Aposentada da indústria da Mídia assume Educação em Nova York

Postado originalmente  na Uol em 6/03/2011

Secretário de Educação das Escolas tem muito em comum com o chefe

By W. PETERS – Publicado em: 09 de novembro de 2010

Cathleen Black ganhou reputação no mercado editorial como executiva-chefe durona que nunca deixou seus funcionários adivinharem o que ela queria. Uma estudante de administração, ela escreveu um livro sobre estratégias para o sucesso no mundo corporativo. Ela se desenvolveu como chefe de uma grande empresa de mídia [Hearst Magazin], mostrando pouco interesse em política ou no trabalho do serviço público – até que, ao que parece, de repente um se abriu para ela.

Bloomberg, naturalmente, também construiu sua fortuna nos meios de comunicação e escreveu um livro sobre como ele fez isso. E ninguém jamais acusou o prefeito de ser ambíguo quando se trata de transmitir suas expectativas aos seus funcionários. A Sra. Black, na entrevista coletiva na terça-feira onde foi apresentada, não tinha pretensão de ter qualquer experiência em educação. Da mesma forma, Bloomberg era um novato político quando ele concorreu a prefeito em 2001. Sua explicação para escolher um estilo muito parecido com o seu tem o tom original de si mesmo: “Cathie é um gerente de classe mundial.”

Continue lendo (em inglês):

http://www.nytimes.com/2010/11/10/nyregion/10black.html

Publicado em Assuntos gerais, Postagens antigas da UOL, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

USA: repassando a crise para os professores

Postado originalmente na Uol em 8/03/2011

Estados se enroscam com a estabilidade dos professores

Como o impulso para a reforma das escolas cresce e os orçamentos estaduais continuam a encolher, o sistema de estabilidade do professor está sob crescente crítica

Por Ellis Rehema, NBC News

Actualizado 2011/03/07

Quando Angel Taveras, o prefeito de Providence, Rhode Island, [USA] demitiu recentemente cada um dos dois mil professores da cidade, causou um alvoroço previsível. Embora Taveras insistiu em que irá recontratar tantos professores quanto ele possa pagar, centenas protestaram contra as demissões. “Nós temos que equilibrar o orçamento, nós temos que educar nossos filhos”, disse Taveras. “Nós vamos fazer as duas coisas.”

Como os estados sem dinheiro lutam para equilibrar seus orçamentos, a questão da estabilidade do professor – uma controversa proteção sindical dos professores freqüentemente percebida como uma garantia de emprego – está em causa em meio a um clamor crescente para contê-la.

Continue lendo (inglês) em:

http://www.msnbc.msn.com/id/41956922/ns/nightly_news/

Publicado em Avaliação de professores, Meritocracia, Postagens antigas da UOL, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

Legislação distribuida

Postado originalmente na Uol em 9/03/2011

Um PNE desidratado de conceitos como o proposto pelo governo Dilma, inclusive sem sequer um diagnóstico sobre o que não funcionou no PNE anterior, facilitará que a política educacional liberal seja implementada via estados. Para os estados, se o PNE não atrapalhar já é lucro. Tenho divulgado aqui neste Blog como nos Estados Unidos esta política caminha via estados – recentemente empenhados na precarização do trabalho docente. Notícia que reproduzo abaixo, sobre a movimentação de Deputados das assembleias legislativas no Brasil para permitir maior legislação estadual no campo da educação, vai nesta direção.

Deputados articulam emenda que amplia poder das assembleias

Parlamentares preparam projeto que lhes daria, por exemplo, poder de legislar sobre temas como saúde, educação e trânsito

Ricardo Galhardo, iG São Paulo | 24/02/2011 08:00

A União Nacional das Assembleias Legislativas se reúne nesta quinta-feira (24) em Brasília com o objetivo de encaminhar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que aumenta as atribuições e poderes dos legislativos estaduais.

Um dos pleitos é transferir o poder de decisão sobre o percentual de investimento obrigatório dos Estados em saúde (fixado pela PEC 29, aprovada mas ainda não regulamentada pelo Congresso) para as Assembléias Legislativas.

Continue lendo em:

http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/deputados+articulam+emenda+que+amplia+poder+das+assembleias/n1238106873337.html
Publicado em Assuntos gerais, Postagens antigas da UOL | Deixe um comentário

A miopia da CNTE: responsabilização para quem?

Postado originalmente na Uol em 9/03/2011

A ideia de uma lei de responsabilidade educacional representa uma forma autoritária de se entender como se devem dar as relações entre os entes federados. O oposto de responsabilização não é desresponsabilização, portanto, ao criticar um, não se defende necessariamente o outro. A educação como bem público é responsabilidade do Estado (em seus vários niveis) o qual deve garantir as condições gerais de seu funcionamento, não necessariamenrte pela via da punição e do prêmio. Co-responsabilizar-se não é editar uma lei que responsabiliza o outro. Já se sabe que nesta cadeia, o elo mais fraço é sempre o de baixo e ela vai até os professores e alunos.

O MEC já havia enviado uma proposta de lei de responsabilidade educacional ao Congresso. Ela desapareceu apensada em outras leis de responsabilização que tramitavam por lá. Corre solta nas Comissões em caráter terminal. Inspirada na lei de responsabilidade fiscal, cujo subproduto foi abrir as portas para as Organizações Sociais atuarem no setor público educacional pois limitou a contratação de pessoal pelos estados e municípios, a lei de responsabilidade educacional aparece agora como emenda da CNTE – Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educaçao – ao PNE e representa uma miopia sobre as consequências que ela vai gerar, em cascata, até os professores e demais trabalhadores da educação – ou seja, os trabalhadores que ela diz defender. A CNTE, o MEC e outros setores da sociedade querem responsabilidade educacional para os gestores, mas ignoram que isso dá direito a eles de legislar para baixo, com a mesma lógica. Os gestores, responsabilizados, tenderão a passar adiante a responsabilização, justamente para os diretores e professores (incluindo o aluno) e a legislação complementar, para estes, florescerá nos estados – inclusive com a vinculação a resultados de desempenho dos alunos e bônus para a equipe escolar. Esta visão autoritária, que justificam ser necessária quando se trata de gestores públicos, também será aplicada, da mesma forma, aos atores da escola.

A estratégia 7.5 do atual PNE já dispõe que metas intermediárias do IDEB – conjugado ao PISA – serão atreladas a fornecimento de ajudá técnica e financeira. A responsabilização poderá fazer com que o IDEB até suba, as razões para tal pode ser que não sejam as mais nobres, e além disso, notas altas não significam boa educação. Para os incrédulos, transcrevo o texto da proposta de lei de responsabilidade educacional da Parceiros da Educação para ver onde isto pode dar. Esta organização também propõe criar uma Lei de Responsabilidade Educacional dizendo: “Ao prestarem contas ao Ministério da Educação (MEC) sobre o uso das verbas federais, as secretarias passariam a ser punidas nos casos em que se flagrar o mau uso do dinheiro. Caberia ao ministério, antes de fazer o repasse, estabelecer um conjunto de metas bastante claras sobre a aplicação dos recursos, por estado e município. A idéia é combater desvios de toda ordem, como merendas jamais servidas e licitações fraudulentas – modalidades de corrupção tão comuns no Brasil. A mesma lei poderia incluir um prêmio em dinheiro às secretarias, contemplando os resultados escolares: os estados e municípios que apresentassem progressos em sala de aula ganhariam mais verbas. Cobrar, premiar e punir com base no desempenho, seja ele financeiro, seja ele acadêmico é um avanço notável”. Ou seja, pegando carona na questão do controle e transparência dos recursos públicos, se inclui a responsabilização vinculada a desempenho acadêmico (tanto do professor, como do aluno).

