Mais privatização

A visão gerencialista da Folha de SP (29-06-13) defende hoje que os recursos adicionais para saúde e educação sejam acompanhados de melhorias na gestão. Quais? As mesmas que os reformadores empresariais americanos usam há mais de 10 anos e não produziram efeitos benéficos para a educação americana: captar as melhores cabeças para a educação com o pagamento de bônus; ampliar a política de bônus para os diretores das escolas (por que não para os Secretários também?); e conclui:

“Assim como na educação, não é possível avançar de forma consistente na saúde sem um programa de reforma gerencial. Organizações sociais, desde que devidamente fiscalizadas, decerto têm muito a contribuir neste sentido.”

Está dado o recado: privatizar.

E de nada vai adiantar colocar na lei que os recursos públicos serão investidos na educação pública, pois as escolas de gestão terceirizadas continuam sendo públicas. Muda só a gestão.

Para garantir a educação pública é preciso garantir que os recursos públicos serão investidos na educação pública com gestão pública.

As manifestações, como já adiantei, vão só complicar e acelerar este quadro. Pressionados, os governos vão privatizar para tentar mostrar resultados.

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Mais recursos para quem?

Para quem não notou, em entrevista na noite de hoje sobre os cinco pactos o Ministro da Educação foi bem preciso: trata-se de pactuar 100% dos royalties para a educação de forma a aumentar o investimento “de recursos públicos em educação”. Vale dizer: investir dinheiro público em educação não importando se ela é pública ou privada. Fosse outra a orientação, o texto seria “investimento de recursos em educação pública”.

Considerando que baixou o desespero, penso que a iniciativa privada será chamada a dar conta da questão da educação. Foi assim com os aeroportos.

Reservadamente o Ministro já andou dizendo que não importa se o jovem está em uma escola pública ou privada, importa estar, ter vaga.

São estas inflexões que vão desgastando os políticos pois mostram que atuam segundo interesses que se sobrepõem ao próprio ideário partidário declarado. No caso específico da privatização, Dilma apresentou-se na campanha contrária à ideia.

Em seguida, inventou que concessão não é privatização e entregou os aeroportos à iniciativa privada. Sob o impacto das ruas, tudo pode acontecer para tentar salvar a reeleição…

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Campanha divulga manifesto

     EUA: no berço das reformas empresariais da educação, surge um contraponto

 Nova agenda estadunidense sugere foco em políticas públicas de educação que solucionem a questão do acesso escolar com qualidade para todos, em oposição às políticas orientadas pelos resultados dos testes de alto impacto, promovidas e estimuladas pelos reformadores empresariais.

Brasil, 20 de junho de 2013.

Campanha Nacional pelo Direito à Educação

Da Coordenação Geral.

 A comunidade educacional estadunidense vive um momento de intenso debate sobre os rumos das políticas adotadas no país nos últimos trinta anos. Na última terça-feira, dia 11 de junho, um grupo de educadores, pais, ativistas, pesquisadores e representantes de governo lançaram uma Declaração que propõe um novo modelo de reforma educacional para seu país.

Contrário às políticas de educação em voga nos EUA, pautadas pela lógica do mercado, pela aplicação de testes padronizados de larga escala e pela responsabilização escolar e docente, o documento apresenta uma reforma abrangente, que preconiza o apoio (e não a punição) a escolas e professores e reafirma a importância da valorização do magistério. Além disso, reconhece as condições socioeconômicas, especialmente a pobreza, como fator que influencia o desempenho acadêmico dos alunos. Como resposta, a nova agenda propõe um modelo de avaliação que foge daquele que toma os testes padronizados como medida única, orientadora das políticas.

Entre os 46 signatários da carta, estão nomes importantes do meio acadêmico, como Theda Skocpol (professora de sociologia da Universidade Harvard); Linda Darling-Hammond (professora de educação da Universidade Stanford); Diane Ravitch (historiadora da educação, Universidade de Nova York); Robert B. Reich (professor da Universidade da Califórnia em Berkeley e ex-secretário do Trabalho no governo de Bill Clinton), entre outros. Autoridades públicas também assinam a carta – é o caso, por exemplo, de  Nan Rich (senadora no estado da Flórida), Nan Grogan Orrock (senadora no estado da Geórgia) e John Kuhn (superintendente do distrito de escolas de Perrin-Whitt, no Texas). Por fim, diversos pais, ativistas e líderes comunitários são signatários da proposta, que ainda busca novas adesões pela Internet.

 Diálogo com o debate brasileiro. Considerando a influência no Brasil dos reformadores empresariais dos EUA, a rede da Campanha Nacional pelo Direito à Educação decidiu traduzir a Declaração, disposta abaixo. Com isso, busca fortalecer, tanto lá quanto aqui, um esforço de resistência. O objetivo é recolocar, no centro do debate, o real fortalecimento da escola pública, como uma instituição republicana e democrática, alicerçada em políticas de valorização dos profissionais da educação, gestão democrática e reforma curricular, capazes de garantir a aprendizagem dos educandos.

 Ao atualizar o debate estadunidense, mostrando que existe por lá uma profícua pluralidade de ideias, a Campanha Nacional pelo Direito à Educação não está sugerindo uma transferência descontextualizada das propostas norte-americanas.

 Contudo, espera estimular no Brasil a construção de uma reforma social, republicana e democrática da educação, como contraponto da reforma empresarial.

 O momento é oportuno, pois tramitam no Congresso Nacional propostas de leis decisivas para a reforma educacional brasileira, como o Plano Nacional de Educação e a Lei de Responsabilidade Educacional. Além disso, o Ministério da Educação, busca formular o Sinaeb (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica), fruto da elaboração da sociedade civil. Ademais, no presente momento, se intensifica o processo político da Conferência Nacional de Educação, agendada para fevereiro de 2014.

 Como destaque, constam da Declaração “Education Declaration to Rebuild America” temas também presentes no Brasil, como a rejeição à privatização desregulada e irresponsável, uma participação mais decisiva do Governo Federal no financiamento educacional dos EUA, a necessidade de instrumentos equitativos do investimento em educação (como o CAQi – Custo Aluno-Qualidade Inicial, instrumento criado pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação), além da prioridade que deve ser dada à educação infantil.

 A Campanha Nacional pelo Direito à Educação, rede composta por pessoas, grupos, entidades e movimentos que conhecem a escola pública e nela acreditam, deseja uma boa leitura.

  Uma Declaração sobre a Educação para reconstruir os EUA

 Há muito tempo, nós, estadunidenses, esperamos que nossas escolas públicas ofereçam oportunidades de crescimento individual, promovam mobilidade social e compartilhem valores democráticos. Construímos universidades importantes, ajudamos a tirar as crianças das fábricas e levá-las para as escolas, abrimos e mantivemos abertas as portas das universidades para os veteranos que retornavam das guerras, brigamos contra a segregação racial e nos esforçamos para dar apoio e voz aos estudantes com deficiências. Nós acreditamos que boas escolas são essenciais para que haja democracia e prosperidade – e que educar todas as crianças, e não apenas uma parte afortunada delas, é nossa responsabilidade coletiva.

