USA: desmoralizando o magistério

Postado originalmente na UOL em 22/04/2012

Linda Darling-Hammond, em seu post “O dano por trás da campanha publicitária” comenta a recente divulgação das notas dos professores na cidade de Nova York:

“Aqui está a chamada: “pior professora” de New York City – ela foi recentemente escolhida e assim rotulada pelo New York Post, após o Departamento Municipal de Educação divulgar o valor agregado nas pontuações dos testes de avaliação aos meios de comunicação para milhares de professores da cidade, identificando cada um pelo nome.”

Mas nao foi somente isso. Os reporteres perseguiram a professora rotulada como a pior na cidade fazendo-lhe perguntas sobre seu desempenho ruim e chegaram a ir até à casa de seu pai.

“Agora os fatos: Mauclair é uma experiente e muito admirada professora de Inglês. Ela trabalha com os novos estudantes imigrantes que ainda não falam Inglês em uma das mais fortes escolas de ensino fundamental da cidade. Sua escola, PS 11, recebeu um A pelo sistema de classificação da cidade e é liderada por uma das diretoras mais respeitadas da cidade, Anna Efkarpides, que declara ser Mauclair uma excelente professora. Ela acrescenta: “Eu colocaria meus filhos em sua classe.”

O mais preocupante é que a cidade divulgou as notas ao mesmo tempo em que alerta que margens de erro enormes limitam as classificações: mais de 30 pontos percentuais em matemática e mais de 50 pontos percentuais em língua inglesa.

Continue lendo (em inglês) em: http://www.edweek.org/ew/articles/2012/03/05/24darlinghammond_ep.h31.html

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Cresce reação aos testes nos USA

Postado originalmente na UOL em 27/04/2012

Diane Ravitch escreve em seu blog de 24 de abril de 2012: “O problema é maior do que um abacaxi”. Diz ela:

“A reação contra testes padronizados de alto impacto está crescendo em uma revolta genuína em todo o país. Cerca de 400 distritos escolares no Texas aprovaram uma resolução contra testes de alto impacto e o número aumenta a cada semana. Quase um terço dos diretores no estado de Nova York (alguns com risco de perder seus empregos) assinaram uma petição contra (veja aqui a petição) o novo e não testado sistema de avaliação de alto impacto do estado, baseado em teste.

Hoje, um grupo de associações dedicadas à educação, direitos civis e às crianças, emitiram uma resolução nacional contra testes de alto impacto com base na resolução do Texas. A Resolução Nacional do Teste (veja aqui) exorta os cidadãos a participar da rebelião contra os testes que agora têm foco nas crianças e seus professores. Apela a governadores, assembleias legislativas e conselhos estaduais de educação a reexaminar seus sistemas de prestação de contas, reduzindo sua dependência de testes padronizados e a aumentar o seu apoio aos estudantes e escolas.”

Continue lendo (em inglês) em: http://blogs.edweek.org/edweek/Bridging-Differences/2012/04/the_problem_is_bigger_than_a_p.html

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Conselho do criador…

Publicado originalmente na UOL em 29/04/2012

Foi preciso o c0-criador do IDH dizer. O indiano Amarya Sen, é também prêmio Nobel em economia no ano de 1998. Ele disse que “os índices não conseguem medir com precisão a vida da pessoas”. Logo, os gestores não devem usar os indices para definir a vida das pessoas. Lógica simples. A matéria aparece no IG (Último Segundo):

Criador do IDH minimiza importância de índices

Em encontro no Rio de Janeiro, Amarya Sen diz que alunos cotistas tendem a se tornar profissionais mais preocupados com sociedade

Tatiana Klix, enviada ao Rio de Janeiro | 27/04/2012 10:06:34

(…) Para Sen, a criaçao do IDH foi importante num momento em que o desenvolvimento só era mensurado pelo PIB, que leva em conta apenas a renda da população, sem olhar para outros fatores como educação, por exemplo. O IDH classifica a condição de 187 países a partir da expectativa de vida (longevidade), da educação e da renda do povo. Mesmo assim, concorda que muitos outros fatores poderiam ser incluídos, como as desigualdades de gênero, a segurança e a liberdade.

Ao ser questionado se mudaria a composição do IDH hoje, o indiano disse que esse não é um cálculo fácil, porque “quanto mais itens você coloca em um índice, menos importância eles têm no resultado final”. Para o economista, os índices são necessários porque a sociedade anseia por números para rotular uma realidade, mas eles devem ser encarados apenas como um convite para olhar os detalhes que não sao observados nas métricas. “Não se concentrem muito em elaborar rankings”, provocou.

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2012-04-27/criador-do-idh-minimiza-importancia-de-indices.html

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Anos de bônus não melhoram ensino em SP

Postado originalmente em 5/05/2012

Da mesma forma que em New York, de onde foi copiado, o sistema de pagamento de bônus em São Paulo não melhorou o ensino. Lá foi interrompido, segundo o prefeito Bloomberg, “para não malgastar o dinheiro público”. Aqui, continua. Segue reportagem.

Avaliações apontam que ensino não melhorou na rede estadual paulista

Marjorie Ribeiro – 13/04/12

Exame revela que a maioria dos alunos ainda tem um nível de conhecimento abaixo do adequado para a sua série.

Os resultados divulgados do Saresp (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) de 2011 apontam que, no geral, não houve um aumento significante no desempenho dos estudantes em comparação ao ano anterior. A prova avalia o 5º e 9º ano do Ensino Fundamental e o 3º ano do Ensino Médio, nas disciplinas de língua portuguesa e matemática.

Continue lendo em: http://portal.aprendiz.uol.com.br/2012/04/13/avaliacoes-apontam-que-ensino-nao-melhorou-na-rede-estadual-paulista/

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Prova de docentes é adiada

Postado originalmente na UOL em 9/05/2012

Atrasada, prova nacional para professores não deve sair em 2012

Promessa para melhorar qualidade da formação, prova aguarda validação da Matriz de Referência e acúmulo de questões suficientes

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo | 08/05/2012 07:00:33

Agendada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep) para ter sua primeira edição no próximo mês de agosto, a Prova Nacional de Concurso para Ingresso na Carreira Docente ainda não tem questões suficientes ou matriz de referência aprovada. O Ministério da Educação anunciou o teste em 2010 como forma de auxiliar os municípios na seleção de professores.

