Terceirização avança: removendo travas legais

A legislação sobre terceirização está tramitando e poderá liberar a terceirização para atividades-fim, permitindo que se terceirize qualquer atividade.

“O projeto de lei que regula a terceirização no país, o PL 4.330, deve entrar em votação na quarta-feira na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça ) da Câmara após representantes das empresas, governo e deputados chegarem a um consenso e modificarem alguns pontos da proposta original feita em 2004 pelo deputado Sandro Mabel.

No texto do governo, obtido pela Folha e que deve ser adotado pelo relator, deputado Arthur Oliveira Maia (PMDB-BA), não há menção expressa a um dos pontos de maior polêmica entre empresários e trabalhadores: definir e proibir a contratação de terceiros na chamada atividade-fim (aquela considerada a principal de uma empresa). Ou seja, na prática, o projeto libera a terceirização para todas as atividades.”

Leia reportagem aqui.

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Armadilha da renda média

Um dos primeiros estágios de exploração da força de trabalho é a absorção de bolsões de mão de obra barata: pessoas do campo, mulheres, entre outros. Nesta fase, os empresários não necessitam de boa educação. A tecnologia é simples e o salário é baixo, pois a mão de obra é abundante.

Quando tais bolsões diminuem, continua-se a necessitar de mais mão de obra.  Entram em cena os estrangeiros desocupados em seus países. Chegam, só em São Paulo, 30 por dia. A contínua necessidade de mão de obra pode fazer com que a renda média paga aos trabalhadores de setores inteiros da economia comece a crescer. Salários pagos são um componente fundamental na definição do lucro. Usualmente, os processos de fabricação também tendem a se sofisticar para intensificar a força de trabalho, exigindo tais processos mais educação.

Quando um país aumenta o salário médio de sua força de trabalho sem ampliar sua produtividade, os empresários ficam “desestimulados” pela queda de rentabilidade em seus investimentos  e mudam de casa. Há um limite para se ampliar a renda média dos trabalhadores, sem derrubar lucros. Daí o termo “armadilha”.

Ocorre que o aumento da produtividade é dependente de fatores importantes e que sofrem o efeito de passivos históricos: é o caso da educação. Portanto, não são de fácil e rápida solução. Mas para os empresários, os quais só agora se interessaram pela qualidade da educação, isso não conta. É preciso resolver de imediato o problema educacional para puxar o aumento de produtividade de imediato. Sem isso, dizem, perde-se competitividade internacional – ou seja, os lucros não são os esperados.

O conflito que aparece entre educadores e empresários diz respeito ao que se entende por boa educação: para os empresários é saber ler, escrever, contar e algumas competências mais que estão sendo esperadas na porta da fábrica, medidas em um teste. Se as notas aumentam, então houve melhoria. Se há mais formandos houve melhoria. Para os educadores, isso é apenas uma pequena parte da tarefa. Nota alta não é sinônimo de boa educação.

O conflito se amplia porque para os empresários – à imagem e semelhança de sua empresa – tudo é uma questão de gerenciamento. Portanto, se os educadores não dão conta de seu pedaço (leia-se atender às necessidades das empresas)  é porque não sabem gerenciar os recursos que são dados. E se as empresas já desenvolveram métodos de administração bem sucedidos para elas, porque não transplantá-los para as escolas e redes de ensino? Se eles têm a solução, os governos é claro agradecem. Eles também precisam mostrar à população que as escolas estão melhorando.

Esta urgência, que é assumida também pelos governos, ocorre porque um país que pague renda média menor a seus trabalhadores pode produzir bens e serviços mais baratos e permitir maiores lucros aos empresários: melhora a competitividade. Sem educação de qualidade não se amplia o número de formandos e com poucos formandos o salário médio sobe ao invés de descer. Lei da oferta e procura. A armadilha da renda média consiste no aumento do salário médio dos trabalhadores sem que se consiga alterar fatores de infraestrutura como educação, responsáveis pelo aumento da produtividade e simultaneamente, dispor de uma maior quantidade de formandos que reduza pressões salariais (veja a queixa do ensino médio, por exemplo).

A matéria abaixo toca nisso:

“Se não se colhe o bônus neste momento, não se colhe nunca mais. Se não se enriquece o país neste momento, é muito difícil enriquecê-lo depois. Para colher o bônus é preciso ter emprego e educação de qualidade. Os europeus, EUA, Japão, Cingapura, Coreia, China, Taiwan, todos esses países aproveitaram. O Brasil precisaria crescer ao menos 4%. Se o PIB fica abaixo de 2%, não é possível. Além do que deixamos a desejar em educação. Estamos presos à armadilha da renda média.”

Leia matéria completa aqui.

Neste quadro, os empresários estão se organizando para atacar estas questões de infraestrutura que afetam o aumento da produtividade. Vários movimentos estão se organizando há algum tempo: LIDE, Movimento Todos pela Educação e seus adjacentes, disfarçados de “especialistas em educação” organizados em ONGs e empresas de assessoramento educacional. Há um grupo mais ideológico e há outro mais operacional, o pessoal do faturamento. Não acreditam no serviço público e querem sua privatização. Na verdade ganham bem para denegrir o serviço público – mesmo sem evidência de que suas receitas são melhores.

Há portanto uma disputa pelo conceito de educação e pelos métodos de formação da juventude. Os empresários e seus apoiadores defendem uma versão instrumentalizada de educação a qual disfarçam muito bem com bandeiras como “primeiro o básico”, “os direitos da criança têm que vir primeiro”, etc. Coisas com as quais nós concordamos, mas sob outra concepção. Os educadores querem uma educação de qualidade social, voltada para os valores, para a formação humana ampla e entendem que a educação não é matéria para ser privatizada, pois é um bem público. Como tal, não pode ser entregue ao controle de um setor da sociedade, os empresários. Isso não é democrático.

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Sem segredo

“Municípios com mais baixo IDHM Educação são exatamente os que têm a maior proporção de crianças e adolescentes

O Atlas de Desenvolvimento Humano no Brasil 2013, lançado na semana passada, mostra que os municípios com piores indicadores em educação têm, proporcionalmente, o dobro de crianças e adolescentes do que os com os melhores índices. Nas cidades mais bem colocadas no quesito educacional do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) apenas um quarto da população tem até 19 anos enquanto nos últimos lugares mais da metade da população está nesta faixa etária.”

Leia aqui.

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Por que o ensino tem que ser público

Depender de filantropia e de empresários para financiar o ensino público é risco permanente. Empresas só investem se faturam. No sistema social vigente o faturamento pode ser cíclico por causa das crises cíclicas. Nos períodos de baixa, a filantropia e as doações somem. É o caso de Eike Batista, cujas empresas foram assoladas pela crise em que mergulharam e não podem sustentar compromissos.

