Privatização: o segredo do sucesso

No início do ano passado comentei aqui sobre algo parecido com uma “pedagogia penal” imposta às crianças mais pobres em nome do aumento da qualidade da educação. A questão voltou a aparecer agora com as 10 escolas de Goiás militarizadas.

Também comentei sobre as “inovações” metodológicas das escolas charters americanas que introduziram multas para seus alunos. Esta mesma cadeia de charters, a Nobel, volta a chamar a atenção em Chicago.

Como diz Ravitch, o “segredo do sucesso destas privatizadas” está bem claro agora: chama-se segregação social, ou seletividade dos alunos que a frequentam. As taxas de expulsão dos alunos da cadeia de charters Nobel é agora conhecida.

“Os dados revelam que durante o último ano letivo, 307 alunos foram expulsos das escolas charters, que têm um registro total de cerca de 50.000 alunos. Nas escolas de gerência pública distrital, teve-se 182 crianças expulsas de um registro total discente de mais de 353.000 alunos.

Isso significa que a taxa de expulsão das charters foi de 61 alunos para cada 10.000 alunos, enquanto que nas escolas de gerência pública distritais a taxa foi de apenas 5 alunos em cada 10.000 alunos.”

Eis o “segredo” do sucesso.

Assim fica fácil “melhorar a qualidade”. Esta é a consequência da introdução da lógica da iniciativa privada nos assuntos educacionais. Educação não é mercado é direito. Se a lógica da concorrência penetra na educação, a segregação aumentará, como mostram os dados americanos.

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Tamanho da turma conta?

Converse com qualquer professor ou professora e se perguntar eles dirão que com turmas menores eles são mais eficientes. Mas a lenda de que tamanho de turma não faz diferença persiste fortemente. O estudo abaixo reúne evidências de que turmas menores importam e são uma boa aplicação dos recursos financeiros.

Redução do tamanho da turma: melhor do que você pensa

Relatório do NEPC encontra forte evidência de benefícios de se fazer turmas menores 

Endereço deste comunicado de imprensa do NEPC: http://tinyurl.com/k7j64z2

Autora do estudo: Diane Whitmore Schanzenbach

Boulder, CO (18 de fevereiro de 2014) – Enquanto uma série de reformas escolares bem conceituadas e muitas vezes controversas ganhou a maior parte da atenção dos formuladores de políticas ao longo da última década ou duas, uma reforma parece ter sido constantemente ignorada e marginalizada : a redução do tamanho das turmas.

No entanto, como a professora Diane Whitmore Schanzenbach aponta em um novo relatório divulgado hoje, a evidência de que a redução do tamanho da turma ajuda a aumentar o desempenho dos alunos é forte. O relatório de Schanzenbach, Does Class Size Matter?, publicado hoje pelo NEPC da Universidade de Colorado, Boulder, fornece uma revisão abrangente da pesquisa sobre tamanho de turma.

Segundo a professora Schanzenbach a redução do tamanho de turmas tem sido vítima de uma crença popular de que a estratégia tem sido muito mal sucedida. Um exemplo recente, Schanzenbach observa, é o autor Malcolm Gladwell, que em um recente livro descreve turmas pequenas como uma “coisa que estamos convencidos de que é uma grande vantagem [mas] que pode não ser, afinal, tanta vantagem.”

Na verdade, ela escreve, a história real é exatamente o oposto. “O tamanho da turma importa”, escreve Schanzenbach, economista e professora de política da educação da Universidade de Northwestern, em Evanston, Illinois. “A investigação apoia a noção de senso comum de que as crianças aprendem mais e os professores são mais eficazes com turmas menores.”

Citando evidências da literatura acadêmica, Schanzenbach explica que “o tamanho das turmas é um determinante importante de uma variedade de resultados dos alunos que vão desde os resultados dos testes até resultados mais amplos na vida. Turmas menores são particularmente eficazes em elevar os níveis de escolaridade das crianças de baixa renda e de minorias.”

Contrariamente, ela aponta, aumentar o tamanho da turma mostra ser prejudicial às crianças.” O dinheiro economizado hoje, aumentando o tamanho das turmas resultará em custos sociais e educacionais mais substanciais no futuro”, escreve ela .

“Os formuladores de políticas devem pesar cuidadosamente a eficácia da política de tamanho de turma contra outros usos potenciais dos fundos”, Schanzenbach conclui. “Apesar do menor tamanho da turma ter um custo demonstrável, pode ser a política mais eficaz em termos de custos no geral.”

Relatório integral aqui.

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Volta Lula

O governo Dilma decidiu de vez administrar a educação sem ouvir a comunidade educacional – ou ouvindo só o que convém. Lula e Haddad não seguiram este caminho. Em época semelhante, em 2010, Lula e Haddad estavam na I Conae com a comunidade educacional às vésperas da eleição. E não foram vaiados. Ao contrário: arrasaram…

Em recente manifestação o MOVATE, uma organização dos trabalhadores do Ministério da Educação, mostrou as persistentes ações do governo conduzidas pelo MEC sem procurar ouvir a área da educação. Coube a ele elencar as provocações do governo Dilma sistematicamente dirigidas à área.

A própria nomeação de Paim como Ministro é reveladora desta situação. O Ministério foi entregue a um gestor de carreira sem tradição política. Não havia mais ninguém com perfil político para assumir o cargo? É mais que isso. Trata-se da concepção gerencialista do governo Dilma que ele implementa desde o primeiro dia de seu governo. Haddad incomodou, foi convenientemente desviado. Veio Mercadante, um ministro ausente, que em sua ausência entregou as relações do Ministério com Dilma ao Secretário Executivo Paim, afeto à gerência. E finalmente, temos Paim, um gerente. Se Dilma pudesse colocaria gestores de carreira em todos os Ministérios. Todos conhecem sua falta de paciência com a política. Não é surpresa que a Presidenta ande com medo de vaias em espaços públicos…

Hoje, entretanto, à esquerda propaga-se o sentimento de que se criticarmos o governo Dilma, então, estaremos fortalecendo a oposição em um ano eleitoral. Isso seria politicamente incorreto.

À direita, não é necessário ser muito contra as ações do MEC pois, no conjunto, a política deles está sendo feita, ainda que em um ritmo menor do que implementariam se estivessem no governo. Nada mal para uma oposição. Note que para a oposição ao governo Dilma o que falta na educação é exatamente gestão. Um gestor de carreira, portanto, facilita já que trata as questões essencialmente como técnicas, números.

Ao centro está o pessoal do “deixa disso”, etc.

Não existe muita opção.

Por definição, eu deveria estar junto à esquerda. Não desconheço as implicações políticas de uma crítica ao governo Dilma em ano eleitoral. Votei duas vezes em Lula e uma em Dilma.

Ocorre que há limite até mesmo para apoiadores teimosos. A posição da esquerda, de apoio em confiança, está virando uma armadilha para fazer reféns políticos que gera inércia e conforto para o governo Dilma, em nome da continuidade. Talvez seja hora de um pouco de contradição. Continuar para quê? Durante 12 anos, praticamente confiamos. Mas o que ficou depois deste período em matéria de política educacional? Não me refiro a programas disso ou daquilo. Com Dilma não evoluimos em relação a Lula.

A oposição resolveu acelerar suas mudanças legislando via  Congresso e faz a política educacional lá. E o governo? Note a situação do PNE com a oposição ao governo Dilma atendendo mais às demandas da chamada esquerda do que o próprio governo, o qual continua batendo na tecla do PNE do Senado contra a comunidade educacional.