Há algo errado quando MEC, CNTE, Parceiros da Educação – entidades cujos objetivos e interesses deveriam ser distintos – convergem sobre uma mesma medida sem estabelecer claramente as diferenças.

O texto do MEC, sobre lei de responsabilidade educacional, original, enviado ao Congresso, limitava a responsabilização à questão financeira explicitamente. Mas, no seu PNE, o governo introduz a estratégia 7.5 que mencionei acima e que se refere a metas do IDEB, portanto implicando em responsabilização acadêmica e não financeira como dizia em seu texto original de lei de responsabilidade educacional.

A Parceiros da Educação é clara em dizer que quer a responsabilização financeira e acadêmica.

Neste quadro, aparece a CNTE propondo uma emenda vaga falando em responsabilização dos gestores públicos a partir de compromissos “previstos na constituição e em leis especiais que consubstanciam o PNE”. Esta emenda, somada com a estratégia 7.5 do PNE do MEC a que me referi acima, completa o quadro. Neste caso, a CNTE, se defende seus afiliados, deveria negar claramente a estratégia 7.5 e limitar claramente sua proposta à gerência financeira – que inclui o pagamento do piso -, à implantação de carreira, entre outras, vedando com clareza a reponsabiização por metas acadêmicas do IDEB/PISA, bem como – como propõs a CONAE – qualquer vinculação dos processos de avaliação com prêmios e punições. Sem especificar, a CNTE estará referendando formas de responsabilização que irão ser nefastas para aqueles que ela diz defender.

Publicado em Assuntos gerais, Postagens antigas da UOL, Responsabilização/accountability | Com a tag | Deixe um comentário

Economista X economista

Postado originalmente na Uol em 11/03/2011

Os que estivemos no III Seminário de Educação Brasileira do CEDES ouvimos do Presidente do IPEA, Marcio Pochmann, um deslumbrado discurso sobre a “sociedade do conhecimento” que está chegando no Brasil. Tal sociedade, segundo ele, revolucionará o trabalho e portanto só terão futuro promissor os trabalhadores que acessarem mais educação. Segue abaixo, artigo de Paul Krugman com outra visão sobre esta questão. A visão de quem já viveu a falaciosa “sociedade do conhecimento”.

GRADUAÇÃO E DOLLARS

Por Paul Krugman – Publicado em: 06 de março de 2011  New York Times

É uma verdade universalmente reconhecida que a educação é a chave para o sucesso econômico. Todo mundo sabe que os empregos do futuro vão exigir cada vez mais elevados níveis de habilidade. Por isso, em uma aparição sexta-feira com o ex-governador da Flórida Jeb Bush, o presidente Barack Obama declarou que “Se nós queremos mais boas notícias no front de empregos, então nós temos que fazer mais investimentos em educação.”

Mas o que todos sabem está errado.

Continue lendo (inglês) em:

http://www.nytimes.com/2011/03/07/opinion/07krugman.html?_r=2&partner=rssnyt&emc=rss

Publicado em Assuntos gerais, Links para pesquisas, Postagens antigas da UOL | Deixe um comentário

Crônica de um desastre anunciado…

Postado originalmente na Uol em 12/03/2011

A lei de responsabilização educacional americana prevê que em 2014 todas as escolas da América terão seus alunos classificados como proficientes (a escala é: abaixo do básico, básico, proficiente, avançado). As escolas se comprometem com metas intermediárias anuais até o ano de 2014. Um sistema de controle que envolve até o fechamento das escolas que não progridem e sua privatização (escolas charters) está vigente. A lei – levada a sério no Brasil pelos reformadores empresariais – virou uma piada nos USA.

Há quem diga que ela é tão absurda como se fixar para as Delegacias de Polícia a meta de zerar roubos, sequestros e outras mazelas da segurança pública até o ano de 2014. Mas, piadas a parte, o fato é que ela viabilizou a privatização do sistema público de educação americano e movimentou um mercado bilionário em testes e assessorias para delírio da indústria educacional americana.

Um salto surpreendente em escolas deficientes

New York Times, 12 de março 2011

Em março de 2011, o Secretário da Educação [americano] Arne Duncan anunciou que quatro em cada cinco das 100 mil escolas públicas do país provavelmente receberão notas baixas sob  a lei No Child Left Behind, em 2011. Duncan disse que a estimativa, com base numa análise das tendências de testes e do funcionamento do sistema de classificação da lei, foi a mais recente evidência de suas falhas e da necessidade de rever isso.

Mesmo muitas das escolas mais bem administradas do país provavelmente ficarão aquém face ao rápido crescimento das metas nos testes padronizados, disse ele. Se as estimativas se confirmarem quando os exames estatais serão feitos na primavera de 2011, eles representarão um salto impressionante no número de escolas abaixo das exigências da lei. Oitenta e dois por cento das escolas poderiam não atingir as metas dos testes, disse Duncan, em comparação com os 37 por cento de 2010.

Continue lendo (inglês) em:

http://topics.nytimes.com/top/reference/timestopics/subjects/n/no_child_left_behind_act/index.html
Publicado em Links para pesquisas, Postagens antigas da UOL, Responsabilização/accountability | Com a tag | Deixe um comentário

Neotecnicismo tardio e os novos “Chicago boys” brasileiros

Postado originalmente na Uol em 13/03/2011

Um excelente artigo de Luiz Carlos Bresser-Pereira na Folha de São Paulo (13-3-2011) comenta hoje o premiado “Inside Job”, documentário ganhador do Oscar e que trata da crise financeira global de 2008. Segundo Bresser-Pereira:

A ideologia neoliberal dos mercados autorregulados e da liberalização e desregulamentação geral do sistema econômico que abriu espaço para fraudes de todo tipo foi “legitimada” pela teoria ortodoxa. Foi essa teoria que fundamentou o neoliberalismo. (…) Não há, portanto, nessa teoria compromisso com a verdade, nem com a moralidade, apenas com a consistência lógica e com o autointeresse. (…) “Inside Job” mostra essa imoralidade de forma viva e definitiva. E mostra que quem a justifica são sempre economistas que ensinam essa teoria sem compromisso com a realidade e com o interesse público.

Foi neste contexto que se criaram as teses educacionais que os reformadores empresariais divulgam, tardiamente, no Brasil de hoje. O neoliberalismo iniciado com Tatcher e Reagan produziu no campo da educação um neotecnicismo. Este neotecnicismo tardio defendido hoje pelo Movimento Todos pela Educação e de forma mais radical pela sua dissidência o Parceiros da Educação, defende a desregulamentação da educação e sua inserção no mercado, privatizando os serviços públicos (escolas charters), e defende a inserção do professor no mercado de trabalho igualmente com regras privadas (nova carreira paralela para quem entrar no serviço público, sem estabilidade), de forma a poder lança-lo na lógica empresarial dos bônus e das punições. Já analisamos suas propostas antes neste blog.

Estes novos “Chicago boys” brasileiros vão aparecer mais claramente  durante a aprovação do Plano Nacional de Educação. O Canal Globo News promete uma série sobre educação para o final de março – não perca… o show vai começar.

