O cara

Postado originalmente na Uol em 8/02/2012

Arnobio Marques de Almeida Junior, conhecido como Binho Marques, é o novo Secretário da Secretaria de Articulação com os Sistemas de Ensino (SASE) do MEC, que era antes ocupada por Carlos Abicalil. Pragmático, eclético em suas referências, é especialmente talhado para o estilo do governo Dilma. Esta é uma característica comum aos novos ocupantes do MEC, a começar pelo Ministro, acrescido com Carlos Calegari na SEB e agora Binho Marques na SASE.

Binho Marques é o cara. Foi Secretário da Educação do Município de Rio Branco; Secretário da Educação do Estado do Acre, Vice-governador e Governador do Acre. Imagina-se que não queimaria sua indicação em uma Secretaria de menor importância. Afinal, trata-se de um ex-governador.

Em uma recente entrevista no final do ano passado, ao Cenpec, Binho mostra como pensa e qual seu estilo de governar.

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O novo MEC e o ‘milagre do Acre’

Postado originalmente na Uol em 9/02/2012

Nas últimas duas postagens apresentei como pensa Binho Marques, da atual SASE/MEC. A SASE é responsável por apoiar o desenvolvimento de ações para criação de um sistema nacional de educação. Por isso, é um local importante do ponto de vista da indução da política do MEC. Não se espera que ele repita o “milagre do Acre”, pois os sistemas são de propriedade dos Estados e Municípios. Mas, os conceitos defendidos por Binho podem vir a orientar políticas de indução e de reforço à responsabilização verticalizada, à meritocracia e privatização no sistema. Os Estados Unidos pagaram um preço elevado por acreditar que Bush, quando era governador do Texas, tinha feito um “milagre” idêntico. Posteriormente, os estudos mostraram que isso não era realidade. Mas, o tal “milagre” já havia sido usado para fundamentar a aprovação da Lei de Responsabilidade Educacional americana em 2001.

Várias das ideias apresentadas por ele, em recente entrevista no final do ano passado e que resumi nas postagens anteriores, são simpáticas ao senso comum. Quem pode ser contra melhorar os índices nas provas, ser contra colocar o aluno no centro das preocupações, enfrentar oligarquias, privilégios, etc. Parecem propostas razoáveis aos olhos do senso comum. E nisso reside seu perigo. Fazem crer que “nota alta” em testes é igual a qualidade em educação. Que o problema da educação está no corporativismo do sindicato ou na inapetência administrativa da academia, como se coubesse a ela cuidar dos problemas da rede de ensino. A academia é local de produção de conhecimento e isso não se faz sem a crítica. Também Paulo Renato (e sua turma), um dos mestres confesso de Binho, reclamava da academia e dos cursos de Pedagogia. Também ele reclamava dos sindicatos. Foi até elogiado pela “The Economist” por isso. Por fim, Binho estabelece relações causais não demonstradas entre a sua política e os resultados melhores nos testes do Acre.

No Acre, os profissionais mais experientes da rede foram tratados a pão e água, sem aumento de salários, tiveram os mesmos achatados, em nome de fortalecer o salário dos que estavam iniciando a carreira – uma hábil manobra para dividir o magistério.

De imediato, devo dizer que não há nenhum conflito entre o que ele pensa e o que pensa o Movimento Todos pela Educação. Mais, o que ele propõe é uma base sobre a qual se pode alojar as concepções mais exigentes ainda deste Movimento. Qual a diferença entre Movimento Todos pela Educação e o Pacto pela Educação que Binho fez no Acre ou que o Ministro Mercadante quer fazer agora no MEC? Nenhuma.

Binho, aliás, foi escolhido por ter conduzido seu Pacto Estadual pela Educação e por ter se dado bem com os números, ou seja, o Acre avançou para a média nacional no desempenho da Prova Brasil. Tem portanto, a cobertura dos números e a cobertura ideológica que necessita do Todos pela Educação, para não falar da cobertura institucional que receberá do ministério e do próprio Presidente do Movimento Todos pela Educação, Gerdau, que administra ao lado de Dilma.

Mas há mais problemas. Primeiro, retirar uma rede estadual do fundo do poço pode ser feito com algumas canetadas e pressões administrativas. Como ele mesmo admite, assumiu a educação no seu estado quando ela estava no fundo do poço. É sabido que redes muito desestruturadas reagem bem a canetadas gerencialistas, aumento de investimentos, etc. A questão vem depois, quando, já minimamente estruturadas, os avanços tornam-se mais difíceis, até pelo esforço que envolvem. Somente estudos de longo prazo esclarecem estas questões.

Uma noção canhestra de autonomia – autonomia para fazer o que o centro do poder quer – foi posta em marcha no Acre. Processos verticalizados de comando retiram o protagonismo da escola. O processo didático – ou como ele diz, a “sequencia didática”, é definida pela Secretaria, fazendo do professor um mero seguidor de instruções. Um “big brother do bem” como reconhece Binho em sua entrevista. Vencida a fase inicial da canetada, a rede encontra-se frente a desafios novos com uma escola fraca para dar conta da nova tarefa. É neste ponto que tais reformas costumam aumentar a pressão, pois não podem contar com as forças internas da escola. A padronização e o controle, então, encontram seu limite.

Recente relato revela que as escolas no Acre padecem dos problemas engendrados pelo gerencialismo:

“De um lado, há escolas que buscam melhorar o desempenho dos alunos, envidando todos os esforços para as ações pedagógicas sobressaírem-se sempre. Nessas foram criados grupos sistemáticos de estudo, há rotinas de planejamento coletivo, são postas em prática ações sugeridas em formações continuadas, ocorrem reuniões sistemáticas com os pais, há participação da comunidade em ações coletivas, há diálogo aberto com os alunos e, principalmente, nelas há uma equipe que acredita que é possível desenvolver nos alunos da rede pública capacidades leitores e escritoras.

De outro, porém, há as que tratam a meta como um cumprimento de ordem que a qualquer custo deve ser obtida. Para isso, usam de artifícios e estratégias que, se não observadas amiúde pela SEE, cometem o absurdo de convidar para vir à escola no dia de realização da prova, por exemplo, somente alunos que demonstram ter bom desempenho em todas as disciplinas. Há também as que tentam fazer seleção na matrícula dentre outras tantas anormalidades, descaracterizando assim o resultado, o perfil da turma, a qual, vale a pena não esquecer, estuda na escola pública com direito constitucional garantido. Em escolas com equipes gestoras com esse perfil, em período próximo à aplicação da Prova Brasil/Saeb, frequentemente as aulas são interrompidas por vezes sem o devido esclarecimento aos alunos e cedem espaços a simulados com questões que beiram a proximidade de um curso pré-vestibular, no caso uma pré-Prova Brasil, há “aulões” para os alunos aprenderem a ler e a resolver as questões das avaliações a que serão submetidos, de forma completamente descontextualizada do ritmo natural da sala.” (Cavalcante, 2011).

Não é diferente em São Paulo onde o gerencialismo do PSDB impera há quase 20 anos. Note-se, no relato acima, as relações entre escolas se materializando nos processos de matrícula, no conjunto do sistema, criando novas formas de aprofundamento da desigualdade. Tais relações precisam ser investigadas em estudos específicos e com certa duração, antes de se “cantar vitória” e antes de servir de modelo para outros.

Segundo, pressionar o sindicato local no Acre ou a intelectualidade acadêmica do Acre a aceitar suas teses é bem mais fácil do que lidar com sindicatos nacionais (pelo menos deveria ser…) e com a própria intelectualidade acadêmica. No Acre foi fácil. Binho decretou que o sindicato era corporativo e que a academia era desinteressada. Através de um processo de desqualificação, resolveu o problema.

Claro que a CNTE e as entidades acadêmicas como Anped, Anpae, Anfope e Cedes para falar de algumas, não estão em rota de enfrentamento com o MEC. Além disso, temos o pessoal da comissão de frente do MEC que faz o meio de campo. Mas, há limites para estirar a corda. As próprias entidades ficarão expostas se passarem de certos limites. CNTE já reage ao Pronatec, por exemplo. Pode ser que estas entidades continuem a organizar seus congressos anuais, como sempre, ou pode ser que resolvam fazer análise política ao vivo e não a posteriori. Se o caminho for este, vai haver problemas.

