monica Bérgamo, Nalini, o Secretário de Educação do Estado de SP, um jurista, emite sinais de que não está contente no cargo. Para ela, a razão seria a questão do aumento salarial dos professores. Nalini gostaria de ter pelo menos “uma perspectiva”.

Isso pode ser verdade, mas há mais. De fato, Nalini está sendo boicotado na própria Secretaria, onde sequer consegue estabelecer uma equipe de trabalho – dizem na rede estadual.

Penso que tais restrições também devem partir do próprio entorno da Secretaria, sempre cercada de empresários que gostariam de ver a educação estadual paulista em outro ritmo, o deles. Para tal, não acreditam que um jurista que não entende da educação (e das teses dos reformadores) seja a melhor opção.

Com o golpe, o país acelera processos de privatização e a política dos reformadores empresariais é agora oficial, está no próprio MEC. Novas perspectivas se abrem. Pensam que não podem ficar para trás. Afinal, em 2018 Alckmin é candidato.

Se Nalini está pensando em aumento para os profissionais da educação e está insatisfeito por isso, seus dias na Secretaria podem estar contados, pois o acordão de renegociação da dívida dos Estados, inclui não aumentar salários do funcionalismo por dois anos.

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Vendendo o Estado; entrando no TISA

Os jornais anunciam hoje que a negociação da dívida dos estados com a União foi renegociada. Um tombo na União de 50 bi. As imposições para renegociar incluem: privatizações nos estados e congelamento de salários do funcionalismo por 2 anos. Os estados concordaram e estão fazendo a lista do que será vendido para o capital privado. Ao mesmo tempo anuncia-se que Temer autorizou negociações para entrar no TISA (ver abaixo).

Paralelamente a isso, o Congresso aprova (e Temer sancionará) o controle pelo capital internacional de 100% do capital das companhias áreas no Brasil. Hoje é de 20% e havia um estudo para chegar a 49%. Agora pode tudo.

Se os céus estão assim, na terra não é diferente. Estuda-se a liberação de compra de terras brasileiras por estrangeiros.

E entre os céus e a terra, tudo pode ser privatizado, como se vê no acordo de renegociação da dívida dos estados.

No ramo de serviços, está o que mais nos interessa, pois na educação seremos privatizados para companhias prestadoras de serviços. Temer autorizou a entrada do Brasil nas negociações do TISA. Com Dilma seria impensável pois um dos critérios para se entrar neste clube de 26 países que dominam o ramo internacional de serviços é o “grau do clima liberalizante do país”. Entende-se porque o Brasil estava fora.

Agora, as negociações estão abertas. Embora tenha sido uma decisão tardia e o clube não esteja interessado em ampliar muito o número de privilegiados no comércio internacional, estão examinando. (Leia mais aqui.) Creio que nos incluirão, o que você acha? (Veja mais abaixo.)

Os privatistas estão todos sorridentes nas páginas dos jornais comemorando a venda do Estado. Para fazer isso, só mesmo com um golpe que aumente o “grau do clima liberalizante do país”.

Em maio de 2015, a CONTEE denunciou o acordo TISA. Reproduzo o que divulgamos neste blog à época:

CONTEE denuncia TISA

A CONTEE denunciou a existência de um acordo secreto sobre a desregulamentação dos serviços públicos em escala mundial, incluindo a educação. O acordo inclui a União Europeia, Estados Unidos e países que são mais susceptíveis de concordar com o pacto. A ideia é engrossar a proposta com estes países para retornar à OMC – Organização Mundial do Comércio. Por ora, não inclui o Brasil.

