PE: privatismo de Campos declina no PISA

Louvado pelos reformadores empresariais por seus experimentos de privatização do ensino médio, Eduardo Campos no Estado de Pernambuco recua no PISA 2012 em relação a 2009.

Em 2006 o desempenho em matemática marcou 335, subiu para 368 em 2009 e agora, em 2012, recuou para 363. Em leitura, de 352 em 2006 foi para 389 em 2009 e agora recuou para 383 e em ciências no ano de 2006 marcou 355, em 2009 foi para 384 e agora recuou para 374.

Mais uma vez fica perceptível o limite destas políticas de pressão. Depois de um arranque, empacam.

O Estado de São Paulo que anda flertando com as políticas de Eduardo Campos deve ficar atento.

Publicado em Pisa | 1 Comentário

PISA: confira tendências dos países

O jornal “O Globo” disponibiliza uma página para você observar as tendências dos países no PISA  desde 2000, quando iniciou, até 2012. Segue o link abaixo.

http://oglobo.globo.com/educacao/ranking-de-desempenho-dos-paises-no-pisa-desde-2000-10950604

Observe as tendências do Chile (que entrou no PISA apenas em 2006) e dos Estados Unidos ao longo do tempo. O Chile está empacado e os Estados Unidos têm, hoje, um desempenho menor do que tinham em 2000 quando o PISA começou.

Nos ranqueamentos globais, desconsidere as cidades chinesas. Elas não representam a China e sim especificidades locais. Não são comparáveis com países.

Publicado em Pisa | Deixe um comentário

RJ: PISA do Estado despenca

O Rio de Janeiro vive seu “day after” após ter despencado no PISA de 2012. O PISA é um programa de avaliação internacional de estudantes com 15-16 anos em leitura, matemática e ciências, conduzido pela OCDE e realizado a cada três anos. Claudia Costin e Risólia, ambos Secretários de Educação no município e no estado respectivamente, estão calados. A imprensa também calou.

Em matemática, as médias caíram de 391 em 2006 para 389 em 2012; em leitura, caíram de 427 para acachapantes 408, e em ciências caíram de 411 para 401. Como Claudia e Risolia acreditam em ranqueamentos como o do PISA, devem estar bastante preocupados.

Em um dos Estados que mais aplica de forma violenta as teses dos reformadores empresariais e que investe na desmoralização dos seus professores, os resultados estão coerentes. Que isso sirva de alerta para centenas de prefeitos que assistem palestras de Claudia Costin para aprender com ela os milagres dos reformadores empresariais. E não esqueçamos que quase virou Secretária da Educação Básica no MEC.

Publicado em Pisa | Deixe um comentário

Amanhã tem PISA!!!

Amanhã a OCDE divulga os resultados do PISA. O mundo desenvolvido está ansioso. Normalmente, os resultados são de conhecimento prévio das Nações as quais os distribuem para alguns especialistas e jornalistas para que sejam previamente examinados… e as justificativas do fracasso ou a comemoração do sucesso sejam adequadamente preparadas.

É ridículo que uma organização voltada para o controle da economia mundial seja a que faça a avaliação da educação nos países. Mais ridículo ainda é eles aceitarem.

A manchete do Guardian na Inglaterra é, pelo menos, altiva: “Não deixem o impreciso ranking do PISA ditar como nós educamos nossas crianças.” A Inglaterra já sabe que não melhorou.

Os Estados Unidos provavelmente continuarão como sempre na média, mas distribuiu os resultados para um conjunto de organizações que advogam pelas políticas públicas dos reformadores empresariais para que eles preparem o discurso de que um desastre se aproxima e que é necessário implementar ainda mais a política que estão aplicando, ou seja privatizar mais, fazer mais exames, punir mais gestores etc. etc…

No Brasil não sei quem está recebendo e preparando o discurso. Mas não deve ser muito diferente deste. Não espero nada diferente sob clima pré-eleitoral.

Depois da pirotecnia do ENEM, vem aí a pirotecnia do PISA.

Publicado em Pisa | 3 Comentários

SP: confirmada a saida de Palma

O Secretário Adjunto da Educação Paulista João Cardoso Palma não continua no governo. Sua exoneração saiu hoje no Diário Oficial.  Fernando Pádula Novaes, chefe de gabinete, passa a responder interinamente pelo expediente do cargo até nova designação. O motivo foi a posição de Palma em uma Comissão Paritária que tratava de critérios de promoção na carreira.

O tema em questão era decidir se profissionais da rede com representação sindical participarem nas reuniões sindicais durante o ano seria ou não considerado falta justificada. Caso não fossem julgadas justificadas, haveria prejuízo para o avanço na carreira dos profissionais que participassem das reuniões nas entidades. Como são reuniões autorizadas pela Secretaria, tudo indicaria que deveriam ser falta justificada. Não considerar justificada traria um desestímulo à participação nas entidades. Quem esteve na reunião conta que Palma acompanhou o voto das entidades representativas do magistério em uma votação apertada (6 a 5 a favor de considerar as faltas justificadas).

Quem defendia o contrário? Pessoas como Guiomar Namo de Mello, é claro. Segundo observadores, ela chegou a dizer que “não vivemos em um estado sindical” portanto, não deveria o Estado financiar reuniões sindicais.

Curioso é que a gestão Herman destacou-se nestes anos por ouvir o magistério e solicitar a participação da rede nas decisões. Mas, certos setores do PSDB paulista não podem ouvir falar em sindicatos. Lembrem-se que Paulo Renato foi elogiado pelo The Economist quando saiu da Secretaria de Educação no começo da gestão Alckmin por enfrentar os sindicatos. As viúvas políticas daquele secretário seguem a tradição.

Estas parecem ter sido as razões. Como se vê, sempre que há retrocesso em SP há alguém do triunvirato (Rose/Guiomar/Eunice) por perto… Há alguns dias, abordei esta questão neste blog.

Palma caiu. Mas, caiu de pé.

Publicado em Assuntos gerais | 1 Comentário

SP: a caminho do retrocesso?

Rumores dão conta de que João Cardoso Palma, Subsecretário de Educação do Estado de SP, estaria demissionário. Caso se confirme, é um indício de que SP pode estar a caminho do retrocesso na área educacional. Os poucos avanços obtidos na administração mais recente foram certamente produto do envolvimento de pessoal com a experiência do Prof. Palma, profundo conhecedor da educação paulista e da realidade da rede paulista. A conferir…

Publicado em Assuntos gerais | Deixe um comentário

TFA: professores a granel…

Em 2010 informei aqui neste blog que a Teach For America estava no Rio de Janeiro operando sob o nome de Ensina!, com verba do BID para formar “tutores”. Em 2012, reproduzi matéria do blog de Diane Ravitch avaliando a ação da TFA nos Estados Unidos.

Agora ouço dizer – no Congresso da Redestrado em Vitória que acaba de se realizar – que a Ensina! (TFA) está negociando grandes contratos na região. Os links para as matérias anteriores estão acima.

A TFA é uma ONG que opera nos Estados Unidos “formando” professores, 8 ou 10 mil por ano, com um curso que dura cinco semanas – eu disse 5. Eles dizem que estão estimulando talentos para ingressarem no campo da educação. Graças a isso, a taxa de rotatividade de professores nos Estados Unidos nos primeiros quatro anos da profissão beira 50%. Ficam em torno de dois anos na profissão, até que arrumam emprego em suas respectivas áreas e abandonam a escola.

Seria bom rastrear esta informação e procurar saber mais…

Publicado em Assuntos gerais | Com a tag , | 1 Comentário

ENEM: besteirol de sempre….

O besteirol da comparação entre escolas privadas e públicas a partir do ENEM se repete sempre. Não utilizamos uma metodologia de avaliação que nos permita comparar escola pública com particulares. Para tal teríamos que congelar o desempenho do aluno no momento de ingresso na escola e depois medir ao final. A diferença, que pode ser calculada de várias formas, seria então um indicador do “valor agregado” pela escola.

A metodologia existe, mas não é aplicada pelo INEP ou pelos Estados brasileiros. Portanto, qualquer comparação entre escolas públicas ou privadas a partir de uma única medida ao final de um período é balela de gente que quer fazer pirotecnia para vender jornal ou alardear escolas particulares.

