Maranhão: privatização de presídios

A privatização tem como uma de suas áreas de interesse os presídios, na área de segurança. Em alguns países, prisões são operadas por concessão a gestores privados. Recentemente, o país foi sacudido pelos acontecimentos no interior dos presídios do Maranhão. Lá as verbas para a privatização de presídios aumentoaram 163% em relação a 2011. Desde 2009, primeiro ano da administração de Roseana Sarney, o gasto total do governo maranhense com empresas privadas de segurança passou de R$ 10,1 milhões para R$ 88,7 milhões no ano passado – crescimento de 778%.

Os resultados desta privatização precisam sem avaliados, pois eles podem estar na raiz dos trágicos acontecimentos maranhenses:

“A terceirização nos presídios é apontada pelo sindicato dos agentes penitenciários e pela oposição como uma das causas da barbárie no sistema carcerário do Maranhão.

Responsável por fornecer os guardas que fazem a segurança armada dos presídios, a Atlântica recebeu, em 2013, R$ 7,6 milhões da Secretaria de Justiça e Administração Penitenciária (Sejap). Um ano antes, o valor era exatamente a metade: R$ 3,8 milhões. Ano passado, a Atlântica também tinha contratos com outros quatro órgãos estaduais e recebeu no total R$ 12,9 milhões do governo maranhense.”

Veja matéria aqui.

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“Educação e produtividade”: para se divertir…

Eu costumo ler a Folha em momentos em que, imobilizado pelas necessidades de manutenção do corpo, não posso fazer outra coisa ou então para me divertir. Você também pode começar seu dia de hoje, 5-01-14, dando boas risadas lendo o artigo da Folha de São Paulo na página A17 que trata sobre “Educação e produtividade”.

O texto escrito por Samuel Pessôa, economista da FGV, mostra com clareza a filosofia dos reformadores empresariais da educação. Trata-se fundamentalmente da relação entre a qualidade da educação e o aumento da produtividade. Todos sabemos que produtividade é um índice que é produto de uma variada gama de fatores. Mas este economista da FGV reduziu tudo a uma variável: educação. Devia concorrer ao premio nobel.

Muitas vezes disse neste blog ser esta a principal preocupação dos reformadores. Eles não estão interessados na formação humana – isso é um brinde para esforçados. O cerne da proposta educacional pode ser lida no destaque que aparece no texto: Diz ele: “Saber bem as quatro operações e ler com rapidez, por exemplo, torna mais produtivo o trabalhador”.

É o básico que é focado. E um básico instrumental, destinado a produzir mais. Como liberal, ele deve achar que se o trabalhador produz mais, ganha mais e vive melhor. Mas são os próprios economistas, como já indiquei aqui, que divergem dele. Primeiro porque a função da educação para a produtividade é aumentar o número de pessoas disponíveis e aptos para trabalhar em determinadas atividades e com isso, pela lei da oferta e procura, os salários tendem, em média, a ser menores – mesmo que para um indivíduo específico até possa aumentar.

A explicação desta aparente contradição está dada no próprio texto do autor quando diz que “No limite, como ocorre nos Estados Unidos, um trabalhador em uma drogaria consegue fazer o trabalho de vários balconistas brasileiros. Possivelmente o salário será bem maior”. Mas, na média, tendo demitido vários trabalhadores, a massa salarial cai e dá para dar um pequeno aumento a quem fica e ainda turbinar os lucros. Aquilo que à primeira vista é pintado como um grande bem para aquele que estudou as quatro operações, aumento salarial, é feito às custas da demissão de outros que tornam-se supérfluos – ou pela tecnologia ou pelo desempenho de outros. O aumento salarial dado a um indivíduo é compensado na média geral dos gastos com recursos humanos das empresas, o qual diminui. (Ver aqui também.) Daí o aumento da produtividade defendido pelo autor.

O foco é sempre este: produtividade. Isso significa menos gente fazendo mais coisas a um salário, em média, menor, maximizando lucros. É claro que este não pode ser o objetivo da educação, pois é estreito demais, vinculando a preparação da juventude apenas ao aumento da produtividade.

Mas note como é interessante a lógica dos reformadores. Ele diz: “A dificuldade que temos de reconhecer essa ligação deve-se a uma visão muito estreita do papel da educação”. Pasme! Nós somos os estreitos!! O indivíduo só pensa naquilo: produtividade. Nós defendemos a educação para a formação humana, ampla – incluída nela a preparação para o trabalho. E nós é que temos visão estreita!!

O autor, para sustentar sua posição, tem que citar algum outro autor que corrobore “cientificamente” a proposta de relação entre educação e produtividade feita por ele. Seu autor preferido é Eric Hanushek, um reformador empresarial americano, economista, que usa modelagens para fazer predições. Uma delas, por exemplo, propõe que se demitirmos 10% dos piores professores, os Estados Unidos aumentariam em bilhões a geração de riqueza das futuras gerações. Mas todos estes malabarismos estatísticos não são comprováveis. São especulações feitas com ajuda de modelos matemáticos e estatísticos que servem mais para impressionar do que para produzir política pública válida.

Samuel Pessoa afirma, por exemplo, que atualmente o desempenho dos estudantes medidos em testes padronizados são o melhor preditor de aumento de produtividade – diz ele:  “… a variável importante para determinar a relação entre crescimento econômico e educação não é a quantidade de educação (escolaridade média) mas, sim, a qualidade, medida pelo desempenho de estudantes em provas padronizadas”.