 Nas últimas três décadas, entretanto, temos testemunhado um abandono desses ideais. Após a publicação do relatório Uma Nação em Risco, em 1983, os formuladores de políticas públicas passaram a adotar uma agenda educacional que impõe padrões de cima para baixo e testes de alto impacto punitivos, enquanto deixaram de lado o apoio que os estudantes necessitam para que obtenham sucesso acadêmico. Esse modelo – combinado com anos de cortes financeiros drásticos – está transformando as escolas públicas em instituições desprovidas de criatividade e alegria.  Educadores estão sendo tolhidos de sua dignidade e autonomia, o que leva muitos a abandonar a profissão. Escolas estão sendo fechadas por motivos arbitrários. A voz dos pais e representantes da comunidade está sendo calada no debate educacional. E o que é mais importante: o direito à educação e ao aprendizado está sistematicamente sendo negado às crianças.

 Como uma nação, temos falhado na correção de desigualdades gritantes no acesso à oportunidade e aos recursos educacionais. Ao focar somente no desnível [lacuna/gap] de aprendizado, temos negligenciado a desigualdade [lacuna/gap] de oportunidade que o gera, permitindo que nossas escolas sejam re-segregadas por classe social e raça. O resultado inevitável: temos um sistema injusto que atinge principalmente os estudantes, as famílias e as comunidades desamparadas, conforme destacado no relatório Para toda e qualquer criança, recentemente publicado pela Comissão Federal pela Equidade e Excelência.

 Um novo modelo é necessário para que o nosso país recupere sua trajetória econômica, fortaleça a democracia e evite o estabelecimento de uma sociedade ainda mais estratificada e segregada. Para reconstruir os EUA, precisamos de uma visão educacional para o século 21 baseada em sete princípios:

 – Todos os alunos têm o direito de aprender. As oportunidades de aprendizagem não devem depender de locais de moradia das famílias e da localização das escolas ou da habilidade dos pais de compreender e participar do sistema educacional. Nosso sistema educacional deve tratar das necessidades de todas as crianças, independentemente do quanto elas foram afetadas pela condição socioeconômica de suas famílias, especialmente pela pobreza, ou se foram ou não negligenciadas quando pequenas. Precisamos instituir medidas com base em pesquisa científica e apoio que comece antes da pré-escola, e que ofereçam a cada criança o direito de sonhar com uma profissão ou com o ingresso à universidade.

– A educação pública é um bem público. A educação pública não deve jamais ser enfraquecida pelo controle privado, desregulamentação ou especulação. A manutenção do caráter público das escolas é o único caminho para garantirmos que todo e qualquer aluno receba uma educação de qualidade. Sistemas educacionais devem funcionar como instituições democráticas que correspondam às expectativas e necessidades dos alunos, professores, pais e comunidades.

 – Investimentos em educação devem ser justos e suficientes. O investimento é necessário para que se estabeleça o que está associado com excelência em educação: escolas seguras, professores de qualidade, classes de tamanho razoável e oferta de oportunidades de aprendizagem desde cedo. Ao mesmo tempo em que aumentamos as necessidades de aprendizado, eliminamos os recursos que as crianças e as escolas precisam para alcança-las. É essencial que essa tendência seja revertida, e que mais dinheiro seja investido em educação, distribuído de maneira justa.

 – O aprendizado deve ser atraente e relevante. O aprendizado deve ser um processo dinâmico que aconteça através de conexões com o mundo real, com as experiências de vida e com o conhecimento cultural dos alunos. Nesse sentido, testes de alto impacto estreitam o currículo e impedem o desenvolvimento da criatividade.

 – Professores são profissionais. As condições de trabalho dos professores são equivalentes às condições de aprendizado das crianças. Quando usamos uma avalanche de testes padronizados de alto impacto para julgar os docentes, limitamos a habilidade que eles têm de se conectar com os alunos. É preciso aumentar a autonomia dos professores e apoiar seus esforços para que eles consigam corresponder [alcançar] as necessidades de cada aluno.

 – Políticas de disciplina justas devem manter os alunos nas escolas. Os alunos devem estar dentro da escola para aprender. Devemos acabar com práticas de disciplina ineficazes e discriminatórias que afastam as crianças da escola e as levam diretamente para o mundo da delinquência. As escolas devem usar políticas justas de disciplina que mantenham as salas de aula seguras para que todos os alunos aprendam.

 – Responsabilidade nacional deve complementar o controle local. A educação é em grande parte responsabilidade dos Estados e Distritos de escolas, mas em demasiados Estados há desigualdades grosseiras na forma como os recursos são distribuídos para escolas que atendem estudantes provenientes de famílias com baixa renda ou pertencentes a grupos minoritários. Nestes casos, o governo federal tem a responsabilidade de garantir que haja financiamento equitativo e de fazer cumprir o direito à educação de qualidade para todos os estudantes.

 Princípios precisam ser tão úteis quanto precisam ser efetivas as políticas públicas que os colocam em prática. A atual agenda da política educacional, dominada por uma reforma orientada por padrões e testes, é claramente insuficiente. O que falta é uma agenda de reforma justa, com base em assistência e suporte, oferecendo a cada estudante oportunidades e recursos necessários para que ele aprenda e tenha sucesso. Essa agenda deve estar focada em sete áreas:

 1. Educação infantil e alfabetização na idade certa. Acesso garantido à educação infantil de alta qualidade para todos, incluindo creche em tempo integral e acesso universal à pré-escola, para ajudar a garantir que cada estudante seja alfabetizado no tempo certo e na idade certa.

 2. Financiamento e recursos equitativos. Financiamento justo e suficiente, descolado da dependência excessiva da arrecadação dos impostos locais sobre propriedades, para garantir que aqueles estudantes que enfrentam os maiores obstáculos recebam mais recursos.  Também é necessário investir em fatores extraescolares que afetam os estudantes, como apoio a nutrição, serviços de saúde, bibliotecas públicas, programas de complementação de turno e de férias, programas complementares de educação de jovens e adultos, além de melhores sistemas de dados e tecnologia.

 3. Programas de apoio centrados no aluno. Planos ou estratégias personalizados, que ofereçam aos estudantes o suporte acadêmico, social e de saúde adequados, tanto para aumentar como para aprofundar o período de aprendizagem dentro da escola.

 4. Qualidade docente. Seleção, formação e permanência de professores e gestores bem preparados, munidos de recursos, capazes de oferecer abordagens que garantam um aprendizado mais extenso e aprofundado aos alunos, e que sejam empoderados para colaborar com seus colegas e aprender com eles.

 5. Avaliações melhores. Avaliações diagnósticas de alta qualidade, que vão além dos testes padronizados e que ajudem os professores a reforçar a experiência da sala de aula para cada estudante.

 6. Disciplina efetiva. Pôr fim a práticas de disciplina ineficazes e discriminatórias, incluindo as suspensões inapropriadas, que deixam o aluno fora da escola, substituindo-as por políticas e propostas de apoio que mantenham todos os estudantes em condições de aprendizado adequadas, para garantir uma educação de qualidade.

 7. Engajamento comunitário. Pais e integrantes da comunidade engajados na construção de políticas escolares e na oferta de serviços educacionais para os estudantes.