Um exemplo. Uma escola pública, como se sabe recebe alunos com maior gap cultural. Digamos que o teste de entrada na escola mostrasse que um aluno acumulou 100 pontos em matemática. Depois de dois anos de aprendizagem, medimos novamente. Suponhamos que agora o aluno conseguiu obter 350 pontos. Houve portanto um acréscimo de 250 pontos no período.

Suponha agora que uma escola privada que recebe alunos de maior poder aquisitivo receba alunos que no ponto de ingresso tenha 200 pontos. Medido depois de dois anos, o aluno apresenta 450 pontos. A diferença entre a entrada e a medição posterior seria exatamente a mesma da escola pública 250 pontos. Não haveria nenhuma diferença favorável à escola privada.

Isso mostra a importância de se ter uma prova de controle na entrada do aluno na escola. Congelada a entrada, então podemos ver quanto ela agregou. É assim que funciona. Uma escola privada pode receber alunos tão bons que não pode fazer com que eles avancem muito mais. Já uma escola pública pode receber alunos com menor desempenho e com isso fazer com que progridam mais, em tese. O valor agregado da escola pública seria maior do que a privada.

Não temos a aplicação desta metodologia por aqui, portanto, vamos parar com esta farsa de comparação entre escola pública e privada a partir da posição destas nos ranqueamentos com uma única medição ao final.

Publicado em Enem | Deixe um comentário

Reclamos da Sra. Rose

Afastada das decisões do governo paulista, pelo menos no que se refere à política educacional, a ex-secretária da Educação que implantou a Progressão Continuada, Rose Neubauer, ocupa a página três da Folha de São Paulo (“Culpar a Vítima é Escapismo”) do dia 24-11-2013 para reclamar dos caminhos da política paulista para a área da Educação.

Membro do Conselho Estadual de Educação paulista a ex-secretária, procura manter-se influenciando a política local, num esforço para recompor a hegemonia perdida, tarefa para a qual conta com suas parceiras históricas Eunice Durham e Guiomar Namo de Mello (atual presidente do Conselho). De lá fustigam o governo e as universidades (p. ex. a Deliberação 111 que afeta a formação de professores). Como sempre, tentam impor suas ideias pela canetada e não pelo diálogo. Não foi assim também que a ex-secretária Rose implantou a progressão continuada no Estado?

A ex-secretária discorda da mudança da progressão continuada para a organização por ciclos promovida pelo atual governo, endossa o coro contra a reprovação dos alunos, acusa o também ex-secretário Chalita de ter desmantelado a política de acompanhamento dos alunos, qualifica tudo de retrocesso e enaltece a política de bônus para os professores que ela considera a “única medida de impacto na década” da educação paulista.

Como se pode ver, pela própria pena de uma ex-secretária tucana, fica claro o pouco ou quase nada que se fez na década de educação paulista. E, convenhamos, se a implantação da política de bônus foi a única medida de impacto na década, então não se fez nada mesmo. Tal política, copiada de Nova York, lá, na matriz, já foi suspensa. Aqui não é paralisada somente por questões políticas – não que se reconheça seus efeitos benéficos na educação paulista. O SARESP que o diga. Suspendê-la causaria uma gritaria destes setores antigos do PSDB jamais vista no Estado, certamente com a ex-secretária Rose à frente.

Mas o que temos de fato de novidade na educação paulista? Uma mudança de estilo de grande relevância: pela primeira vez o Secretário saiu do claustro e foi para as escolas ouvir os profissionais da educação de forma presencial e sistemática e não casual ou por “email”. Colocou nas assessorias diretas pessoal que conhece a rede por dentro e não “free-lancers”. Fortaleceu as estruturas de gestão pedagógica das escolas e teve a coragem de reconhecer que a progressão continuada da ex-secretária é um fracasso. E principalmente, democratizou e arejou a Secretaria.

O episódio mostra como é difícil para o PSDB inovar e sair da mesmice. Cada vez que se ouve o pessoal que no passado administrou a Secretaria de Educação do Estado falar tem-se a impressão de ouvir mais do mesmo que não funcionou. Mais bônus, mais progressão continuada, etc. Um discurso que já começa a ficar velho.

A progressão continuada foi um modelo do tipo “abre a porta e deixa passar” retirando-se as avaliações entre os anos de estudo da clássica estrutura educacional das séries iniciais e séries finais – 5 + 4. Tal estrutura não está sintonizada com o desenvolvimento da criança cujas fases acontecem em média a cada três anos: infância, pre-adolescência, adolescência. A nova estruturação 3+3+3 respeita melhor os tempos da vida. Não é tudo, é claro. Falta agora alterar o currículo para que ele também leve em conta os tempos da vida e aumentar as condições para que se possa acompanhar e diversificar os tempos de aprendizagem –  e torcer para que a escola fique mais interessante para os estudantes.

Não devemos ser favoráveis à reprovação. Mas quem é? O fato de se introduzir mais avaliações em sala de aula (e perder a ilusão de que é o SARESP que avalia – outra invenção do passado), cria a oportunidade para se agir antes e depois das avaliações em sala de aula. Disso não se pode deduzir que o que se pretende é reprovar. A questão é diagnosticar e criar a estrutura para que as escolas possam desenvolver este trabalho. Aliás, sem isso, pode-se se chamar como quiser (Progressão ou Ciclo) e nada de novo acontecerá. Adiar a eliminação do aluno para o final da quinta ou da nona série – ou pior, aprovar ao final sem que o aluno esteja preparado – não é a melhor forma de se lidar com as dificuldades que os alunos naturalmente apresentam em sua caminhada. Isso sim é escapismo

A reação da ex-secretária Rose é típica de certa política paulista tucana. Tudo que se fez no passado é sagrado e nada pode ser mudado sem autorização dos criadores.

Publicado em Assuntos gerais | 10 Comentários

CENPEC divulga novas pesquisas

Cenpec apresenta novos estudos da sua pesquisa “Desigualdades socioespaciais e escolares nas grandes cidades”

Processos de seleção de alunos e concorrência de professores nas escolas públicas são temas para pesquisadores, educadores e gestores públicos da educação

São Paulo, 8 de novembro de 2013 – Estudos realizados pelo Centro de Estudos em Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec) revelam que alunos de escolas públicas nas periferias das grandes cidades têm seu desempenho escolar afetado pelas características dos territórios onde vivem. Três novos estudos: Processos velados de seleção de alunos em escolas públicas, Concorrência de professores por escolas e esforços educativos de famílias de localidades vulneráveis trazem à luz temas que impactam milhares de famílias cujos filhos estudam em escolas públicas.

Esses novos estudos têm origem na pesquisa Educação em territórios de alta vulnerabilidade social na metrópole, iniciativa da Fundação Tide Setubal e Fundação Itaú Social com coordenação técnica do Cenpec que, desde 2011, investiga as relações entre desigualdades socioespaciais e escolares na Subprefeitura de São Miguel Paulista, no município de São Paulo. “Os estudos recentes revelam as relações de interdependência competitiva nas escolas públicas paulistanas: as escolas concorrem por alunos cujo perfil não irá conturbar sua frágil ordem disciplinar. Além disso, os professores quando se removem tendem a sair de locais mais vulneráveis para localidades mais centrais. Há indícios de que tais mecanismos ocorrem em detrimento de escolas de regiões mais vulneráveis” explica Antonio Augusto Batista, coordenador de pesquisas do Cenpec.

A pesquisa original apontou, entre outros resultados, que alunos com os mesmos recursos culturais familiares têm melhor desempenho quando estudam em escolas situadas em territórios não vulneráveis; quando alunos com maiores recursos estudam em escolas localizadas em meios vulneráveis, seu desempenho tende a cair. A partir dessa evidência principal continuou-se a investigação para apreender os mecanismos sociais e escolares que fazem com que crianças de um mesmo nível sociocultural tenham desempenhos diferentes conforme o nível de vulnerabilidade social do local em que se situa a escola em que estudam.