Terceiro, há o tabuleiro político e o jogo de curto prazo. Na Secretaria de Educação Binho era senhor das decisões, com respaldo ilimitado do Prefeito e do Governador. Mas note, perdeu a eleição seguinte. Saiu-se melhor no governo do Estado. Mas, Dilma é movida a noticiário. Não vai querer estar na mídia a não ser de forma positiva. Mercadante está em campanha para Governador do Estado de SP e ele mesmo, Binho, deve estar pensando no Senado. O MEC tem 2012 e 2013 para mostrar resultados, um tempo exíguo em matéria de educação. Se quiser garantir resultados, terá que ser incisivo na política, ou seja, usar indução pesada – a la Obama. Isso pode gerar reações adversas nos Estados.

Por mais que o pragmatismo Mercadante/Binho/Calegari e a noção de Pacto mascarem as diferenças ideológicas, os processos eleitorais começam a ser jogados muito cedo no país. Em boa parte, o sucesso da estratégia dependerá de se criar, como ocorreu nos Estados Unidos em 2001, um campo suprapartidário que permita a todos os partidos auferirem ganhos eleitorais. Não sei se o processo político atual permitirá tal situação.

Note-se o que ocorreu com a privatização dos aeroportos. O PSDB já está em campanha explorando o fato. Senadores do PT no senado tentam explicar que concessão não é o mesmo que privatização, o que é mais ou menos como tentar explicar que tomada não é focinho de porco… quando ninguém pode admitir. FHC já entrou com a formulação de que “privatização” é uma questão de eficiência, portanto, suprapartidária e não ideológica, diz ele. Mas note que isso ocorre não para apoiar o PT mas para dizer que eles estão fazendo o programa do PSDB. E estão mesmo. Logo assistiremos o mesmo em educação.

Enfim, na minha forma de ver, só nos resta a oposição ao governo Dilma, como antecipei há alguns meses atrás. No âmbito do MEC a batalha foi perdida e é muito difícil justificar-se, hoje, um luta “por dentro”. Não há mais “brechas” como na “era Haddad”. A agenda educacional passa a ser definida pela ideologia dos reformadores empresariais da educação. A questão que se coloca, para quem pensa desta forma, é em quem apoiar-se partidariamente, face ao quadro atual. Mas, tenho para mim que dano maior faremos ao país mantendo sucessivos governos tipo “faz de conta”. Já fomos suficientemente pacientes com o PT.

Primeiro, confiamos que, na saída da ditadura, governos do PMDB poderiam levar a cabo a tarefa de reconstruir a educação numa perspectiva de formação humana. Quem não se lembra das expectativas com o Governo Franco Montoro em SP. Não deu. Depois veio o PT. Deu no que deu… oportunismo ideológico, pragmatismo.

Mas, penso que à medida que os “Mercadantes” e “Binhos” vão emergindo neste cenário, com sua arrogância política, cada vez mais se descuidarão, abrindo perspectivas para sua própria superação. Vai depender de todos nós.

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MEC convoca empresários

Postado originalmente na Uol em 10/02/2012

Mercadante quer que empresário invista em educação profissional

Terça-feira, 07 de fevereiro de 2012 – 19:10 “O empresariado não pode se restringir a uma reflexão sobre as políticas públicas de educação”, disse o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, em entrevista concedida na tarde desta terça-feira, 7, ao comentar o relatório De olho nas metas 2011, divulgado pela organização não governamental Todos pela Educação.

Hoje, no Brasil, cerca de 1,6 milhão de trabalhadores com carteira assinada são analfabetos. Para o ministro, o engajamento dos empresários na agenda da educação é positiva, mas as empresas precisam investir mais no setor. “É preciso ter responsabilidade social e educacional na ponta, ajudando o financiamento da educação”, disse Mercadante. Ele espera estabelecer parcerias entre o Ministério da Educação e os empresários para garantir aos trabalhadores o direito a ler e escrever.

Os empresários, segundo Mercadante, terão um papel importante no Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) e no processo de formação dos trabalhadores e seu aprimoramento tecnológico. “Se o Brasil quiser ser competitivo, tem que investir na sociedade do conhecimento. Os empresários precisam pensar menos em rotatividade e mais em formar trabalhadores qualificados e preparados para esse desafio da economia e da inovação”, destacou o ministro.

O Pronatec oferece um conjunto de ações para ampliar e democratizar a oferta de vagas na educação profissional. A meta é beneficiar até 8 milhões de pessoas com cursos técnicos oferecidos pela Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, redes estaduais, Sistema S, redes particulares e entidades particulares sem fins lucrativos.

Leia em:

http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=17492

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O jeito petista de privatizar

Postado originalmente na Uol em 10/02/2012

Com a privatização dos aeroportos na modalidade “concessão”, o PT foi pego no contrapé e tenta trazer para a cena aquilo que sempre defendeu: o conceito de público não estatal. Para o PT há privatização quando se vende um bem público, mas quando se entrega um bem público para ser administrado pela iniciativa privada, preservando-o como do Estado, então não há privatização. O PT sempre pensou isso.

Na realidade, o que temos são duas formas de privatizar: uma por venda e outra por concessão. Ambas privatizam – a primeira, para sempre; a segunda, temporariamente (apenas 20 anos renováveis por mais 20, por exemplo).

Com esta formulação, significa que as Escolas Charters americanas são perfeitamente defensáveis dentro do jeito petista de administrar. As Escolas Charters continuam sendo um aparato público, mas sua gestão é entregue à iniciativa privada.

Está, então, criada a base para justificar no governo Dilma os contratos de gestão do tipo Escolas Charters. Já reproduzi, aqui, a crítica dos educadores americanos em relação a este tipo de privatização mostrando como esta forma de administrar ajudou a destruir o sistema público de educação americano.

Deve-se agregar, ainda que, recentemente, Marcio Pochman, do IPEA, admitiu em entrevista no Blog de José Dirceu que uma parte da demanda educacional gerada pela classe média emergente pode ser atendida por “vouchers”.

Considerando que as principais formas de privatização na educação americana são as Escolas Charters e os programas de Vouchers, então temos aí a grande possibilidade do Governo Dilma apoiar estas iniciativas nos Estados e Municípios.

Mas vejamos o que o PT diz:

O título da cartilha da liderança do PT é: “Por que concessão para exploração não é o mesmo que privatização”. De acordo com o conceito dos petistas, “a privatização vende os bens da empresa estatal, o patrimônio público, e transfere a exploração da atividade econômica dessa estatal para o capital privado”. “A privatização nada mais é do que transferir para o setor privado a titularidade e gestão de empresas que até então pertenciam ao Estado”, afirma o texto.

Já a concessão, segundo a cartilha dos petistas, “prevê que os bens e serviços a serem explorados serão devolvidos ao Estado ao final do contrato – ou a qualquer momento, se o governo julgar a retomada da exploração dos serviços como de interesse público”.

Continue lendo em:

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,cartilha-explica-modelo-petista-de-concessao,833686,0.htm

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Onde investir

Postado originalmente na Uol em 13/02/2012

“Devemos parar de investir em testes, prestação de contas e consultores e começar a investir nas crianças.”

Diane Ravitch, falando a propósito da situação educacional americana. 2011.

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Avisem o Ministro

Publicado originalmente na Uol em 14/02/2012

Há 10 anos a lei de responsabilidade educacional americana fixava que em 2014 todas as escolas da América deveriam ter seus alunos proficientes em leitura e matemática. Nesta semana, o governo americano começou a colocar em prática aquilo que já se sabia há muito tempo, ou seja, que esta lei era impraticável.

Mas no Brasil, nosso Ministro da Educação quer todas as nossas crianças proficientes em leitura aos 8 anos. Todas ele disse. Quem o fizer, terá bônus. Nos Estados Unidos as medidas incluíram formas mais duras como fechamento de escolas e sua privatização por contrato de gestão – um tipo de privatização aceito pelo PT, diga-se de passagem.

Mesmo com tais medidas, o fracasso se instalou. 60% das escolas americanas não têm condições de cumprir a lei. Isso criou um grave problema: leis são para serem cumpridas, pelo menos por lá. E quem não as cumpre assume penalidades. Diante deste quadro, só restou ao governo Obama conceder uma espécie de “perdão” aos Estados que julgassem que não conseguiriam cumprir a lei. Houve fila. Para viabilizar moralmente o ato, Obama estabeleceu que o perdão seria concedido desde que os Estados mostrassem empenho em resolver o problema mais à frente. Procura, com isso, induzir sua própria reforma.

Obama, entretanto, perdeu uma excelente oportunidade para fazer uma mudança substancial na política educacional americana, que a levasse para a adoção de práticas mais exitosas, como as utilizadas pela Finlândia. Ao invés disso, preferiu dar mais do mesmo remédio que não funcionou. Induz, em troca do perdão, à adoção de procedimentos que implicam entre outras medidas o pagamento de professores pelo rendimento dos alunos auferido em testes. Alguns estados como a Califórnia, se recusaram.