“RIO – A assessoria de imprensa do governador Sérgio Cabral informou neste sábado que o fim do convênio entre a OGX, do empresário Eike Batista, e o estado para investimento em Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) não põe o projeto em risco. A interrupção da parceria foi revelada pelo jornal “O Dia”. Os recursos disponíveis eram de R$ 20 milhões por ano. A Secretaria de Segurança foi informada anteontem da rescisão e afirmou que “já se organiza para dar continuidade a todos os projetos até dezembro de 2013”. Para o ano que vem, todos os custos já entrarão no próprio planejamento orçamentário do órgão.”

Leia mais aqui.

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Quem ganha com a responsabilização?

Em tempos de Lei de Responsabilidade Educacional circulando pelo Congresso é bom que se examine sempre os resultados da Lei de Responsabilidade Educacional americana. Aqui está um texto (infelizmente em inglês) que deve ser lido.

“Nós agora sabemos que a reputação de Tony Bennett como “Mr. Accountability” era tão falsa quanto os escores de sua administração em Indiana atribuídos às escolas supostamente fracassadas. Mas este escândalo é apenas a ponta de um iceberg muito maior do que foi aquele que abriu um buraco na lateral do ensino público.

Aqui está a verdade amarga. Os testes padronizados são uma arma política e podem ser usados para contar qualquer história que você quiser. A campanha para tornar as escolas e os professores “responsáveis” pelas pontuações dos testes de seus alunos é um projeto político destinado a desviar a responsabilidade para longe de pessoas que ficaram obscenamente ricos ao longo das últimas décadas. O conceito de “falência das escolas” é falso. Escolas estão sendo fechadas, não no interesse das crianças que elas atendem, mas, a fim de criar oportunidades para novos jogadores no mercado de educação.”

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Charters: significativamente insignificantes

O National Education Policy Center revisou o estudo do  Center for Research on Education Outcomes (CREDO) da Universidade de Stanford publicado em 25 de junho de 2013.

Com o nome provocativo de “Os achados significativamente insignificantes do CREDO” a revisão mostra que as escolas charters privatizam a educação e não são diferentes das escolas públicas que procuram substituir. A revisão é de 16 de julho de 2013 e abaixo segue um resumo do estudo.

 “O Center for Research on Education Outcomes (CREDO) da Universidade de Stanford analisou as diferenças de desempenho dos alunos de escolas charter e escolas públicas de 27 estados americanos e de New York City. O estudo constata um pequeno efeito positivo devido ao aluno estar em uma escola charter nas pontuações de leitura e nenhum impacto sobre as notas de matemática; ele apresenta estes resultados como uma melhora relativa na média da qualidade das escolas charters desde o estudo da CREDO realizado em 2009. No entanto, há importantes razões para cautela na interpretação destes resultados. Algumas preocupações são técnicas: a técnica estatística utilizada para comparar os alunos charters com “gêmeos virtuais” em escolas públicas permanece insuficientemente justificada, e não pode controlar de forma adequada “efeitos de seleção” (ou seja, as famílias que escolhem uma escola charter podem ser muito diferentes daquelas que não o fazem). A estimativa do “crescimento” (expresso em “dias de aprendizagem”) também não está suficientemente justificada, e os modelos de regressão não conseguem corrigir duas violações importantes das suposições estatísticas. No entanto, mesmo deixando de lado todas as preocupações com os métodos de análise, o resultado global mostra que menos de um centésimo de um por cento da variação no desempenho do teste é explicável devido à matrícula ser em escolas charters. Com um tamanho de amostra muito grande, quase qualquer efeito será estatisticamente significativo, mas, na prática, estes efeitos são tão pequenos que podem ser considerados triviais.”

Ou seja, não há nenhuma razão para os países apostarem as suas fichas na privatização da educação. O modelo de mercado continua não dando os resultados prometidos pelos reformadores empresariais.

O estudo do CREDO está aqui.

E a revisão NEPC está aqui.

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Está dito…

A utilização de bônus no âmbito empresarial também tem apresentado problemas. E isso que lá há bons salários e valorização da profissão.

Carlos Alberto Antonaglia, sócio de tributos da consultoria Ernst & Young Terco, afirma que dar muito peso ao desempenho individual pode ser arriscado, por estimular a competição entre os funcionários e gerentes de uma mesma área.

“Tive dois clientes que implementaram isso e provocaram uma rotatividade maior de profissionais”, conta. “As metas individuais causaram efeitos positivos para fins de mercado, mas a cultura da empresa sofreu impacto do ponto de vista da equipe.”

Leia aqui

Quebrar a equipe escolar não é uma boa perspectiva para a educação de qualidade. Ao contrário, haveria que ter o profissional em tempo integral nas escolas para que eles pudessem se fixar e constituir equipes. O aluno é um, mas os professores que trabalham com ele são vários.

No caso da educação, os resultados produzidos com os alunos não podem ser atribuídos a um ou outro professor, pois todos trabalham com o estudante. A atitude de um professor pode melhorar a autoestima do aluno e isso afeta o trabalho de todos os professores que trabalham com aquele aluno.

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IDH, BRICs e a culpabilização da educação

Os BRICs ou seja, os países emergentes (China, Russia, India, Brasil) desaceleraram, ainda que não estejam mortos. Entre eles, a China é a rainha destes detendo reservas de 3.5 trilhões, de um total de 5 trilhões que os BRICs acumulam. Significa que todos os outros têm 1.5 trilhão, contra 3.5 da China. Apesar disso, os PIBs patinam.

A questão é: terá esta desaceleração efeitos sobre as políticas educacionais.

Creio que sim.

E elas podem ser pelo menos de dois tipos: se for um recuo passageiro, voltará a pressão por mão de obra e por mão de obra barata. Não havendo mais bolsões no Brasil a serem explorados, terão que aumentar a produtividade e isso exige mais “qualidade” da educação (leia-se maior número de formandos). Mais gente formada, menor salário médio.

Caso seja um ciclo mais longo de recuo, teremos outros dois possíveis desdobramentos: a) a pressão por mão de obra diminui e desacelera as políticas de reforma empresarial da educação; ou b) culpar-se-á a educação pela desaceleração econômica e a pressão sobre as políticas educacionais será maior ainda (até mesmo com o apoio das manifestações da rua). Creio que será este o caminho que seguirão os reformadores empresariais.