Mas nem todos pensam assim no mundo da economia e muito menos no mundo dos educadores profissionais. Já mostrei aqui os estudos de Levin, um economista, que afirma, contrariamente a Hanusek e a Samuel Pessoa que não são os testes padronizados que indicam a possibilidade de maior sucesso econômico de um país. Os testes padronizados não medem habilidades intra e interpessoais que Levin considera fundamental, junto com a capacidade de criação, de produzir inovações – pedra angular da empresa contemporânea.

“O mais importante nas próximas décadas é a extensão em que vamos cultivar a criatividade, a engenhosidade, a curiosidade, a inovação e formas de pensar de forma diferentes. Estas qualidades têm produzido a genialidade da cultura americana. Essas características não são medidas por testes padronizados. Os alunos que aprendem a selecionar quadradinhos em uma questão de múltipla escolha não serão os inventores e inovadores do futuro.”

Ou seja, Samuel Pessoa é um replicador da ideologia dos reformadores empresariais da matriz americana e nem se dá ao trabalho de olhar para os estudos que se contrapõem às suas afirmações. Isso porque a reforma proposta por eles é ideológica e não tem nada com ciência. É na verdade “junk science” – má ciência.

Mas este é o poder da mídia. O autor do artigo faz afirmações sem ter a responsabilidade de argumentar com dados que correspondam à complexidade da matéria e ao sentido tendencial dos dados no conjunto das pesquisas disponíveis na literatura; por outro lado, o Jornal, diz que não se responsabiliza pelo que seus convidados escrevem. A desinformação prevalece e os objetivos ideológicos são atingidos. E a vida segue…

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Sem limite…

Fundações estão apropriando-se de dados individuais dos estudantes nos Estados Unidos para construir um grande banco de dados sobre seus estudantes. Isso configura violação da privacidade. Dados de testes, frequência e outros constituiriam tal banco que poderia ser acessado inclusive por empregadores e empresas. A vida acadêmica dos estudantes ficaria indelevelmente marcada em seu futuro, afetando suas oportunidades de desenvolvimento e crescimento, bem como emprego.

No Brasil o processamento independente de dados dos governos por instituições privadas tem aumentado e será necessário estarmos atentos para analisar quais dados de nossos estudantes estão sendo distribuídos pelos governos para fundações e para a mídia. O Qedu, por exemplo, é um Banco de Dados apoiado pela Meritt e pela Fundação Lemann (Ambev) que representa uma iniciativa de disponibilizar dados para análise da educação brasileira. Isso é útil, mas tem que ser devidamente acompanhado para evitar os excessos que estamos vendo nos Estados Unidos.

Mais importante ainda: a terceirização de ações pedagógicas dentro dos sistemas de ensino (empresas de consultoria, avaliação e outras) faz com que grande quantidade de dados dos estudantes seja armazenada em servidores e sistemas privados, oriundos da própria terceirizada, a qual detém a vida escolar dos estudantes.

Nos Estados Unidos a questão já está sendo motivo de protestos.

“Preocupações com a privacidade têm crescido devido a um banco de dados de 100,000 mil dólares – em grande parte financiado pela Fundação Bill & Melinda Gates e operado por uma organização sem fins lucrativos, inBloom Inc. – que contém informações detalhadas sobre milhões de estudantes. A maioria dos estados que se inscreveram para participar de um programa piloto recuaram, e em Nova York, os pais e os educadores reagiram com protestos e uma ação judicial. A organização sem fins lucrativos Electronic Privacy Information Center processou o Departamento de Educação dos EUA pelo banco de dados.”

“Nomes, endereços de e-mail (e de rua) e números de telefone devem ser enviados. Escolas são obrigadas a enviar a frequência dos alunos, juntamente com os seus códigos, que indicam muito mais do que se o aluno estava ou não ausente ou presente. Códigos indicam se um aluno está doente, ocioso, atrasado para a escola ou suspenso. Os detalhes sobre a vida dos estudantes estão se movendo para além dos muros da escola para residir na nuvem da inBloom.”

Leia matéria aqui.

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Indicações de leitura

Seguem duas sugestões de leitura de livros escritos por John Kuhn, feitas por Diane Ravitch:

John Kuhn, Teste e punição: como o modelo de educação do Texas deu à América uma accountability sem equidade (versão Kindle na Amazon).

John Kuhn, Medo e aprendizagem: dados ruins, bons professores e o ataque à educação pública (será lançado no próximo mês mas pode ser encomendado por pre-order na Amazon);

Estas leituras são importantes para conhecermos os meios pelos quais operam os reformadores empresariais e suas consequências.

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Chile: Bachelet inicia definição de equipe

Outro baluarte clássico dos reformadores empresariais começa a ser reposicionado também. É o caso do Chile.

Há alguns dias que Bachelet vem discutindo a formação de sua equipe de governo. Em sua fala comemorando sua vitória deixa claro a manutenção de seu compromisso com a educação gratuita:

“Não há dúvida: os lucros não podem ser o motor por trás da educação, porque a educação não é uma mercadoria, e porque os sonhos não são um bem de consumo.”

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New York: De Blasio indica Carmen Farina

Confirmada a indicação de uma educadora profissional para a Secretaria de Educação da Prefeitura da Cidade de Nova York. Acaba a era Bloomberg e com ela a ênfase nos testes padronizados, avaliações excessivas e outras iniciativas instaladas nos últimos 12 anos pelos reformadores empresariais daquela cidade.

A mudança é uma perda irreparável para as teses dos reformadores amplamente difundidas e copiadas no Brasil, em especial depois de 2007. Toda a política de bônus do Estado de São Paulo foi inspirada nos experimentos de Nova York. Mesmo sob Bloomberg ela já havia sido interrompida e agora está enterrada de vez.