Publicado em Links para pesquisas, Postagens antigas da UOL, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

O negócio da educação no Brasil

Postado originalmente na Uol em 13/03/2011

MIT faz debate sobre educação no MAM

“Em comemoração ao 150° aniversário do MIT, O MIT Sloan convida alguns dos principais nomes no setor de educação, Cláudio de Moura Castro, Ricardo Semler, Eduardo Alcalay, Lucas Guimarães e VanDyck Silveira, para debater sobre as principais inovações no setor educacional, voltadas a melhoria na gestão e criação de capital humano e social.

O “The Business of Education in Brazil” será no Museu de Arte Moderna (MAM), na próxima quarta-feira, 16, a partir das 19h30.”

Publicado em Postagens antigas da UOL, Privatização, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

O relatório que Dimenstein escolheu para o Brasil

Postado originalmente na Uol em 14/03/2011

Em seu site catracalivre Dimenstein disponibiliza relatórios para inspirar o Brasil a adotar formas inovadoras de organizar a educação que ele chama de “modelos de iniciativas educacionais”- baseado nas escolas charters americanas. Ele faz coro com a Parceiros da Educação que sugere a adoção deste tipo de escola em seu projeto educacional para o Brasil.

Entre seus relatórios está um estudo feito pela McKinsey/Harvard que tem a pretensão de mostrar a superioridade das escolas charters sobre o ensino público, no estado de Massachusetts. Se estou certo, Dimenstein encontra-se fazendo estágio em Harvard e deve ter tropeçado no início de janeiro com o lançamento deste relatório lá mesmo. Decidiu compartilhá-lo com os brasileiros. Sobre as outras sugestões em seu site, me ocuparei delas em outras postagens.

Entretanto, Dimenstein não percebeu que tal relatório não teve impacto até agora dentro dos Estados Unidos e nem mesmo foi objeto de uma revisão por centros ou pesquisadores independentes. Nem percebeu mesmo que há outros relatórios que ele poderia ter escolhido para orientar os reformadores empresariais que deverão se reunir em breve no MAM em São Paulo para um simpósio com sugestivo nome: “O negócio da educação no Brasil”. Relatórios saem aos montes nos Estados Unidos e nem todos têm boa saúde. É o caso deste que ele escolheu para compartilhar conosco.

Poderia ter escolhido outro, mais abrangente, que avaliou as escolas charters em 16 estados americanos – não incluído aí Massachusetts – e que conclui que em apenas 5 estados entre os 16, há resultados que apontam claramente a superioridade das escolas chartes sobre as escolas públicas americanas. Poderia recorrer também a uma revisão de estudos sobre escolas charter feita pelo  National Education Policy Center sobre o estudo da Brown Center on Educational Policy at Brookings, ao invés de pegar o primeiro relatório que estava à mão em Harvard.

Mas a questão não é só de comparação entre desempenho de alunos de um e de outro tipo de escola, como veremos em artigo abaixo. Fosse assim, Dimenstein poderia ter citado o recente estudo de Indiana e não de Massachusetts, feito pelo CREDO. Pelo menos neste, embora ainda existam problemas, as escolas charters aparecem melhor na foto. Como veremos em matéria que segue, entretanto, a questão não é somente a comparação entre notas dos alunos que estão estudando em um tipo de escola e em outro. Isso é reduzir demais a questão educacional. Há outros fatores – como as concepções de educação em jogo.

Para uma análise crítica do estudo de Massachusetts, escolhido e divulgado por Dimenstein disponibilizo link abaixo.

Estudo sobre as Escolas Charter de Massachusetts não é mencionado no Boston Globe: isso só pode significar uma coisa

Sábado, 12 fevereiro, 2011

Pago com verba federal reservada para o avanço da cruzada contra a escola pública, o Estado de Massachusetts, pediu a pesquisadores da McKinsey treinados na CEPR de Harvard para analisar como está o desempenho das escolas charters do estado em comparação com a pontuação das escolas públicas. Os resultados foram objeto de uma recepção e discussão menor no painel em Harvard no início desta semana, e o fato de que o Boston Globe não relatou isso só pode significar que os resultados não são nada bons para as escolas charters.

Continue lendo em (inglês):

http://www.schoolsmatter.info/2011/02/massachusetts-charter-school-study-not.html#comment-form

Publicado em Escolas Charters, Links para pesquisas, Postagens antigas da UOL, Privatização, Responsabilização/accountability | Com a tag , | Deixe um comentário

Pedagogia penal para os pobres

Postado originalmente na Uol em 15/03/2011

Porque as escolas charter funcionam com a pobreza, se é que funcionam? Em postagem anterior esta questão é explicada, analisando o relatório que Dimenstein disponibilizou. As classes médias americanas não aceitariam a pedagogia penal imposta aos pobres que Dimenstein diz melhorar seu desempenho – o que em si, já é controverso nos Estados Unidos.

Tais relatórios circulam como verdades no Brasil.

A proposta das escolas independentes é uma forma de guetorizar a educação dos pobres diversificando a educação “pública” segundo a origem social dos alunos, permitindo, onde for necessário,  descolar a classe média da escola pública regular via escolas charters que modulam o oferecimento da educação segundo tal origem social – além de ser um negócio rentável. Em postagem anterior que mencionei acima, o leitor encontrará o fundamento desta apreciação, a partir de uma análise crítica do relatório que o próprio Dimenstein sugere.

Uma revolução na educação pública

gilberto dimenstein –  15/03/2011 – 09h14

Imagine uma escola pública dirigida pela comunidade, com a liberdade de escolher e demitir os diretores e os professores, além de estabelecer seu próprio currículo e o número de horas que os alunos estudam. Esse tipo de escola independente gera um intenso debate nos Estados Unidos, mas virou um objeto de desejo dos pais e criou enormes filas de espera –e, por isso, apesar da resistência dos sindicatos e dos burocratas, se dissemina.

Nesta semana será apresentado, em um encontro sobre educação promovido pelo MIT em São Paulo, um detalhado estudo feito por economistas americanos mostrando que, nas áreas urbanas deterioradas, essas escolas, aqui chamadas de ‘Charter’, fazem o aluno prosperar expressivamente.

Continue lendo em:

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/gilbertodimenstein/888822-uma-revolucao-na-educacao-publica.shtml

Publicado em Escolas Charters, Postagens antigas da UOL, Privatização | Deixe um comentário

Texto da Revista Carta Fundamental

Postado originalmente na Uol em 16/03/2011

Atalhos ilusórios

Carta Fundamental, 15 de março de 2011 às 16:20h

Como a meritocracia pode ser determinante para o fracasso da progressão continuada no Brasil

Aimplantação da organização escolar chamada de progressão continuada foi uma demanda para desafogar o sistema escolar em alguns estados. Em 1994, tínhamos uma geração e meia de jovens dentro do sistema. A reprovação causava congestionamento.

A nova medida convinha aos propósitos políticos, pois melhorava inicialmente a percepção de que o ensino ia mal. Convinha aos propósitos econômicos, já que reduzia o gasto com reprovados. E convinha também aos propósitos sociais: as crianças continuavam guardadas na escola, mesmo que não aprendessem o conteúdo escolar.

A questão é que os pais (ou seja, os eleitores) perceberam e começaram a cobrar dos políticos. Foi aí que se deu o recuo. É comum em época de eleição, como vimos em 2010, os candidatos abordarem a questão da progressão continuada e prometerem que acabarão com ela ou a revisarão. Até a fala da presidenta Dilma Rousseff, na abertura deste ano escolar, não poupou o método.