Em algumas áreas do governo Dilma, com as recentes nomeações, se ele perder as eleições este ano, pode se dizer que  já teve início uma verdadeira equipe de transição de governo para a oposição. Muitos dos nomes indicados hoje seriam facilmente mantidos pela oposição amanhã.

A gota de água foi o cancelamento da CONAE seguida da nomeação de Paim, um gestor sem força política e que vai cumprir os desígnios da Secretaria da Presidência da República onde o Todos pela Educação dá o tom através de Gerdau, sentado ao lado de Dilma.

O governo Dilma atua de costas para a comunidade educacional. Em ano eleitoral. E quer que continuemos votando nele, pois, se não o fizermos, teremos, então, feito a escolha errada e fortalecido a oposição. Seremos culpados por termos promovido a derrota de Dilma.

Não é sem razão que cresce o “volta Lula”…

Pessoalmente, me recuso a seguir o caminho da homologação eterna a menos que o governo Dilma use o escasso tempo que ainda tem para dar mostras de que vai fazer um segundo mandato com a comunidade educacional e não contra a comunidade educacional.

Ou, então, que o candidato seja Lula.

Caso não ocorra nada disso, me considero liberado para tomar o caminho que julgar conveniente, o que pode ser, inclusive, não apoiar a reeleição de Dilma. Creio que 12 anos de homologação foram suficientes. E se não foram, a incompetência não foi da minha paciência (ou talvez sim?), mas do próprio PT e de seus governos.

É hora do PT e seus governos pararem de por a culpa nos outros e assumirem seus problemas – inclusive uma eventual derrota eleitoral de Dilma este ano, caso mais gente resolva pensar como eu. Na área educacional a insatisfação tende a aumentar, face à insensibilidade do governo Dilma.

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USA: lei de responsabilidade educacional fracassa

Os resultados da avaliação do NAEP americano aumentam as evidências de fracasso da lei de responsabilidade educacional americana “No Child Left Behind”. Liberado em novembro de 2013 o estudo também mostra que o desempenho dos alunos americanos foi melhor antes da lei do que depois dela.

Isto deveria ser suficiente para inibir as iniciativas brasileiras de se criar sua lei de responsabilidade educacional, atualmente em tramite no Congresso.

Segundo o National Center for Fair and Open Testing:

“Os últimos resultados da Avaliação Nacional do Progresso Educacional (NAEP) “adicionam à evidência já existente que a lei federal No Child Left Behind (NCLB) falhou. Um relatório federal divulgado mostra que a melhoria da pontuação no NAEP reduziu ou parou em leitura e matemática após a implementação da lei NCLB. Os dados do NAEP também mostram que as diferenças de pontuação entre brancos e grupos historicamente marginalizados não estão em geral estreitando.

 As tendências do NAEP são consistentes com resultados recentes dos testes de admissão à faculdade, o ACT e o SAT, onde as médias continuam estagnadas, enquanto algumas brechas na pontuação do grupo racial estão se ampliando. As brechas estão estagnada para jovens de 17 anos nos testes do NAEP de longo prazo.”

Leia mais aqui.

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MEC anuncia novos nomes

Conforme antecipado, o MEC realiza troca de vários nomes em sua estrutura.

“O Ministério da Educação (MEC) anunciou hoje (12) os nomes que passam a compor a nova equipe da pasta. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) terão novos presidentes. Além disso, serão nomeados dois novos secretários.

O ex-presidente do Inep Luiz Cláudio Costa será o secretário executivo do MEC, no lugar do ministro Henrique Paim. Para o lugar de Costa, será nomeado Chico Soares. O atual secretário da Educação Básica, Romeu Caputo, será o novo presidente do FNDE, e Yvelise Arco-Verde responderá interinamente pela secretaria.”

Confira aqui.

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Goiás: caso de polícia

Em ação inédita a Secretaria de Educação do Estado de Goias militariza 10 escolas e institui mensalidade.

“Sob o pretexto de diminuir a violência, a Polícia Militar de Goiás irá administrar 10 escolas públicas do Estado, governado por Marconi Perillo (PSDB). Os estudantes serão obrigados a usar quatro uniformes com motivos militares e sapatos, que serão vendidos fora da escola por valores que podem chegar até R$ 600.

Além disso, a matrícula custará R$ 100. Haverá ainda uma mensalidade de R$ 50 e mais dois livros no valor de R$ 300. O valor total dos custos pode chegar até R$ 1.500 por ano. Quem não puder pagar, terá seu filho matriculado em outra escola pública.

Em nota divulga pelo Jornal da Globo, a Secretaria de Educação de Goiás afirma que a medida visa combater a violência de forma efetiva. No Colégio Fernando Pessoa, que passará a se chamar Escola da Polícia Militar de Goiás Fernando Pessoa, em Valparaíso, a escola será dirigida por um policial com formação em pedagogia. Além dele, militares farão aulas de Educação Física e exigirão disciplina dos alunos.”

Leia aqui.

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NO LIMITE, de Marin Ledun

Os reformadores empresariais defendem que as forças da iniciativa privada e seus métodos de organização do trabalho “consertarão” a educação, basta que nos inspiremos neles.

Claudio Moura Castro afirma que:

“É irrelevante perder tempo indagando se a escola tem “produto”, se ensino é “mercadoria”, se “produtivismo” é neoliberal e outras fantasias do mesmo naipe. Importa reter que instituições das mais variadas naturezas e índoles têm muito em comum e que há boas regras e ferramentas que servem para todas. Como o setor produtivo se antecipou aos outros, há excelentes razões para aprender como ele. Com efeito, quem entendeu isso está ganhando qualidade. “

Leia aqui.

A Folha de São Paulo de hoje, 8-2-14, traz análise do romance de Marin Ledun, NO LIMITE, que examina como as novas formas de organização do trabalho na empresa ficaram frias e individualistas destruindo o senso coletivo do trabalho. Tem um título sugestivo: “Cultura da avaliação pessoal matou senso coletivo do trabalho”.

“A medição dos resultados se tornou mais importante que a qualificação profissional e a qualidade dos produtos” – diz ele.  “Não existe mais o mesmo senso coletivo. Este foi esmagado pela cultura das avaliações individuais de desempenho” – completa.

Leia entrevista aqui.

Este já é o presente vivido em algumas das nossas redes de ensino e escolas que optaram pelas receitas dos reformadores. Este será cada vez mais o futuro de nossos jovens se esta onda não for parada agora…

Isso vale também para as nossas Universidades que estão sob ataque dos processos de avaliação do ensino superior. Sem o coletivo, a produção também se torna individualista e perde força. A maioria dos nossos problemas científicos, hoje, depende de coletivos e não de mentes brilhantes isoladas.

Nas escolas o tecido social está sendo rompido entre os vários atores sociais que estão presentes no coletivo escolar. O bônus é um fator que acelera a destruição do coletivo, bem como a noção de que se as escolas concorrerem entre si, melhorarão a qualidade. A preocupação central está com a medição dos resultados e suas consequências.

Sabemos de onde vem isso, o romance de Marin Ledun desvenda esta realidade com clareza. Copiando as empresas terminaremos com os mesmos problemas. O mais grave é que estamos falando da formação da nossa juventude e não de produzir pregos ou carros.