Pesquisas sobre desigualdades socioespaciais e escolares

O estudo Processos de seleção de alunos em escolas públicas revela que, à margem da legislação, escolas do Ensino Fundamental selecionam os estudantes inviabilizando as matrículas ou expulsando os alunos considerados “indesejados”.  Esses alunos são avaliados por critérios subjetivos como comportamento do aluno ou do responsável, local de moradia (favela ou região onde há tráfico de drogas), ter irmão que já esteve na escola e que gerou distúrbios disciplinares, escola de origem, período em que a transferência ocorre, entre outros critérios. Pressupõe-se que esses são indícios que o aluno conturbará o ambiente escolar.

O segundo estudo Concorrência de professores por escolas foi realizado a partir das publicações do Diário Oficial referente aos concursos de remoções (transferências) de professores do Ensino Fundamental da Rede Municipal de São Paulo entre os anos de 2006 e 2011 nas escolas da Subprefeitura de São Miguel Paulista. Os resultados da análise evidenciam que escolas localizadas em regiões mais centrais e cujos alunos possuem maiores recursos culturais atraem os professores com mais experiência e mais diplomados. Por outro lado, as escolas dos territórios mais vulneráveis, em sua maioria, tendem a receber professores em início de carreira e menos experientes.

Publicação Família, escola, território vulnerável

Lançada no seminário, a publicação Família, escola, território vulnerável aborda as relações de mães que vivem em territórios vulneráveis da periferia de São Paulo com a escolarização de seus filhos. “Ao contrário da ideia de que as famílias desses territórios dão pouco valor à escola, os resultados da pesquisa mostram que as mães depositam grandes aspirações na escolarização de suas crianças e desenvolvem esforços para que elas sejam bem-sucedidas. Esses esforços podem não ser efetivos quando a situação de vulnerabilidade da família é muito intensa” explica Antonio Augusto Batista.

Sobre o Cenpec – Organização da sociedade civil sem fins lucrativos criada em 1987 que busca, por meio do desenvolvimento de programas, projetos, estudos e pesquisas, contribuir com as políticas públicas educacionais para o enfrentamento das desigualdades sociais. Saiba mais: www.cenpec.org.br

Publicado em Links para pesquisas, Segregação/exclusão | Com a tag , | 2 Comentários

Torturando dados…

Relatório sobre escolha “New York School Choice” confunde correlação com causação

Revisão feita pelo NEPC do relatório conclui que comete erros

Boulder, CO (19 de Novembro de 2013) – Um relatório recente do Brookings Institution afirmando que a escolha da escola pelos pais e a competição entre escolas ajudou a melhorar os resultados dos resultados dos testes na cidade de New York e a melhorar as taxas de graduação é mera “advocacia mal fundamentada” – e não uma pesquisa confiável.

Essa é a conclusão de uma nova revisão acadêmica do relatório. O comentário foi escrito por Patricia Burch da Universidade do Sul da Califórnia, Mary Stewart da Universidade de Wisconsin-Madison, e Jahni Smith também do USC .

Burch, Stewart e Smith revisaram o relatório “Escolha da Escola e Desempenho Escolar nas escolas pública de Nova York – Será o passado um prólogo? escrito para o Brookings por Grover (Russ) Whitehurst e Sarah Whitfield e publicado em outubro.

O relatório Brookings afirmava que a escolha da escola e a concorrência tinham contribuído para a melhoria das pontuações e das taxas de graduação em New York City. O prefeito Michael Bloomberg implementou a escolha no ensino médio em escolas públicas da cidade em 2004.

Os críticos apontam que, em contraste com uma longa secção introdutória do relatório que elogia os supostos benefícios da escolha e da concorrência, “apenas quatro páginas são dedicadas à discussão dos resultados, e muitas dessas afirmações são problemáticas.”

O relatório Brookings usou dados de vários outros relatórios recentes para concluir que a estratégia de reforma da escola feita por Bloomberg tem melhorado o desempenho acadêmico dos estudantes do distrito, incluindo estudantes de baixa renda e carentes .

“No entanto, estas conclusões baseiam-se principalmente em interpretações causais de dados correlacionais, e os resultados são apresentados de forma seletiva” apontam os revisores . De fato, apesar dos autores do Brookings reconhecerem a importância de não confundir correlação com causalidade, no entanto, continuam a fazer inferências causais injustificadas ao interpretarem os dados da cidade de Nova York.

Além disso, as recomendações do relatório fazem propaganda da ampliação da escolha e da concorrência de acordo com a estratégia de Bloomberg e com a “própria” defesa que o Brookings faz em seus documentos como “Escolha Educação e Índice de Competição” – mas sem qualquer ligação lógica com as provas apresentadas no relatório.

Ao produzirem “defesa fracamente fundamentada ao invés de pesquisa” os revisores do relatório concluem que o documento do Brookings tem pouco ou nada a oferecer em termos de orientação fundamentada para a política educacional.

Publicado em Links para pesquisas, Privatização | Com a tag | Deixe um comentário

Aberta a temporada de trocas…

O Ministério da Educação vai passar por alterações até janeiro.

Sai Mercadante que deverá ir para a Casa Civil (cargo para o qual é candidato desde o dia que foi para o MEC) ou para o comando da campanha de reeleição de Dilma.

A questão é quem assumirá.

A disputa de agenda educacional pode acirrar-se…

Publicado em Assuntos gerais | Deixe um comentário

50.000 acessos

Atingimos hoje a marca de 50.000 acessos.

Agradecemos a confiança de todos.

Estamos nos esforçando para disponibilizar ao máximo os argumentos necessários para combater a política de destruição da escola pública proposta pelos reformadores empresariais da educação.

Somados aos anos de existência do Blog quando estávamos na UOL estamos na casa de 72.000 acessos, de fato.

Obrigado a todos.

Publicado em Assuntos gerais | 4 Comentários

SP: mudanças no ensino fundamental

O Estado de São Paulo está pondo fim ao conceito de progressão continuada e mudando para uma nova organização curricular: o ciclo. Serão três ciclos.

Todos sabemos a que veio a progressão continuada: promover o adiamento da exclusão e a reprovação por decurso de prazo, ao final da “progressão continuada”. O aluno permanece na escola, mas não aprende. Grandes conglomerados de séries sem acompanhamento, ocultam a reprovação.

Entretanto, a questão não se resolve pela simple mudança. Se o governo não continuar implementando mais fortemente a alteração das condições de funcionamento das escolas, com ou sem progressão continuada, os alunos não aprenderão.

Mas a mudança é importante. Primeiro porque o estilo de gestão da educação na Secretaria mudou bastante. Há um esforço para ouvir que não se detectava em administrações anteriores, quando “ouvir” significava “mandar email para equipes de assessores”.

Depois, há o reconhecimento de que sem acompanhamento, não há aprendizagem. Isso retira a ênfase das avaliações de larga escala usadas equivocadamente para avaliar o aluno e a escola. É um passo importante.

“Segundo o secretário de Educação Herman Voorwald, a rede estadual vem trabalhando com o conceito de “avaliação em processo” desde 2011.

“Havia um entendimento que o Saresp (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) era a avaliação, mas o objetivo dele é mostrar se as políticas de educação estão tendo resultado”, disse. “Por isso, em 2011 ou 2012 foi criada estrutura para ampliar recuperação e reforço.””

Veja matéria aqui.

Esta é uma afirmação arrojada. Curiosamente a grande mídia a ignorou. Deve ter feito muito reformador empresarial se mexer na cadeira. A crença – fé – nas avaliações de larga escala para melhorar o desempenho do aluno é lenda. Mas permanece no ideário dos reformadores empresariais da educação já que é mais fácil ocultar a questão das condições de trabalho da escola do que enfrentá-las.

Avaliações de larga escala como o SARESP servem para acompanhar a política pública, e só. Além disso, é parcial – só avalia algumas disciplinas.  A escola tem que ter seu próprio sistema de acompanhamento dos estudantes e dos professores. Aí é que entram as condições de trabalho. E ao focar dessa forma, os reais problemas da escola podem agora ser postos na mesa.

A política de relacionamento também é importante. Muda. Neste enfoque é preciso trabalhar COM o professor e não CONTRA o professor ameaçando-o com consequências se a escola não vai bem no IDEB.

Temos agora o foco correto: melhorar as condições de trabalho e atendimento dos alunos e professores nas escolas.