Bush, autor da Lei original (NCLB), diz que o que faltou foi mais responsabilização – mais dura ainda.

Enquanto a lei americana patina, aqui, seus entusiastas procuram emplacar uma versão dela no Congresso.

O começo do fim para o No Child Left Behind

Por Kayla Webley | @ kaylawebley | 10 de fevereiro de 2012

O presidente Obama concedeu a 10 estados perdão das mais rigorosas exigências do No Child Left Behind nesta quinta-feira, em um movimento que ele disse combina “maior liberdade com maior responsabilidade.” Essa liberdade é fornecida na forma de uma renúncia que libera os estados de ter que cumprir metas que os educadores há muito se queixam de serem demasiado rígidas e impossíveis de cumprir, incluindo uma disposição fundamental que exigia que todos os alunos de escolas públicas sejam proficientes em matemática e leitura até 2014.

“Quando se trata de corrigir o que há de errado com o No Child Left Behind, nós oferecemos a todos os estados o mesmo acordo”, disse Obama em um discurso na Casa Branca. “Nós dizemos, se você estiver disposto a definir padrões mais elevados, mais honestos do que os que foram definidos pelo No Child Left Behind, então vamos dar-lhe a flexibilidade para atender a esses padrões.”

Leia também: Perspectivas para o No Child Left Behind, 10 anos após sua assinatura e George W. Bush fala ao TIME sobre o No Child Left Behind

Continue lendo em (Ingles):

http://swampland.time.com/2012/02/10/the-beginning-of-the-end-for-no-child-left-behind/#ixzz1mM3W9on3

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MEC fecha parceria com UNIBANCO

Postado originalmente na Uol em 14/02/2012

Parceria oferece apoio técnico para avaliação do ensino médio

Terça-feira, 14 de fevereiro de 2012 – 15:24 – As unidades de Federação que aderiram ao programa Ensino Médio Inovador, do governo federal, agora também podem participar do Projeto Jovem do Futuro, que é uma iniciativa do Instituto Unibanco. Os estados participantes vão receber apoio técnico para qualificar a gestão do ensino médio. Um termo de cooperação técnica, assinado nesta terça-feira, 14, entre o Ministério da Educação e o Instituto Unibanco, abre essa possibilidade aos 26 estados e o Distrito Federal.

De acordo com o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, o índice de evasão no ensino médio é muito grande e os governos da União e dos estados precisam ampliar as parcerias em busca de soluções para o problema. Desde 2009, quando foi instituído o Ensino Médio Inovador, o MEC repassa recursos para que as secretarias estaduais de educação reestruturem os currículos e aumentem progressivamente o número de horas de aula anuais.

Continue lendo em:

http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=17511

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CNTE reage à política de bônus do MEC

Postado originalmente na Uol em 15/02/2012

A Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação, corretamente, reage às intenções do Ministro Mercadante em adotar políticas de bônus na educação básica. Em seu texto, a CNTE destaca iniciativas fracassadas tanto nos Estados Unidos como no Brasil, que procuraram adotar este caminho.

Bônus escolares não dão resultados positivos

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, equivoca-se ao indicar a possibilidade de instituir política de bônus para as escolas que alfabetizarem as crianças até os 8 anos de idade. Isso porque os bônus têm sido aplicados em diversos estados, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, sem que sejam alcançados os resultados que o ministro espera obter para o país: a melhoria da qualidade da educação e a extinção do analfabetismo funcional.

Para a CNTE, a maior garantia de aprendizagem para todos os estudantes – um direito civilizatório, como bem destacou o ministro em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, no último dia 11 – consiste em garantir a equidade na oferta educacional de qualidade, com a devida valorização dos profissionais da educação. E, nesse sentido, a política de bônus é duplamente perversa, pois ela tende a beneficiar as escolas de melhores condições (estruturais, profissionais e de nível socioeconômico das famílias usuárias) e a condenar aquelas que necessitam de mais investimentos.

Importante destacar, sobre o assunto, a posição da gestora do sistema de bonificação docente e escolar dos Estados Unidos da América, Diane Ravitch – ex-secretária adjunta de educação no governo de George Bush e ex-chefe do instituto responsável pelos testes federais americanos (National Assessment Governing Board) na gestão de Bill Clinton – atualmente a pessoa mais crítica a essa política de matriz meritória e nada eficiente para as políticas educacionais.

No livro The Death and Life of the Great American School System (a morte e a vida do grande sistema escolar americano), Diane expõe os problemas dos bônus, destacando, exatamente, a punição às escolas, diretores e professores que não atingem as pontuações. Embora nos EUA tenham se chegado ao cúmulo de fechar as escolas e de demitir as equipes profissionais que ficaram abaixo das metas nacionais, no Brasil essa opção seria análoga ao desprezo das políticas públicas para com as escolas mais necessitadas (que não teriam direito ao bônus). Ou seja: é um incentivo a já lastimável desigualdade educacional.

Ainda no referido livro, Diane aponta os riscos para a tendência de a bonificação induzir os sistemas e as unidades escolares a rebaixarem os padrões do ensino com foco no desempenho dos testes nacionais padronizados. Estes, por sua vez, direcionam para a redução do currículo, comprometendo a qualidade social da educação.

Infelizmente, todo esse debate condenado no sistema americano continua na pauta do governo brasileiro, por meio das expectativas de aprendizagem (calcadas no currículo mínimo) e da transformação do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) no principal instrumento para medir a qualidade da educação, mesmo com os componentes restritos que compõem as provas estandardizadas aplicadas pelo Inep/MEC.

A CNTE, ao contrário do que tem proposto o MEC, espera que as ações públicas do executivo e do parlamento comecem a rever a trajetória equivocada do padrão de qualidade para a educação básica, direcionando-o para as deliberações da 1ª Conferência Nacional de Educação, sobretudo para a instituição do sistema nacional de educação, para o aumento dos investimentos financeiros (10% do PIB até que a dívida educacional seja reparada) e aplicação do conceito de Custo Aluno Qualidade, para a gestão democrática das escolas e dos sistemas e para os conteúdos e práticas curriculares que valorizem os anseios sociais e a cultura das comunidades escolares. (CNTE, 13/02/12)

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Receita errada

Postado originalmente na Uol em 16/02/2012

Uma pesquisa da Fundação Lemann revela que os alunos mais ricos no Estado de São Paulo também não estão aprendendo adequadamente. A resposta da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo é que o IDEB diz que sim, pois já superaram as metas do MEC em 2007 e 2009.

Cada um escolhe o índice que lhe convém. A situação de São Paulo está dessa forma depois de mais de 20 anos de um único partido comandando o Estado e aplicando todo o receituário dos reformadores empresariais da educação – inclusive os de Nova Yorque.

O que deveria ser questionado é o receituário seguido até agora. Além disso, há outros questionamentos como o caso do conceito usado na pesquisa para “alunos mais ricos”, já que o estudo só inclui escolas públicas. Há ainda o problema com a coleta de dados sócio econômicos: as informações nem sempre são precisas.

Infelizmente, no Brasil, assume-se que as bases de dados dos governos são verdadeiras, sem que sejam apresentados relatórios técnicos que comprovem sua saúde. Muitos pesquisadores conhecem estes problemas, mas se conformam dizendo que “é o que está disponível, melhor isso do que nada”. E assim estamos há décadas. O nível de exigência dos governos estaduais e do INEP sobre as terceirizadas que contratam é primário.

Pesquisa destaca atraso no ensino

14 de fevereiro de 2012 | 3h 01

Mariana Mandelli – O Estado de S. Paulo

Cerca de um terço (31,29%) dos alunos mais “ricos” do ensino público de São Paulo conclui o ensino fundamental sem ter aprendido os conteúdos de matemática referentes ao 5.º ano desse mesmo nível de ensino. No caso de língua portuguesa, essa taxa é de 19,6% do total de alunos de classe mais alta que estuda em escolas estaduais e municipais.

Entre os alunos mais pobres das redes públicas de São Paulo, 40,24% chegaram ao 9.º ano sem saber o que foi ensinado em matemática no 5.º. Esse porcentual é de 22,43% em português.

Continue lendo em:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,pesquisa-destaca-atraso-no-ensino,835454,0.htm

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Mais sobre receitas erradas…

Postado originalmente na Uol em 17/02/2012

Preso em seus próprios números, o pessoal do PISA acaba se enrolando em obviedades. É claro que quem gasta mais em educação não é necessariamente o melhor: é preciso ver em que gasta. É o caso dos Estados Unidos que é gastão, mas usa um receituário equivocado baseado na pressão sobre a escola. Em contrapartida, Finlândia gasta menos, mas usa o receituário da confiança na escola. Mas como o PISA é feito e processado por quem adere ao modo americano de fazer educação, não consegue, portanto, tirar as conclusões adequadas dos seus próprios números.