Em seu blog Diane Ravitch saudou a indicação dizendo:

“É um novo dia para Nova York. A era de punir, responsabilizar e envergonhar educadores profissionais acabou. De Blasio anunciou que vai desfazer imediatamente o sistema de classificação A-F para escolas, que o prefeito Bloomberg copiou do governador Jeb Bush. Ele iniciará uma moratória sobre o fechamento de escolas e co-locações para charters. Fique atento para mais mudanças. Esta é uma grande mudança, não só para a cidade de Nova York, mas para a nação.”

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New York: novo Secretário de Educação

Depois de passar por Linda Darling Hammond, sua primeira opção para a Secretaria de Educação da Cidade de Nova York (Stanford University) e considerar outros profissionais como Kathleen Cashin (membro do New York State Board of Regents) e por Joshua Starr, Secretário de Educação de Montgomery County e que ficou conhecido por afirmar que o pais precisa de uma moratória de três anos nos testes padronizados, finalmente tudo aponta para que a indicada de De Blasio, novo Prefeito de Nova York, seja mesmo Carmen Farina (70 anos) que trabalhou por décadas sendo professora e diretora e aposentou-se em 2006.

Darling Hammond é uma crítica dos reformadores empresariais que não precisa de apresentação. Joshua Starr, por exemplo, afirmou recentemente que: “o país precisa de uma moratória de três anos em testes padronizados e precisa “parar a loucura” de avaliar os professores de acordo com as notas dos alunos, porque isso se baseia em “má ciência”.” Ou seja, é contra tudo que Nova York faz hoje.

A série de sondagens feitas por De Blasio indica que ele está disposto a implementar seu programa o que interromperia a frenética aplicação das teses dos reformadores empresariais na Cidade de Nova York iniciada com John Klein e que continuou durante os 12 anos em que Bloomberg ocupou a Prefeitura da cidade. Farina chegou a trabalhar com Klein mas retirou-se do governo.

De Blasio acha que Nova York tem testes padronizados demais e que já tem muita escola charter no sistema educacional da cidade. Elas deverão passar a pagar aluguel pelos prédios públicos que ocupam e que até agora eram cedidos gratuitamente pela Prefeitura.

Confirmada a nomeação, reverte-se a tendência de buscar “pop stars” entre reformadores empresariais para administrar a educação de Nova York.

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Chile: efeitos da privatização

Para se conhecer melhor os efeitos das políticas públicas privatistas no Chile, aqui vai um estudo de  Javier Campos Martinez: “Las desigualdades educativas en Chile” (2010).

“En el presente trabajo se presentan desigualdades, a pesar de existir formalmente condiciones de acceso e inclusión educativa que corresponden a un país desarrollado. Existen destinos claramente diferenciados según la trayectoria educativa y el tipo de sistema al que se acceda; en este sentido el sistema educativo nacional posee un carácter ‘reproduccionista’ que se adiciona a la matriz social, sin provocar grandes perturbaciones a la misma. El sistema educativo más que un medio de movilidad social, se ha transformado en un mecanismo de selección que ratifica y naturaliza el status quo. El impacto sobre la movilidad y la vinculación social es mínimo, a pesar de las esperanzas que la población le deposita. La segmentación existente cruza todos los actores del sistema educativo: familias, estudiantes y docentes, lo que genera importantes consecuencias subjetivas en la población general, definidas como patologías del vínculo social y relacionadas con el miedo al otro, al pobre, al extraño. Consecuencia de la desintegración social, la desvinculación territorial y la segregación espacial, en el apartado sobre educación primaria mostramos gráficamente con el ejemplo de Santiago la cualidad de este fenómeno.”

Leia o estudo completo aquí.

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Escolas administradas por concessão privada

Uma das formas de privatização mais frequentes é a adoção, nos Estados Unidos, das chamadas escolas charters. Não são nada mais do que escolas públicas operadas por concessão à iniciativa privada, ou dito de outra forma, são escolas públicas geridas privadamente. O modelo aqui está sendo usado na saúde e nos aeroportos, entre outros espaços públicos. Na educação brasileira é mais frequente na educação infantil e agora já atinge o ensino médio.

Mark Naison indaga se tal forma de privatização tem conduzido a uma melhoria na educação americana. Diz ele:

 “É hora de fazermos algumas perguntas difíceis. Nos últimos seis anos, têm as escolas charters:

1 . Reduzido a diferença no desempenho educacional entre raças e classes sociais, se medida por resultados dos testes, as taxas de conclusão do ensino secundário, taxas de conclusão da faculdade ou medidas mais holísticas?

2 . Ajudado a estabilizar e melhorar os bairros da cidade e protegê-los da gentrificação, deslocamento e inversão demográfica (movendo os pobres das cidades para os subúrbios)?

3 . Criado um quadro estável de professores comprometidos e talentosos em comunidades urbanas, muitos dos quais vivendo nas comunidades que ensinam?

4 . Ajudado a reduzir a violência escolar da vizinhança ou interromper a linha direta escola-prisão de alguma forma relevante?

Se a resposta a todas ou à maioria dessas perguntas é não (e é), os defensores da educação pública precisam ter uma conversa honesta com a comunidade de direitos civis sobre as escolas charters, compreender a base de apoio da comunidade a essas escolas, enquanto respeitosamente apontam como os interesses imobiliários, especuladores e políticos ambiciosos se apossaram do que começou como um experimento, transformando-o em uma política de terra arrasada que pode muito bem estar fazendo mais mal do que bem.”