“Um desses acordos chama atenção especial: o Tisa, um acordo multilateral secreto que está sendo negociado desde os meados de 2012, sob a liderança dos EUA e da União Europeia. Esse acordo já inclui mais de 50 países e tem a pretensão de estender o alcance e as normas do AGCS na OMC. Um texto de 19 páginas desse acordo foi vazado em junho de 2014 por Julian Assange, do Wikileaks. O texto revela os objetivos de privatizar serviços básicos, como saúde, transporte, energia, telecomunicações, limpeza e educação, que passariam a ser cobrados e geridos por empresas e não mais pelos Estados. Posto em prática, o acordo abarcaria cerca de 70% dos serviços públicos do mundo, o que implica na perda da soberania sobre recursos naturais, como água e serviços públicos essenciais, incluindo educação.

Até o momento, além da União Europeia (com seus 28 países-membros) e dos Estados Unidos, participam das negociações do Tisa: Austrália, Canadá, Chile, Colômbia, Coreia do Sul, Costa Rica, Hong Kong, Islândia, Israel, Japão, Liechtenstein, México, Nova Zelândia, Noruega, Paquistão, Panamá, Paraguai, Peru, Suíça, Taipé Chinês e Turquia e Uruguai.”

O acordo estabelece que suas cláusulas permanecerão em segredo de Estado, sem divulgação pública no prazo mínimo de cinco anos após a assinatura do acordo. Veja mais aqui em Carta Capital.

“Enfim, o que verdadeiramente está em jogo neste acordo é muito mais que comércio, muito mais que serviços. Está em jogo o próprio conceito de democracia, a liberdade de um povo escolher como deve funcionar o Estado e suas prioridades em oferecer serviços básicos; de definir o modelo de desenvolvimento preferível em busca de um futuro melhor e mais sustentável. Hoje, já se notam claras limitações em se governar, mas para empresas e alguns governos isso ainda é pouco. Acordos como o TISA socavam a governabilidade em um grau nunca antes possível, favorecendo ainda mais as corporações. O TISA – junto com o Tratado Transpacífico (TPP) e o Tratado Transatlântico (TTIP) e outros– estabelece um novo grau de hegemonia e sua consequente concentração de renda.”

Em abril de 2014 a PSI – Public Services International – divulgou um relatório denunciando o acordo que pode ser baixado aqui (em espanhol).

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SINESP divulga carta

O Sindicato dos Especialistas de Educação do Ensino Público Municipal de São Paulo divulga carta contra a implementação da política dos reformadores empresariais da educação no Brasil e lista projetos que segundo o DIAP estão em tramitação com o objetivo de retirar ou flexibilizar direitos obtidos com muita luta pelos trabalhadores.

Baixe a carta aqui.

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SP: aprovado Plano Estadual de Educação

Com atraso, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo aprovou emenda aglutinativa do Plano Estadual de Educação.

Baixe aqui a emenda aglutinativa do Plano Estadual aprovada.

Baixe aqui a análise da APEOESP sobre o Plano.

Baixe aqui o comparativo da APEOESP entre a proposta do governo e a emenda aprovada.

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RJ: de pai para pais

O Blog recebeu cópia de carta divulgada por pai de uma estudante do Rio de Janeiro sobre as ocupações das escolas estaduais, dirigida a pais e mães do Estado. Seguem alguns trechos da carta.

Leia íntegra aqui.

              “Sou pai de uma aluna da rede estadual, assim como vocês. No caso, de uma das escolas técnicas da rede conhecida pela sigla FAETEC. Essa semana eu recebi a notícia de que a escola da minha filha passaria por uma vistoria de representantes da FAETEC.(…) Os representantes da FAETEC estavam andando pela escola, anotando os problemas estruturais: telhado quebrado, fiação solta, etc. Coisas de manutenção imediata. Tudo isso acompanhado do grupo de estudantes, que apontavam os problemas, junto com alguns professores, mães e pais. Achei tudo muito estranho, mas aos poucos fui me dando conta do que estava acontecendo.