O livro está aqui.

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CONAE: MST repudia cancelamento

NOTA  DE REPÚDIO À ATITUDE ANTIDEMOCRÁTICA

  DO MEC EM CANCELAR A II CONAE

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra repudia a atitude antidemocrática do Ministério da Educação em cancelar a realização da 2ª Conferência Nacional de Educação (CONAE), que estava marcada para 17 a 21 de Fevereiro.  Essa Conferência pretendia ser um espaço plural e democrático para construção de propostas basilares para o Sistema Nacional de Educação.

Esta decisão autoritária do Ministério da Educação se coloca na contramão das manifestações e dos clamores da população brasileiras por  espaços de participação na construção de políticas públicas que incluam os movimentos e as organizações sociais e sindicais, e desconsidera todo o esforço na realização das etapas anteriores desta Conferência,  realizadas nos municípios e estados em 2013.

O MEC cada vez menos tem dado resposta às necessidades educacionais brasileiras.  Dois exemplos emblemáticos: – o fechamento em massa  de escolas no campo: nos últimos 10 anos foram mais de 37 mil escolas cessadas; – a ausência de políticas de superação do analfabetismo, sendo em 13,9 milhões de analfabetos, segundo o último censo oficial.

No contra-senso o MEC anunciou nos últimos dias  a destinação de 899 milhões de reais às entidades do Sistema S (SENAC, SENAI, SENAR, SENAT) para a oferta de cursos por meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). Ou seja, recursos públicos transferidos para iniciativa privada, enquanto escolas do campo deixam de ser construídas e continuam funcionando em espaços improvisados.

Diante disso, nos somamos a outras entidades e outros movimentos da educação para incidir na aprovação do Plano Nacional de Educação na Câmara dos Deputados e na luta pela educação pública. Seguimos mantendo nosso compromisso  em seguir na luta pela construção de um país soberano, com participação popular efetiva e com justiça social.

LUTAR, CONSTRUIR REFORMA AGRÁRIA POPULAR!

Brasil, 05 de Fevereiro de 2014.

Direção Nacional do MST

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Troca de comando no INEP

O site do Estadão confirma:

BRASÍLIA – O professor aposentado José Francisco Soares, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), deve assumir a presidência do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia do Ministério da Educação (MEC) que, entre outras missões, cuida do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e promove estudos sobre o sistema educacional brasileiro. O atual presidente do Inep, Luiz Cláudio Costa, será promovido para a secretaria-executiva do MEC.

Leia matéria aqui.

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Francisco Soares no INEP?

Um leitor deste blog escreveu:

“Fonte no INEP informa que são de 90% as chances de o novo presidente do INEP ser o Prof. Francisco Soares. A conferir”.

A conferir…

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“Interpretando” o PISA: a cultura da crise

Foi Freedman quem formulou a tese de que uma pré-condição para ocorrer uma mudança é a existência de uma crise – real ou percebida. Ela tem sido a base de atuação dos reformadores empresariais americanos ao longo de 30 anos.

No Brasil, vivemos isso permanentemente por aqueles que aqui replicam as ideias destes reformadores. Recentemente, como produto das avaliações do PISA, a OCDE decretou que o Brasil, na área do ensino de matemática, está entre os que mais avançaram no mundo entre 2000 e 2009.

Pois bem. Foi suficiente para que alguns pesquisadores realizassem seus estudos e fizessem suas interpretações  para colocar dúvidas a respeito desta possibilidade. Segundo eles, há dúvidas se podemos ter esta linha de comparabilidade entre estes anos de aplicação do PISA e até mesmo há, agora, dúvidas sobre a própria amostragem realizada para a aplicação do PISA no Brasil – entre outras explicações arregimentadas para diminuir a possibilidade de uma interpretação de que estamos melhorando consistentemente em matemática (ver aqui também).

OK. Então temos um problema: se os dados não são confiáveis para mostrar que melhoramos em matemática, porque eles seriam confiáveis para mostrar que não melhoramos, por exemplo em leitura ou ciências? Dito de outra forma, por que eles servem quando mostram que não avançamos no PISA e não servem quando mostram que avançamos?

Segue-se a confirmação do que está sendo dito por vários pesquisadores, ou seja, estes exames internacionais não são confiáveis. (Ver aqui também.) Por que seguimos acreditando tanto neles? Para gerar crises que convêm a certas propostas de reforma educacional?

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Privacidade dos estudantes em jogo

Até onde vai o direito do governo e das universidades ou escolas brasileiras em expor dados dos seus estudantes? Esta é uma tendência perigosa que provoca um grande debate nos Estados Unidos com já mostramos neste blog.

Notícia divulgada agora dá conta de que o MEC está organizando um grande banco de dados sobre estudantes de graduação brasileiros (públicas e privadas) de livre consulta, ou seja, qualquer empregador pode acessar os dados.

“Segundo a pasta, o objetivo é diminuir a possibilidade de fraudes em situações em que esse tipo de informação é exigida, como uma entrevista de emprego, por exemplo. Com esse banco disponível, o empregador pode checar de forma rápida a veracidade das informações prestadas.”

A questão é: qual o limite dos dados que constarão deste e de outros bancos que virão? Afetam eles o direito de privacidade dos estudantes? Estarão os nossos estudantes condenados na vida se não se saírem bem em exames nem sempre bem elaborados?

Além da questão da privacidade, existe também o stress que isso vai gerar nos nossos jovens que poderão ter suas vidas afetadas para sempre por conta de seu desempenho em exames.

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Mudanças nas Secretarias do MEC e no INEP?

Troca de Ministro costuma acarretar mudanças nas Secretarias do MEC e nos órgãos administrados por ele. De fato elas estão em curso, certamente. Uma área é especialmente importante de ser acompanhada: continuará o atual Presidente do INEP, principal órgão avaliador das políticas públicas? Se não, quem irá ocupar o posto?

Este é um termômetro importante para definir a orientação que Paim imprimirá ao curto período que resta nesta administração.

Penso que Paim é mais alinhado com a Secretaria da Presidência e menos compromissado politicamente com a área educacional. É um técnico e técnicos não precisam de votos. Ele é mais impermeável às demandas pois não precisa destes. Mercadante sabia que o que fizesse por lá, repercutiria em seus votos. Paim não tem este limitador, pois não precisa de votos. Não é candidato a nada. É um gestor de carreira. E Dilma adora.

Portanto, acompanhemos este capítulo com atenção.

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CONAE: MOVATE repudia cancelamento em nota exemplar

O Movimento de Valorização e Articulação dos Trabalhadores em Educação do Ministério da Educação divulgou nota de repudio ao cancelamento da CONAE. A nota é claramente superior em análise às manifestações até agora divulgadas, em especial superior à nota das próprias entidades científicas as quais, por dever de ofício, teriam condições de ter feito algo semelhante.

Ao invés de “estudar as palavras”, a nota do Movate é direta, lapidar, corajosa. Confira abaixo.

Nota de repúdio – Adiamento da Conae 2014

O Movimento de Valorização e Articulação dos Trabalhadores em Educação do MEC (Movate) repudia o adiamento da etapa nacional da Conferência Nacional de Educação Básica (Conae) prevista para ser realizada de 17 a 21 de fevereiro de 2014.

