Callegari está certo

Haddad e Callegari estão certos. A Prova Brasil é suficiente. Não há por1que ter a Prova São Paulo. É preciso reduzir o número de dias que nossos alunos passam fazendo provas ou sendo preparados para fazê-las. Alegar diferenças entre provas (Prova São Paulo e Prova Brasil) é falta de argumentação. Bastam provas a cada dois anos para sabermos como anda a rede e mais, não é necessário nem que sejam censitárias. Finlândia vai bem e usa a mesma estratégia, ou seja, provas pouco frequentes e, lá, amostrais. O que é preciso é incentivar as escolas e seus professores a acompanhar localmente o desempenho dos alunos e agirem rápido.

Como bem afirma Callegari: “Avaliando a série histórica da aplicação da Prova São Paulo, não conseguimos observar tendência alguma, nem para cima, nem para baixo, nem para nada. Os resultados são totalmente discrepantes entre uma edição e outra. Nos últimos dois anos foram desperdiçados R$ 14 milhões, porque os dados não puderam ser aproveitados. É um desperdício muito grande para a cidade”.

E um alívio para a rede. O que deve ser feito é apoiar as escolas para que elas tenham seus processos de medição e análise.

O Estadão está descontente, pois representa a ala conservadora da educação (entre outras) a qual deseja entupir a escola de testes com a filosofia de que “pressionando vai”….

A filosofia dos testes de alto impacto foi uma criação americana que foi enfatizada no início dos anos 2000. Está sendo fortemente criticada nos Estados Unidos e submetida a revisão. Não há porque copiarmos por aqui.

Publicado em Responsabilização participativa, Responsabilização/accountability | 3 Comentários

MEC agora tenta fugir do prejuízo

 “O Ministério da Educação informou nesta quinta-feira (2) que não vinculará a concessão de diplomas de pós-graduação para professores à melhoria das turmas desses docentes. A pasta diz que tal condicionamento será decidido por Estados e municípios.”

Leia aqui.

Não adianta agora fugir do problema e transferí-lo para estados e municípios. Isso não livra o MEC da responsabilidade por ter criado um grave problema de indução de políticas absurdas de responsabilização sobre o professor.

É a mesma estratégia que usou com o INEP. Diz que não quer ranqueamento de notas dos testes e fornece os dados para os jornais ranquearem.

É indução de políticas erradas do mesmo jeito.

Publicado em Avaliação de professores, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

ALERTA: Todos pela Educação avança no MEC

Mozart Neves, membro do Movimento Todos pela Educação, assumirá um programa de melhoria de qualificação dos professores no Ministério da Educação.

O Programa visa formar professores de matemática, química, física e biologia tanto no ensino médio como no superior e contém um aspecto que revela a filosofia com que trabalha o Movimento Todos pela Educação e agora oficializado pelo Programa criado pelo MEC: para os reformadores empresariais, o professor é o único responsável pela melhoria da qualidade do ensino. Sabem sobre as demais variáveis, mas elas  não contam na hora de elaborar as políticas.

Ao professor será dada a possibilidade de cursar programa de pós-graduação, mas só receberá seu diploma se uma avaliação mostrar que seus alunos melhoraram seus índices de aprendizagem. O certificado fica condicionado à demonstração da melhoria do aluno.

“O certificado garantirá aumento salarial ao docente (progressão na carreira), mas só será concedido se houver a comprovação de que seus estudantes melhoraram –exigência inédita em programas federais de educação.

“Hoje, gasta-se muito com formação dos professores, mas a melhoria não chega aos alunos”, disse Mozart Neves, que coordenará o programa do Ministério da Educação.”

Veja a matéria aqui.

Como bem apontou o Ex-diretor da Unesco no Brasil, Jorge Werthein a vinculação do certificado de pós-graduação ao professor à melhoria dos alunos poderá trazer injustiças pois “ainda não se encontrou uma boa forma de avaliar o trabalho do professor.”

Ele está corretíssimo. As mais sofisticadas formas de se tentar isolar a variável professor das demais conta hoje, nos Estados Unidos, com o repúdio não só dos profissionais da educação como também de renomados estatísticos, como divulgamos insistentemente neste blog.