Continue lendo em: http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2012-05-08/atrasada-prova-nacional-para-professores-nao-deve-sair-em-2012.html

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Ideb na porta da escola é criticado

Postado originalmente na UOL em 12/05/2012

Ideb na porta da escola é criticado em Comissão na Câmara

Defendido pelo autor e pelo inspirador da ideia, projeto recebeu negativa de deputados, representantes de entidade e especialistas

iG São Paulo | 10/05/2012 13:47:16- Atualizada às 10/05/2012 16:16:16

O projeto que obriga escolas a colocar o resultado do Índice da Educação Básica em uma placa na porta da escola foi debatido na manhã desta quinta-feira na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. O economista Gustavo Ioschpe, autor da ideia apresentada depois pelo deputado Lelo Coimbra (PMDB-ES),foi o primeiro a falar e o único a defendê-la.

Leia também:

Ioschpe afirmou que os pais têm o direito de saber a real qualidade da escola de seus filhos. Alegando que, se já existe um sistema oficial de avaliação das escolas, ele tem que ser tornado público. “Precisamos do envolvimento da comunidade para que a educação brasileira tenha salto de qualidade”, justificou.

(…)

A iniciativa de divulgação do índice pelas escolas já existe em alguns estados, como o Rio de Janeiro. Ele rejeita a posição de especialistas ouvidos pelo iG de que a exposição da nota constrange os alunos e fere o Estatuto da Criança e do Adolescente. “A implementação mostra que a ideia é falsa”, disse. “O que constrange é a má qualidade do ensino, e não a sua divulgação.”

(…)

Veja também:

Continue lendo em: http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2012-05-10/ideb-na-porta-da-escola-e-criticado-em-comissao-na-camara.html

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Fraude confirmada

Postado originalmente em 16/05/2012

Fraude é confirmada na melhor escola estadual de São Paulo

Denúncia do iG que mostrava interferência nas provas de escola com a maior pontuação do Estado foi comprovada por comissão

iG São Paulo | 16/05/2012 21:00:26

O Secretário Estadual de Educação de São Paulo Herman Voorwald assinou a abertura de processo disciplinar contra funcionários da escola Reverendo Augusto da Silva Dourado, que obteve a maior nota do Estado no Saresp do ano passado. Após denúncia do iG de que os estudantes foram ajudados por professores que chegaram até mesmo a fazer as provas, uma comissão foi ao local e apurou que há indícios de autoria e materialidade para comprovar a fraude.

Continue lendo em: http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2012-05-16/fraude-e-confirmada-na-melhor-escola-estadual-de-sao-paulo.html

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Vôo de borboleta…

Postado originalmente na UOL em 18/06/2012

Remodelar o ensino através da utilização gerencial das notas dos alunos

By Larry Cuban – 10-junho-2012

O caminho do progresso educacional mais se assemelha ao vôo de uma borboleta que ao vôo de uma bala. Philip Jackson, 1968

As principais políticas governamentais e companhias de seguros privadas, profundamente preocupadas com os custos sempre crescentes de saúde e não estando dispostas a contar com os médicos para conter gastos, construíram estruturas ao longo do último quarto de século para manter os médicos responsáveis ​​por suas ações em diagnosticar e tratar seus pacientes. Estas estruturas beneficiaram-se pesadamente de uma base de pesquisa construída ao longo de décadas de estudos clínicos sobre os procedimentos de triagem dos efeitos das drogas sobre uma série de doenças. Combinando medicina baseada em evidências com incentivos e sanções, as seguradoras públicas e privadas têm medido, relatado e recompensado o desempenho dos médicos em hospitais, clínicas e práticas de escritório.

(…)

Como conseqüência, ao contrário de médicos que podem fazer uso da literatura de estudos com controle no diagnóstico e tratamento de doenças comuns e incomuns (por exemplo, Cochrane, em colaboração), apenas um corpo pequeno e emergente de conhecimento elaborado a partir de ensaios clínicos randomizados sobre o ensino, a aprendizagem e as escolas eficazes estão disponíveis para os formuladores de política e profissionais usarem na educação .

Esse banco de dados magro, no entanto, não diminuiu a paixão atual entre os formuladores de políticas educacionais e políticos por usar resultados dos testes de alunos para avaliar o desempenho do professor (e pagar salários mais elevados). A “ciência” atual de medidas de valor agregado (VAM) inclina-se pesadamente sobre a obra de William Sanders.

Continue lendo (em inglês) em http://larrycuban.wordpress.com/

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Ranqueamento por valor agregado: fora do alvo

Postado originalmente na UOL em 20/06/2012

O estudo que segue é uma avaliação crítica de ranqueamentos produzidos por jornais nos Estados Unidos, os quais acessam bases de dados e processam por sua conta as informações com finalidade de obter manchetes.

O ranking do L.A. Times 2011 sobre a eficácia dos professores permanece não confiável

URL para este comunicado de imprensa: http://tinyurl.com/78n3yv5

Boulder, CO (20 de junho de 2011) – Em sua segunda tentativa de classificar os professores de Los Angeles com base no “valor agregado” em avaliações derivadas de notas dos alunos em testes padronizados, o Los Angeles Times ainda produz informações não confiáveis que não podem ser utilizadas para os propósitos que o jornal quer, de acordo com nova pesquisa divulgada hoje pelo Centro Nacional de Política Educacional, alojado na Universidade de Colorado em Boulder.

A Dr. Catherine Durso da Universidade de Denver estudou o ranqueamento dos professores pelo jornal referente a 2011 e descobriu que ele depende de dados que geram resultados que são instáveis de ano para ano. Além disso, Durso descobriu que o modelo de avaliação baseado em valor acrescentado utilizado pelo Times pode facilmente imputar aos professores efeitos que são provenientes de fatores externos, tais como o nível de pobreza de um aluno ou o bairro em que ele vive.