Frente ao ocorrido, o Movate solicitou ao MEC, em 29/01/2014, amparado pela Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011), dados que justifiquem essa decisão – a resposta do Ministério será disponibilizada na página: http://www.movate.org/

A despeito dos supostos motivos de ordem logística apresentados até o momento, consideramos que o adiamento da Conae deve ser entendido como o resultado de uma estratégia política do Governo num contexto que tem como antecedentes:

a recusa política de implementar, acompanhar e avaliar o Plano Nacional de Educação de 2001, Lei 10.172/2001 (clique aqui);

manutenção do modelo de gestão educacional na perspectiva do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), em detrimento de políticas de Estado;

o não aproveitamento substancial das deliberação da Conae 2010 para a formulação da proposta do novo Plano Nacional de Educação (compare-se o Documeto Final da Conae 2010 com o Projeto de Lei encaminhado pelo MEC);

a falta de vontade política do Executivo para dialogar com o Legislativo, demais poderes constituídos e sociedade civil organizada no sentido de estimular a celeridade da tramitação do Projeto de Lei 8035/2010 (PNE 2011-2020).

O MEC já deu sinais de que a ausência de um Plano Nacional de Educação não parece interferir no modelo administrativo que foi pensado para a implementação de políticas da área educacional. Antes, um eventual PNE, provavelmente trará constrangimentos para o nível de flexibilidade político–orçamentária que vem pautando a atuação dos dirigentes do Ministério nos últimos anos.

Contrariando essa tendência, o Plano Nacional de Educação (PNE) tem pautado as etapas da Conae 2014. Nessa direção, esperamos que todos esses esforços e recursos investidos não sejam em vão e que haja, o quanto antes, a oportunidade para que o PNE seja também debatido na etapa nacional da Conae e, num futuro próximo, seja o condutor das políticas do Ministério da Educação. Para isso, há necessidade de empenho dos dirigentes do MEC para assumirem o Plano e respeitarem suas diretrizes, algo que nunca aconteceu na história republicana do País. Daí, a importância do engajamento dos movimentos sociais da educação no acompanhamento e no controle social do PNE.

Mais que o esforço pela sua realização, o verdadeiro desafio em torno da Conae 2014 é pela superação deste espaço como simulacro de participação social. Precisamos, sim, construir um meio efetivo de participação e decisão coletiva. A forma como se deu o adiamento da Conae é um importante indício do quão longe estamos da materialização deste projeto.

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MEC: assume Paim

Paim assumiu o Ministério da Educação. Como Secretário Executivo do MEC, já estava administrando de fato o órgão bem antes. Mercadante já estava com a cabeça na Casa Civil faz tempo. A paralisia já era visível.

Segundo diferentes personagens, Paim está no Ministério da Educação há 10 anos e se destacou como um bom gestor público.

Para Jorge Gerdau, “isso favorece a continuidade das ações prioritárias e o alcance dos resultados desejados pelo governo”, afirma o presidente do Conselho de Governança do movimento Todos Pela Educação. Para ele, ainda, “sistemas de gestão e acompanhamento de indicadores educacionais serão fortalecidos com o novo ministro.”

Veja matéria aqui.

Isso é o que restou de um Ministério que desde a época Haddad se empenha em fazer medição de aprendizagem e uma série de projetos picados, ao invés de uma política educacional para o país. E é elogiado exatamente por isso, pelo que restou fazer no MEC, ou seja, administrar bem projetos estanques (construção de creches, Pronatec, etc.). O caso da formação de professores é um bom exemplo. Paim diz que será sua obsessão. Mas por isso entenda-se implementar cursinhos de capacitação e não uma política de formação de professores.

Mercadante entrou e saiu sem plano. Paim assume igualmente sem uma proposta para a educação nacional que seja publicável e possa ser analisada e debatida pela comunidade educacional. O evento que faria tal debate, a CONAE, foi cancelado. E para o governo, o melhor Plano Nacional de Educação já foi elaborado pelo Senado. Portanto, não há nada para discutir.

Por que um gerente neste momento? Primeiro porque Paim fala a língua de Dilma. E segundo, porque em ano eleitoral há que se gerar números para divulgação durante a campanha eleitoral no segundo semestre. Principal função de Paim: garantir os números.

Temos portanto um Ministério que sai da categoria “apagado” durante a gestão Mercadante e entra em uma categoria “tecnocrata”. E há contentamento geral em várias áreas. O aprofundamento da visão técnica favorece as soluções de curta visibilidade, apressadas e bem ao sabor da visão gerencialista de educação. Quanto à política educacional, bem, isso fica para um próximo mandato, se for o caso.

A manifestação da UNE sobre o cancelamento da CONAE pelo MEC chama a atenção para este clima que está se criando e que favorece as ideias de privatização. Não esqueçamos que a gestão é a pedra fundamental das propostas privatistas: é aquela história de que não falta dinheiro e sim boa gestão.

Entretanto, se em quatro anos não houve política educacional, o que nos faria pensar que nos próximos quatro haverá? Estou muito curioso para ver o que Dilma irá propor como programa para a educação no seu próximo mandato.

Arrisco: mais do mesmo!

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CONAE: entidades científicas criticam adiamento

Em nota branda, as entidades científicas criticaram hoje o adiamento da CONAE. Veja íntegra da nota abaixo:

NOTA PÚBLICA DAS ENTIDADES DE ESTUDOS E PESQUISAS SOBRE ADIAMENTO DA CONAE

As entidades de estudos e pesquisas em educação, no âmbito do Fórum Nacional de Educação (FNE), Anfope, Anpae, Anped, Cedes e Forundir, vêm a público manifestar sua posição contrária ao adiamento da Conae 2014, comunicado pelo FNE no dia 24 de janeiro do corrente ano.

Consideramos prejuízo inaceitável ao processo de debate e construção da Educação Brasileira, enquanto política de Estado, o adiamento pelo MEC da etapa final desta mobilização que envolveu os segmentos e setores da área, na preparação da II Conferência Nacional de Educação, lançada desde dezembro de 2012.

Reafirmamos que o FNE e os Fóruns Estaduais de Educação cumpriram todas as etapas previstas para realização da II Conae, sendo lamentável a inviabilização da conferência em fevereiro, quando toda a sociedade já estava mobilizada em torno do debate do Documento Base e da tramitação do Plano Nacional de Educação no Congresso Nacional.

A decisão unilateral do ministério da educação de adiamento da II Conae, comunicada ao Fórum Nacional de Educação, demonstra a urgência na rediscussão deste Fórum, no que concerne a seu espaço, objetivos, composição e atribuições, para que de fato possa atuar com maior autonomia administrativa e financeira, como órgão de Estado.

Enquanto profissionais da educação, compreendemos que a conjuntura política e econômica que envolve, entre outros fatos, o adiamento da II Conae exige dos envolvidos na defesa da educação pública de qualidade como direito de todos, uma mobilização intensa e permanente, nestes primeiros meses de 2014, em torno de duas pautas: o acompanhamento e pressão junto ao Congresso Nacional para aprovação imediata do Plano Nacional de Educação, a rediscussão do Fórum Nacional de Educação.

Portanto, conclamamos todas as entidades, associações e movimentos que defendem a educação brasileira a esta mobilização em defesa da aprovação do Plano Nacional de Educação, com a retomada do substitutivo aprovado na Câmara dos Deputados, pois embora este não represente todos os anseios defendidos e aprovados na I Conae, na conjuntura atual configura-se em prejuízo menor face ao Substitutivo aprovado pelo Senado.