 Como nação, estamos fracassando em proporcionar o básico necessário para que as nossas crianças tenham oportunidades de aprendizado. Ao contrário, implementamos um sistema punitivo de testes de alto impacto que busca forçar o progresso a custos baixos. Não há atalhos para o sucesso. Precisamos mudar o rumo da atual política antes que comprometamos ainda mais as escolas e afastemos os professores daquilo que nossas crianças precisam.

 Todos aqueles que imaginam uma sociedade justa, evoluída e igualitária não podem ignorar a batalha pelo futuro da educação de nosso país. Diretores lutando por melhores escolas, professores lutando por salas de aulas melhores, estudantes lutando por melhores oportunidades, pais lutando por um futuro digno aos seus filhos: a luta deles é nossa também. Todos nós devemos participar dela.

 Greg Anrig
The Century Foundation
 Kenneth J. Bernstein
National Board Certified Social Studies Teacher
 Martin J. Blank
Diretor, Coalition for Community Schools
 Jeff Bryant
Education Opportunity Network
 Dr. Nancy Carlsson-Paige
Co-fundadora, Defending Early Years Foundation
Anthony Cody
Teachers’ Letters to Obama, Network for Public Education
 Linda Darling-Hammond
Professora de Educação, Stanford University
 Larry Deutsch, MD, MPH
Minority Leader (Working Families Party), Hartford City Council
 Bertis Downs
Pai, advogado e ativista
Dave Eggers
Escritor
 Matt Farmer
pai da Chicago Public Schools (CPS),
 Dr. Rosa Castro Feinberg, Ph.D.
LULAC Chefe do departamento de Educação do estado da Flórida; professora aposentada, Florida International University
 Nancy Flanagan
Senior Fellow, Institute for Democratic Education in America (IDEA); Blogueira no Education Week; Professora
 Andrew Gillum
Chefe do departamento de educação de Tallahassee, na Flórida; director nacional do Young Elected Officials Network
 Larry Groce
Diretor artístico, Mountain Stage, Charleston, West Virginia
 William R. Hanauer
Prefeito, Village of Ossining; presidente, Westchester Municipal Officials Association
 Julian Vasquez Heilig
The University of Texas at Austin
 Roger Hickey
Institute for America’s Future
 John Jackson
Opportunity To Learn Campaign
 Jonathan Kozol
Educador e escritor
 John Kuhn
Superintendente do distrito de escolas Perrin-Whitt School District (Texas)
 Kevin Kumashiro, Ph.D.
Reitor, University of San Francisco School of Education; presidente, National Association for Multicultural Education
 Reverendo Peter Laarman
Progressive Christians Uniting
 Chuck Lesnick
Yonkers City Council President
 Reverendo Tim McDonald
Co-Chair, African American Ministers In Action
 Lawrence Mischel
Economic Policy Institute
 Kathleen Oropeza
Co-Fundadora, Fund Education Now
 Senador Estadual Nan Grogan Orrock
Senado da Georgia, Distrito 36
 Charles Payne
University of Chicago
 Diane Ravitch
New York University, Network for Public Education
 Robert B. Reich
Professor, University of California at Berkeley; ex-secretário do Trabalho
 Jan Resseger
United Church of Christ, Justice & Witness Ministries
 Nan Rich
Senadora do Estado da Flórida
 Hans Riemer
Membro do Montgomery County Council; Montgomery County, MD
 Maya Rockeymoore, Ph.D.
Center for Global Policy Solutions
 David Sciarra
Education Law Center
 Rinku Sen
President and Executive Director, Applied Research Center
 Theda Skocpol
Harvard University; director, Scholars Strategy Network
 Rita M. Solnet
Co-fundadora, Parents Across America
 John Stocks
Diretor Executivo, National Education Association
 Steve Suitts
Vice Presidente, Southern Education Foundation
 Paul Thomas, EdD
Furman University
Dennis Van Roekel
Presidente, National Education Association
Dr. Jerry D. Weast
Ex-superintendente, Montgomery County (MD) Public Schools;
Fundador e CEO, Partnership for Deliberate Excellence
 Randi Weingarten
Presidente, American Federation of Teachers
 Kevin Welner
Professor, University of Colorado Boulder School of Education; Director, National Education Policy Center

Link para o texto original:

http://educationopportunitynetwork.org/education-declaration-to-rebuild-america-released/

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EUA: ranqueamento falho

“Foi grande a repercussão nesta semana, quando a organização conservadora chamada National Council on Teacher Quality liberou as avaliações dos programas de formação de professores em faculdades e universidades e, essencialmente, classificou quase todos eles abaixo da média. Embora haja, certamente, um bom número de programas de preparação de professores ineficazes, seria difícil saber quais a partir da classificação do Conselho por causa de sua metodologia falha, rapidamente exposta por muitos educadores. Entre eles a especialista em formação de professores Linda Darling-Hammond, da Universidade de Stanford, aqui na postagem do Answer Sheet. (Você pode ler algumas outras também aqui, aqui e aqui.)”

Continue lendo esta (em inglês) aqui.

Por falar em ranqueamento de cursos de formação de professores, a nossa prova de avaliação de professores que o INEP estava fazendo parece que está sendo preparada sem pressa.

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Empresários: por que agora?

Alguns colegas têm reagido ao presente interesse do empresariado na educação, presos ao passado. Como sempre houve interesse dos empresários em interferir na educação, segundo estes colegas, não haveria nada de novo agora. Afinal, desde os anos 70 e principalmente na própria ditadura militar, sempre estiveram de olho na educação.

É compreensível. Quando não há interesse ideológico na educação (controle) há interesse econômico – o outro lado da mesma moeda. Isso faz com que ela sempre seja vista com atenção por um ou outro ângulo.

Entretanto, esta análise esquece que a história não é linear e nem se repete. O interesse redobrado dos empresários, atualmente, na educação, não é uma decorrência linear de seu interesse no passado. As mudanças no aparato produtivo e na relações internacionais, bem como a situação interna de mão de obra do país, estão determinando uma atuação mais direta do empresariado na educação. Para os incrédulos, leia-se documento no link abaixo.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) destacou a Educação como fator chave para aumentar os níveis de produtividade da indústria brasileira, em seu “Mapa Estratégico da Indústria 2013-2022”. Robson Andrade, presidente da CNI, apresentou o estudo ontem em Brasília, durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal. O documento estabelece metas e diretrizes para melhoria da indústria nacional e o aumento de competitividade.

E não é só estudo, há ação concreta:

 Para permitir o cumprimento dessas metas, a CNI deve criar um grupo de executivos encarregados de acompanhar os indicadores da economia e de temas como educação no país, para propor medidas e orientar a ação do setor privado no Congresso e com o Executivo.

O fato é que enquanto houve alternativa, os empresários preferiram explorar a massa ignorante até o fim. Depois delegaram esta tarefa para as terceirizadas. Quando a reestruturação produtiva mudou o quadro, então passaram a aumentar o grau de interferência na área educacional, já agora de olho na competitividade internacional, vale dizer, níveis de lucro.

Link para o doc da CNI.

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O que dizem as ruas?

Ontem, foram 200 mil pessoas nas ruas em todo o país. Certamente as ruas estão dizendo muitas coisas – e não só a questão das tarifas do transporte público.

Em alguns momentos falamos, aqui, da classe média emergente. De como as políticas econômicas da última década terminaram estimulando o desenvolvimento, aumentando a renda média e gerando necessidades de consumo associadas a ascensão social e bem estar.