Recentemente o cálculo do IDH abriu esta discussão. O IDH brasileiro passou de 0,52 em 1980 para 0,73 em 2012. Alguns interpretam os resultados do nosso IDH como sendo puxado para baixo pela educação. Mas note, por outro lado, não podem deixar de admitir que historicamente o impacto da educação no IDH é um dos que mais avançou nas ultimas décadas, 128%. Passamos de 2,6 anos de estudo em 1980 para 7,2 anos de estudo em 2012 (ver matéria de Delfim Neto abaixo, no entanto). Se olhamos para o impacto do aumento da renda da população, outro componente do IDH, veremos que avançou bem menos, apenas 14%, ou seja, a renda per capita passou de 7.317 dólares (em 1980) para 10.152 dólares (em 2012) – e veja-se matéria abaixo sobre concentração de renda. Ora, como pode então o ítem que mais avançou ser responsável pela redução do IDH. O terceiro item da cesta é a longevidade, a qual avançou 23% de uma expectativa de  62,5 anos de vida para 73,8 anos.

Parece claro, portanto, que são renda e condições de vida que não avançaram e que estão segurando o IDH. Quem é responsável pela renda? Os empresários que pagam os salários. Mas é mais fácil culpar a educação, ocultando as reais causas.

Como dado complementar sabemos que as pontuações nos exames nacionais refletem nível socioeconômico e quem tem maior renda aprende, em geral, mais do que os que têm menor renda.

E finalmente, como alerta o economista Delfim Neto parece haver problemas com a própria estatística:

“O problema é que o IDH incorpora indicadores defasados para poder comparar a situação dos países (hoje, 187) com a plena disponibilidade dos elementos estatísticos necessários. Isso prejudicaria o Brasil, porque a qualidade e a disponibilidade de nossos dados são melhores. É o caso, por exemplo, dos números da educação: para “uniformizar” os dados dos 187 países, o IDH foi construído com os números de 2005, o que deixa de medir os substanciais progressos que vimos obtendo desde então.”

Estatísticas… cuidado com elas!

O impacto da renda não é desprezível. O IDH do Distrito Federal é o maior do país. Mas note:

“O DF apresentou o melhor índice do país nos dados divulgados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em conjunto com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Fundação João Pinheiro (FJP). O estudo da Codeplan revela que o componente que mais distancia o DF do restante do Brasil é a renda.”

Parece, portanto, que para melhorar o IDH seria de grande ajuda se o salário (e as condições de vida) da população melhorasse. A educação também agradeceria. Não vai bastar, mas os dados mostram que seria muito bem vinda.

Isso pode ser corroborado com o seguinte:

“Ainda que tenha evoluído neste ano, o IDH brasileiro despenca para 0,519 (desvalorização de 27,7%) quando são considerados indicadores que medem a desigualdade social.”

Parece claro que:

 “Alguns dados do IBGE revelam que o Brasil alcançou um aumento razoável nos indicadores sociais, porém não houve progresso na distribuição da renda, pois a minoria dos brasileiros possui altos salários e a maioria ganha pouco ou nada.”

Essa estória de culpar a educação pode se ampliar com a desaceleração agora dos BRICs. Este foi o caminho que os empresários seguiram nos Estados Unidos a partir da década de 80 quando a economia americana começou a desaquecer. Até hoje culpam a qualidade da educação pela queda da competividade americana na produção. Curiosamente, durante este tempo a educação foi posta sob ferrenho controle dos empresários, em especial através da Lei de Responsabilidade Educacional americana.

Portanto, não será estranho se a conversa aparecer por aqui também no momento em que um ciclo maior de desaceleração do Brasil se apresentar. Quando a economia acelera, somos culpados na área educacional por não fornecer mão de obra suficiente; quando ela desacelera somos culpados por ter diminuído a competitividade internacional.

Talvez se os economistas que estão atuando na área da educação voltassem a cuidar do seu pedaço, da economia, poderiam evitar o ciclo de desaceleração. De quebra, deixariam os educadores fazerem seu trabalho adequadamente.

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SP: composição do Conselho Estadual

Conselho de educação paulista tem novos integrantes

FAPESP, 31/07/2013

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) nomeou em 29/07 seis novos integrantes para o Conselho de Educação (CEE) de São Paulo, para um mandato de três anos. A mudança mexe com 25% nos nomes, mas pouca coisa muda no perfil do órgão (veja abaixo).

 O decreto sobre o tema dá mais um mandato no cargo ao secretário-adjunto de Educação, João Cardoso Palma Filho, e a Hubert Alquéres, vice-presidente do Bandeirantes, colégio privado da capital.

Dos seis novos nomeados, dois também têm perfil considerado empresarial, segundo classificação da Fepesp. São eles: Jair Ribeiro da Silva Neto, diretor ‘co-presidente’ do Banco Indusval & Partners e fundador da Associação Parceiros da Educação; e Silvia Figueiredo Gouvêa, uma das donas da escola Lourenço Castanho.

Os demais conselheiros que passam a integrar o órgão são: Francisco Antonio Poli, presidente da Udemo; Bernadete Angelina Gatti, professora aposentada da USP e atual pesquisadora da Fundação Carlos Chagas (FCC); Laura Margarida Josefina Laganá, diretora superintendente do Centro Paula Souza (responsável pelas ETECs e Fatec’s mantidas pelo governo estadual); A última indicada, Priscila Maria Bonini Ribeiro, é secretária de Educação de Guarujá e presidenta da Undime (Região Sudeste), mas fez carreira na Unaerp.

Os novos conselheiros tomarão posse em 07/08, durante reunião do CEE. Deixam o Conselho de Educação: Arthur Fonseca Filho, Décio Lencioni Machado, Milton Linhares e Sérgio Tiezzi Júnior (setor privado); Angelo Luiz Cortelazzo e Nina Beatriz Stocco Ranieri (setor público).

 Empresários e…. mais empresários

A troca de um quarto dos 24 conselheiros anunciada pelo governo paulista não muda o perfil empresarial do CEE. Levantamento da Fepesp mostra que 58% dos conselheiros são ligados aos dirigentes do setor privado (escolas, faculdades, Fiesp, ONGs, bancos, consultorias), 29% têm laços com a rede pública e 12,5% dos conselheiros têm ambos os perfis.

Em maio do ano passado, no primeiro levantamento, os três setores representavam 67%, 25% e 8%, respectivamente. De lá pra cá, houve troca de dez nomes, mas com pouquíssimo reflexo no peso dos três setores.

A escolha dos conselheiros de educação está nas mãos do governador, que se baseia em legislação feita durante a ditadura. Pela lei estadual 10.043, de 1971, que criou o CEE, seus integrantes serão escolhidos entre “pessoas de notório saber e experiência em matéria de educação, observada a devida representação dos diversos graus de ensino e a participação de representantes do ensino público e privado”.