Várias reações poderão ocorrer: a) desistímulo para cursar o programa de pós; b) escolha de turmas quando se quer cursar o programa de pós – ou seja, o professor recusa salas com os alunos de maior dificuldade, exatamente os que mais precisam; ou c) fraude nos processos de avaliação com vistas a obter o diploma.

O pessoal do Todos pela Educação é incorrigível. É a ideia da responsabilização. Que o MEC tivesse entrado na deles, é o elemento surpresa…

Mais ainda: a aceitação da ideia revela que avança no MEC e nos órgãos de política educacional a concepção de se vincular salário ou progressão na carreira a resultados de alunos em avaliações, copiando o fracassado modelo americano do valor agregado, no qual professores têm 50 a 60% de seus salários vinculados aos resultados dos alunos em testes.

Veja também outras repercussões aqui.

Publicado em Avaliação de professores, Responsabilização/accountability | Com a tag | 1 Comentário

Texas revê responsabilização

Berço do movimento de responsabilização, o Texas sob impacto da mobilização de professores e pais repensa a responsabilização .

“Durante a sua primeira corrida eleitoral para a Casa Branca, George W. Bush chamou [a sua gestão na educação do Texas] de milagre do Texas. Testes de alto impacto nas escolas públicas, juntamente com outras medidas destinadas a manter professores e diretores “responsáveis” pelo desempenho de seus alunos, haviam fechado as disparidades de resultados entre estudantes brancos e os estudantes das minorias e impulsionou a pontuação geral em leitura e matemática. Durante a campanha, George W. Bush elogiou as reformas aprovadas – aprovadas primeiramente na Legislatura de 1993, um ano antes dele ser eleito governador – como um modelo para o país. E, de fato, apenas um ano depois que ele chegou em Washington, o modelo do Texas ganhou amplitude nacional, quando Bush assinou a Lei No Child Left Behind, em janeiro de 2002, exigindo que todos os estados criassem seus próprios programas de avaliação por testes. Na cerimônia de assinatura, Bush apontou a Rod Paige, seu secretário de educação, cujo sucesso como superintendente da educação do Distrito Escolar Independente de Houston tinha fornecido a inspiração para o movimento de responsabilização no Texas.”

Este é o início da história da lei de responsabilidade educacional americana que viria destruir o sistema público de educação americano e gerar um dos movimentos mais fortes e organizados contra as teses de responsabilização dentro dos Estados Unidos.  Duas décadas atrás o Texas tornou-se o marco zero para o movimento de responsabilização. Agora, depois de uma revolta de professores e pais que afirmam que os testes de alto impacto estão arruinando a sala de aula, a própria Assembleia Legislativa do Texas está pronta para desfazer muitas de suas próprias reformas.

Aqui esta história é contada. Continue lendo (em inglês).

Publicado em Links para pesquisas, Responsabilização/accountability | Com a tag , , , | Deixe um comentário

Um curioso relatório

Perfect storm energy, finance and the end of growth. By Tim Morgan. Tullet Prebon – Global Head of Research. Janeiro 2013

Este relatório me foi passado recentemente e me pareceu muito interessante para uma visão geral de como a economia global está se comportando. Tem a ver com a saúde dos negócios no mundo contemporâneo. Vale a pena dar uma olhada, especialmente se pretendemos colocar a educação nas mãos dos empresários. Abaixo, um trecho:

“A distorção de dados pode ser dividida em duas categorias. Dados econômicos tem sido erodidos por décadas de mudança metodológica, que têm distorcido as estatísticas até o ponto em que dados realmente precisos não estão disponíveis para as métricas críticas de inflação, crescimento, produção, desemprego ou dívidas. Dados fiscais, por outro lado, obscurecem a verdadeira escala de obrigações do governo ” (p. 43).

Publicado em Assuntos gerais | Deixe um comentário

Rebelião no PISA

Insatisfeitos com os critérios do PISA, países do mercosul ameaçam criar exame regional próprio.