Correndo o risco de errar, por vários motivos, penso que os movimentos que estão nas ruas são o resultado dessa política econômica que gerou desenvolvimento, aumentou a qualidade de vida e terminou por estimular a classe média emergente a querer mais. Nada contra.

Neste sentido, contraditoriamente, estes movimentos de hoje são filhos da era Lula. Não fora ele ter mudado o conceito de desenvolvimento, teria sido mais difícil emergir uma “nova classe média” – como alguns dizem.

Ela agora quer mais consumo e aí está o problema. Os movimentos que estamos assistindo estão despolitizados. Não só são contra partidos, mas contra a política. Há claramente um viés conservador neles. Esta massa é claramente susceptível de aceitar as teses à direita. Entre elas as teses dos reformadores empresariais da educação. Vão pedir mais escolas de qualidade, mais postos de saúde, mais segurança. Certo. Mas não lhes importa se estas instituições serão públicas ou privatizadas.

Na outra ponta, os políticos vão agora sentir-se pressionados e vão fazer qualquer coisa para aplacar tal insatisfação. Os atalhos sugeridos pelos reformadores empresariais serão bem vindos.

No fundo, não sei se tais movimentos vão alavancar a melhoria da qualidade dos serviços públicos ou vão acelerar sua privatização. É possível que o último seja o mais provável.

Aguardemos pelos fatos e pelas análises dos entendidos…

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Limite do modelo finlandês

O modelo finlandês que está sendo colocado como referência para os que somos contra a política dos reformadores empresariais da educação tem virtudes importantes: associa a confiança no professor a uma série de condições operacionais que, em seu conjunto, permitem que a educação na Finlândia tenha uma posição de destaque nas avaliações internacionais. Uma visão geral pode ser vista aqui.

Entretanto, apesar de seu acerto, há uma limitação neste modelo, se pensarmos mais detidamente em termos da criação de uma responsabilização participativa. Nesta, sem querer diminuir a importância do professor, outros atores da escola são chamados a participar do processo de pactuação da qualidade no interior da instituição.

O modelo finlandês pôde prescindir disso pelo fato de que as condições operacionais do sistema educacional já estavam dadas. Não é o nosso caso. Por aqui, tais condições estão longe de estar asseguradas e será necessário organizar as escolas para lutar contra a política dos reformadores empresariais e pela inclusão das condições necessárias na política educacional.

Neste sentido, toda a escola tem que se organizar. Isso, no entanto, não será conseguido se focarmos exclusivamente no professor. É a escola em seu conjunto que deve participar, inclusive os pais. No caso dos alunos, há um ganho adicional: a mobilização destes torna-os mais organicamente ligados à escola e motivados para desenvolver outras habilidades ligadas à organização e participação no coletivo.

Portanto, enquanto a Finlândia permanece como um modelo final a ser atingido, em nosso caso, distantes desta política, teremos que ter uma visão mais ampla da mobilização das escolas envolvendo todos os seus atores.

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Mais um exame é formalizado

“Crianças do 3.º ano do ensino fundamental terão de fazer uma prova que vai avaliar a alfabetização em todo o País. O Ministério da Educação (MEC) formalizou ontem a criação da Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA), que deverá conferir, a partir deste ano, a qualidade e a eficiência do ciclo do 1.º ao 3.º ano do ensino fundamental das escolas públicas de forma censitária.”

Leia aqui.

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A Finlândia na descrição de Philippe Descamps

Uma descrição sobre a situação educacional da Finlândia pode ser encontrada no link abaixo. Explica muita coisa… Ensina quem pode, aprende quem tem juízo…

http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=1386

Alguns trechos:

“Alguns vão achar difícil acreditar no que elas descrevem: uma escola sem tensão, sem competição entre os alunos, sem concorrência entre as instituições, sem inspetores, sem repetência, até mesmo sem nota nos primeiros anos, e que teria os melhores resultados do mundo.

As pesquisas do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) suscitam grande preocupação na Alemanha e no Reino Unido, enquanto na França e nos Estados Unidos, mais bem classificados, elas são pouco comentadas. Apesar de seus investimentos na educação, esses grandes países aparecem apenas na média da OCDE para as capacidades de jovens de 15 anos em compreensão da escrita, matemática e ciências.”

“Depois de ter dirigido por um longo tempo uma escola e em seguida o departamento de ensino da cidade de Vantaa, vizinha a Helsinque, Eero Väätäinen resume um sentimento generalizado entre os professores finlandeses: “Devemos ter em mente que as crianças não estão na escola para passar nas provas. Elas vêm aprender a vida, encontrar seu próprio caminho. É possível medir a vida?”.”

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Raridade

O artigo publicado hoje (6-6-13) na Folha de SP pelo economista Marcelo Miterhof é um oásis na costumeira arrogância dos economistas metidos a educadores. Com muita modéstia, o autor destrói o mito de que a educação é a alavanca do desenvolvimento econômico. Em tempos de Eduardo Campos, nosso novo Juscelino Kubitschek piorado, o texto não pode passar sem ser lido.

“Em épocas de prosperidade, isso é usado para alertar contra a ilusão do consumo. Como a economia é cíclica, as crises sempre chegam, dando a chance para a constatação implacável: “Viu no que dá não fazer o dever de casa?”.

Há ainda um uso diversionista do tema. Ninguém discorda que a educação precisa melhorar no Brasil. Contudo, não é isso que está em jogo no debate econômico. O apelo à educação é um expediente de quem crê que o Estado não deve ter políticas monetária e fiscal ativas e nem intervir nos esforços produtivos.”

Leia aqui.

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PE: nas terras de Campos

Ontem me chegou uma informação de Petrolina dizendo que nas terras do Estado de Pernambuco sob governo de Eduardo Campos, as escolas nas quais adolescentes engravidam são assinaladas com um indicador que abaixa a nota da escola no cálculo do bônus. O governo penaliza a escola pelo fato da adolescente ter engravidado.

É tão absurda que custei a acreditar.

Alguém sabe algo mais sobre isso?

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Lições da Finlândia

Aí vai o link para uma brilhante análise de Pasi Sahlberg, um especialista em reforma educacional e autor do livro  “Finnish Lessons: What Can the World Learn About Educational Change in Finland?”

“Muitos governos estão sob pressão política e econômica para superar seus sistemas escolares com classificações mais altas nos ranqueamentos internacionais. Reformas da educação muitas vezes prometem soluções rápidas em um mandato político. Canadá, Coréia do Sul, Cingapura e Finlândia são comumente utilizados como modelos para as nações que esperam melhorar o ensino e a aprendizagem em suas escolas. Em busca de uma bala de prata, os reformadores agora voltam seus olhos para os professores, acreditando que se pudessem atrair “os melhores e mais brilhantes” para a profissão docente, a qualidade do ensino iria melhorar.”

Clique aqui (em inglês) para ler: What if Finland’s great teachers taught in U.S. schools?

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Bônus: livro para economistas

“Depois de “A Nova Inteligência”, Daniel Pink volta a “fazê-lo” com este “Drive”. De facto é uma obra brilhante que vem “abanar” muitas das ideias que ainda existem no mercado empresarial relativas à motivação, como o facto de se pagar um bônus condicional poder garantir melhores resultados (na maioria dos casos, como o autor explica, produz exatamente o contrário).”