“O efeito estimado para cada professor não pode ser tomado pelo valor de face”, escreve Durso. Em vez disso, o efeito estimado de cada professor inclui uma “margem de erro” grande e que reflete a amplitude provável das pontuações para um professor sob o sistema de avaliação.

“A margem de erro. . . para muitos professores é maior do que toda a gama de pontuações atribuídas pelo LA Times do “menos eficaz” até o “mais eficaz”, escreve Durso. Como conseqüência, o chamado efeito-professor individual “também é instável ao longo do tempo”, continua ela.

Durso encontrou que em especial quando os professores mudam de escola, seus rankings nas avaliações de valor agregado são susceptíveis a alterações.

Uma revisão NEPC em 2011 da metodologia que o Times utilizou para produzir o relatório de classificação dos professores pelo Jornal em 2010 com base no “valor agregado na avaliação” de forma semelhante encontrou esses métodos muito falhos para produzir informações confiáveis. Esse relatório pode ser encontrado em: http://nepc.colorado.edu/publication/due-diligence.

Durso encontrou um pequeno grau de melhorias em relação ao ano passado na metodologia usada pelo Times e pelo cientista social que o jornal contratou para produzir as avaliações de valor agregado de professores, Richard Buddin. Mas essas mudanças não foram suficientes para tornar o próprio banco de dados confiável para produzir seus rankings de professores.

Essas falhas tornaram o ranking do The Times não apenas inútil, mas potencialmente perigoso, de acordo com Alex Molnar, diretor de publicações do NEPC e professor e pesquisador da Universidade de Colorado em Boulder.

“O Los Angeles Times não acrescentou nenhum valor à discussão de qual é a melhor forma de identificar e reter os professores da mais alta qualidade para as crianças da nossa nação”, diz Molnar. “Na verdade, piorou as coisas. Com base neste uso falho de dados, os pais são seduzidos a pensar que os professores de seus filhos são ou maravilhosos ou horríveis. “

“Os editores do Los Angeles Times e seus repórteres tinha conhecimento ou deviam ter sabido que a sua divulgação foi baseada em uma ferramenta de ciência social que não pode validamente ou de forma confiável fazer o que eles se propuseram a quantificar”, disse Molnar. “No entanto, em sua ignorância ou arrogância as usou mesmo assim, em detrimento das crianças, professores e pais.”

O relatório está em http://nepc.colorado.edu/publication/analysis-la-times-2011.

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Recomeçando I

Como esclarecemos dias antes, estamos migrando nosso Blog da UOL para a WordPress. Isso deveu-se a algumas dificuldades técnicas que tivemos e ao próprio tamanho do Blog que, iniciado de uma foma mais amadora, pretendia apoiar apenas nosso grupo de pesquisas. No entanto, a localização de mensagens e links antigos era bastante difícil.

Este espaço dará continuidade àquele blog. Não poderemos importar para cá todas as mensagens veiculadas lá. Infelizmente, o blog da UOL não está mais disponível. Mas estamos transferindo para cá aquelas mensagens que nos pareceram dar maior contribuição, em especial por conter links que apoiam a pesquisa e apresentam evidência empírica que contraria teses dos reformadores empresariais da educação amplamente divulgadas pela midia.

Finalmente, peço desculpas aos que nos seguem automaticamente por email, pela quantidade de email que receberão durante a importação das mensagens. Este não é o padrão típico de postagens do blog. Calculamos que ao final do mês de dezembro teremos concluido esta fase.

Obrigado.

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Comparando o que não deve

Postado originalmente na UOL em 7/07/2012

Porque comparar diferenças de desempenho de crianças de baixa renda entre Estados no NAEP não funciona

Por Bruce D. Baker (Rutgers University) – 13 de setembro de 2011

A análise passo a passo de Baker explica a complexidade de comparar diferenças de desempenho entre os estudantes de alta e baixa renda entre estados. Listas de comparações são enganosas porque dependem de uma suposição incorreta de que a média das crianças de baixa renda em um Estado é comparável à média de crianças de baixa renda em outro. New Jersey, por exemplo, vem em 5 º em um ranking de comparações entre estados, mas quando as correções necessárias são feitas para o tamanho da diferença de rendimentos entre maior e menor renda dos estudantes, New Jersey vai para a 27ª. posição – com uma diferença menor do que a média do estado.

Veja o estudo completo (em inglês) em: http://nepc.colorado.edu/thinktank/why-comparing-naep

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EUA: perdão aos inadimplentes

Postado originalmente na UOL em 8/07/2012

Mais da metade dos estados americanos não cumprirão as metas da Lei de Responsabilidade Educacional americana “Nenhuma Criança Deixada para Trás”. Apelidada de “Nenhum Consultor Deixado para Trás”, virou piada nos Estados Unidos. Como os estados não conseguiriam cumprir a exigência de ter todos os seus alunos com grau de “proficiente” nos exames de 2014 como determina a Lei de 2002, Obama está sendo forçado a conceder perdão aos estados para que não sejam considerados inadimplentes com a Lei quando o prazo findar. No Brasil ela inspirou a elaboração do IDEB e continua inspirando outras ações, como a criação da Lei de Responsabilidade Educacional brasileira em tramitação no Congresso Nacional.

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Dossiê da Revista Educação e Sociedade

Postado originalmente na UOL em 9/07/2012

O número 119 da Revista Educação e Sociedade do CEDES vem com um dossiê sobre Políticas Públicas de Responsabilização na Educação. Oito artigos detonam a política dos reformadores empresariais na educação com autores dos Estados Unidos, do Brasil e de Portugal.

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Sem limite

Postado originalmente na UOL em 11/07/2012

 “Parece-me que a pesquisa em educação é um dos poucos campos onde as pessoas sem formação seja em pesquisa seja em pesquisa educacional se sentem confortáveis realizando “pesquisa” e podem ter seus pontos de vista cegamente aceitos por políticos, especialistas e pelo público. Felizmente, ninguém iria me convidar para dirigir um banco, ser um jornalista, editar um jornal, ou fazer política econômica. Seria um desastre. No entanto, evidentemente, qualquer um pode entrar no mundo da pesquisa educacional e conduzir um trabalho de má qualidade e ter os resultados amplamente aceitos.”