No Brasil a experiência com escolas charters iniciou-se no Estado de Pernambuco e está agora estendendo-se para São Paulo. Sobre a iniciativa em Pernambuco escrevi neste blog várias vezes. Sobre São Paulo escrevi aqui.

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Para ficar esperto com números…

Fique esperto com números. A manipulação destes é frequente, em especial no campo da avaliação. Como alerta, segue matéria de Luis Nassif comentando manipulação de dados com o comércio de natal.

Como os jornalões estragaram um natal surpreendente…

por Luis Nassif — publicado 27/12/2013

Leia aqui.

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Nossa curva é outra

A relação pobreza/mau desempenho é bastante conhecida e investigada ao redor do mundo. Em geral, os pesquisadores concordam em que elas são variáveis associadas. Em geral, novamente, mau desempenho acompanha a pobreza e vice-versa. Dito de outra forma, quanto maior é a pobreza, maior é a probabilidade de insucesso escolar.

Os reformadores empresariais reconhecem isso. Mas… pensam que a escola pode suplantar a pobreza com a sua ação eficaz. Daí sua ênfase na figura do professor como aquele que vai ajudar a superar a condição da criança. Baseiam-se em experiências exitosas isoladas as quais elevam à categoria de comprovação de sua tese.

Os reformadores empresariais são por excelência, liberais. Qualquer um que estudou esta proposta social sabe que ela propõe que todos tenham apenas igualdade de oportunidades. Não pode ir além disso. Não está em seu ideário a igualdade de resultados – nem mesmo acadêmicos, quanto mais econômico-sociais. A palavra chave da ideologia liberal chama-se: esforço pessoal. Isso conduziria ao sucesso. Transliterado para a ação da escola, professores deveriam ser bons estimuladores e motivadores de seus estudantes para que eles, apoiados em esforço pessoal, fossem então bem sucedidos. Claro: como as pessoas não são iguais, também os resultados não seriam iguais. Mas… tiveram oportunidade.

A curva normal é a representação perfeita da ideologia liberal: 20% abaixo da média; 60% em torno da média, e 20% acima da média – ou algo próximo disso. O “desvio padrão” posiciona cada um no seu lugar (positiva ou negativamente em relação à média). Através deste conceito, a vida é compreendida como uma dedução “normal” destas distâncias que situa as pessoas em suas variadas posições acadêmicas, econômicas e sociais, produto de seu esforço pessoal.

 Os liberais são os detentores do poder econômico e social em nossa sociedade. Advogam em causa própria. De sua posição de bem sucedidos, contemplam os demais não tão bem sucedidos e os medem pelo seu próprio “esforço pessoal”. Quanto de fato foi esforço pessoal próprio é esclarecido pela obra de variados autores da sociologia, incluindo Bourdieu.

Curiosamente, é em nome da curva normal – que orienta a elaboração dos testes padronizados aplicados nas escolas – que os liberais avaliam a atuação das redes de ensino e emitem seus vereditos expressos nos ranqueamentos. Como bem explica Diane Ravitch abaixo, a curva normal não é indutora de equidade pela sua própria natureza. Como também já apontou Bloom há 42 anos, ela não é uma boa representação do fenômeno educacional, pois o que se quer é igualdade de resultados, ou seja, algo começando com 100% acima do ponto médio, aumentando positivamente e gradativamente a cada desvio padrão, com concentração na ponta extrema, após algum tempo. 95% das crianças que estão na escola podem aprender tudo se lhes dermos o tempo que precisam e os meios adequados. A ideia dos ciclos de formação tem este embrião em sua base.

Esta é a exigência que falta aos liberais e aos reformadores empresariais. A eficácia que pregam é a da curva normal. Não serve. Pois ela distribui os desempenhos e é ela que está na base dos testes padronizados utilizados. Em educação, não há curva normal. Todos devem aprender tudo a seu tempo.

Mas voltando à questão da relação pobreza/desempenho, é interessante ver abaixo a resposta de Diane Ravitch a esta questão, respondendo a um leitor de seu Blog:

“Primeiro, ele se opõe à minha afirmação de que a pobreza é o mais importante preditor de mau desempenho escolar, mesmo que ela seja empiricamente precisa. Ele afirma que estou dando desculpas para o mau ensino e que eu estou dizendo que não podemos melhorar as escolas até eliminar a pobreza. Mas, no meu livro, eu deixo claro que devemos tanto reduzir a pobreza como melhorar as escolas, não escolher um antes do outro. Ele diz que os professores não podem reduzir a pobreza, não podem reduzir o tamanho das turmas, não podem controlar quem inclui aulas de artes, e não têm controle sobre as circunstâncias externas. Isso é verdade, mas ele não parece perceber que o meu livro não foi escrito como um guia para o professor, mas como um guia para a política nacional e estadual. Os formuladores de políticas podem controlar o tamanho das turmas; podem controlar os recursos; podem tomar decisões para melhorar a vida das crianças e ajudar as famílias a sair da pobreza, ou podem dar de ombros e dizer “deixe que as escolas façam isso.” Não há nenhum país do mundo onde a reforma da escola acabou com a pobreza, e nem a reforma da escola vai acabar com isso aqui. Ele não parece entender que eu estou tentando abrir as mentes dos congressistas, senadores, funcionários de gabinete, governadores e Legislativos Estaduais; que eu quero que eles tomem medidas para melhorar a vida das crianças e das famílias, e eu quero que eles entendam que eles não devem cortar os postos de trabalho dos bibliotecários e enfermeiros e aumentar o tamanho das turmas, e que eles não devem amarrar a remuneração dos professores a resultados de testes. Concordo em que os professores fazem uma diferença enorme na vida das crianças, mas eu quero que ele reconheça que o jogo está contra as crianças pobres. É marcado pelas circunstâncias, e é marcado pela dependência obsessiva de nossas escolas por testes padronizados. Testes padronizados são baseados na curva normal. A curva normal não produz igualdade de oportunidades educacionais. Ela favorece a vantagem sobre os mais desfavorecidos. Nós, como sociedade, temos a obrigação de fazer algo sobre isso.”