A insurgência dos países do Mercosul contra o Programa Internacional para Avaliação de Estudantes (Pisa) está tomando forma. Reunidos durante o Seminário Regional de Avaliação Educativa para o Mercosul, realizado em março em Buenos Aires, os ministros da Educação do bloco discutiram critérios regionais que desejam ver incluídos na avaliação coordenada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Em novembro do ano passado, o Ministério da Educação do Brasil anunciou que o Seminário teria como objetivo a “construção de indicadores regionais da qualidade da educação nos países da América do Sul”. Apesar de um novo instrumento de avaliação não ter sido declarado oficialmente, o sentimento geral é de que é preciso avançar mais do que  apenas a adoção de critérios regionais para o Pisa.

Leia matéria aqui.

Publicado em Pisa | Com a tag | Deixe um comentário

Engenheira comercial assume Ministério da Educação chileno

Após o Congresso derrubar o Ministro da Educação chileno por não controlar o lucro das empresas que operam no sistema educacional do Chile, o presidente Piñera nomeou uma engenheira comercial para cuidar da educação. Segue seu currículo resumido:

“Antes de llegar al gobierno, la ingeniera comercial de la Pontificia Universidad Católica de Chile, desarrolló una exitosa carrera profesional siendo directora y gerente general de diversas empresas privadas. Trabajó en FORUS S.A en Chile para más tarde trabajar en Inglaterra e Italia. Regresó a Chile como gerente General de Nine West Chile a cargo de la expansión del negocio a Latino América. En el año 2000 es nombrada gerente general de la revista Capital y en 2008 asume la gerencia general de CCU Foods.

En el ámbito social fue nombrada directora de Infocap, consejera de Endeavor para la promoción del emprendimiento, consejera de Comunidad Mujer y del Centro de Estudios empresariales de la Mujer (CEEM).”

Publicado em Assuntos gerais | Deixe um comentário

Sério demais para empresários…

Os empresários resolveram assumir a educação. Isso se deve ao fato de que no cenário atual, com o esgotamento relativo de mão de obra barata, será necessário aumentar a produtividade da mão de obra para garantir rentabilidade ao capital.

Com isso em vista, empresários se organizaram no Movimento Todos pela Educação e congêneres pelo país afora trazendo para a área educacional a ótica da administração empresarial, suas soluções, seu dinheiro e seu poder político de afetar a elaboração de políticas públicas.

Note-se que excetuando-se bilionários muito ricos, e nós não temos muitos, nenhum empresário se propõe a filantropia em tempos de crise. Sua filantropia supõe que a economia vai bem e dando muito lucro. Lógico nos perguntarmos, então, o que aconteceria com seu interesse pela educação, se houvesse uma crise de rentabilidade ou se o Brasil saísse da rota de valorização do capital por alguma injunção internacional. Não é necessário ter boa de cristal: sua filantropia vai minguar.

Ante isso, não nos parece seguro e responsável colocarmos a educação nas mãos dos empresários. Seus interesses podem mudar. Caso isso aconteça, nós educadores profissionais seremos chamados de volta para cuidar da educação. Portanto, é melhor que continuemos desde já a cuidar dela.

Nosso interesse na educação é profissional e não circunstancial. Não é compaixão dos pobres ou pseudo alegação de “direitos de aprender” que escondem os reais interesses econômicos dos empresários pela educação neste momento. A miséria não é fato novo e a exclusão dos pobres dos processos educacionais não começou ontem. No entanto, nunca incomodou empresários pois, antes, eles viviam exatamente da exploração da mão de obra barata. Foi só quando estes bolsões rarearam é que surgiu o interesse pela educação.

Portanto, a educação é algo muito sério para que seja deixada nas mãos de empresários caridosos. Seria uma irresponsabilidade educacional. A educação deve ser financiada pelo poder público e conduzida por profissionais da educação.

Publicado em Responsabilização/accountability | Com a tag | Deixe um comentário

Cotistas: estudo pode ter problemas

A Folha de São Paulo divulga hoje dia 28-4-2013 estudo que mostraria que os cotistas das universidades teriam desempenho inferior (-9,3) em média aos alunos não cotistas.