Em março de 2012, um projeto de lei – PL 108 – foi apresentado na Assembleia Legislativa com o objetivo de reorganizar o Conselho e dar à sociedade o direito de indicar a maioria dos conselheiros. Para os autores, deputados Geraldo Cruz e Simão Pedro Chiovetti (ambos do PT), se aprovada, a proposta democratizará o órgão.

O projeto passou pelas comissões e chegou até o plenário em novembro. Na época, poderia ter sido votado, mas saiu de pauta, pois não teria o apoio da maioria governista para aprovação.

Leia aqui .
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USA: nova fraude

São vários e sucessivos os casos de fraude nos Estados Unidos por parte dos apoiadores das reformas empresariais educacionais. Agora é Tony Bennett quem cai acusado de fraude. Já haviam caído os popstars John Klein e Beverly Hall. Michelle Rhee está sob investigação. Uma rede de proteção a sustenta. Agora é Tony.

A Lei de Campbell se cumpre: associar resultados de alto impacto a avaliações, produz fraude.

Eis aí um aspecto que não está sendo considerado no recente anúncio de punir diretores de escolas no Estado de São Paulo pelo baixo desempenho da escola.

“Esta manhã, o superintendente de Educação da Florida Tony Bennett anunciou sua renúncia. O anúncio vem apenas quatro dias após a Associated Press publicar e-mails encontrados desde o tempo em que Bennett era superintendente de Educação em Indiana, que revelou que Bennett tinha alterado secretamente a forma como as escolas foram classificadas, a fim de recompensar os seus apoiadores políticos. As mudanças de Bennett afetaram especificamente os escores de escolas charter como Christel House, as quais Bennett alegou que estavam sendo injustamente avaliadas sob o sistema de classificação anterior. Apesar dos desmentidos de Bennett, muitos de sua própria equipe contradisseram suas negativas.”

Veja notícia aqui (em inglês).

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SP: avaliação de diretores

“O governo de São Paulo decidiu criar um sistema de avaliação que vai retirar do cargo diretores de escola que tiverem baixo desempenho.

A iniciativa, à qual a Folha teve acesso, é considerada pela Secretaria da Educação como inédita no país. Atualmente, vigora a ideia de que o dirigente tem estabilidade ao ser aprovado em concurso –ele perde o posto apenas por desvio de conduta.”

Leia mais aqui.

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Pobreza e desempenho escolar

Os Estados Unidos têm a segunda maior taxa de pobreza infantil entre os 35 países mais ricos do mundo, e o custo em resultados econômicos e educacionais é de meio trilhão de dólares por ano, de acordo com um novo relatório do Educational Testing Service.

O Brasil tem aproximadamente o dobro de pobreza infantil em relação aos Estados Unidos. Eles têm cerca de 22% e nós algo em torno de 50%. E se for calcular a pobreza infantil brasileira por raça, os negros batem o recorde (70%).

Enquanto isso a Finlândia tem apenas 4% de pobreza infantil.

Os dados do PISA mostram a relação entre a pobreza e o desempenho: em primeiro lugar está a Finlândia, depois os Estados Unidos (na média do PISA) e finalmente o Brasil.

Achar que a escola, sozinha, reverte esta situação é a tese americana dos reformadores empresariais e brasileiros – e dos liberais em geral. Infelizmente, a prática se nega a corroborar esta tese.

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RJ: Ato público no Rio em defesa da escola pública dia 31/07

Recebemos o seguinte relato da situação da rede estadual do Rio de Janeiro:

A direção do SEPE teve audiência na manhã desta terça-feira (dia 23 de julho) com o presidente do Conselho Estadual de Educação (CEE), professor Roberto Boclin. Além da direção do sindicato, participaram do encontro vários representantes da categoria e o ponto principal da discussão foi a proposta da SEEDUC de Educação à Distância para a educação básica, que institui um percentual de 20% de aulas semipresenciais para os alunos. O argumento do Secretário Risolia é o de que esta proposta seria uma solução para a carência de professores da rede.

A reunião se estendeu por duas horas e a direção do SEPE questionou o documento do CEE, argumentando que tal medida é em primeiro lugar, um desrespeito aos nossos alunos e se configura num verdadeiro roubo de conhecimento, trazendo graves prejuízos para os estudantes da escola pública, já tão abandonada e carente de investimentos.

A direção do sindicato também aproveitou para argumentar que, na verdade, essa questão só será resolvida com a abertura de concurso público com número real de vagas, que atenda a carência de profissionais nas escolas. Para a direção do SEPE, a solução do problema da falta de professores e funcionários também passa pela garantia de que os professores trabalhem em uma escola por matrícula – uma tradição na rede estadual quebrada pelo governo Cabral, e  uma política de valorização salarial que estimule os profissionais de educação a permanecerem na rede estadual. Mostramos o levantamento feito pelo sindicato que mostra que, hoje, três a quatro professores abandonam a rede estadual por causa dos baixos salários e da falta de condições de trabalho.

Por último, argumentamos que é fundamental a recuperação da grade curricular de 2003 e que nenhuma disciplina tenha menos de dois tempos semanais, fato que vem acontecendo com as disciplinas de Filosofia e Sociologia. O presidente do CEE ouviu nossas argumentações e explicou que também não houve consenso no órgão sobre o assunto e afirmou que o documento  seria retirado de pauta.

A direção do SEPE solicitou que o CEE enviasse à SEEDUC nossas propostas para resolução da carência de profissionais e a proposta foi prontamente aceita pelo professor Boclin, que marcou uma nova reunião para a próxima terça-feira, às 9h, quando apresentaremos o nosso documento.

A avaliação da direção do SEPE foi a de que a audiência foi vitoriosa, já que o CEE retirou a proposta da SEEDUC da sua pauta. Nossa pressão, agora, será em cima da SEEDUC para impedir que o Secretário Risolia faça a resolução por meio de decreto, de forma independente do Conselho, já que este governo tem se mostrado bastante autoritário e pouco afeito ao diálogo.

Vamos apresentar à Comissão de Educação proposta para que o Conselho convoque uma audiência com o Secretário de Educação, com a participação do SEPE, para exigirmos a retirada imediata desta proposta de Risolia.

Convocamos a categoria para participar no dia 31 de julho, às 10h, de um ato público em frente à SEEDUC.

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USA: vandalismo cultural

A Carolina do Norte é um bom exemplo das políticas dos reformadores empresariais. A atual legislação da Assembleia Legislativa aprovou uma série de medidas que foram resumidas por Lindsay Wagner do NC Police Watch. A política corta gastos com as escolas públicas, incluindo os professores, e transfere recursos para a iniciativa privada na forma de vouchers.