 Campinas, 03 de fevereiro de 2014.

Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação – Anfope

Associação Nacional de Política e Administração da Educação Anpae

Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação Anped

Centro de Estudos Educação & Sociedade – Cedes

Fórum Nacional dos Diretores das Faculdades/Centros/Departamentos de Educação das Universidades Públicas Brasileiras – Forumdir

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RJ: 34% dos alunos sumiram?

Os processos implantados no Estado do Rio de Janeiro e que têm sua matriz nos reformadores empresariais começam a produzir seus efeitos deletérios. É o que sugere o estudo de Micholas Davies:

Rio – O governo do estado reduziu em meio milhão o número de matrículas no Ensino Básico entre 2006 e 2012. Na ponta do lápis, são exatos 516.471 mil alunos que deixaram de existir no banco de dados da Secretaria Estadual de Educação. Situação que coloca o Rio na condição de rede de ensino que mais diminuiu no país, em percentual de registro de alunos, neste período. A queda foi de 34,7%. O levantamento foi feito pelo professor Nicholas Davies, da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Veja matéria aqui.

Em compensação, no Rio de Janeiro em seis anos, a rede de ensino privado cresceu 22,5%. É conhecida a preferência dos reformadores empresariais pela solução privada do ensino. Um estímulo à iniciativa privada não está descartado. Há pouco tempo a Secretaria de Educação do Estado do Rio propôs ao Conselho Estadual reduzir aulas presenciais e favorecer o atendimento via aulas on line.

 

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CONAE: UNE repudia o adiamento

A União Nacional dos Estudantes – UNE – divulgou nota condenando o adiamento da CONAE por entender que ele demonstra uma manobra política e deflagra a orientação do governo de restringir a sua função estratégica na garantia do direito público à educação em benefício do setor privado. Um governo democrático e popular não pode adotar uma postura supostamente pragmática frente à correlação de forças existentes entre o setor público e privado – diz a nota.

Leia integra abaixo:

Nota de repúdio da União Nacional dos Estudantes – UNE ao cancelamento da II Conferência Nacional de Educação – CONAE 2014

Na contramão das mobilizações que sacodem a política do país desde junho passado e que clamam, dentre outras coisas, por mais participação e abertura na formulação de políticas públicas, o Ministério da Educação – MEC decide cancelar a II Conferência Nacional de Educação – CONAE, que seria realizada nos dias 17 a 21 de fevereiro de 2014, forçando o Fórum Nacional de Educação (FNE) a fazer uma reconvocação da Conferência para a data de 19 a 23 de novembro, ainda deste ano.

Desde 2010, com a realização da I CONAE e com a criação do Fórum Nacional de Educação (FNE) – órgão responsável por juntar governo e sociedade civil para a construção de políticas educacionais e, também, por realizar a 2ª conferência – a decisão unilateral, autoritária e injustificável do MEC de cancelar o evento em fevereiro demonstra como esse Ministério não incorporou os eixos que dão base ao próprio tema da conferência: sendo central a participação popular – “O PNE na Articulação do Sistema Nacional de Educação: participação popular, cooperação federativa e regime de colaboração”. Com isso, demonstra o desrespeito com todos os mais de 4 mil delegados e delegadas e os fóruns organizadores das etapas municipais, intermunicipais, estaduais e distrital que com todo o esforço cumpriram e realizaram suas etapas preparatórias para a Conferência Nacional.

Por motivos insuficientes e a falta de documentos que os comprovam, o MEC demonstrou que não teve habilidade e comprometimento de buscar estrutura suficiente para realizar a etapa nacional de uma das principais conferências do país, sendo a educação uma agenda considerada prioritária pela presidenta Dilma. É uma evidente manobra na defesa de seus interesses na aprovação da proposta de PNE aprovada no Senado, francamente em desacordo com as deliberações da I CONAE e que, sem dúvidas, seriam reforçadas nessa II CONAE.

Não por acaso, o adiamento da conferência se dá em momento decisivo da tramitação do Plano Nacional de Educação – PNE no Congresso Nacional, hoje estando em sua etapa final de votação na Câmara dos Deputados.

Tendo apenas duas escolhas: o projeto do Senado (escancaradamente defendido pelo MEC e Governo) e o projeto da Câmara (próximo das deliberações da CONAE 2010 e defendido pela ampla maioria dos movimentos educacionais), o adiamento da Conferência demonstra uma manobra política e deflagra a orientação do governo de restringir a sua função estratégica na garantia do direito público à educação em benefício do setor privado. Um governo democrático e popular não pode adotar uma postura supostamente pragmática frente à correlação de forças existentes entre o setor público e privado. O Brasil exige educação pública, gratuita, laica, com qualidade social.

Se os deputados federais seguirem a orientação danosa do Governo, e optarem pelo texto do Senado Federal em detrimento daquele melhor, aprovado na Câmara dos Deputados, o Estado brasileiro ficará desresponsabilizado de expandir matrículas públicas na educação técnica de nível médio e superior. O Governo Federal também ficará desresponsabilizado de cumprir com a Constituição Federal e apoiar Estados e Municípios para que estes atinjam um padrão mínimo de qualidade na Educação Básica, por meio do Custo Aluno-Qualidade Inicial (CAQi). O CAQi é o melhor caminho para a valorização dos profissionais da educação e adequação da infraestrutura das escolas aos jovens.

Como se fosse pouco, o PNE do Senado fragiliza drasticamente o princípio de que o investimento público seja na educação pública, cedendo à sede dos interesses mercantis, ao tirar a palavra “pública” do texto que estabelece a meta de “10% do PIB pra educação pública”, bandeira histórica defendida pelos sindicatos, movimentos estudantil e educacional brasileiro.

Haja vista a postura do MEC, já combatida com ampla mobilização pela UNE, nos casos recentes da falência das faculdades privadas do Rio de Janeiro, Gama Filho e UniverCidade, em que mais de 10 mil estudante encontram-se sem perspectivas de terminar seus estudos e milhares de trabalhadoras e trabalhadores da educação que estão desempregados, vemos o quão frágil é o controle exercido pelo governo sobre a oferta de ensino superior no país e mais frágil ainda, o controle sobre o setor privado que recebe recursos do próprio governo oriundos de programas de financiamento estudantil, como o Fies, e políticas como o PROUNI.

Por fim, acreditamos e construiremos com mais forças, a unidade do movimento educacional do país na centralidade da disputa da votação do PNE na e da Câmara dos Deputados. Desde já fazemos o chamado a todas e todos estudantes brasileiros para ocuparmos o Congresso Nacional na votação do plano.

Será, mais uma vez, através das nossas mobilizações, forças e de um sonho conjunto, que conquistaremos a criação do Sistema Nacional de Educação e um PNE que represente e dê respostas aos anseios da juventude do país, que conclama a garantia do seu direito social de ter acesso à educação pública de qualidade em todas etapas, níveis e modalidades!”

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CONAE: mais reações a caminho

“As entidades científicas da área da educação – ANFOPE, ANPEd, ANPAE, CEDES e FORUMDIR – reúnem-se no próximo dia 03 de fevereiro para, de forma coletiva, elaborarem a nota pública e indicar caminhos, em articulação com outras entidades, visando garantir no Congresso Nacional a aprovação do PNE para obtermos, com o apoio da sociedade, as conquistas que o povo brasileiro almeja: universalização do ensino infantil e médio, qualificação do ensino fundamental e continuidade da expansão do ensino superior, tendo como foco a formação e valorização dos profissionais da educação básica. Um PNE que retorne ao formulado pela Câmara, incorporando as discussões de 2013 realizadas em todas as Conferencias em cada canto deste país, possibilidade que nos foi subtraída de forma inaceitável, com o adiamento da II CONAE para novembro.”