A mudança trará, como aconteceu na cidade de SP com Haddad a discussão da possibilidade da reprovação agora instituída em ciclos menores. Mas é preciso contrapor esta questão à reprovação oculta. O fato do problema ter sido posto sobre a mesa e não debaixo do tapete é relevante.

Publicado em Assuntos gerais, Saresp | 2 Comentários

NY: Bloomberg já é passado

A política educacional de Bloomberg foi rejeitada hoje em Nova York vigorosamente por 73% dos eleitores que votaram em peso no democrata De Blasio. Apenas 24% dos eleitores apoiaram o candidato de Bloomberg. Nova York foi o paraiso dos reformadores empresariais da educação americanos por longos 12 anos. Toda sorte de testes foram feitos com o objetivo de privatizar a educação e desmoralizar os professores. A resposta veio hoje.

De Blasio, ao que tudo indica, fará uma política em direção contrária. Dentro dos Estados Unidos a queda dos reformadores empresariais na sua principal cidade é de enorme importância. Para nós igualmente, pois muitas das políticas copiadas por aqui foram inspiradas na atuação de Bloomberg.

Publicado em Privatização, Responsabilização/accountability | 2 Comentários

Chile: estudantes reagem à privatização

Tal como na matriz, USA, no Chile 50 mil estudantes voltam às ruas contra a privatização da educação pública. Não deve passar em branco, aos políticos brasileiros, que os dois países que mais privatizaram e adotaram as teorias de responsabilização da escola e do professor estejam hoje sob fogo cruzado dos jovens, estudantes e pais de alunos.

Veja matéria aqui.

Publicado em Privatização, Responsabilização/accountability | Com a tag | Deixe um comentário

NY: política será julgada amanhã

Amanhã Nova York põe fim a 12 anos de política educacional autoritariamente imposta pelo Prefeito daquela cidade, Bloomberg, responsável pela implementação local das receitas dos reformadores empresariais americanos. O último fiasco foi o cancelamento da política de pagamento de bônus aos professores. Durante este período dezenas de escolas foram fechadas por serem consideradas de baixo desempenho. A privatização avançou. A educação infantil foi também incluída na ciranda dos testes padronizados.

A história recente do Departamento de Educação da cidade foi conturbada. Joel Klein, principal articulador e implementador das ideias dos reformadores foi retirado do cargo depois do escândalo da manipulação dos níveis de dificuldade dos testes da cidade, o qual ao ser facilitado gerou um aumento fictício de desempenho nos testes. Com a denúncia, não houve como mantê-lo no cargo. Depois dele, a substituta de Klein, uma executiva das empresas de Bloomberg, tentou dirigir o Departamento. Caiu em poucos meses depois de afirmar que era necessário controlar a natalidade na cidade para reduzir no número de alunos em sala de aula. O atual, King, anda às turras com os país dos alunos.

De Blasio, candidato democrata, tem 68% dos votos contra 24% de Lhota, republicano, e seguidor do atual Prefeito Bloomberg – o magnata das comunicações. Com metade da população da cidade abaixo da linha da pobreza, os resultados podem ser facilmente entendidos. A catastrófica política educacional de Bloomberg nos últimos doze anos pode ser visualizada aqui.

Como aconteceu em Washington, depois da pirotecnia de Michelle Rhee no Departamento de Educação daquela cidade, agora é a vez de Nova York cair.

Entretanto, será necessário esperar para comemorar pois, nos Estados Unidos, democratas e republicanos nem sempre diferem em suas posições no campo da educação. Caso típico é o próprio Obama.

Publicado em Meritocracia, Privatização, Reforma e Fraudes, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

USA: exportando lendas

Os reformadores empresariais da educação repetem à exaustão que suas receitas internacionais conduzem à garantia da aprendizagem dos mais pobres e a melhorar a competitividade internacional do país. Mais equidade e riqueza.

Aqui está um estudo americano interessante comparando resultados do TIMSS – avaliação internacional – com o desempenho dos estados americanos no NAEP – avaliação nacional americana.  Como a comparação mostra dois terços dos estados americanos estão acima da média do TIMSS, “a educação americana não é medíocre, mas profundamente desigual”.

Um outro estudo do NAEP mostra que entre 2008 e 2012, anos em que se intensificou ao máximo a política de responsabilização e punição a escolas e gestores com a Lei de Responsabilidade Educacional americana, as médias estão estagnadas. Ou seja, antes da avalanche de testes padronizados e responsabilização, havia progresso na educação americana.

Veja resumo aqui.

Ou seja, não há nenhuma razão para nos entusiasmarmos com as receitas adotadas pela Lei de Responsabilidade Educacional americana e que estão sendo propostas agora para o Brasil no Congresso.

O clamor dos reformadores empresariais a favor do direito de aprendizagem das crianças pobres não se converteu em realidade nem nos Estados Unidos e nem no Chile – sucursal americana para a América Latina.

Mais ainda, a lenda de que os resultados em testes internacionais são preditores do sucesso econômico de um país, também não significa nada.

“O mais importante nas próximas décadas é a extensão em que vamos cultivar a criatividade, a engenhosidade, a curiosidade, a inovação e formas de pensar de forma diferentes. Estas qualidades têm produzido a genialidade da cultura americana. Essas características não são medidas por testes padronizados. Os alunos que aprendem a selecionar quadradinhos em uma questão de múltipla escolha não serão os inventores e inovadores do futuro.” Veja aqui.

Isso é corroborado por Levin:

“Na realidade, as relações entre os resultados medidos em testes e os ganhos de produtividade são modestas e explicam uma parcela relativamente pequena da maior ligação entre nível educacional e os resultados econômicos. O que é omitido em tais avaliações estreitas são os efeitos que a educação tem sobre o desenvolvimento das capacidades e habilidades interpessoais e intrapessoais e que afetam a qualidade e a produtividade da força de trabalho.”

Todas as receitas dos reformadores são uma cortina de fumaça para ocultar o que de fato a pesquisa tem mostrado. Se queremos melhorar a educação brasileira devemos:

Diminuir o número de alunos em sala de aula.

Combater a pobreza – não apenas a miséria extrema como temos feito.

Qualificar e pagar bem o profissional da educação.

Dotar nossas escolas de boa infraestrutura.

Alguma novidade que os professores não conheçam?

Publicado em Links para pesquisas, Responsabilização/accountability, Segregação/exclusão | 1 Comentário

PNE: relato de audiência circulou na rede

Relato sobre audiência pública do PNE, ocorrida hoje, 22/10, circulou na rede PNE para Valer. Diz o seguinte:

“Foram convidados o especialista da Veja em Educação, Claudio de Moura Castro; a professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília, Cristina Helena Almeida de Carvalho; a presidente da Fundação Tide Setúbal, Maria Alice Setúbal; o presidente do Instituto Alfa e Beto, João Batista Araújo de Oliveira; e o membro do Conselho Nacional de Educação e do Conselho Científico da Associação Brasileira de Avaliação Educacional, professor (Ph.D.) José Francisco Soares.

Chico Soares e João Batista Oliveira não compareceram.

Fala da Maria Alice Setúbal:

A fala dela foi muito positiva, citou a Campanha em mais de um momento, destacando sua importância enquanto instituição que está a frente do fronte de batalha que subsidia as discussões, inclusive com dados importantes para o debate e para defesa das bandeiras da educação. Ela defendeu o CAQ e principalmente o CAQi e falou sobre vários outros assuntos:

– Criticou a supressão da complementação da União ao CAQi, tendo em vista o mesmo ter sido fruto de pesquisas sérias, de um processo de ampla discussão. Destacou que o parâmetro do CAQ foi elaborado a partir de estudos, liderados pela Campanha, e que tem poder de enfrentamento das desigualdades educacionais no Brasil. Principalmente no que tange ao campo e cidade, regional, e desigualdades nas grandes cidades entre centro e periferia. E este contingente não é pequeno, segundo ela seria algo em torno de 20% dos alunos que não tem acesso à educação de qualidade mínima.

– O CAQi faz diferenciação entre modalidades e etapas de ensino. A creche, por exemplo, tem um custo maior porque demanda um número menor de alunos por professor, recursos pedagógicos específicos, infraestrutura diferenciada. Ensino rural infantil, por exemplo, é muito caro pela dispersão dos estudantes. Para ela, este é o direito à educação a partir da igualdade.