Diane Ravitch – julho de 2012

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Protesto de diretores em NY

Postado originalmente na UOL em 14/07/2012

Em Nova Iorque, a introdução de um sistema de atrelamento do pagamento do professor aos resultados de testes dos alunos levou a uma explosão de resistência sem precedentes. No fim de dezembro de 2011, quase 23% dos diretores de escola do estado de Nova Iorque (1.058) haviam assinado uma declaração de protesto, repudiando:

“(…) um sistema não comprovado que desperdiça cada vez mais recursos limitados. Mais importante ainda, será profundamente desmoralizador para os docentes e prejudicial para as crianças sob nossos cuidados. Nossos alunos são mais do que a soma dos seus resultados nos testes, e uma ênfase exagerada nesses resultados não vai redundar em melhor aprendizagem.“  (Diretores de NY, 2011)

NCLB’s Lost Decade for Educational Progress: What Can We Learn from this Policy Failure? By Lisa Guisbond with Monty Neill and Bob Schaeffer. January 2012.

Também publicado na Revista Educação e Sociedade do CEDES, no. 119.

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Classes pequenas: evidências a favor

Postado originalmente na UOL em 14/07/2012

Enquanto Detroit propõe agora mais alunos em sala de aula, em 1998, o governo Clinton propunha políticas contrárias ao aumento do número de alunos em sala argumentando que:

“Classes pequenas fazem a diferença. Estudos confirmam o que pais e professores sabem pela experiência – turmas pequenas promovem ensino e aprendizagem eficaz. Em um período de quatro anos, um estudo experimental sobre redução do tamanho de turmas no jardim de infância nos 3 graus, no Tennessee, pesquisadores descobriram que estudantes em turmas menores ganharam pontuação significativamente maior em testes de habilidades básicas em todos os quatro anos e em todos os tipos de escolas. Os efeitos de classes menores foram maiores para os alunos em áreas urbanas. Estudos de follow-up têm mostrado que esses ganhos de desempenho continuaram depois que os estudantes voltaram para salas de tamanho regular após a terceira série. Os professores do estudo relataram que preferiam turmas pequenas, a fim de identificar melhor as necessidades dos alunos, fornecer mais atenção individual, e utilizarem um material mais eficaz.”

Leia mais em (inglês) em http://www.clintonlibrary.gov/assets/storage/Research%20-%20Digital%20Library/Reed-Education/93/647429-100000-teachers-class-size-4.pdf

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PEC da meritocracia

Postado originalmente na UOL em 14/07/2012

Uma PEC (82/11) tramita tranquilamente em Comissão Especial alterando o artigo 206 da Constituição brasileira e propondo como um dos princípios norteadores do ensino público no Brasil a meritocracia. A proposta foi apresentada em maio de 2011 por Edmar Arruda e a relatoria está hoje com o DEM.

Segue abaixo.

PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº      , DE 2011

(Do Sr. Edmar Arruda e outros)

Altera o artigo 206 da Constituição Federal para inserir o inciso IX prevendo a meritocracia com um dos princípios norteadores do ensino público no Brasil.

As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, nos termos do art. 60 da constituição Federal, promulgam a seguinte Emenda ao texto constitucional:

Art. 1º O art. 206 da Constituição Federal passa a vigorar acrescido do seguinte inciso IX:

“Art. 206 ……………………………………………………………………

IX – a meritocracia em todas as esferas e setores do ensino público;

………………………………………………………………………………..

(NR)

Art. 2º Esta Emenda entra em vigor na data de sua promulgação.

JUSTIFICAÇÃO

A presente Emenda à Constituição tem por objetivo inserir a meritocracia como um dos princípios norteadores do ensino público no Brasil, juntamente com os demais que já se encontram constitucionalizados conforme dispõe o art. 206 da nossa Carta Magna.

O Brasil finalmente despertou para a importância da qualidade do ensino público e para a necessidade de constantes aprimoramentos nos investimentos na área de pesquisa e desenvolvimento. Percebemos, enfim, que existe uma correlação direta entre a solidez da base científica de que dispomos e o desenvolvimento econômico da Nação.

Atualmente, direcionamos 1,2% de nosso PIB para a pesquisa, algo que representa grande avanço em relação ao passado, mas que ainda é muito aquém daquilo que vem sendo investido por outros países na Europa, pelos Estados Unidos e pela China, país também em desenvolvimento, e que investe 40% a mais do que o Brasil nas áreas de pesquisa e desenvolvimento.

Enquanto aprimoramos o aporte de recursos em nossa educação, infelizmente ainda deixamos de lado o aspecto da retribuição pelo desempenho. É preciso reconhecer o esforço daqueles que apresentam resultados acima da média, de forma com que criemos um ambiente de estímulo à produtividade de nossos docentes da rede pública. Não apenas isso, levar a noção do mérito às últimas consequências, como fazem os países desenvolvidos, é requisito básico para o ensino público de qualidade, a permanência de nossos servidores e o aprimoramento contínuo das pessoas que têm em suas mãos o futuro de nossos estudantes.

Sala das Sessões, em maio de 2011.

Deputado EDMAR ARRUDA

Vice-Líder do PSC na Câmara dos Deputados

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Pernambuco: bônus patina como em SP

Postado originalmente na UOL em 19/07/2012

 A política de dar bônus ao invés de salário digno patina agora em Pernambuco. Em todos os níveis a educação básica está mal.

Boletim da CNTE divulga a situação naquele estado. Veja abaixo.

Importante mencionar que é neste estado que se fazem os ensaios, há algum tempo, para implantação de gestão do ensino médio por concessão à iniciativa privada. Lá o Instituto de Corresponsabilidade Educacional o ICE – que agora está atuando em São Paulo na reforma do ensino médio com apoio de fundações privadas – conduz estes experimentos.

Sob o título de “Estado de Pernambuco: mais um ano de reprovação na Educação Básica”, Heleno Araújo Filho afirma que:

“A média para aprovação dos estudantes pernambucanos é 6 (seis). Os resultados das avaliações de língua portuguesa e de matemática dos sistemas de ensino das redes municipal e estadual do ano 2011, mais uma vez, ficou abaixo da média de aprovação. Até quando vamos permitir o descaso com a educação básica por parte dos poderes executivos deste país?