No Brasil, o caso do Estado do Rio de Janeiro é emblemático e constitui um exemplo deste tipo de política que vai minguando os gastos com a escola pública (redução de aulas presenciais, por exemplo) e abrindo espaço para gastos com a iniciativa privada (aulas on line). Nos Estados Unidos, as escolas charters virtuais têm assumido as tarefas das escolas públicas.

A Carolina do Norte, segundo síntese de Diane Ravitch, aponta para a seguinte politica privatizante:

1. Vouchers. 10 milhões dólares reservados. Esta semana, os legisladores vão considerar vouchers para alunos com deficiência. Esta é uma prioridade, mas, ironicamente, os alunos com deficiência têm mais direitos e proteção nas escolas públicas do que nas escolas privadas.

2. Eliminação da estabilidade dos professores. Os professores se tornaram funcionários temporários.

3. Pagamento do professor. Os professores da Carolina do Norte estão entre os mais mal pagos do país. Esta legislatura não vai ajudar. “Pagamento dos professores: não haverá aumento para os professores, que tiveram apenas um aumento salarial de 1% nos últimos cinco anos. O pagamento adicional para os professores que têm mestrado desaparece, com exceção daqueles cujos empregos exigem graus avançados. Um esquema de remuneração por mérito está incluído, com alto desempenho os professores receberão bônus no segundo ano “.

4. O financiamento para os professores assistentes foi cortado.

5. Os limites de tamanho de classe foram removidos. As turmas vão crescer.

6. Escolas Charters virtuais: o Conselho Estadual é instado a dar-lhes um novo olhar.

Ou seja, como se percebe na síntese feita, enquanto se transfere 10 milhões de dólares para a iniciativa privada na forma de vouchers, se corta o pagamento dos professores e instala-se bônus, corta-se estabilidade do professor para poder precarizá-lo demitindo à medida que podem se tornar “mais caros”, sem contar o aumento do número de alunos em sala – uma forma de reduzir a demanda por mais professores. Esta é a lógica. Turmas maiores e atendidas on line pela iniciativa privada.

Segundo Diane Ravitch: “A atual legislatura da Carolina do Norte e o governador estão desmantelando sistematicamente a profissão docente e privatizando a educação pública. Essas pessoas são vândalos culturais.”

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AHELO: a nova avaliação da OCDE para Universidades

Vem aí mais uma avaliação. Agora é a avaliação da OCDE para Universidades. Inspirada no PISA que avalia estudantes na faixa de 15 anos de idade, é possível que tenhamos mais ranqueamentos agora no ensino superior. Adeus SINAES – o Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior do INEP.

Em uma reunião em sua sede em Paris, no mês passado, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou um estudo sobre se seria possível testar o que os estudantes de todo o mundo realmente aprendem em colleges e universidades. Em novembro, a organização decidirá se avança com o novo sistema, chamado Avaliação dos Resultados de Aprendizagem do Ensino Superior, ou AHELO [em inglês].

Leia informação completa aqui (em inglês).

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Todos pela Educação: incoerência empresarial

Há algum tempo divulguei um estudo de Matthew di Carlo que mostrava, resumidamente, que até 60% dos fatores que explicavam a nota dos estudantes estava fora da escola e apenas 20% se deviam a fatores intra-escolares.

Um estudo divulgado pelo site do Todos pela Educação, com o ENEM, chega a resultados parecidos no Brasil:

“Grande parte (79%) do desempenho de uma escola no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é explicada por fatores exteriores a ela, como o nível socioeconômico das famílias dos alunos, a cor da pele dos estudantes, a dependência administrativa e o Estado em que está localizada, entre outros. O chamado efeito escola responde, portanto, por apenas 21% da média da unidade.”

A conclusão é da pesquisa de doutorado do professor Rodrigo Travitzki, realizada na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).

“A maior contribuição da pesquisa, segundo o autor, é mostrar o que de fato os rankings com dados do Enem revelam e os efeitos que podem gerar. “De certa forma, confirmei com a estatística o que muitos já imaginavam: o ranking informa mais sobre as condições socioeconômicas da escola do que sobre seu possível mérito pedagógico”, sintetiza Travitzki.”

Ver vídeo aqui.

Pois é. Sabemos que é assim, mas quem controla os efeitos do que medimos? Quem controla os governos? E as empresas de assessoria? No dia a dia, a política educacional continua centrando a culpa no professor. Se os estudos – daqui e dos Estados Unidos – revelam a importância do nível sócio-econômico, que tal os empresários pararem de gerar pobreza pagando salários baixos, ao invés de criar Fundações para depois doar dinheiro e deduzir do Imposto de Renda que deveriam pagar?

Soa um tanto irônico.

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DF: Sinpro quer evitar prejuízo com novo sistema de ciclos

Sinpro quer evitar prejuízo com novo sistema de ciclos

SINPRO-DF

Conforme já se posicionou em outras ocasiões, o Sinpro-DF reafirma sua posição de diálogo democrático e planejamento sobre a implantação do sistema de ciclos e semestralidade proposto pelo GDF.

O ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) voltou a intervir sobre o assunto, na quinta-feira (18/07), e propôs à Secretaria de Educação (SEDF) a assinatura de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) para definir o futuro das escolas que, desde o início do ano, se enquadraram no novo sistema curricular.

A promotora de Justiça de Defesa da Educação (Proeduc), Márcia Rocha, diz que as atenções se voltam para formulações de cláusulas que devem ser cumpridas pelo GDF. A promotora afirma que, para o MPDFT, há ajustes que precisam ser considerados, mas já está claro sobre o que é possível e necessário ser feito de imediato. Ela reforçou que o objetivo das cláusulas, defendido pelo Sinpro, é para que a comunidade estudantil tenha participação ativa no processo de implementação do sistema, envolvendo alunos, professores e pais.

A Procuradoria Geral do DF vai analisar se a SEDF tem condições de cumprir as exigências do MPDFT antes do início do próximo semestre (29/07). A expectativa é que se tenha uma definição até o fim da próxima semana. O secretários de Educação, Denilson Bento, garante que os alunos das escolas que implantaram o novo sistema não terão prejuízo quanto ao ano letivo.

Sobre a proposta de ciclos

A categoria em dezembro de 2012 aprovou, em assembleia geral, que a proposta de ciclos e semestralidade não deveria ser implantada no ano de 2013. Tal decisão assentava-se sobre a avaliação de que era necessário, antes, estabelecer um amplo debate com a comunidade escolar para definir qual a metodologia a ser adotada para eventual implantação, bem como deveria ser definido um planejamento de formação com os/as docentes para apropriação e aperfeiçoamento da proposta. Contudo, a SEDF decidiu pela implantação da proposta de ciclos em 2013.