Investir mais em educação não garante melhores resultados no Pisa

Países que mais gastam por aluno não necessariamente têm os melhores desempenhos

16 de fevereiro de 2012 | 13h 19 – Efe

Os países que mais investem em educação por aluno entre os 6 e os 15 anos não são necessariamente os com melhor rendimento dos estudantes, segundo análise do Pisa divulgada nesta quinta-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Continue lendo em: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,investir-mais-em-educacao-nao-garante-melhores-resultados-no-pisa,836732,0.htm

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USA: valor agregado na berlinda

Postado originalmente na Uol em 22/02/2012

Um relatório de pesquisa produzido por três economistas de Harvard tentou estabelecer relações entre os efeitos de bons professores (que agregam maiores pontuações a seus alunos em testes padronizados) e o sucesso na vida futura dos estudantes (ganhos, carreira, taxas de gravidez, entre outras). Ao proporem que isso era possível, causaram um grande furor dentro dos Estados Unidos e o estudo foi lido como evidência empírica que apoiava a reforma educacional de Obama que, entre outros aspectos, prega o pagamento dos professores de acordo com o rendimento dos alunos em testes.

Entretanto, uma revisão por pares do estudo feita pelo NEPC mostra, agora, que as conclusões são, no mínimo, precipitadas. Testes de viés que foram aplicados aos cálculos de valor agregado de curto prazo não foram reaplicados de forma adequada para os cálculos de longo prazo.

Pelos jornais, chegou-se a recomendar que os professores de baixo valor agregado deveriam ser demitidos.

Os modelos de valor agregado podem ser úteis à educação e à política pública, mas sua associação com uma ideologia meritocrática torna-os vítimas de necessidades políticas imediatistas, retrasando seu desenvolvimento e aceitação no âmbito da educação.

Olhando novamente para os efeitos de longo prazo do professor e o valor agregado

Uma revisão NEPC aponta que testes importantes de viés foram omitidos em um relatório muito divulgado sobre os efeitos de longo prazo dos professores.

São necessárias mais evidências para provar partes importante das conclusões do relatório.

Contato: Jamie Horwitz, (202) -549-4921, jhdcpr@starpower.net; Dale Ballou, (615) 322-8039, dale.ballou@vanderbilt.edu

URL para este comunicado de imprensa: http://tinyurl.com/7up2tdz

Boulder, CO (16 de fevereiro de 2012) – Podem estimativas dos efeitos de curto prazo do ensino dos professores indicarem eficácia a longo prazo? Um relatório recente altamente publicizado, sobre os impactos de longo prazo de professores: The Long-Term Impacts of Teachers: Teacher Value-Added and Student Outcomes in Adulthood, conclui que o chamado efeito do valor agregado dos professores do ensino fundamental em seus alunos, mostram-se anos mais tarde nos alunos adolescentes, nas taxas de gravidez, no sucesso na faculdade e em ganhos na carreira. Uma nova revisão desse estudo, conduzido pelo NEPC, mostra que embora o estudo seja importante em muitos aspectos, são necessárias mais evidências para provar a parte fundamental da sua afirmação.

O relatório é de autoria de economistas de Harvard e da Universidade de Columbia: Raj Chetty, John Friedman, e Jonas Rockoff.

Dale Ballou, economista e professor de políticas públicas e educação na Universidade de Vanderbilt, analisou o estudo para o NEPC.

O estudo de Chetty, Friedman e Rockoff foi noticiado extensivamente nos principais jornais e foi citado no discurso do presidente Barack Obama sobre o Estado da União. Ele rapidamente se tornou uma parte importante das discussões nacionais sobre como devemos avaliar os professores. Em particular, alguns políticos acreditam que nós devemos basear as decisões sobre a remuneração dos professores, retenção e outras, com base em como os alunos de um professor se desempenham em testes padronizados, medidos através de “valor agregado” – abordagem que tenta isolar os efeitos de cada professor sobre o crescimento do aluno.

Estudos anteriores da metodologia de valor agregado mostraram que essas análises podem variar amplamente na dependência até mesmo de mudanças modestas nos pressupostos utilizados no modelo ou da avaliação utilizada. Os professores também têm expressado preocupação de que a excessiva dependência de resultados de testes de avaliações dos professores leve a um estreitamento do currículo e do ensino em direção ao teste.

O estudo cruza dados do IRS com o arquivo de dados de pontuação em testes de um grande bairro urbano, usando modelagem de valor agregado para estimar o crescimento de curto prazo na pontuação do teste dos alunos de professores de leitura/linguagem das artes e matemática nas séries de 4 a 8. Em seguida, o estudo examina certos resultados de longo prazo desses alunos. Os pesquisadores concluíram que os professores que provaram ser eficazes em aumentar os resultados dos testes em quaisquer desses alunos também tiveram efeitos positivos sobre outros resultados destes alunos, mesmo anos mais tarde.

Segundo Ballou, “O relatório afirma que esses resultados positivos são consequência de terem tido professores com maior valor agregado, acima e além de qualquer associação que possa surgir por outras razões.”

Os três economistas apoiam as suas conclusões nos efeitos de curto prazo com fortes testes para viés sistemático na distribuição dos estudantes pelos professores. Esses testes mostram que o valor agregado foi estimado sem viés. Fatores familiares que preveem pontuações altas do teste não estavam distribuídos de tal forma a favorecer sistematicamente professores com alto valor agregado estimado.

Mas Ballou explica que um conjunto semelhante de testes seria necessário para estabelecer que o efeito do alto valor agregado estimado dos professores sobre os resultados a longo prazo também está livre de viés. Ele escreve:

“O que é necessário agora é avaliar se os fatores familiares que predizem sucesso a longo prazo no emprego, comparecimento à faculdade etc, estão distribuídos de modo a favorecer o alto valor agregado dos professores. … Os testes de viés precisam ser executados novamente … O fato de que testes semelhantes já validaram as estimativas de valor agregado do professor não implica que eles não sejam necessários para validar inferências sobre o impacto de professores em resultados de longo prazo. Na verdade, é provavelmente ainda mais importante que estes testes sejam realizados com relação aos resultados como ganhos e prevenção de gravidez na adolescência. Dados disponíveis a partir de declarações de impostos não são susceptíveis de distinguir bem entre as famílias que fomentem o desenvolvimento do caráter e famílias que são muito menos bem sucedidas nesta tarefa. Diferenças não observadas entre as famílias tendem a ser muito importantes. A maneira de testar se o alto valor agregado dos professores têm sido sistematicamente atribuído mais a alunos cujas famílias são mais ricas em relação a esses fatores não observáveis, é realizar os testes quase-experimentais descritos acima. Na ausência disso, não saberemos se essas diferenças estavam presentes e foram a principal razão para a associação observada entre o professor de valor agregado alto e os alunos de sucesso a longo prazo.”

“Neste ponto fundamental, o relatório está aquém”, escreve Ballou. “Embora alguns destes testes têm sido relatados, muito mais evidências poderia ter sido apresentadas para apoiar esta afirmação. O mesmo tipo de testes realizados para estabelecer que o valor agregado foi estimado livre de viés poderia ter sido aplicado para testar a afirmação maior e mais significativa deste relatório: que professores de alto valor agregado melhoram os resultados da vida, muitos anos depois que os estudantes deixaram as salas de aula. Na ausência de tais provas, é prematuro afirmar que as conclusões centrais do relatório estão corretas. “

Leia (em inglês) a revisão de Dale Ballou no site NEPC em:

http://nepc.colorado.edu/thinktank/review-long-term-impacts.

Leia o relatório original de Raj Chetty, N. John Friedman, e E. Jonas Rockoff, na Web em:

http://obs.rc.fas.harvard.edu/chetty/value_added.pdf.

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Escolas Charters: privatização por concessão

Postado originalmente na Uol em 27/02/2012

Tempos de desespero em Cleveland e Ohio

Por Diane Ravitch – 14-02-2012

(…) Ohio tem feito uma grande aposta nas escolas charter [administradas por concessão]. Tem um setor de fretamento agressivo e empreendedor. Cerca de 100.000 dos alunos do estado, que tem 1,8 milhão de alunos matriculados, estão nas escolas charter, mas a inscrição nas charters é muito maior no estado nos “8 grandes” distritos urbanos. Cerca de 25 por cento (com variação de um ponto ou dois) dos estudantes freqüentam charters em Dayton,Youngstown, Cleveland e Toledo.