Veja matéria aqui.

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Mais reações ao adiamento da CONAE

CAMPANHA NACIONAL PELO DIREITO À EDUCAÇÃO 

Brasil, 28 de janeiro de 2014.

 POSICIONAMENTO PÚBLICO

Cancelar a Conae-2014 foi decisão arbitrária,
mas não desmobilizará a defesa de um PNE pra Valer!
 

 A rede da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, composta por centenas de entidades, movimentos e organizações de todas as regiões do país, repudia o cancelamento da etapa federal da Conferência Nacional de Educação de 2014 (Conae-2014), por decisão unilateral e arbitrária do Ministério da Educação (MEC).

O cancelamento foi comunicado ao Fórum Nacional de Educação (FNE) na última sexta-feira, 24 de janeiro, a menos de um mês da realização do evento, que aconteceria entre 17 e 21 de fevereiro de 2014. Sem alternativa, o colegiado reagendou a etapa federal para 19 a 23 de novembro de 2014.

Cumpre informar à sociedade brasileira que a etapa federal da Conae foi convocada pela Portaria No 1410, de 3 de dezembro de 2012, assinada pelo Ministro de Estado da Educação, Aloizio Mercadante Oliva, e publicada no Diário Oficial da União em 4 de dezembro de 2012. Este instrumento legal determina:

“Art. 5º A II Conferência Nacional de Educação-CONAE 2014 realizar-se-á em Brasília – Distrito Federal, no período de 17 a 21 de fevereiro de 2014.”

Devido à letargia na aprovação do novo Plano Nacional de Educação (PNE) no Congresso Nacional, a Conae-2014 coincidiria com um momento decisivo para a educação brasileira: o início da etapa terminativa de tramitação da matéria na Câmara dos Deputados. Portanto, o evento seria estratégico para fortalecer a defesa do texto da Câmara, apoiado pela comunidade educacional, em detrimento da versão do Senado, defendida pelo Palácio do Planalto.

Membro titular do FNE, instância responsável pela coordenação política das edições da Conae, a Campanha Nacional pelo Direito à Educação, assim como os demais membros do FNE, foi surpreendida com a decisão anunciada pelo Ministério da Educação, órgão responsável pela gestão administrativa da Conferência.

Ao comunicar sua decisão, sem nunca ter antes problematizado com o FNE quaisquer preocupações quanto à realização da Conae, o MEC demonstra grave desrespeito com a participação popular, princípio político que, inclusive, consta do tema central da Conferência: “O PNE na Articulação do Sistema Nacional de Educação: participação popular, cooperação federativa e regime de colaboração”. Apoiado unicamente no poder administrativo e financeiro que detém, o MEC decidiu impor sua posição política de cancelamento contra todas as demais organizações do FNE e contra todas as expectativas de milhares de delegados, representantes de governos e organizações da sociedade civil envolvidas no processo, muitas delas membros de fóruns estaduais e municipais de educação.

Por todo o Brasil, entidades da sociedade civil e governos estaduais e municipais se esforçaram para respeitar um calendário apertado e conseguiram concluir e sistematizar, até novembro de 2013, as etapas preparatórias à Conae 2014. Do mesmo modo, os membros do FNE finalizaram, em meados de dezembro de 2013, as tarefas essenciais para a realização da Conferência. Cabe lembrar, a título de exemplo, que aos delegados eleitos nas etapas estaduais, há pouco mais de dez dias, foram solicitadas informações para as emissões das respectivas passagens aéreas, sem que sequer fosse cogitado o cancelamento.

Quando agendou a reunião dos dias 23 e 24 de janeiro de 2014, o FNE esperava acertar detalhes finais para a realização da etapa federal da Conferência. Ao invés disso, teve que lidar com a decisão unilateral do MEC. Mesmo solicitado, o Ministro da Educação, Aloizio Mercadante sequer foi ao pleno do Fórum para apresentar e debater sua decisão. Diante do impasse e do risco de não ter garantida a realização da II Conae, o FNE decidiu, por consenso, justificar em sua 20ª Nota Pública que “lamenta” o ocorrido. Por acreditar na Conae e para assegurar que o cancelamento imposto pelo MEC não viesse a desperdiçar definitivamente os esforços empreendidos nas etapas preparatórias, o FNE determinou que a etapa federal deverá ocorrer de 19 a 23 de novembro de 2014. Também expressou na Nota Pública, que diferente do ocorrido com a gestão administrativa de responsabilidade do MEC, “cumpriu com todas as etapas necessárias para a realização da etapa nacional da Conae 2014, no período de 17 a 21 de fevereiro”, demonstrando compromisso com suas responsabilidades.

Diante de todo o ocorrido e de seu contexto, a Campanha Nacional pelo Direito à Educação considera imprescindível que o FNE seja rediscutido. Este Fórum deve ser reafirmado e fortalecido como um espaço de encontros, articulação de ações, monitoramento e, sobretudo, decisões sobre os temas de sua competência, como a Conae. Deve articular democraticamente e em um mesmo nível de importância representantes da sociedade civil e dos governos, o que inclusive, em princípio, deveria ser a sua peculiaridade, desrespeitada na forma unilateral como se deu o anúncio do cancelamento da etapa federal da Conferência que aconteceria em fevereiro. Portanto, é preciso que seja repensada a composição do FNE e sua gestão, que deve contar com autonomia, inclusive orçamentária.

Paralelamente, as entidades da sociedade civil precisam ampliar a interlocução e articulação entre si, com o objetivo de estabelecer maior controle social sobre as políticas públicas educacionais, o próprio FNE e a Conae.

Por último, a Campanha Nacional pelo Direito à Educação expressa que o cancelamento da Conae-2014 deverá mobilizar ainda mais a sociedade civil em torno da tramitação do novo PNE. A comunidade educacional tem a certeza de que o texto da Câmara dos Deputados é melhor do que a versão do Senado Federal. Essa posição foi consensualmente firmada pelo FNE, em sua 21ª Nota Pública, que caracterizou a versão do Senado como “privatista”, “segregacionista” e contraproducente quanto à construção do Sistema Nacional de Educação.

O país exige um plano que seja a base para um Sistema Nacional de Educação democrático, plural e participativo, no qual as decisões das instâncias, conferências e fóruns sejam democraticamente respeitadas. O Brasil necessita de um “#PNEpraVALER!”, com o objetivo de consagrar o direito à educação pública de qualidade.

Por fim, faz-se imprescindível que o MEC apresente, publicamente, documentos e as respectivas contas, que, em princípio, teriam justificado o cancelamento da Conae-2014 em fevereiro, reagendada pelo FNE para novembro de 2014. As informações disponibilizadas até o momento à imprensa e ao Fórum Nacional de Educação, além de insuficientes, não justificam a arbitrária e inesperada medida do Ministério da Educação.