                É claro que os problemas apontados não serão resolvidos. Se fosse assim, tão fácil, acredito que não existiriam, na sua maioria. A tal visita teve, na verdade, um papel político muitíssimo interessante e até mesmo inteligente por parte governo do estado. Após sair de um quadro de desgaste da imagem do governo com a primeira expansão das ocupações – inclusive com denúncias de incitação a ações mais “duras” –, o staff de Dornelles e Pezão parece estar tentando mudar de estratégia. A visita dos agentes oficiais cumpre um triplo papel.

                Primeiro, aparenta haver abertura para o diálogo.(…) Segundo, força um tipo de narrativa vazia sobre as reivindicações e tenta abafar as motivações reais das ocupações. (…) Ou seja, é muito melhor bater papo sobre aquelas coisas que poderiam ser debatidas e apontadas soluções em reuniões internas da escola, com toda a comunidade escolar, do que assumir os problemas políticos e de gestão da rede.

                Associado a esses dois, vem o terceiro papel político e estratégico da visita: confundir dentro e fora da comunidade escolar. Ora! Se eles vieram até a escola, abriram o canal de diálogo e todo mundo viu que os problemas são pontuais, então, não há motivos para a escola não funcionar, não é mesmo? Infelizmente, não.

                O telhado quebrado, o ralo que não desentope e o fio solto, são, em conjunto, mais do que absurdos em si. Eles são a expressão das políticas de educação ao longo de décadas e que se intensificaram nos últimos governos. Eles não são o fracasso, mas sim o sucesso de uma concepção de política. São o resultado da privatização e da terceirização de tudo. São o descaso de uma política que retira do público para injetar em alguns privados muito bem selecionados. (…)

       Vejamos um exemplo: aparelhos de ar condicionado. As escolas possuem aparelhos de ar condicionado. Alguns são próprios e outros são alugados. Isso mesmo: a-lu-ga-dos. Vamos imaginar que alugar aparelhos de ar condicionado para uma escola é uma coisa bacana. Então, poderiam expor qual o valor do aluguel e quais os termos desses contratos? E o repasse monstruoso de grana para a Fetranspor por conta do RioCard? E a empresa que faz aquelas avaliações bizarras, conhecidas como SAERJ, rejeitadas pelos estudantes? E…? E…? (…) Repito, o telhado quebrado serve como fumaça para atrapalhar a vista. (…)

                E as ocupações não estão olhando para o pontual como se ele fosse um problema que nasceu ali. Essa juventude se deu conta de que está sendo enganada e que deve tentar fazer alguma coisa, coletivamente, por aquilo que é o seu direito. (…) Por fim, gostaria de dizer que também fico muito angustiado com a paralisação das aulas e com a falta de perspectiva sobre os rumos da escolarização da minha filha. Mas, ao mesmo tempo, essa juventude está me mostrando que não quer seguir como gado; quer construir alguma coisa diferente do que está aí. E isso me dá esperança. Apesar da angústia, eles me mostram que é possível trazer de volta a esperança para a escola.

                Então, o mínimo que posso fazer é guardar minha angústia e apoiar essa moçada. E convido quem tiver compromisso e estiver angustiado a fazer o mesmo.

Roberto Marques  – Rio de Janeiro, 17/06/2016.

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Dinheiro conta em educação

Contrariando a fala de alguns reformadores que querem sucatear a educação pública como forma de entrega-la a estratégias de privatização (na esteira do ajuste fiscal), dinheiro conta na melhoria da qualidade da educação.

É a conclusão de um novo estudo de William J. Mathis do National Education Police Center no Colorado (USA): “Does Money Matter?”.

O novo estudo aponta as seguintes Conclusões e Recomendações quando se trata de definir onde investir:

  • A distribuição adequada e equitativa dos recursos financeiros escolares é uma condição básica para manter a democracia, melhorar a qualidade da escola e a igualdade de resultados.

  • Embora os resultados específicos variem de lugar para lugar, em geral, o dinheiro conta e é mais importante para as crianças economicamente desfavorecidas.

  • Os ganhos provenientes dos investimentos na educação são encontrados nos resultados dos testes, em ganhos posteriores, e nas taxas de graduação.