Portanto, se de fato queremos combater a reprovação, se queremos favorecer a equidade, temos que começar por uma crítica a um conceito estatístico que não se adequa ao fenômeno educativo: a própria curva normal que está na base dos testes padronizados. Não dá para ser contra a reprovação do aluno e ser ao mesmo tempo a favor dos testes padronizadas com ranqueamento de escolas e distribuição de bônus. O ranqueamento de escolas é só uma extensão da mesma lógica do ranqueamento dos estudantes (dentro ou fora da sala de aula), pretensamente negado por quem prega a não reprovação do aluno, mas defende os ranqueamentos de escola e professores regados a bônus. Testes padronizados só devem ser amostrais e para orientar a política pública e não para avaliar escolas, professores e alunos.

Não lidamos com sacas de café, plantio de batata ou produção de pregos. Lidamos com a formação humana a qual deve ser a mais elevada para todos e não elevada “em média”. Esta é a exigência que temos que ter e não a exigência de escalas de proficiência que oficializam a falta de equidade. Não queremos a “garantia de aprender o básico” para depois talvez aprender o “não básico”, mas que é, de fato, o definidor do sucesso na sociedade. Não queremos o discurso da equidade associado às escalas de proficiência que acolhem a não equidade acadêmica. Não basta ser contra a reprovação e a favor do ranqueamento em escalas. Aprovar escalonadamente é ocultar o não ensino no discurso da não reprovação. Não queremos substituir a nota de 0-10 pela localização do aluno em escalas de proficiência igualmente segregadoras. Nossa curva é outra.

Pobreza/reprovação/desempenho estão associados. Por que não colocarmos metas anuais para a redução da pobreza? Melhor ainda, por que não um ranqueamento de municípios e estados pela pobreza (não falo do IDH) seguido de uma Lei de Responsabilidade Social que obrigue o cumprimento destas metas?

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Final de ano

A todos os que nos acompanharam por este blog, desejamos um excelente final de ano e um grande 2014, lutando pela escola pública e contra o uso do campo da avaliação para justificar a privatização do público e a desmoralização do magistério.

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USA: ranqueamento do IMPACT contém erros

Valerie Strauss divulgou hoje erros encontrados no ranqueamento dos professores de Washington, feito por cálculo de valor agregado. Pelo menos 35% dos salários dos professores está baseado nestes resultados – já foram 50% nos tempos da reformadora empresarial Michelle Rhee. Ela inventou este sistema de avaliação de professores que é conhecido com o nome de IMPACT.

Já escrevi sobre ele aqui. O Secretário de Educação do Rio, Risolia, estava testando o sistema com os professores no Estado.

Vejamos o que está ocorrendo lá pela matriz que já usa o sistema desde 2009:

“Erros foram encontrados na forma como algumas avaliações dos professores foram feitas no período 2012-2013, de acordo com uma carta do presidente do Sindicato dos Professores de Washington, Elizabeth A. Davis, para a Secretária de Educação de Washington DC  Kaya Henderson.

Não está claro quantos professores estão envolvidos ou qual a gravidade dos erros, mas o sindicato está pedindo à Secretária para obter informações sobre os erros que foram encontrados por Mathematica Policy Research, um parceiro do sistema escolar. Os erros foram encontrados em pontuações de “valor agregado” individual dos professores, que são calculados através de uma fórmula complicada, que inclui o resultado de testes padronizados dos estudantes. Esta fórmula “VAM” é parte do sistema de avaliação chamado IMPACT, iniciado pelo ex-secretária Michelle Rhee, em 2009. Henderson, sucessora de Rhee, continuou com o sistema IMPACT, embora este ano, ela tenha reduzido a quantidade de peso dado a estes testes de 50 por cento, para pelo menos 35 por cento.”

Não sei como anda o ensaio de Risolia com este sistema IMPACT, mas é preciso que o sindicato desconfie dos ranqueamentos se eles estão existindo. Contratem estatísticos, exijam a divulgação dos microdados dos testes e das fórmulas usadas. Recalculem – encontrarão variações. Como já divulgamos aqui inúmeras vezes, a fórmula de valor agregado é instável.

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USA: politicagens referendadas por “estatísticas”

Diane Ravitch divulga hoje informações sobre os escândalos em New Orleans, tida como a reforma empresarial de sucesso nos Estados Unidos – imposta depois do furação Katrina ter liquidado a cidade. Ela diz:

“Mercedes Schneider foi convidada a depor a um comitê legislativo de Michigan sobre o suposto “milagre de New Orleans”, que ela explica é, na verdade, uma miragem. Além de apresentar seus pontos de vista em um vídeo de cinco minutos, ela fez um vídeo de dez minutos especificamente dirigido aos pais em Michigan. Ela explica o que está acontecendo em Louisiana, a manipulação de dados, os jogos políticos envolvendo estatísticas para reforçar a privatização.
Se você quer conhecer Mercedes Schneider, assista aos vídeos.
Mercedes ensina Inglês em Louisiana e ela tem um Ph.D. em métodos de pesquisa. Ela também não tem medo, o que é incomum nos dias de hoje.”