– Em países desenvolvidos, os melhores professores são alocados para áreas com maiores dificuldades. Mas no Brasil isto não ocorre, e esta seria uma medida importante para combater desigualdades.

– Importância de estabelecermos o que queremos das escolas ao final de cada ano ou série, de termos não só o IDEB como parâmetro e avançarmos, por exemplo, na discussão das expectativas de aprendizagem, o que queremos que as crianças aprendam (finalidade da educação) e vincular isso ao currículo básico que possa ser adequado a diversidade do Brasil.

– Alteração da meta 20 sobre investimento público. A discussão é complexa. A parceria com o setor privado é importante, mas é preciso definir em que o recurso público pode ser aplicado. Isto poderia ser especificado.

– A retirada da meta intermediária de 7% tira da sociedade a possibilidade de controle social sobre o investimento público.

– Meta 19, gestão democrática da educação.  Para ela, como ainda estamos aprendendo democracia. É preciso destacar 3 pontos.

a) Gestão democrática interna da escola possibilita planejamento e formação em um espaço coletivo.

b) Escola aberta para a comunidade pode trazer novidade para a escola.

c) Escola está defasada não apenas por tecnologia, mas porque está desligada do mundo real.

 Fala da Cristina Carvalho (Professora da UnB):

– Objetivo da fala dela era investigar a trajetória das modificações na meta 20. Inicialmente, ela demostrou o marco legal do tema financiamento, depois as possíveis fontes. Foi uma verdadeira aula para os parlamentares e para o público presente. Posteriormente, ela mostrou o histórico das modificações ao texto da meta 20. Foi uma fala importante sobre a relevância dos investimentos em educação. Bem didática.

– Mostrou exemplos para desmistificar a % do PIB investida em educação, mostrando que o que importa é o custo-aluno.

– Ofereceu um quadro importante sobre alterações na meta 20.

– Ela também citou a Campanha em diversos momentos.

 Claudio de Moura Castro (“especialista” em educação da Veja):

Uma fala que não merece ser muito comentada. Pouco ou quase nenhum conteúdo e apenas críticas ao caráter amplo e democrático dos debates do PNE. Para ele, isto não passa de “vontade individual de todos”, ou seja, um conjunto de interesses particulares somados em um Frankstein que “pretende ser chamado de plano”. Ele fez várias críticas ao excesso de espaço para determinados temas em relação a outros, mas nada pontual nem sólido. Menções a necessidade das empresas serem ouvidas, sem pontuar que empresas, onde e como.

Ele começou dizendo que o PNE é equivocado e inócuo, pois é baseado mais na vontade dos grupos e do que vontade geral, que segundo ele seria o denominador comum do interesse coletivo, daquilo que seria bom para todos. Ele defende que nós temos duas receitas de plano:

a) um plano baseado no interesse dos grupos, em que se consultam grupos de interesse. Nesse caso, sai um plano caótico, inviável, que vai custar mais do que o PIB. Por quê? Porque você pergunta aos professores quanto eles gostariam de ganhar e, se somar, dá mais do que o PIB brasileiro.

b) O certo seria ter um plano em que se pergunta a quem sabe, “especialistas” como ele. Depois se prepara um texto e ai, com tudo pronto, começam a ser feitas algumas consultas, buscando o “equilíbrio e as correções”.

Segundo o especialista da Veja, nos países sérios, os planos são feitos pelas melhores cabeças; refletem cenários futuros e refletem o interesse nacional. Citou como bom exemplo no Brasil o Todos pela Educação que criou 5 metas. Essas metas ficavam todas em uma página e realmente parecem espremer as grandes prioridades, que foram incorporadas no Ideb.

Para ele, esse é um Plano em que tudo é prioritário, mas que na verdade nada é prioritário.

– Infraestrutura: computadores, banda larga e outros insumos não ajudam na melhoria da educação.

– Defendeu escolas multiseriadas rurais para o campo ao invés do ônibus, e disse que isto funciona.

– Disse que não é necessário professores com formação específica, pois os bons professores são os trabalhadores das empresas, pois esses sim têm o que ensinar. Que é um absurdo o MEC exigir doutores nas universidades. Isso faz com que os alunos saiam dos cursos sem saber nada do que realmente precisam.

Demonstrando sua posição ideológica, afirmou que não se pode fazer um PNE de baixo pra cima, pois isso faz com que ganhe destaque as vontades individuais, em detrimento das necessidades gerais.

 Na última fala dele, que se diga de passagem foi o último a falar, fez uma proposta pra ser incorporada ao PNE, justificando que já que todos mandaram propostas ele também queria mandar uma. “Bônus para as caboclinhas do Ceará e de Pernambuco que conseguissem casar com engenheiros estrangeiros, pois isso elevaria o capital humano do país”. Com isso, finalizou sua ridícula e preconceituosa explanação.

 Falas dos Parlamentares:

O Presidente da Comissão, Senador Cyro Miranda, deu grande destaque à fala de Claudio Moura Castro, a quem ele e o Senador Álvaro Dias chamam de amigo. Disse que o PNE anterior não passou de uma carta de intenções e que ele acha que esse pode incorrer no mesmo erro, por isso entende que o relator do projeto na Comissão tem a grande missa de salvar o PNE.

Disse que Cláudio de Moura Castro tinha toda razão, porque algo de podre acontece no reino brasileiro.

Disse mais:

“A quantidade foi priorizada, a qualidade, deixada de lado, a PUC deixa de estar entre as cem melhores universidades, o Enade reprova 30% dos cursos, o analfabetismo tem aumentado. A base da pirâmide está destruída, então, aonde vamos chegar? Um governo que deu tanta importância ao PNE que levou três anos para entrar em execução, quando deveria, no primeiro dia de janeiro de 2011, estar pronto, acabado, para que tivéssemos então as nossas metas. E metas, Senador Alvaro, são metas. Depois de dez anos, se não houver a Lei de Responsabilidade da Educação caminhando junto com punição, nós vamos chegar à seguinte conclusão: bom, era para alfabetizar, aos oito anos de idade, os 100%, mas só alfabetizamos 50%; esse outro ponto, só isso. E fica por isso. Então, vamos fazer outra meta para mais dez anos. E assim caminha a humanidade.”

O Senador Álvaro Dias disse considerar muito importante, em qualquer debate, a presença do contestador:

“Por isso eu digo sempre, e o colega Aloysio sabe disso, que considero um erro estratégico da oposição não ter um contestador entre os candidatos de oposição, eventualmente de oposição, para o confronto eleitoral, porque, evidentemente, os candidatos comparecem com produção cinematográfica, efeitos especiais que concorrem ao Oscar com Spielberg, mostram que estamos vivendo no paraíso e ninguém desconstrói a inverdade oficial. Por isso, eu considero fundamental a presença, neste debate do Plano Nacional da Educação, de um contestador, papel que foi feito aqui pelo Claudio de Moura Castro”.

Em resumo, de positivo as falas da Maria Alice e da Cristina. De negativo, a fala do Claudio Moura Castro e a acolhida da posição dele pelos Senadores.”

Publicado em Assuntos gerais | 1 Comentário

USA: mais fracassos na matriz

Com o Race to the Top de Obama, um aprofundamento do No Child Left Behind de Bush, surgiu uma febre nos Estados Unidos de se avaliar o professor pelo resultado dos testes dos estudantes. Isso gera um percentual do salário do professor, variável, que é pago segundo tais resultados dos estudantes.

Quando apareceu, estatísticos e matemáticos dos Estados Unidos criticaram a medida. Não adiantou. Foi feito. Abaixo estão os primeiros resultados.

 “A primeira tentativa de Nova York para classificar os professores em função do  progresso de seus alunos em testes falhou em vários aspectos-chave, diz um novo estudo encomendado pelos superintendentes da região.

A fórmula usada pelo Estado deu menos importância para os professores que atendem a alunos carentes, avaliou alguns professores levando em conta o desempenho de muito poucos alunos, não conseguiu medir as variáveis-chave, tais como a mobilidade dos estudantes e não sinalizou claramente como as escolas podem ajudar os professores e alunos, segundo o mesmo estudo.