No entanto, antes do início das aulas, a SEDF reconheceu a necessidade de ouvir a opinião das escolas. Feitas as consultas às/aos docentes, segundo a SEDF (comprovadas em ata de adesão), foi implantada a proposta de ciclos somente nas escolas onde houve aprovação do corpo docente.

Pelo compromisso da categoria com a construção de uma educação pública de qualidade é que sempre defendemos o respeito à autonomia das escolas, sobretudo em um contexto da gestão democrática, implantada desde 2011 na rede pública do DF. A diretoria do Sinpro entende que a comunidade escolar deve ser sempre ouvida e respeitada em suas deliberações para se definir o melhor modelo de educação a ser trabalhado. Considerando-se o contexto social e cultural, pode-se construir uma educação de qualidade social e emancipadora.

Com estas considerações sobre a proposta, o Sinpro destaca, ainda, a preocupação com alterações bruscas e sem debate que possam comprometer o processo pedagógico em curso, a organização do trabalho docente e, sobretudo, acarretar prejuízos às aprendizagens dos/as alunos/as da rede pública, com destaque àqueles/as do ensino médio, que na sua grande maioria, tiveram nesse ano as disciplinas divididas em bloco. Fica a lição: debater antes, construir sínteses e horizontalizar a gestão.

Leia aqui.

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RJ: aulas semipresenciais geram polêmica

Uma proposta da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc) está gerando polêmica. O texto da deliberação (leia a íntegra), que ainda precisa ser aprovado pelo Conselho Estadual de Educação (CEE), autoriza as instituições de educação básica pertencentes à rede estadual de ensino do Rio a utilizar até 20% da carga horária letiva na modalidade semipresencial, em caráter experimental. O deputado estadual Comte Bittencourt (PPS), presidente da Comissão de Educação da Alerj, avisou que entrará na Justiça caso a medida seja aprovada.

Leia mais sobre esse assunto aqui.

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RJ: Professores reagem

Reações mais variadas produziu a divulgação das medidas do Secretaria de Educação do Rio de Janeiro. Eis algumas. Uma professora diz que isso:

Mostra o total desprezo que esse secretário sente pelos educadores e pela educação, pra ele a presença humana do professor e dispensável.

Outra afirma que:

O governo é contra a estabilidade do servidor público da educação e isto é dito claramente em seus “cursos de formação de gestores”, impõe currículos mínimos absurdos, coloca alunos contra alunos (elegendo “representantes de turmas” que são monitores escolares disfarçados, orientados a “entregar” seus colegas, professores, direção, o que for); coloca os professores contra a direção e esta contra os professores, pela falta de consciência do que é verdadeiramente educação, pela promessa de gratificações absurdas, distribuídas a quem executa melhor as metas destes sistema, “otimiza turmas” em detrimento do mínimo de condições de se exercer o trabalho pedagógico e exige que se maquie os resultados, com recuperações infinitas… Enfim, uma lástima, para a educação este governo!

Finalmente, outra afirma que:

Sou professora da rede pública e a política educacional de Risolia e Cabral é de destruição da rede estadual preparando terreno para a privatização. Eles querem que tenha só ensino pago. Temos que lutar e resistir.

Estas professoras já identificaram a característica principal das propostas de reformadores empresariais que estão Secretários de Educação, como o economista Wilson Grisolia: visam destruir o sistema público de educação e desmoralizar o magistério.

Não são reformadores da educação, são reformadores fiscais que visam reduzir custos com medidas que onde foram testadas não produziram melhores resultados para a educação. Nem mesmo quantitativos. Um recente estudo 2008-2012 mostrou que nos Estados Unidos não há nada a comemorar com a implantação de tais políticas. Os resultados são pífios, no entanto conduziram à privatização acelerada do sistema educacional americano. Isso inclui a criação das escolas privadas on line. Nestas escolas um professor “on line” cuida de 300 crianças ou mais. Ou seja, bem mais barato do que o já vergonhoso 1 (professor) para 40 (alunos) que temos.

É fundamental denunciar e deter este processo agora.

A educação pública é um requisito fundamental da democracia. Privatizar escolas, reduzir a ação educativa das escolas públicas é um atentado à própria democracia. Não vamos melhorar a educação colocando-a sob controle de uma facção da sociedade: os empresários. A escola pública é uma escola de todos. Antes de tudo, a escola pertence à comunidade.

Não vamos melhorar a escola pública desmoralizando aquele que é um profissional central na constituição de uma nação, aquele que tem o trabalho de preparar, de formar a nossa juventude. Países que estão bem colocados nos exames internacionais, valorizam e apoiam os seus professores. Acreditam e confiam em seus professores.

Enquanto o mundo discute e implementa educação de tempo integral, enquanto o Brasil discute o PNE e aponta com 50% das escolas funcionando em tempo integral, o Rio de Janeiro propõe diminuir o tempo de permanência da criança na escola, preparando processos que permitam às empresas encontrarem espaço para privatizarem as atividades fins da escola: o pedagógico.

Onde estão as Centrais Sindicais Nacionais que não estão denunciando as medidas que estão sendo implantadas nos Estados? Onde estão as nossas entidades científicas que não se manifestam?

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RJ: Secretário propõe reduzir aulas presenciais

No bom estilo americano, o Secretário de Educação do Rio de Janeiro Wilson Risolia está propondo reduzir aulas presenciais dos alunos da rede estadual. Nos Estados Unidos uma das formas de reduzir custos das redes de ensino está sendo a implantação de cursos on line operados por empresas educacionais privadas.

 Aproveitando uma brecha da LDB, que apresenta uma possibilidade de ensino não presencial para os estudantes nas graduações, o Secretário de Educação encaminhou um projeto de Resolução para ser aprovado no Conselho Estadual de Educação, reduzindo em 20% a frequência presencial para os estudantes da rede estadual. Ainda segundo a Resolução, os alunos assistiriam as aulas da grade, de segunda a quinta, e na sexta-feira ficariam liberados, frequentando as bibliotecas.

A mensagem encontrou resistência no próprio Conselho, que marcou para amanhã uma audiência pública.

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RJ: professores da UFRJ pedem exoneração do Secretário de Educação

Iniciado na UFRJ, carta aberta pede a exoneração do Secretário de Educação do Rio de Janeiro pela política empresarial que implanta no Estado.

 Assine aqui: http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=P2013N42554

Carta aberta de professores e professoras da Faculdade de Educação da UFRJ ao Secretário de Educação do Governo do Rio de Janeiro, Sr. Wilson Risolia. Pedido de exoneração.