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Nota mais alta em testes significa habilidade cognitiva alta?

“Para avaliar a qualidade da escola, estados exigem que os alunos façam testes padronizados, em muitos casos, passando nos testes é suficiente para obter um diploma do ensino médio. Estes testes de alto impacto também foram elaborados para prever o futuro sucesso escolar dos alunos, bem como sua empregabilidade quando adultos e sua renda.

Em um estudo com cerca de 1.400 estudantes da oitava série no sistema escolar público de Boston, os pesquisadores descobriram que algumas escolas têm aumentado com sucesso a pontuação de seus alunos no Sistema de Avaliação Compreensiva de Massachusetts (MCAS). No entanto, essas escolas não tiveram quase nenhum efeito sobre o desempenho dos alunos nos testes de habilidades de inteligência fluida, como a capacidade de trabalho com a memória, velocidade de processamento de informação e capacidade de resolver problemas abstratos.”

Veja matéria aqui.

Leia o estudo Cognitive Skills, Student Achievement Tests, and Schools aqui.

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Suécia: modelo de privatização em cheque

“ESTOCOLMO (Reuters) – Quando uma das maiores empresas privadas de educação da Suécia foi à falência no início deste ano, ela deixou 11.000 estudantes na mão e fez Estocolmo repensar sua reforma de mercado pioneira do sistema de escolas públicas.

Paralisações escolares e piora dos resultados roubaram o brilho de um modelo de educação admirado e imitado em todo o mundo, na Grã-Bretanha, em particular.”

Veja matéria aqui.

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Bônus: nunca funciona e nunca morre

Estudo mostra que pagamento de bônus para professores não tem impacto no desempenho dos estudantes. É só para lembrar a galera entusiasta dos bônus…

Resumo do estudo

“Fornecer incentivos financeiros aos professores para aumentar o desempenho dos alunos é cada vez mais uma política de educação popular em todo o mundo. Este artigo descreve um estudo randomizado com mais de duzentas escolas públicas de Nova York projetado para entender melhor o impacto de incentivos dados ao professor no desempenho do aluno. Não encontrei nenhuma evidência de que os incentivos dados aos professores aumentasse o desempenho do estudante, a assiduidade, ou a sua graduação, nem foi encontrada qualquer evidência de que os incentivos mudem o comportamento do estudante ou dos professores. Se alguma coisa foi possível encontrar é que os incentivos dados aos professores pode diminuir o desempenho dos estudantes especialmente nas escolas maiores. O artigo conclui com uma discussão especulativa de teorias que podem explicar esses resultados.”

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PISA sob ataque

“O professor Svend Kreiner, um estatístico da Universidade de Copenhague na Dinamarca, disse que um modelo impróprio é usado para calcular o ranking do Pisa a cada três anos. Em um artigo publicado este verão, ele desafia a confiabilidade do Pisa e mostra como ele flutua significativamente de acordo com as perguntas do teste que são usadas. Ele revela como, no ranking de leitura de 2006, o Canadá poderia ter sido colocado em qualquer lugar entre o segundo e o 25, o Japão entre oitavo e 40 e o Reino Unido entre o décimo quarto e o 30.

O Dr. Hugh Morrison, do Queens University Belfast, na Irlanda do Norte, vai mais longe dizendo que o modelo do Pisa utilizado para calcular o ranking é, em seus próprios termos, “totalmente errado”, porque contém um “profundo” erro conceitual. Por esta razão, argumenta o matemático, o “Pisa nunca funciona”.

Veja matéria aqui.

É bom parar com este colonialismo cultural brasileiro do PISA, antes que passemos vergonha…

Estudos de Svend Kreiner.

Estudos de Hugh Morrison.

Mais estudos de outros autores.

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Privatização também avança na esfera federal

Mais um golpe na educação pública foi concretizado hoje no Senado Federal. Veja que é sempre o legislativo (a mando ou não dos governos) que faz o trabalho de induzir a privatização.

“De acordo com a nova redação, em vez de obrigar o governo federal a investir em educação pública, o texto do PNE aprovado no Senado exige investimento público em educação.  De um modo geral, a troca de alguns trechos fez com que o Estado pudesse incluir no orçamento da educação verbas de programas que incluem parcerias com entidades privadas.

“Hoje o PNE foi gravemente desconstruído pelo Senado Federal. O texto tanto diminui o recurso para educação pública como o governo não vai ter a obrigação de criar uma matrícula nova no ensino técnico nem no ensino superior”, afirma Daniel Cara, coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação e colunista do UOL Educação.”

Matéria completa aqui.

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Privatização avança pelos municípios

O município de Santos no Estado de São Paulo aprovou o repasse de recursos da Saúde para organizações sociais administrarem a estrutura pública da cidade.

“Mesmo com forte pressão dos servidores contrários a decisão, os vereadores de Santos aprovaram, nesta segunda-feira (16), o projeto de lei de autoria do prefeito Paulo Alexandre Barbosa que permite o gerenciamento de equipamentos públicos municipais por organizações sociais (OSs)
O projeto teve 14 votos a favor, 5 votos contrários e uma abstenção. A sessão extraordinária desta tarde teve duração de 1h30 e foi interrompida por pelo menos duas vezes. Um dos momentos mais tensos foi a queda de um manifestante na plenária.”

Veja matéria completa aqui.

Se é possível na saúde, por que não na educação?