“Nossos temores se realizaram”, disse o Superintendente de Harrison Louis Wool, que foi presidente do Conselho de superintendentes das escolas de Hudson, quando o estudo foi iniciado na primavera.” A primeira rodada de avaliações não mediu com precisão o valor de professores cujos alunos estão na pobreza, na educação especial ou falam Inglês limitado. Estamos preocupados que tenhamos passado horas incontáveis e gasto milhões e milhões de dólares para produzir resultados que não são comparáveis com todo o estado e não informam a prática do professor ou a aprendizagem dos alunos.”

Leia matéria aqui (em inglês).

Publicado em Links para pesquisas, Meritocracia | Com a tag | 1 Comentário

Dissertação analisa Movimento Todos pela Educação

Dissertação de Erika Martins analise o Movimento Todos pela Educação. Segue abaixo um resumo. O trabalho estará disponível na Biblioteca on line da Faculdade de Educação da Unicamp.

MARTINS, Erika Moreira. Movimento “Todos pela Educação”: um projeto de nação para a educação brasileira. Universidade Estadual de Campinas. Faculdade de Educação (Dissertação de Mestrado), Campinas, SP, 2013.

A pesquisa procurou, através da análise do Movimento “Todos Pela Educação” – TPE, apresentar elementos para a compreensão do processo de construção de um projeto hegemônico para a nação brasileira, em que a educação pública ocupa um papel estratégico.

Em tal processo, privilegiamos a análise do lugar do empresariado no âmbito da formulação de políticas e da mobilização social. Buscamos compreender em que medida a atuação do TPE expressa uma nova configuração da esfera pública. Para tanto, analisamos seu significado como uma nova força que, ao inserir-se na arena de disputas políticas que conformam o atual cenário brasileiro, conjuga as demandas e propostas para educação provenientes do governo, iniciativa privada e outros setores da sociedade.

Além disso, no decorrer da pesquisa, percebeu-se que o TPE conta com um maciço poder de comunicação, com um respaldo técnico que sustenta suas afirmações e propostas e com um alto grau de articulação com o Estado, representado em seus três poderes.

Finalmente, a forma como o TPE foi estruturado – a partir de um pacto entre iniciativa privada, terceiro setor e governos – contribui para a ocultação dos conflitos entre classes e frações de classe, tornando mais complexa a compreensão da realidade, sobretudo no que se refere aos tênues limites entre o público e o privado – de modo a tornar também menos nítida a distinção entre os direitos sociais e os direitos individuais.

As propostas desse grupo contribuem para sustentar a possibilidade de aliar práticas de mercado à justiça social, integrando e promovendo pactos por supostos interesses em comum entre as classes sociais.

Publicado em Links para pesquisas, Responsabilização/accountability | Com a tag , | 3 Comentários

RJ: criança dá aula para economistas

Se até uma criança já percebeu, por que é tão difícil aos nossos economistas diplomados aprenderem?

Menos alunos por professor potencializa a qualidade da educação.

Tempo. Aprendizagem implica em tempo e tempo diferenciado para atender as particularidades dos que aprendem. Tempo para conhecer o mundo, sair das paredes das escolas. Tempo para planejar, para se qualificar.

Abaixo segue uma aula para economistas.

www.youtube.com/watch?v=KRw3kJU4yCE

Publicado em Assuntos gerais, Links para pesquisas, Meritocracia | 1 Comentário

TRI: epistemologia do “chute”

A TRI – Teoria da Resposta ao Item – é um desenvolvimento de segunda geração da teoria da medição. Ela é usada para elaborar as provas que são realizadas pelo ENEM, Prova Brasil e outras. Permitiu muitos avanços na realização de testes. Seu ponto alto, a meu ver, está na possibilidade de elaborar escalas de proficiência que ajudem a diagnosticar ações necessárias para os alunos.

A TRI tem algoritmos dentro dela que realizam certas operações. Um destes é o do controle do chute, quando um aluno não sabendo uma resposta, resolve indicar qualquer uma. A maneira de se controlar o chute é descrita na matéria abaixo:

“Isso significa que, se um candidato acerta as questões mais difíceis, mas não as mais fáceis, o sistema entende que não existe coerência nas respostas e, dessa forma, os acertos acrescentarão menos na nota final do participante. A prova entende que a resposta foi dada “no chute”.”

Veja matéria aqui.

Os parâmetros envolvidos na calibração de um item da TRI são: grau de dificuldade, capacidade de discriminação e controle do chute. Este é o modelo de três parâmetros da TRI, mas não existe somente este modelo. Existem outros modelos que não incluem o parâmetro “chute”.

Independente disso, a questão que se coloca aqui é se a ordenação da dificuldade feita pela TRI ao pre-testar os itens corresponde a alguma organização epistemológica do conteúdo da disciplina avaliada. Só se for por coincidência que isso ocorre, pois um item é mais difícil ou menos difícil não pela sua ligação com os demais, mas pelo número de alunos que acertam ou não aquele item no pre-teste. É daí que se infere sua posição.

Em disciplinas mais estruturadas estas ligações até podem corresponder (a lógica e a epistemológica) mas e nas menos estruturadas. Por exemplo, a matemática é bem estruturada. A questão é: como se comprova que de fato ao acertar uma “questão mais difícil” em uma determinada matéria, isso implica em que ele não conheça a mais fácil e portanto que o aluno chutou por não saber esta matéria? Qual a justificativa epistemológica disponível para além da lógica de que o mais complexo depende do mais simples? Como provar esta relação para além da frequência de respostas no pre-teste? Tem esta formulação respaldo nas modernas teorias do conhecimento das disciplinas avaliadas? Não seria melhor usar uma TRI de menos parâmetros e excluir o “chute”?

Publicado em ANA - alunos de 8 anos, Enem, Prova Brasil, Saresp | Deixe um comentário

RJ: alunos criticam meritocracia

No link abaixo você encontra o posicionamento de estudantes do Rio de Janeiro contra a meritocracia que está sendo implantada pelo Governo Estadual nas escolas.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=DxTINYk2Vxg

Publicado em Links para pesquisas, Meritocracia | Deixe um comentário

Seminário do INEP promove diálogo

O INEP, através da Diretoria de Avaliação da Educação Básica, realizou em Joinville um Seminário para promover o diálogo com as entidades educacionais. O encontro foi um importante passo nesta direção.

O link abaixo leva a uma pequena síntese do que foi o último dia do encontro.

http://www.youtube.com/watch?v=hxu4BBpF5Xs

Publicado em Assuntos gerais | Deixe um comentário

RJ: repressão dos professores aumenta

A luta dos professores do Rio de Janeiro que inclui salários adequados e não migalhas na forma de bônus meritocrático, depois de reunir 20 mil pessoas em passeata na semana passada, agora é atacada sem se importar com as consequências.

Recentemente o governador questionou os professores dizendo que eles não sabem fazer contas, numa alusão ao bônus que quer implantar e que aumenta os salários. Ocorre que como ficou demonstrado em Nova York, quando esta cidade suspendeu a política de bônus,  não é só a remuneração que move os professores. Seu anseio por um sistema público de qualidade e por ver suas crianças realmente se desenvolvendo são recompensas poderosas para os professores. Com visão de economista, o governador acredita que os professores deveriam agradecê-lo pelo bônus que está dando. Mas a luta é por salários dignos e não por brindes por desempenho.

O objetivo do governo do Rio é acabar com a greve, independentemente das marcas que seus métodos vão deixar na qualidade da própria rede pública. Um país que trata mal seus professores, não pode almejar desenvolver um sistema educacional de qualidade. A qualidade tem que ser construída com os professores e não contra os professores.

Segundo informações divulgadas ontem, mais de 32 professores do Colégio Estadual Prefeito Mendes de Moraes, na Ilha do Governador, estão oficialmente processados por abandono de cargo. Ontem, uma professora foi retirada de sala durante a aula e orientada a ir embora. Os salários estão suspensos.

 NOTA DO SEPE

Governo Cabral quer punir profissionais com medidas que nem a ditadura militar ousou aplicar

O Sepe vem a público expressar o mais completo repúdio às últimas medidas implementadas pela Secretaria de Estado de Educação (SEEDUC) para acabar com a greve dos profissionais da rede estadual. Profissionais que fazem a paralisação têm procurado o sindicato para denunciar que o governo do Estado está abrindo inquéritos administrativos contra os grevistas, com a justificativa de abandono de emprego. Ou seja, o governador está querendo acabar com a greve, utilizando práticas que nem a ditadura militar ousou aplicar contra a categoria nas históricas greves do final da década de 70 e na década de 80.