Pelo que foi divulgado na imprensa, é apenas uma comparação entre médias dos dois grupos e não há evidência de que a comparação tenha tido o cuidado de comparar alunos “comparáveis”. Estes estudos são conhecidos como “pair matched” que trabalham com alunos emparelhados e com certas características controladas. Por exemplo: idade, gênero, nível sócio econômico etc. No caso, haveria que comparar os cotistas e não cotistas com níveis sócio-econômicos equivalentes, pelo menos. Todos sabem que os exames não medem só conhecimento, mas registram a marca do nível sócio econômico.

Se de fato foi isso que se fez, as conclusões podem não ser as que estão sendo alardeadas…

Isso também acontece quando se comparam resultados de exames entre alunos de escolas públicas e privadas e se divulga que as privadas são menores que as públicas.

Publicado em Assuntos gerais | 1 Comentário

Pulando etapas…

Enquanto por aqui alguns acalentam a ideia de que a Prova Brasil se torne obrigatória para a obtenção do certificado de ensino médio, na matriz destas ideias já há quem esteja sofrendo os efeitos delas e esteja eliminando estes exageros. É o caso de Minnesota, nos Estados Unidos. Seria bom que aprendêssemos com os mais “velhos” e pulássemos estas etapas em direção a ideias mais saudáveis para as escolas, seus alunos e seus pais.

Senado de Minnesota aprova lei de educação que acaba com teste de alto impacto

Por Jim Ragsdale 23/04/2013

“O projeto, entre outros aspectos, também muda para um novo sistema de testes que está focado na carreira e nos objetivos da faculdade. Os apoiadores dizem que as mudanças são necessárias para fornecer ajuda mais cedo e melhor para os alunos que estão ficando para trás, mas os adversários dizem que a perda de uma rigorosa exigência de teste para a formatura significa que o estado está barateando o diploma do ensino médio.”

“Questionado sobre o debate dos testes na quinta-feira, o governador Mark Dayton disse que ele foi levado pela Superintendente de Educação Brenda Cassellius “a descobrir que podemos reduzir o excesso de testes.”

Leia mais aqui.

Publicado em Links para pesquisas, Prova Brasil, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

Fraude em testes: agora é Washington

Era uma escola com alunos em sua maioria negros e pardos e que estava 15 pontos abaixo da média da cidade de Washington. Na última avaliação, os alunos mostraram uma melhora significativa em seu desempenho. Entretanto, o Gabinete do Superintendente Estadual de Educação diz que os professores e administradores nesta escola provavelmente adulteraram as respostas dos estudantes mudando as respostas erradas para certas nos testes com a finalidade de melhorar os resultados dos alunos da escola.

A escola é uma Charter (administração privada de escola pública). Não é de agora que Washington tem denuncias quase nunca investigadas de fraude. Desde os tempos de Michelle Rhee. Agora, o caso está sendo investigado.

Colocar pressão sobre as escolas que operam sob condições difíceis tem levado a fraudes como se viu em Atlanta com Beverly Hall neste blog.

Leia mais aqui.

Publicado em Reforma e Fraudes | Deixe um comentário

Ganhando escala

O mercado está se preparando para fazer frente à demanda na área da educação.

As empresas de educação Kroton e Anhanguera divulgaram fato relevante nesta  segunda-feira informando ao mercado que fecharam um acordo de associação. Na  prática, a Kroton está incorporando a Anhanguera. As duas companhias têm capital  aberto na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e as ações da Anhanguera serão  incorporadas pela Kroton. Se aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa  Econômica (Cade), a operação resultará no maior grupo educacional do país e um  dos maiores do mundo.

Leia mais sobre esse assunto aqui.

Publicado em Privatização | Deixe um comentário

Eles erram, nós erramos?

A Pearson, megaempresa que presta serviço em processamentos de testes nos Estados Unidos e pelo mundo afora, errou novamente ao processar os testes da Cidade de Nova York. Cerca de 2700 estudantes foram erroneamente recusados em programas para alunos talentosos devido a suas pontuações em testes de admissão. A empresa se desculpou pelo erro. Somando-se outros tipos de erros foram afetados 4.735 estudantes.