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Retrocesso na Espanha

Espanha tem manifestações contra a nova lei da educação proposta pelo Ministro José Wert. A lei permite que os diretores (indicados) possam contratar diretamente os professores, entre outros aspectos como o aumento de avaliações externas.

A nova lei inclui, segundo resumo divulgado por Carta Maior:

  1. Primazia do castelhano: O governo espanhol determina os conteúdos e as horas letivas da cadeira de língua castelhana que é considerada primordial. O basco é relegado à condição de matéria de especialidade (ao mesmo nível que a educação física).
  2. Centralização: mais controle do Ministério. As comunidades autônomas só poderão decidir os conteúdos e horários das matérias chamadas específicas (educação física, música). O governo central decide 65% a 75% dos conteúdos.
  3. Peso da religião católica. Religião passa a ser uma matéria de especialidade, contará para a nota média e terá em horas a média do resto das matérias. Deixa de existir a Educação para a Cidadania e estabelece-se uma alternativa à Religião: Valores culturais e sociais, na primária, e Valores éticos, no secundário.
  4. Avaliações: Passa a haver várias avaliações externas – exames preparados e corrigidos fora do centro e que os alunos terão de ser aprovados para passar de ciclo. As universidades também poderão fazer provas de acesso.
  5. Escola menos participativa: o peso do Conselho Escolar (formado por diferentes agentes da comunidade educativa) passa a ser meramente consultivo, perdendo a força que tinha.
  6. Reforço do papel do diretor: os diretores de centros serão nomeados pelo governo, aumentando-se assim o controle institucional dos centros. Os diretores poderão contratar diretamente os professores.
  7. Condições laborais: aumenta o horário letivo dos professores. Sobe em dez por cento o número de alunos por turma.
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Chile: Bachelet é eleita

Bachelet é a nova presidenta do Chile com uma votação recorde: 63% dos votos. Piñeira sofre uma grande derrota e com ela a visão privatista de educação chilena. Nos planos de Bachelet está a criação de uma sistema educacional público e gratuito em atenção às manifestações de estudantes massivas que ocorreram naquele país recentemente.

O Chile é hoje um país marcadamente segregado socialmente, fruto das políticas que tiveram sua origem nos anos Pinochet.

O movimento anti-privatista tem razões para comemorar: cai Nova York e cai Chile. Estes dois locais foram até agora peças importantes nas mãos de governos que incentivaram e testaram à exaustão as teses dos reformadores empresariais da educação. A resposta a tais experiências foi dada nas urnas em ambos os casos.

Veja aqui nosso comentário em 2011 sobre o Chile.

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USA: escolas privatizadas têm menor desempenho

“Os defensores da escolha da escola pelos pais argumentam que as crianças vão ter uma educação melhor se eles puderem sair das escolas públicas e ir para escolar privadas ou para escolas charters, especialmente nas áreas urbanas. O Modelo de Indiana conta uma história diferente.

Ele sugere que as escolas públicas, em geral, estão se saindo melhor do que as escolas charters ou as escolas privadas – a maioria delas escolas religiosas – que estão recebendo vouchers estaduais.”

Veja matéria completa aqui (em inglês).

Cada vez mais vão se avolumando dados que mostram que as escolas públicas entregues para serem administradas pela iniciativa privada têm, em geral,  desempenho igual ou menor do que as públicas.

Interessante estudo divulgado por Diane Ravitch coloca em debate o impacto das crianças que vivem sob condição de miséria no desempenho da educação americana.

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Agora é o Chile

Tal como em Nova York, amanhã é a vez dos privatistas chilenos serem afastados do poder. Bachelet tem possibilidade de obter até 63% dos votos contra a direita que administrou o Chile com Piñeira, atual presidente, representada por Matthei.

Na pauta, ensino público e gratuito, o que conta com amplo apoio da população.

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USA: reformadores empresariais preparam ofensiva

Valerie Strauss em seu blog Answer Sheet divulga plano para desenvolver a política de privatização dos reformadores empresariais em várias áreas em uma ofensiva nacional nos EUA contra o setor público. O documento apareceu no The Guardian como revela no texto que segue:

“O jornal The Guardian informou nesta história sobre uma rede de grupos conservadores de extrema direita estaduais nos Estados Unidos “planejando um ataque coordenado contra os direitos e serviços públicos nas áreas-chave da educação, saúde, imposto de renda, fundos de pensão dos trabalhadores e o meio ambiente. “No mundo da educação, documentos obtidos pelo The Guardian revelaram planos para incluir propostas nas legislaturas estaduais para impulsionar os vouchers que usariam dinheiro de impostos para pagar mensalidades públicas em escolas particulares. The Guardian, em parceria com a Texas Observer e o Portland Press Herald, em Maine, publicou um resumo da rede de todas as propostas políticas que revela estado por estado os planos conservadores.”

Matéria completa aqui (em inglês).

Documentos do The Guardian aqui (em inglês).

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Desinformado ou tendencioso? Escolha.

O Deputado Raul Henry deu a seguinte declaração à Revista Veja, em uma entrevista sobre a Lei de Responsabilidade Educacional que ele está fazendo:

“Dizem que melhoramos em relação a nós mesmos, quando até os dados do MEC apontam para uma estagnação e até retrocesso em algumas séries. E pergunto: não estamos em plena era da competição global? A corrida é com os outros. Vi os últimos dados da Organização Internacional do Trabalho e fiquei espantado. A produtividade do brasileiro é baixa: corresponde a 18% da americana, e vem caindo. Evidentemente, isso não é fruto de um país que está fazendo seu dever de casa em relação à Educação. Às vezes, indago a meus colegas de Câmara: “O Brasil está na rabeira e não vamos fazer nada?”. É preciso quebrar essa lógica silenciosa que perpetua o fracasso.”