Ilmo. Secretário,

Na qualidade de professores e professoras, formadores dos futuros docentes da Educação Básica, vimos por meio desta manifestar nosso profundo descontentamento com a política educacional de nosso Estado. Trata-se de uma política que reputamos leviana e autoritária. Uma educação pública de qualidade não se constrói com bonificações, privatizações, perseguição e humilhação de professores, fechamento de unidades escolares, policiamento armado nas escolas, currículo e avaliação impostos de cima para baixo e péssimas condições de trabalho. Esta política irresponsável tem alcançado avanços medíocres em todos os índices educacionais. O Ensino Médio do Rio de Janeiro permanece abaixo da média nacional em todos os índices relevantes: matrícula, evasão e repetência. Em sua última ação arbitrária, o Sr. impõe um processo de certificação dos professores evidentemente inconstitucional, pois nenhum teste de proficiência pode servir como mecanismo de diferenciação salarial. Trata-se de mais um episódio absurdo dessa política que se ufana de tratar a escola pública como uma empresa, o que é contrário aos princípios pedagógicos mais óbvios, quando se trata de educação pública, de investimentos no cidadão e na cidadania, o que denuncia por si só seu caráter antirrepublicano e antidemocrático. Por tudo isto, nós, professores e professoras da Faculdade de Educação da UFRJ, lançamos esse abaixo-assinado pedindo a sua exoneração do cargo de Secretário de Educação do Estado do Rio de Janeiro, considerando que sua permanência compromete a plena escolarização de crianças, jovens e adultos de nosso Estado. O Sr. demonstrou, por diversas vezes, não estar preparado para esta função e sua continuidade à frente da Secretaria da Educação irá apenas perpetuar o descalabro em que se encontra a educação pública em nosso Estado.

Este abaixo assinado é uma iniciativa de professores da Faculdade de Educação da UFRJ:

Alessandra Nicodemos
Amilcar Pereira
Andrea Penteado
Anita Handfas
Cláudia Piccinini
Enio Serra
Filipe Ceppas
Julia Polessa
Roberto Marques
Rodrigo Batalha
Warley da Costa

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USA: mais fracassos são relatados

Novo relatório mostra o fracasso das reformas orientadas pelas regras de mercado nos Estados Unidos.

Acesse aqui o relatório completo.

Market-oriented education reforms’ rhetoric trumps reality

The impacts of test-based teacher evaluations, school closures, and increased charter-school access on student outcomes in Chicago, New York City, and Washington, D.C.

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SP: mais testes e mais cedo

A competição entre governos para ver quem avalia mais e mais cedo continua. O Estado de São Paulo quer avaliar aos 7 anos as disciplinas de português e matemática. Certamente, isso vai ampliar a pressão pela escolarização da educação infantil.

“O governo do Estado de São Paulo vai adotar a partir deste ano a meta de alfabetização de todos os alunos até os 7 anos, quando a criança está no 2.º ano – enquanto o governo federal estipulou esse limite aos 8 anos. Para isso, a Secretaria do Estado de Educação criou uma nova prova para alunos dessa faixa.

A nova avaliação no 2.º ano terá provas de Português e Matemática, integrará o Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) e ocorrerá em outubro. Até o ano passado, a avaliação estadual era aplicada nos 3.º, 5.º, 7.º e 9.º anos do ensino fundamental e da 3.ª série do ensino médio.”

Leia a matéria aqui.

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DF obriga a divulgar IDEB nas escolas

Mais notícias do Distrito Federal dão conta da Lei No. 5.128 assinada pelo Governador instituindo a obrigatoriedade da divulgação do IDEB em escolas públicas e particulares.

 

OBRIGATORIEDADE DE DIVULGAÇÃO DO IDEB: MAIS INTERFERÊNCIA NO TRABALHO ESCOLAR

Benigna Maria de Freitas Villas Boas

Menos de uma semana depois de os ciclos serem barrados pela justiça do DF, outra imposição é feita às escolas da rede pública por profissionais sem formação pedagógica: no dia 8 de julho foi publicada no Diário Oficial do Distrito Federal a Lei 5128, de 04/07/2013, de autoria dos deputados Luzia de Paula e Agaciel Maia.

Leia análise completa aqui.

Leia a Lei aqui.

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Decisão inusitada do MP no DF

O Ministério Público do DF passou dos limites e entrou em questões pedagógicas para as quais não tem formação para decidir (organização da escola de forma seriada ou em ciclos). Ações como esta é que acabam, depois, levando a propostas de limitar a ação do MP, como ocorreu recentemente com a PEC37.

Quando o MP do Ceará tentou proteger direitos dos estudantes que faziam o ENEM, argumentou-se que as questões pedagógicas não poderiam ser decididas pela justiça e a mídia deu cobertura. Neste caso, com maior razão, vale o mesmo.

O MP poderia ter escolhido outro caminho, por exemplo: ser um indutor de negociação entre todos os envolvidos preservando a decisão no interior do Sistema Educacional do Distrito Federal.

Agindo diferente, podemos imaginar, no futuro, o MP envolvido com a autorização ou não para a  adoção deste ou daquele método de alfabetização, por exemplo.

 CICLOS BARRADOS PELA JUSTIÇA DO DF

Por Benigna Maria de Freitas Villas Boas

O título acima é o mesmo de uma reportagem do Correio Braziliense de 05/07/2013. “Suspensa desde fevereiro deste ano por decisão judicial, a nova organização curricular por ciclos de aprendizagem, para o ensino fundamental, e, em semestralidade, para o ensino médio, pode gerar prejuízo aos cofres públicos. Começa a valer em 10 dias a decisão da justiça de cobrar multa de R$10 mil caso qualquer instituição de ensino mantenha o sistema sugerido pelo governo no início deste ano”, diz a reportagem. A ação foi movida pelo Ministério Público do DF e dos Territórios por meio da Promotoria de Justiça de Defesa da Educação. Depois de longas deliberações, a decisão foi proferida pela 5ª Vara de Fazenda Pública do DF.

Leia a análise completa aqui.

Leia também reportagem do Correio Brasiliense aqui.

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Avaliação do professor: evidências disponíveis

Abaixo reproduzimos um tópico do estudo do NEPC, Colorado, sobre as bases empíricas disponíveis para orientar formuladores de política sobre a questão da Avaliação de Professores.

O estudo completo “Research-based options for education policymaking” pode ser baixado aqui.

AVALIAÇÃO DO PROFESSOR

Por William Mathis, University of Colorado

Boulder, setembro de 2012

Pontos-chave da pesquisa e aconselhamento para formuladores de políticas

  1. Se o objetivo é melhorar a prática educacional, basear a melhoria do professor em avaliações formativas proporciona maiores benefícios do que uma avaliação somativa.