O professor da escola média pública em Cleveland é pago com cerca de US $ 66.000, enquanto o professor da escola média charter recebe cerca de 33.000 dólares por ano. Essa é uma grande poupança de custos para a cidade e o estado. A maioria das charters não são sindicalizadas, e os professores não têm proteção de trabalho ou direitos trabalhistas. Parece que as charter têm um plano de negócios em que mantêm os custos baixos por rotatividade dos professores, baixos níveis de experiência, e baixos salários.

Continue lendo em (ingles):

http://blogs.edweek.org/edweek/Bridging-Differences/

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Política sem evidência empírica

Postado originalmente na Uol em 29/02/2012

Fazer política com evidência empírica não garante muita coisa, mas fazê-la contrariando as evidências empíricas é malgastar dinheiro público com certeza. É o que diz o próprio Prefeito de Nova York chegado na receita do autor da matéria abaixo. O artigo é um modelo típico de como se faz politica pública no Brasil. Sem nenhuma responsabilidade por revelar suas fontes, o autor (veja aqui quem é) vai recomendando ações de política – algumas contrárias até às evidências empíricas disponíveis.

O ponto alto é quando ele diz que “Sindicatos de professores país afora ainda gritam contra a ideia de que o desempenho estudantil pode sim ser medido e diretamente correlacionado à efetiva atuação do professor em sala de aula, com recompensa para os que têm melhor performance. Isso foi feito nos países que trataram a educação com seriedade.”

Mas igualmente poder-se-ía dizer que não foi feito por países igualmente sérios como a Finlândia e que – ao contrário de alguns sérios que estão na média do Pisa – está no topo do Pisa. Sem contar o relatório da National Academy of Sciences que não aponta melhora significativa nos desempenhos dos alunos a partir da recompensa ao professor e, sem contar que os cálculos de valor agregado que permitem definir as recompensas também apresentam instabilidades inúmeras.

Tudo isto está publicado. Mas o nosso articulista – e a mídia permite – desconhece tudo isso e afirma categoricamente sua receita. O próprio Estado de SP pioneiro nestas tolices não obteve os resultados esperados. Fazer o que? É um argumento de autoridade, de autoridade ideológica. Não tem nada a ver com ciência.

Educação: as mudanças de que o Brasil precisa

Por Erik Camarano

Gazeta do Povo, 28/02/2012 – Curitiba PR

O cenário exige soluções inovadoras, metas claramente   definidas e um choque na gestão educacional, com engajamento direto da sociedade

(…)  Solucionar a segunda parte da agenda de reformas é mais complicado. Em   primeiro lugar, é preciso derrubar o mito da avaliação externa independente e  da relação entre desempenho escolar e remuneração dos docentes. Sindicatos de   professores país afora ainda gritam contra a ideia de que o desempenho   estudantil pode sim ser medido e diretamente correlacionado à efetiva atuação do professor em sala de aula, com recompensa para os que têm melhor performance. Isso foi feito nos países que trataram a educação com seriedade.  

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As trapalhadas de Bloomberg em NY

Postado originalmente na Uol em 1/03/2012

Diane Ravitch escreve sobre a divulgação das avaliações de professores feita pela Cidade de Nova York, mesmo depois de ter feito acordo com a Central Sindical dos professores dizendo que isso não ocorreria. Até Bill Gates discordou publicamente da ação de Bloomberg. Fica aí o alerta para quem gosta de acreditar em acordos – e olhe que este nem foi de gabinete. Foi acordo público.

Como desmoralizar Professores

Por Diane Ravitch – 28-02-2012

Duas semanas atrás, o mais alto tribunal do estado de Nova York determinou que o New York City Department of Education poderia liberar para o escrutínio público as avaliações de valor agregado de professores de matemática e inglês nas classes de 4 e 8 séries. O New York Post de propriedade de Rupert Murdoch, acompanhado por outros meios de comunicação, tinha apresentado um pedido de “liberação de informação” para obter os dados de teste, e a Federação dos Professores foi contra a sua liberação, dizendo que as classificações continham muitas imprecisões.

Segundo o The New York Times, o atual chanceler das escolas da cidade, Dennis Walcott, tinha “sentimentos confusos” sobre a indicação de nomes, mas seu antecessor, Joel Klein, havia “defendido” a sua liberação. Uma matéria no Columbia Journalism Review disse que o Departamento de Educação da cidade havia incentivado jornalistas a apresentar o pedido de “liberação de informação” e respondeu com velocidade não costumeira quando as solicitações foram recebidas.”

Continue lendo em (inglês): http://blogs.edweek.org/edweek/Bridging-Differences/

 

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Bill Gates: envergonhar professores não resolve

Postado originalmente na UOL em 2/03/2012

Segue abaixo artigo de Bill Gates reagindo à publicação das avaliações de professores na cidade de Nova York.

Vergonha não é a solução

Por Bill Gates

Publicado em: 22 de fevereiro de 2012

Na semana passada, o Tribunal de Justiça do Estado de Nova Iorque de apelação decidiu que as avaliações de desempenho individual dos professores poderiam ser tornadas públicas. Não tenho opinião sobre a decisão como uma questão de direito mas, como um prenúncio da política de educação nos Estados Unidos, é um grande erro.

Eu sou um forte defensor de medir a eficácia dos professores, e minha fundação trabalha com muitas escolas para ajudar a garantir que tais avaliações melhorem a qualidade geral do ensino. Mas classificar os professores publicamente pelo nome não irá ajudá-los a melhor em seus trabalhos ou melhorar o aprendizado do aluno. Pelo contrário, irá tornar muito mais difícil implementar sistemas de avaliação de professores que funcionem.”

Continue lendo em:

 http://www.nytimes.com/2012/02/23/opinion/for-teachers-shame-is-no-solution.html?_r=3

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O pragmatismo do PT

Postado originalmente na Uol em 7/03/2012

A briga Tarso Genro/Mercadante mostra como o PT converteu-se em um pragmatismo assustador. Mercadante, por ofício de Ministro, tem que defender o novo piso salarial. Mas Tarso Genro é quem paga, como Governador de Estado que é. Dessa forma, considera excessivo, pois sai do seu bolso.

Pode-se imaginar que se os lugares fossem trocados, ou seja, se Tarso fosse o Ministro e se Mercadante fosso o governador, ambos estariam apenas com os argumentos trocados. Tarso defenderia o piso e Mercadante o criticaria.

É nestas horas que o discurso da importância da educação e da importância do professor se desfaz – por quem tem que pagá-lo. É uma incoerência da política brasileira. Fala-se em qualidade da educação, mas não se quer gastar 10% do Pib com ela. Aceita-se no máximo 8% e o governo está às turras com este valor. Fala-se que o professor é importante, mas na hora do salário, é muito caro. E assim vai.

O que sobra, por que é mais barato, é a pressão sobre o professor. Pressionar não custa. Daí porque proliferem as teses de que, sendo o professor fundamental no processo de ensino, é mais adequado “valorizá-lo” pagando mais de acordo com o resultado dos testes de seus alunos, através de bônus. Mas isso, não é reforma educacional, é reforma fiscal. É uma maneira de fechar as contas. Desconfiem dos discursos sobre “a importância do professor” ou sobre a “necessidade de valorizar o professor”, pelo menos até que digam como pensam fazer isso.

O confronto será cada vez mais este: pagar um salário digno a todos, ou pagar adicionais na forma de bônus para uns poucos professores considerados “bem sucedidos”. Se o que queremos é fechar as contas, ou seja fazer uma reforma fiscal e não educacional, é de se esperar, então, que o pagamento por bônus se amplie cada vez mais.

Como a lógica dos negócios não funciona em assuntos educacionais, estas medidas somente contribuirão para que a dívida educacional real fique cada vez maior no futuro.

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Mais uma vez o SARESP

Postado originalmente na UOL em 8/03/2012

Os resultados do SARESP – sistema de avaliação do rendimento dos alunos do Estado de São Paulo – foi divulgado. Refere-se a medição feita no final de 2011. Como sempre, a divulgação é lacônica – um press release – sem maiores informações técnicas e de análise. Nada sabemos sobre a qualidade das provas aplicadas. Seja no site, seja na Folha de São Paulo, não se encontra muita coisa.

Um dado passado pela Folha é o de que o número de alunos que faltou à prova no 3º. ano do ensino médio chegou a 20%, e é maior do que o de 2010. Mesmo tendo o governo anunciado sorteio de laptops como brinde para quem fosse fazer a prova. Quanto sabiam estes alunos? Se tivessem vindo fazer a prova, a média melhoraria? Pouco provável pois sabemos que as escolas desestimulam os alunos com dificuldades a comparecer na prova. A Secretaria além de distribuir brindes, estabeleceu que para efeito do cálculo de bônus, o aluno que falta entra com valor “0”. Parece que nesta série não houve resposta às medidas. Não há dados de outras séries.