  • Os maiores ganhos no rendimento foram obtidos em estados que se comprometeram com reformas financeiras básicas.

  • Em qualquer caso, o dinheiro deve ser gasto com sabedoria. Em alguns casos, as despesas (instalações, administração, etc.) não se refletem em ganhos acadêmicos.

  • Entre os investimentos mais produtivos resultantes do aumento da despesa estão:

    • a pré-escola de alta qualidade;

    • turmas pequenas – especialmente nas séries iniciais e nas crianças de classes economicamente desfavorecidas;

    • salário do professor; e

    • tempo de aprendizagem adicional, o qual tem um efeito positivo sobre a motivação acadêmica e estudantes de baixo desempenho.

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Por uma escola 100% pública

Com 24 escolas ocupadas e greve de professores, Mato Grosso resiste à privatização da educação.

Corretamente, o Sintep incluiu em sua pauta a luta contra a privatização.

 

Assista também aqui a posição dos estudantes.

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Educação, políticas intersetoriais e territórios

Ao invés de uma política de terra arrasada para a escola pública, privatizações e imposições de fora para dentro, ideias melhores foram abordadas em Seminário promovido pela TIDE Setubal.

“As políticas públicas devem levar em conta as necessidades territoriais específicas. A ideia foi defendida pela socióloga Maria Alice Setubal, na abertura do seminário internacional Cidades e Territórios: Fronteiras e Encontros na Busca pela Equidade, que reuniu mais de 700 pessoas na Fecomércio, em São Paulo, neste dia 14 (terça-feira).”

Veja aqui “Território importa” por Maria Alice Setubal.

Veja aqui depoimento sobre a realidade francesa por Choukri Ben Ayed, especialista em educação nas periferias de Paris e professor do Departamento de Sociologia da Université de Limoges.

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Centro Lemann na Câmara

Hoje é dia do Centro Lemann americano falar com a Frente Parlamentar Mista da Educação. É o que comunica Fabio Galvão:

“A produção acadêmica do Centro Lemann de Stanford sobre educação brasileira é o tema do próximo “Educação em Debate” – ciclo de palestras promovido pela Frente Parlamentar Mista da Educação, com apoio da Comissão de Educação da Câmara. A exposição será feita pelos professores de Stanford Paulo Bilkstein e David Plank. O evento será realizado na quarta-feira (15), às 8 horas, no plenário 10. As palestras serão transmitidas ao vivo pela TV Câmara.”

Assista aos videos aqui.

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SNE: Comissão de Educação debateu o tema

Ocorreu hoje o debate na Comissão de Educação da Câmara sobre o Sistema Nacional de Educação. Você pode assistir às falas gravadas aqui.

Além de um elenco de sugestões pontuais que foi apresentado pelos vários palestrantes ao relator do projeto em tramitação na Comissão de Educação, apareceu claramente a relação da discussão entre o SNE e a Lei de Responsabilidade Educacional. Segundo o autor do projeto, deputado Saguas, no início foi tentada uma junção dos dois projetos, mas ele não prosperou pois o grupo que estudava a LRE não se dispôs.

Também aparece a questão de que o SNE tramita em regime legislativo normal, tendo que ir a plenário após a votação na Comissão de Educação, enquanto teria sido melhor se houvesse tido uma Comissão Especial para a tramitação do SNE também, que o examinasse em caráter terminativo (sem necessidade de ir a plenário). Para o relator do projeto, embora isso seja possível, ele tem preferência por fechar mais rapidamente o projeto na própria Comissão de Educação e solicitar à Câmara que o aprecie em regime de votação de urgência.

No entanto, ficou também claro que o MEC não trouxe as suas recomendações na sessão de hoje. O Secretário de Educação Básica que estava presente irá preparar junto com outras áreas do MEC as suas sugestões para o relator do projeto.