Leia resumo do livro aqui.

Link para o livro aqui.

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Até tu?!…

Até o Tribunal de Contas de União já percebeu que o IDEB precisa ser ampliado.

“Parecer do TCU (Tribunal de Contas da União) divulgado nessa quarta-feira (29) recomenda que o indicador que avalia a educação básica no país seja ampliado e passe a analisar o corpo docente e a infraestrutura das escolas.

Atualmente, o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) avalia, a cada dois anos, somente o desempenho dos alunos.”

Leia aqui.

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Goiás: mais consequências…

As consequências das políticas dos reformadores empresariais estão levando escolas de Goiás, como acontece em países que adotam as mesmas políticas, a uma espécie de “tolerância zero” com os estudantes – sem contar o abandono das escolas de menor IDEB e das próprias crianças.

“Diferente do colégio com melhor Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) registrado em Goiás no ano de 2011, que está em 20º lugar no ranking nacional, a escola com a pior nota do estado – entre os alunos do 9º ano do ensino fundamental – está em 30.806º lugar no mesmo ranking, com nota 1,4. O Colégio Estadual Madre Germana fica em Aparecida de Goiânia, Região Metropolitana, e tem 1.100 alunos divididos entre Ensino Fundamental, Médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA). Em 2009, a nota do colégio foi 2,6, quase o dobro da atingida no ano passado. Marina Mélcia tem 16 anos, cursa o 3º ano do ensino médio e quer prestar vestibular para o curso de medicina. “Estamos esquecidos pelo governo”, declara a estudante.”

Leia reportagem aqui.

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Goias: o valor de nossas crianças…

Recebi esta notícia sobre Goias.

Como era previsto, as escolas estão expulsando crianças para aumentar seu IDEB. Nesta política, as crianças valem pela pontuação que foi obtida no teste. Se a proficiência é baixa, ela deixa de ter valor e passa a ser assediada para mudar de escola ou simplesmente são transferidas. Este é o tratamento que está sendo reservado àqueles que mais precisam da escola – e que contraria todo o discurso do “direito de aprender” que estas políticas dizem estar defendendo.

O importante nesta notícia de Goias é que os pais parecem que estão ficando atentos. Eles serão um importante aliado nesta batalha que só está começando…

Nossas crianças valem mais do que a nota do IDEB.

Envie suas notícias também, para que elas sejam de conhecimento mais amplo.

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Mais sobre a Finlândia

Veja aqui mais uma entrevista com o pessoal da Finlândia.

“O que mais chama atenção no seu modelo educacional, é a descentralização administrativa das escolas – professor tem poder para remodelar o currículo de seu grupo de alunos -, há pouco dever de casa e as crianças não são expostas a quantidades excessivas de conteúdo. Uma realidade bastante distinta de países asiáticos como Coreia, líder do Pisa. O sistema coreano é reconhecido por exigir bastante dos alunos na escola e fora dela.

Na Finlândia, manter um ambiente propício à aprendizagem, tendo o professor como figura central desse processo é o principal foco do Estado, que financia completamente o ensino básico.”

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EUA: Diretores protestam

Valerie Strauss publica o novo post do premiado diretor Carol Burris de South Side High School, em Nova York sobre o controverso novo sistema de avaliação do educador do estado. Burris tem há mais de um ano escrito no blog (que ela chama de Star Wars aqui, e escrito sobre outras coisas, aqui e aqui e aqui, por exemplo), sobre a implementação deste sistema que ignora a pesquisa usando resultados dos testes de estudantes padronizados para avaliar os professores e que já começou a impactar negativamente os jovens.

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Gestão por concessão: o que não é dito

Aqui segue um link (em inglês) onde você pode saber o que não é dito sobre as escolas públicas que são administradas por concessão da gestão à iniciativa privada nos Estados Unidos.

Leia aqui.

 

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Finlandia por aqui

Algumas organizações brasileiras convidaram o pessoal da educação da Finlândia para vir ao Brasil.  A revista Exame deu a notícia. Aparentemente, a vinda tem trazido benefícios para contrastar com as teses dos reformadores empresariais que pregam que a escola só melhora a machadadas de meritocracia e accountability.

Finlândia é um país com 4% de miséria infantil, 20 crianças por sala, professores com mestrado, têm a confiança das autoridades e da sociedade, podem criar, e ganham em média 8 mil reais. Detalhe: não avaliam os alunos com testes e nem pagam bônus. Algum segredo?…

Veja outras repercussões aqui e aqui.

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Medicalização das crianças cresce

Recentemente publiquei uma postagem dando conta de que a medicalização tem sido recorrente nos Estados Unidos como parte da pressão sobre as escolas para melhorar o desempenho dos estudantes.

Hoje minha amiga Cecília Collares, de há muito uma lutadora contra a medicalização das crianças, me trouxe dados mais objetivos sobre o crescimento da medicalização aqui entre nós.

A Ritalina (Metilfenidato) indicado para combater a “hiperatividade” e que prejudica o crescimento das crianças teve 3.880 indicações em 2005, e em 2011 passou para 83.400 indicações, só na cidade de Campinas (SP).

No Brasil, o número de caixas vendidas deste princípio ativo saltou de 71.000 em 2000 para 2.000.000 em 2010 (www.idum.org.br).

Na rede pública de São Paulo as indicações deste medicamento saltaram de 45.320 em 2005 para 702.942 em 2010 e para 2011 estima-se que tenha chegado a mais de 1.000.000 .

Quanto mais pressão colocarmos nas redes públicas, mais corremos o risco de que nossas crianças, com a desculpa de que não são concentradas no estudo, sejam medicalizadas.

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Estou fora…

Dizem nos bastidores que quem mandou o Senador Pimentel mudar o PNE que veio da Câmara e colocar o termo “investimento público em educação” e não “investimento em educação pública”, mencionado na postagem anterior, foi o Ministro da Educação…

Se é verdade, é grave.

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Afinando a lei

Os reformadores empresariais estão criando as figuras legais necessárias para implementar suas ideias. O trecho abaixo é um exemplo:

“O senador José Pimentel, relator do Plano Nacional de Educação na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal apresentou novo texto em que propõe que os 10% de PIB sejam de “investimento público em educação” e não de “investimento em educação pública”, como o texto aprovado na Câmara dos Deputados . A mudança deixa brecha para investimento em instituições particulares em troca de oferecimento de vagas gratuitas.”

Leia a matéria aqui.

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Aprendendo com G

G é um adolescente que estuda em uma rede de ensino fundamental municipal. Segundo ele, sua família não se importa muito com ele e era muito indisciplinado na escola. A escola de G faz parte de uma iniciativa de criação de Comissões Próprias de Avaliação compostas por gestores, professores, funcionários, alunos e pais que regularmente discutem a qualidade da escola. G integra esta Comissão representando, junto com outros, os estudantes desta escola.

Recentemente, em um balanço desta experiência, G pediu a palavra e falou para uma plateia de 100 pessoas em uma Universidade da região. Ele disse que havia pedido a palavra para agradecer ter podido participar da experiência de pertencer a uma Comissão de Avaliação pois havia conseguido enxergar uma outra dimensão da escola e compreendido como era inadequada a sua conduta. Agradeceu também haver encontrado uma professora, que é representante dos docentes na Comissão, que lhe havia mostrado um outro caminho.