Houve uma pequena melhora no 5º. Ano. Esta é a única tábua de salvação que restou à Secretaria. Nesta série tanto em matemática como em língua portuguesa houve um aumento, considerado pela Secretaria “expressivo”, de 5 pontos – mas nenhum cálculo de significação estatística da diferença foi divulgado nem para este série e nem para nenhuma das outras. Matemática passou de 204,6 para 209,0 e língua portuguesa passou de 190,4 para 195,0. Diz a Secretaria que isto deverá nos próximos anos, refletir-se em outras séries.

Entretanto, como também não há indicadores de fatores associados divulgados, em especial nenhum cálculo de nível sócio-econômico, não sabemos se tal melhoria se deve a ações de caráter escolar ou se a uma melhoria vegetativa ligada à emergente “nova classe média”. Chicago nos Estados Unidos passou por este problema. Quando todos acharam que a educação estava melhorando, descobriram que havia uma movimentação na economia, na posição de nível sócio econômico dos alunos, inclusive com fatores de migração fortes.

Se esta é a situação na 5ª. Série, descrita pela Secretaria como “avanço expressivo”, nas demais séries o fiasco é geral. Na 9ª. Série o avanço em matemática é de 1,9 pontos passando de 243,3 para 245,2. Em leitura o “avanço” é de 0,4 ponto, passando de 229,2 para 229,6 a média.

Quanto à 3ª. Série do ensino médio a Secretaria usa o termo “estabilidade” para descrever que nesta série o ensino empacou de vez. A média em matemática passou de 262,2 para 262,7 e em língua portuguesa permaneceu a mesma com 265,7.

O Saresp existe há mais de 15 anos e ninguém se animou para fazer um gráfico que mostre a evolução destes anos todos – nem a própria Secretaria. Talvez porque não haja evolução. Neste quadro os governos preferem trabalhar com dados recentes, sem comparações. Por exemplo: em 2007 a média de português no 9º. Ano do ensino fundamental era de 242,6 e agora é de 229,6. Ninguém tenta explicar esta queda. O ensino médio está praticamente paralisado deste 2007, quando tinha 263,2 e agora tem 265,7. Ainda em português, na 5ª. Série, tínhamos 186,8 pontos de média e agora temos 195. Apenas poder-se ía comemorar o avanço em matemática na 5ª. Série do ensino fundamental que em 2007 era de 182,5 pontos e agora é de 209. Mas, como não temos os tais dados de nível sócio-econômico e sabemos que está havendo mudanças no posicionamento das classes sociais, nada pode ser afirmado sobre esta diferença positiva.

Ou seja, muito barulho por pouco. Muito pouco. Bônus, sorteios, pressões gerenciais, apostilamento da rede, etc. mostram-se mais uma vez medidas pouco eficazes na melhoria do ensino.

Mas a Secretaria tentará mostrar um “avanço expressivo” na educação paulista e alardeará que ele se deveu a esta política. Os assessores farão a divulgação deste “avanço” e a educação paulista continuará como está.

A Secretaria alega que melhorou a distribuição nos níveis de desempenho (abaixo do básico, básico, adequado, avançado). Desde Paulo Renato, mudaram os níveis com algumas fusões. Naquela época já mostramos que isso “melhorou” ou podemos dizer “maqueou” o problema. Segundo a Folha, no entanto, no nível “adequado” estão colocados apenas 4,2% dos alunos do 3º. ano do ensino médio em matemática. Neste mesma série temos 58,4% dos estudantes abaixo do básico. Esta categoria era de 57,7% em 2010, portanto, aumentou – ou na conveniente linguagem da Secretaria – está “estável”. Somente 37,1% dos estudantes estão no nível “adequado” e no avançado apenas 0,3%. Se somarmos os 58,4 (abaixo do básico) com os 37,1 do básico, temos 95,5% dos alunos com conhecimento básico ou abaixo do básico. Porque o 3o. ano do ensino médio é importante na análise? É que neste nível de ensino já operou-se uma brutal “seleção” com a evasão dos estudantes com menor desempenho. Os resultados deveriam ser outros.

Assim vai a educação paulista em seu calvário de “campo de teste” da política dos reformadores empresariais da educação. A Secretaria diz que está no rumo certo. Contenta-se com pouco e interpreta o pouco como lhe convém. De fato, a Secretaria de Educação não pode trabalhar como gostaria. Tem gente boa lá. Mas o entorno político não permitirá que ela se afaste do receituário dos reformadores empresariais. Os políticos não deixarão.

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Chile luta contra a privatização

Postado originalmente na Uol em 18/03/2012

Estudantes voltam a enfrentar a polícia no Chile

Santiago, 15 Mar 2012 (AFP) – Estudantes e policiais voltaram a se enfrentar nesta quinta-feira no centro de Santiago depois de dissolvida uma manifestação não autorizada, a primeira do ano, para reclamar uma educação pública gratuita e de qualidade.

A manifestação foi convocada pela Assembleia de Coordenação de Estudantes Secundários (Aces), uma organização que reúne parte dos alunos dos principais colégios de Santiago, e não conseguiu o apoio da Confederação de Estudantes do Chile (Confech), que congrega as principais universidades do país.

Continue lendo em:

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2012/03/15/estudantes-voltam-a-enfrentar-a-policia-no-chile.htm

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MEC anuncia avaliação nacional da alfabetização

Postado originalmente na Uol em 19/03/2012

MEC anuncia avaliação nacional da alfabetização

Por AE | Agência Estado – 3 horas atrás.. .

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, anunciou nesta segunda-feira criação de uma prova nacional para medir o grau de alfabetização de crianças de 7 e de 8 anos. O exame, que será aplicado para todos os estudantes a partir do ano que vem, será uma ampliação da Provinha Brasil, que avalia o estágio de alfabetização e de conhecimentos básicos de matemática de estudantes do 2º ano do ensino fundamental.

“A Provinha Brasil é amostral. Nós faremos um exame nacional para ver a qualidade do letramento”, disse Mercadante, que participou de um debate promovido pelo Lide, Grupo de Líderes Empresariais, na zona sul de São Paulo. No evento, o ministro disse que a garantia de alfabetização na idade correta, até 8 anos, é a grande prioridade da sua gestão. “O exame será para todas as crianças. Tem custo? Tem. Mas é muito menor que o da ignorância”.

Continue lendo em:

 http://br.noticias.yahoo.com/mec-anuncia-avalia%C3%A7%C3%A3o-nacional-alfabetiza%C3%A7%C3%A3o-211400720.html

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Fundação Fordham divulga relatório falho

Postado originalmente na UOl em 21//03/2012

Questões de Revisão do Relatório que Promove New Orleans como Escola Modelo da Reforma

Contato: William J. Mathis, (802) 282-0058, wmathis@sover.net; Kristen L. Buras (404) 413-8030, kburas@gsu.edu

URL para este comunicado de imprensa: http://tinyurl.com/78flp7v

Boulder, CO (20 de março de 2012) – Em seu relatório, A Recuperação do Distrito Escolar de Louisiana: Lições para o Estado “Buckeye”, o Instituto Thomas B. Fordham critica as estruturas de governança local urbanas e apresenta o modelo descentrazidado impulsionado pela Recovery School District (RSD) baseado em escolas charters [escolas administradas por concessão] em Nova Orleans, como um modelo de sucesso para o desempenho fiscal e acadêmico.

Revendo o relatório para o Think Twice think tank, Kristen Buras da Georgia State University, escreve que o relatório ignora a história diferenciada de Nova Orleans e não apresenta evidências para suas alegações

A revisão é publicada pelo National Education Policy Center da Universidade de Colorado, Boulder, Faculdade de Educação.

Buras, um nativo de New Orleans, é co-autor do livro Pedagogy, Policy, and the Privatized City: Stories of Dispossession and Defiance from New Orleans. Sua pesquisa sobre a reforma educacional em Nova Orleans foi publicada na Harvard Educational Review and Race Ethnicity and Education e em livros editados tais como Schooling and the Politics of Disaster and The Assault on Public Education.

Em sua revisão, Buras afirma que o relatório da Fordham, que é escrito por Nelson Smith, não menciona nada sobre o sub-financiamento crônico e a história racial das escolas públicas de Nova Orleans antes do furacão Katrina. Não há evidência de que uma conversão para escolas charter poderia solucionar esses problemas.