O erro foi descoberto por dois pais, um dos quais era estatístico.

Leia aqui a notícia toda.

E no Brasil, quem sabe dos nossos erros? Nossos jovens estão sendo ranqueados corretamente? Hoje, os testes definem a vida de nossos jovens… É o mínimo que se pode pedir, já que os testes existem e somas importantes de dinheiro são gastas com eles…

Publicado em Links para pesquisas, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

Curiosidade: lei da letra cursiva e da tabuada

Se tudo pudesse ser cumprido pela existência de uma lei, seria muito fácil. Há leis para quase tudo. E a Constituição Brasileira diz que nós só fazemos ou deixamos de fazer algo se uma lei mandar.

Isso, agora, está sendo “levado a sério” nos Estados Unidos. Lá os reformadores empresariais decidiram acionar seus representantes na Assembleia Legislativa da Carolina do Norte e da Carolina do Sul para tentar passar uma curiosa lei que obriga a ensinar “letra cursiva” e a “memorizar a tabuada”. É isso mesmo, acredite.

Contra os especialistas da área o debate prossegue nas comissões da Assembleia.

Se a lei pega, muita gente vai faturar vendendo materiais destinados a isso, sem contar o tamanho da bobagem…

Publicado em Assuntos gerais | Deixe um comentário

Chile: lucro sem controle leva a demissão de ministro

As reformas empresariais da educação sempre estão “bem acompanhadas” por polpudos orçamentos públicos destinados à iniciativa privada. É por esta razão que a privatização é uma das categorias explicativas das propostas curriculares dos reformadores.

É assim nos Estados Unidos onde as empresas fazem lobby para privatizar as escolas, juntamente com as fundações privadas.

No Chile há um paraíso de faturamento destas empresas privadas produto das reformas empresariais que lá foram implantadas há muito. Se o Congresso chileno não põe a mão nisso, o governo de Piñeira muito menos o faria.

O ministro da Educação do Chile, Harald Beyer, foi destituído pelo Congresso, nesta quarta-feira (18), por não fiscalizar os lucros das instituições de ensino, ao final de um julgamento político no Senado.

A acusação constitucional contra o ministro Beyer foi aprovada por 20 votos contra 18, ao final de uma tensa sessão do Congresso chileno, em Valparaíso, 120 km de Santiago.

Leia aqui.

Publicado em Privatização | 1 Comentário

80% dos professores votam pelo fim do apostilamento

Oitenta por cento de 460 professores da rede municipal de ensino de Valinhos (que conta com 519 docentes) votaram pelo fim da utilização do sistema apostilado e o retorno dos livros didáticos fornecidos gratuitamente pelo Ministério da Educação. A consulta aos docentes faz parte da proposta de implantação de uma gestão participativa na área da Educação do município, conforme plano de governo do prefeito Clayton Machado.

A votação foi realizada no último dia 15, sexta-feira, durante reunião com o secretário da Educação, Danilo Sorroce, diretores e especialistas da área, para elaboração do plano de metas da Educação para 2013 a 2016. Segundo o secretário, nada melhor do que os próprios professores, que utilizam as apostilas no dia-a-dia das salas de aula, para avaliarem se o sistema corresponde ou não às necessidades do ensino municipal. “A votação foi baseada em parâmetros técnicos que foram definidos pelos próprios professores”, explicou Sorroce.

Segundo o secretário da Educação, diante da posição dos professores da rede, o contrato com a empresa distribuidora das apostilas, a Editora Moderna, que venceu no último dia 17, não será renovado. “Isso representará uma economia aos cofres municipais, já que o Ministério da Educação fornece gratuitamente livros didáticos de ótima qualidade aos municípios”, disse Sorroce. O sistema foi introduzido na rede municipal em 2007 e nesses seis anos foram gastos com a compra das apostilas mais de R$ 9 milhões.

O secretário explicou que os recursos que deixarão de ser gastos com as apostilas serão aplicados em projetos que garantam maior eficiência ao sistema de educação do município, como cursos de capacitação para os profissionais da área e a inserção da rede municipal no contexto tecnológico.