Mas se estava ruim com a progressão continuada, pior ainda foi a sua combinação com as políticas de controle meritocráticas, que ¬introduziram equivocadamente no sistema escolar a ótica dos negócios. A nova solução ensaiada no Brasil implica “responsabilizar” diretores e professores pela qualidade do ensino, deixando o papel do Estado mais opaco. Em sua formulação acabada, em uso em alguns países, essa visão situa o problema da não aprendizagem apenas nos profissionais da educação e na gerência pública das escolas. Como solução, o Estado passa a pagar diferenciadamente com bônus os melhores profissionais e a demitir os piores – inclusive os diretores. Com isso, o Estado dá uma “satisfação” à população. A transferência de responsabilidade para os profissionais da Educação faz com que o Estado passe a ter o papel apenas de premiar ou punir, ficando “bem na cena” com os pais, pois tomou providências enérgicas com os professores incompetentes. Em sua forma mais elaborada, as escolas com baixo desempenho são fechadas e entregues à iniciativa privada sob contrato, o que novamente transfere a responsabilidade para fora do Estado – além de criar mercado para as organizações sociais privadas.

A questão é que esse não é o fim da história. Como todo sistema hierárquico, o elo mais fraco é que paga a conta, e este não é o professor: é o aluno. Quando os pais perceberem que a conta ficou novamente para seus filhos, haverá nova reação. Os professores e demais profissionais da escola vão transferir para o andar de baixo a ameaça de punição, vai piorar a situação conflitiva nas salas de aula e a pressão para os alunos se saírem bem nos testes será brutal. Esta é a situação em que se encontram os Estados Unidos, onde um recente documentário trata dessas pressões sobre os alunos, chamado Race to Nowhere (Corrida para Nenhum Lugar, de Vicki Abeles e Jessica Congdon, 2009).

Mais ainda, como o sistema é “azeitado” à base de pagamento de “bônus” haverá uma tendência para se “inflacionar” os resultados dos testes dos alunos – entre outras estratégias para evitar as punições e não perder o “benefício”. A secretária de Educação de Atlanta, depois de uma carreira brilhante baseada no aumento de dois dígitos nos resultados de aprendizagem das escolas, caiu, no fim do ano passado, com uma investigação que apura nada menos que fraude nos testes de 58 escolas da cidade.

Nova York está há tempos sob a mesma suspeita, pois os alunos se saem bem em testes locais, mas não vão tão bem nos testes nacionais. Suspeita-se de rebaixamento de exigência em testes locais para poder acessar verbas federais. John Klein, secretário de Educação, deixou o cargo no início deste ano.

Dúzias de relatórios de pesquisadores e centros de pesquisas independentes mostram a inadequação de se tratar a educação dentro da lógica dos negócios e de mercado. Mesmo escrita em linhas tortas, a proposta da progressão continuada estava em colocar como questão central da aprendizagem o tempo adicional para atender às diferenças pessoais dos alunos. O problema é que o Estado nunca viabilizou adequadamente a escola para lidar com esse tempo adicional.

No caso do estado de São Paulo, quando chegou o momento de apoiar o aluno, faltou espaço físico para as escolas os acolherem no contraturno; faltaram professores com formação adequada e os processos que liberavam recursos adicionais ficaram presos na burocracia, enquanto os alunos viam o tempo se esgotar. Em geral, deu-se mais do mesmo aos alunos com dificuldades, ou seja, fez-se à tarde, no contraturno, o que já não havia dado certo pela manhã. Com a máquina emperrada, optou-se por colocar mais pressão no sistema introduzindo bônus. Relatos de fraudes em testes já começam a aparecer.

Mudar a duração dos ciclos da progressão continuada, embora correto, não resolverá muito se não for implementada a ajuda apropriada aos que têm dificuldades no aprendizado. Também é preciso conquistar professores e diretores com uma política salarial e condições de funcionamento para a escola. No Brasil, até “contêiner” é considerado escola. É aí que o sistema engasga. Políticos, empresários, pais e demais interessados têm de entender: não há atalho para a boa educação, e educação de qualidade custa caro.

Luiz Carlos de Freitas é professor da Faculdade de Educação da Unicamp

Publicado em Assuntos gerais, Links para pesquisas, Meritocracia, Postagens antigas da UOL | Com a tag | Deixe um comentário

Educação paulista na UTI

Postado originalmente na Uol em 18/03/2011

Pelo segundo ano, cai desempenho no Saresp no ensino médio

Alunos da rede estadual no ensino médio tiveram pior rendimento em português e matemática

18 de março de 2011 | 16h 02

Mariana Mandelli – O Estado de S.Paulo

Pelo segundo ano consecutivo, o ensino médio paulista registrou uma queda de desempenho no Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), prova que avalia todas as escolas da rede estadual nos 3º, 5º, 7º e 9º anos do ensino fundamental e o 3º anos do ensino médio.

O Saresp mede, basicamente, os conhecimentos em língua portuguesa, matemática e ciências.

Continue lendo em:

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,pelo-segundo-ano–cai-desempenho-no-saresp-no-ensino-medio,693847,0.htm

Publicado em Postagens antigas da UOL, Responsabilização/accountability, Saresp | Deixe um comentário

O arranjo dos números

Postado originalmente na Uol em 19/03/2011

O resultado do SARESP, sistema de medição da educação no Estado de São Paulo, apresentou os seguintes resultados para os anos iniciais do ensino fundamental:

Anos iniciais do fundamental

2009 2010
MATEMÁTICA
Insuficente 30,3% 29%
Suficente 63,3% 62,7%
Avançado 6,3% 8,2%
PORTUGUÊS
Insuficente 20,9% 19,8%
Suficente 68,8% 70,4%
Avançado 10,3% 9,8%

FONTE: http://educacao.uol.com.br/ultnot/2011/03/18/nota-do-ensino-medio-de-sp-cai-e-chega-a-181-em-uma-escala-de-zero-a-dez.jhtm

Note-se, entretanto, que a escala criada no Estado tem apenas três posições: insuficiente, suficiente, avançado. Isso causa um congestionamento no nível “suficiente”. Seria bom sabermos qual a amplitude de proficiências que se considera em cada nível para classificar o aluno, além é claro de sua interpretação pedagógica. No Brasil, não temos o hábito de fazer relatórios técnicos públicos da análise dos dados. Divulgamos apenas breves informes para os jornais.

Normalmente, as escalas são mais discriminativas ou seja, contêm quatro pontos: abaixo do básico, básico, proficiente e avançado.

Suspeito que se usássemos esta última escala, os resultados seriam mais trágicos, com a concentração dos alunos no “abaixo do básico” e “básico” e não no “proficiente”, ou na tabela do estado, “suficiente”.

Esta mudança na escala é recente, creio que foi introduzida na gestão anterior, de Paulo Renato. Seria bom a Secretaria rever isso e colocar mais transparência nos resultados com uma escala mais refinada.

Publicado em Postagens antigas da UOL, Saresp | Deixe um comentário

Escolha sem equidade: a segregação das charters

Postado originalmente na Uol em 19/03/2011

Choice without equity:  Charter school segregation

Frankenberg, E., Siegel-Hawley, G., Wang, J. (2011) “Choice without equity: Charter school segregation.” Educational Policy Analysis Archives, 19 (1).