O relatório também interpreta mal os dados de desempenho ao afirmar o sucesso da RSD, quando os ganhos reclamados podem ser simplesmente uma função de mudança nos padrões dos teste. O relatório elogia a substituição de professores seniores por novos professores não preparados da forma tradicional, mas não fornece nenhuma evidência da eficácia desta prática.

Além disso, o relatório reivindica apoio público para as reformas, Buras escreve, ainda sobre outros indicadores que revelam sérias preocupações sobre o acesso, a equidade, desempenho e responsabilização.

“Em última análise, o relatório é uma defesa polêmica da remoção da governança pública e a substituição das escolas públicas por redes de escolas charter operadas privadamente”, Buras conclui. “É escasso em dados e gordo em reivindicações e deve ser lido com muita cautela pelos formuladores de políticas em Ohio e em outros lugares.”

Encontrar revisão Kristen Buras no site do NEPC em:

http://nepc.colorado.edu/thinktank/review-louisiana-recovery-buckeye~~V .

Encontrar A Recuperação de Louisiana School District: Lições para o Estado Buckeye, por Nelson Smith, na Internet em:

http://www.edexcellence.net/publications/the-louisiana-recovery-school-district.html .

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Apropriando-se das palavras

Postado originalmente na Uol em 25/03/2012

Um alerta importante nos chega da Flórida (USA) nesta semana. Como comenta Diane Ravitch abaixo, os reformadores empresariais da educação estão utilizando a “conversa” da participação da comunidade de pais das escolas para passar seus interesses privados. Argumentando que os pais devem ter controle social sobre a escola, tentaram passar uma lei na Flórida que estipula que se 51% dos pais estiverem de acordo, uma escola pode ser fechada ou privatizada através de contratos de concessão privados (escolas charters).

Estas escolas são administradas por grupos privados que operam contratos de gestão. É uma versão das nossas organizações sociais que estão operando tanto na saúde como na educação brasileira. Portanto, é fundamental que nós levantemos a bandeira da gestão democrática, mas não só, é preciso acrescentar “gestão pública”. A luta é pela gestão democrática e pública da escola.

LIÇÕES DA FLÓRIDA

Diane Ravitch, no Education Week – 20-março-2012

Vamos elogiar os pais das escolas públicas da Flórida.

Eles se organizaram para se opor a um projeto de lei conhecido como “Parent Trigger” ou “Empoderamento dos Pais”. Sob esta proposta de lei, se 51 por cento dos pais em uma escola pública assinarem uma petição, eles poderiam assumir a escola e decidir fechá-la ou entregá-la para uma organização de gestão por concessão privada(charter). O projeto foi envolto em uma embalagem enganosa e sedutora. Quem poderia resistir à ideia ousada de dar aos pais o poder de ter controle de sua escola pública?

Bem, descobriu-se que os pais da Flórida tornaram-se mais experientes depois de ver seus representantes eleitos aprovarem um projeto de lei após o outro para promover os interesses das escolas administradas por concessão privada e com fins empresariais lucrativos. Eles descobriram que os verdadeiros beneficiários dessa legislação seriam corporações que operam concessões privadas, e não pais ou seus filhos.”

Continue lendo (em inglês) em:

http://blogs.edweek.org/edweek/Bridging-Differences/2012/03/the_lesson_of_florida_1.html

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Quebrando a mesmice

Postado originalmente na Uol em 26/03/2012

Maria Alice Setubal ocupa hoje a página três da folha com o artigo “Os melhores professores para as piores escolas”. Raro é o posicionamento da autora entre a rede de fundações privadas no Brasil. Usualmente, tais fundações estão inseridas em esquemas de perpetuação de má política educacional (no sentido de política sem evidência empírica consistente) e de defesa ideológica das teses de mercado para a área educacional. Corajosa, Maria Alice afirma uma posição mais independente. Diz:

“O Sistema de bônus cria competição danosa e afasta bons professores dos alunos ruins; a educação não é como o mercado, em que a concorrência pode ser saudável.”

Isto é política pública calcada em evidência empírica. Basta consultarmos a literatura (em especial o estado da arte neste campo produzido pela National Academy of Science dos EUA) e vamos encontrar inúmeras ressalvas à utilização disto que está se tornando panaceia no Brasil: tratar o professor como vendedor de carros, ganhando comissão por aluno que ensina (bônus). Como já demonstrou o CENPEC em outro estudo, em áreas metropolitanas, a instituição destas políticas de pressão sobre a escola termina produzindo alterações no território que abriga um determinado conjunto de escolas, com possibilidade de aumento da segregação e discriminação negativa na aprendizagem.

Está certa a presidenta dos Conselhos do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária, da Fundação Tide Setubal – para ela, “precisamos de mais cooperação e menos competição. Precisamos ter a ousadia para inverter a relação meritocracia-competição para meritocracia-colaboração.”

Pode-se discordar de outros aspectos abordados pela autora, mas a concordância neste ponto não é pouco em uma conjuntura onde a fala de educadores profissionais é desqualificada em favor de falas rápidas e receitas improvisadas que pregam soluções muito mais alinhadas com interesses empresariais ideológicos ou de faturamento.

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USA: evidências incômodas sobre a profissão de professor

Postado originalmente na UOL em 29/03/2012

Saiu o survey sobre as percepções que professores, pais e alunos têm da profissão de professor. É o “The Metlife Survey of the American Teacher: Teachers, parents and the economy” lançado este mês nos Estados Unidos.

Este ano temos o índice mais baixo de professores satisfeitos com a profissão. O índice caiu de 59% para 44%. É o nível de satisfação mais baixo em 20 anos de pesquisas de opinião nos Estados Unidos. Curiosamente, é mais baixo exatamente no momento em que o presidente dos Estados Unidos declara que a pessoa mais importante da educação é o professor. Porém, esta importância é negada na prática ao se propor uma prática de pagamento de bônus em função da avaliação dos alunos.

Outra pesquisa: “Primary Sources: 2012 – America’s Teachers on the teaching profession” mostra simultaneamente que apenas 26% dos professores concordam em que o pagamento de bônus seja um motivador forte para seu trabalho – seja na forma de incentivo pessoal, seja na forma de incentivo coletivo à escola como um todo.

Nisso deu a política dos reformadores empresariais da educação nos Estados Unidos. Ainda há tempo de evitarmos esta catástrofe no Brasil…

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Currículo mínimo é rejeitado

Postado originalmente na UOL em 31/03/2012

Currículo mínimo é rejeitado no Senado

No último dia 6, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal rejeitou, em caráter definitivo, o Projeto de Lei oriundo da Câmara dos Deputados (PLC nº 140/2010) que visava alterar o art. 9º da Lei 9.394/96 (LDB), para atribuir à União a incumbência de estabelecer, em parceria com os demais entes federados, os conteúdos mínimos de cada ano letivo da educação básica.

A decisão acertada do Senado vai ao encontro das reivindicações da comunidade educacional, que também luta para alterar a meta 7 do Projeto de Lei do Plano Nacional de Educação, cujo conteúdo atribui ao Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (ideb) a referência exclusiva para medir a qualidade da educação brasileira, na próxima década.

 Para os/as educadores/as, as limitações estruturais e conceituais do Ideb não o qualificam como instrumento para a aferição da qualidade da educação, sobretudo por não observar princípios constitucionais, tais como: o da pluralidade do ensino – ao contrário, o Ideb é extraído de testes estandardizados –, da gestão democrática, da valorização profissionais dos trabalhadores da educação, do financiamento – que em última analise é responsável pela omissão na regulamentação do Custo Aluno Qualidade em nosso ordenamento legal.

A CNTE espera que a rejeição do mencionado projeto, no Senado, abra novos canais para a negociação desse importante tema no PNE com o relator da matéria na Câmara dos Deputados, a fim de que o PL 8.035/10 siga com maior grau de consenso ao Senado.

Leia mais em :

 http://www.cnte.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=9927:curriculo-minimo-e-rejeitado-no-senado&catid=440:cnte-informa-613-23-de-marco-de-2012&Itemid=200319

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SP: Oscilou

Postado originalmente na UOL em 31/3/2012

As notas balançaram. Para mais e para menos. Este é o problema com as avaliações de larga escala associadas a recompensas. Como pode uma escola cair de 5 para 1? As notas balançaram e ficou o sentimento de que as coisas pioraram. Só a Secretaria acha que está no caminho certo do aumento da qualidade.

De nossa parte, continuamos a dizer o mesmo de sempre: parem com distribuição de bônus, fortaleçam o professor, criem condições para que se tenham salas menores e mais atenção para os alunos. O sucesso ou o fracasso do aluno é jogado no processo.  As receitas dos reformadores empresariais não funcionarão.