  2. Se o objetivo é melhorar o desempenho educacional, fatores extra-escolares também devem ser considerados. A avaliação dos professores não pode substituir ou compensar esses determinantes muito mais fortes da aprendizagem do aluno. A importância desses fatores extra-escolares deve também alertar contra as políticas que de forma simplista atribuem pontuações dos alunos em testes para os professores.

  3. Os resultados produzidos pelos modelos de cálculo de valor agregado (crescimento em pontuações de testes) são altamente instáveis. Eles variam de ano para ano, de sala em sala, e de um teste para outro. A dependência substancial nesses modelos pode levar a problemas práticos, éticos e legais.

  4. Avaliações de alto impacto baseadas substancialmente em resultados de testes de estudantes estreitam o currículo diminuindo ou eliminando matérias, conhecimentos e habilidades que não caem nos testes.

  5. Sistemas de avaliação de professores envolvem necessariamente concessões mútuas e a escolha de modelos específicos é controversa, por isso é importante envolver todas as partes interessadas no planejamento do sistema ou na seleção.

  6. Para ser bem sucedido, as escolas devem investir em seus sistemas de avaliação de professores. Um número adequado de avaliadores altamente treinados deve estar disponível.

  7. Dada a ampla variedade de papéis do professor e os muitos fatores que influenciam a aprendizagem que estão fora do controle do professor, uma grande variedade de medidas de eficácia do professor é igualmente indicada. Ao diversificar, a fraqueza de uma medida é compensada pela força de outra.

  8. A investigação de alta qualidade sobre programas e ferramentas de avaliação existentes deve informar o modelo de sistema de avaliação. Estados e distritos devem investigar modelos equilibrados, como o PAR ou o Danielson Framework e verificar atentamente as evidências sobre os pontos fortes e fracos de cada modelo, e nunca associar consequências de alto impacto aos professores cujas evidências não sejam válidas.

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NYC: sem opção

Nos Estados Unidos há uma lei que permite que os pais decidam se seus filhos devem ou não realizar os testes oficiais, conhecida como “opt out”. Pais que indicaram que seus filhos não deveriam fazer tais testes estão sendo pressionados na Cidade de Nova York.

“Vários pais cujos filhos boicotaram os testes [na Cidade de Nova York] nesta primavera se queixaram de que seus filhos estão sendo retidos e obrigados a ir para a escola de verão, apesar das recomendações de seus professores para que eles fossem promovidos para a série seguinte.”

Laboratório das políticas públicas dos reformadores empresariais conduzidas pelo Prefeito Bloomberg (o magnata das comunicações), somente 22% da população quer a continuidade da política educacional aplicada por ele.

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Mais concessões: postergando o problema

Em uma análise cortante, Delfin Netto diz como sair do impasse criado pelas manifestações de rua. Como alertei em post recente, virão mais concessões, ou seja, mais gestão privada do patrimônio público. Os políticos estão sob pressão e as soluções públicas lidam com dívidas seculares e uma máquina lenta.

Leia entrevista de Delfim aqui.

O conselho de Delfim à presidenta é:

“Ela também vai escolher prioridades novas e entender que é preciso acelerar as concessões. Ela vai entender que, quando atende as condições do mercado, não está numa queda de braço.”

Como educação está entre as prioridades certas – ou seja da rua – conclui-se que atender à rua implicará em acelerar soluções para as prioridades certas pela via das concessões.

A questão é se a privatização será de fato a solução, ou se apenas aliviará a pressão para criar outras no momento seguinte. Neste último caso, apenas estaremos transferindo para depois os nossos problemas educacionais. A privatização da educação chilena colocou na rua manifestações semelhantes às nossas – 100 mil pessoas.

Quem já aplica a privatização como solução – Chile, Inglaterra, EUA – não está com seus problemas sequer melhor encaminhados do que estavam antes da privatização. Basta consultar neste blog o “link para pesquisas”.

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Edu_business

Recebi o seguinte link (clique aqui) mostrando as estimativas de mercantilização da educação, ou seja, estimativas do “edu_business” para o Brasil.

“Esse estudo ajuda a compreender os diferentes segmentos de atuação existentes no setor de educação no Brasil e identificar onde existem oportunidades para o desenvolvimento de produtos e serviços que contribuam para elevar a qualidade da educação oferecida para a população de baixa renda”, afirma Vivianne Naigeborin, assessora estratégica da Potencia Ventures. “A grande contribuição desse levantamento é mostrar que há um setor formado por novos atores se fortalecendo. Não são mais só as empresas tradicionais, mas jovens empreendedores comprometidos com a melhoria da educação do país”, diz Anna Penido, diretora do Inspirare.

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Os novos escolarizados

Há algum tempo escrevi um post sobre a relação entre renda e número de anos de escolarização. Paul Krugman, nos Estados Unidos, havia escrito um artigo que me chamou a atenção e a Folha de SP também havia tratado do assunto. Leia aqui.

O tema volta agora pelo Estadão:

“O salário médio mensal dos trabalhadores com mais anos de escolaridade recuou entre 2002 e 2011 no Brasil. A média de salário dos profissionais com 12 anos ou mais de estudo caiu 8% nesse período, de R$ 3.057 para R$ 2.821. A variação já desconta a inflação do período. Isso significa que o poder aquisitivo desse grupo caiu em 10 anos.”

“Profissionais mais escolarizados perderam renda porque passaram a enfrentar maior concorrência com a difusão do ensino médio e universitário; salários de quem estudou menos subiram 32%.”

Um sistema educacional que forme mais gente – não necessariamente melhor – contribuirá, a médio prazo, para diminuir o salário destes que hoje tem menos estudo e que tiveram alta de 32%. Ataca-se as duas pontas do sistema: embaixo, sem estudo, o salário sobe. Em cima, com estudo, o salário cai. Aumente-se a escolaridade (e a produtividade) e pague-se menos aos novos escolarizados.

Esta é uma das razões pelas quais não se pode colocar a educação nas mãos dos empresários. Seu interesse em Educação é movido por estas lógicas de mercado e não pelas necessidades de formação humana.

Leia a notícia do Estadão aqui.

Como se vê, as manifestações de rua tenderão a aumentar à medida que a juventude perceber que foi enganada. Não há uma relação necessária entre estudo e melhor renda, do ponto de vista da renda média. Pode haver para um indivíduo, mas este está em uma rede concorrencial e o que conta é o salário médio global daquele ramo em que ele trabalha. Os empresários precisam formar mais gente para, em média, pagar menos, gerando, pela lei de oferta e procura, salários médios menores e produzindo mais lucro, ou no limite, perdendo menos em épocas de crises.

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