Resumo: A popularidade política de escolas charters é inconfundível. Este artigo explora a relação entre as escolas charters e a segregação no país, em 40 estados, no Distrito de Columbia, e em várias dezenas de áreas metropolitanas com grande volume de matrículas dos alunos de escolas charters em 2007-08. A análise descritiva da matrícula escolar das escolas charters visa compreender as características dos alunos matriculados nestas escolas e verificar em que medida os alunos das escolas charters são segregados, incluindo a forma como são segregados, comparando com os estudantes das escolas públicas tradicionais. Este artigo examina essas questões em diferentes níveis  agregando matrículas  ao nível da escola para explorar padrões entre áreas metropolitanas, estados e na nação por meio de três conjuntos de dados nacionais. Nossos resultados sugerem que as escolas charters atualmente isolam os alunos por raça e classe. Esta análise de dados recentes mostra que as escolas charters são racialmente mais isoladas do que as tradicionais escolas públicas em praticamente todos os estados e grandes regiões metropolitanas da nação. Em algumas regiões, os estudantes brancos estão sobre-representados nas escolas charters, enquanto em outras, os estudantes minoritários têm pouca exposição aos estudantes brancos. Os dados sobre o grau em que as escolas charter atendem  alunos de baixa renda e aprendizes de inglês  estão incompletos, mas sugerem que uma parte substancial das escolas charters não inscrevem estes estudantes. Como as escolas charters representam uma parte crescente das nossas escolas públicas, elas influenciam o nível de segregação vivida por todas as crianças em idade escolar da nossa nação. Depois de duas décadas, a promessa de escolas charter de usar a “escolha” para promover a integração e a igualdade na educação americana ainda fica por ser realizada.

Link para o estudo: http://epaa.asu.edu/ojs/article/view/779

Publicado em Escolas Charters, Links para pesquisas, Postagens antigas da UOL, Privatização | Deixe um comentário

A engenharia dos reformadores empresariais

Postado originalmente na Uol em 20/03/2011

Apresentamos,  em postagem anterior, o artigo de Paul Krugman mostrando como nos Estados Unidos os salários médios caíram para formandos em “colleges”. Ele também aborda a ilusão que se criou de que diploma na mão é garantia de emprego melhor.

Também adicionei ontem estudo que mostra como as escolas charters proposta pelos reformadores empresariais só aumentaram a segregação racial e de classe nos Estados Unidos.

No Brasil, reportagem da Folha de São Paulo, abaixo, mostra estudos que já indicam que os escolarizados são maioria entre os desocupados. Isso reforça a tese de que o que está em jogo, em parte, com o interesse das corporações pela educação e seu controle é formar uma elite de qualificados, desenvolver postos técnicos e aumentar a base de formados em todas estas áreas para derrubar salários.

A privatização via escolas charters – contratos de gestão para gerir escolas públicas – visa atender à classe média, deixando a pobreza abandonada em uma escola pública de caráter assistencial, enquanto o setor privado clássico cuida da classe alta.

É uma ilusão pensar que todos estarão qualificados e empregados. O sistema também precisa de gente com pouca qualificação. Em realidade está mais interessados nas duas pontas: altamente qualificados e com pouca qualificação. É o que o estudo mostra. Claro que quando a classe média nascente descobrir isso, teremos barulho que será reforçado pelo andar de baixo, a pobreza …

Esta é a razão pela qual a educação não pode ser assunto restrito à ótica dos reformadores empresariais. A educação não é apenas um subsistema do setor produtivo.

Escolarizado é maioria entre desocupados

Folha de São Paulo 20/03/2011 – 05h00

Josué Carvalho dos Santos, pedreiro, sete anos de estudo, não fica sem trabalho há quase uma década. Janaína Alves, auxiliar de escritório, ensino médio completo, procura emprego há meses.

As diferentes trajetórias revelam o novo perfil do desemprego no Brasil. Em 2010, 60% dos desempregados tinham 11 anos ou mais de estudo, e 33,6%, até oito anos.

Continue lendo em:

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/891326-escolarizado-e-maioria-entre-desocupados.shtml

Publicado em Assuntos gerais, Postagens antigas da UOL, Segregação/exclusão | Deixe um comentário

Pérola do dia

Postado originalmente na Uol em 21/03/2011

Em plena contramão…

Jornal Estadão: Mas os últimos dados, como o Ideb e o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), mostram que o Brasil avança, mesmo que lentamente.

Hubert:  O Brasil está se preocupando com os resultados das avaliações. E elas focam em quê? No ensino fundamental e médio. O governo federal tem uma rede muito pequena de ensino fundamental. Quem cuida disso são os Estados e os municípios. São eles que têm feito a lição de casa. Então, parece até contraditório se falar tanto em creche e pré-escola enquanto o que está sendo medido mesmo é o quanto o menino aprende de matemática e português em cada ciclo do fundamental e do médio. Quando tivermos o Pisa de um país desenvolvido, aí poderemos pensar no ensino infantil.

QUEM É Hubert Alquéres

Presidente do Conselho Estadual de Educação de São Paulo, formado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia Mauá. Lecionou na Escola Politécnica da USP e no Colégio Bandeirantes. É membro do Conselho Estadual desde 1998. Foi presidente da Imprensa Oficial e ocupou os cargos de secretário de Comunicação e secretário-adjunto de Educação do Estado de São Paulo. Hoje, também é vice-presidente da Câmara Brasileira do Livro.

Leia a entrevista completa em:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,nao-ter-um-plano-de-educacao-nao-prejudicou-sp,694867,0.htm

Publicado em Assuntos gerais, Avaliação na Educação Infantil, Postagens antigas da UOL | Deixe um comentário

Preparando o terreno… para as escolas charter

Postado originalmente na Uol em 21/03/2011

Lei permite experiência de escolas “charter” no Brasil

PATRÍCIA GOMES

Folha Online, 21/03/2011 – São Paulo SP

Se, nos EUA, o conceito de escola “charter” é bastante disseminado, no Brasil, não é bem assim. Apesar de a lei brasileira ter aberto uma brecha, em 1998, para a gestão compartilhada entre o setor público e o privado de escolas, as iniciativas por aqui ocorrem de forma isolada e ainda são muito pouco conhecidas. Funciona assim: uma entidade -que pode ser uma ONG, uma fundação- propõe um projeto para a administração de uma ou mais escolas públicas a sua respectiva secretaria de educação.  No convênio, a entidade assume metas de qualidade e está livre para propor um projeto pedagógico novo, desde que respeite as diretrizes impostas pelo MEC (Ministério da Educação). Entre os anos de 2004 e 2007, em Pernambuco, o modelo charter foi implantado em escolas de ensino médio da rede estadual.

A grade curricular foi reformulada, os professores que já eram dessas escolas receberam uma formação especial e tiveram seus salários   aumentados. O resultado foi que o desempenho dos alunos no Enem foi maior do que a média obtida pela maioria das redes particulares do país.

A seguir, leia a entrevista realizada com Maria Carolina Nogueira Dias e Patricia Mota Guedes, especialistas em gestão educacional da Fundação Itaú Social e autoras dos livros “A reforma educacional de Nova York – possibilidades para o Brasil” e “Modelo de escola charter: a experiência de Pernambuco”.