Notas das melhores escolas paulistas despencam em exame 

ANDRÉ MONTEIRO; FÁBIO TAKAHASHI; TALITA BEDINELLI
DE SÃO PAULO – 31/03/2012

A maioria das escolas públicas que tiveram os melhores desempenhos da rede estadual em 2010 sofreu queda na nota no ano seguinte, apontam dados divulgados pela Secretaria da Educação.

Veja o ranking das escolas no 3º ano do Ensino Médio
Veja o ranking das escolas no 9º ano do Ensino Fundamental
Veja o ranking das escolas no 5º ano do Ensino Fundamental

 Considerando as 349 melhores de 2010 no ensino médio (10% tops), 252 tiveram nota menor no ano passado, segundo tabulação da Folha com base nos dados oficiais.  Apenas outras 9 mantiveram a nota, e 88 melhoraram. O movimento foi semelhante nas unidades com séries finais do ensino fundamental.

Continue lendo em:

http://www1.folha.uol.com.br/saber/1069860-notas-das-melhores-escolas-paulistas-despencam-em-exame-veja.shtml

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Ooops…

Postado originalmente na UOL em 31/03/2012

“O fruto amargo dos últimos anos da reforma: A última pesquisa de atitudes de professores americanos mostra uma profissão profundamente desmoralizada. A satisfação dos professores do nosso país com o trabalho despencou desde 2009, período em que os ataques contra professores aumentaram, enquanto os orçamentos encolheram. Quase um terço dos professores – 1 milhão de professores está considerando deixar a profissão. Isso é um aumento de 70 por cento em relação a 2009. Quem irá substituí-los? O último levantamento publicado pela Scholastic Gates constatou que: “Apenas 26 por cento dos professores dizem que os resultados de testes padronizados são um reflexo preciso do desempenho dos alunos.”

 Diane Ravitch

http://blogs.edweek.org/edweek/Bridging-Differences/

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Boas notícias do fronte…

Postado originalmente na UOL em 3/04/2012

Em mais de uma ocasião já ouvi sobre pesquisas que estão demonstrando que há uma aceitação tácita dos professores em relação ao recebimento de bônus.

 Debatendo, hoje, com professores e professoras de uma escola pública pude perceber que se é bem verdade que há entre eles aqueles que até aceitariam a ideia de que a competição entre escolas e entre professores pode resultar em melhoria da qualidade da escola, por outro lado, há uma grande quantidade deles que estão absolutamente conscientes de que estas estratégias destroem a educação pública.

 A receptividade aos argumentos contrários à competição é grande e rapidamente se dão conta dos caminhos equivocados que tais ideias representam para a educação das crianças.
Portanto, antes de reforçarmos aquela parcela que aceita tais propostas é preciso atuar para que cada vez mais os professores disponham de bons argumentos para recusar tais ideias. É uma tarefa possível.

 Formados no interior de uma sociedade que vive da competição, é natural que uma parte deles veja com naturalidade que sua profissão também seja tratada assim. Mas isto é o senso comum. Não pode ser generalizado e nem tratado com naturalidade. É preciso aumentar o fluxo de informações para que os professores desenvolvam uma consciência crítica sobre o problema. Os sindicatos têm um papel importante nesta questão, assim como as universidades.

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O de sempre…

Postado originalmente na UOL em 4/04/2012

A fraude é algo corriqueiro nos Estados Unidos onde tais políticas de responsabilização autoritárias se originaram. No Brasil, causa surpresa pois estas políticas estão apenas começando.

Pais e estudantes acusam escola mais bem avaliada de SP de fraude

 Alunos da escola estadual com índice 9,3 – em escala de 0 a 10 – relatam que tiveram ajuda de professoras na prova

 Marina Morena Costa, iG São Paulo | 02/04/2012 19:13 – Atualizada às 23:06

 A nota da escola estadual Reverendo Augusto da Silva Dourado no Idesp, índice de qualidade da rede de ensino paulista, impressiona: 9,3 em uma escala de 0 a 10. O desempenho da unidade localizada em um pequeno distrito de Sorocaba ultrapassa o dobro da média das turmas do 5º ano do ensino fundamental de São Paulo, 4,24. Uma simples visita à vizinhança, no entanto, foi suficiente para o iGdescobrir algo errado nessa conta. Quatro dos vinte e sete estudantes que fizeram o Saresp, prova de português e matemática que compõem o Idesp, relataram que tiveram ajuda dos professores durante a avaliação – docentes que têm o bônus condicionado ao Idesp da escola.

 “Quando a resposta estava errada, a professora mostrava o erro. Às vezes ela dava a resposta, ou falava para a gente reler o texto com mais atenção”, relata H.L.S.S., de 10 anos, que se formou na escola no ano passado e fez parte da turma bem avaliada no Saresp. De acordo com o boletim da escola, todos os estudantes tiraram a nota máxima em matemática e 81% tiveram desempenho avançado em português.”

Continue lendo em:

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/pais-e-estudantes-acusam-escola-melhor-avaliada-de-sp-de-fraude/n1597730222194.html

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Controlando pela iniciativa privada

Postado originalmente na UOL em 14/04/2012

Telma Mildner nos envia excelente matéria divulgada pelo Observatório da Educação e que dá uma visão ampla do processo de privatização do ensino médio em São Paulo, sob Alckmin. Ela também mostra como a privatização é planejada pela iniciativa privada, com custo pago por empresários que querem o controle ideológico da escola. É ela quem paga os custos do projeto para o ICE e para a Mckinsey.

Com incentivo de empresas, São Paulo terá mais 100 escolas “modelo” no ano que vem

Qui, 12 de Abril de 2012 17:00

Programa Educação Compromisso de São Paulo, atualmente testado em 16 escolas de ensino médio, será estendido também para o ensino fundamental II em 2013; falta transparência sobre parcerias e recursos

Escolas de tempo integral, apenas com professores de dedicação exclusiva. Laboratórios, três refeições diárias, parceria com empresas. Com esse modelo, iniciado neste ano pelo programa “Educação Compromisso de São Paulo”, o governo paulista pretende posicionar seu sistema educacional entre os 25 melhores do mundo até 2030. Hoje, São Paulo fica atrás de unidades da federação como Distrito Federal, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná e Espírito Santo no PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos, 2009). O Brasil ocupa a 53ª posição desse ranking.

O Programa foi lançado em dezembro de 2011 por um decreto (nº 57.571/2011). Questionada pelo Observatório se o programa dialoga de alguma forma com o Plano Estadual de Educação (nunca divulgado, o texto está sob consulta no Conselho Estadual de Educação há dois anos), a Secretaria Estadual de Educação (SEE) informou que o decreto “segue os princípios norteadores do plano”. Não informou, no entanto, quais seriam esses princípios. São Paulo é um dos 16 estados brasileiros que ainda não possuem um plano estruturado com metas para a educação, de acordo com levantamento do Observatório.

Continue lendo em:

http://www.observatoriodaeducacao.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1156:com-incentivo-de-empresas-sao-paulo-tera-mais-100-escolas-modelo-no-ano-que-vem&catid=48:sugestoes-de-pautas&Itemid=98

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Bônus e fraude em SP

Postado originalmente na UOL em 16/04/2012

Bônus para professor é erro pedagógico e incentiva fraude

Mateus Prado 11/04/2012 17:09

Professores de Sorocaba não são os únicos que escolhem o caminho mais rápido para receber três salários

Há um ano, esta coluna já havia apontado erros pedagógicos do sistema de bônus para professores da rede pública do Estado de São Paulo, como o fato de que a ação é incapaz de atrair os melhores profissionais para a carreira. Agora, após denúncia apresentada pelo iG de suspeita de fraude no Saresp em escola de Sorocaba, no interior de SP, fica também claro que o bônus causa outras externalidades (consequências que podem gerar políticas alheias a seus objetivos) extremamente “não educativas”.

Concedendo prêmios que podem chegar a três vezes o salário mensal de um profissional da educação é obvio que alguns profissionais – se não a maioria – vão preferir o caminho mais rápido, simples e direto para receber esses três milagrosos salários de recompensa. No caso de Sorocaba, esta recompensa seria pelo risco de ser pego cometendo uma irregularidade, ainda que ele seja pequeno e encarado também por professores em inúmeros outros colégios. A descoberta da suposta fraude pelo iG se deu muito mais pelo tamanho da sede do professor ou professores envolvidos na fraude do que pela desconfiança da sociedade em relação ao sistema.”

Continue lendo em: http://ultimosegundo.ig.com.br/colunistas/mateusprado/bonus-para-professor-e-erro-pedagogico-e-incentiva-fraude/c1597739066849.html

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