As médias de 4,4 para os anos iniciais do ensino fundamental; 3,5 para os anos finais do ensino fundamental e 3,3 para o ensino médio são motivo de preocupações e não de comemorações comparativas com notas abaixo da média indicadas pelo Ministério da Educação.

A fórmula utilizada pelo governo para aumentar a média das disciplinas de língua portuguesa e matemática falharam. A política de premiação, através do Bônus de Desempenho Educacional (BDE) não surtiu o efeito esperado. De 2009 para 2011 os números foram caindo, acontecendo o fenômeno inverso ao esperado pelo governo do estado, através da Secretaria de Educação.

No ano de 2009 o número de escolas que alcançaram as metas impostas pela Secretaria de Educação foi de 761, caiu para 520 no ano de 2011. As que alcançaram 100% das metas despencaram de 550 para 369 no mesmo período. Aconteceu o mesmo com o número de trabalhadores e trabalhadoras contemplados com o BDE de 34.648 para 24.145. Se esse fosse o caminho correto os números deveriam ser elevados de um ano para o outro, mas aconteceu o contrário. Há muitos equívocos nas políticas educacionais aplicadas pelo governo Eduardo Campos.”

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Intimidação matemática

Postado originalmente na UOL em 22/07/2012

 Valerie Strausss em seu Blog em 05/09/12 divulga sob o título de “Importante matemático desmascara “valor agregado”, no Washington Post, a posição de John Ewing sobre o uso de matemática para cálculo de valor agregado. Ele é Presidente de uma organização chamada Matemática para a América.

Segungo Valerie:

O artigo foi publicado em maio, originalmente nos Notices of the American Mathematics Society. Ele dá uma visão abrangente da história, o uso atual e os problemas com o modelo de valor agregado para avaliar os professores. É longo, mas vale bem o seu tempo.

Para John Ewing:

Mas o mau uso mais comum da matemática é mais simples, mais penetrante, e (infelizmente) mais insidioso: a matemática empregada como arma retórica, uma credencial intelectual para convencer o público de que uma ideia ou um processo é “objetivo” e, portanto, melhor do que outras ideias ou processos concorrentes. Isto é intimidação matemática. É especialmente persuasiva porque muitas pessoas ficam admiradas com a matemática e ainda não a entendem, uma combinação perigosa.

O mais recente exemplo do fenômeno é a modelagem de valor agregado (VAM), utilizado para interpretar os dados de testes. A modelagem de valor agregado aparece em todos os lugares hoje, a partir de jornais, televisão e campanhas políticas. A VAM é fortemente promovida com entusiasmo desenfreado e acrítico pela imprensa, por políticos, e até mesmo por (alguns) especialistas em educação, e é apontada como a maneira moderna, “científica” para medir o sucesso educativo em tudo, desde escolas charter até professores individuailmente.

O autor afirma que a maioria dos modelos de valor agregado não está preparada para os propósitos que são indicados.

Como consequência, a matemática que deveria ser usadas para iluminar acaba sendo usada para intimidar. Quando isso acontece, os matemáticos têm a responsabilidade de falar.

Continue lendo (em inglês) em: http://www.washingtonpost.com/blogs/answer-sheet/post/leading-mathematician-debunks-value-added/2011/05/08/AFb999UG_blog.html
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Sobre a responsabilidade do professor

Postado originalmente na UOL em 25/07/2012

Isto foi escrito por Matthew Di Carlo em julho de 2010:

“Mas no panorama geral, cerca de 60 por cento dos resultados do desempenho é explicado pelo aluno e as características da família (a maioria é imperceptível, mas provavelmente se refere ao rendimento/pobreza). Fatores de escolaridade observáveis e não observáveis explicam cerca de 20 por cento, a maior parte deste (10-15 por cento) se deve a efeitos de professores. O resto da variação (cerca de 20 por cento) é inexplicável (erro). Em outras palavras, embora as estimativas precisas variem, a preponderância da evidência mostra que as diferenças de realização entre os alunos são predominantemente atribuíveis a fatores externos das escolas e salas de aula (ver Hanushek et al 1998;. Rockoff 2003;. Goldhaber et al 1999; Rowan et al. 2002; Nye et al 2004).

Agora, para ficar claro: isso não significa que os professores não são realmente importantes, nem que o aumento da qualidade do professor só pode gerar melhorias pequenas.”

Portanto, quando Calegari, Secretário de Educação Básica do MEC, afirmou no Endipe que os professores são “os” responsáveis pela qualidade do ensino, é preciso entender que isso não tem sustentação empírica. É incrível que o Ministério da Educação faça política pública sem evidência empírica. Mais ainda, de costas para a evidência empírica existente.

Confira aqui.

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Avaliação de professores pelo Sistema Impact

Postado originalmente na UOL em 28/07/2012

Diane Ravitch comenta em 28/07/2012 em seu Blog o sitema IMPACT de Michelle Rhee, sob o título “O que Michelle Rhee disse ao ministro da Educação britânico“. Diz:

Você não vai se surpreender ao saber que quando Michelle Rhee foi para a Inglaterra recentemente, ela falou de seu grande sucesso na melhoria das escolas públicas de Washington.

O seu segredo? Encontrar os melhores professores e demitir os piores professores.

O único problema com sua narrativa é que ela não é verdadeira.

Seu sistema de avaliação IMPACT foi imposto em 2009. Desde então, as escolas públicas de Washington fizeram pouco progresso nos exames estaduais e nacionais.

As escolas públicas de Washington continuam a ter a maior brecha de desempenho entre negros e brancos de qualquer distrito avaliado pelo sistema NAEP do governo federal.

Não está claro se o seu método identificou os melhores e os piores professores, mas é claro que ele criou um nível de rotatividade entre os professores e diretores que é impressionante.