Continue lendo em:

http://www1.folha.uol.com.br/saber/890917-lei-permite-experiencia-de-escolas-charter-no-brasil.shtml

Publicado em Links para pesquisas, Postagens antigas da UOL, Privatização, Responsabilização/accountability | Com a tag | Deixe um comentário

Forçando a privatização por contratos de gestão

Postado originalmente na Uol em 21/03/2011

Ao mesmo tempo que a Folha On Line divulga a experiência de Pernambuco com as escolas charters sob o título de “legislação permite experiências com escolas charters”, a Folha de São Paulo mobiliza Helio Schwartzman para uma reportagem sobre o documentário Waiting for Superman, recentemente produzido nos Estados Unidos, e que endeusa a reforma empresarial da educação naquele país. Somos salvos por Diane Ravitch, cuja ação dentro daquele país, obriga a uma reportagem relativamente imparcial sobre estas formas de privatização da escola pública. A reportagem de Hélio está boa no sentido de que não omite o contraditório, o que a Folha vinha fazendo até pouco tempo. Mas, na mesma página, outra reportagem de Fernando Veloso volta a endeusar as reformas empresariais tipo charter em uma confusa matéria sobre os resultados do Pisa em Xangai. O conjunto destas matérias é significativo.

Veloso tenta torcer a reforma educacional chinesa em Xangai. Segundo Diane Ravitch, em Xangai não se seguem as reformas empresariais vigentes nos Estados Unidos e no ocidente – bem ao contrário do que tenta sugerir Fernando Veloso, torcendo os fatos e usando meias palavras. Diz Veloso:

“estratégia mais recente estabelece um contrato de gestão, por meio da qual uma escola de boa qualidade assume, durante um determinando período, a gestão de outra que tenha desempenho fraco.”

Faltou dizer que a escola de boa qualidade a que ele se refere é pública. Tenta fazer parecer que Xangai usa escolas charters (escolas por contrato de gestão) quando são ações de apoio entre escolas públicas e não processos de privatização. Feio isso.

Vejamos o trecho do original onde Veloso leu isso:

“A quinta estratégia é relativamente nova, mas ganhou atenção crescente. É chamada de administração contratada, um tipo de programa de custódia de escola em que o governo comissiona “boas” escolas públicas para assumir a administração de escolas “fracas”. Ao abrigo deste regime, as “boas” escolas públicas nomeiam seus líderes mais experientes (como o vice diretor) para ser o diretor da escola mais “fraca” e envia uma equipe de professores experientes para liderar o ensino. Acredita-se que o “ethos”, estilo de administração e métodos de ensino das escolas boas podem, dessa forma, serem transferidos para as escolas mais fracas”.

Ou seja, a mencionada “administração contratada” não tem nada a ver com os contratos de gestão das escolas charters ocidentais. Em Xangai há um processo de mútuo apoio entre escolas públicas.

Diz ainda Veloso:

“Em essência, a reforma educacional de Xangai combinou elementos de responsabilização de professores e escolas com recursos para que as metas de qualidade do ensino sejam atingidas”.

Não há nenhuma evidência no relatório citado por Veloso de que a China esteja usando responsabilização na forma como se usa no ocidente, a qual é, aqui, sinônimo de uso da lógica dos negócios e de mercado no âmbito da educação.

Para Diane Ravitch a lição que fica de Xangai e da Finlândia para os Estados Unidos é a seguinte:

“A lição do PISA é o seguinte:  nenhuma das nações de maior desempenho do mundo fazem o que os nossos “reformadores” querem fazer. Quanto tempo vai demorar até que os nossos líderes políticos começem a ouvir os educadores? Quanto tempo vai demorar até que percebam que suas estratégias não funcionaram em nenhum lugar? Quanto tempo levará até que eles parem de impor suas ideias ruins a nossas escolas, nossos alunos, nossos professores e para a educação americana?”

Não há razão para copiarmos as escolas charters americanas e seu contexto de responsabilização e meritocracia. Xangai não faz isso. Finlândia também não. E o próprio Brasil melhora sem recorrer a esta ideologia empresarial.

Ainda sobre a China é interessante ler o comentário de Zhao:

“É verdade que a China e a Índia começam a educar os seus filhos mais cedo e terminam  mais tarde, com maior ênfase em matemática e ciência?

Não, a China realmente começou a reduzir o tempo de estudo para seus filhos, com menos ênfase em matemática e ciências.  (…) A idade de início escolar na China permanece a mesma idade de seis anos desde a década de 1980 quando pela primeira vez a China aprovou a Lei de Educação Compulsória em 1986. Desde os anos 1990, a China lançou uma série de reformas educacionais destinadas a reduzir o horário escolar e diminuir a ênfase em matemática. Segundo um comunicado recente do Ministério da Educação: “Desde a implementação do “Novo Currículo”, o montante total do tempo de aula durante o período de ensino obrigatório (graus 1-9) foi reduzida em 380 horas/aula. Durante o ensino fundamental (séries 1-6), o tempo da aula de matemática foi reduzido em 140 horas/aula, enquanto adicionou-se  mais 156 horas aula para a educação física. No ensino médio, 347 horas de aula foram retiradas de cursos obrigatórios e 410 horas/aula em disciplinas optativas foram acrescentadas.”

Para quem ainda não leu, veja postagem anterior neste blog de Zhao (Contrariando Obama) e de Diane Ravitch (O que há de comum entre Shangai e Finlândia? D. Ravitch explica.)

Publicado em Escolas Charters, Postagens antigas da UOL, Privatização | Com a tag , | Deixe um comentário

Mais sobre escolas charter no Brasil

Postado originalmente na Uol em 23/03/2011

Segue link para reportagem da Revista Educação sobre as escolas charter.

Agregue-se à discussão que a questão não é apenas se os resultados são ou não superiores, a questão é o tipo de pedagogia utilizada para fazer com que os pobres apresentem míseros resultados a mais, quando isso ocorre: uma pedagogia penal.

http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/167/artigo234913-1.asp

Publicado em Links para pesquisas, Postagens antigas da UOL, Privatização | Deixe um comentário

MEC não estimula escolas charters no Brasil

Postado originalmente na Uol em 23/03/2011

Fernando Haddad e sua equipe estão dando demonstração de que são fieis à sua biografia. Apesar de algumas divergências que temos, em especial em relação ao exame nacional para docentes, o Ministro envia através da SEB, na pessoa de sua Secretária Maria do Pilar, um sinal muito importante para toda a área educacional que neste momento está preocupada assistindo ao crescimento na mídia, orquestrado por esta juntamente com ONGs e fundações pagas pelas grandes corporações, da proposta de adesão à implantação de escolas públicas administradas pela iniciativa privada, por contrato de gestão – as escolas charters americanas.

Recente reportagem da Revista Educação diz:

“No âmbito do governo, a cautela de Naércio é compartilhada pela historiadora Maria do Pilar, secretária nacional da Educação Básica. Para Pilar, o debate das escolas charter ainda é muito incipiente e localizado, e não deve ocupar o foco das mudanças na educação brasileira. “Podemos melhorar o desempenho das escolas adotando práticas de gestão melhores”, acredita. Para Pilar, o Brasil é um país que tem uma agenda ainda do século 19, no que diz respeito à educação. “Precisamos ainda garantir a entrada das crianças de 4 a 17 anos, e mudanças como a introdução das escolas charter provocam certa desestabilização no sistema público”, diz.”

Para Pilar:

“o Brasil ainda tem a avançar na cultura da escola pública, que passou da noção de uma escola para elites, exclusivista, para uma escola para pobres, negada pelas classes ricas. “Como na França ou na Alemanha, precisamos ter uma escola pública para todos. Não é uma questão ideológica, mas um símbolo da vida democrática”, diz.”

É isso.