Assina o Comitê Diretivo da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, em nome de toda a rede:

Ação Educativa

ActionAid Brasil

CCLF (Centro de Cultura Luiz Freire)

Cedeca-CE (Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará)

CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação)

Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente

Mieib (Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil)

MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra)

Uncme (União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação)

Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação)

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CNTE reage a adiamento da CONAE

A primeira reação formal ao cancelamento da II CONAE imposto pelo MEC à comunidade educacional, um verdadeiro “cala boca” administrativo, veio da CNTE, principal Central Sindical. A nota tem um tom duro, como seria de esperar e coloca toda a responsabilidade sobre o MEC.

Isso contrasta com a tentativa do governo (e de alguns apoiadores) de colocar o adiamento como uma decisão do Forum Nacional de Educação e camuflar a decisão do governo. O cancelamento, como diz a nota foi: unilateral.

Leia a nota da CNTE:

CNTE condena adiamento da 2ª Conae

Publicado em Segunda, 27 Janeiro 2014 19:05

Diante da decisão do Ministério da Educação em adiar a realização da 2ª Conferência Nacional de Educação (Conae), agendada inicialmente para o próximo mês de fevereiro, a CNTE manifesta contrariedade com a decisão unilateral do MEC, pelas seguintes razões:

1. Desconsidera o amplo e intenso processo de mobilização da comunidade educacional durante as conferências municipais, intermunicipais e estaduais de educação, ocorrido no ano de 2013;

2. Desprestigia a participação social no debate educacional, exatamente no momento em que o povo cobra maior participação nas decisões de Governo;

3. Tenta desmobilizar a sociedade em torno da pauta do Plano Nacional de Educação, pendente de votação final na Câmara dos Deputados;

4. Reforça a posição de quem defende a desvinculação da Conae de suas conferências preparatórias nos estados e municípios – tal como foi aprovado no substitutivo da CCJ do Senado e, posteriormente, derrubado na Comissão de Educação daquela Casa parlamentar;

5. Fragiliza o Fórum Nacional de Educação, instância de representação governamental e social, encarregada em organizar a Conae, ficando a mesma submetida a uma decisão unilateral do Governo.

Mesmo considerando os argumentos do MEC sobre problemas nos contratos de alimentação e locação do Centro de Convenções onde ocorreria a Conae, não nos parece plausível que, por mais de ano, o Ministério não tenha feito licitações que garantissem a lisura desses contratos e o pleno desenvolvimento das atividades previamente programadas.

Por fim, não temos dúvidas de que caberá ao Governo arcar, exclusivamente, com o ônus dessa decisão equivocada (verdadeiro “tiro no pé”), e não admitiremos que ela seja motivo para postergar ainda mais a aprovação do Plano Nacional de Educação – à luz de parte significativa do substitutivo aprovado em 2012 pela Câmara dos Deputados –, ou que sirva de fator desmobilizador para o debate educacional nas eleições gerais, sobretudo em torno das pautas do PNE, do piso e da carreira dos profissionais da educação.

Brasília, 27 de janeiro de 2014

Roberto Franklin de Leão

Presidente

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CONAE: Emerildo e seu fevereiro vermelho

Emerildo é um idiota e toda vez que o MEC anuncia que haverá uma Conferência Nacional de Educação – CONAE – ele acredita. Desta vez ele passou o ano de 2013 inteirinho preparando-se para em fevereiro próximo ir à II CONAE. Já estava de mala pronta. Ia até aproveitar para viajar uma semana antes e passar no VI Congresso do MST que vai reunir 15.000 pessoas entre 10 e 14 de fevereiro e já ficaria para a II CONAE em Brasília mesmo, de 16 a 21 de fevereiro, que reuniria 4.000 pessoas. Ia ser um “fevereiro vermelho”…

Já não é a primeira vez que ele cai neste conto: em 2010 ele ficou uma semana inteira em Brasília para definir as recomendações da I CONAE porque elas seriam usadas na elaboração do Plano Nacional de Educação pelo governo. Nunca foram usadas. Ele até hoje não sabe disso.

Mas Emerildo é desavisado mesmo e ao ver que a conferência é preparada pelo Fórum Nacional de Educação com um montão de entidades da área educacional, toda vez ele consegue ficar animado, volta para seu Estado e prepara os Encontros Municipais e o Estadual, propõe emendas, etc. Ele agora ficou surpreso com o adiamento da próxima CONAE. Deu até pena.

Entretanto, Emerildo é uma boa alma. Ele leu o comunicado do Fórum Nacional de Educação adiando a conferência e ficou em paz, afinal foi o Fórum que comunicou o cancelamento, e não o MEC. Todos assinaram, devem, é claro, ter concordado, pensa ele – portanto, deve haver uma boa razão. Pensa que a conferência foi democraticamente adiada por todos e isso é o que importa. “Sem autoritarismos” – diz ele.

Ele não entende nadinha de política: ele não percebe que o Fórum foi feito de bobo duas vezes seguidas: primeiro quando o MEC impôs ao Fórum o adiamento da reunião, e depois, quando fez o próprio Fórum comunicar o “adiamento democrático”. A imprensa que ele lê assiduamente não ajuda, pois ela diz que o “Fórum Nacional de Educação comunicou o adiamento”. Ele acredita, pois pensa que as entidades, se não concordassem, poderiam ter tirado o nome do comunicado, feito um comunicado paralelo, criado o Fórum do B, etc. Ele sabe que duas ou três discordaram na imprensa, mas são a minoria, pensa ele. São do contra.

Ele também não consegue relacionar o debate do Plano Nacional de Educação – PNE – no Congresso com o adiamento da CONAE. É muito para ele, um sujeito de boa fé, afinal. Para ele são coisas diferentes e não devem ser confundidas – além disso o PNE vai ser votado só ao final do ano, ele pensa, e isso não compromete o debate. Ao contrário, acha que terão mais tempo e isso vai até contribuir para aprofundar o debate na Câmara.

Não vê que para um governo que já não levou em conta as recomendações da I CONAE, ter agora as recomendações da II seria um problema pois ia dar na vista não levar em conta pela segunda vez e isso em um ano de eleição. E se os deputados levarem a sério a II CONAE? E se o PSDB – oposição do governo – que tem ouvido a comunidade educacional e até propôs mudanças interessantes quando o projeto passou pelo Senado, resolvesse se apoiar nas recomendações da II CONAE nos debates da Câmara?

Mas Emerildo prefere acreditar que a culpa deve ser de alguma licitação mal feita. Ou então, é austeridade. Afinal temos que economizar recursos e dar o exemplo – insiste ele.

Para complicar, ele ouviu o discurso da Presidenta em Davos esta semana dizendo aos empresários do mundo que a educação é uma prioridade de seu governo, que vai aumentar a produtividade, etc – e agora ninguém consegue mudar a opinião de Emerildo.

Além de idiota e desavisado, ele é desprevenido. Nunca tem à mão seu kit palhaço para usar nestas ocasiões. Qualquer boa loja em Brasília dispõe desta facilidade. O kit tem um nariz de palhaço, variadas tintas para pintar o rosto, uma touca para simular a careca de palhaço, entre outros artefatos.

Vou recomendar a Emerildo que tenha sempre à mão seu kit palhaço e o use. Acho que ele não vai entender bem, mas pelo menos ele fica mais próximo da realidade. Quando outra vez ele disser que o Fórum Nacional de Educação adiou uma CONAE, vão achar que ele está brincando de palhaço. Ele não vai passar tanta vergonha.

 (Emerildo é um personagem de Elio Gaspari na Folha.)