Em 1988, a greve na rede estadual teve duração de três meses e mesmo com a repressão policial contra os profissionais que realizavam uma passeata em Laranjeiras, que provocou ferimentos em dezenas de educadores, o governador da época, Moreira Franco, não teve coragem de demitir grevistas.

Agora, em 2013, Cabral repete as práticas repressivas dos governos militares e de Moreira Franco, mandando a polícia reprimir com bombas de efeito moral, choques e gás de pimenta os professores e funcionários das escolas estaduais. Mas está indo mais além, ameaçando com inquérito administrativo em massa os educadores que apenas lutam por seus direitos e por uma educação estadual, pública e de qualidade.

Publicado em Meritocracia | 2 Comentários

Boa educação: o que os testes ocultam

Segue abaixo link para uma parte da palestra que proferi semana passada em Seminário promovido pelo INEP. Neste trecho, discutimos a necessidade de examinarmos o que é uma boa educação para além das médias obtidas em testes padronizados.

http://www.youtube.com/watch?v=yyVnMBvIT-M

Publicado em Estreitamento Curricular, Ideb, Links para pesquisas, Responsabilização/accountability | Com a tag | Deixe um comentário

NY: os reformadores perdem apoio popular

Bloomberg, o magnata das comunicações e prefeito da Cidade de Nova York governou 12 anos a cidade com mão de ferro na área educacional, controlando o Conselho de Educação da Cidade, experimentando todas as formas de accountability – em especial o pagamento por mérito, sistemas de auditagem de escolas e professores, bônus, etc. Fechou nada menos do que 140 escolas por considerá-las de baixo rendimento transferindo boa parte delas para a gestão privada.

A Cidade está em eleição agora. As pesquisas do New York Times mostraram que apenas um em cada quatro nova-iorquinos aprova as políticas de educação de Bloomberg . A pesquisa Quinnipiac mostrou aprovação de apenas 22% para suas políticas educacionais. Ooops, foi mal…

O candidato De Blasio que enfrentará o candidato de Bloomberg – Lhota – defende mudanças na política educacional da cidade como mostra seu programa. Neste momento, ele lidera a disputa. Com dois terços das escolas charters usando prédios públicos sem pagar aluguel, De Blasio também pretende começar a cobrar, como ocorre em outros lugares. As charters já estão organizando passeatas para protestar contra o aluguel.

A continuar esta tendência a educação será um dos pontos que vai contribuir para a queda da hegemonia bloombergiana em Nova York. Um revés e tanto para as políticas dos reformadores empresariais da educação que passaram, no Brasil, copiando e endeusando as políticas de Nova York que agora serão possivelmente recusadas pela sua população.

Estando as eleições próximas (5 de novembro) De Blasio tem 67% e Lhota 23%.

Está dado o recado para os políticos de cá…

Publicado em Meritocracia, Privatização, Responsabilização/accountability | Com a tag | 1 Comentário

RJ: Leher analisa movimento – II

MOVIMENTO TODOS PELA EDUCAÇÃO, ORGANIZAÇÕES GLOBO, CABRAL, PAES E COSTIN:  ‘AMANSAR’ OS PROFESSORES COM CASSETETES PARA AVANÇAR CONTRA A ESCOLA PÚBLICA

Parte II – Final

Roberto Leher[1]

Na história da educação pública, a carreira docente sempre compôs o cerne da política pública para a educação. Uma carreira comprometida com a escola pública assegura a autonomia intelectual e a garantia do caráter público da educação, o agir ético como servidor público e a qualificação para se desincumbir dessa elevada função pública.

A carreira reivindicada[4] institui as condições para o ingresso do servidor no serviço público de modo impessoal, por meio de requisitos de qualificação profissional, provas e exames de títulos, processo que deve acontecer no bojo do concurso público. Normatiza as regras de progressão ao longo da vida funcional, valorizando a experiência, a dedicação e a qualificação, reconhecendo o esforço do servidor da educação em seguir o seu processo de formação, por meio da especialização, do mestrado e do doutorado. Define as atividades que compõem o rol da docência e das atividades técnicas e administrativas, objetivando assegurar a indispensável autonomia frente aos interesses particularistas de grupos políticos (como o Todos pela Educação), aos interesses puramente mercantis, como na venda de material pedagógico  (Roberto Marinho, Alfa&Beto etc.), ao processo de ensino e aprendizagem (recusando o foco no direito à aprendizagem sem ensino), na garantia da formação cultural, artística, científica rigorosa, ampla e universal dos estudantes (combatendo a segregação da educação popular por meio de uma formação minimalista de competências rudimentares, como preconizado pelas avaliações padronizadas) e, não menos importante, na possibilidade de dedicação a uma determinada escola, evitando a condição de professor nômade, hoje instaurada principalmente na rede pública estadual.

Finalmente, a carreira normatiza o tempo. Somente assegurando tempo para as atividades fora da sala de aula, será possível uma docência criativa, fundamentada na ciência, garantindo as condições objetivas para que os profissionais estejam engajados em estudos coletivos, pesquisas, planejamento das aulas, avaliação qualitativa do trabalho dos estudantes, em diálogo com os movimentos sociais, o sindicato, pais e responsáveis, a comunidade escolar e as universidades.

O valor da remuneração, é importante frisar, não é o determinante da carreira, mas, por óbvio, é condição necessária para que a carreira possa garantir a plena dedicação ao trabalho. Somente com remuneração digna é possível o engajamento arrebatador no trabalho pedagógico cotidiano. Tal compromisso é incompatível com o sofrimento advindo da privação econômica, levando os professores a buscarem vários empregos para compor uma renda minimamente compatível com as necessidades básicas da vida. A degradação da carreira não provoca apenas sofrimento econômico, mas psicossocial. A opção pela carreira do magistério, ao ser anunciada por um jovem, provoca reações de comiseração, sugerindo que é uma opção dos fracassados.

O projeto de carreira imposto por Eduardo Paes – Claudia Costin[5] é antagônico com o conceito de carreira docente e dos demais profissionais da educação. Em um contexto de vertiginoso aumento na produção científica nas ciências da natureza e nas ciências duras e de grandes desafios diante de problemas que envolvem esses domínios do conhecimento (energia, agricultura, saúde, aquecimento global, biotecnologias..), o mestrado e o doutorado nestas áreas nada valem, pois a única pós-graduação stricto sensu reconhecida é na área de educação: física, química, matemática, história, geografia, ciências sociais são ignoradas. Detalhe não irrelevante. Os que realizaram doutorado em educação somente  terão seus títulos reconhecidos se a Prefeitura tiver recursos!

Como se não bastasse tal irracionalidade, somente os servidores em regime de 40 horas poderão ser inseridos no novo plano, restringindo o seu alcance para menos de 10% do total. Objetivamente, os profissionais da educação que ocupam cargos de magistério de 16h, 22 h 30 min e 30 h estão excluídos do enquadramento no Plano.  O governo afirma que futuramente poderá abrir novas oportunidades de ampliação da carga horária para 40h, mas tal opção irá depender da disponibilidade financeira e da vontade monocrática da Prefeitura. Também os professores do primeiro segmento do ensino fundamental e da educação infantil que realizaram concurso aberto aos que possuíam a formação em nível “normal”, igualmente não poderão ser enquadrados, ainda que tenham nível superior, pois somente os que realizaram concurso para nível superior poderão ser inseridos na nova carreira.

A rigor, é um plano que não valoriza a qualificação tão proclamada como indispensável, desconsidera a formação em vários domínios do conhecimento e, ao restringir o universo dos possíveis beneficiados, sobressai um dos objetivos não proclamados do novo plano: a redução do impacto orçamentário do plano. As prioridades, na gestão Paes, estão vinculadas aos negócios imobiliários e aos grandes eventos da cidade-mercadoria.  A formação dos estudantes, a carreira dos profissionais, a escola pública são as grandes perdedoras do novo plano.