Enquanto G falava, toda sua escola postava-se orgulhosa. Muitos da plateia choravam. Fiquei pensando o que tudo isso tinha com “avaliação”. Imaginei meus colegas estatísticos naquela situação e sua reação: certamente diriam que “faltou objetividade”. Entretanto, aquela situação e a intervenção de G estavam exatamente nos ensinando o que devemos entender por “qualidade social da educação”.

Muitas vezes temos dificuldade para explicar este conceito. Aí está um exemplo muito claro. Na qualidade social, as crianças valem mais que as pontuações que obtiveram em testes. Certamente G não tem uma boa pontuação, mas quanto vale  (socialmente) ter resgatado G para a vida social – mesmo que fosse somente G naquela escola? Mesmo que G continuasse com pontuação baixa. Na qualidade social, os testes são parte do processo, mas não definem o processo. Entretanto, focados em médias altas, as escolas podem não ter interesse em alunos com médias baixas e descartar ações que viabilizem resgatar sua auto estima, elemento fundamental para se recuperar seu interesse pela escola e consequentemente aumentar sua pontuação. Daí que a segregação territorial aumente com estas práticas voltadas para elevação de médias – entre elas os bônus.

E porque alguns choravam? Certamente por vários motivos, mas um é quase certo: para nós professores, o sucesso de nossos alunos – em sentido amplo e social – é a nossa melhor recompensa. Para podermos produzir este efeito, entretanto, é preciso ter condições de trabalho e salários dignos e não bônus.

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Desavisado

Um prefeito desavisado aqui perto de Campinas, na cidade de Monte Mor, resolveu criar uma lei que lhe permite pagar bônus a médicos que atendam até seis pacientes por hora, ou seja, que gaste apenas 10 minutos com cada paciente.

Você iria nestes médicos? O Conselho Regional de Medicina de São Paulo diz que isso é “um absurdo”, que a qualidade não vai melhorar e que o risco para o paciente aumetará. E ele está certo. O SINDMED também disparou contra.

Antes algumas administradoras de Planos de Saúde já haviam implantado bônus para seus médicos que não pedissem mais do que uma certa quantidade de exames.

A ideia de bônus ao invés de salário digno tem mais de 100 anos de idade. Foi aprimorada na época dos estudos sobre comportamento operante (Skinner) e suas contingências de reforçamento.

De fato, o que está em jogo é que a lei de responsabilidade fiscal está sufocando todos os prefeitos e eles, porque não querem parecer “gastões”, não atiram com esta lei. Como já disse aqui, há municípios que têm dinheiro mas não podem contratar professor ou pagar mais porque atingem o limite de gastos da lei de responsabilidade fiscal.

Por isso, preferem pagar bônus que não entra no cômputo da lei ou terceirizar para ONGs que também não entram no cômputo.

Quando FHC fez esta lei a ideia era, além da responsabilidade fiscal, abrir um canal para a privatização do serviço público. E ela está sendo muito bem sucedida.

Aquele prefeito de Monte Mor mexeu com quem não devia. Uma coisa é dar bônus para uma categoria como a de professores, que não tem força social. Outra, é mexer com médicos… Vira manchete de jornal no dia seguinte.

O efeito será o aumento da segregação social no atendimento médico. Aqueles que não tiverem opção, irão consultar com os médicos “rapidinhos”. Os que tenham um pouco mais de condição econômica, fugirão destes para outros ainda que tenham que pagar. O povão fica com os rapidinhos.

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PNE: entidades reagem

“Boa tarde, companheir@s!

A reação da sociedade civil ao relatório sobre o PNE (Plano Nacional de Educação) apresentado por José Pimentel (PT-CE) à CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) acaba de dar resultado.

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ), presidente da CAE, concedeu vistas coletivas do projeto, após as manifestações dos senadores Cristovam Buarque (PDT-DF), que leu na íntegra o posicionamento público da Campanha Nacional pelo Direito à Educação (abaixo, ou no link: http://bit.ly/12uyla4), e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), em favor de uma discussão mais ampla e aprofundada do PNE.

A tarefa agora é melhorar o texto do relatório até a sua votação, na próxima semana, para que este garanta o direito de todas e todos à uma educação pública e de qualidade.
#PNEpraVALER!

Segue o posicionamento público:

POSICIONAMENTO PÚBLICO

PNE no Senado Federal:

O texto precisa ser aprimorado, não desconstruído.

Brasil, 13 de maio de 2013.

Após 143 dias, o relator do Plano Nacional de Educação na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal, Senador José Pimentel (PT-CE), apresentou seu novo relatório sobre a matéria. De 17 de dezembro de 2012 a 09 de maio de 2013, a educação pública brasileira aguardou ansiosamente pelo parecer, na esperança de ver serem mantidas conquistas importantes no texto aprovado na Câmara dos Deputados. Adicionalmente, ansiava por aperfeiçoamentos no texto das Metas 4, 7 e 19, e suas respectivas estratégias.

No entanto, embora o relatório do Senador Pimentel tenha melhorado na forma, em aspectos conceituais e práticos retrocede.

A nova redação da Meta 4, que trata, principalmente, da inclusão das pessoas com deficiência na rede regular de ensino, traz retrocesso conceitual. Ao ressalvar a inclusão em “casos específicos atestados por laudo médico competente, validado pelos sistemas de ensino”, se equivoca em dois aspectos: em primeiro lugar, o direito à educação é um direito humano e constitucional, não pode ser ressalvado em quaisquer hipóteses. Em segundo lugar, retoma um paradigma superado em todo mundo: aquele que trata a deficiência como doença, correndo-se o risco de medicalização da educação.

Diferente de todas as demais metas e tópicos do PNE, a melhor redação da Meta 4 foi aquela proposta pelo Ministério da Educação, no texto original do plano, encaminhado em dezembro de 2010 ao Congresso Nacional. Tanto é assim, que as redações tanto da Meta, como das estratégias, não receberam propostas de alteração por parte da sociedade civil. Portanto, e somente nesse caso, é preciso retomar o texto original.

Na Meta 5, diferente do correto texto da Câmara dos Deputados, que serviu de referência ao PNAIC (Programa Nacional de Alfabetização na Idade Certa), a proposta de Pimentel é trabalhar com a idade das crianças e não com o ano letivo correspondente ao ciclo de alfabetização. O ideal é congregar ambos. A lei do PNAIC, bastante recente, determina a alfabetização de todas as crianças até os 8 anos de idade e ao final do 3º ano do ensino fundamental. É um tema polêmico, mas que vem sendo debatido desde 2003 no Brasil.

A menção ao 3º ano é necessária, pois a gestão dos sistemas de ensino não se orienta pela idade dos alunos e sim pelos anos letivos contados dentro de um ciclo ou etapa da educação básica. Ademais, diferente daquilo que já foi estabelecido pelo recente programa do Governo Federal e negociado com os demais entes federados, trabalhadores da educação e pedagogos, Pimentel propôs uma nova meta: que, ao final do PNE, todas as crianças até os 6 anos de idade estejam alfabetizadas.