Com isso, embora tenham sido apresentadas várias sugestões, o principal agente não trouxe as suas. Sem saber o que o MEC pretende, fica difícil avaliar para onde irá a redação final do projeto.

Abaixo também pode-se ter acesso às apresentações de três dos palestrantes.

Baixe aqui a apresentação de MARIA EDINEIDE DE ALMEIDA BATISTA – Representante da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação – UNDIME

Baixe aqui a apresentação de ADÃO FRANCISCO DE OLIVEIRA – Secretário da Educação e Cultura do Estado do Tocantins – CONSED

Baixe aqui a apresentação de REMI CASTIONE – Doutor em Educação – PROIFES E FNE

 

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RS: estudantes contra a privatização

Movimentos Secundaristas ocupam Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul

Um grupo de estudantes ligados à União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) ocupou o saguão da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul na tarde desta segunda-feira (13), no Centro de Porto Alegre. Conforme a direção da Casa, cerca 70 alunos estão no local, onde permaneceram durante a madrugada.

 Após a ocupação, representantes dos estudantes participaram de uma reunião com o superintendente geral da Assembleia. Eles pediram a retirada do projeto de lei 44, que pretende ampliar a participação privada e de serviços terceirizados nas escolas estaduais. A proposta estava na ordem do dia da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) de terça-feira (13), mas acabou sendo retirada. Além disso, contestaram o projeto de lei 190/2015, que propõe o programa Escola Sem Partido, que não estava na pauta da CCJ.

Leia mais aqui e aqui.

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Experiência do professor conta

Buemba! Buemba! Cai mais um mito dos reformadores empresariais da educação. Diane Ravitch divulga hoje a criação de um novo Instituto de Pesquisa comandado por Linda Darling-Hammond. Uma das primeiras pesquisas investiga se a eficiência do professor aumenta ou não durante a sua carreira à medida que ele ganha mais experiência na profissão. Como aponta Diane:

“Isto parece ser um senso comum, mas o movimento de reforma empresarial tem repetido uma e outra vez que os professores melhoram nos primeiros três anos, mas, em seguida, entram em um platô e acabam por não melhorar mais após os primeiros três ou cinco anos. Eles usam essa alegação para defender a Teach for America e outros programas de formação acelerados e ignorar o êxodo de professores altamente experientes. Como resultado dessa crença intuitiva e realmente falsa, os chamados “reformadores” têm defendido e promulgado leis estaduais que incentivam professores veteranos a deixar a profissão. Por exemplo, Carolina do Norte aumentou os salários de entrada para os professores para US $ 35.000 [anuais], mas os salários de professores experientes estão parados em US $ 50.000. A Florida oferece bônus para novos professores que tiveram altas pontuações no SAT no colegial (!), Mas não há bônus para incentivar os professores mais experientes a permanecer na profissão.”

Baixe aqui o resumo do estudo. Baixe aqui o relatório completo.

Segundo as autoras do estudo, Tara Kini e Anne Podolsky:

“Com base em uma revisão de 30 estudos publicados nos últimos 15 anos, os autores encontraram que à medida que os professores ganham experiência ao longo de suas carreiras, os ganhos de desempenho de seus alunos aumentam. Embora os ganhos mais acentuados em eficácia ocorram nos primeiros anos de ensino, esta melhoria continua na segunda e muitas vezes na terceira década da sua carreira, especialmente quando trabalham em ambientes colaborativos. Outros achados incluem:

  • Os professores experientes têm um impacto positivo sobre o desempenho de seus pares.

  • À medida que os professores ganham experiência, seus alunos são mais propensos a se desempenhar melhor em outros indicadores que não apenas em resultados de testes, tais como a frequência escolar.

  • Os professores têm maiores ganhos em sua eficácia quando eles acumulam experiência na mesma série, assunto, ou distrito.

  • Professores mais experientes agregam benefícios para os seus colegas, seus alunos e à escola como um todo.”

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