Um recente artigo no Washington Post diz:

Washington tem uma das maiores taxas de rotatividade de professores no país. Richard Ingersoll, da Universidade da Pensilvânia estima que, “ao nível nacional, em média, cerca de 20 por cento de novos professores de escolas públicas deixam o seu bairro para ensinar em outro distrito ou deixam de ensinar completamente dentro de um ano, um terço o faz dentro de dois anos, e 55 por cento o faz dentro de cinco anos”. “Em Washington, por outro lado, 55 por cento de novos professores deixam as escolas em seus dois primeiros anos, de acordo com uma análise de Mary Levy. Oitenta por cento saem até o final de seu sexto ano. Isso significa que a maioria dos professores trazidos durante os últimos cinco anos não estão mais lá. Em comparação, no Condado de Montgomery apenas 11,5 por cento saem até o final de seu segundo ano, e 30 por cento saem até ao final de cinco anos. Washington tornou-se uma fábrica de rotatividade de professores. Tem dificuldade em manter os professores que estão comprometidos com a escola e a comunidade a que serve.

A maioria dos diretores que Rhee pessoalmente contratou deixaram suas escolas.

Se os ingleses seguem suas sugestões, eles também poderão ter rotatividade de professores sem melhora nos resultados.”

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Sistema Rhee de avaliação de professores

Postado originalmente na UOL em 11/08/2012, revisto em 17/12/12.

O Sistema Rhee de avaliação de professores, IMPACT, está sendo testado no Brasil em alguns estados com apoio de recursos financeiros internacionais. O que se diz dele em seu país de origem?

Valerie Strauss comenta em seu Blog em 05/08/2012 que:

Durante três anos, 50 por cento das avaliações de muitos professores de escolas públicas de Washington foram baseadas em resultados de testes padronizados dos estudantes, uma parte fundamental do sistema de avaliação inovador chamado IMPACT introduzido por Michelle Rhee.

A sucessora de Rhee, Henderson Kaya decidiu, agora, que 50 por cento é demasiado e que a percentagem deve ser de 35 por cento. Valerie se pergunta: “Parece razoável, certo? Não é.” E continua:

Quando Rhee definiu a percentagem de 50 por cento em 2009, depois de gastar milhões de dólares para criar o sistema de avaliação, ela baseou-se em absolutamente nada que estivesse fundamentado em pesquisas. O 35 por cento? Também estão baseados em nenhuma pesquisa.

Para Valerie, não há nenhuma pesquisa que mostre que, mesmo 1 por cento seria uma forma válida de avaliar os professores já que os testes padronizados que estão sendo usados ​​não são projetados para avaliar professores.

Há dúvidas suficientes sobre se eles são válidos para avaliar os alunos o que os torna suspeitos para usá-los em decisões de impacto sobre as crianças, muito mais com professores.

Continue lendo este post (em inglês) » http://www.washingtonpost.com/blogs/answer-sheet
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O próximo IDEB

Postado originalmente na UOL em 19/08/2012

Treze é sempre tido como um número de azar. E isso pode ser verdade quando entrarmos na próxima edição do Ideb em 2013…

Como o MEC não obriga o INEP a fazer relatórios decentes sobre o IDEB, os jornais estão assumindo esta tarefa – à sua maneira. Com apoio de assessorias, estão processando dados e divulgando unilateralmente suas versões.

Por estes canais se fica sabendo que de 2009 para 2011 houve um aumento na porcentagem de escolas que não atingiram a meta do IDEB para 2011. No fundamental I passou de 26% para 33,57% e no fundamental II passou de 35% para 44,2%. E este é o dado mais importante: o que ocorre com cada escola e não apenas as médias municipais, estaduais ou nacionais.

Isso significa que a fase de desenvolvimento “fácil” pode estar no fim. Isso foi alavancado pela composição do IDEB, em parte, que permite a combinação com dados de fluxo, ou seja, mesmo que não melhore muito a aprendizagem, se eu aprovo mais e mantenho os alunos em fase, estudando na idade certa, então o Ideb melhora. No entanto, como advertimos há muitos anos, isto terá um fim e as redes passarão a depender cada vez mais do desempenho do aluno na prova para melhorar o Ideb.

Outra razão é que redes ruins, sob o impacto de cobranças e pressões, conseguem obter alguma melhora, mas logo este efeito passa e são necessárias outras ações, as quais geralmente não estão disponíveis. Aí, fica mais difícil avançar.

Isso somado ao fato de que a velocidade da curva de crescimento, na média geral, no Fundamental II é declinante nas últimas três edições do IDEB, 0.3; 0.2; 0.1 pontos, o salto em 2013 terá que ser de 0.3 para se cobrir a diferença entre o IDEB de 2011 que foi 4.1 e a meta para 2013 que será de 4.4 pontos. Ou seja, o desempenho nos próximos dois anos no Fundamental II terá que contrariar os últimos resultados e agregar 0.3 pontos. Mas se é declinante, como poderá fazer isso? Terá que ocorrer algo muito importante para alavancar este salto nos Estados. Incluindo abrir a caixa de maldades contra o magistério e o sistema público de ensino… Além de estreitar o currículum das escolas, focando nas disciplinas que são avaliadas e mesmo assim apostilando para que se ensine o conteúdo que cai nas provas, com grave prejuízo para a formação mais ampla dos estudantes, sua criatividade e autonomia.

Estes dois dados são um alerta.

No caso do fundamental I a situação é confortável pois já estamos com a meta para 2013 atingida que é de 4.7 pontos. Aqui, o que intriga é como um crescimento que já dura quase 10 anos não chega ao ensino fundamental II. Se os alunos há tempos estão aprendendo mais no fundamental I, porque quando mudam para o Fundametal II esta aprendizagem não aparece?

No caso do ensino médio a situação é pior que a do Fundamental II. Lá a velocidade de crescimento tem sido 0.1, mas em 2013 terá que agregar 0.2 pontos à nota de 2009 para atingir a meta. Mas desde 2005 ele não cresce mais que 0.1 em cada edição do Ideb.

Com mais escolas não atingindo a meta, com um déficit de nota acumulado a ser superado, se eu fosse o Ministro, comemorava menos… inclusive porque, se isso for verdade, esta situação vai explodir exatamente durante a campanha de 2014 para Presidente, quando se divulgar o IDEB de 2013.