Leia mais aqui.

Publicado em Privatização | 1 Comentário

Pais americanos retiram filhos dos testes

O jornal Washinton Post analisa hoje o movimento dos pais que estão retirando seus filhos dos testes das escolas valendo-se da lei “opt-out”, que faculta aos pais decidir nos Estados Unidos se querem ou não que seus filhos façam os testes.

Uma década de movimento de responsabilização das escolas e bolsões de resistência a testes padronizados estão surgindo em todo o país, com os pais e alunos optando por ficarem fora dos testes de alto impacto utilizados para avaliar as escolas e professores.

Em Seattle, 600 estudantes do ensino médio se recusaram a fazer teste padronizado, em janeiro, e no Texas,  86 por cento dos distritos escolares dizem que os testes estão “estrangulando nossas escolas públicas”, grupos anti-testes argumentam que os exames têm proliferado além do razoável, gerando mais angústia do que benefícios.

Leia mais aqui.

Publicado em Responsabilização/accountability | Com a tag , | Deixe um comentário

Vazou…

Um memo da época de Michelle Rhee na Superintendência da Educação em Washington vazou pela internet contendo alertas sobre fraude na rede pública. Como se sabe, a denuncia nunca foi investigada, no entanto, agora, com o memo cresce as chances de que Rhee seja investigada.  Michelle Rhee é uma das principais defensoras das políticas de responsabilização nos Estados Unidos.

Leia (em inglês) o memo que vazou aqui.

Publicado em Links para pesquisas, Reforma e Fraudes | Deixe um comentário

Ciências será incluída na Prova Brasil

Segundo a Agência Brasil:

“a partir deste ano, estudantes do ensino básico terão que responder a questões de ciências na Prova Brasil. A prova é aplicada no 5º e 9º ano do ensino fundamental e no 3º ano do ensino médio e atualmente apresenta questões de português e matemática. A inclusão foi comunicada nesta segunda-feira (8/4) pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante em evento em São Paulo.

De acordo com o ministro, na primeira edição, a prova de ciências servirá apenas para avaliação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Os resultados não serão computados na média geral do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).”

Leia mais aqui.

Publicado em Prova Brasil | Deixe um comentário

Haddad acaba com Prova São Paulo

A secretaria Municipal de Educação de São Paulo vai interromper a Prova São Paulo, que avaliava o desempenho dos alunos da rede desde 2007. Para a Prefeitura de São Paulo, a Prova Brasil é suficiente como indicador de qualidade da rede.

Callegari já havia dito que também não pretende dar continuidade a política de bônus, implantada na rede municipal paulistana em 2011.

É uma posição sensata. As crianças estão sendo sobrecarregadas com testes e mais testes retirando tempo de aprendizagem importante. Uma esfera de governo não acredita na outra e quer ter suas próprias avaliações. A indústria da avaliação incentiva cada nível a fazer sua própria prova.

O bom senso prevaleceu tanto na questão do bônus como na questão das provas.

Leia mais aqui.

Publicado em Assuntos gerais, Meritocracia | Deixe um comentário

Na mira…

John Merrow analisa as possibilidades de fraude em testes na época em que Michelle Rhee, outra popstar dos reformadores americanos, era superintendente de Educação em Washington. O escândalo, ao contrário do que foi feito em Atlanta, nunca foi profundamente investigado.

Leia aqui.

Publicado em Reforma e Fraudes | Deixe um comentário

Dilma escolariza a Educação Infantil

O senado tentou, a presidenta conseguiu. A educação infantil no Brasil sofre duro golpe com a nova legislação aprovada esta semana.  Os links que seguem levam à lei que altera a LDB e ao veto da presidenta a parte da lei.

A lei introduz controle de frequência dos alunos da educação infantil e avaliação (ainda que sem fins de promoção). Ou seja, abre-se a possibilidade de que aqueles questionários imensos sobre o desempenho das crianças sejam agora introduzidos na educação infantil, criando um enorme mercado para as empresas de testes educacionais.