Sem retomar importantes questões pedagógicas e cognitivas, adiantar desse modo uma meta intensamente negociada, provavelmente, não terá significado prático. É melhor garantir a alfabetização plena aos 8 anos de idade e ao final do 3º ano do ensino fundamental, tal como já foi estudado e estabelecido pelo PNAIC, do que alfabetizar rápido e mal todas as crianças até o 6o ano de idade, inclusive correndo-se o risco de se escolarizar a educação infantil.

Na Meta 11, das mais de 2,2 milhões de matrículas de educação profissional a serem criadas, segundo projeções do deputado Angelo Vanhoni (PT-PR), relator do PNE na Câmara dos Deputados, foi determinado que metade delas, cerca de 1,1 milhão, fosse de responsabilidade do Poder Público. Já na Meta 12, também pelo texto da Câmara dos Deputados e, novamente, conforme as estimativas do deputado paranaense, das quase 6 milhões de matrículas a serem criadas no ensino superior, 40% deveriam ser públicas (2,4 milhões).

Em nota, conforme informa matéria publicada hoje no jornal “O Estado de S. Paulo”, o Ministério da Educação afirma que com as medidas, o relatório de Pimentel protege “programas vitais, que promovem a inclusão, como o Ciência sem Fronteiras, o Programa Universidade Para Todos (ProUni), o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC) e o Fundo de Financiamento Estudantil (FIES)”.

Na letra fria do texto, não é disso que se trata. Em ambas as metas, 11 e 12, o texto do relator na CAE do Senado Federal substitui a expansão de vagas públicas (ainda que em número menor) por vagas gratuitas. Ou seja, não apenas amplia iniciativas como o ProUni e Pronatec, programas importantes, mas com características emergenciais e transitórias, mas compreende que toda a expansão de vagas se dará por eles, ou por iniciativas similares de parcerias público-privadas ainda não discutidas, o que é ainda mais preocupante e temerário, haja vista que o PNE é um instrumento do Estado brasileiro, com abrangência superior e anterior aos mandatos dos governos.

Em outras palavras, especialmente o governo federal, mas também os governos subnacionais, serão desresponsabilizados de expandir a educação profissional e o ensino superior em estabelecimentos próprios, marcadamente aqueles que apresentam melhor qualidade e que tem sido centrais ao desenvolvimento do país. Ao contrário, poderão ser promovidos programas de bolsas de estudo em estabelecimentos bem menos qualificados, o que é muito menos custoso, mas nada estratégico em termos econômicos. Em resumo, o Brasil precisa superar sua tradição de apenas expandir matrículas. É preciso incluir os jovens em cursos de educação profissional e superior que ofereçam educação de qualidade.

A desresponsabilização do Poder Público nas Metas 11 e 12 acarretou consequências ao texto da Meta 20. Nesse caso específico, a redação da Câmara dos Deputados respeitava, corretamente, o princípio do financiamento público para a educação pública, a partir das projeções discorridas acima e outras, relativas à educação básica. Por lógica, o conjunto do Estado brasileiro só pode e deve projetar demanda de custos sobre os estabelecimentos de sua responsabilidade, ou sobre programas formalmente constituídos. Mas há outros problemas no que tange a sustentação financeira e de gestão do PNE, relativo ao mecanismo do CAQi (Custo Aluno-Qualidade Inicial), como será visto mais a frente.

Antes e em primeiro lugar, no texto proposto pelo relator na CAE do Senado Federal, foi extraída a meta intermediária que determinava que o investimento público em educação pública deveria alcançar um patamar equivalente a 7% do PIB até o 5º ano de vigência do PNE. Qualquer plano sério exige metas intermediárias, mas isso foi ignorado. Ademais, com essa mudança, a presidenta Dilma Rousseff ou qualquer outro/a candidato/a que vença o pleito em 2014, ficará desreponsabilizado de ampliar o financiamento da educação pública, deixando todo dispêndio de recursos para seu sucessor. Ou seja, a Meta mais debatida e estratégica do PNE, se for mantido o texto proposto por Pimentel, tende a ficar inviável.

Seguindo a sequência do texto, para fazer jus às perigosas mudanças nas Metas 11 e 12, o investimento público de 10% do PIB menciona apenas o termo “educação”, permitindo a transferência de recursos públicos para estabelecimentos privados, sem qualquer delimitação sobre os programas a serem beneficiados, nem os necessários critérios de transitoriedade. Com isso, se prevalecer o texto de Pimentel, fica aberta uma porta de saída de recursos públicos, que ao invés de fortalecer as escolas e universidades públicas, pode ser determinante para seu enfraquecimento.

Ainda no tocante à Meta 20, o relator desobrigou o Poder Público, especialmente a União, de implementar o mecanismo do CAQi (Custo Aluno-Qualidade Inicial). O texto da Câmara dos Deputados exigia a implementação do CAQi após 2 anos de vigência do PNE. Já na redação de Pimentel, o texto apenas obriga o Ministério da Educação a “definir” o CAQi no mesmo prazo.

Não se trata de uma mudança pequena. Ao contrário, é muito grave. O CAQi é a principal referência para se garantir a boa gestão dos recursos do PNE. Criado em 2007 pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação, este mecanismo determina quanto deve ser aplicado, por aluno ao ano, para as escolas públicas garantirem, ao menos, um padrão mínimo de qualidade, conforme critérios determinados pela LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) e considerando valores diferenciados para cada etapa da educação básica.

É um instrumento tão sério e reconhecido pela comunidade educacional, que além de ser aprovado pelos delegados e delegadas da Conae/2010 (Conferência Nacional de Educação) e constar do Documento Referência da Conae/2014, foi incorporado e normatizado pela CEB (Câmara de Educação Básica) do CNE (Conselho Nacional de Educação).

No entanto, infelizmente, o parecer e a proposta de resolução que normatizam o CAQi, por ora codificado como parecer CEB/CNE 8/2010, aguarda homologação do MEC (Ministério da Educação) desde maio de 2010; ou seja, se encontra congelado no Ministério há 3 anos. Em outras palavras, gravemente, o texto de Pimentel, ao ignorar a séria falta de homologação por parte do MEC, concede ainda mais 2 anos para a pasta desconsiderar o trabalho realizado pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação, o voto dos milhões de participantes da Conae/2010, além da própria deliberação da Câmara dos Deputados, onde o mecanismo foi amplamente debatido e apoiado. E o pior: não define qualquer prazo para a implementação desse importante instrumento. Mais uma vez, o Poder Público fica desresponsabilizado.

E é daí que decorre um grave erro de lógica, pois a Estratégia 20.8 diz que a União deverá complementar recursos aos Estados e Municípios que não alcançarem o valor o CAQi. No entanto, não é possível haver complementação de recursos por meio de um mecanismo que sequer tem prazo para implementação. Assim, segundo o próprio texto do relator, a União ficará mais uma vez desresponsabilizada de cumprir com sua obrigação constitucional, determinada pelo Art. 211 da CF/88, de colaborar técnica e financeiramente com os demais entes federados, de forma supletiva.

Para piorar o quadro, infelizmente, diferente do ocorrido em outras Metas e Estratégias, não há no relatório qualquer justificativa para as alterações nos tópicos que tratam do mecanismo do CAQi.