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Focando no mínimo

Postado originalmente na UOL em 19/08/2012

Tamara Cardoso André escreveu em 17-08-12 para este Blog:

“Estou enviando o endereço da minha tese de doutorado. Trata-se de uma etnografia educacional realizada em Foz do Iguaçu/PR, cidade que tem se destacado pelas notas no IDEB. A pesquisa foi realizada no ano de 2010 e mostra, principalmente no capítulo 2, como o método fônico de alfabetização foi adotado, em todo município, para obter melhores resultados no IDEB. O método é criticado ao longo da tese por não contribuir para o ensino da escrita e por desconsiderar a influência das variações linguísticas no processo de alfabetização. Capovilla e Capovilla, no prefácio do livro utilizado em Foz do Iguaçu, o “Alfabetização: Método Fônico”, justificam a qualidade do método citando o sucesso no PISA obtido pelos países que o adotam. A tese mostra que trata-se de um resultado enganoso, ou seja, só é um sucesso porque a educação é mínima. Espero contribuir para o debate, pois estou estarrecida com a euforia de Foz.”

 Link para o estudo: http://dspace.c3sl.ufpr.br/dspace/bitstream/handle/1884/27323/TESE_Tamara_Cardoso_Andre.pdf?sequence=1
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Pagamento por mérito: sem evidências

Postado originalmente na UOL em 26/08/2012

Diane Ravitch comenta em seu Blog 26/08/2012 que Justin Snider escreveu um artigo interessante no Relatório Hechinger. Diane se pergunta:

E se descobrirmos daqui há alguns anos que o que estamos fazendo é simplesmente errado? Por que estamos fazendo tantas coisas na educação se não temos nenhuma evidência para apoiá-las? Se isso fosse medicina em vez de educação, alguém iria tolerar a experimentação que está sendo feita com toda a população?

Para ela, o artigo de Justin Snider sugere que:

Por exemplo, não há nenhuma evidência para apoiar o pagamento de professores por mérito. Existe muito pouca evidência para apoiar o uso das notas dos alunos para medir a qualidade do professor, e o pouco que há está em conflito. Existe um crescente corpo de evidências que diz que as escolas on-line produzem resultados ruins para a educação fundamental.

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Sem diferença, de novo

Postado originalmente na UOL em 7/09/2012

Outro estudo sobre escolas charters não encontra nenhuma diferença entre o desempenho destas escolas e as escolas públicas. O estudo foi comentado no Blog de Diane Ravitch em 7/09/2012.

Foi conduzido por Mathematica Policy Research e pelo simpatizante das charters o Center on Reinventing Public Education na University of Washington. O Blog reproduz o resumo do Departamento de Educação dos EUA “What Works Clearinghouse”:

Sobre o que é este estudo?

O estudo examinou o efeito de organizações de gestão Charters sem fins lucrativos (OCM) no desempenho de estudantes da escola média, as taxas de conclusão do ensino médio, e as taxas pós-secundários de inscrição. Os pesquisadores estimaram a eficácia de cada um separadamente comparando os resultados dos alunos do ensino nas charters com os dos correspondentes estudantes não charters.

O que o estudo descobriu?

O estudo constatou que, em média, as organizações charter não têm um impacto estatisticamente significativo sobre o desempenho do estudante da escola média em avaliações de matemática, leitura, ciência, ou estudos sociais. Da mesma forma, não houve um impacto estatisticamente significativo das charters em taxas de graduação e taxas de pós-secundário de inscrição para estudantes do ensino médio. No entanto, houve variação significativa na direção, magnitude e significância estatística dos impactos das charters individualmente.

Veja resumo do estudo no link abaixo em (inglês):

Furgeson, J., Gill, B., Haimson, J., Killewald, A., McCullough, M., Nichols-Barrer, I., Lake, R. (2012). Charter-school management organizations: Diverse strategies and diverse student impacts. Report prepared by Mathematica Policy Research and the University of Washington’s Center on Reinventing Public Education. Princeton, NJ: Mathematica Policy Research.

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Habilidades não cognitivas

Publicado originalmente na UOL em 8/09/2012

Aqui vai um link com um artigo que não pode deixar de ser lido (em inglês). O autor discute como, no mundo das corporações e da competitividade, é vital o desenvolvimento das habilidades interpessoais e intrapessoais, mais do que apenas sair-se bem em um teste.

http://roundtheinkwell.files.wordpress.com/2012/09/more-than-just-test-scores-sept2012-2.pdf

Seu título: “Mais do que simples pontuações em um teste”.

Author Biography

Henry M. Levin (United States) is the William Heard Kilpatrick Professor of Economics and Education at Teachers College, where he also directs the National Center for the Study of Privatization in Education (NCSPE) and co-directs the Center for Benefit-Cost Studies in Education. He is also the David Jacks Professor of Higher Education, Emeritus, at Stanford University, where he served on the faculty for 31 years, with a joint appointment in the School of Education and Department of Economics. He has been president of the Palo Alto, California, School Board; the Comparative and International Education Society (CIES); and the American Evaluation Association, and is a member of the Board of Trustees of the Educational Testing Service (ETS). He is an elected member of the National Academy of Education, the author of about 300 articles, and the author or editor of 20 books.

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Evidência empírica

Publicado originalmente na UOL em 17/09/2012

Ter evidência empírica sobre um assunto não é apenas citar estudos que estejam disponíveis para serem lidos. Há de tudo circulando e podemos justificar quase tudo selecionando o que nos interesse. Isso nos leva a discutir a qualidade da evidência empírica e não apenas a sua existência em um ou outro estudo.

No Brasil, somente agora começamos a atentar para a necessidade de evidência empírica para a política pública. Mas ainda há um longo caminho sobre a qualidade das evidências selecionadas. Em primeiro lugar: tem que ser evidência que passou por debates e revisão entre pares. Algumas fundações e institutos, por exemplo, publicam farto material sem revisão de pares.

E como boa parte dos estudos usam estatística, o mundo mágico da “significação estatística”, os cuidados devem ser redobrados, como mostra a revisão que reproduzimos abaixo.