O fato de que a avaliação não seja usada para fins de promoção pouco ajuda. De fato, sabemos que a pior face da avaliação é a que ocorre no interior da própria sala de aula – a avaliação informal – que agora ganha instrumentos para ser exercitada em sala de aula.

Mesmo que não se reprove, a cobrança no interior da sala sobre a criança fica agora na dependência do teste usado. O treino para o teste já pode começar na educação infantil e a cobrança verbal sobre o desempenho da criança vai aumentar.

Sem dúvida, isto introduzirá modificações na metodologia da sala de aula que começará mais cedo a escolarizar a criança, guiada pelos testes.

Além disso, a nova legislação oficializa que o professor de educação infantil poderá continuar a ser formado como técnico de ensino médio, sem formação superior portanto. Sobre isso, veja aqui.

Somente ampla mobilização pode conter esta onda.

Publicado em Avaliação na Educação Infantil | Com a tag | 4 Comentários

Reforma fiscal ou educacional?

Não fosse dramático, seria divertido. Abaixo um link preparado pela Fundação Broad, nos Estados Unidos, que ensina como lidar com o fechamento de escolas. A Broad é uma das âncoras dos reformadores empresariais da educação nos Estados Unidos.

Título da cartilha: Guia de Fechamento de Escola: fechamento de escolas como um meio para enfrentar desafios orçamentários.

Um país que resolve fechar escolas dentro dele para conter gastos, quando mantém guerras trilhonárias fora dele não pode ser modelo para ninguém.

Como mostra o próprio título, isso não é reforma educacional, mas sim, reforma fiscal…

Publicado em Links para pesquisas, Privatização | 1 Comentário

USA: garbage in garbage out?

Dados que estão disponíveis sobre o programa de vouchers em Milwaukee estão sendo debatidos, pois o relatório de pesquisa em questão teve seus dados alterados sem justificativas pelo autor após sua divulgação, um conhecido entusiasta dos programas de vouchers. No caso a taxa de abandono de alunos no programa de vouchers foi alterada de 75% para 56% (p. 16 do relatório).  Para se ter uma ideia do rigor com que se tratam estas questões nos Estados Unidos, veja o link aqui.

Uma taxa menor, de 56%, deixa os resultados da pesquisa mais confortáveis para os defensores dos vouchers – mesmo que ainda seja alta. A questão é que a alteração foi feita sem demonstração de que os novos dados estão corretos. Diane Ravitch entrou na discussão e agora Mercedes Schneider.

Infelizmente, está tudo em inglês.

Publicado em Links para pesquisas, Privatização, Vouchers | Deixe um comentário

Mais uma vez: não é o que parece

Mascarada de “escola pública” a empresa de gerenciamento Summit participa de evento em São Paulo e prepara mercado. Lobo em pele de cordeiro, a Summit é apresentada no Brasil como escola pública com o título: “É possível alto nível na escola pública”.

Mas Summit é uma empresa que gerencia privadamente escolas públicas. Como já divulgamos aqui, não há evidência que mostre que elas são melhores que as escolas públicas regulares americanas, não se os estudos são sérios e com alunos pareados, ou seja, estudos com alunos equivalentes entre as redes.

Mostrar que os estudantes entram na Universidade não é suficiente pois tem que haver controle do nível sócio econômico dos alunos comparados. As escolas charters americanas como a Summit retiram das redes públicas os melhores alunos, deixando os demais para a própria rede pública dar conta.

Selecionando alunos, a competição fica desigual.

Publicado em Privatização | 1 Comentário

Vouchers: programa continua sem evidência empírica

Milwalkee, Washington e agora Cleveland, aqui estão os programas que fazem uso de vouchers mais antigos dos EUA. Todos acabaram mostrando que não superaram as escolas públicas regulares.

A crença em vouchers cada vez mais é recusada pelos dados, pela evidência empírica. Mas os reformadores empresariais não lidam com dados e sim com fé, fé na iniciativa privada, fé no gerenciamento privado.