Leia a matéria em: http://revistaeducacao.uol.com.br/textos.asp?codigo=13096

Publicado em Escolas Charters, Estreitamento Curricular, Fernando Haddad no Ministério, Postagens antigas da UOL, Privatização, Responsabilização/accountability | Com a tag | Deixe um comentário

Escândalos nas Escolas Charters americanas

Postado originalmente na Uol em 23/03/2011

Para acompanhar o volume de escândalos de toda sorte ligado às escolas charters americanas o leitor deste blog pode acessar o link abaixo:

http://charterschoolscandals.blogspot.com/

Atente-se para o aparelhamento das escolas charters por movimentos religiosos e de outras ideologias.

No link abaixo, você pode encontrar estudos sobre as escolas charters americanas:

http://charterschoolscandals.blogspot.com/p/charter-school-studies.html

Publicado em Escolas Charters, Links para pesquisas, Postagens antigas da UOL, Privatização, Responsabilização/accountability | Com a tag | Deixe um comentário

“Mandrakaria” a solta…

Postado originalmente na Uol em 24/03/2011

Os políticos e reformadores empresariais da educação gostam de números. Em parte porque, com eles, pode-se fazer quase tudo. Inclusive maquiar políticas e impactos. Hoje pode-se ler na Folha de São Paulo (24-3-2011) a manchete “Rio muda critério e apaga surto de dengue”. A dengue continua, nada mudou na realidade, mas já não se pode culpar o governo de ter uma epidemia.

A “mandrakaria” é simples: O critério da Organização Mundial de Saúde considera que existe epidemia quando há mais de 300 casos por 100 mil habitantes. A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro adicionou mais um critério – isso vale, mas a contagem é feita somente tomando como referência as últimas cinco semanas. Ou seja, os casos anteriores a cinco semanas, pouco mais de um mês, não são incluídos. Fácil. Desapareceu a epidemia em 14 bairros do Rio de Janeiro.

Isso não muda a doença e sua velocidade. Mas agrada os políticos e retira o Estado da mídia negativa.

A lição do episódio é clara: olhe sempre para a metodologia e exija transparência dos critérios.

O mesmo vale para a educação. Como já comentamos neste Blog, o Estado de São Paulo, por exemplo, mudou sua escala de interpretação dos resultados do Saresp recentemente para apenas três posições: insuficiente, suficiente, avançado.

Se ela tivesse mais posições, por exemplo: abaixo do básico, básico, proficiente e avançado, a história poderia ser outra. Mas usando apenas três posições, o Estado aparece com mais de 60% dos alunos como suficientes. Ou seja, a “mandrakaria” faz com que mais alunos sejam considerados “suficientes”.

Alguns estudos sobre a eficiência de escolas charters, nos Estados Unidos, tentam mostrar que elas produzem resultados melhores, por exemplo, mas não mostram a origem social dos alunos que atendem, não mostram a quantidade de alunos que estão na linha da miséria que elas atendem, não mostram a quantidade de alunos com necessidades especiais que atendem, não revelam o tipo de contrato que fazem os pais assinarem quando matriculam seus filhos, não revelam o tipo de pedagogia que põem em prática com seus alunos, etc.  Focam apenas números.

A razão, em parte, é esta. Números podem dizer quase tudo que nós queiramos, na dependência de quanto nós decidamos tortura-los…

Publicado em Assuntos gerais, Postagens antigas da UOL | 1 Comentário

Mais um estado empaca…

Postado originalmente na Uol em 24/03/2011

Mais um estado tido como “modelo”, usando meritocracia e outras medidas propostas pelos reformadores empresariais do PSDB empaca. Depois do Estado de São paulo e da Prefeitura do Município de São Paulo, agora é a vez de Minas Gerais.

Escolas públicas melhoraram pouco no último ano

Hoje em Dia, 24/03/2011 – Belo Horizonte MG

Por Augusto Franco

Avaliação do Governo do Estado mostra que rendimento cai na medida em que aumenta número de anos estudados

O aprendizado dos alunos das escolas estaduais e municipais de Minas Gerais melhorou em 2010, na comparação com 2009, mas ainda está abaixo do desejável. A pior situação é entre alunos de matemática do terceiro ano do Ensino Médio. Entre todos os que se formaram na rede pública em 2010, 54,8% têm nível “Baixo” de aprendizagem em matemática, a pior nota possível. Outros 41,1% estão dentro da categoria “Intermediário”, e apenas 4,1 % estão no nível “Recomendado”.

Continue lendo em:

https://groups.google.com/forum/?fromgroups=#!topic/laurosanchez/cKkFitVhw3k

Publicado em Assuntos gerais, Postagens antigas da UOL, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

Mãe lidera movimento contra testes

Postado originalmente na Uol em 28/03/2011

PSSA sobrecarrega escolas e alunos

Michele Gray

11 março, 2011

O Sistema de Avaliação de Escolas da Pensilvania [PSSA, em inglês] está sobre nós. Avisos das escolas aconselham aos pais que os nossos filhos durmam o suficiente, mantenham-se hidratados, comam um pequeno e saudável almoço e façam pausas nas atividades pós-escolares. Parece que os alunos vão correr uma maratona.

Com o apoio de especialistas em educação, alguns pais em State College e comunidades vizinhas estão escolhendo um caminho diferente. Baseados em lei da  Pensilvânia Título 22 Capítulo 4, secção 4 (d) (5), os pais têm o direito de optar por deixar seus filhos fora dos testes. A isenção é “religiosa”, mas o Departamento de Educação da Pensilvânia confirmou que isso inclui qualquer objeção moral, psicológica, filosófica ou mesmo médica. A razão não pode ser contestada.

Continue lendo em:

http://www.centredaily.com/2011/03/11/2575400/pssas-put-burden-on-schools-students.html

Publicado em Assuntos gerais, Avaliação na Educação Infantil, Links para pesquisas, Postagens antigas da UOL, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

Fuga para o centro…

 

Postado originalmente na Uol em 29/03/2011

Durante a década de 90 propusemos um   modelo de interpretação da avaliação da aprendizagem em sala de aula que   procurava colocar em evidência o papel da auto-estima do aluno na produção do   sucesso ou do fracasso escolar. Neste modelo, considerávamos a posição de um   professor tendo que lidar com 40 alunos em diferentes níveis de aprendizagem,   sob pressão de um determinado tempo escolar no qual determinados conteúdos  deveriam ser vencidos. A passagem do tempo (uniforme para todos os alunos) se   convertia em um poderoso delimitador dos esforços do professor, face ao   número de alunos em sala.

A conseqüência – assumida por dezenas   de professores em situação de pesquisa qualitativa ou em palestras e debates   – era que o professor se via forçado a restringir sua atenção àqueles que   tinham alguma possibilidade de progredir para uma posição média, em termos de   desempenho. Os que já estavam aprovados, não precisariam de grandes   investimentos, apenas manutenção. Dentre os não aprovados, dois grupos se   diferenciavam: um próximo à média e outro mais distante. Com a quantidade de   alunos, os professores eram forçados a dedicar-se aos que estavam mais   próximos da média, abandonando os mais distantes.

O que acontece quando sobre esta   realidade, impomos um esquema de responsabilização e meritocracia –   envolvendo penalidade para professores pelos baixos desempenhos dos alunos?