Em segundo lugar, é preciso dar preferência para estudos que reúnem grande quantidade de pesquisas e por um período longo, pois é pela análise de conjuntos de estudos e pesquisas que se pode observar as tendências. Mas aqui, também temos problemas: muitos destes estudos misturam trabalhos que não poderiam ser mesclados e terminam com conclusões inadequadas.

Estamos só começando isso no Brasil e há ainda um longo caminho a ser percorrido.

O estudo abaixo é um alerta.

Revisão dos efeitos de vouchers escolares na matrícula em Colleges: a evidência experimental de Nova York

Sara Goldrick-Rab (University of Wisconsin-Madison) – 13 de setembro de 2012

Este relatório da Brookings examina as taxas de matrícula de alunos em faculdades que participaram de um programa experimental de Nova York, o School Choice Scholarships Foundation Program, que na primavera de 1997 ofereceu três anos de bolsas de estudo no valor de até 1.400 dólares por ano para famílias de baixa renda. O estudo não identifica impactos globais da oferta de voucher, mas os autores relatam e enfatizam grandes impactos positivos para os estudantes afroamericanos, incluindo aumentos de comparecimento na faculdade, no tempo integral de matrícula e freqüência em instituições privadas de ensino superior seletivas. Este forte foco em impactos positivos para um subgrupo único de estudantes não se justifica. Não existem diferenças estatisticamente significativas no impacto estimado para afro-americanos em comparação com os outros alunos, há erro de medição importante mas não mencionado nas variáveis dependentes (resultados de atendimento a faculdade) que afetam a precisão dessas estimativas e, provavelmente, movendo pelo menos algumas delas do reino da significância estatística; os autores não demonstraram quaisquer efeitos negativos estimados que possam ajudar a explicar os resultados médios nulos, e ali existem diferenças previamente existentes entre afroamericanos no grupo de tratamento e grupo de controle sobre fatores conhecidos que importam para a variável atendimento à faculdade (por exemplo, educação dos pais). Contrariamente à afirmação do relatório, a evidência apresentada sugere que neste novo programa de Nova York, os vales escolares não melhoraram as taxas de matrícula em faculdades entre todos os alunos ou mesmo entre um subgrupo de alunos selecionados.

Acesse os textos dos debates entre os autores em (inglês):

http://nepc.colorado.edu/thinktank/review-vouchers-college

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Ensino médio online começa a ser construido

Publicado originalmente na UOL em 17/09/2012

 São uma verdadeira praga nos Estados Unidos. As escolas charters virtuais estão faturando alto.

Quando a lógica dos negócios entra na educação, as empresas que a constituem passam a atuar segundo a lógica de mercado: têm que cortar custos para continuar vivas. É a concorrência.

Em educação, a maneira mais rentável de se fazer isso é: aumentar o número de alunos por turma e precarizar o professor (se possível não tê-lo). É ai que entram as charters virtuais. A relação professor aluno salta facilmente para 1 por 500 quando se trata de ensino online. Tutores precarizados entram em cena.

As online focam a preparação para os testes. Suas “lições” visam preparar para passar no exame. Nada que não caia no exame é ensinado. No isolamento de seu quarto, os jovens se preparam para testes. Nada do ensino de habilidades interpessoais, criatividade, afetividade, etc. – ou seja, tudo que se precisa para o país apoiar até mesmo a própria competitividade alardeada pelos empresários, como vimos em postagem anterior.

Confira matéria abaixo.

FGV lança aulas online e questões para Enem

Instituição disponibiliza banco com 4,6 mil questões; meta é chegar a 50 mil em 4 anos

Sergio Pompeu, de O Estado de S. Paulo – 16 de setembro de 2012 | 22h 38

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) lança esta semana, em caráter experimental, um ambicioso portal gratuito com foco no ensino médio. Além de cerca de 90 aulas que podem ser usadas por candidatos na preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a FGV liberou, no link ensinomediodigital.fgv.br, o acesso para um banco com 4,6 mil questões que seguem o modelo do Enem.

As aulas estão agrupadas em 15 cursos que abordam as quatro grandes áreas de conhecimento nas quais o Enem é dividido: Ciências da Natureza e Humanas, Matemática e Linguagem e suas Tecnologias. Quando estiver completa, a coleção terá 30 cursos. No caso do banco, a meta da FGV é chegar a 50 mil questões em quatro a cinco anos, o que pode contribuir para mudar o modelo do Enem, tanto em termos do grau de segurança do exame quanto na sua capacidade de melhorar a qualidade do ensino médio. Continue lendo esta reportagem aqui.

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Escolarizando a infância

Publicado originalmente na UOL em 23/09/2012

O que estamos fazendo com a educação infantil?

por Diane Ravitch, 23-9-2012

Um leitor pergunta se nós perdemos nossa sanidade.

http://www.sde.ct.gov/sde/lib/sde/PDF/CCSS/PreK_ELA_Crosswalk.pdf
http://www.sde.ct.gov/sde/lib/sde/PDF/CCSS/PreK_ELA_Crosswalk.pdf
http://www.sde.ct.gov/sde/lib/sde/PDF/CCSS/Pk_to_Kindergarten_Mathematics_Continuum.pdf

Os links acima vão levá-lo a documentos de Connecticut relativos à adoção do CCSS (Common Core State Standards) para pré-escolares. A introdução afirma que a adoção de CCSS para K-12 “conduz naturalmente a perguntas sobre padrões para os alunos da pré-escola e/ou creche”. As próximas seções falam sobre um grupo de trabalho que foi encarregado da tarefa de criar padrões abrangentes de aprendizagem do nascimento até os 5 anos de idade.

Sim, os CCSS e estes documentos têm “naturalmente conduzido a questões” em minha opinião. Aqui estão algumas delas: Você está louco? Você já passou um dia inteiro com uma criança? Que tal com uma sala cheia de crianças? Sua experiência de vida não lhe ensinou que crianças não são pequenos robôs que desenvolvem simultaneamente as mesmas habilidades ao mesmo tempo? Onde estão todas aquelas memórias maravilhosas que você guarda sobre sua própria infância? Aposto que essas memórias são sobre coisas como livros, blocos e lápis de cor. Alguma dessas memórias preciosas são sobre você sendo avaliado?

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