A rede da Campanha Nacional pelo Direito à Educação espera que os senadores e senadoras – especialmente, o próprio relator da matéria na CAE, Senador José Pimentel – aprovem um texto de PNE capaz de confirmar e aperfeiçoar as conquistas estabelecidas na Câmara dos Deputados.

É preciso que o texto do Senado Federal amplie as conquistas, com celeridade. E isso não será possível aprovando-se um texto incapaz de responsabilizar seriamente o Estado brasileiro por meio de mecanismos concretos e objetivos de fortalecimento da educação pública, que é a educação de todos e todas, para todos e todas.

O Brasil precisa de um “PNE pra Valer!”. E nós, rede da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, vamos trabalhar incansavelmente por esse objetivo, cumprindo com nosso papel mobilizador, articulador, analítico e propositivo, certos de que teremos uma boa interlocução com todos os senadores e todas as senadoras.

E um “PNE pra Valer!” é um PNE que respeite as deliberações da Conae/2010.

Assina: Comitê Diretivo da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

Ação Educativa

ActionAid Brasil

CCLF (Centro de Cultura Luiz Freire)

Cedeca-CE (Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará)

CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação)

Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente

Mieib (Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil)

MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra)

Uncme (União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação)

Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação)”

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Ainda sobre as estatísticas da SAE

Reagindo ao texto do Shankerblog incluído na postagem anterior, Jason Glass de Ohio afirma que Dale Ballou de Vanderbilt, Bill Sanders (quem inventou a modelagem por valor-agregado) e Paul Wright da SAS escreveram sobre esta questão em 2003 também. Ele cita:

“Embora haja evidência que, virtualmente, todos os estudantes, mesmo aqueles procedentes de meios desfavorecidos, podem ter sucesso em um ambiente educacional adequado, é muito mais difícil elevar o desempenho de crianças desfavorecidas para novos patamares. Responsabilizar professores e administradores pelos resultados dos alunos sem ter em conta as diferenças de fundo dos alunos é manifestamente injusto e, a longo prazo, contraproducente. Tais políticas vão alienar educadores, tornando mais difícil que os professores trabalhem com a população mais necessitada. A percepção de que os educadores estão sendo responsabilizados pelo desempenho dos estudantes sem levar em conta os fatores que estão além de seu controle pode em última análise, desacreditar o próprio movimento por standards ” (p. 37).

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Paes de Barros e suas estatísticas

Ontem divulgamos a seguinte notícia:

“O secretário de Ações Estratégicas da Presidência da República, Ricardo Paes de Barros, afirmou que a educação brasileira tem melhorado, mas bem abaixo que seus vizinhos em qualidade. Paes de Barros destacou o papel do professor ao afirmar que a qualidade do profissional não tem relação necessária com titulação ou experiência, “mas é fundamental”. “Do melhor para o pior professor há um aumento de aprendizado de 70% em relação àquele que tem o pior desempenho.”

Não é a primeira vez que as estatísticas da SAE surpreendem. Dito desta forma, e no contexto de Lei de Responsabilidade Educacional, Paes de Barro distorce o que sabemos sobre os fatores associados que afetam a aprendizagem do aluno. E ao distorcê-las coloca a responsabilidade da aprendizagem sobre o professor, de forma exclusiva: seria possível melhorar a aprendizagem em até 70% se o professor fosse melhor. Nada mais falso como mostra a evidência empírica (na versão por extenso e não sintética de Paes de Barros) abaixo.

“Mas no panorama geral, cerca de 60 por cento dos resultados do desempenho é explicado pelo aluno e as características da família (a maioria é imperceptível, mas provavelmente se refere ao rendimento/pobreza). Fatores de escolaridade observáveis e não observáveis explicam cerca de 20 por cento, a maior parte deste (10-15 por cento) se deve a efeitos de professores. O resto da variação (cerca de 20 por cento) é inexplicável (erro). Em outras palavras, embora as estimativas precisas variem, a preponderância da evidência mostra que as diferenças de realização entre os alunos são predominantemente atribuíveis a fatores externos das escolas e salas de aula (ver Hanushek et al 1998;. Rockoff 2003;. Goldhaber et al 1999; Rowan et al. 2002; Nye et al 2004).

Agora, para ficar claro: isso não significa que os professores não são realmente importantes, nem que o aumento da qualidade do professor só pode gerar melhorias pequenas.”

Leia matéria completa aqui.

É isto que se pode afirmar, de forma contextualizada.

É uma delícia o mundo da política. Enquanto lá as pessoas podem fazer afirmações sem ter a responsabilidade de demonstrá-las, na ciência somos cobrados por ter evidência empírica para cada palavra que dizemos – mesmo que isso nem sempre seja possível.

Que tal uma Lei de Responsabilidade Política de forma a manter os políticos responsáveis pelo que falam e fazem.

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Frase

“O pagamento por mérito é uma idéia que nunca funciona e nunca morre. Ela foi tentada nas escolas por quase um século e nunca fez diferença, a não ser a de produzir a desmoralização dos professores e a destruição da colaboração.”

Diane Ravitch, 2013

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E a lei está indo…

A elaboração da Lei de Responsabilidade Educacional segue na Comissão Especial. Cansei de insistir em que de lá acabará vindo uma proposta de responsabilização verticalizada que a título de premiar o bom desempenho, punirá os que não são tão bons – segundo os critérios que se estabeleçam. Mais, não há metodologia confiável para determinar quem tem bom desempenho e quem não tem. Este debate está velho dentro dos Estados Unidos, mas aqui, anima plateias e desperta receitas que em outros lugares não deram certo.

Excetuando o CEDES, não vejo reações à proposta.

Mas o Movimento todos pela Educação está atento. Abaixo, notícia em sua página mostra para onde as coisas estão indo.

“A definição de critérios e de mecanismos de responsabilização dos gestores e profissionais pelos resultados obtidos na educação é um os maiores desafios dos deputados da Comissão Especial da Lei de Responsabilidade Educacional.

Em audiência pública da comissão que analisa o Projeto de Lei 7420/06 e outros 14 projetos que tratam da qualidade do ensino, o presidente do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) e ministro interino da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Marcelo Neri, afirmou que essa é a oportunidade de dar um salto na educação.

Neri afirmou que o ideal é que a lei crie uma cadeia de responsabilidades que vá dos alunos até o ministro da Educação, envolvendo professores, família e gestores. Ele questionou um sistema punitivo. Neri defendeu a premiação dos progressos alcançados.

O secretário de Ações Estratégicas da Presidência da República, Ricardo Paes de Barros, afirmou que a educação brasileira tem melhorado, mas bem abaixo que seus vizinhos em qualidade.

Paes de Barros destacou o papel do professor ao afirmar que a qualidade do profissional não tem relação necessária com titulação ou experiência, “mas é fundamental”. “Do melhor para o pior professor há um aumento de aprendizado de 70% em relação àquele que tem o pior desempenho.”

Sistema positivo de avaliação

O economista Paes de Barros também defendeu um sistema positivo de avaliação, que premie o bom desempenho. “O aprendizado de matemática e português não depende só do professor, ou só da escola ou só do sistema educacional. Depende se o pai lê para ele à noite ou não, depende do esforço que a criança coloca. O sistema de remuneração e de responsabilização é que se tem de chegar perto do esforço. O que se quer é mais resultado, mas deve-se incentivar mais o esforço.”

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