Graças a um estudo de Neal   e Schanzenbach (2010) sabemos que esta superposição conduz exatamente à   maximização deste modelo. Dizem os autores:

“Porque a linha de base da instrução   para todos os estudantes não é uma variável de escolha da escola, o problema   da escola é minimizar o total de custo acarretado pela alocação de instrução   extra entre seus estudantes e as penalidades associadas com o fracasso do   estudantes. (…) As formas específicas da função penalidade, o custo da   função, a distribuição dos tipos de habilidades, e a distribuição dos erros   de medida interagem para determinar o exato modelo de investimento ótimo.   (…) O foco do nosso trabalho empírico é a afirmação de que os sistemas de   responsabilização construídos em torno da contagem de proficiência incentivam   as escolas a dar ajuda extra para os estudantes que estão no meio da   distribuição de habilidades e dá poucos incentivos para as escolas dirigirem   atenção extra  para os estudantes que estão muito abaixo da proficiência   ou já são proficientes” (p. 266).

Seja por meios qualitativos, seja por   modelos quantitativos como os de Neal, os resultados convergem.

A introdução de responsabilização e   meritocracia acelera e fortalece processos excludentes de longa data   conhecidos no interior da escola. Elas não são uma solução para o problema.

Publicado em Assuntos gerais, Links para pesquisas, Postagens antigas da UOL, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

Mais testes

Postado originalmente na Uol em 30/03/2011

A aplicação de testes avança em direção à pré-escola. Agora já está na terceira série do ensino fundamental, aos oito anos de idade.

Prova que avalia alfabetização de crianças é aplicada pela 1ª vez

Teste medirá quantos alunos do 3º ano sabem ler e escrever nas redes pública e privada de todas as capitais brasileiras

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo | 30/03/2011

Pela primeira vez, o Brasil vai medir quantas crianças estão alfabetizadas ao final do 3º ano do ensino fundamental, antiga 2ª série. Desde segunda-feira a Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização (ABC) é aplicada a cerca de 6 mil alunos de 262 turmas de escolas municipais, estaduais e particulares de todas as capitais do País.

O teste é uma iniciativa da ONG Todos pela Educação, que há cinco anos lançou como meta ter 80% das crianças nesta série alfabetizadas até 2010 e 100% até 2022. Até o ano passado, no entanto, não havia como monitorar o porcentual alcançado, pois as avaliações nacionais são aplicadas apenas a partir do 5º ano do ensino fundamental.

Continue lendo em:

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/prova+que+avalia+alfabetizacao+de+criancas+e+aplicada+pela+1+vez/n1300011930595.html
Publicado em ANA - alunos de 8 anos, Postagens antigas da UOL | Deixe um comentário

OCDE orienta educação em Santa Catarina

Postado originalmente na Uol em 30/03/2011

 O Governo do Estado de Santa Catarina contratou a equipe da OCDE – Organização de Cooperação para o Desenvolvimento Econômico -, a mesma que realiza o PISA,  para propor orientações para a Secretaria de Educação.

Com uma bibliografia genérica, sem nenhuma análise crítica ou indicação de fundamentação em pesquisas específicas, o relatório recomenda a introdução de sistemas de responsabilização e meritocracia (sugerindo que se use o sistema de bonificação de São Paulo, Minas ou Pernambuco) e pode ser baixado em:

http://www.sed.sc.gov.br/educadores/publicacoes

Avaliações de Políticas Nacionais de Educação – Estado de Santa Catarina, Brasil

Esta análise da OCDE apresenta uma breve visão global do setor da educação no Estado de Santa Catarina e das suas recentes evoluções. Realiza uma análise do sistema, desde a pré-escola até a educação superior e a aprendizagem continuada por toda a vida, e identifica as principais diretrizes para uma reforma das políticas à luz dos desafios enfrentados pelas autoridades, comunidades, empresas, bem como pelos educadores, pais e alunos.

Publicado em Assuntos gerais, Links para pesquisas, Postagens antigas da UOL, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

Obama quer menos testes

Postado originalmente na Uol em 30/03/2011

Com a educação centrada na preparação das crianças para os testes e empacada no PISA há 10 anos, o Presidente Obama parece querer retomar uma bandeira de sua campanha à presidência, quando defendeu menos testes nos Estados Unidos. A fala de Obama é contraditória, pois seu programa Race to the Top, incentiva fortemente o pagamento de professores a partir da avaliação dos alunos, portanto, os testes foram fortalecidos em seu governo.

Obama diz que excesso de provas torna a educação ‘muito chata’

Presidente dos EUA quer menos testes de avaliação nas escolas. ‘Não se aprende sobre o mundo, só se aprende como passar na prova’, diz.

Portal G1, 29/03/2011 Do G1, com informações da Associated Press

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse em uma conferência para estudantes, em Washington, que os alunos deveriam fazer menos testes padronizados e o desempenho escolar deveria ser medido não somente pelos resultados das provas. “Excesso de provas torna a educação muito chata para as crianças”, disse Obama. A reunião aconteceu na noite desta segunda-feira (28). “Muitas vezes o que temos vindo a fazer é usar esses testes para punir os estudantes ou, em alguns casos, punir as escolas”, afirmou o presidente em uma reunião com alunos e pais na Bell High School Multicultural, em Washington.

Continue lendo em:

http://g1.globo.com/educacao/noticia/2011/03/obama-diz-que-excesso-de-provas-torna-educacao-muito-chata.html

Publicado em Assuntos gerais, Postagens antigas da UOL, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

Meritocracia: não funciona e nunca morre…

Postado originalmente na Uol em 31/03/2011

Reflexões sobre o fracasso do pagamento por mérito

Diane Ravitch, no Education Week

29 de março de 2011

(…)

O julgamento mais rigoroso do pagamento por mérito foi realizado em Nashville recentemente pelo National Center for Performance Incentives. Foi oferecido um bônus extraordinário de 15.000 dólares para os professores que obtivessem escores mais altos de seus alunos. Durante um período de três anos não houve diferença entre os escores obtidos pelo grupo de tratamento e pelo grupo controle. O bônus não importa.

Roland Fryer, da Universidade de Harvard acaba de publicar seu estudo do muito elogiado programa de pagamento por mérito da cidade de Nova Iorque  para toda a equipe da escola. Fryer disse que o programa não fez nenhuma diferença em termos de resultados e o desempenho dos alunos realmente caiu em algumas escolas e para alguns grupos de alunos.

A autora ainda sugere outras leituras cujos links seguem abaixo:

http://www.edweek.org/ew/articles/2010/09/22/04gabor.h30.html

http://www.amazon.com/Man-Who-Discovered-Quality-Revolution/dp/0140165282/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1301402202&sr=1-1

http://www.amazon.com/Predictably-Irrational-Revised-Expanded-Decisions/dp/0061353248/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1301402233&sr=1-1

http://www.amazon.com/Drive-Surprising-Truth-About-Motivates/dp/1594488843/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1301402264&sr=1-1

Publicado em Avaliação de professores, Links para pesquisas, Meritocracia, Postagens antigas da UOL, Responsabilização/accountability | Com a tag | Deixe um comentário

Meritocracia fracassa em São Paulo

Postado originalmente na Uol em 1/04/2011

O ano passado o governo gastou 655 milhões em bônus para a rede estadual de ensino, seguindo sua política de meritocracia. O pagamento do bônus foi baseado no Saresp de 2009. Em entrevista, o então governador José Serra dizia: ““Estou convencido de que estamos fazendo uma revolução silenciosa, mas eficaz no sistema de ensino estadual. É daquelas mudanças das quais nós vamos nos orgulhar no futuro, que vai marcar época”.

 O Saresp de 2010 foi divulgado. Os resultados são os seguintes: o estado empacou ou recuou.

Publicado em Avaliação de professores, Links para pesquisas, Meritocracia, Postagens antigas da UOL, Saresp | Com a tag | Deixe um comentário