Ohio quer aumentar os programas de vouchers, mas os dados sugerem que os estudantes que são atendidos com vouchers  não estão melhores que os alunos de escolas regulares públicas.

Confira os dados aqui.

Publicado em Links para pesquisas, Privatização, Vouchers | Deixe um comentário

Modelo chileno em crise

O modelo de reforma educacional mais badalado pelos reformadores empresariais está em crise há anos. É um dos que mais segregam no mundo.

“Milhares de estudantes chilenos dos ensinos médio e universitário participaram nesta quinta-feira de uma passeata no centro de Santiago que terminou com violentos confrontos entre os manifestantes e a polícia.

A manifestação, convocada por alunos de instituições privadas, foi a primeira mobilização do ano com uma ampla afluência de estudantes, que pretendiam voltar a pôr na agenda sua reivindicação de uma mudança profunda no sistema educacional do país.” Leia aqui.

Publicado em Privatização | Com a tag | Deixe um comentário

USA: mais protestos

Washington, na próxima semana, será palco de um protesto contra os testes de alto impacto nos Estados Unidos. Os principais ativistas estão dirigindo-se para lá: a historiadora Diane Ravitch, Karen Lewis do Sindicato de Professores de Chicago, a veterana educadora Deborah Meier, e a especialista em infância Nancy Carlsson-Paige, entre outros.

Vai haver barulho. Os Estados Unidos vivem um verdadeiro movimento social contra o mal uso dos testes em educação.

O evento chama-se United Opt Out National e terá a duração de quatro dias. Segundo Valerie Strauss:

“inclui uma marcha até a Casa Branca em um esforço para chamar a atenção do presidente Obama, que tem sido uma grande decepção para as pessoas que achavam que ele iria levar adiante políticas de reforma escolar progressistas. Em vez disso, o Departamento de Educação levou uma agenda de reforma corporativa e que inclui um sistema de prestação de contas com base em testes padronizados – contra o conselho de especialistas em avaliação – e iniciativas que têm alimentado a privatização da educação pública e ataques a professores.” Leia mais aqui.

Publicado em Responsabilização/accountability | Com a tag , | Deixe um comentário

USA: protesto por fechamento de escolas

EUA: Pais e docentes protestam contra fechamento de escolas

Assista aqui.

Para entender o caso: A Lei de Responsabilidade Educacional dos EUA permite que se fechem escolas que não tenham atingido as metas estipuladas para as avaliações de rendimento dos alunos. Tais escolas podem ser transformadas em escolas públicas de gestão privada, ou seja, podem ter a sua gestão terceirizada. São chamadas de escolas charters. Os dados mostram que tais escolas não têm, em média, desempenho maior do que as públicas. No entanto, elas resolvem o problema da crise financeira americana, pois os professores ganham menos.

Algo semelhante ocorre no Brasil com a Lei de Responsabilidade Fiscal (a Educacional está tramitando no Congresso). A lei estipula um máximo de gastos com pessoal e áreas como saúde e educação que demandam muita gente, mesmo que tenham dinheiro para contratar, não podem fazê-lo pois as prefeituras e estados vivem no teto da Lei e não podem ampliar seus quadros. Com isso são obrigadas a passar as escolas para a iniciativa privada, pois o que é gasto com as ONG não entra no cômputo da Lei de Responsabilidade Fiscal pois não é salário.

Hoje não basta brigar para o  ensino ser público, ele tem que ser público e com gestão pública.

Publicado em Escolas Charters, Privatização | Com a tag , | Deixe um comentário

Sabedoria

“Por fim, a maior lição que eu aprendi ao longo de meio século é que quanto mais democraticamente uma escola é administrada, mais fácil para “demitir” os professores ineficientes, especialmente os “ruins”. Na hierarquia escolar alguns colegas hierárquicos tendem, quase sempre, a sair em defesa de um professor que eles vêem como sendo “empurrado para fora” pela administração – geralmente sem saber quem está certo ou errado, e talvez sem saber porque não existe um sistema com o qual todos concordamos. Isso causa tensão e problemas de moral.”

Deborah Meier

21-03-2013

Publicado em Responsabilização participativa | Deixe um comentário