Ver matéria integral aqui.

 Bem, veja agora, o que dizem os estudos sobre a produtividade brasileira:

O Brasil no World Competitiveness Yearbook 2013

2012

2013

2012

2013

Performance Econômica

47

42

Eficiência dos Negócios

27

37

Economia Doméstica

25

31

Produtividade e Eficiência

52

58

Comércio Internacional

56

59

Mercado de Trabalho

17

23

Investimento internacional

30

20

Finanças

28

27

Emprego

6

6

Práticas Gerenciais

20

27

Preços

55

56

Atitudes e Valores

15

32

Eficiência do Gov.

55

58

Infraestrutura

45

50

Finanças públicas

41

45

Básica

50

55

Política Fiscal

37

38

Tecnológica

54

57

Marco Regulatório

55

58

Cientifica

33

36

Legislação dos negócios

55

58

Saúde e Meio-Ambiente

35

35

Estrutura Social

53

55

Educação

54

56

Primeiro, não é só educação que interfere com o cálculo da produtividade de um país.

Segundo, o indicador educação como se pode ver acima, não piorou. Só melhorou.

Houve queda na performance econômica (47 para 42 nos últimos dois anos), queda em investimento internacional, estagnação em emprego, estagnação em saúde e meio-ambiente e queda em finanças. Outros aspectos cresceram tanto quanto a educação (dois pontos): preços, política fiscal, estrutura social.

Nenhum destes fatores foi lembrado pelo nobre deputado…

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PE: privatismo de Campos declina no PISA

Louvado pelos reformadores empresariais por seus experimentos de privatização do ensino médio, Eduardo Campos no Estado de Pernambuco recua no PISA 2012 em relação a 2009.

Em 2006 o desempenho em matemática marcou 335, subiu para 368 em 2009 e agora, em 2012, recuou para 363. Em leitura, de 352 em 2006 foi para 389 em 2009 e agora recuou para 383 e em ciências no ano de 2006 marcou 355, em 2009 foi para 384 e agora recuou para 374.

Mais uma vez fica perceptível o limite destas políticas de pressão. Depois de um arranque, empacam.

O Estado de São Paulo que anda flertando com as políticas de Eduardo Campos deve ficar atento.

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PISA: confira tendências dos países

O jornal “O Globo” disponibiliza uma página para você observar as tendências dos países no PISA  desde 2000, quando iniciou, até 2012. Segue o link abaixo.

http://oglobo.globo.com/educacao/ranking-de-desempenho-dos-paises-no-pisa-desde-2000-10950604

Observe as tendências do Chile (que entrou no PISA apenas em 2006) e dos Estados Unidos ao longo do tempo. O Chile está empacado e os Estados Unidos têm, hoje, um desempenho menor do que tinham em 2000 quando o PISA começou.

Nos ranqueamentos globais, desconsidere as cidades chinesas. Elas não representam a China e sim especificidades locais. Não são comparáveis com países.

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RJ: PISA do Estado despenca

O Rio de Janeiro vive seu “day after” após ter despencado no PISA de 2012. O PISA é um programa de avaliação internacional de estudantes com 15-16 anos em leitura, matemática e ciências, conduzido pela OCDE e realizado a cada três anos. Claudia Costin e Risólia, ambos Secretários de Educação no município e no estado respectivamente, estão calados. A imprensa também calou.

Em matemática, as médias caíram de 391 em 2006 para 389 em 2012; em leitura, caíram de 427 para acachapantes 408, e em ciências caíram de 411 para 401. Como Claudia e Risolia acreditam em ranqueamentos como o do PISA, devem estar bastante preocupados.

Em um dos Estados que mais aplica de forma violenta as teses dos reformadores empresariais e que investe na desmoralização dos seus professores, os resultados estão coerentes. Que isso sirva de alerta para centenas de prefeitos que assistem palestras de Claudia Costin para aprender com ela os milagres dos reformadores empresariais. E não esqueçamos que quase virou Secretária da Educação Básica no MEC.

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Amanhã tem PISA!!!

Amanhã a OCDE divulga os resultados do PISA. O mundo desenvolvido está ansioso. Normalmente, os resultados são de conhecimento prévio das Nações as quais os distribuem para alguns especialistas e jornalistas para que sejam previamente examinados… e as justificativas do fracasso ou a comemoração do sucesso sejam adequadamente preparadas.

É ridículo que uma organização voltada para o controle da economia mundial seja a que faça a avaliação da educação nos países. Mais ridículo ainda é eles aceitarem.

A manchete do Guardian na Inglaterra é, pelo menos, altiva: “Não deixem o impreciso ranking do PISA ditar como nós educamos nossas crianças.” A Inglaterra já sabe que não melhorou.

Os Estados Unidos provavelmente continuarão como sempre na média, mas distribuiu os resultados para um conjunto de organizações que advogam pelas políticas públicas dos reformadores empresariais para que eles preparem o discurso de que um desastre se aproxima e que é necessário implementar ainda mais a política que estão aplicando, ou seja privatizar mais, fazer mais exames, punir mais gestores etc. etc…

No Brasil não sei quem está recebendo e preparando o discurso. Mas não deve ser muito diferente deste. Não espero nada diferente sob clima pré-eleitoral.

Depois da pirotecnia do ENEM, vem aí a pirotecnia do PISA.

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