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CONAE é cancelada

Governo manda cancelar a Conferência Nacional de Educação – CONAE – e ela só será realizada no final de 2014. Em uma ação administrativa o governo Dilma impôs ao Fórum Nacional de Educação uma de suas maiores derrotas: o cancelamento da conferência que vinha sendo nacionalmente preparada.

As razões não foram informadas.

Primeiro, o Plano Nacional de Educação preparado pelo governo desconsiderou as recomendações da CONAE já realizada anteriormente. E agora, posterga-se a próxima CONAE em um momento em que o PNE está ainda em discussão no Congresso.

A manobra também significa a desmoralização do Fórum Nacional de Educação (em tese quem organiza a conferência) e revela ser este apenas uma peça da engrenagem do governo. Sua estrutura já vinha sendo questionada e agora fica evidente sua inadequação.

O governo Dilma calculou mal: o cancelamento da CONAE em um ano eleitoral vai jogar contra ele mesmo pelas repercussões que terá no interior de uma área com poder de formação de opinião como é a educação. A campanha eleitoral da presidenta começa mal.

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PISA: comparações indevidas

A OCDE tem comparado sem os devidos cuidados variadas nações com culturas e realidades diferentes numa tentativa de criar uma “medida” internacional. Aos poucos estas tentativas vão sendo examinadas mais cuidadosamente e derrubadas. A matéria abaixo trata desta questão:

“É o sistema de ensino, em Xangai, a maior e mais internacionalizada das cidades chinesas realmente um paradigma de excelência acadêmica e equidade educacional ou seu desempenho estelar mascara uma realidade mais sombria, na qual uma das maiores barreiras do mundo às oportunidades educacionais assola dezenas de milhares de seus moradores?”

Veja aqui.

Em uma série de artigos publicados no site do Brookings Institution, Tom Loveless, um ex-professor da Kennedy School of Government da Universidade de Harvard e especialista em política educacional, questiona a inclusão e representatividade das amostras de Xangai no PISA. Ele ressaltou a singularidade gritante nos dados do PISA: Shanghai, uma cidade de 24 milhões de habitantes, apresenta nos relatórios pouco mais de 100 mil jovens de 15 anos, um número semelhante ao relatado em Portugal e na Grécia, países com menos da metade da população de Xangai.

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MEC: mais do mesmo com Paim

Mais do mesmo. Daniel Cara analisa a saída de Mercadante:

“Diante desse quadro, a tendência no MEC é a da menor mudança possível. Por isso, e por conhecer e confiar em seu trabalho, a presidenta Dilma Rousseff deve alçar o secretário-executivo da pasta, José Henrique Paim Fernandes, ao posto de titular do Ministério da Educação. Se confirmado no cargo, pouca coisa muda. Diante das demandas e atribuições políticas de Aloizio Mercadante junto ao Palácio do Planalto, Paim já vinha liderando o MEC nos últimos meses.”

Texto completo aqui.

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Mercadante: mais um…

Mercadante sairá do Ministério da Educação para ir para a Casa Civil, lugar que sempre quis e nunca pode ter. Seus planos estão ligados à sucessão do segundo mandato de Dilma, se existir. Deve ter papel importante na condução da campanha para um segundo mandado de Dilma de olho no próximo governo. Político nato, faz um passagem pífia junto ao MEC. Quem se lembra de seu discurso de posse? Só a complacência da CNTE e das entidades educacionais nacionais pode justificar esta paralisia. Final melancólico para o primeiro governo Dilma.

“Em seu discurso de posse como ministro da Educação, Aloizio Mercadante (PT) disse: `Devemos nos contentar com programas incrementais ou devemos ousar, inovar e dar salto de qualidade? Temos de dar o salto. A hora é agora`.

Dois anos depois, o que se sobressai são programas incrementais e melhoria na execução de projetos herdados. Não houve ações estruturantes que atacassem os grandes gargalos, como a baixa qualidade do ensino médio ou a baixa atratividade do magistério.”

Veja análise aqui.

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USA: notícias da matriz

Se isso ocorre na matriz americana dos reformadores empresariais onde têm um grande controle, ainda resta uma esperança para a educação. Bob Jindal é um governador que compra radicalmente as ideias dos reformadores empresariais.

“É sempre surpreendente ser lembrado de que o Estado de Direito ainda existe em Louisiana, apesar do comando autoritário do governador Bobby Jindal.

Mas ele existe! Tribunais de Louisiana julgaram o financiamento do programa de voucher, usando o dinheiro dedicado às escolas públicas, inconstitucional. Os tribunais consideraram que a lei de Jindal retirando dos professores todos os direitos legais e proteções é inconstitucional porque incluía muitos assuntos em um projeto de lei.

E agora, milagre dos milagres, a Fourth Circuit Court of Appeal de Louisiana decidiu que os 7.000 professores que foram demitidos após a devastação do furacão Katrina foram injustamente demitidos e têm direito a salários atrasados.”

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Avaliação do professor por valor agregado

Relatório da ETS continua a questionar os modelos de valor agregado que tentam avaliar o professor baseados em resultados de testes de proficiência feitos com estudantes para os quais os professores dão aula.

Veja aqui (em inglês).

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Indicação de leitura

Especialmente indicado para economistas em trânsito pela área da educação, “Drive” escrito por Daniel H. Spink mostra porque a motivação não está na dependência do dinheiro e aponta os reais fatores que motivam as pessoas a fazer um bom trabalho.

Também indicado para amantes da meritocracia, pagamento de bônus para professores, especialistas em cálculo de valor agregado (VAM), estatísticos, entre outros.

Educadores profissionais não encontrarão muita novidade no livro.

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Economistas estão sem assunto

Cansados de estudar a “inflação”, os economistas estão sem muito assunto e, segundo a Folha de SP (12-01-14) “uma nova geração de economistas chega à maturidade mais interessada em estudar como a educação e as instituições interferem no desenvolvimento…”.

Ela se deu o trabalho de selecionar dez jovens economistas que dizem não estar interessados em cargos no Ministério da Fazenda e nem no “fla-flu” do pensamento econômico entre heterodoxos e ortodoxos.

Deve ser verdade. Podemos citar cerca de 10 jovens economistas desocupados em suas áreas e que atualmente ocupam cargo de Secretário de Educação dirigindo uma área da qual não entendem e tentando transferir para elas formas de análise que já demonstraram que não conseguem resolver o “fla-flu” do pensamento econômico.

A inclinação por tratar a educação como sub-área da economia de forma isolada é comprovada pelo fato de que a Folha de São Paulo divulga o tema da educação no caderno “Mercado” e não no da “Cultura”. As áreas são hoje cada vez mais interdisciplinares. Mas é difícil falar em interdisciplinaridade com deuses. Aliás, existem dois profissionais que se comportam como deuses: físicos e economistas. Todas as outras ciências, na visão deles, são um desdobramento destas. Tem até nome esta corrente: positivismo. E é antigo. Isolados em suas contas, os economistas acabam não dando conta da Educação e transferindo os problemas para as áreas em que migram.

Outro economista a quem critiquei em matéria recente neste Blog, Samuel Pessôa, volta hoje à Folha de São Paulo para se corrigir. Título da matéria: “Educação não é tudo”. Na matéria ele recoloca sua visão de produtividade, alertando que, sim, ele concorda em que a educação não é o único fator determinante da produtividade, como seu artigo anterior sugeriu. Isso melhora um pouco, mas não elimina os outros equívocos daquela matéria.

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