O plano não contempla a valorização funcional ao longo do tempo de carreira, um dos pilares de qualquer carreira magisterial.  No lugar de uma valorização por toda vida laboral, no caso da educação básica, ao menos de 25 anos, o plano restringe a onze anos o tempo para progressão, mantendo apenas as quatro classes atualmente existentes.

Examinando as carreiras magisteriais dos países da OCDE, em geral a diferença entre o início e o final da carreira é superior a 300%. Conforme o plano Paes-Costin, após 25 anos de magistério, um professor terá seu salário 26,5% maior do que no início da carreira. Por sua vez, uma Agente Auxiliar de Creche receberá por tempo de serviço, no máximo 7,7% em toda sua carreira! A “valorização” por formação é desconcertantemente irrisória: depois de cursar pós-graduação, mestrado e doutorado, um professor estará recebendo apenas 15% a mais do que um graduado[6]. Um dos princípios mais axiais da luta magisterial, a paridade entre os ativos e aposentados, é desconsiderada, como se os aposentados, após a dedicação de suas vidas à educação, pudessem ser descartados, esquecidos e submetidos a progressivo empobrecimento.

Por tudo isso, é possível concluir que a greve dos profissionais da educação pública, iniciada em 8 de agosto de 2013, é um movimento em prol do futuro da escola pública. Alternativamente, a política Cabral-Risolia e Paes-Costin, afinal referenciada, como a do MEC, na agenda do TPE, é incompatível com a escola pública capaz de assegurar uma formação cultural e científica integral, plena, a todos os que possuem um rosto humano. Frente ao projeto em curso, o uso da violência extrema não surpreende, pois, onde houver um professor que se volte contra o pacote educacional que impõe o apartheid educacional, haverá uma voz a ser silenciada: pelos manuais do ABC pedagógico introduzidos por corporações e, sempre que necessário, pela violência policial. O que as forças do atraso não perceberam é que o clamor pela educação pública pulsa nas escolas e nas ruas e o projeto de conversão das escolas em ‘organizações’ dirigidas pelas corporações não passará!

Rio de Janeiro, 5 de outubro de 2013


[1] . Priscila Cruz, diretora-executiva do Todos pela Educação, Prejuízo silencioso. O Globo, 1/10/13.

[2] . http://www.tcm.rj.gov.br/WEB/Site/noticias.aspx?Categoria=61

[3]CHAUÍ, M. A universidade operacional. Folha de São Paulo, Caderno Mais! 09 Maio 1999.

[4] http://www.seperj.org.br/admin/fotos/boletim/boletim327.pdf

[5] http://www.seperj.org.br/admin/fotos/boletim/boletim326.pdf

[6] Informações obtidas a partir do estudo realizado para o mandato do vereador Renato Cinco, PSOL-RJ.


[1]  Roberto Leher é professor titular da Faculdade de Educação da UFRJ e de seu Programa de Pós-Graduação, colaborador da ENFF e pesquisador do CNPq. Publica-se com autorização do autor.

Publicado em Assuntos gerais, Links para pesquisas, Meritocracia | Deixe um comentário

RJ: Leher analisa movimento – I

MOVIMENTO TODOS PELA EDUCAÇÃO, ORGANIZAÇÕES GLOBO, CABRAL, PAES E COSTIN:  ‘AMANSAR’ OS PROFESSORES COM CASSETETES PARA AVANÇAR CONTRA A ESCOLA PÚBLICA

Parte I

Roberto Leher[1]

Em homenagem a Emilio Luiz Pedroso Araújo, um defensor da escola pública popular

O que leva o arco de forças que reúne Sergio Cabral, Eduardo Paes, seus secretários de educação, respectivamente, Wilson Risolia e Claudia Costin, a acionar o uso ilegal do aparato policial para reprimir bestialmente trabalhadores da educação em generosa luta em prol de uma carreira que valorize a dedicação ao fazer educacional, a qualificação e a progressão funcional ao longo da vida, possibilitando que a opção pelo trabalho na escola pública seja  um estimulante projeto de vida?

A mesma indagação pode ser feita sobre os motivos que levam porta-vozes da coalizão empresarial Todos pela Educação (TPE), como Priscilla Cruz, que vêm a público criticar a politização e a ideologização da greve[1], posição ecoada de modo viperino pelas organizações Globo.

Todos juntos, governos, lobby empresarial, corporações da mídia, desqualificam a greve por ser motivada por interesses de pequenos grupos e de partidos de esquerda radicais. A despeito do fato objetivo de que os governos Cabral e Paes não abriram negociações sérias e objetivas, prolongando a greve, o discurso da referida coalizão promove uma inversão no nexo causal: se a greve se prolonga é porque assim quer o sindicato, motivado por interesses escusos de pequenos grupos. A monumental assembleia de continuidade da greve, realizada no dia 4 de outubro, reunindo mais de cinco mil corajosos profissionais da educação, evidentemente é uma vigorosa refutação do bolorento argumento da direita repetido, ad nauseam, no período da ditadura e que O Globo, após enriquecer com o apoio ativo ao golpe, agora diz se arrepender.

A mensagem implícita é que os governos são justos, ágeis nas negociações, fazem o que podem para atender ao que Risolia e Costin entendem ser “as verdadeiras reivindicações” dos profissionais da educação, ainda que estas estejam em antípoda em relação a pauta aprovada nas concorridas assembleias. Quando se torna evidente que o governo nada irá negociar, o subentendido é que, caso os professores tivessem verdadeiro amor aos seus alunos, a volta ao trabalho seria rápida e resignada.  Neste prisma, a continuidade da greve é um gesto hostil aos estudantes e às suas famílias.

Tal narrativa é obtusa, mas interessada e coerente em relação ao projeto de contrarreforma da educação pública. O que significa para os profissionais da educação nova postergação no atendimento de suas verdadeiras reivindicações?  Significa uma opção por viver dramáticas privações econômicas, ausência de perspectivas para o seu futuro profissional, fadiga pelo trabalho com turmas lotadas e pela precária infraestrutura da rede, como evidenciado no relatório do Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro[2] (situação igualmente grave na rede estadual), frustração pela imposição de cartilhas e pacotes educacionais que secam toda possibilidade da docência e interditam as suas vozes, jornadas extenuantes que invadem as noites, os finais de semana e mesmo as férias. Não é difícil concluir que a pauta é necessária para assegurar o real direito universal à educação pública!

Somente aceitando uma sábia resignação, diz a representante empresarial, os professores serão reconhecidos e valorizados pela sociedade! Conforme a peculiar lógica da diretora da coalização das corporações, quando lutam por uma carreira que fortaleceria a escola pública, os professores se desgastam ainda mais perante a sociedade. Novamente, o implícito: um dia vocês serão valorizados. Confiem em nós! Os governos federal, estaduais, municipais que atuam em conjunto com as corporações, todos estamos com vocês! Quem já esperou um século, pode esperar mais algumas décadas! Quanto a imagem pública dos professores, a representante das corporações nada diz sobre o significado de serem vistos pelo público – pelos estudantes, pais e pelo conjunto da sociedade – levando rudes golpes de cassetetes, bombas lançadas do alto das edificações, jatos de spray de pimenta e balas de borracha.  Qual é a imagem que a referida coalizão – Cabral, Paes, TPE, Globo –  produz com os seus atos de violência e barbárie sobre os profissionais da educação? O que está sendo dito sobre a dignidade e o respeito a uma categoria tão estruturante da democracia?

Por que a reivindicação de uma carreira compatível com a docência, no sentido proposto por Marilena Chauí[3], não teria “relação com os interesses coletivos dos professores” (e dos demais servidores que são imprescindíveis para a rede pública, desde a garantia de alimentação saudável para as crianças e do trabalho profissional na secretaria das unidades escolares, até a constituição de um conjunto de servidores capazes de imprimir profissionalismo e permanência nos atos administrativos indispensáveis para a organização administrativa da rede pública)?

(Continua no próximo post.)


[1]  Roberto Leher é professor titular da Faculdade de Educação da UFRJ e de seu Programa de Pós-Graduação, colaborador da ENFF e pesquisador do CNPq.  Publica-se com autorização do autor.
Publicado em Assuntos gerais, Links para pesquisas, Meritocracia | Deixe um comentário